Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
A quem interessar, o nome das músicas utilizadas nesse capítulo estão lá no final, ok?
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 15 - E mais uma vez é quatorze de fevereiro (Parte 1) |
- Hmmm, Lily? Você está nervosa?
- Eu, nervosa? - perguntou a ruiva, muito rápido e claramente tensa. - Claro que não! - disse, adotando uma pose forçada de naturalidade. - Por que diz isso?
- Não sei... talvez porque você está mordendo as bordas do livro de Transfiguração - avisou Snape, erguendo uma sobrancelha. - Se está com fome, coma algo que possa digerir.
Lily se apressou a abaixar o livro.
- Está tensa... - voltou a dizer o sonserino, obrigando-a a parar na metade do corredor. - O que foi? É culpa do Santo Potter?
A ruiva suspirou e baixou o olhar.
- Sim e não - murmurou. - Quer dizer, não. Ele não me fez nada, mas...
- Mas o quê? - interrompeu Snape, erguendo seu queixo para que ela o olhasse. Lily estranhou esse gesto tão íntimo; Severus geralmente não dava mostras de familiaridade.
A garota voltou a suspirar. Fazia uma semana que ela e James tinham se beijado... e apesar da promessa do garoto de não voltar a tentar nada parecida, as aulas de dança continuavam a ser o mais frustrante possível. Não estava satisfeita e seu corpo reagia de formas estranhas quando ele entrelaçava suas mãos e passava os braços fortes ao redor de sua cintura... Contudo, isso não era algo que podia contar para Snape.
- Não é nada, Severus. Potter não me fez nada...
- Tentou fazer algo? - arriscou o sonserino, com um gesto brusco que pretendia esconder a vergonha que tinha em abordar o assunto. - Já sabe...
Lily arregalou os olhos e se afastou, surpresa.
- Claro que não! Como você pode pensar isso?
- Porque é ele, Lily! - exclamou Snape, aproximando-se dela. - E ele não é legal.
- Oh, por menos legal que James seja, duvido que isso sequer tenha passado pela cabeça dele, Severus!
Snape grunhiu e desviou o olhar.
- Não me diga que vamos voltar a brigar por causa dele - protestou Lily, cruzando os braços.
- Se você não ficar defendendo ele! - voltou a reclamar Snape.
- Não estou defendendo ninguém! - Lily também reclamou. - Só estou dizendo que isso não aconteceu, certo?
Snape voltou a grunhir.
- Não gosto do Potter - mastigou entredentes.
Então Lily começou a rir, e ele não pode fazer nada a não ser sorrir ao vê-la desse jeito.
- Me conte uma novidade - brincou a ruiva, mais calma. - Já tinha chegado a essa conclusão sozinha faz tempo, Ranhoso...
- Que esperta que é a sangue-ruim - disse Snape, ironicamente, retomando seu caminho pelo corredor. - É lógico... Você não tem Trato de Criaturas Mágicas agora?
- É verdade! - exclamou Lily, girando sobre seus saltos e se pondo a correr. - Nos vemos depois!
Snape se despediu, enquanto a ruiva desaparecia escadas abaixo, saltando os degraus de três em três e apressando-se para não chegar atrasada. Era a segunda aula que tinham com Fabian. Na anterior tinham estudado os dragões vermelhos (de forma teórica, obviamente) e certamente continuariam com eles. Atravessou a porta de entrada, e seguiu correndo até uma das salas que davam para o pátio: era ali que tinham as aulas teóricas de TCM. Recuperou o f?ego antes de abrir a porta.
- Evans, está atrasada - disse Fabian com autoridade. Fabian só dava aulas aos alunos do sexto e sétimo anos, assim como Jacques.
Lily precisou morder o lábio para não começar a rir ali, diante de todo mundo. Era engraçado ver seu amigo desse jeito.
- É que... - explicou Lily, encarando o chão - é que eu tive um probleminha e... Mas me desculpe, não interrompo mais - disse, deslizando até sua mesa, ao lado de Artemis.
