Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)

Tradutora: Mrs. Mandy Black

Shipper: Lily Evans e James Potter

Gênero: Romance / Humor

Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)

Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?


Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.


QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA

| Capítulo 5 - Halloween |

- Viu só? Está muito linda - disse Elise, arrumando a faixa de pingentes dourados que marcava a cintura da longa saia azul celeste que vestia.

- Sim, estou super fantástica! - respondeu Lily com visível desagrado, olhando-se no espelho.

Usava um vestido branco com reflexos brilhantes que terminava no tornozelo, com enfeites dourados na barra da saia comprida e também nas mangas. Em suas costas, escondendo o zíper do vestido, duas grandes asas de algodão. O cabelo, tingido de preto com um feitiço, estava caprichosamente preso em um coque, enfeitado com penas brancas e douradas.

- Pareço um enfeite de presépio - queixou-se.

- Está ótima - discordou Kate, saindo do banheiro com uma roupa de couro preto apertada e uma tiara com duas orelhinhas de gato -, só não está acostumada ainda. Não está pensando em ficar com isso, né? - apontou seu sapatos.

Lily calçava tênis esportivos bem largos, com os cadarços sem amarrar.

- Por que não? - perguntou, desafiadora. - É a única coisa que eu gosto nessa roupa.

- Pois está parecendo que tem um bidê em cada pé, Srta. Odette - explicou Elise. - Faça o favor de colocar outra coisa.

- Não tenho outra coisa.

- E os sapatos que lhe demos com o vestido? - perguntou Kate.

- Ah, aquilo era para colocar nos pés? - questionou Lily, inocentemente. - Eu pensava que eram para picar gelo... Me nego a torcer um tornozelo com isso.

- Então ao menos coloque as sapatilhas - suplicou Elise -, mas não vá com esses mamutes nos pés.

- Tá bem - desistiu Lily, irritada, colocando-se suas sapatilhas de ballet. - Estou completamente ridícula! - repetiu, mirando-se no espelho.

- Já disse que está ótima! - sentenciou Kate, tirando-a da frente do espelho. - Agora deixa eu te maquiar...

- Ah não! Já basta me obrigar a colocar um vestido digno da Chambers, usar asas de passarinho, tingir o cabelo... Não aceito que ponham nada na minha cara que seja feito de escamas de peixe e graxa!

- Se chama batom - resumiu Elise.

- Não se aproxime - Lily ameaçou Kate, que tinha destampado um batom vermelho nem um pouco discreto.

- Deixa ela, Kate - suspirou Elise, enquanto terminava de vestir seu top azul claro cheio de pingentes e colocava diversos braceletes e pulseiras. - Não peça mais nada a ela, já teve bastante contato com seu lado feminino por hoje.

Kate encolheu os ombros e tampou o batom, vigiada de perto por uma Lily tensa.

- Acho que estamos prontas - disse Elise, colocando sua máscara azul, entregando uma preta para Kate e uma dourada para Lily.

...

- Vamos dançar, querida? - perguntou James a Tracy pela vigésima quinta vez nesta noite, e pela vigésima quinta vez escutou a mesma resposta.

- Não seja inconveniente, não vê que estamos conversando? - Tracy se referia aos comentários que ela e suas amigas faziam sobre as fantasias de todas as meninas do baile, encontrando defeitos em cada uma. Essa "conversa" estava aborrecendo mortalmente os Marotos.

- Se importa se eu for dar uma volta?

- Não, não... Vai se distrair um pouquinho, bebê.

Sirius e Remus, fartos, também se levantaram das cadeiras em que estavam sentados, em volta de umas mesinhas redondas. Deixaram suas amigas fofocando e se misturaram com os estudantes que, se divertindo muito mais que eles, se dedicavam a dançar e aproveitar a festa.

Começaram a dançar com as garotas, que se juntavam em grupinhos por toda a pista.

...

Kate e Elise dançavam animadamente na pista, enquanto Artemis e Lily as observavam de suas cadeiras. Um gladiador, um lobo e um Merlin tinham tentado tirar as três para dançar, mas Lily tinha recusado.

- Fica bem o cabelo escuro, Lils - disse Artemis.

- Estou parecendo uma árvore de Natal, não zombe, oh César! - brincou a garota.

