Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 13 - Você voltou |
Estavam a poucos centímetros de distância, encarando um ao outro, com essa sensação familiar percorrendo todo o corpo. James logo se lembrou de uma música, a mesma canção da festa de Halloween. E o desejo irresistível de beijar a garota à sua frente, com o cabelo bagunçado e cheio de pequenas folhas. Uma de suas mãos alcançou uma mecha do cabelo da garota e a arrumou atrás da orelha, para logo depois deslizar por pela pálida e suave bochecha que começava a corar.
A mão de James foi até o queixo dela e o levantou, para que em seguida o garoto dirigisse seus lábios até a boca desejada. As únicas testemunhas seriam a noite e a clareira do bosque que os cercavam.
...
- Kate - tentou Sirius pela décima sexta vez, sentando no chão de pedra. Suas mãos continuavam presas pelas algemas prateadas. - Me perdoa, por favor.
- Não - respondeu a loira, também sentada no chão, apoiando sua cabeça na mão. - E nem adianta continuar com essas desculpas esfarrapadas.
Remus e Elise suspiraram profundamente.
- Vamos lá, Kate - começou Remus, com uma voz compreensiva -, pelo menos conversa com ele. Se não, só sairemos daqui quando Dumbledore vier nos buscar e teremos que nos humilhar na frente de toda a escola.
- Prefiro fazer um striptease para todos os alunos que conversar "amigavelmente" com esse cabeça-dura ao meu lado. Acho que já dei muitas chances e mesmo assim parece que ele encontra um jeito perfeito de ferrar com a minha vida todo mês. Sendo assim, me desculpem, mas podem ir preparando as fantasias, queridinhos - e cruzou seus braços em um gesto de determinação que fez os três suspirarem derrotados.
Elise levantou-se.
- Ah, vamos logo com isso, Katherine! - queixou-se a morena. Como só usavam seu nome em sérias, Kate voltou sua atenção para a amiga. - Já sei que ele é um presunçoso, um orgulhoso, que só tem meio cérebro e acredita que é o centro do universo... Aonde eu queria chegar? - perguntou a garota, coçando sua cabeça e tentando lembrar-se de sua linha de pensamento.
- Acho que você estava tentando me convencer de falar com seu primo - murmurou Kate.
- Isso - respondeu Sirius, irônico - Muito obrigada pela sua ajuda!
Elise encolheu os ombros.
- É melhor deixarmos os dois sozinhos - disse Remus, abraçando Elise pelos ombros e a arrastando para perto da saída da caverna. - Vão poder conversar com mais tranquilidade.
- Não vamos conversar coisa nenhuma! - respondeu Kate, teimosa.
Remus fingiu que não escutou e afastou a má influência que considerava que era Elise, para que o problema se resolvesse.
Os algemados ficaram em silêncio. Sirius começou a catar pedras do chão e jogá-las contra um grande pedregulho que tinha por perto. Kate simplesmente apoiou a cabeça na mão, encarando seu cabelo e repetindo para si mesma que não podia ceder.
E Sirius continuava praticando sua pontaria.
- Marquei com Rachel amanhã - disse de repente, sem saber muito bem o porquê. Ele queria sair dali ou não? Com certeza este comentário oportuno não iria facilitar a situação.
Kate o encarou com um pequeno interesse, e logo voltou a observar as mechas desordenadas de seus cabelos.
- Vejo que é o anonimato é só para mim - respondeu em um tom monótono. - Que saia tudo bem - completou segundos depois, com ironia.
- Ela é bonita - falou Sirius, olhando-a de lado, esperando para ver sua reação. Kate continuou observando o cabelo.
- Suponho que sim. Tenho interesse por homens e um... animal - colocou uma ênfase especial na palavra 'animal' -, então não prefiro não opinar.
- Mas eu não gosto dela - Sirius voltou para sua espécie de monólogo suicida que, é importante ressaltar, não estava melhorando as coisas entre eles.
Kate o encarou arrogantemente, e por fim colocou o cabelo atrás das orelhas.
- Bem, então curta um encontro legal, transa com ela e pronto - logo, com um gesto de surpresa bastante falso, cobriu a boca com a mão. - Ah, não! Me esqueci... você é virgem.
Sirius virou-se para ela, com um olhar ameaçador.
- Poderia dizer isso mais alto? Acho que minha prima ainda não escutou. Imagina que feliz você ficaria se contasse para todo o colégio! Seria uma vingança estupenda - terminou com desprezo.
Kate franziu o cenho, magoada, e desviou seu olhar do dele.
- Não sei com que classe de pessoas você está acostumado a lidar, Sirius - murmurou, amargurada -, mas nem sequer passou pela minha cabeça contar seu segredo a alguém. Sabe de uma coisa? Aprecio a lealdade e mesmo você me machucando dez mil vezes mais do que já machucou, não contaria seu segredo - virou-se de repente, com os olhos brilhantes de lágrimas não derramadas. - Sou uma garota estranha, horrorosa e boba, mas nunca trairia alguém.
A loira voltou a olhar para frente, dando o assunto por terminado e ignorando firmemente o olhar arrependido de Sirius.
"Quantas vezes a tinha machucado?", se perguntava. E nunca, nunca havia dito nada, nem se queixara ou montara uma cena na frente de toda a escola... Qualquer garota teria corrido para espalhar para metade dos alunos de Hogwarts que ele a beijara - ainda que tenha sido apenas na testa - enquanto ainda tinha uma namorada, e gritaria aos quatro ventos sobre o beijo no trem e o encontro que tiveram. E certamente usaria um dos seus maiores segredos para se vingar. Mas ela não era uma garota qualquer, era Kate. Era a garota por quem estava apaixonado e não queria admitir... E então uma verdade o criticou por dentro: não a merecia.
