Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)

Tradutora: Mrs. Mandy Black

Shipper: Lily Evans e James Potter

Gênero: Romance / Humor

Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)

Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?


Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.


QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA

| Capítulo 9 - Feliz Natal (parte 1) |

James estava se aproximando dela. Tinha acabado de colocar a mão sobre seu ombro. Lily perguntava para ela mesma porque não se mexia e se esquivava... Ela ainda era capaz de fazer isso. Por que, afinal, não se movia? James estava muito perto. Fechou os olhos. "Porque estou fechando os olhos? Abra os olhos, sua idiota!" Mas a única resposta que teve foi o arrepio que passou por seu corpo. Sentiu alguma coisa em sua bochecha e finalmente abriu os olhos. Acreditara mesmo que ele lhe beijaria na boca?

Sacudiu a cabeça para afastar todos esses pensamentos e foi para um canto. James a encarava sorridente.

- Feliz Natal, Lily.

Lily simplesmente apertou os lábios e devolveu o olhar, com dureza. Logo lhe deu as costas e voltou a enfeitiçar as velas. James foi embora com as mãos nos bolsos, muito orgulhoso de si mesmo. Dessa vez, ele tinha vencido a ruiva.

- Lils! - Kate se aproximara com raiva, com cara de irritada devido à briga com Sirius. - Quer ajuda?

- Mata o Potter por mim, que ele me dá alergia.

Kate sorriu.

- Talvez ele goste de você...

- Lógico, é tão certo como o fato de eu ganhar na loteria - ironizou. - Acontece que ele ainda está mordido pelo que houve no Expresso de Hogwarts. Não gostou nem um pouco de perder a queda-de-braço para mim.

- Bem, está apaixonado pelo "seu Anjo".

- Trocou três frases comigo e me beijou. Se isso é amor, eu sou a nova Ministra da Magia!

- E você? Gosta dele?

Kate ganhou um tapa na cabeça.

- Ei! Como ousas? - queixou-se a loira, em um falso tom de irritação, espetando com uma das velas a bunda de Lily.

- É você se atreve a responder desse jeito? Vai ver só! - A ruiva empunhou outra vela como se fosse uma espada. - Em guarda!

E as duas garotas começaram uma briga com suas velas, fazendo os gestos e as poses mais estranhas, até que Kate acertou o coração de Lily. A ruiva, de uma maneira muito dramática, se jogou no chão com gritos de sofrimento, encenando sua morte.

- O que estão fazendo? - Elise acabara de chegar e viu como Lily fingia convulsões no chão, enquanto Kate ria.

- Nada, resolvemos nossas pequenas diferenças. Pelo visto, eu a matei.

- Ah... ? vezes esqueço que os dezessete anos de vocês são apenas físicos.

- Que engraçadinha! Já terminou? - perguntou Lily, levantando-se.

- Eu já. O resto está quase todo pronto - respondeu a morena, passando os olhos pelo Salão Principal. - Acabou ficando muito bonito. Vamos ensaiar um pouco?

- Vocês já podem ir - suspirou Lily. - Eu preciso ficar até que tudo tenha terminado.

- Boa sorte! - Kate se despediu.

Cansada de ver tantos enfeites, Lily observou pacientemente todo o Salão. A verdade é que Tracy tinha um bom gosto para essas coisas.

Distraída, começou a cantarolar "Strangers in the night", enquanto recolhia as velas e se mexia de acordo com o ritmo da música. Alguém a segurou pela cintura e começou a dançar suavemente com ela. Esse alguém apoiou o queixo no ombro da ruiva, que parou de cantar.

- Bela canção - murmurou Remus, ainda sem tirar suas mãos da cintura da garota. Ele estava confuso. Não queria sair dali, só desejava ficar ali, abraçando-a e beijando aquelas tranças ruivas que ela usava nesse dia... Estava se apaixonando por Lily?

- É mesmo - respondeu um pouco corada, soltando-se lentamente dos braços do garoto. Por que ele a tinha abraçado desse jeito? Remus deslizou suas mãos suavemente pela cintura dela, até soltá-la.

- Você é muito romântica.

Lily conseguiu ficar ainda mais corada e baixou o olhar. Nesse momento, lembrou-se do acidente da enfermaria quando estavam a ponto de se beijarem, o que a deixou mais nervosa. Estava pensando em Remus como algo mais que um amigo?

- O que houve? - perguntou o lobisomem com suavidade. - Está com uma cara feia.

- Nada, estou ótima - disse, colocando um sorriso postiço em seu rosto. - Talvez seja esse calor... Talvez seja melhor eu me mandar daqui. Acho que está tudo terminado - viu como a maioria das pessoas já tinha saído do Salão Principal e os poucos que restavam apenas recolhiam algumas coisas. - Só falta eu guardar estas velas.

- Deixa eu te ajudar - ofereceu-se rapidamente.

Lily sorriu agradecida, mas não tinha muita certeza se gostava que ele ficasse com ela.