- Da próxima vez, vou tirar pontos - avisou.
Lily assentiu sem dizer nada, porém fazia muita força para não gargalhar. Como Fabian tiraria pontos da Grifinória? Ele não podia evitar guardar certo favoritismo por sua antiga casa...
- Onde estava? - perguntou Artemis, sussurrando.
- Por aí... Olha, se por acaso encontrar meus pulmões em algum lugar, me devolva - murmurou Lily.
Artemis riu, disfarçadamente.
- Já viu o cartaz que pregaram no Salão Comunal? Em março voltaremos a ter sessões de orientação profissional.
Lily assentiu.
- Na minha orientação, vão precisar me dar um mapa e uma bússola - murmurou. - Não tenho nem ideia do que vou fazer.
A aula foi bastante divertida. Fabian era jovem e sabia o que era suportar aulas chatas e mais soníferas que um potente sonífero de elefantes, então fazia o possível para que a turma não se aborrecesse. Inclusive Kate, que odiava os "bichos", estava atenta, ainda que a atenção também pudesse ser explicada por outros motivos.
Sirius continuava encarando seu novo professor com repulsa e aversão - tinha até feito um calendário, no qual ia riscando os dias que faltavam para o jovem ir embora. As coisas com Kate tinham piorado; antes da chegada de Fabian, ela estava a ponto de perdoá-lo, mas agora... A loira parecia vacinada contra os encantos do Maroto.
Quando a aula terminou, todos se apressaram a guardar suas coisas. Tinham Transfiguração, e a sala ficava exatamente na outra ponta do castelo. Lily se perguntava várias vezes se não podiam ser como uma escola comum, com todas as salas em um mesmo corredor. Tinha dias que quase precisavam correr os 1500 metros rasos para chegar a tempo nas aulas.
Enquanto acabavam de jogar de qualquer jeito os livros na mochila, Remus se aproximou de Lily e Artemis.
- Olá - cumprimentou o lobisomem, com aspecto cansado. Lily lembrou que era noite de lua cheia.
- Oi, Remus - saudou Lily. - Você está muito pálido. Não teria que...
O garoto nego com a cabeça.
- Era sobre isso que vim falar. Queria saber se vão sair esta noite.
Lily e Artemis se entreolharam e assentiram. Ultimamente tinham poucas oportunidades de sair, mas quando era lua cheia, não podiam faltar.
- Bem, só queria agradecer de antemão... e convidar vocês para ficarem com a gente, se quiserem, claro...
- Lógico, por que não? - respondeu Artemis, calando Lily, que ia expressar suas dúvidas a respeito. - Parece um bom plano.
A cara que a ruiva fez deu a entender que ela achava tudo, menos um bom plano.
- Ora, vamos Lily. Você pode continuar nos vigiando - disse Remus.
Ergueu uma sobrancelha e encarou, alternadamente, Artemis e Remus. A verdade era que entendia que Artemis gostaria de sair com os Marotos. Ele tinha amigos, mas passava quase o dia todo com elas, e ela normal que desejasse passar uma noite com os garotos... Por fim, suspirou como forma de assentimento e jogou a mochila nos ombros.
- Kate, você vem ou vai continuar tirando "dúvidas"? - gritou Elise, esperando na porta.
Fabian e a loira estavam conversando perto da mesa do professor, e Kate continuava brincando com seu cabelo enquanto Fabian sorria e acariciava seu pescoço.
- Já vou! - gritou a loira. - Até depois, professor - despediu-se, em um tom de paquera.
Lily e Elise reviraram os olhos antes de saírem da sala para se juntarem à fila de alunos que se dirigia para o interior do castelo.
- Viram isso? - murmurou Sirius, enquanto apontava com o queixo disfarçadamente na direção de Kate, que voltava a se despedir de Fabian, acenando com a mão e com um sorriso perfeito no rosto. - É um perversor de menores! Está fazendo a pobre e indefesa Kate cair em sua rede com quatro carinhos e...