Kate sentiu como Sirius pegava sua mão esquerda entre as suas e buscava seus olhos. Aproximou a mão dela de sua boca e beijou-lhe a palma. Kate ficou rígida imediatamente, na defensiva, e tentou soltar sua mão. Mas Sirius simplesmente não a soltava.
- Sirius, suas estratégias de sedução não vão funcionar agora... - disse com uma voz tímida, que tomava posse de sua garganta. Um mero contato com o moreno já a fazia tremer da cabeça aos pés.
- Eu vou mudar, Kate - sussurrou, sem ligar para o que ela tinha dito. - Serei como o James. Vou parar de agir como um completo galinha e prometo que te fizer chorar novamente, eu mesmo me jogo no lago com uma estátua amarrada nos meus pés - então puxou ar e a encarou, decidido. - Já sei o que quero.
Kate devolveu o olhar, temendo o desconhecido que vinha pela frente. Não sabia se acreditava no que ele estava lhe dizendo ou se lhe dava um tapa e quebrava seus dentes por tentar tirar uma com a sua cara. Sua mão continuava entrelaçada às dele.
- E o que você quer? - perguntou Kate, engolindo em seco.
...
Elise e Remus tinham se sentado um ao lado do outro, apoiados na parede rochosa, bem distantes de Sirius e Kate.
- Espero que esses dois se ajeitem - murmurou Remus, observando seu amigo.
- Oh, não se preocupe - suspirou Elise. - Se perdemos, obviamente vamos achar algo que não seja tão horrível assim de se fazer.
Remus a encarou com suavidade.
- Isso é ótimo, mas não estava falando por causa disso. Sirius gosta muito da sua amiga... É como se fosse seu "primeiro amor".
Elise começou a rir e desviou seus olhos dos dourados de Remus.
- Então ele precisa ler um manual de "Como demonstrar que gosto de você", porque definitivamente não é como se isso tivesse claro. Aliás, creio que Kate deve ser seu "quinquagésimo amor".
Remus negou com a cabeça, um sorriso melancólico em seu rosto.
- Kate é a primeira garota com quem ele busca algo mais que uma tarde de conversa lasciva e sexo, e por isso acredito que não esteja levando as coisas muito bem. Principalmente porque não esperava que fosse a Kate.
- Não esperava que Kate fosse quem? - perguntou Elise, ainda com ceticismo.
- Já sabe - suspirou, corando levemente. - Aquela pessoa que você gostaria de abraçar quando está feliz, que quer que se sinta orgulhosa de você, que apenas com um pequeno toque em sua mão já te diga que está ali...
Elise soltou um riso fraco.
- Meu primo apaixonado... - voltou a gargalhar. - O mundo está maluco. Desse jeito, amanhã Lily e James anunciam o casamento...
Remus ficou tenso com o comentário e sua expressão ficou séria.
- Eu achei que... - começou Elise, com a intenção de se desculpar.
- Não é nada - cortou Remus. - Não gosto da Lily desse jeito, mas sinto uma espécie de... não acho bom ela se aproximar de James.
Elise voltou a rir ao ver a cara de desagrado de Remus, e lhe deu um leve peteleco no nariz.
- Lily não precisa de outro pai - sussurrou, docemente.
Remus lhe devolveu o sorriso e ficaram uns cinco segundos se encarando, sem desafio, apenas com o bom humor necessário em momentos como esse.
...
Artemis e Tracy continuavam na clareira da floresta, sentados e apoiados contra a casca de uma grande árvore. Não haviam conversado desde que James e Lily saíram, e já tinha se passado mais de quinze minutos. Artemis estava encarando o céu entre as folhas opacas das árvores, sem mostrar preocupação, apesar de estar escurecendo. Tracy retorcia suavemente as mãos, encarando-o de relance, entre assustada e arrependida por tudo o que havia acontecido.
Passou uma mão pelo cabelo, normalmente liso, brilhante e impecável, mas que agora tinha alguns nós. Perfeito! Tinha uma estufa no cabelo. Isso apenas a deixou mais desgostosa, e começou a passar os dedos pelas mechas, com raiva.
- Você vai se machucar - falou Artemis, em um tom imperturbável, ainda encarando o céu.
- É... é esse maldito cabelo - queixou-se entredentes. - Eu devia ter prendido ele.
E voltou a passar os dedos com força.
Artemis a encarou com um pequeno sorriso nos lábios.
- Pare. Desse jeito vai acabar ficando careca.
Tracy o encarou, lembrando toda a raiva que sentia do garoto.
- Não diga o que eu tenho que fazer!
- Era um conselho - disse Artemis, encolhendo os ombros. - Por mim, tanto faz o que você faz.
Tracy voltou a lhe vigiar pelo canto do olho. Nada o irritava ou o quê? Parecia que não ligava para nada do que ela pudesse dizer. Inclusive tinha lhe dito que não a achava atraente! Era um garoto muito esquisito.
- Isso... Artemis - murmurou segundos depois, olhando para o rosto dele.
- Hmm? - respondeu distraído, encarando a copa das árvores.
- Sei que não adianta de nada, mas... sinto muito, ok? Não levei isso a sério e se acabarmos perdendo por minha causa... - baixou o olhar para o chão, torcendo uma mecha do cabelo.
- Também não é para tanto - disse Artemis, seus olhos nos delas, com sinceridade. - É apenas uma apresentação. Fique tranquila. Não estamos indo tão mal, e ainda não perdemos - voltou seu olhar novamente para as árvores. - Além disso, você acabou percebendo que nós, plebeus, não somos tão ruins assim.
