Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 6 - Fugindo de você |
Remus encarou seus olhos diretamente, com uma mescla de tristeza e uma estranha apreensão. Não queria contar para ele que era Lily, ela tinha feito com que prometesse não falar nada. E ainda tinha o beijo. Por que o chateava tanto o fato de James ter beijado Lily? Era seu amigo, só que...
- Não sei, James - respondeu, baixando o olhar. - Não sei quem é...
- Como não sabe? - o garoto duvidou. - Vi você com ela, Remus! Vi vocês conversando!
- James...
- Me fala quem é, Moony.
- Não - James o olhava impaciente -, não posso James. - Remus não podia mentir para um de seus melhores amigos, mas também não podia trais sua amiga. - Ela me pediu para não te contar.
- Moony... É importante, sabe? Acho que estou apaixonado por essa garota! - Remus fez uma careta angustiada. - Preciso saber quem ela é! Devo conversar com ela, saber como está e...
- Ela está bem - disse Remus. Tinha conversado com Elise na hora do café-da-manhã.
- Como sabe?
- Sabendo. E também sei que ela não quer falar com você - afirmou o lobisomem mais seco do que tinha planejado. - Não insista James, desta vez não dá.
James se sentou em sua cama, correndo a mão pelo cabelo desesperadamente e odiando Remus com todas as forças. Por que era tão difícil chegar até seu Anjo em uma escola com menos de 800 alunos? Essa garota com certeza estava a poucos metros e a boca fechada de seu amigo o impedia de vê-la e voltar a beijá-la... Por que tinha fugido dele?
- James, ela não gosta de você - Remus parecia ter lido seus pensamentos.
- E o que você sabe? - explodiu o moreno. - Eu a beijei! Um desconhecido a beijou e ela retribuiu o beijo! Sentiu o mesmo que eu, Remus!
- Mas ela...
- Só quero falar com ela.
- Não.
- Você é um traidor! - James saiu do dormitório batendo a porta com força.
Remus se encostou na parede e deslizou até o chão. O que podia fazer?
...
Kate e Elise continuavam zoando e rindo de Lily, que estava suportando bastante bem porque não estava prestando atenção. Pensava... em Potter e no beijo. No quanto e como mudara o fato de ser ele quem lhe dera aquele beijo tão cálido e maravilhoso... Sua pele se arrepiou ao recordar tudo aquilo e somente sentiu uma profunda tristeza. Por que tinha que ter sido James Potter?
Bateram gentilmente na porta. Lógico que seria Artemis, pensou Lily. Kate abriu a porta do quarto... De fato era Artemis, mas vinha acompanhado por Remus.
- Que bom que veio, Artemis! - Kate começou a dar pulinhos pelo dormitório, animada. - Temos que te contar o que aconteceu ontem a noite...
Artemis sorriu e deu um tapinha na cabeça de Kate.
- Lupin já me contou tudo - falou olhando o lobisomem, que tinha se sentado na poltrona que Elise lhe mostrara e observava o quarto das garotas.
- Oh - suspirou Kate, decepcionada -, eu queria ter o prazer de te contar! Ah, e uma coisa... O que ele está fazendo aqui? - apontava Remus, falando como se ele nem estivesse ali.
- Kate! - Lily a repreendeu, apesar de ela mesma estar pensando o mesmo.
Artemis se acomodou na cama de Lily e ela apoiou sua cabeça nas pernas do garoto, que começou a brincar com seus cabelos.
- Como se sente? - perguntou docemente.
- Bem - respondeu como uma criança. - Um pouquinho enjoada...
Remus encarava surpreso a cena. Artemis e Lily estavam juntos? Estranhamente isso não o chateava... E por que o fato de James tê-la beijado o incomodava?
Não podia ser como gostava da ruiva, já que ela estar com Artemis não o preocupava... Procurou o olhar de Kate e Elise, em busca de respostas. Elise encarou-o diretamente nos olhos e sorriu, negando com a cabeça. Então não, não estavam juntos. Enquanto isso, Kate resmungava.