- Sim, deve ser uma técnica universal - sussurrou James. - Você usa a mesma.
- Eu? Eu! - perguntou o moreno, indignado. - Como ousas?
- Não gosto nada dessa sua obsessão - comentou Peter, olhando-o de relance.
- Tenho que livrar Kate das mãos desse... desse... desse! - continuou o moreno, sem ligar para Peter.
- Desse cara? - ajudou Peter.
- Desse delinquente pervertido - terminou Sirius.
...
- Virá essa noite? - perguntou James a Lily, enquanto a fazia girar.
- Pode ser - respondeu, brevemente.
- Remus me disse que sim - o garoto voltou a tentar.
- Pois então, por que pergunta? - queixou-se Lily, separando-se dele de repente, indo até o rádio. Era impossível ficar tão perto dele. Impossível.
- O que foi? - perguntou James, confuso.
- Vou trocar a música - pegou um aleatoriamente e colocou. Inspirou com força. "Vamos, Lily, use todo o seu sangue frio."
...
A cena era, no mínimo, pitoresca. Uma pantera de pelagem avermelhada caminhava sigilosamente por um dos caminhos próximos à Casa dos Gritos, vigilante e à espreita. Uns metros atrás dela, um cachorro, uma raposa, um cervo, um lobo e um rato - que estava em cima do cachorro - seguiam, armando um escândalo incrível. A pantera os encarou. Poderiam dizer que ela estava ofendida, erguendo sua cabeça com altivez enquanto penetrava agilmente no interior da floresta, próximo à Hogsmeade. Os outros cinco a seguiram, começando uma partida espontânea de "siga o mestre".
Já de madrugada, o estranho grupo voltou à Casa dos Gritos, e minutos mais tarde todos, menos o lobo, apareceram nos terrenos de Hogwarts, transformando-se em seguida em um grupo de adolescentes despenteados e sujos, felizes e sonhadores.
Entraram no castelo usando a capa da invisibilidade, exceto Lily, que virou uma águia e voou sem problemas até uma das janelas no Salão Comunal, que sempre deixava aberta. Artemis normalmente se arriscava e subia até a Torre da Grifinória através das passagens secretas, mas os Marotos se ofereceram um lugar com eles.
Quando chegaram ao Salão, viram Lily recolhendo um monte de pergaminhos em cima de uma mesa, assim como outras coisas que pareciam roupas parcialmente prontas.
- O que está arrumando a esta hora? - perguntou Artemis, sussurrando.
Lily virou-se e p? um dedo sobre os lábios.
- São de Tracy, que adormeceu enquanto trabalhava com isso - explicou. - Vão pra cama, eu a levo ao dormitório.
Tracy estava encolhida em uma das poltronas do Salão Comunal, dormindo. Desde que havia decidido largar as NTCMSP, se entregava quase inteiramente à apresentação.
- Sabe onde dorme? - perguntou James.
Lily confirmou com a cabeça.
- Ela se esforça demais - murmurou Artemis, enquanto Lily assentia e fazia um Mobil corpus, desaparecendo com a garota pelas escads.
...
A ruiva subia feliz até sua sala de treinamento. Só mais dois dias e acabariam os ensaios! Sentia-se orgulhosa de si mesma, era uma campeã. Aguentou estoicamente a presença do corpo quente e firme de James durante doze dias, sem se jogar em seu pescoço... Isso era, definitivamente, um progresso.
Os outros a esperavam dentro da sala. Sua atuação para a sexta-feira tinha despertado muita curiosidade em quase todos os alunos, mas tinham decidido não revelar nada, para que fosse uma surpresa.
Abriu a porta e encontrou todos jogados no chão, dando os últimos retoques nos figurinos e nas cortinas improvisadas que iriam colocar no Salão Principal no dia seguinte. Sirius e Remus estavam enfeitiçando umas velas para que acendessem e apagassem de acordo com a música que tocava; Kate e James ensaiavam a última canção, com seus trajes prontos, enquanto Elise os supervisionava; Tracy e Artemis, por sua vez, estavam levitando as cortinas vermelhas bordadas com fios dourados (antes de tudo, eram bons grifinórios) para ver se ficava bem ou se precisavam fazer alguma mudança. Suspirou.
