Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 8 - Espírito natalino |
Kate virou-se. Era James.
- O que você quer? - disse, impaciente. Queria sair dali imediatamente.
- Só queria saber se você está bem.
- E por que eu estaria mal? - perguntou, confusa. Que diabos Potter estava aprontando para ficar se preocupando com ela?
- É que te vi com a cara emburrada e...
- O que foi que eu disse essa manhã, Potter? Precisa que eu tatue em seu braço? - Lily caminhava depressa até onde estavam os dois. Tinha escutado o final da conversa. - Não se meta na vida dos meus amigos.
- Não estava me metendo... Ah, tanto faz - suspirou. Lily nem sequer ficara tempo suficiente para escutar sua resposta. Simplesmente se afastou rapidamente dele, junto com Kate.
Voltou para o Salão Principal e se sentou cansado entre Remus e Sirius. Eles o encararam desconfiados, mas não falaram nada.
...
- Lily, que tal você parar de me arrastar? - perguntou Kate, depois de dez minutos.
- Ah, desculpa. É esse imbecil, que me irrita e me deixa desequilibrada.
- Você é desequilibrada sem a ajuda dele.
- Há, há, olha quem fala. Kate, você não pode passar a vida fugindo do asqueroso do Black.
- Posso pelo menos tentar, não é mesmo? - questionou com um sorriso triste, enquanto subiam as escadas do quinto andar.
Lily suspirou e a abraçou pelos ombros.
- Tudo bem... O que aconteceu? - disse docemente.
- Na verdade acontecer, acontecer, não aconteceu nada. - E para esclarecer a situação para a ruiva, explicou tudo. Até mesmo o beijo na testa.
Lily apenas balançava a cabeça.
- Sabe o nós vamos fazer? Ignorar Black a partir de já. Para você, senhorita, o espaço físico que ele ocupa não existe mais. Não vai sequer olhar para ele.
- É claro, isso vindo de uma pessoa que está fugindo a quase um mês do Potter - contestou a loira, rindo.
- Eu não fujo. Apenas evito compartilhar qualquer coisa com ele, até mesmo oxigênio.
Kate a olhou com uma cara que dizia com todas as letras: "Se você está falando..."
...
"Querido Anjo,
Não entendo porque se recusa a falar comigo. Você é tão diferente... Não sei porquê motivo disse que eu e você seria algo impossível. Além disso, não quero nada demais, pelo menos não até que a gente converse. Só quero conversar e saber quem você é. Poderíamos ser amigos, não é mesmo?
Um beijo do seu James."
Estavam na aula de Transfiguração. Lily amassou a carta embaixo de sua mesa e encarou Lupin, três mesas atrás, com raiva. Ele encolheu os ombros e sorriu, mordendo sua pena. Tinha lhe entregado a carta escondido assim que entrou na sala. James tinha demorado um pouco para escrevê-la porque não sabia muito bem o que dizer e aquele tinha sido o resultado. Pelo menos, pensou Lily, James não era sentimental. Mas precisar responder a deixava irritada. E mais, ter que fingir que se importava com ele também a tirava do sério.
- Vai responder? - Elise tinha conseguido ler a nota por cima de seu ombro, e agora conversava inocentemente enquanto anotava alguns pontos importantes da aula.
- Sim, mas dessa vez vou fazer isso sozinha - Elise a encarou, erguendo as duas sobrancelhas, assustada. - Não se preocupe, se eu fingir que não é para ele, consigo até mesmo ser amável.
Escreveu a resposta em um pergaminho, atrás de seus livros. Quando terminou, passou a carta para Elise, que ergueu o polegar aprovando e continuou tomando notas.
- Aliás, preciso falar com você e a Kate depois - sussurrou a morena. - Tenho uma proposta.
- Indecente?
- Lógico! - respondeu Elise, antes de começar a rir.
- Black e Evans! - a professora McGonagall chamou a atenção das duas. - Ou vocês compartilham o que é tão engraçado com a sala toda ou então fiquem quietas, sim?