- Eu nunca disse isso! - exclamou Tracy magoada, arregalando os olhos de raiva.
Artemis pousou uma mão no ombro dela.
- O que mais te machuca é o fato de James gostar de alguém tão... simples, não? - disse Artemis, irônico.
Tracy abriu a boca para retrucar e mandá-lo cuidar da própria vida, mas não fez nada; sabia que o garoto não ia se incomodar nem um pouco. Baixou os olhos, culpada.
- Não sou tão horrível como você pensa - murmurou.
Por que importava tanto provar algo para esse garoto? Ele não era ninguém a quem devesse impressionar. Claro que havia sido o primeiro a lhe dizer coisas que a obrigavam a parar para avaliar até que ponto as atitudes dela tinham sentido.
Artemis começou a rir, fazendo-a erguer os olhos, ofendida. Estava rindo dela? Como se atrevia?
- O que é tão engraçado? - perguntou, em um tom azedo.
Ele a fitou.
- Não sei, é quase surrealista... Quero dizer, Tracy Chambers, a super estrela de Hogwarts, pede desculpas a um cara que está abaixo da escala de popularidade e ainda por cima tenta convencê-lo que de ela, uma das garotas mais cotadas do colégio, não é horrível. Se você não fosse você e eu não fosse eu, ia pensar que estava flertando comigo - disse, piscando um olho.
O queixo de Tracy caiu; estava tanto surpresa quanto ofendida. Como ele se atrevia a dizer isso? E a rir dela dessa maneira? Por que sempre jogava essas frases ofensivas em sua cara?
- Você é um idiota - murmurou ofendida, encostando-se contra o tronco da árvore. - E se você não fosse você e eu não fosse eu, te daria um belo soco, mas sou uma dama.
- A princesinha se ofendeu - suspirou, ironicamente, observando o céu ficar cada vez mais escuro.
Tracy o olhou com desagrado.
- A princesinha arrancaria os seus olhos com uma colher, mas o sangue mancharia a roupa e teria que tirá-la.
Outra vez caiu na risada.
- Sabe de uma coisa? Você é engraçada - disse, olhando-a. - Além disso, poderia tirar a roupa para arrancar os meus olhos. Não se sujaria...
Tracy virou um bonito tomate loiro, muito indignada.
Artemis aproximou a mão do cabelo dela, que esperava pelo toque para lhe responder com uma bofetada. Mas ele não a tocou; Artemis apenas tirou um galhinho de seu cabelo.
- Quer que eu tire as folhas do seu cabelo?
Tracy não respondeu, querendo manter sua pose de indignação, contraindo os lábios em uma linha fina.
- Vou interpretar isso como um "sim, obrigada". Estou entediado desde que você decidiu ficar em silêncio - falou, ficando de joelhos e começando a limpar seu cabelo.
Depois de alguns minutos, nos quais Tracy não se preocupou em abandonar sua digníssima pose - mas lançava olhares furtivos ao garoto -, murmurou:
- Obrigada.
- Não é nada, princesa - sussurrou Artemis, sorrindo.
...
"Vai, Lily, reaja! Ele vai te beijar e você não quer isso, né? Então se afasta, sua inútil!", podia ouvir perfeitamente o seu cérebro gritando para seu corpo reagir, mas não ligava nem um pouco. Não, de novo não!
James já podia sentir seu fôlego sobre seus lábios. Uns centímetros mais e...
Lily deixou cair a meia esfera no chão, e se abaixou apressadamente para recuperá-la, como um feixe de nervos e corada de uma forma que raramente ficava.
- Nossa, como sou desastrada - murmurou, ainda envergonhada. Levantou sem olhar para James. - Acho que está ficando muito tarde e...
- Sim - respondeu James, com evidente aborrecimento, sem tirar os olhos do rosto da garota. - Parece que estávamos a ponto de...
- Deveríamos voltar - ela o interrompeu rapidamente, colocando o cordão com a meia esfera. - Iremos mais rápido e com mais segurança se nos transformarmos.
Sem esperar uma resposta, Lily virou uma pantera e começou a correr pelo caminho pelo qual tinham vindo, seguida de perto por James.
Estiveram tão próximos... Jurava que poderia ter contado as sardas de suas bochechas. As mãos em seu cabelo bagunçado... Tão perto! Ela quase o deixara beijá-la. Além disso, tinha sentido uma sensação estranha, prazerosa, a mesma que sentira na noite de Halloween. Precisava conseguir essa garota, ou iria ficar louco a perseguindo.
Um pensamento iluminou sua mente. Ela tinha estado a ponto de se sacrificar para que ele ficasse a salvo... tinha se arriscado por ele. Talvez não o odiasse tanto. Talvez, quem sabe?
Lily também pensava no que estivera a ponto de acontecer. Talvez esse beijo tivesse feito cair todas as suas defesas contra o garoto que lhe tirava o sono. Estiveram ao ponto de se beijarem. E isso era terrível, desastroso, pois ela queria se esquecer dele. Não iria ser outro troféu. As palavras de Remus voltaram à sua cabeça. "Prometa-me que terá cuidado com James". Claro que teria cuidado, lógico que sim. Isso não voltaria a acontecer. Mas por que não tinha simplesmente lhe dado um tapa para impedi-lo de voltar a tentar? Ou ao menos poderia tê-lo ameaçado.
...
Sirius encarou os olhos dela e desenhou um amplo sorriso em seu rosto. Kate franziu o cenho, tentando manter sua pose de incredulidade.
- O que eu quero? Vou deixar você saber em breve.