Uma pessoa observava a cena e não estava contente. Essa pessoa, James, via com certo rancor como Remus ajudava Lily a colocar as velas e logo a acompanhava para fora do salão.

- Vai passar o Natal com seus pais?

- Sim - suspirou o lobisomem. - Talvez depois me encontre com Sirius e James, senão seria muito chato. Você vai se dar bem com Elise.

Tinham chegado ao retrato da Mulher Gorda. Lily encarava seus pés.

- Eu preciso ensaiar - disse finalmente, levantando a cabeça. - Boa noite, Remus.

- Boa noite, Lils.

Lily voltou a sorrir e voltou-se para retornar ao quinto andar, mas Remus segurou seu braço. Virou-se e... Remus a beijou. Suavemente, esperando que ela lhe desse permissão para continuar. Entretanto, Lily não correspondeu ao beijo. Ficou quieta sem saber o que fazer e quando Remus se separou dela, simplesmente correu.

Viu como a garota desaparecia pelo corredor. Não podia negar que já sabia que essa seria a reação da ruiva, mas precisava esclarecer o que sentia. Mesmo tendo dito aos seus amigos que não gostava de Lily assim, não estava tão certo disso. Ela era a dona de uma parte muito especial de seu coração. Amor? Não sabia.

Lily corria para não pensar. Remus a tinha beijado! Como pôde ter corrido dessa maneira? Certamente ele agora pensava que ela era uma idiota. Mas é que preferia não ter recebido este beijo... Acabara de perceber. Não gostava de Remus desse jeito. De fato, não conseguia se imaginar com ninguém desse modo. Precisava conversar com ele. Além disso, tinha Elise... Elise! Ela nunca falara que gostava de Remus, mas Lily sabia que a morena tinha uma certa queda por ele... Chegou à porta da sala de aula em que praticava, e ficou pensando que seria melhor nem entrar. Respirou profundamente. Seria ainda mais suspeito se ela não fosse ao ensaio.

- Cheguei!

Suas duas amigas sorriram e voltaram seus olhares para ela. Rapidamente seu semblante se transformou.

- O que aconteceu? - perguntou Kate.

- Nada - fingiu naturalidade. - Por que tem que acontecer alguma coisa?

- Porque você veio correndo e está branca ao invés de vermelha - respondeu Elise.

Lily não discordou. Sentou-se em uma banqueta e encarou seus joelhos. Logo ergueu a cabeça. Os olhos das amigas esperavam com expectativa.

- Remus me beijou.

Lily observou rapidamente Elise, que baixou o rosto, torcendo as mãos. Kate olhava de uma para a outra.

- Era de se esperar - disse Elise, finalmente. - Acho que ele não tem certeza do que sente por você.

- Mas você não gosta dele, não é mesmo? - Kate perguntou, rapidamente.

- Não, a verdade é que não. Só que não fui capaz de dizer isso, só saí correndo.

- Talvez seja melhor você não falar nada - Elise suspirou tristemente -, a menos que ele resolva discutir a situação.

- Você acha? - questionou a ruiva incrédula, que pensava em conversar com o lobisomem no dia seguinte.

- Sim... Pode ser que ele perceba tudo sozinho e então vai querer conversar contigo.

Lily deu um tapa em sua própria testa. Por que essas coisas tinham que acontecer com ela? Estava bem sendo uma garota estranha e assexuada para a maior parte da escola. Além disso, tinha visto a cara de Elise. Lógico que a amiga não diria nada, mas era quase certeza que se interessava por Remus de uma maneira especial.

...

Remus passou a última semana do primeiro trimestre sem falar muito. Não contou nada aos seus amigos, apesar dos outros três Marotos terem notado algo. James, inclusive, suspeitava que o comportamento dele tinha a ver com a ruiva, porque Remus estava esquisito desde o dia da decoração do Salão Principal.

O lobisomem pensava. Lily continuava o tratando da mesma maneira que antes do acontecido e nem sequer mencionara o beijo, mas percebeu que ela nunca estava sozinha quando vinha conversar com ele. Isso significava que queria esquecer tudo? Provavelmente. Só queria que as férias de Natal chegassem logo, para que pudesse pensar com tranquilidade.

Kate continuou ignorando a presença de Sirius deliberadamente, que fazia tímidas tentativas de falar com ela. E Tracy adotava uma pose de pavão toda vez que via Artemis. Por sorte, isso não parecia afetar o garoto.

No último dia de aula era obrigação de Lily e James, junto com os outros monitores, controlar os alunos. Os estudantes pareciam um bando de hipogrifos no verão, que atendiam pelo grito de "o último é a mulher do padre!"

Até que Lily se aborreceu. Suas narinas se afastaram.

- Aquele que não ficar mudo e quieto, será o responsável pela perda de cem pontos de sua Casa! ESTAMOS ENTENDIDOS?

No Salão Principal podia-se escutar apenas o barulho que centenas de pés faziam ao parar de andar. Inclusive James ficou paralisado.