- Sim - respondeu Lily envergonhada, baixando os olhos. - Desculpa, professora.
McGonagall mandou todos voltarem para suas tarefas.
...
Depois de anotarem os deveres da próxima aula, Elise e Lily saíram da aula. Kate estava esperando por elas.
- Do que vocês tanto riam? - perguntou com curiosidade.
- Nada, estávamos só lendo uma carta para... - começou Elise, mas Lily tampou sua boca porque justamente nesse momento os Marotos saíam da sala.
- Uma carta para quem? - James se intrometeu, também curioso.
- E por que isso seria importante pra você? Cara, arranja um hobby! - recriminou Lily, irritada.
- Ah, Elisita, como a senhorita anda fazendo coisas feias na sala de aula, os professores vão se chatear e vão parar de mimá-la - disse Sirius, em um falso tom de reprovação, enquanto Kate parecia achar realmente interessante os alunos que caminhavam pelo corredor.
- Balança a cabeça - Elise mandou, simplesmente.
- Por quê?
- Porque assim seus dois neurônios vão conseguir se conectar e você vai conseguir dizer coisas que tenham sentido - Sirius fez uma careta, fingindo rir, enquanto os outros riam de verdade - Vamos, o Artemis está nos esperando - completou apontando com a cabeça para o garoto, que acenava para as amigas do outro lado do corredor.
Remus segurou Lily, antes que ela fosse com as outras, encarando seus olhos. Ela deslizou o pergaminho no bolso do lobisomem.
- E avisa para ele me deixar em paz - sussurrou a ruiva, antes de acompanhar as amigas.
Quando as alcançou, Elise já contava tudo a Artemis e Kate.
...
"Olá James,
Achei que tudo tinha ficado suficientemente claro. Não quero que saiba quem eu sou e seria melhor se você aceitasse que tenho meus motivos. Não podemos ser amigos, é como tentar misturar água com azeite. Além disso, não quero que você saiba que conseguiu me beijar.
Até sempre."
James relia a carta pela centésima vez, contrariado. Nem sequer tocara em seu jantar.
- Eu avisei - murmurou Remus ao seu lado, mastigando uma batata assada. - Ela é teimosa.
- E por que ela quer ser sua amiga, mas não quer ser minha? - protestou James.
- Não sei, talvez porque não te suporta.
- Como não me suporta? Com certeza ela não me conhece! Sou simplesmente encantador!
Remus não respondeu e continuou jantando.
De repente se escutou um grito de alegria.
- London, baby! Viva! Que sorte a minha, não vou precisar aguentar o cérebro de paramécio do Vernon! Sim, sim! - Lily tinha levantado correndo e abraçava seus três amigos, que a olhavam meio assustados, meio envergonhados.
- Evans, ninguém quer saber da sua vida! - Tracy gritara, encarando Lily como se ela fosse um inseto se retorcendo.
- Chambers, estou tão feliz que me parece um ultraje insultar qualquer um... incluindo você - continuou abraçando seus amigos. Finalmente Kate conseguiu fazê-la sentar.
- Não sabia dessa sua vontade de passar o Natal fora de casa - comentou Elise, achando graça.
- Tá brincando? Meus pais estarão em um cruzeiro para cinquentões por todo o Mediterrâneo e eu teria que passar Natal com a minha irmã, que prefere não ter nada que a liga a mim, muito menos o sangue. E de brinde teria que aguentar o saco de hambúgueres que é aquele noivo dela. Você está me fazendo um grande favor, Elise.
- Sinto muito - suspirou Kate. - Vou visitar vocês, mas tenho que passar o Natal "com meus pais". E isso significa uma porção de jantares chatos em que não conheço ninguém...