Um ruído agudo, como o tilintar de copos, os informou que eles já não estavam mais presos um ao outro. Mas nenhum dos dois se preocupou em olhar para a meia esfera dourada que agora estava pendurada no lugar das argolas, pois estavam muito ocupados se olhando.
...
- Corram! - gritou Artemis para James e Lily, quando já tinham chegado à orla da floresta. Ele ajudava Tracy a caminhar.
Lily e James se puseram a correr como se um Rabo-Córneo Húngaro estivesse atrás deles. Atravessaram os terrenos da escola e chegaram à entrada. Na mesma velocidade, subiram as grandes escadas de pedra e passaram pelas portas de carvalho.
...
Elise e Sirius corriam com todas as suas forças através das masmorras. Alguns metros atrás, Kate e Remus os seguiam. Passavam por corredores cada vez mais espaçosos, e por fim conseguiram chegam à porta que dava para as salas do colégio.
Sirius e Elise viram James e Lily cruzarem o umbral da porta de entrada a toda velocidade, até as escadas, onde um sorridente Dumbledore e uma rígida Professora McGonagall os aguardavam. Diante deles havia uma almofada de veludo vermelha, levitando a um metro de altura. Os quatro jovens começaram a correr até a almofada, com todas as suas forças, a alcançando ao mesmo tempo. James e Sirius bateram um contra o outro e caíram no chão.
Elise e Lily pararam em frente à almofada, cada uma com a meia esfera na mão e estampando na cara uma dúvida substancial. No fim, Elise se afastou para um lado.
- Entregue, você chegou antes - disse, sorrindo.
- Hmm... - murmurou Lily. A tentação era grande e lhe horrorizava a ideia de fazer uma apresentação, mas... - Não, nós chegamos juntas - discordou, devolvendo o sorriso.
- Então... - disse Elise, perguntando com o olhar.
- Sim - respondeu Liy, aproximando sua metade da meia esfera de Elise. - Juntas.
As duas garotas colocaram as metades em cima da almofada vermelha. Elas se juntaram, formando uma bola dourada que Dumbledore imediatamente tomou entre suas mãos.
- Me alegra saber que a honra da Grifinória não se alterou com o passar dos anos - disse, sorrindo para as meninas. A Professora McGonagall também lhes dedicou um olhar e um quase-sorriso de aprovação.
Sirius e James, mesmo não muito contentes com o resultado da detenção, também aprovaram a decisão delas. Se levantaram do chão, esfregando as partes doloridas do corpo.
- A segunda parte da detenção começará amanhã - anunciou a diretora da cada. - Vocês devem se encarregar de decidirem o que querem fazer e preparar tudo.
- E esperamos que seja algo bom - continuou Dumbledore, com um sorriso infantil que aparecia por debaixo de sua barba. - É, não vou considerar a detenção como cumprida...
Nesse momento chegaram Kate e Remus, resfolegando, e uns segundos depois Artemis com Tracy em seus braços, que pela primeira vez em sua vida parecia incomodada.
Rapidamente a Professora McGonagall lhes explicou o que acontecera. Mesmo que não tivessem gostado muito, todos concordaram que foi o mais justo.
- Levem a Senhorita Chambers para a enfermaria e depois quero todos imediatamente na Salão Comunal - avisou-lhes a professora com um tom severo, olhando significativamente para James e Sirius, que logo colocaram no rosto um sorriso falso de crianças boas e inocentes.
Artemis, que tinha colocado Tracy no chão, apoiada no pé bom, fez menção de voltar a carregá-la, mas ela o deteve com um gesto com a cabeça.
- Só preciso de um apoio até lá, você já me carregou por bastante tempo.
Artemis encolheu os ombros e esticou o braço para a loira, para que ela se apoiasse.
- Vejam só, agora ele é um cavalheiro - murmurou Kate, divertida, aproximando-se deles e oferecendo o outro braço a Tracy, sem dizer mais nada. A ferida a olhou com ressalva, mas logo também apoiou sua mão delicadamente no braço de Kate.
- Tsk, tsk - disse Elise, negando com a cabeça. - Quem pensaria em ir de salto alto à floresta, Chambers?
Tracy a encarou, tentando parecer chateada, mas estava muito cansada para isso. Então apenas suspirou.
- Eu nunca colocaria salto alto na floresta, é totalmente over - respondeu, sorrindo.
Elise, Kate, Tracy e Artemis desapareceram escadas acima, na direção da enfermaria. Dumbledore havia permanecido em pé olhando para os outros quatro, especialmente Lily .
- Aconteceu alguma coisa, Senhorita Evans? - perguntou, jovialmente.
- Bem... - suspirou, estreitando os olhos e encarando o diretor. - Já sabe, não consigo deixar de lado o espetáculo...
- E? - Enquanto o diretor a convidada a continuar, os três Marotos, que pensavam em ir direto para o quarto, ficaram escutando a conversa, para verem o que Lily faria dessa vez.
- Em que o senhor estava pensando, exatamente? - aventurou-se a garota, cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha.
O diretor sorriu, vendo aonde sua aluna queria chegar, e arrumou seus óculos.
- Bem... uma vez que vocês não têm muito tempo, talvez uma música e dança estaria de bom tamanho, não? - Dumbledore começou a rir, subindo as escadas.
- Era o que eu temia - murmurou a ruiva. - Já lhe disse alguma vez que acho que o senhor me odeia?
Dumbledore virou-se e voltou a lhe dedicar um sorriso infantil.
- A senhorita não acredita verdadeiramente nisso. E obrigado por recuperar as duas partes do meu chaveiro favorito. Boa Noite - falou, dando a conversa por encerrada e desaparecendo no andar superior.