- Um momento, por favor - disse, batendo palmas para pedir a atenção de todos. - Acabei de falar com Dumbledore. Amanhã iremos nos apresentar no jantar - anunciou -, ou melhor, depois do jantar. Para que tudo fique pronto, quero todos aqui às três, combinado? Teremos só três horas e meia para arrumar tudo, menos as cortinas, que podemos montar mais cedo. O Dumbledore vai fechar o Salão depois do almoço, e só abrirá no jantar. Alguma pergunta?
Todos negaram com a cabeça.
- E não esqueçam que precisamos nos sair bem. Senão pagaremos mico para nada - completou a ruiva.
- Não sei o que faríamos sem seu otimismo - disse Sirius, sarcasticamente.
- Sim, obrigada por nos animar - adicionou Tracy, suspirando com desânimo.
- Vamos nos sair muito bem! - exclamou Kate. - Fiquem tranquilos.
- Claro, contanto que não fiquem nervosos porque a escola inteira estará assistindo, disposta a rir do menor erro... tudo ficará bem - murmurou Elise.
- Nossa, você e Evanss treinaram para nos rebaixar ou o quê? - perguntou Sirius, chateado.
...
Elise arrumava seus livros e seus pergaminhos em cima da grande mesa que tinham em Runas Avançadas. Sempre se sentava sozinha nessa aula, porque Artemis e Lily faziam Aritmancia e Kate, Astronomia. Mas nesse dia, véspera do dia dos Namorados, alguém se sentou ao seu lado.
- O que está fazendo aqui? - perguntou, confusa ao ver de quem se tratava.
- Sou seu novo parceiro - disse Sirius, com um grande sorriso.
- Eu não quero um parceiro, e muito menos que você seja esse parceiro - contestou, pronunciando o 'você' como se fosse um verme.
- Viu só? É por ser tão anti social que não tem parceiros - respondeu seu primo.
- Quer ir embora?
- Não, estou bem aqui.
- Não era uma pergunta. Era uma ordem.
- Então não fale em tom de pergunta, que me confunde -falou Sirius, com cara de inocente.
- Argh, você pirou!
- Claro que não! Tenho que proteger sua honra desse francês infame.
- O quê? - exclamou Elise, surpresa. - O que está dizendo?
- Eu vi como esse tal de Didrell te olha, e não gostei nem um pouco. Nenhuma prima minha merece... Elise? Elise, volta aqui!
A morena tinha recolhido suas coisas de mau humor, e levou tudo para umas mesas atrás, onde largou tudo estrondosamente.
- Se importa de eu sentar contigo? - perguntou a Remus, que normalmente sentava com Sirius; James e Peter faziam Aritmancia.
- Não, sem problemas - respondeu Remus com um sorriso, em parte provocado pela cena que seu amigo tinha montado.
Elise arrumou suas coisas e se sentou ao seu lado. Sirius se aproximou da mesa e apoiou a mão no ombro de Remus.
- Amigo, ela fugiu de mim porque é jovem e não sabe o que é melhor para ela - disse solenemente, enquanto Elise revirava os olhos. - Proteja-a do estrangeiro, é a única coisa que peço. Proteja-a com sua vida se necessário! - exclamou a ponto de chorar, se prendendo à emoção.
Remus lhe encarou com os olhos arregalados, enquanto Elise apoiava a cabeça nas mãos, negando.
- Certo, certo, Padfoot, o que você quiser - respondeu Remus, ainda um tanto confuso.
Sirius lhe deu um tapinha no ombro, como agradecimento.
- Senhor Black, peço que se sente e não atrase mais a aula - a voz de Jacques chegava da frente da sala.