- Fica tranquila, Kate - sorriu Elise. - Claro que seria ainda melhor se você pudesse vir também, mas pelo menos já não vou ficar sozinha. - Elise suspirou triste e encarou seu prato, enquanto os outros três cruzavam olhares de preocupação. - Enfim, vamos praticar os feitiços da aula da McGonagall?
- Como vocês são chatas com esse negócio de praticar! - queixou-se Kate, cansada. - Para mim, os feitiços de metamorfose já bastam.
- Aham - responderam os outros, se encarando pelo canto de olho.
- Vocês vão ver só! - resmungou. Sacou a varinha e se concentrou, fechando os olhos. - Metamorfis capilaent! - apontou para o cabelo de Elise, que no momento comia seu purê distraída. Ao se ver atacada, jogou todo o prato para cima.
- Kate! Testa os feitiços em você mesma! - gritou, enquanto limpava o purê que derrubara em sua roupa.
- E se não ficar bom em mim? - perguntou com inocência, mexendo em seu próprio cabelo. - Além do mais, você está precisando de uma mudança de visual.
- Como assim uma mudança de visual? - gritou Elise histérica, atraindo a metade dos olhares do Salão Principal. Lily lhe entregou uma colher. Foi então que ela encarou seu reflexo. - Estou parecendo um poodle!
- Não, mulher! - respondeu Artemis rindo e observando a cabeleira negra e naturalmente ondulada de Elise que agora batia quase em seus ombros, ao invés de se estender até o meu de suas costas. - Até que você ficou bem. E é bem prático. Imagina só tudo o que você pode esconder no meio de todos esses cachos...
- Há, há. Dá um jeito nisso!
Kate fez um gesto com a varinha, mas o cabelo nem se mexeu. Lily também arriscou um feitiço, mas novamente nada aconteceu. Praticamente todos os alunos encaravam Elise e cochichavam ou riam.
- Ih... - começou Kate, sorrindo nervosa.
- Como assim, ih! COMO ASSIM, IH!
- Talvez seja melhor pegar uma poção alisadora, né? - e antes que Elise pudesse ter algum colapso nervoso, a arrastou para fora do Salão Principal.
- Black, não sabia que você invejava a Tina Turner - berrou Rachel Rayan, uma das garotas do NTCMSP. Discretamente, Lily jogou uma batata assada em sua cabeça. - Ai! Quem foi? - levantou-se e passou o olhar furioso por todos que estavam na mesa.
Lily disfarçou, praticamente arrancando uma coxa de frango, mas algo acertou sua cabeça. Uma laranja. Girou sua cabeça na direção em que estava Rachel, mas quem acenava para ela era outra pessoa. James Potter.
- Eu vi você - disse o garoto, apenas mexendo os lábios e apontando o olho com o indicador.
- Morra - respondeu sorrindo falsamente, jogando-lhe a laranja de volta. James apanhou e fez um sinal de vitória.
- Posso saber o que o senhor está fazendo com a Evans?
James se assustou e virou-se com a cara congelada. Tracy o encarava com uma careta de desgosto, com os braços cruzados.
- Nada! - responderam James e Remus ao mesmo tempo. Um pedaço de bolo voou da boca de Remus, de tão rápido que ele respondeu.
- Ah, é tudo culpa dela, lógico - murmurou Tracy, encarando com rancor a ruiva, que comia seu sorvete de chocolate enquanto Artemis se levantava para ir conversar com um garoto da Lufa-lufa. - Ei você, estranha! - gritou, com desagrado.
Lily ignorou, mesmo tendo certeza que falavam com ela.
- Evans! - voltou a gritar a loira, tensa. James pedia para ela ficar quieta.
- Sim? - a ruiva perguntou, pacientemente.
- Deixa o meu namorado em paz, entendido? - ameaçou Tracy.
- Diz para o seu namorado me deixar em paz, entendido? - respondeu Lily, no mesmo tom.
- Meu namorado não se interessaria por alguém tão, tão... Como você!