- Que poder... - brincou. A ruiva lhe enviou um olhar de profunda raiva.

- E agora que estamos todos bem arrumadinhos - acrescentou com a voz doce, em contraste com o berro de antes -, vamos nos separar por casas e sair em grupos para as carruagens. - Centenas de cabeças assentiram e começaram a obedecer.

Kate fingia chorar em seu lugar.

- Esta é a minha garotinha, uma ditadora... E parece que foi ontem que comia chocolates.

- Foi ontem - lembrou Elise.

- Ei, não estrague meu momento de realização pessoal.

A viagem foi tranquila. Ou melhor, relativamente tranquila, pois não houve discussões por nenhuma cabine ou brigas, já que a ruiva patrulhava o trem para ver quem seria o imbecil que se atreveria a acabar com a paz.

Depois de se separem de Kate e Artemis na Estação King's Cross, Elise e Lily pegaram um táxi para chegar até o apartamento da mãe da morena, na Londres trouxa. O taxista fez algumas caretas quando precisou colocar os malões das garotas no porta-malas, e ainda mais quando Lily colocou a gaiola de Betty dentro do carro.

Chegaram ao apartamento, que ficava em algum lugar do centro, próximo do Beco Diagonal, e entraram no elevador.

- E para que servem todos esses botões? - perguntou Elise, com curiosidade.

- Para ir ao andar que você quiser.

- Ou seja, é só apertar que esse negócio te leva onde você escolheu?

- Isso.

- Genial! Como você disse que se chamava mesmo?

- Elevador - respondeu a ruiva, cansada.

- E-le-va-dor - repetiu, apertando em todos os botões.

Elise se divertia e batia palmas cada vez que o elevador parava. Como o prédio tinha dez andares e elas entraram no térreo...

No sétimo andar encontraram uma senhora com óculos de fundo de garrafa que encarou Elise com desagrado quando a ouviu gritar "E ele parou! Viu isso, Lily? Não errou nenhuma vez".

- Ela morou até agora em Tombuctú e nunca tinha visto um elevador - explicou Lily para a senhora. Quando as portas se fecharam, sussurrou para Elise - Da próxima vez, aperta só o número dez.

Elise pareceu muito decepcionada, mas concordou. Além disso, se animou muito ao entrar no apartamento e descobrir o forninho elétrico, a televisão e o fogão a gás. Por um momento, ficou brincando com os interruptores de luz, enquanto Lily tomava uma ducha.

Era um apartamento bastante grande, com quatro quartos, dois banheiros, cozinha, sala e varanda. E a mãe de Elise já tinha mobiliado tudo com muito bom gosto. Elise tinha contado que a mãe gastara no apartamento boa parte do que recebera depois do divórcio de seu pai, e que agora trabalhava na Bulgária para não precisar encontrar essa "corja racista dominada pelas ideias dos papaizinhos" pela rua. Elise sentia falta de seu pai, não do que ele representava. Porém, em todo momento apoiou a mãe, porque sabia que ela tinha razão. Seu pai não era nem um bom marido, nem um bom pai.

- Todos os trouxas vivem assim? - perguntou extasiada, enquanto aumentava e diminuía o volume da televisão. - É fantástico!

Lily não podia evitar rir vendo a mais contida de suas amigas trocando de canal e gargalhando de emoção cada vez que aparecia uma imagem nova.

- Você se importa de eu usar o telefone para falar com os meus pais? - Perguntou a ruiva. - Devem estar quase saindo para embarcar.

- Lógico que não! Estou muito curiosa para ver como funciona esse troço.

E sentou-se na frente de Lily, observando atentamente como ela ligava para seus pais.

A pedido de Elise, passaram os primeiros dias das férias fazendo coisas tipicamente trouxas. Quando foram comprar comida para encher a geladeira nova do apartamento, que não tinha nada mais que os compartimentos especiais para os ovos, Elise se encantou profundamente pelo mecanismo das caixas registradoras. Kate foi visitá-las vários dias e elas tinham que buscá-la na lareira do Caldeirão Furado.

Foram juntas ao cinema e Kate se declarou oficialmente apaixonado por Jeremy Irons.

Na Véspera de Natal, a mãe de Elise chegou. Selene Beaufont - tinha voltado a usar seu nome de solteira - era uma mulher com seus quarenta anos, não muito alta e morena. Usava óculos e se vestia com muito estilo. Quando ela falava, percebia-se um leve sotaque francês e búlgaro.

- Filhinha! - gritou emocionada ao encontrar Elise na estação de aparatação. - Você está linda! E tão alta!

- Sim, nem sei o que estou fazendo aqui ao invés de estar desfilando pela Victoria's Secret. - Apesar da ironia, Elise sorria abertamente e abraçava sua mãe bem apertado. - Você também está muito bonita... E mamãe, esta é a Lily, uma das minhas melhores amigas.

Lily ia estender a mão, mas a senhora Beaufont a abraçou efusivamente.