- Está muito bonita, de verdade - Artemis se levantou e estendeu a mão. Tinha começado a tocar uma música lenta. - Vamos dançar, que eu quero exibir minha acompanhante.

- Acho que não... - mas Artemis já a tinha tomado pela mão e a arrastava para o centro da pista. - Essas asas do capeta vão ser um estorvo para dançar e...

- Pare de se queixar e aproveita! - O garoto passou a mão por sua cintura.

Ela segurou sua saia graciosamente e começou a girar com seu amigo. Muitas pessoas foram até suas mesas para encontrarem um par para a valsa ou mesmo para descansarem um pouco, então foram poucos aqueles que permaneceram na pista dançando.

Artemis a fazia girar e girar. Realmente dançavam bem, enquanto conversavam e riam. Muitos observavam o belo casal de quem ninguém conseguia adivinhar as identidades. Kate foi chamada para dançar pelo Zorro e Elise iria se sentar e descansar em uma cadeira quando um toque gentil a segurou pelo ombro. Se virou. Um mosqueteiro vestido de azul, alto, de cabelo claro e os olhos escondidos por uma máscara negra a encarava.

- Você dança?

- Claro que sim - respondeu a garota, encaixando sua mão na dele. - Veio sem acompanhante, Remus?

- Como me reconheceu, Elise?

- Como você me reconheceu? - sorriu. - Dança muito bem.

- Os Marotos fazem tudo perfeitamente bem, querida.

- Há!

- Não sabia que vocês gostavam dessas futilidades... - comentou Remus.

- Não é futilidade. Pelo menos não como nós fazemos - a garota se irritou um pouco. - Viemos aproveitar um momento com os amigos. Não nos sentamos para discutir sobre tecidos, cortes e tudo o que é ou não fashion.

Remus começou a rir.

- Parece que conhece bem as garotas...

- Estou farta de ir às festas de meus pais e tios e ouvir as amigas de Sirius falando sempre sobre o mesmo assunto - disse, com um gesto cansado.

- E o que você faz nessas festas?

- Suborno as crianças para que coloquem insetos de plástico nas bebidas, acendam foguetes ou coloquem poções que fazem soluçar nas comidas. Também costumo trocar o gel do meu primo por cola... Enfim - suspirou -, me divirto como posso...

Remus voltou a rir.

...

- Olha o Moony - Sirius apontava com o queixo para o casal formado por sua prima e seu amigo. Ele estava encostado em uma parede com uma taça, ao lado de James. - E parecia um santo... É bonita a garota com quem ele está. Um pouco baixinha, mas bonita.

- Se a Monique escutasse isso...

- Monique está ocupada demais para me escutar - respondeu, chateado. - Por que elas não podem simplesmente aproveitar as festas?

James deu de ombros.

- De qualquer forma - continuou Sirius -, é muito mais bonita essa loira que está de gatinha. Acho que vou pedir para ela afiar uma de suas unhas nas minhas costas...

James negava com a cabeça enquanto via como seu amigo se dirigia até Kate. Então outra coisa chamou sua atenção. Bom, melhor dizendo, alguém chamou sua atenção. Um anjo... Uma garota que dançava perto da saída com um romano. Quem era essa beleza de cabelo escuro? Aproximou-se da porta e pôde comprovar que era realmente uma garota muito bonita, que lhe parecia bastante familiar. Mas não conseguia descobrir quem era. Agora a garota sorria... que sorriso! Mais tarde não saberia dizer por quanto tempo esteve ali, observando-a apoiado na beira da porta. Então a música mudou e a pista voltou a se encher de gente...

...

- Espera um pouquinho aqui, Lily - gritou Artemis, para que ela pudesse lhe ouvir através do barulho. - Vou buscar umas bebidas e já volto.

- Vou te esperar no jardim - respondeu Lily quando o garoto se virou. Não tinha muita certeza se ele a tinha escutado.

Abriu espaço entre a multidão para chegar até a porta da saída. Tinha um garoto apoiado ali, vestido de mosqueteiro. Ele a encarava, então quando passou ao seu lado, cruzando a porta para ir ao jardim, sorriu para ele.