- Fico feliz, verdade. Porque se ele se interessasse por mim, eu me trancaria em um dos cofres de Gringotes com vigilância vinte e quatro horas - a ruiva se levantou da mesa e se aproximou do casal. - E Chambers... Se eu fosse você, me preocuparia com outras coisas - ela falava como se estivesse contando um grande segredo. - Como, por exemplo, esta pena que seu namorado carrega no pescoço. Boa noite.
Alguns alunas da mesa da Grifinória que tinham escutado a conversa, saíram assim que a ruiva deixou o Salão.
- O que ela quis dizer com isso, James? - perguntou Tracy, chateada.
- Isso o quê? - o garoto tentou desconversar com um sorriso nervoso, tentando ganhar tempo.
- O negócio de Gringotes e da pena. Aliás, desde quando você carrega essa pena?
- A verdade, Tracy, é que você nem liga para ele - Remus negava com a cabeça, fingindo decepção. - Ele muda o visual e você nem sequer nota! Olha só o que você fez com ele... Olha só essa cara de cachorro sem dono dele! - James imediatamente trocou sua cara de puro nervosismo para uma de "menino que acabou de perder o bichinho de estimação".
- Isso não responde a minha pergunta - resmungou ameaçadoramente, batendo suas unhas em um ritmo ininterrupto sobre a mesa.
- É apenas um cordão, não tá vendo? - Sirius também tinha levantado para ajudar seu amigo. - Bem, sinto muito, mas temos que ir...
- Sim, precisamos resolver algo muito importante - completou Remus. - Adeus, Tracy.
A loira se sentou enfurecida na mesa da Grifinória, vendo os Marotos fugirem. O que diabos estava acontecendo? E sua relação com James? Já não era tão perfeita quanto antes? Alguém tinha sido capaz de superá-la?
- Chambers, se importa? - Artemis tinha chegado e, uma vez que não achou Lily, resolveu ir embora também. Entretanto sua mochila estava embaixo do banco da loira.
- Não, não... - respondeu pensativa, tirando suas pernas da frente. - Quer dizer, sim - resolveu com determinação. - Você me acha atraente, garoto?
- Meu nome é Artemis - disse com a voz cansada.
- Sou atraente ou não, Artemis? - repetiu impaciente.
- Pra mim não - respondeu direto, sem um pingo de vergonha. Tracy ficou de queixo caído. - Você é muito bonita, realmente. Mas sua personalidade me incomoda e isso me impede de te achar atraente.
- E o que a minha personalidade tem a ver com isso? - perguntou, irritada.
Artemis deu de ombros.
- A beleza não é tudo, creio eu. Pessoalmente, prefiro conversar com alguém antes de simplesmente admirar. E para uma garota ser atraente, precisa ter essas duas coisas. Agora, se me deixar pegar minha mochila... - Tracy afastou as pernas com raiva e Artemis pegou a bolsa. - Obrigado.
Muito relutantemente, Tracy observou pelo canto do olho como Artemis saía do Salão Principal, pensando, aborrecida, em tudo que ele acabara de dizer. Ele era um idiota. E o que um garoto precisa ter além de beleza e popularidade? Meneou a cabeça e decidiu deixar essas bobeiras e começar a decidir qual seria a cor da temporada.
...
- Remus!
- Sim?
- Acho que você tem alguma coisa para nos contar...
Sirius, James, Peter e Remus caminhavam para a Torre da Grifinória. James era quem pressionara o lobisomem, com Sirius de apoio, concordando e rindo.
- Não sabia que você estava a fim da Evans - disse.
- E não estou - respondeu, olhando distraidamente para frente.
- Então... Por que você fica tão chateado quando eu dou em cima dela? - perguntou James, com um tom que soou mais interessado do que pretendia.
- Porque você tem namorada - respondeu o lobisomem. - E isso significa que você deveria parar de perseguir saias, não acha?
- Isso é coisa minha, Moony. Mas de qualquer forma, continuo sem entender porque você se irrita se não está a fim dela.