- Elise me falou muito sobre você. E Kate? Como ela está?

- Não conseguiu vir. Já sabe, os pais dela a obrigam a ir a todos esses jantares do Ministério, mas ela me prometeu que virá assim que der para te dar um 'oi'.

Selene já conhecia Kate, pois sua família e os Black andavam muito juntos.

- Vamos de uma vez, que Andrômeda e Ted devem estar quase chegando lá em casa - disse Elise carregando a mala de sua mãe. - Mamãe, está trazendo pedras aqui dentro ou o quê?

- Uma mulher nunca pode sair de casa despreparada.

- Uma coisa é estar bem preparada. Outra coisa bem diferente é achar que você vai para a guerra, mamãe!

...

A apatia de Sirius crescia exponencialmente a medida que as festas avançavam. Elise tinha razão, era deprimente passar o Natal sem família... Os avós de James eram bem legais e seu amigo tentava distraí-lo o tempo todo, mas não podia evitar se sentir deslocado nos jantares familiares, mesmo todos sendo muito amáveis com ele.

Sobretudo na véspera de Natal... A casa cheirava a peru assado e pudim de mirtilos. Os familiares de James começavam a chegar e ele resolveu fugir do barulho refugiando-se no jardim. Pelo frio que fazia, provavelmente teriam que descongelá-lo na água fervente, assim que resolvesse levantar daquele banco de pedra. Colocou as mãos nos bolsos para esquentá-las, e as pontas de seus dedos roçaram em algo. Puxou para ver o que era. Um endereço, o papel que Elise tinha lhe dado outro dia. Mesmo que isso o chateasse, tinha que admitir que sua prima tinha razão: precisava de um Natal em família.

...

- Andrômeda! - gritou Selena ao abrir a porta. - Ted!

Abraçou calorosamente seus dois sobrinhos.

- Olá - disse uma menina com seus sete anos de idade e o cabelo preso em duas tranças, surgindo entre seus pais. - Onde está Elise?

- Nymphadora - seu pai a repreendeu -, cumprimenta a sua tia!

- Oi, tia, onde está a Elise? - seu pai ia voltar a repreendê-la, mas Selene, rindo, fez um gesto dizendo que não havia necessidade.

- Está na sala de jantar, querida. Ela me disse que precisava... - mas a menina já tinha desaparecido. - Bem, entrem. Não é a mansão dos Black, mas acho que vai servir.

Andrômeda entrou na cozinha com Selene para ajudá-la com o jantar, enquanto Ted foi para a sala de jantar com sua prima, para cumprimentar sua prima postiça.

Andrômeda e Ted eram um casal jovem, não tinham nem trinta anos. Pouco depois de terminar Hogwarts, Andrômeda começou a trabalhar no Departamento de Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas. Ted, que era médico, tinha sido atacado pelas muletas de um dos seus pacientes e Andrômeda ficou encarregada por obliviá-lo. Logo se encarregou de outras coisas.

Pouco depois, quando Lily e Ted discutiam se Liverpool ia ou não ganhar o campeonato em cima do Manchester United e Elise e Nymphadora assistiam atentamente televisão (Nymphadora explicava para Elise a complicadíssima história de "Ursinhos Carinhosos"), tocaram a campainha. Selene gritou da cozinha.

- Elise, querida, vai abrir a porta. Deve ser seu tio Alphard.

Elise correu para a porta, pois não queria perder nem um segundo da série dos ursinhos com a barriga cheia de desenhos, e a abriu de uma vez, sem sequer olhar pelo olho-mágico. Quando viu quem estava em frente a sua porta, esqueceu que o urso com o desenho de guarda-chuva na barriga estava a ponto de salvar a Terra de enormes inundações.

- Sirius! - gritou surpresa.

- Não sei se cheguei em um bom momento, mas é que...

- Sirius! - Selene e Andrômeda tinham saído da cozinha para cumprimentar tio Alphard. - Não sabia que você vinha!

Sirius estava a ponto de se desculpar, mas Elise o obrigou a entrar.

- Ele saiu de casa, então eu convidei.

- Você? - estranhou Andrômeda. - Mas se nem podiam suportar ficar sob o mesmo teto! Meus dois primos favoritos, mas desde que entraram em Hogwarts não houve jeito de fazê-los trocar duas palavras carinhosas.

- É sua culpa! - disseram os dois ao mesmo tempo, um apontando para o outro.

- Bem, parece que conseguimos reunir todos os renegados pelos Black! - suspirou Andrômeda.

- Não, falta eu! - Um homem mais velho de rosto redondo e olhos azuis esperava na porta, já que todos se esqueceram de fechá-la. - Agora sim a família está completa.

- Primo! - Nymphadora chegara correndo até a entrada e arrastava Sirius e Elise para a sala de jantar. - Você trouxe aquele seu amigo gostoso?

Elise olhou surpresa para a menina.

- James? Não, ele ficou na casa dele - respondeu o moreno.