Sirius voltou-se para ele, com um gesto altivo, e lhe dedicou um profundo olhar de ódio, que sustentou até que chegou em sua mesa e precisou olhar para baixo, para não tropeçar na cadeira. Quando finalmente se sentou, reestabeleceu seu olhar de ódio, enquanto Jacques começava a explicação. Na última aula de Runas, Sirius ficou vigiando Jacques, mas percebeu que mesmo lhe vigiando, o francês platinado tratava sua prima com muita intimidade. Havia ousado fazê-la rir e acariciou a bochecha dela! Como esse grudento se atrevia? Por isso tinha decidido sentar com ela para vigiar o outro de perto... Um plano falido, por causa da pouca colaboração de sua insensata prima.
Após cinco minutos do início da aula, Sirius enviou um bilhete a Remus.
S - O inimigo público número 2 está encarando demais a vítima Elise. Esconda-a.
R - E o que eu faço? Jogo a minha capa em cima dela?
S - Pode ser.
R - Estava sendo sarcástico.
Elise leu o bilhete e o tirou da mão de Remus.
E - Seu idiota. Deixa de me aborrecer e compre um amigo que te entenda.
S - Remus me entende.
R - ...
S - Remus?
R - ...
S - Remus!
R - Hoje é dia lindo.
E - Viu? Você está maluco.
S - Eu posso estar louco, mas esse francesinho me irrita. Ou você acha que eu não te vi conversando com ele no Salão Principal, nos corredores e no escritório dele?
E - Está me espionando?
S - Eu? Não! Estou assegurando a sua honra. E Remus está me ajudando.
E - Você também, Remus?
R - Agradeceria se não me metesse nas suas paranoias, Padfoot.
E - Está me espionando?
R- Sirius está te espionando.
S - Explica direito. Estou assegurando sua honra.
R - Então tá...
E - Se você continuar me espionando, juro que quando estiver dormindo eu raspo seu cabelo.
S - Não, não seria capaz! E você, Remus, não se alie a ela.
E - Me tente! E agora, pare de mandar esses bilhetes estúpidos ou já vou começar a preparar a espuma de barbear...
Sirius leu a última mensagem e virou-se para dedicar um olhar ofendido a sua prima. Logo voltou a centrar sua atenção em Jacques, murmurando algo sobre adolescentes loucas que se arriscam pela vida sem saber o que pode acontecer.
Elise arrancou outro pedaço de pergaminho e o passou para Remus.
E - Nervoso pela apresentação?
R - Bem... na verdade, histérico! Acho que vou pagar mico. Pensei que as garotas boas não passavam bilhetes na aula.
E - Não devem passar... Nunca perguntei a uma garota boazinha se passavam bilhetinhos ou não. Não fique nervoso, vai se sair bem.
R - ...
E - Estou falando sério.
R - Vou ter um infarto no meio do cenário... Seu amigo Didrell está nos encarando. Melhor dizendo, está me encarando com raiva.
Elise recebeu o bilhete e olhou Jacques, disfarçadamente.
E - Deve ter no pegado, é melhor pararmos com isso.
Remus leu e assentiu, enquanto voltava a constatar que Jacques o vigiava de relance.
Uns minutos mais tarde, Didrell lhes mandou traduzir umas lápides celtas para descobrir os feitiços que os bruxos daquele tempo faziam para proteger seus mortos.
- Elise, me empresta a lixa? Deixei a minha no dormitório.
A garota vasculhou entre suas ferramentas e lhe passou a lixa.
- Tenha cuidado, a afiei ontem. Não se corte.
Remus tomou cuidado com a lixa, consertou uma palavra em seu pergaminho e devolveu a ferramenta para a garota.
- Obrigado.
- Sr. Lupin, temo que terei que separá-lo da Srta. Black se não parar de atrapalhá-la.
- Prof. Didrell, só estava pedindo a lixa - explicou Remus.
- Foi o que eu disse, estava a importunando.
- Professor, ele não estava me atrapalhando, absolutamente - disse Elise, sem um pingo de gentileza. - Além disso, fui eu quem decidi me sentar aqui, então se precisar separar alguém...
- Elise, tanto faz. Sério - sussurrou Remus.