- Isso se você realmente não estiver a fim dela... - cutucou Peter.
- Não gosto dela desse jeito, mas... É foda, cara. Ela é minha amiga, sabe? E eu sei como você trata... Bem, como nós tratamos - corrigiu após uma tossida reprovatória de Sirius - as garotas. E não quero que você a trate assim.
- Acho que ela sabe se defender sozinha - pontuou Peter, distraidamente.
- E além disso, o meu interesse pela ruiva não é como você estão pensando - Remus pareceu confuso. - Ela é a garota mais interessante que conheci até hoje e... Sabe como eu gosto de desafios.
Remus suspirou.
- Enfim, o problema é seu. Mas Wormtail tem razão, a Lils se defende muito bem sozinha. E se ela não fizer isso, faço eu. - Remus se arrependeu de suas palavras em seguida. Será que gostava mesmo de Lily?
...
Novembro passou com chuvas e muito vento, e dezembro chegou trazendo o frio e a neve. Logo seria Natal. Remus voltou a se transformar com a lua cheia e a águia vermelha voltou a visitá-los, junto com uma raposa de pelagem marrom. Desta vez James ganhou um arranhão da águia bem na cara, e isso porque ela não sabia o quanto ele a visitava em segredo. Tinha começado a frequentar os ensaios de Lily na Torre Norte quando a neve, ou melhor dizendo, as nevascas impediam o time de treinar no campo de Quadribol. Ficava sempre poucos minutos para evitar ser descoberto, mas cada vez ficava mais viciado em vê-la dançando. Ela parecia doce e delicada nesses momentos.
As coisas também não iam bem para Tracy, que apesar de ter menosprezado as palavras de Artemis, sentia a estúpida necessidade de fazer o garoto mudar de ideia, mesmo que não soubesse muito bem como faria isso. Sua relação com James continuava como sempre, cada vez mais esquisita.
Mas todos, sem exceção, passavam muito tempo na biblioteca ou no Salão Comunal estudando e terminando trabalhos. Se o quinto ano fora mais terrível que Hagrid dançando ballet vestido de tutu, este era pior que o Filch em roupas de baixo. Sirius e James, é claro, estudavam muito menos tempo que os demais mortais.
Entre as obrigações dos Monitores-Chefes, estava a árdua tarefa de decorar o Salão Principal para as festas de Natal. E era isso que Lily e James faziam aquela tarde, sendo ajudados por alguns outros alunos do sétimo ano.
- Deixa eu ver... - Lily estava tentando desenrolar uma guirlanda e pendurá-la em um canto, mas o resultado não ficava muito bom. - Então isto vai aqui e...
- Onde a Kate se meteu? - perguntou Elise, carregando uma porção de bolinhas parecidas com bolhas de sabão. Seu cabelo continuava encaracolado, pois a professora McGonagall não conseguira reverter o feitiço. Tudo o que restava ela arrumar fio por fio, usando litros de poção alisadora para suavizar os cachos.
- Foi ensinar as armaduras a cantar "Jingle Bell" sem desafinar - respondeu, ainda tentando desenrolar a guirlanda e conseguindo justamente o contrário.
- A espertinha já deu um jeito de escapar - protestou. - Agora eu vou ter que carregar tudo isso sozinha.
- Eu ajudaria, mas desfazer este nó vai levar algum tempo - resmungou, dando um tapa no enfeite enroscado. - Treco maldito!
Elise foi até as árvores de Natal para pendurar as bolhas mágicas.
- Só estou confirmando o que já sabia: você não tem um pingo de noção de estética - Tracy se aproximou com seu sorriso sarcástico. - Posso ajudar?
- Seria uma boa ação da sua parte, mesmo que eu acredite que isso vá contra sua natureza.
- Isso é por uma causa maior - respondeu a loira, largando a prancheta que carregava sobre a mesa. - Não posso deixar que o Salão Principal fique indefeso. E se uma péssima decoração for ligada à minha pessoa? O que será da minha reputação? É melhor deixarmos as diferenças de lado esta noite, para o nosso bem.