Lily se assustou ao ver Sirius entrando na sala de jantar, mas não disse nada, apenas o cumprimentou com um aceno de cabeça.

Em cinco minutos, Ted e Alphard precisaram se refugiar na varanda, porque Nymphadora, Lily, Sirius e Elise organizaram uma guerra no mais puro estilo de trincheiras e usavam as pistolas de brinquedo da menina para atingirem os outros. Sirius estava encurralado atrás do sofá e Lily tinha construído um forte de cadeiras. Elise estava a ponto de perder, enquanto Nymphadora ficava se fazendo de agente dupla constantemente.

- Crianças! - Selene saiu da cozinha com um rolo de macarrão na mão. - Que escândalo é esse? E como puderam expulsar o tio Alphard para a varanda? Ele já não tem idade para esse tipo de brincadeiras!

Os quatro se entreolharam com cara de culpados e davam cotoveladas uns nos outros, passando a culpa para quem tivesse mais perto.

- É melhor vocês irem passear e só voltarem às sete, para jantarmos - disse Andrômeda saindo da cozinha, de avental.

Os quatro garotos não se fizeram de rogados e, depois de recolherem todos os dardos das pistolas, saíram correndo pela porta e entraram no elevador.

- Viu só, Nymphadora? - Elise mostrava os botões do elevador. - Você aperta o botão que quiser e este aparatador surge no andar que você escolheu.

A menina ergueu uma sobrancelha.

- Se chama elevador, Elise - falou como se fosse uma professora. - Eu tenho um em casa.

Sirius e Lily não conseguiram evitar rir da cara da morena.

- E onde estamos indo? - perguntou Sirius.

- A Nymphadora que diga, já que sabe de tudo - murmurou Elise.

- Vamos ver o Papai Noel - decidiu a menina sem ligar para sua prima. - Você pode continuar brincando no elevador se quiser, Elise.

- Que menina mais chata! - respondeu a garota contrariada, entre dentes. - E onde vamos encontrar o Papai Noel, posso saber, Nymphadora?

- Eu só tenho sete anos. Supõe-se que você deveria saber isso!

- Eu vou levar vocês para verem o Papai Noel - riu Lily, estendendo a mão para a menina.

- Posso ir sozinha - ela encarou a ruiva altivamente, cruzando os braços.

- Ah, eu sei disso, mas assim você me faz companhia.

A menina a olhou de canto, com superioridade.

- Bem, se você tem medo de se perder... - aceitou a pequena, dando a mão.

Lily os levou a um shopping, pois ali sempre tinha um Papai Noel disposta a ouvir os pedidos das crianças, por mais que a lista de presentes fosse esquisita ou enorme. Formaram fila diante do que parecia ser um povoado natalino, com neve de mentira e casinhas adoráveis. Enquanto esperavam, Elise e Sirius começaram a discutir sobre quem tinha a culpa deles se darem tão mal.

- Mas você quebrou minha vassoura de corrida! - gritava o moreno.

- Só pintei de rosa pink, e foi porque você desafinou o meu piano!

- Desafinei o piano porque tingiu meu urso de pelúcia de verde!

- Porque você comeu meus sapos de chocolate!

- Ei, vocês - Lily se meteu no meio dos dois. - É Natal, então sem showzinho. Estão fazendo as crianças chorarem...

Realmente algumas crianças choravam. Nymphadora, entretanto, achava tudo divertido.

- Não tem graça sem eles brigando! - disse sorrindo.

Os dois primos encararam-se rancorosamente, mas fizeram um acordo mudo de se tratarem bem no Natal. Mas só no Natal, pois não queriam perder a reputação de relação de ódio profundo.

- Nossa vez! - avisou Lily. - Vai você primeiro, Nymphadora.

Nymphadora se sentou nos colo do Papai Noel gorducho.

- Como você se chama?

- Nymphadora - respondeu ela, solícita.

- E o que você quer me pedir, Nymphadora? - perguntou o homem docemente.

- Eu quero uma caixa de bombas de bosta, uma de fogos de artifício e mais dardos para minha pistola, porque meus primos são maus e perderam todas as minhas - falou apontando para Elise e Sirius, como se contasse um segredo. - E também um tanque com projéteis de verdade e...

- Uma boneca? - arriscou o homem, estranhando os pedidos da menina.

- Não, isso é besteira. Eu quero uma pistola com balas de borracha. - E voltou a baixar o tom, para fazer outra confidência. - Mas você precisa deixá-la embaixo da minha cama, para minha mãe não descobrir, porque senão ela vai pegar, entendeu? Eu sei que com a idade as pessoas perdem a memória...

- Sim, sim - disse o homem, rindo. - Eu entendi tudo e prometo que farei o que for possível.

Nymphadora se levantou radiante depois de terminar seus pedidos. Então foi a vez de Elise e Lily, que se sentaram cada uma em um dos braços da poltrona do homem.