Lily encarou os Marotos. Remus e Sirius estavam começando a reagir depois de escutarem sobre música e dança, enquanto James a olhava com um sorriso de lado. Ela lhe enviou uma careta de desgosto.
- Música? - queixou-se Sirius. - Música? - repetiu em um tom mais agudo. - Ele realmente espera que eu cante?
Remus lhe deu um tapa e negou com a cabeça.
- Não, ele espera que cante e dance. Adeus a sua querida reputação - completou, com sarcasmo.
- E... quem vai nos ajudar com tudo isso? Porque eu sou inútil nessas coisas - Sirius voltou a reclamar.
- Só nessas coisas? - resmungou Lily, ainda de mau humor.
- Bem - respondeu James, sem tirar os olhos de Lily -, Kate, Elise e Lily sabem um pouco sobre isso, certo?
Lily o encarou furiosa, cruzou os braços e atravessou a porta das masmorras que levava à cozinha, resmungando. O leite ruim lhe deu fome, e a mochila com guloseimas não seria o bastante para saciá-la.
- E agora, que foi que você fez? - perguntou Remus, com um gesto cansado.
James colocou a mão sobre o coração.
- Eu te juro que não fiz nada.
Remus suspirou e subiu as escadas, acompanhado por um Sirius resmungão e um James sorridente, perdido novamente em seus pensamentos. Como adorava irritar Lily!
...
Meia hora depois, Lily saía da cozinha com um humor bem melhor e bastante cheia, após ter comido uma tigela de macarrão do tamanho de uma baleia. Ia pensando e lambendo uma colher que havia trazido sem querer da cozinha. Dumbledore estava louco. Era de se esperar algo assim dele... Dançar na frente de toda a escola!
- Já preparou o tutu, sangue-ruim? - uma voz que arrastava as palavras surgiu poucos metros atrás dela. Lily parou e virou-se.
- Não, querido, estava pensando em pedir o seu. Seu que você secretamente faz coisas esquisitas com roupas de mulher... - recebeu um olhar fulminante em resposta.
Os dois ficaram em silêncio.
- O quê? Não vai me dar as boas-vindas? - perguntou a voz sibilante.
- Estava esperando você pedir - respondeu Lily, com poucos passos diminuindo a distância que a separava do garoto, dando-lhe um abraço. - Senti sua falta.
O garoto, de pele pálida, nariz aquilino e com uma aparência de quem não sabia o que era um xampu, a afastou alguns centímetros e a olhou, erguendo uma sobrancelha.
- Duvido.
- Bem - disse, sorrindo -, senti sua falta. E achei que você chegaria antes. Como foi o primeiro trimestre em Durmstrang, senhor estudioso?
- Frio - respondeu secamente o garoto, e a Lily só restou rir.
- Como ficou sabendo da detenção? - perguntou Lily, enquanto começava a caminhar com o garoto até um lugar mais afastado, já que eles deveriam estar em suas salas comunais.
O garoto a encarou, com sarcasmo.
- Sete anos aqui e você ainda não sabe como as coisas funcionam? Tsk, tsk, me desaponta, Lily.
- Então já sabe mesmo sobre a detenção? - repetiu a ruiva, sem fazer caso da ironia, enquanto entravam em uma sala de aula pequeno, que aparentemente não era usada.
Ele concordou.
- O que aconteceu com o deus Potter e seus apóstolos São Black, São Lupin e São Pettigrew? - questionou, acomodando-se em cima de uma mesa.
- É uma história muito comprida - suspirou Lily, lembrando tudo o que viveu nos últimos meses. - A coisa toda começou em setembro...
- Aquilo do trem que me contou na sua carta? - Lily assentiu.
- Digamos que Potter ficou entediado e decidiu incorporar um novo hobbie em sua vida: foder com a vida da Lily.
Severus começou a rir.
- E você, o que conta de novo? - a ruiva mudou de assunto.
Passaram um tempo conversando sobre o que tinham feito durantes esses meses separados, sobre a escola e sobre o apartamento que o garoto pálido pensava em alugar em Londres para fugir do seu terrível pai, que matara sua mãe de desgosto há cinco anos. Ele o odiava.
- Bem, sangue-ruim, acho que está na hora de irmos - suspirou, levantando-se.
- Não pode parar de me chamar desta maneira horrível - perguntou Lily, cansada -, Ranhoso?
- Assim que você deixar de me chamar desta forma - respondeu, abrindo a porta. - Foi um prazer te ver.
- Que educado - disse, ironicamente. - Não sabia que ensinavam isso na Sonserina.
- Não sabia que ensinavam os grifinórios a falar.
Os dois se puseram a rir.
- Nos vemos em breve. Você precisa me atualizar com as matérias - falou o garoto.
Lily concordou.
- Até amanhã, Severus.
A ruiva voltou para a Torre da Grifinória com o ânimo renovado. Severus Snape, um de seus poucos amigos na escola, tinha voltado. A amizade deles, de qualquer forma, era esquisita. Evitavam ser vistos juntos e no meio dos outros, nem sequer se olhavam. Lógico que seus amigos sabiam que se viam, mas preferiam não meter. Fosse quem você fosse dentro da escola, havia uma regra inquebrável: Grifinória e Sonserina eram inimigos declarados, e qualquer contato entre as casas acabava em socos. Assim, para evitar problemas, Lily e Severus eram discretos com sua ligação, mas isso não os impedia de serem bons amigos. Tiveram alguns desentendimentos públicos...