- Há, há. Anda logo e me ajuda aqui.
Quando conseguiram desfazer a confusão de nós, Lily pegou a guirlanda por um lado e começou a finalmente pendurá-la.
- O que está fazendo? - gritou Tracy, desesperada.
- Uma torta de batatas, o que acha?
- Isso não pode ficar aí!
- Por quê?
- Desequilibra todo o conjunto - respondeu como se fosse óbvio, pegando sua prancheta. - Isto aqui vai ali - mostrou um ponto no lado oposto ao que Lily estava.
- Aqui?
- Não, mais pra cima - respondeu, olhando novamente sua prancheta. - Aí, justamente aí! Gruda com isso - estendeu um rolo de fita adesiva mágica - e a outra ponta desse lado.
- Assim? - a ruiva começava a ficar cansada.
- Mais pra baixo... Pronto! Excelente. E agora...
- O desenho é muito bom. Foi você quem fez? - Artemis se aproximara e observava por trás das costas da loira, que apertou sua prancheta contra o peito.
- Não precisa ser gentil comigo para compensar a grosseria de outro dia - Tracy o encarava por cima do ombro -, basta pedir desculpas.
- Não estou tentando ser gentil. O desenho é bom e mantenho o que disse outro dia - respondeu Artemis com a voz calma, enquanto Lily olhava de um para o outro sem entender nada. Aproveitou para observar o desenho de que Artemis falava. Era um esboço da decoração do Salão Principal e realmente estava muito bom.
- Então se não vai se desculpar, é melhor nem falar comigo - disse a loira, virando o rosto em um gesto estudado, jogando os cabelos na cara do garoto.
Artemis deu de ombros.
- Está muito bom. Quero dizer, o desenho - Lily resolveu romper o gelo.
- Obrigada, mas ainda que isso fosse verdade, não serve para muita coisa. É divertido fazer projetos de decoração, mas eu tiraria mais proveito se dominasse Transfiguração - franziu a testa, chateada. - Bem, vamos parar de conversar como se fôssemos melhores amigas e fazer logo o que temos que fazer.
- Sim - concordou Lily, enquanto pegava uma guirlanda diferente e anotava mentalmente que precisava perguntar a Artemis o que tinha acontecido com Tracy. - Onde coloco isso?
Então um estrondo invadiu todo o salão. Alguém acabara de derrubar algo frágil no chão.
- Tá terminando comigo? Como assim você está terminando comigo? - Uma garota loira falava com uma porção de bolinhas de cristal vermelhas nos pés. Era Monique.
- Shhhh - Sirius fazia gestos para que ela calasse a boca. Definitivamente não fora uma boa ideia romper com a garota no Salão Principal, agora todos os observavam com curiosidade.
- Não posso acreditar! - continuava a loira. - Assim, a troco de quê?
- A troco do fato de não nos gostarmos mais. Sei que ultimamente você só se irrita comigo e eu quero que você seja feliz. - Sirius pensou internamente que isso sempre funcionava e esperava umas poucas lágrimas. Entretanto, a resposta da garota foi inesperada.
- Tem razão - suspirou. - Ultimamente não era a mesma coisa, você estava se tornando um bosta. É, assim será melhor mesmo... Deixa eu recolher isso aqui. Nos vemos por aí, Sirius.
O moreno ergueu as sobrancelhas, incrédulo. Ela tinha chamado Sirius Black de "bosta"? Bem, pelo menos a garota aceitou tudo muito bem e continuava a ajudar a decorar as árvores do salão.
- Mas que término instantâneo esquisito - comentou Lily quando o ex-casal foi cada um para seu canto. - Deve estar na moda romper como se comprasse pão!
- Isso e o fato de Monique comer Diggory com os olhos - respondeu Tracy. - Certamente ela também estava a ponto de terminar com ele.