- E o que desejam essas duas preciosidades? - perguntou o homem, jovialmente. Imediatamente as garotas perceberam que quem estava embaixo da barba branca era um cara jovem.

- Eu quero uma caixa registradora e escadas rolantes como as do metrô. E também uma dessas máquinas que você coloca uma moeda e sai uma lata de refrigerante... - Elise se apressou a dizer. - Ah, sim! E toda a coleção de fitas de vídeo de "A Super Máquina", que eu vi anunciando na teledivisão.

- Televisão - tossiu Lily, enquanto o garoto as encarava confuso, como se elas tivessem escapado de um hospital psiquiátrico.

- Isso, televisão. Você viu aquele carro, Lily? Ele fala e é muito maneiro.

- Ok - a ruiva interrompeu a morena, que quando começava a falar sobre televisão, não parava mais. - Eu quero um pouco de cianeto líquido. É para cometer um assassinato. Quero matar o maior babaca de todos os tempos e assim fazer um bem para a humanidade.

- Ah. - O pobre garoto estava chocado.

- Mas como sei que isso não é viável, porque matar é crime e tal - continuou a ruiva -, eu me conformo com o disco novo dos Rolling Stones. Mesmo que provavelmente eu acabe dando ele para a minha mãe... Deixa pra lá, eu não preciso de nada e...

- Er... - O cara assustado vestido de Papai Noel interrompeu a garota.

- Sim? - Lily perguntou educadamente, já que Elise já tinha levantado para encontrar Nymphadora, que mostrava a língua para as crianças da fila.

- Poderia pedir ao seu amigo para não dar em cima dos meus elfos? - Lily virou-se. Uma garota loira vestida de elfo e outra morena sorriam, enquanto Sirius apoiava um braço na parede em que as duas estavam encostadas.

Lily suspirou e se levantou, arrastando-o pela orelha até a saída.

- Ei, Papai Noel! Eu fico satisfeito com o endereço das suas elfas!

Em seguida, tiraram uma foto. Sirius fazia um "V" de vitória com os dedos, a cabeça para um lado, já que Lily ainda o segurava pela orelha. Nymphadora fez pose com a língua de fora, enquanto Elise chupava o pirulito de caramelo que o pobre Papai Noel lhe dera.

Lily empurrou todo mundo para a saída quando viu que o Papai Noel conversava em particular com um dos seguranças do shopping, apontando para eles com sua rechonchuda barriga cheia de almofadas.

Como ainda era cedo, decidiram dar uma passada no Caldeirão Furado para beberem alguma coisa. Estava cheio de gente, mas conseguiram achar uma mesa. Nymphadora insistia em uma dose dupla de whisky de fogo, mas teve que se conformar com um suco de morango.

Ficaram um tempo jogando snap explosivo e às seis em ponto estavam no elevador de casa.

- Venha, Elise, deixamos para você apertar, já que gosta tanto - brincou Sirius.

- Há, há. Quer ficar sem jantar? - mas se apressou a apertar o botão, para que ninguém fizesse antes dela.

Subiram até o décimo andar e apertaram a campainha. Selene abriu a porta e uma grande fumaceira saiu do apartamento.

- Por que parece que vocês fizeram peru queimado? - perguntou Lily.

Andrômeda e a mãe de Elise trocaram olhares culpados, mostrando que tinham feito exatamente isso.

- É que começamos a conversar com Alphard e...

- Já sabemos... Esqueceram de tudo! - terminou Elise. - E o que vamos jantar? Carvão de peru com pudim de mirtilos?

- Vai ter que ser só o peru carbonizado - resmungou Andrômeda, enquanto entravam na sala de jantar. - O pudim ficou um pouco doce...

- Muito? - perguntou Sirius, que estava morrendo de fome e não se importava de comer cinzas de peru.

- Ted teve um ataque de diabetes só de olhá-lo - respondeu Selene, retorcendo as mãos no avental.

- Resumindo: não tem janta - queixou-se Nymphadora.

Todos franziram a testa, menos Lily, que foi direto para o telefone.

- Para grande problemas, soluções trouxas - disse, olhando um pequeno cartão vermelho e discando um número enquanto todos a observavam. - Jardim do Dragão Verde Florido? Sim, quero fazer um pedido no nome de Lily Evans. Hmmm, será... Um momento - afastou o telefone da orelha, tampando-o com a mão. - Vocês gostam de frango no limão? É o que tem de mais parecido com peru nesses lugares...

- Lily, pede também uns rolinhos primavera - se apressou Ted. - E alguma coisa para beber.

- Sim, e sopa perna de rã! - disse Nymphadora.

- Não se atreva a pedir isso - ameaçou Andrômeda, olhando para a filha. - Pernas de rã são só para poções. E foi uma ótima idéia, Lily, nem pensei nisso.

Sirius, Elise e sua mãe olhavam de um lado para o outro, muito confusos. Estavam pedindo comida para um pedaço de plástico vermelho?