- E não importa pra você como eu estou, né?
- Ciumenta! - Lily lhe mostrou a língua. - Agora sofra, sua garota má que estava me enchendo a paciência!
Artemis começou a rir, acompanhado por Elise, enquanto continuava fazendo carinho no cabelo de Lily.
Remus observava a cena. A amizade que existia entre as garotas e entre os quatro era tão diferente daquela que tinham suas outras amigas... Eles se gostavam e se respeitavam. E o mais importante: eram eles mesmos o tempo todo, sem tentar fingir ser alguma coisa para se destacar entre os outros. Eram felizes ali, os quatro juntos, e não precisavam de festas, nem de bailes, álcool ou qualquer coisa para aproveitarem uma boa tarde juntos. Pareciam com Sirius, James, Peter e ele...
- Bem - disse Kate novamente impaciente, interrompendo seus devaneios -, Remus está aqui só para ver como Artemis mima a Lily?
- Ciumenta número dois... - Lily voltou a lhe mostrar a língua.
- O negócio - começou Artemis para parar a briga - é que Remus veio conversar com a Lily. Eu só estava lhe acompanhando para ninguém suspeitar...
- Suspeitar do quê? - perguntou Kate.
- Que Remus veio falar com a garota misteriosa do James, não é? - completou Elise. Artemis e Remus assentiram com a cabeça. - Então é melhor nós sairmos?
- Não é necessário - suspirou Remus. - Quem sabe não me ajudam com uma ideia?
Lily o olhou com curiosidade e o convidou a falar.
- A verdade, Lily, é que você marcou o James. Ele insistiu para eu lhe contar quem você era - a ruiva pareceu espantada. - Não se preocupe que eu não contei nada, mas ele parou de falar comigo. Gostou de você, Lily.
Kate e Elise se surpreenderam, e Artemis somente voltou a sorrir. Lily encarou o chão.
- Não pode gostar, só conversamos!
- James é meu amigo há sete anos. Nunca o vi desse jeito. Vai fazer o impossível para descobrir quem você é.
- E quando descobrir, vai perceber que está errado - terminou Lily, com um tom cansado. - Mas não quero que ele saiba, Remus. Não quero que saiba que conseguiu roubar um beijo de mim, que eu também caí em sua armadilha de "pegador de Hogwarts". Não quero lhe dar esta satisfação - Remus baixou o olhar.
- Mas temos que fazer uma coisa - apontou Elise. - Não pode deixar que Remus brigue com seu melhor amigo, mesmo James sendo um idiota...
Lily suspirou. Elise tinha razão, mas não conseguia achar um jeito de...
- Escreve uma carta - falou Kate. - Diga que não quer falar com ele, peça para deixá-la em paz e essas coisas... E que não fique culpando Lupin, que foi você quem o colocou nessa situação...
- Isso não vai ser suficiente para James - declarou Remus, e Artemis concordou com a cabeça. - É um cabeça dura!
- Pelo menos vai parar de colocar a culpa em você, Remus - sentenciou Elise. - Depois que começou a procurar...
- Por seu Anjo - completou Remus, com um tom triste.
- Seu Anjo? - perguntaram os quatro de uma vez.
- Ele te chama de "Anjo" - explicou Remus, sorrindo para a ruiva. Elise e Kate aproveitaram para voltar com as piadas.
...
Tinha sido um pouco difícil escrever a carta, porque todos tentavam dar ideias e coisa estava ficando um tanto quanto grotesca. Por exemplo, Kate insistia em chamar Potter de safado insensível ou infiel babaca; Elise sustentava que deveria lhe dizer que preferia criar explosivins a ficar no mesmo aposento que ele; já Remus dizia que Lily tinha que contar para James que era lésbica. Assim aquela primeira tentativa de carta era uma coleção de coisas sem sentido, totalmente sem nexo.