- Se esse é o caso, pode permanecer em seu lugar, Sr. Lupin - murmurou Jacques, enfatizando seu sobrenome.
Remus olhou de relance o francês se afastando, e logo sussurrou para Elise.
- Você sabe por que ele não foi com a minha cara?
Elise deu de ombros.
- É um pouco possessivo - murmurou. - Sabe que somos amigos e que eu tenho um carinho muito grande por você.
- Ah, então está saindo com ele? - perguntou Remus, surpreso, desviando o olhar do pergaminho.
Elise negou com a cabeça.
- Somos apenas amigos. Tivemos uma espécie de affair no verão, mas não saímos antes e nem estamos saindo agora - sorriu.
- Um affair?
- Uma palavra francesa e bonita para dizer 'rolo' - explicou brevemente Elise, confirmando se Jacques não estava por perto. - Além do que, com Didrell não se pode esperar mais que isso. É como o meu primo em versão francesa. Se duvidar é pior, ainda mais caçador.
- E se não sai com ele, por que o ciúmes? - perguntou Remus, de novo.
- Quem sabe? - murmurou Elise. - As mentes dos garotos seguem caminhos esquisitos. Talvez pense que eu sou propriedade dele...
- Mas não é, né? - falou Remus, um pouco ansioso.
- Não. Shhh, ele está vindo pra cá.
Os dois voltaram a encarar seus pergaminhos, disfarçando na frente do professor, que agora ia supervisionar o trabalho de Sirius.
- Com licença, Sr. Black - disse Jacques, enquanto arrancava o pergaminho das mãos de Sirius, que tentava escondê-lo. - O que se supõe que seja isto? - perguntou, fixando o olhar na quantidade de rabiscos espalhados pelo papel.
Sirius coçou a cabeça.
- É... um desenho artístico.
- Ah, já vejo... Hmm, quem é esse pobre garoto que está partido em dois na boca desse dragão aqui?
- Er... não é ninguém, estou inventando.
- Ah - assentiu Jacques, fingindo muito mal sua incredulidade. - E esse aqui debaixo, que está esmagado por uma lápide celta?
- Já falei que é tudo invenção - voltou a dizer Sirius, irritado por precisar dar tantas explicações.
Jacques devolveu o desenho ao moreno, que se apressou em guardá-lo.
- Desenha bem, Sr. Black, mas deveria estar fazendo seu exercício. Cinco pontos a menos para a Grifinório - disse Jacques antes de se afastar, despertando as queixas de todos os grifinórios da sala. Remus, por sua vez, estava se matando de rir, enquanto Elise jurava a si mesma que se não fossem tão parecidos, se negaria a aceitar qualquer parentesco com Sirius.
...
- Não, não, não! Sirius, arrume essa camisa! James, o cabelo, o cabelo! Parece que não sabe o que é um pente! Elise, não suba aí que vai estragar o vestido e... Minha nossa senhora! Kate, quer vir aqui que eu preciso terminar de te pentear?
Tracy gritava e dava ordens por todo o lado, nos bastidores do palco improvisado. Tinham retirado a mesa dos professores e aproveitaram o tablado alto para servir de palco. As cortinas vermelhas vinham a seguir e uns metros depois tinham prendido um tecido preto, para servir de fundo, atrás do qual tinham espaço suficiente para se trocarem. No dia anterior prepararam toda a iluminação e decorado o cenário com serpentinas e estrelas douradas e prateadas, que flutuavam pelo Salão graças a um feitiço, refletindo a luz e criando uns efeitos muito legais.
- Re-la-xa - Artemis segurava a loira pelos ombros, olhando-a fixamente. - Respira. Puxa o ar - disse, inalando ele mesmo. - Fica tranquila.
Tracy começou a puxar ar, mas subitamente girou a cabeça para a direita.
- Elise, cuidado, por favor! - gritou, fazendo Artemis se assustar.