Lily acabou o pedido pelo telefone e bateu palmas, animada.

- Vamos! Coloquem a mesa!

Andrômeda explicou aos seus primos, seu tio Alphard e sua tia Selene o que eram os restaurantes de comida a domicílio. O que eles não entenderam muito bem foi o fato de trazerem comida da China... Não seria mais fácil ligar para algum lugar em Londres?

Assim que a comida chegou, jantaram alegremente. Sirius demonstrou, no início, certo receio em relação à comida, mas logo acabou repetindo o arroz mais de três vezes, até ficar satisfeito.

Depois de comerem, cantaram canções natalinas, acompanhados pela guitarra de Elise e o tambor de Nymphadora.

- Bem, senhoritas, senhoras, senhores e Elise - falou Sirius, já tarde. Sua prima mostrou a língua. - Tenho que ir. Falei para o James que ia voltar para dormir e se pretendo usar a lareira do Caldeirão Furado, preciso me apressar...

Foi nessa hora que bateram fortemente no apartamento, e Selene foi rapidamente abrir a porta. Alguém entrou correndo pela sala. Era um homem de uns quarenta anos, vestido com uma jaqueta preta e um uniforme verde por baixo, com o rosto em um misto de nervosismo e exaltação.

- Andrômeda! Ainda bem que ainda está aqui - suspirou, muito nervoso. - Vamos, temos trabalho... - completou, puxando-a para fora.

- Gary, obrigada por me ajudar a andar, mas gostaria de saber aonde vamos.

- Você não soube? - gritou o homem. - Um ataque, houve um ataque no meio de Londres. Seguidores de Você-Sabe-Quem. Os aurores não conseguiram capturá-los.

Todos na casa se assustaram, inclusive Nymphadora, que se agarrou firmemente à perna de seu pai.

- Há feridos? - Sirius se apressou a perguntar.

Gary o encarou como se tivesse acabado de notar que o garoto estava ali.

- Sim, mas foram poucos e não é nada grave. Parece algo como um trote... Acontece que temos centenas de trouxas com memórias para serem modificadas e estamos reunindo todo o pessoal do departamento. Então...

- Então eu fiquei sem Natal - suspirou Andrômeda. - Malditos fanáticos... - levantou-se apressada. - Ted, querido, vai ter que passar o Natal sozinho com a Dora.

- Andy, meu plantão começa nesta madrugada!

Andrômeda acabara lembrar. Era ela quem iria passar o dia sozinha com a filha.

- Fiquem tranquilos, Nymphadora pode ficar com Elise e Lily - sugeriu Selene. - Não é mesmo, garotas?

- Você não vai ficar, mamãe? - perguntou Elise.

- Não, não, eu também trabalho amanhã - respondeu a mulher, fazendo carinho nos cabelos de sua filha, que baixara o olhar. - Então está tudo certo, Dora fica com as duas.

Nymphadora olhou receosa para sua prima.

- Vocês têm certeza que vão deixá-la como minha responsável? Ela pediu escadas rolantes para o Papai Noel - sussurrou para seus pais. - Aliás... Papai Noel não sabe que eu vou dormir aqui! E se não trouxer os meus presentes?

- Não se preocupe com isso, que nós enviamos um fax para ele - comentou seu pai, sussurrando-lhe em seguida. - E na verdade, nós queremos que cuide da Elise e da Lily. Será que você consegue?

A menina fez uma cara de quem entendia tudo e, por fim, concordou com a cabeça, enquanto Sirius gargalhava e Elise adotava uma postura profundamente ofendida.

Ted e Andrômeda se despediram até a noite seguinte, prometendo a seu anjinho que avisariam ao Papai Noel sobre a mudança de endereço. Uma vez que recolheram toda a bagunça, a senhora Beaufort decidiu ir embora e Sirius resolveu esperá-la, já que a mulher também iria para o Beco Diagonal.

Um pouco triste pela rapidez com que passou o dia, Elise se despediu de sua mãe arrancando a promessa que sairiam de férias juntas na Semana Santa da Páscoa. Sirius abraçou Nymphadora e deu um soquinho carinhoso no ombro da outra prima, que lhe devolveu com um tapa leve. Logo parou de frente para Lily, sem saber muito bem o que fazer.

Lily estendeu a mão.

- Foi um prazer, Black.

- Igualmente, Lily? - arriscou o garoto, sorrindo.

- Sim, Lily está ótimo, Sirius - respondeu também sorrindo e comprovando que ao menos outros dos Marotos não era tão idiota como ela pensava.

- Vai nos visitar amanhã? - perguntou Nymphadora.

- Não sei... Já fugi de um dos jantares da família Potter e não quero fazer outra desfeita. - A menina começou a ficar de bico. - Está bem, se eu conseguir eu prometo que venho.

- Isso! Assim eu te mostro a minha pistola com balas de borracha - sussurrou a pequena.

...