Lily finalmente decidiu se trancar no banheiro e escreveu o que realmente teve vontade de dizer, apesar dos gritos e propostas dos outros. Ao sair do banheiro, Elise arrancou aquele pedaço de papel, arrancado de qualquer jeito de um caderno, e leu em voz alta.
- "Olá, sou a garota do baile. Não quero te ver nem pintado de ouro. Se não quiser ter problemas, não me procure nem desconte no Remus, pois ele não tem culpa da sua idiotice sem cura. É isso aí, adeus!"
Todos viraram-se para Lily, erguendo as sobrancelhas. Ela os encarava com superioridade.
- Quê? É o melhor que posso pensar em dizer...
- Lily, parece uma ameaça da máfia - sussurrou Kate.
- Pois não consigo pensar em nada melhor, então que se contente com isso.
- Traz aqui - disse Artemis. - Dá para dar um jeito...
E se sentou na escrivaninha de Elise enquanto os demais o observavam em silêncio. Depois de dez minutos, voltou com um pergaminho do tamanho de uma folha, escrito com uma caligrafia cuidadosa, não com os garranchos de Lily. Kate pegou-o de sua mão e começou a ler, com Elise e Remus fazendo o mesmo sobre seus ombros. A ruiva esperava largada em sua cama, lendo um grosso livro. Kate devolveu o papel a Artemis, enquanto enxugava uma lágrima e Elise e Remus faziam cara de aprovação.
- É perfeito - murmurou a garota loira, concordando com os outros dois.
- Pode entregar ao Potter - afirmou Lily, distraída.
- Não quer ler? Para saber o que está falando e... - sugeriu Elise.
Lily tomou o papel e o leu rapidamente.
- É muito bonito, Artemis, pena que nada disso é verdade. Pelo menos assim o Potter não se sentirá como o idiota que na verdade é. Você tem mais sensibilidade que eu - respondeu Lily, sorrindo para seu amigo.
- Uma berinjela tem mais sensibilidade que você - comentou Kate.
Remus saiu do dormitório com a carta, antes que a guerra de almofadas entre Kate e Lily lhe alcançasse.
...
Quando Peter, Sirius e James entraram em seu dormitório, Remus estava esperando por eles, lendo um livro. James enviou um olhar furioso para o lobisomem, que baixou os olhos tristemente. Sirius, que percebeu que alguma coisa não andava muito bem, se apressou a exclamar, alegremente.
- Escuta Peter, vamos até a cozinha comer alguma, que meu estômago está roncando...
- Mas acabou de jantar e comeu feito um hipopótamo...
Sirius o encarou com raiva.
- Venha comigo - com o braço, deu uma gravata no amigo, arrastando-o para fora do quarto.
Os outros dois ficaram quietos, encarando-se fixamente e esperando que o outro rompesse o silêncio.
- Isto... isto é para você - sussurrou Remus, empurrando a carta pela superfície da mesa. - Foi o máximo que consegui fazer...
James pegou avidamente a carta e a apertou contra o peito, num ato inconsciente. Logo rezou para que Remus não tivesse percebido isso e o encarou: continuava lendo.
- Remus, eu... não agi de forma...
- Deixa disso. Tinha um pouco de razão, mas não me peça por mais. É impossível.
James assentiu e abriu o envelope. Em seguida, sentou-se em sua cama para ler, enquanto Remus o observava de canto de olho.
"Querido James,
Remus veio me ver esta tarde para me contar que você queria me encontrar... Estaria mentindo se dissesse que você não ficou marcado profundamente em minha mente e meu coração ontem a noite. Tudo estava perfeito até que descobri quem você era. Não posso explicar porquê, mas um 'nós' é impossível e inimaginável. Caso você soubesse quem eu sou, realmente entenderia. Permita-me também o egoísmo de não revelar minha identidade. Nosso segredo está bem guardado comigo, sua namorada não saberá de nada e você poderá continuar com sua vida normalmente, assim que esquecer aquele pequeno incidente da noite de ontem. Sempre sua,
Seu Anjo.
P.S.: Não peça mais nada ao pobre Remus. Ele não quer te machucar, mas também não quer trair minha confiança. Tente entendê-lo."