Mas era ótimo que ele tivesse voltado depois do trimestre de intercâmbio em Durmstang. Severus a ajudaria a superar as coisas com James, pois sabia que se havia alguém que o aborrecia, era ele.
...
- Ora, ora - murmurou Sirius -, vejam só quem voltou.
James, que tomava café da manhã de costas para a porta de entra, virou-se para descobrir a quem Sirius se referia.
- Ranhoso - disse, com um sorriso nada tranquilizador. - Quanto tempo! Precisamos lhe dar as boas-vindas, certo? - perguntou, olhando seus amigos.
Peter e Sirius concordaram, enquanto Remus negou com a cabeça.
- Achei que estava tentando conquistar a Lily - usou um tom ácido. - Além disso, lembre-se que você é Monitor-Chefe e...
James o encarou como se tivessem acabado de lhe contar que Papai Noel não existe.
- Pode me pedir o que quiser - murmurou -, menos que deixe Snape em paz. Já sabe como meus pais morreram e o que esse sonserino oleoso gosta de fazer - completou em um tom cortante, olhando com suspeita para o garoto pálido que se sentada na mesa de sua casa.
Sirius e Remus se entreolharam e deram a discussão por terminada, quando o NTCMSP em peso sentou-se ao lado deles. Rachel estava um pouco desapontada porque Sirius lhe dissera que não poderiam sair aquela noite.
- Cadê Tracy? - questionou Peter, vendo que faltava a garota loira.
- Acho que está arrumando alguma coisa para essa detenção horrível com as garotas esquisitas - disse Gilda, com um risinho bobo. - Os ares da floresta não lhe caíram muito bem. Se juntar com... essas daí.
James e Remus se olharam, dispostos a dizer algo, mas surpreendentemente, foi Sirius quem falou.
- Eu sempre disse que Tracy tem muito bom gosto.v
As garotas o encararam, sem entender muito bem a tirada do Maroto, e concordaram. De fato Tracy sempre combinava perfeitamente os sapatos com os acessórios... Peter olhou um pouco confuso para o amigo, e Remus e James disfarçaram um sorriso.
- Você tem o mesmo jeito da sua prima - sussurrou-lhe o lobisomem.
...
- Fica assim? - perguntou Elise, sentada em uma cadeira na Salão Comunal. - Três músicas com uma coreografia simples.
Tracy, Artemis, Lily e Kate concordaram, também sentados em poltronas.
- Não deveríamos ter avisado os outros três? - perguntou Artemis, timidamente.
A negativa foi geral.
- Desse jeito somos a maioria - sentenciou Lily.
- E quais as canções que vamos escolher? - questionou Kate. - Tem que ser algo fácil de cantar, porque...
- Só vocês três cantam decentemente - completou Artemis, assentindo com a cabeça.
- James canta muito bem - disse Tracy, tímida. Sentia-se bastante incomodada ali, mas também se sentia culpada por ter perdido a prova da detenção. Por isso, limitou-se a escutar e concordar. - Teve aulas quando pequeno...
Os demais a olharam duvidosos, mas então Elise fez cara de quem se lembra de algo.
- É mesmo! Tínhamos teoria musical juntos, como me esqueci? A avó dele queria que ele aprendesse a tocar piano, mas James e o meu primo estavam mais interessados em quadribol e em queimar o cabelo das minhas bonecas - suspirou.
- Então podemos contar com ele - apontou Kate. - E agora? Que tal nós escutarmos algumas fitas?
...
Não foi difícil encontrarem algo que se encaixava naquilo que queriam: fácil de dançar, de cantar e que os fizesse pagar mico de uma maneira elegante. Decidiram por uma música só com os meninos, outra só com as meninas e uma terceira para todos participarem, mas apenas Kate e James cantariam. Logicamente a tarefa de preparar as coreografias o mais rápido possível foi atribuída à Lily.
- Artemis, se importaria de avisar aos outros três que amanhã à tarde vamos começar? - perguntou Kate, com uma voz doce que claramente pedia para o garoto deixá-las sozinhas.
Ele ergueu uma sobrancelha, desconfiado, mas levantou-se de sua poltrona e saiu da Salão Comunal. Kate seguiu-lhe com o olhar até que o retrato da Mulher Gorda fechou a entrada para a Torre da Grifinória, e logo encarou as outras três garotas.
- Agora escutem isso aqui e me deem a opinião de vocês. Quer dizer, se você quiser e não se importar de ser vista com a gente, Tracy - completou Kate, com um pouco de ressentimento.
- Se me importasse não estaria aqui, não acha? Mas suponho que o quanto antes terminarmos e vocês se livrarem de mim, mais cedo todas nós ficaremos felizes. Então fala logo.
Kate deu de ombros.
...
- Como foi o seu primeiro dia? - Lily tinha descido até a biblioteca para estudar e preparar as coreografias para as músicas escolhidas. Mais tarde as ensinaria para a Dama Cinzenta, que havia se oferecido para ajudá-los.
Em frente a ela, Severus lia um documento que tinha algo a ver com bruxos mestiços, e sorria de vez em quando.
- Ainda estou esperando pelas boas-vindas de seus "amigos" - murmurou Snape entredentes, sem erguer o olhar do livro. - Vamos ver o que eles inventarão dessa vez.
Lily passou a pena por sua bochecha.
- Quer que eu fale com eles? - perguntou com cuidado, voltando para seu trabalho.
Severus sorriu.
- Sei que ganhou certa influência em um mês... Já escutei pela Salão Comunal como Potter se interessou por uma simples sangue-ruim.
Lily o encarou, magoada.
- Agradeceria se você me chamasse apenas de Lily.