Nymphadora achou seus presentes de Natal às seis e meia da manhã e a partir dessa hora qualquer tentativa de dormir naquele apartamento foi totalmente infrutífera. A menina ficou um pouco decepcionada por não ganhar a sua pistola, mas conseguiu o resto das coisas: a mesa de jantar virou um campo de prova para o tanque movido a controle remoto. Lily e Elise também abriram seus presentes. Os pais de Lily lhe deram uma roupa feminina demais para o seu gosto, o último disco dos Rolling Stones e dois livros. Petúnia não mandou nada, mas Artemis, Kate e Elise tinham feito uma vaquinha para lhe dar uma guitarra, deixando a ruiva bastante entusiasmada. Elise também recebeu muitos presentes, entre eles uma pedra escrita com letras estranhas para ela traduzir em Runas. Lembrança de um amigo de Paris, explicou a Lily, antes de guardar cuidadosamente o objeto em seu quarto.

Eram dez horas da manhã e as duas garotas desfrutavam de um chocolate quente, enquanto Nymphadora derrubava latas de Coca-Cola com seu tanque. Foi quando a campainha tocou. Lily, ainda de pijama, foi atender certa de que era Ted, que provavelmente conseguira ser liberado do plantão no hospital.

Abriu a porta e teve vontade de gritar: James Potter.

- Feliz Natal, Evans - disse, sorrindo. - Belas pernas. Deveria deixá-las a mostra mais vezes - completou passando os olhos pelo corpo da garota.

- E você deveria sair daqui para evitar que eu te mate.

- Também fico feliz de te ver.

Lily ia fechar a porta na cara dele, quando um pé impediu.

- Oi, Lily, quanto tempo! - exclamou Sirius. - Podemos entrar?

Lily olhou desconfiada para os dois garotos e, receosa, afastou-se para deixá-los entrar. Sirius conduziu seu amigo até a sala de estar.

- Que diabos... - começou Elise, ao vê-los.

- Oh! - Gritou Nymphadora emocionada, batendo palmas. - Você veio! E ainda trouxe seu amigo gostoso! - James sorriu e piscou para a menina. Elise e Lily apenas franziram o nariz diante do comentário.

- Na realidade, pequena anã - disse Sirius, segurando seus ombros - viemos buscá-las. Vamos almoçar na casa do James.

- Vamos? - perguntou Elise. - E esse vamos inclui quem, concretamente? Porque eu não me lembro de ninguém ter me perguntado nada.

Lily concordou com a cabeça, enquanto Nymphadora pulava emocionada em volta do primo.

- Sirius contou que ontem passou a noite aqui e como hoje vocês ficariam sozinhas, vinha fazer uma visita - explicou James. - Minha avó ficou insistindo para a gente buscar vocês até a hora que saímos de casa. Disse que onde cabem cinquenta, cabem cinquenta e três.

- E prometemos que vocês iriam - completou Sirius, sorrindo.

Lily e Elise se comunicaram pelo olhar e logo encararam os garotos em desafio.

- Vamos, por acaso têm algo melhor para fazer? - insistiu Sirius. Quando Elise ia responder, voltou a falar rapidamente. - Faça pela menina... Lá vão ter crianças para ela brincar...

- Você quer dizer para ela torturar, não é mesmo? - Elise apontava para Nymphadora que agora, passada a primeira onda de emoção, começou a jogar bombas de bosta da varanda. Lily tentava convencê-la a parar. - Sei lá, não conhecemos ninguém...

- Conhece a gente - respondeu James.

- É o que eu estava dizendo, ninguém - repetiu Elise.

Lily voltou da varanda, com Nymphadora jogada como um saco de batatas em seu ombro.

- Na verdade, pra mim tanto faz - suspirou, para a surpresa de todos. - Não é má idéia esse diabinho liberar um pouco de adrenalina. - James sorriu marotamente e ela desviou o olhar. - O que você decidir, Elise.

Todos os olhares, inclusive o de Nymphadora, que continuava de cabeça para baixo, fixaram-se na morena.

- Está bem - disse por fim -, mas... Tem certeza que não vamos aborrecer a sua avó?

- Parece até que você não a conhece - suspirou Sirius.

- É, e ela ainda disse que não te vê há muitos anos e quer ouvi-la tocar - acrescentou James.

Elise sorriu. Quando eram pequenos, antes de entrar em Hogwarts, eles eram amigos e ela passava muitas tardes na casa dos outros dois. Edna, a avó de James, tinha um carinho especial por Elise, porque gostava tanto de música quanto a garota.

- Ah, e o Remus também vai estar lá - Sirius lembrou.

A cara das duas garotas mudou de repente.


Nota da Tradutora: Ok, não me matem. Sério, a internet não pegava de jeito nenhum. Inclusive estou um pouco atrasada no trabalho da faculdade por causa disso. Em compensação, sem internet só me sobrou uma coisa a fazer: traduzir. Amanhã ou, no máximo, quinta-feira vem o capítulo 10, com o Natal na casa do James, com o Remus a tiracolo.