Ao terminar a carta, James, visivelmente emocionado, alisou o papel entre os dedos.
- Você está bem? - perguntou Remus, ainda de costas para seu amigo.
- Sim... É uma grande garota, verdade? - disse James, encarando-o fixamente. - Por isso é fiel a ela... E o pior é que nem posso te odiar por isso, porque eu também seria em seu lugar.
- James, eu...
- Só te peço uma coisa. Tente convencê-la a conversar comigo, nem que seja por poucos minutos, por favor.
- Acho que ela não quer, James - respondeu Remus. Entretanto, vendo o olhar suplicante de seu amigo, suspirou. - Está bem, vou tentar. Mas não fique esperando nada.
...
Lily passava as horas fazendo o possível para continuar longe de James, sobretudo porque não sabia como reagiria quando estivesse cara-a-cara com ele. Ainda que não quisesse admitir, o beijo de James estava gravado em sua mente e voltava à sua memória cada vez que algo ou alguém falava no nome do atraente Maroto. Até então, vinha obtendo êxito nessa árdua tarefa.
- Só para saber, Lily - dizia Elise, com um tom cansado -, você pode me explicar por que para irmos para a aula de Feitiços nós precisamos fazer um passeio turístico pelo castelo?
A ruiva abriu a boca para responder, mas Kate foi mais rápida.
- Porque ela não quer desmaiar assim que encontrar com o Potter.
- ISSO É MENTIRA!
- Claro, e por que você passou a porcaria da semana toda indo de aula em aula pelas porcarias dos corredores mais escuros, poeirentos e menos frequentados da escola?
- Oras, porque quero descobrir todos os mistérios de Hogwarts - concluiu rapidamente, sem encarar suas amigas nos olhos. Elas ergueram uma sobrancelha. - O Potter não me afeta nem um pouco, sou totalmente indiferente a ele. Superei o Potter, e toda essa situação não significa nada e... - enumerava, enquanto dobrava o corredor - AHHHH!
Deram de cara com os quatro Marotos que, sem dúvidas, tinham acabado de aprontar alguma. Esbarrara em James, caindo de costas no chão. Lily rapidamente se afastou, se empurrando para trás com os braços e pernas. Elise e Kate a encararam e balançaram a cabeça, em um gesto fingido de desespero. A ruiva finalmente se levantou e saiu correndo por onde viera. Os quatro Marotos observavam a cena meio divertidos, meio surpresos.
- Ainda bem que superou toda a situação... - murmurou Kate. Logo acrescentou em voz alta. - O horóscopo dizia que ela não deveria se aproximar de homens essa semana...
- Evans acredita nessas coisas? - perguntou James cético, acertando em cheio. Lily acreditava tanto na arte da adivinhação como na possibilidade de, algum dia, os Marotos dividirem seus doces com sonserinos.
- Errr... - titubeou Elise, sem saber que resposta dar. - Vamos nos atrasar para a aula! - agarrou a manga da capa de Kate, que estava sorrindo para Sirius, e saiu arrastando-a. Kate acenou com a mão antes de deixar a morena carregá-la.
- Ok, sou eu ou tem algo que não se encaixa aqui? - refletiu Sirius, enquanto eles também se dirigiam para as aulas. - Quando as garotas esbarram com a gente, não nos perseguem e somos nós quem fugimos?
- Sim, mas estas três são anormais - afirmou Peter.
Sirius o segurou pelos ombros.
- A única pessoa que fala mal da minha prima sou eu.
Enquanto caminhavam para a sala de aula, James percebeu que nesses dias não tinha prestado a devida atenção em sua querida Evans. Precisava descobrir porquê estava agindo daquele jeito...
...
Mas não foi nada fácil, porque mesmo Lily repetindo para si mesma que tinha superado Potter e toda a situação, não deixava de praticar novas técnicas de fuga e camuflagem quando o encontrava nos corredores. Isso definitivamente chateou muito o Maroto, que começou a notar que ela evitava somente a ele.