- É recíproco - respondeu simplesmente, como desculpa. - É verdade? - murmurou depois de alguns segundos.
- O quê? - contestou Lily, concentrada.
- O negócio com o Potter. Que ele quer sair com você e tudo o mais - disse em um tom que procurava ser casual, virando a página do livro.
- Hmmm - respondeu Lily.
- Hmmm o quê? - perguntou o garoto, com impaciência.
- Hmmm de "eu não sei" - cortou, encarando-o diretamente. - E eu lá sei o que acontece no minúsculo cérebro do Potter? Se está se referindo ao fato de ele me perseguir e tornar a minha vida complicada, então a resposta é sim. E também já disse que gosta de mim - completou, suavizando a voz -, mas eu duvido muito.
- O que ele disse, exatamente? - questionou Severus, meticulosamente.
Lily largou a pena em cima do pergaminho e cruzou os braços.
- Não podemos conversar sobre outra coisa? Vejo James o suficiente durante o dia, para ainda precisar falar dele quando ele não está em volta - queixou-se.
- James? Você o chama de James? - perguntou Severus, claramente com raiva.
A ruiva voltou-se para seu pergaminho e começou a negar com a cabeça.
- Não invente um drama. Também te chamo de Severus.
- Mas é que é... é... é o Potter! Porra, é pior que uma dor de dente! É um galinha, arrogante, vaidoso, convencido...
- Está se comportando como uma criança, Severus - interrompeu Lily, sem olhá-lo.
O garoto pareceu se aborrecer ainda mais com o comentário.
- Eu me comporto como uma criança? Estupendo! Genial! - gritou.
- Fala baixo.
- Falo baixo se eu quiser! - berrou, fechando o livro. - Vou embora!
Lily levantou o olhar e o fitou, sorrindo.
- Adeus - respondeu com calma.
Snape a encarou, preparado para falar algo mais, porém fechou a boca porque não conseguiu arranjar uma resposta suficientemente boa. Então recolheu suas coisas e foi embora.
- Nos vemos amanhã - murmurou Lily, com um sorriso nos lábios. Conhecia bem o temperamento do amigo, no dia seguinte já voltaria a ser ele mesmo. No fundo Severus era bom, um garoto com muitos problemas, isso sim. E que detestava James quase tanto quanto um cabeleireiro.
Enfim um pouco de tranquilidade. Tinha pouca gente na biblioteca, e poderia trabalhar em tudo o que precisava fazer. As coreografias estavam quase prontas, apenas faltava ver como elas se encaixariam na música. Guardou-as na mochila, para revisá-las mais tarde com a Dama Cinzenta. Só de pensar em dançar na frente de toda a escola, já tinha calafrios. No final das contas, não estaria sozinha, e a apresentação não seria tão espetacular assim... De qualquer forma, agradecia por este ser seu último ano ali, ao menos só precisaria suportar as brincadeiras por pouco tempo.
Era melhor não pensar em tudo isso. Agora era a hora dos deveres, a redação de Poções - que pena que Severus fora embora - e os exercícios de Transfiguração e Herbologia. Seria uma tarde bem longa.
- Olá.
Lily ergueu o olhar do pergaminho, reconhecendo a voz.
- Você - murmurou, cansada.
- Eu.
- O que quer agora, Potter? - perguntou a ruiva, suspirando, lembrando-se de usar seu sobrenome. Não podia deixá-la em paz nem dois minutos?
James balançou a cabeça. Podia lhe dizer "Vi no Mapa do Maroto que você estava na biblioteca com... bem, com Snape, e decidi vir quebrar as pernas dele ou algo parecido. Ia aproveitar para conversar um pouco contigo e ver se você admite de uma maldita vez que gosta de mim e me deixa de agarrar contra a parede e..." Isso não parecia muito sensato.
- Vim ver o que tinha por aqui...
Lily revirou os olhos.
- Livros e poeira. É uma biblioteca! Já pode ir embora.
James estalou a língua e se sentou na cadeira em que Snape estava antes.
- Na verdade, eu estava procurando o Ranhoso.
Lily o encarou com frieza.
- Severus saiu faz um tempinho.
O queixo de James caiu, surpreso.
- Severus? Você o chama de Severus? Chama um sonserino oleoso pelo nome? - grunhiu, muito ofendido.
Lily revirou os olhos e levantou de sua cadeira, decidida a ir trabalhar em um lugar em que adolescentes chorões não a culpassem por seus estúpidos problemas.
- Me nego a ter outra vez essa conversa - disse, recolhendo seus livros. James não entendeu muito bem o que isso queria dizer, mas se levantou em um instante. - É óbvio que nem na biblioteca se pode ter paz.
- Eu carrego seus livros - falou James, pegando sua bolsa.
- Consigo levar sozinha - murmurou ela, desgostosa.
- Não era um pedido - James pendurou a mochila em um dos ombros e começou a andar.
Lily voltou a revirar os olhos e o seguiu.
- É tão difícil assim me deixar em paz, James? - queixou-se no corredor. - Custa tanto me ignorar? Me diz o que eu preciso fazer para você me deixar viver.
- Qualquer um diria que eu te persigo - disse o garoto, com uma cara inocente.
- Ah, e não persegue? - suspirou Lily.
Depois de alguns segundos de silêncio, caminhando um ao lado do outro, James disparou:
- Me beija.
Lily parou e o encarou com uma cara de quem dizia "O que está falando?".
- O quê? - gritou.
- Se quer que eu te deixe em paz, me beija - explicou James sorrindo, enquanto voltavam a caminhar e subiam as escadas.