James devolveu o sorriso à garota, que ia para o jardim. Viu que não tinha ninguém conhecido ali por perto e escapuliu atrás dela. Caminhou entre as roseiras e a viu sentada na grade de um dos muros, olhando a lua.

- Olá - Lily girou-se, sobressaltada. Não era essa voz que esperava ouvir.

- Olá - respondeu e voltou a olhar a lua. Não estava a fim de flertes escancarados nesse momento.

- O que está fazendo aqui? - insistiu James, sentando-se ao seu lado.

- Nada - disse distraída. Iria dizer "Tricô, não está vendo?", mas lhe pareceu uma maneira muito rude de falar com alguém que não conhecia.

Ficaram em silêncio, encarando a lua. Então James começou a cantarolar com uma voz grave uma canção muito doce. Lily o olhou confusa, mas sorrindo, e uniu sua voz à do misterioso garoto.

- "There can be miracles, when you believe. Though hope is frail, it's hard to kill. Who know what miracle, you can achieve. When you believe, somehow you will. You will when you believe. They don't always happen when you ask. And it's easy to give in to your fear. But when you're blinded by your pain, can't see you way safe through the rainThought of a still resilient voice, says love is very near. There can be miracles, when you believe. Though hope is frail, it's hard to kill. Who know what miracles, you can achieve. When you believe, somehow you will. You will when you believe."

- Como conhece essa música? - perguntou a garota, sorrindo.

- Acho que é uma das músicas que minha mãe gostava quando eu era pequeno...

- Acha? - questionou Lily, confusa.

- Sim... Na verdade nem sabia que me lembrava da letra, mas assim que te vi...

Lily o olhou, incrédula.

- É lógico que você não acredita e eu realmente não ligo, perfeita desconhecida - brincou o garoto. - Mas assim que te vi, ela me veio à memória. E você?

- Oh, é uma das minhas canções favoritas... - James sorriu e Lily se lembrou vagamente de alguém. Mesmo que não pudesse dizer de quem recordara, lhe pareceu um sorriso encantador.

- O garoto que estava dançando contigo... - disse ele, sentando-se ainda mais perto de Lily. - É seu namorado?

- O que estava vestido de Júlio César? - perguntou ela. James confirmou com a cabeça, olhando para os jardins. - Não, não, é só um amigo.

- Bom.

- Bom por quê?

- Porque então ele não vai ligar se eu fizer isso...

E tomou o rosto da garota entre suas mãos cobertas pelas luvas. Se inclinou suavemente e juntou seus lábios aos dela. Não entendia muito bem porque estava fazendo aquilo. Ele tinha namorada e aquela garota não tinha sequer tentado seduzi-lo um pouquinho... Entretanto algo lhe dizia que tinha que beijá-la, e mais, ardia de desejo em fazê-lo. Lily recebeu o beijo com surpresa, porém não lhe passou pela cabeça afastar seus lábios dos dele. Seu coração batia forte e o contato dos lábios do garoto encheu seu corpo com uma sensação de calor que ele também parecia sentir. Se separaram lentamente, ao mesmo tempo em que abriam seus olhos. As mãos de James deslizaram do queixo para as bochechas de Lily, tirando-as de seu rosto em seguida. Fora o beijo mais inusitado e mais maravilhoso que os dois já tinham recebido em suas vidas, e seus olhos diziam precisamente isso.

Então James sorriu e retirou seu chapéu. Lily também sorria, mas assim que viu o cabelo bagunçado do garoto, rapidamente soube quem era.

- Potter!

- Fui descoberto! Agora eu tenho o direito de saber quem é você... - tentou segurá-la pela mão, mas Lily se afastou e saltou da grade. Agarrando seu vestido com as duas mãos, saiu em disparada de volta ao Salão Principal, sem dar tempo para James reagir.

Lily corria como alguém que vivera seu pior pesadelo, sem olhar direito por onde ia. Que diabos havia feito? Tinha beijado o Potter! O POTTER! E não era como se ligasse para o fato do garoto ter uma namorada ou algo do gênero, mas simplesmente porque... porque... Deus, não precisava de justificativas. Chegou rapidamente à porta e se chocou contra alguém, indo parar no chão por causa disso. Abriu os olhos, desconcertada.

- Artemis!