Em uma tarde de meados de Novembro, quando não faltava muito para a lua cheia, a chuva desabava fortemente, golpeando furiosamente as janelas. Apesar de James insistir que era apenas um "chuvisco" e que todos os caras da equipe eram uns "bebezinhos", os jogadores da Grifinória foram firmes e se negaram a treinar naquela tarde.
Um pouco contrariado, James subiu as escadas da entrada, que era onde tinha se reunido com o time, e foi para o Salão Comunal encontrar seus amigos. Na metade do caminho lembrou-se de algo: Evans. O que estaria fazendo a essa hora? Sempre chegava depois dele à Torre... Então decidiu, iria procurá-la. Foi até a sala de reuniões dos monitores, esperando encontrá-la trabalhando, mas não havia ninguém por ali. Passou pela biblioteca, pela sala de Estudo dos Trouxas - tinha descoberto que era onde ela e as amigas ensaiavam - e pelo Salão Principal. Tampouco estava lá. Mas era exatamente o fato de não encontrá-la que o animava a continuar procurando...
Por Deus! Como não tinha pensado nisso antes? O Mapa do Maroto! Inclusive era a vez dele de ficar com o mapa... Se escondeu em uma sala e o abriu. No mesmo instante, milhares de pontinhos identificados apareceram por toda a superfície rugosa do papel. Viu que Tracy e suas amigas estavam no dormitório, provavelmente fofocando. Gostava bastante de sua namorada, mas começava a se dar contar de que precisava de algo diferente... Alguém como seu Anjo. Balançou a cabeça. O importante agora era encontrar essa garota que parecia um poço sem fundo de segredos: Evans.
Ali estava, afinal, no quinto andar. E comportando-se de uma maneira muito estranha. Por que se mexia de um lado para o outro? Parecia que estava louca, indo e vindo sem sentido pela sala e girando sobre si mesma. Será que realmente tinha perdido a cabeça? Correu até a tal sala, através de passagens secretas para chegar mais rápido, esperando encontrar a ruiva no meio de um ataque ou alucinação. Logo chegou até a sala de aula na qual ela estava; podia-se ouvir uma música suave. Entreabriu a porta e a viu: Lily usava um collant branco e uma saia semi-transparente da mesma cor. O cabelo estava preso em um coque um tanto desordenado com algumas mechas escapando, grudando-se em seu rosto e pescoço. Contudo, o mais interessante para James não era o fato de estar quase nua, nem mesmo que estivesse tão bonita... Era o modo como se movia. Dançava ao som de uma peça rápida, girando e saltando com um domínio total de seu corpo.
James a observava, extasiado. Como uma pessoa podia se mexer assim, de uma maneira tão graciosa e bela? Era perfeito: ela e a música, como um só. Ficou olhando-a a canção terminar e a ruiva suspirar cansada, passando a alongar os músculos.
Então começou a... trocar de roupa! James não queria espionar, podia jurar que não queria. Mas se não queria ver, por que grudara seu rosto na porta? Lily foi tirando o collant, de costas para James, que estava começando a ficar um pouco animado demais. Via seus ombros lisos e brancos, suas costas nuas e... Espera um pouco! O que eram essas quatro marcas vermelhas que Lily tinha ao longo de suas costas? Poderiam ser... A dimensão da possível descoberta o obrigou a se afastar da porta e correr até a Torre antes que caísse em tentação.
...
O Salão Comunal da Grifinória estava cheia, como em todos os dias de chuva. Kate descansava em uma poltrona, revisando uma nova partitura. Elise estava ao seu lado, escutando música no walk-man de Lily e lendo um texto de Runas.
- Adivinha quem é! - Alguém tinha tampado os olhos da loira. A voz... era ele.
- Olá, Black - cumprimentou a garota, ainda com os olhos tampados.
- Como consegue me reconhecer sempre? - perguntou, enquanto se acomodava no braço de sua poltrona.
Kate deu de ombros.