A morena lhe fez um sinal para que não se preocupasse, na parte mais alta da escada que subira. James, vendo que sua ex-namorada estava a ponto de ter um ataque histérico, apressou-se a segurar a escada para Elise, para maior segurança.
- Eu até tento me tranquilizar - começou Tracy, se dirigindo a Artemis -, mas é impossível. Quero que tudo seja perfeito.
- E vai ficar perfeito - assegurou-lhe Artemis. - Fique tranquila, princesa, você fez tudo muito bem.
- Não sou uma princesa... - replicou a loira, baixinho, esquecendo toda sua tensão por um segundo. - Sirius, a camisa!
E se p? a perseguir o moreno para arrumar o colarinho da camisa. Artemis ficou observando-a, com um meio sorriso no rosto.
- Vai desgastá-la de tanto olhar - disse uma voz atrás dele. Era Lily, ajeitando o cabelo.
Artemis virou-se, sobressaltado.
- Ao que se refere? - perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Eu? Nada não - respondeu Lily, inocentemente.
- Ah...
- Ela é bonita - insistiu a ruiva.
- Quem? - perguntou Artemis, fingindo incerteza.
- Ninguém.
- Então pra que fica falando?
- Sei lá, para ver se você decide me confessar alguma coisa.
- Confessar alguma coisa? - perguntou o garoto. - Você não está bem...
- Há! - a ruiva lhe dedicou um olhar sabichão. - Anda, fecha o meu vestido.
Artemis obedeceu de cara amarrada, um pouco irritado pelos comentários de antes.
- Eu não tenho que confessar nada - repetiu o garoto.
- Isso você já me disse - respondeu a ruiva, fingindo um bocejo.
- Mas você não acreditou em mim.
- Absolutamente.
- Pois tem... tem... tem que acreditar em mim! - exclamou, tentando parecer chateado.
Lily colocou uma mão na bochecha.
- Tudo o que você disser, príncipe.
- Lily!
Mas a ruiva já se afastava, rindo, pronta para ajudar Kate com seu vestido.
- Meia hora! Falta meia hora! - Tracy continuava gritando, por todos os cantos do camarim improvisado.
- Vou pegar um pouco de chá - ofereceu-se James, cujos nervos estava sendo muito alterados por sua ex-namorada. - Alguém quer alguma coisa?
- Uma mordaça e algemas - respondeu Sirius, olhando Tracy de relance, que imediatamente franziu o cenho e cruzou os braços, irritada.
- Eu quero um chocolate - pediu Lily -, ou algo que tenha chocolate.
James assentiu, sorrindo, e saiu em disparada até a cozinha, afastando-se de toda a bagunça dos bastidores. Foi até a cozinha e pediu uma jarra bem grande de chá e alguma coisa de chocolate para Lily. Os elfos trouxeram um barril de 12 litros de chá e um bolo de casamento de chocolate, então precisou pedir algo menor. No final, saiu da cozinha com um pote de sorvete de chocolate e um bule de porcelana decorada com flores, cheio do chá cheiroso dos elfos.
Mantendo o equilíbrio, James começou seu caminho de volta ao Salão Principal, pensando feliz que tudo isso terminaria nesta mesma noite. Ainda que isso tivesse um lado negativo. Não poderia voltar a abraçar Lily tão estreitamente, nem poderia sentir o cheiro de seu cabelo ou acariciar seus braços sem que ela o afastasse a dentadas. Ia perdido em pensamento quando tropeçou em alguém e derramou todo o chá em cima da pessoa.
- Me desculpe! Não estava olhando por onde ia - desculpou-se James, sem olhar para a pessoa em quem havia tropeçado, recolhendo rapidamente o bule.
- Não estranho, Potter - respondeu uma conhecida voz sibilante. - Duvido que seu cérebro tem capacidade para fazer duas coisas de cada vez. Se está andando, é impossível olhar para frente...
- Ranhoso, que prazer voltar a te ver! - exclamou falsamente, mudando completamente a expressão em seu rosto, esquecendo que a água fervente estava molhando por completo sua roupa e começava a lhe queimar. - Vejo que não trocou a marca do shampoo.