- Lily! Não estava encontrando você e... - ajudou a garota a se levantar. - O que houve?

Lily ficou branca, vermelha, azul e rosa em questão de segundos.

- Nada, não estou muito bem - Artemis a encarou, erguendo uma sobrancelha. - Eu... eu... vou deitar.

- Te acompanho até a Torre.

- Não, não, você fica na festa e aproveita a noite...

- Vou acompanhá-la, você querendo ou não - segurou sua mão. - Vamos avisar Elise.

E a arrastou pela multidão.

...

James finalmente reagira e também correu para a festa. Quando chegou à porta, avistou a ponta das asinhas de Lily. Antes de abrir caminho a cotoveladas pela multidão, recolheu algo que brilhava no chão: uma das penas douradas do penteado de Lily. Prendeu-a na faixa de seu chapéu de mosqueteiro e começou sua busca.

...

Lily começava a passar mal de verdade. O acontecido há poucos minutos repassava por sua mente uma e outra vez, o que a confundia e lhe deixava enjoada. Além disso, fazia muito calor e o pouco licor que bebera estava zunindo em sua cabeça. Deixava-se levar por Artemis entre as pessoas, até que alcançaram Elise, que continuava dançando com Remus e alguns outros casais, em um grupo.

- Lily, o que aconteceu? - perguntou Elise assim que os viu chegar.

Artemis não estava olhando para o rosto da ruiva, mas ela estava ficando muito branca e parecia que iria desmaiar a qualquer momento.

- Lily! - Artemis a sustentou pelas costas e Remus ajudou, segurando seus braços. - Avisarei a enfermeira...

- Se levá-la assim, pensarão que está bêbada - avisou Remus. - Vamos levá-la para o dormitório.

- Remus... - Lily falava com a voz fraca.

- Que foi, pequena? - perguntou o lobisomem, com a voz doce.

- Fica aqui... com Elise. O Potter virá... Não diga quem eu sou.

- Por quê? O que aconteceu? - questionou Remus.

- James aprontou alguma coisa com você? - falou Artemis.

- Por favor - suplicou Lily -, não conte nada...

- Está bem. Quer ajuda para levá-la? - Remus dirigiu-se a Artemis, que negou com a cabeça.

- Ela não pesa nada - e voltou a abrir espaço entre as pessoas. Desta vez foi mais fácil, já que os alunos perceberam que carregava alguém no colo. Em seguida, todos começaram a cochichar e fazer suposições sobre a morena e o que acontecia.

Então James encontrou Remus e Elise, ofegante e com o semblante preocupado.

- O Anjo esteve aqui com vocês, não? - perguntou, visivelmente alterado. - Onde está ela?

- Que Anjo? - Remus tentava ganhar tempo.

- A garota de branco, a vi aqui com vocês. Onde ela foi?

James os encarava ansiosamente. Elise e Remus se entreolharam confusos e apontaram a porta, que agora podia ser vista perfeitamente. James enxergou como o romano de capa vermelha carregava Lily no colo. Soltou um grito agudo e se dirigiu outra vez para a porta, a cotoveladas.

Quando estava quase chegando, uma figura vestida de lilás cruzou seu caminho.

- Jamsie! Onde se meteu? - Tracy arrumava seu chapéu. - Estava te procurando!

James não prestava atenção ao obstáculo que agora sua namorada representava, olhando por cima dela. Seu anjo desaparecia pelas escadas, abraçando o pescoço do romano. O que tinha acontecido?

- James, presta atenção em mim! - sua namorada o sacudiu. - Vamos dançar!

E o empurrou novamente entre a multidão. Ele se sentia fora de seu corpo.

...

Minutos antes, Sirius se aproximava da garota loira vestida de gata, que estava pegando uma taça.

- Miau! - sussurrou Sirius pelas costas da garota.

Kate se virou. Esse sorriso, essa postura, essa voz... não podiam ser de outro. Tinha passado tantas horas observando-o durante as aulas que podia reconhecê-lo mesmo que estivesse vestido de lata de molho de tomate.

- Black, como está? - disse amavelmente.

- Er... oi... você - o garoto não a reconhecera.

- Sim - Kate começou a rir -, a última vez que me olhei no espelho, ainda era eu. Não sabe quem sou, verdade? - perguntou, entre divertida e decepcionada.