- O que está fazendo? - questionou novamente o moreno.
- Aprendendo uma canção - suspirou Kate. - Deveria estar fazendo os deveres, mas eles me dão uma preguiça incrível... Vou esperar para fazer junto com a Lily, e se ela estiver de bom-humor me deixa copiar tudo. Sua prima não deixa, porque diz que assim eu não aprendo...
- Canta pra mim? - disse Sirius, apontando a partitura.
- É que... aqui, com tanta gente... - respondeu Kate, nervosa. - É melhor deixar para a próxima.
- Anda, vai... - e lançou-lhe um olhar de cachorrinho abandonado.
- Não, tenho vergonha.
- Canta.
- Tudo bem, mas só o refrão, ok? - clareou um pouco a garganta e começou a cantar Love me Tender de forma suave, fechando os olhos para não ficar nervosa na frente do moreno.
Quando terminou e nem sequer tinha aberto os olhos ainda, sentiu que alguém a puxava e dava um beijo carinhoso em sua testa. Abriu os olhos e se separou lentamente. Tinha sido Sirius, e ele parecia tão surpreso quanto ela. Rapidamente soltou os ombros da garota.
- Er... você foi... perfeita - concluiu, nervosamente. - Eu vou... tenho que... fazer... um negócio - Kate apenas assentiu com a cabeça, os olhos esbugalhados enquanto via Sirius indo embora. Um beliscão a acordou de seus devaneios.
- AAHHH! - gritava Elise, dramaticamente. - Eu vi tudo. Mas que nojo! Vai lavar a testa com desinfetante agora mesmo!
A loira fingiu que nem escutou e escondeu o rosto atrás da partitura. Sorria como uma tonta.
Sirius saíra da Torre sem saber muito bem aonde ir. Por que, diabos, tinha feito aquilo? Ela ficava tão doce com seus olhos fechados e cantando com aquela voz suave que tocava o coração... Tinha sido um impulso. Estava tão perdido em seus pensamentos confusos que nem percebeu que alguém vinha da direção contrária e não teve tempo de parar.
- Padfoot!
- Prongs!
- O que aconteceu? - perguntaram os dois ao mesmo tempo, um ajudando o outro a levantar.
- Parecia a Evans fugindo de você - brincou Sirius.
- Quem foi que te falou que eu estou assim porque vi a Evans praticamente nua?
- Quem me falou isso? - perguntou Sirius, sorrindo. - Você viu Evans pelad... - James tampou sua boca.
- Shhhh! Quer que todo o castelo saiba? Se Kate e Elise souberem, nos matam!
- Quem foi que te contou que eu estou assim porque beijei a Kate? - questionou Sirius meio irritado, que assim que ouviu o nome de Kate já ativou todos seus mecanismos de defesa.
James devolveu o sorriso maroto que recebera do amigo um momento atrás.
- Você não pergunta e eu também não - falaram de uma vez.
...
Uns dias depois, à noite na Floresta Proibida, o cervo, o rato, o cachorro e o lobo brincavam jogando-se no chão e mordendo um ao outro amigavelmente. Nesse dia tinham tomado a precaução de se manterem o mais longe possível de Hogwarts e de Hogsmead, pois não queriam levar um susto como da outra vez.
Enquanto continuavam com suas brincadeiras, uma águia se aproximou voando, pousando no ramo de uma árvore próxima. No início eles nem sequer perceberam sua presença, mas logo o cervo a viu e parou, observando-a. Seus amigos, curiosos para saber o que seu amigo tanto olhava, a encontraram em seguida. Então a águia voou até eles e pousou no ombro do lobo, bicando carinhosamente sua orelha. Se isso não fosse impossível, qualquer um teria jurado que o lobo sorriu aliviado. A águia depois voou até o cervo e bicou sua cabeça irritada, para em seguida sair voando e se perder na floresta. Os amigos do cervo pareceram rir, e ele se jogou em cima dos três em resposta. Tinha sido um alívio ver a águia que achavam que estava morta.
Fim do capítulo