- Não se gostavam mais? - perguntou a ruiva, confusa.
- Ai, Evans, tão inteligente e tão inocente... Aqui ninguém gosta de ninguém. É só para passar um tempo, sair com garotos bonitos, se divertir...
- Isso funciona para uma noite, mas se ele é seu namorado... Não acho que seja normal você gostar somente da aparência dele.
Tracy deu de ombros. Artemis tinha lhe dito a mesma coisa.
- Estamos falando demais, já - falou Lily, lendo seus pensamentos. - O que vamos pendurar agora?
Por sorte, pensou Tracy, ela não gostava de James apenas porque ele era popular e super bonito, não é mesmo?
...
- Quer ajuda com os enfeites? - Sirius se aproximou de uma garota morena com o cabelo cacheado que parecia bem bonita, disposto a um consolo rápido pela perda de Monique.
- É melhor não - respondeu Elise, virando-se e dando um susto em seu primo. - Você não tem a coordenação cerebral necessária para isso.
- Não te reconheci com esse cabelo, ou nem teria me aproximado - Sirius pegou uma das bolinhas e começou a brincar com ela. - Sabe de uma coisa? Você está parecida com a Bellatrix - comentou distraidamente. Estranhamente, Elise baixou os olhos sem responder, continuando a enfeitar uma das árvores.
- Faz muito tempo que não a vejo.
Sirius parou de brincar com a bolinha.
- Ah, o divórcio dos seus pais...
- É que a família não me aceita porque eu discordo de suas ideias retrógradas, da pureza do sangue e de não sei mais o quê.
- Eu também - contou Sirius, distraído. - Por isso saí de casa no verão. Você não deveria ficar triste por causa deles, não vale a pena.
Elise ficou de queixo caído.
- Você saiu de casa?
- Vai me dar uma bronca? - perguntou Sirius, presunçosamente.
- Não. - respondeu Elise, ainda surpresa. - Só não pensava que um garoto do tipo rostinho bonito como você... Enfim, mesmo que pareça impossível, você fez o que era certo. Mas você força a barra dizendo que não sente falta de uma família.
- Sim, mas é que a nossa é uma seita de fanáticos. E eu não sou um rostinho bonito, você diz isso porque não me conhece. Não sabe por quantos castigos passei por ser contra todas aquelas besteiras.
- E onde pretende morar? - a morena voltou à sua tarefa de pendurar bolinhas.
- Por enquanto, na casa do James. Daqui a pouco eu arranjo algum lugar...
Elise fez ele abrir os braços e pendurou as bolas de cristal nele, logo em seguida procurando algo em seus bolsos.
- Sempre será bem-vindo aqui - tirou um pedaço de pergaminho e escreveu um endereço com a varinha. - É um apartamento que minha mãe comprou em Londres... Vou passar o Natal com a Lily lá, já que mamãe tem muito trabalho no hospital da Bulgária. Mas quem sabe ela consegue vir passar alguns dias por aqui... e talvez Andrômeda venha com seu marido na véspera de Natal. Se algum dia quiser fazer uma visita...
- Acredito que não... - respondeu ele, em dúvida. A relação com sua prima nunca fora muito estreita desde que eles entraram em Hogwarts.
- Vou ficar esperando. ? vezes é bom ter um momento em família. Já te disse que você força a barra - os olhos tristes voltaram -, mas saiba que, mesmo que você tenha ganhado alguns pontos como pessoa, continuo te detestando tanto quanto uma espinha no meio da testa.
- O sentimento é mútuo, priminha - disse, devolvendo as bolas de cristal.
Então chegaram Kate e Remus, que tinham tentado inutilmente ensinar as armaduras a não cantarem como bêbados. Kate ficou pálida ao ver Sirius que, por sua vez, desviou o olhar para o outro lado.
- Ei, Remus - chamou Elise. - Me ajuda a pendurar isso, que o meu primo trabalha menos que o shampoo do Snape.