- Claro que sim! É a... a... Kate! - A garota tinha erguido sua máscara para permitir que o garoto visse seu rosto.

- Olá. Queria alguma coisa?

- Eu? Não! - respondeu o garoto, um pouco perturbado. - Só... apenas queria pedir para você encher uma taça pra mim.

- Ah, claro - e se virou para pegar um copo e a garrafa.

Enquanto isso, Sirius bateu em sua testa. Estava a ponto de dar em cima de Kate! Uma das amigas esquisitas de sua prima... Bem, ele sabia que não eram tão esquisitas assim. E Kate era legal, e estava muito bela nesse traje de couro e com essas orelhinhas e...

- Aqui está sua bebida. - Sirius agradeceu que a loira tivesse interrompido seus pensamentos. - Te deixaram sozinho?

- Bem, na verdade eu fugi - contou em tom de confissão e Kate corou levemente. - Minha namorada está na mesa, com suas amigas, falando sobre roupas, garotos e essas coisas que as mulheres conversam.

- Ah, ok... - suspirou Kate. - Suponho que você não quer dançar...

- Pois supõe errado - sorriu o moreno, estendendo a mão. - Vamos para a pista, gatinha.

- Gatinha?

- Sim.

- Não me chame de gatinha a menos que não tenha amor pela vida - avisou a loira, enquanto se metiam entre os demais alunos.

Dançaram uns minutos, nos quais Kate percebeu que Sirius se mexia muito melhor que ela, e se divertiram todo o tempo. Apesar de ser um baile de máscaras, parecia que tinham tirado as suas, conversando como um garoto e uma garota comuns, não como um cara popular e uma menina esquisita. Agora eram jovens normais que se davam bem... até que Sirius viu seu amigo correndo até a porta de entrada.

- Kate, preciso ir ali um instante e...

- Não se preocupe - respondeu a garota. - Acabei de ver a Elise, vou ali com ela. Nos vemos por aí.

Kate alcançou Remus e Elise, que estavam preocupados com Lily. Já Sirius abria caminho até seu amigo quando foi pescado por uma Monique enfiada em um vestido azul cobalto de corte medieval.

Remus, depois de ajudar Elise a explicar a sua amiga o que sabiam do ocorrido com Lily, foi com seus amigos, não sem antes fazê-las prometer que o avisariam como estava a ruiva. Elise e Kate não esperaram muito para subir até o dormitório.

...

Dumbledore anunciou o fim do baile e os alunos voltavam sorridentes a seus Salões Comunais, comentando sobre os casos do baile, que tinha sido um sucesso. Os grifinórios do sétimo ano chegaram por último à Torre, um pouco bêbados e com muita vontade de continuar a festa, então acabaram ficando mais um pouco no Salão Comunal, aproveitando. Bom, pelo menos a maioria, porque James ficara ausente toda a noite e agora descansava com os braços cruzados e o cenho franzindo, em uma poltrona.

- Bebêêêê! - Tracy se sentara nos joelhos dele. - Está parecendo um morto!

- E você está bêbada - contestou ele bruscamente.

- Bom, um pouco... Mas é o que faz valer a pena, não?

"Valer a pena", pensava James enquanto levantava.

- Vou pra cama - murmurou.

Todos que estavam no Salão Comunal o encararam e se despediram rapidamente. Não queriam que nada atrapalhasse sua diversão.

Enquanto subia as escadas, observava a pena de seu Anjo... Será que ela estava bem?

...

- AAHHHH! Que frio! - Lily tinha levantado de um salto de sua cama, ensopada dos pés à cabeça - Estão loucas ou o quê?

Ao lado de sua cama, Kate e Elise a encaravam impassíveis, um copo vazio nas mãos de cada uma. Seu desmaio tinha sido apenas um susto provocado pela mistura de tantas emoções e agora a ruiva já estava bem.

- Não - respondeu Elise -, estamos fartas de você fingindo estar adormecida.

- Sim - acrescentou Kate -, são quatro horas da tarde e já te vimos abrir os olhos mil vezes para verificar se estávamos aqui ou não.

- Não... - desconversou Lily, com cara de culpada.