- Não - respondeu Lily, decidida, lembrando-se da promessa que fizera a si mesma. Ela não iria cair nas redes desse Don Juan adolescente. - Prefiro que arranquem meus dentes do siso com alicates.
- Pois então não vou te deixar em paz - deu de ombros.
Continuaram andando até a Torre da Grifinória, em silêncio.
- Pode falar - disse James, irônico.
- Não, obrigada - cortou Lily, como quem rejeita um pedaço de bolo.
- Ora, vamos, Liy. Por que não podemos ser amigos? - queixou-se o garoto.
- Quer que eu desenhe? - perguntou a garota, com falsa generosidade. - Primeiro tentou me transformar em um balão, depois começou a me perseguir em todo o lugar que eu vou, enlouqueceu quando conversei com Remus e quase desencaixou a mandíbula dele, além de me expor continuamente... Preciso continuar?
James negou com a cabeça.
- Poxa... Tudo isso tem uma explicação. Podemos ser amigos, lembre-se de ontem. Formamos uma boa equipe, não? - Um de seus sorrisos mais irresistíveis se desenhou em sua face, e a Lily só restou sorrir em resposta. - Além disso, é tudo para cumprir a detenção...
Ela o encarou de lado, tentando mostrar alguma ressalva.
- Vamos, Lily, não sou tão ruim. Já sabe disso... - O sorriso irresistível se converteu em uma apetitosa fileira de dentes branquíssimos.
Entraram na Salão Comunal. Lily continuava sem abrir a boca, temendo que lhe faltassem palavras depois desse espetáculo bocal.
- Está bem, James - suspirou finalmente. - Porém, me prometa uma coisa... Não me persegue mais, certo?
- Mas Lily, já sabe que eu...
- Você disse que queria me conhecer, não? Pois já deve saber tudo sobre mim! Agora pare de me perseguir, ok? - interrompeu, com uma voz no limite entre a doçura e o autoritarismo. Algumas pessoas da Salão Comunal os olhavam com curiosidade.
James a encarou, desgostoso, mas a ruiva não cedeu.
- Tudo bem... Mas agora que somos amigos, você poderia deixar de ser tão chata?
Lily ergueu uma sobrancelha.
- Sinto muito. Isso faz parte do pacote - e piscou um olho, antes de subir para seu dormitório.
James continuou sorrindo, extasiado, e foi conversar com seus amigos, reunidos ao redor de um tabuleiro de xadrez. Eles estavam surpresos por não ver a ruiva atirando coisas em James e/ou o insultando e/ou o encarando com raiva.
Enquanto isso, Lily se martirizava. "Por que demônios eu pisquei um olho para ele? Isso aqui E em Tombuctú é flertar!" Bateu com a mão na própria testa. Merda, merda, merda! Estava começando a demonstrar sua atração pelo cretino. Merda!
Entrou no dormitório. Kate e Elise estavam jogadas em suas respectivas camas com um walk-man cada uma, provavelmente aprendendo as músicas que precisariam apresentar. Lily correu e se sentou em sua escrivaninha, para terminar seu trabalho antes de ir ensaiar.
Uma hora mais tarde, batidas na porta a fizeram perder a concentração. Elise se levantou para abrir. Era Tracy.
- Hmmm... Eu vim porque... - começou a garota, sem firmeza. - Porque eu estava escutando as músicas e aprendendo as letras e...
- Não gostou? - perguntou Elise, franzindo o cenho.
- Não, não! São muito boas... Só que pensei que... se vocês não se importarem,certo?
- Solta de uma vez, Chambers - disse Kate, rindo em sua cama. - Parece que está com vergonha.
Tracy a encarou, agradecida, e continuou.
- Pensei se me deixariam ficar encarregada do cenário e da decoração, com sua aprovação, claro. É que eu tive algumas ideias e...
- Por mim não tem problema - respondeu Elise. - É ótimo, porque eu não tenho muita imaginação para essas coisas e acho que a noção estética dos garotos é... especial.
Tracy então encarou Lily e Kate, que deram de ombros.
- Para mim está perfeito - murmurou a ruiva -, mas não sei de onde você vai tirar...
- Oh, quanto a isso não tem problema - disse a ruiva rapidamente, emocionada. Tecidos brilhantes, maquiagem, tintas, agulhas, sapatos... Isso era o paraíso. - O sótão da escola tem de tudo, vou dar uma olhada quando tiver tudo mais ou menos planejado.
As garotas se entreolharam durante alguns segundos de silêncio.
- Então vou indo - falou, apontando para o corredor e sorrindo abertamente. - Até amanhã, garotas. E... e obrigada, de verdade.
Elise fechou a porta e encarou as amigas com as sobrancelhas erguidas.
- Sou eu ou a Tracy estava amável?
Kate e Lily deram de ombros, voltando para suas tarefas. A ruiva suspeitava que aquele 'obrigada' não era apenas por causa da decoração.
Nota da Tradutora: Deus meu, quanto tempo não apareço por aqui. Tive minha fase de jogar tudo para o ar e aproveitar cada momento livre lendo fanfics, devorando livros e sendo obrigada a fazer trabalhos da faculdade. Mas aproveitando que a minha faculdade está em greve, resolvi colocar em dia a tradução. Não parei um segundo e consegui, finalmente, revisar tudo e terminar todos os capítulos. Agora vou postar um capítulo a cada semana. Como presente para as leitoras que não desistiram de mim nesse tempo todo e ainda estavam aguardando a atualização de QMDC, vou postar dois capítulos essa semana e dois capítulos na semana que vem. Depois disso, vou seguir meu esquema de postagem às quintas-feiras, ok? Obrigada pela paciência de todas e aproveitem a fanfic.