Kate encarou Elise com raiva. Por que ela tinha que fazer isso? Agora estava lá, parecendo uma boba na frente de Sirius, que dessa vez brincava com uma vela, jogando-a de uma mão para a outra.
- E... como vão as coisas com Monique?
Sirius a encarou, curioso.
- Bem... Acabamos de terminar.
- Ah, sinto muito - respondeu, consternada.
- Sente mesmo? - o garoto perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Ela gostava de você e...
- Muitas garotas gostam de mim - apontou Sirius com superioridade, tentando parecer indiferente.
Kate baixou os olhos.
- Eu vou... vou ajudar alguém por aí. Alguém que seja mais inteligente e menos convencido - afirmou com coragem. - Certamente agora eu também acho você um idiota, se pensa que pode me tratar como bem entender. Não brinque comigo.
Sirius ficou observando a loira se afastar. Recordou a noite em que realmente se conheceram e como foi fácil conversar com ela. O pior é que não sabia porquê agia dessa maneira. Era ele quem tinha dado aquele beijo inocente, a garota não tinha culpa do... do fato de que ele se sentia atraído por ela.
Enquanto isso, Elise e Remus observavam a cena pendurados na escada.
- Viu só? Eu disse, Kate está indo embora - sorriu Elise. - Meu primo tem a sensibilidade de uma galinha depenada... E você, como está?
Remus ficou branco, sempre que Elise lhe perguntava isso, não tinha certeza do quanto a morena sabia. Virou-se para pendurar uma dos enfeites.
- Estou bem... Olha, Elise, você sabe o que acontece comigo? - perguntou por fim. Porém, ao virar-se, a garota já tinha sumido.
...
Tracy deixou Lily sozinha para supervisionar as outras decorações. Agora a ruiva brigava com algumas velas vermelhas que precisava enfeitiçar para que não queimassem as árvores.
- Olá - cumprimentou James, assim que a viu sem ninguém por perto.
A garota ficou calada.
- Eu disse "olá".
- Não fala comigo - decretou, chateada.
- Não pode me impedir de falar contigo.
- Posso não te responder.
- Mas eu posso continuar falando. Você me deixou numa saia justa com o negócio da pena.
- É mesmo? - respondeu, sarcástica. - Que pena...
- Como sabe?
- Saber o quê? - perguntou, confusa.
- De onde vem a pena.
Lily ficou paralisada. Inclinou a cabeça para o lado, estreitando os olhos.
- E quem foi que te disse que eu sei? O fato é que sou muito intuitiva.
- Há, há. - fingiu rir. Passaram dois segundos de silêncio. - Conhece ela?
- Conhecer quem? - respondeu perturbada, entendendo perfeitamente bem a quem o garoto se referia. - Olha, Potter, estou farta de velas, bolinhas, neve e guirlandas, e as suas perguntas estúpidas estão torrando a pouca paciência que me resta.
- Você conhece o meu Anjo? - seu tom de voz não se alterara. Parecia desfrutar de deixá-la nervosa. - Acho que você a conhece sim.
Lily o encarou, irritada.
- Quer saber, sempre gostei do Natal - continuou o garoto.
- E o que isso me importa?
- Deveria ser importante, porque você está embaixo do visco - respondeu James, divertido.
- Ah, sim, que preocupação - colocou a mão sobre os olhos, como se procurasse alguma coisa. - Já estou vendo a fila de gente se formando para me beijar.
- Já que você não liga... - James começou a se aproximar dela.
Nota da Tradutora: Quero agradecer a todos que deixaram reviews e adicionaram a fanfic à sua lista de favoritos ou a colocou em alerta. E se muitas de vocês quase quiseram matar alguém quando viram como o capítulo anterior terminou, imagino que com esse final não vai ser diferente... Espero que gostem. Já estou no meio do próximo capítulo. Devo postá-lo domingo ou, no máximo, segunda. Beijos.