- Não uma ova! - cortou-a Kate. - Agora pode ir explicando o que aconteceu com o Potter. Ah sim, e também por que, raios, ele está usando um cordão ao redor do pescoço com uma das penas de seu cabelo.

Lily ficou branca.

- Ele está o quê? - perguntou, corando.

- Não mude de assunto! - Elise encurralou-a em sua cama e a encarava com os olhos reduzidos a fendas. - O QUE ACONTECEU COM O POTTER ONTEM À NOITE?

- Elise, vai matá-la de um ataque do coração e nós iremos ficar sem saber da história - Kate negava com a cabeça. - Esse tipo de coisa se faz assim... - e tirou de seu malão um sapo de chocolate, fazendo com que os olhos de Lily se iluminassem imediatamente. - Quer o chocolate? - perguntava Kate com um tom meloso, ao mesmo tempo em que Lily assentia rapidamente com a cabeça. - A história primeiro.

Lily olhou o sapo de chocolate e suspirou. O que não fazia por um pouco de açúcar... Então contou-lhes a história.

- Bem - disse Kate em tom compreensivo, uma vez que Lily tinha terminado seu relato e decapitava o sapo de chocolate -, não é tão ruim assim...

- Não é tão ruim assim? N? É T? RUIM ASSIM? - gritava Lily fora de si, ficando da cor de seu cabelo, que voltara a ser vermelho. - EU BEIJEI O POTTER. JAMES POTTER!

- Sim - concordou Elise assentindo. - James-sou-o-melhor-do-mundo-Potter, James-as-gatinhas-babam-por-mim-Potter, James-prepotente-arrogante-com-alzheimer-Potter...

- Obrigada, Elise - disse a ruiva, irônica. - Creio que não me sentia suficientemente mal, obrigada por sua ajuda, não sei o que teria feito sem você...

- De nada, mulher - Elise lhe dava tapinhas com a palma da mão na cabeça -, estamos aqui pra isso.

- Então... - começou Kate. - Ele beija bem?

Lily não respondeu. Não com palavras, apenas fulminou Kate com o olhar.

- Pelo menos gostam da mesma música - Elise deu de ombros. - É um começo...

- Vão à merd... - Lily se escondeu embaixo de seu travesseiro para não ter que aguentar as piadas de suas amigas. - Depois não sabem porquê não conto nada para vocês...

...

James contou ao resto dos Marotos a história do Anjo e da pena. Todos, inclusive Remus, se surpreenderam.

- E o que você está pensando em fazer? - perguntou Peter.

- Como assim o que eu estou pensando em fazer? Vou procurá-la e conversar com ela, perguntar se ela sabe porque aconteceu tudo aquilo e...

- E Tracy? - arriscou Remus, que não sabia muito bem porque se sentia um pouco incomodado.

Tracy... Certo, não tinha pensado nela.

- Não sei, faz muito tempo que estou com ela e do Anjo não sei sequer o nome... Tudo foi tão estranho. Tão natural e tão estranho ao mesmo tempo. Antes de fazer qualquer coisa, quero falar com ela - e olhou significativamente para Lupin, que afastou seus olhos dourados.

Pouco depois resolveram descer até o campo de Quadribol para jogar um pouco. James era o último a sair do dormitório e deteve Remus pela manga de sua blusa.

- Remus, quem é ela? Me conta, me diz se ela está bem.


Nota da Tradutora: Música do capítulo - "When you believe" (David Archuleta e Mariah Carey)

There can be miracles, when you believe

Podem acontecer milagres, quando você acredita

Though hope is frail, It's hard to kill

Embora a esperança seja frágil, é dura de matar

Who knows what miracles, you can achieve

Quem sabe quais milagres, você pode realizar

When you believe, somehow you will

Quando você acredita, de alguma forma você realizará

You will when you believe

Você realizará quando você acreditar

They don't always happen when you ask

Eles nem sempre acontecem quando você pede

And it's easy to give in to your fear

E é fácil desistir por causa do medo

But when you're blinded by your pain

Mas quando você é cegado por sua dor

Can't see you way clear through the rain

Não consegue ver o caminho seguro através da chuva

A small but still resilient voice

Pense em uma resistente voz

Says help is very near

Que diz que o amor está muito perto