- E eu vejo que você continua sendo o mesmo arrogante, prepotente e estúpido de sempre. Como vão seus pais? - disse Snape, com um sorriso cínico, enquanto James apertava os punhos.
- Seu bastardo nojento! - James segurou o sonserino pelo pescoço e estava pronto para lhe dar um soco. Snape, por sua vez, também tinha agarrado a camisa do outro e se preparava para fazer algo parecido, quando alguém os separou.
- O que pensam que estão fazendo? - Lily, com sua força inusitada, obrigou os garotos a se separarem e se p? no meio dos dois. - O que está acontecendo aqui?
- Não tenho que te dar explicações - sibilou Snape, separando-se dela -, sangue-ruim.
Lily fixou seu olhar no sonserino e fez algo parecido com um sorriso de desgosto. Snape, evitando seu olhar, desapareceu pelo corredor. A ruiva olhou então para James, que encarava furiosamente Snape se distanciar. Lily pegou sua mão e recolheu o pote de sorvete do chão, guiando o garoto até uma sala próxima.
- Por que você veio? - perguntou James, a reprovação nítida em sua voz.
- Você estava demorando muito. Fica quieto cinco minutos e daí você vai - respondeu, enquanto o obrigava a se sentar em uma mesa e começava a desabotoar sua camisa, sob o olhar incrédulo de James. - Se você ainda não percebeu, está se queimando e todo molhado - disse ela, notando o olhar do garoto. Ele finalmente notou o calor e se apressou a tirar as calças, enquanto Lily terminava os botões de sua camisa e recolhia as duas peças, evitando olhá-lo.
- Não precisava ter se metido no meio - murmurou James, enquanto ela pegava sua varinha e conjurava um jato de ar para secar a roupa. - Tinha que ter me deixado dar uma lição em seu amiguinho.
Lily o olhou de relance, mas não disse nada. Devolveu sua roupa seca, ainda de costas. Ele se vestiu, satisfeito pela garota não o olhar.
- Acabou se queimando - murmurou, enquanto acabava de abotoar a camisa. - É melhor a gente passar na enfermaria - completou, dirigindo-se até a porta da sala.
James se levantou e a impediu de sair, segurando a mão dela e a obrigando a olhar para ele.
- Por que se dá bem com esse imbecil?
A ruiva continuou lhe olhando, mas demorou uns minutos para responder.
- Ele é bom, James, uma boa pessoa. Mas sofreu muito e ainda está sofrendo, e você não está exatamente ajudando a melhorar as coisas - disse, simplesmente.
James também levou uns segundos para responder. Parecia que não sabia se devia lhe contar algo ou não.
- Lily, ele é perigoso... Acredita em mim. Não está limpo nessa história.
A ruiva descobriu nos olhos de James algo parecido com dor. Não era nada parecido com o desagrado que ela sentia pelas NTCMSP, mas sim algo mais profundo e obscuro. A parte oculta de James Potter. Por isso decidiu não contestar e simplesmente bagunçou seu cabelo, como ele costumava fazer.
- Sei me cuidar, James - e deslizou sua mão até a bochecha dele. - Agora vamos à enfermaria e depois você vai mostrar a todo mundo que boa professora eu sou.
- Ou que bom aluno eu sou - revidou James, com um sorriso.
...
Eram quase sete horas. Tinham demorado quase meia hora porque Madame Pomfrey se negava a deixar James sair da enfermaria até a manhã seguinte. Lily precisou usar todo o seu poder de persuasão para convencê-la a liberar o garoto, que no final das contas tinha apenas traços das queimaduras depois de aplicar um dos unguentos malcheirosos da enfermeira.
Os alunos observavam as cortinas com curiosidade; as mesas das casas não tinham sido alteradas, então todos os estudantes, acompanhados pelos diretores de suas casas, estavam sentados em suas respectivas mesas, na penumbra.
Os cochichos começaram a parar quando o palco se iluminou e apareceram Lily e Remus. Muitas garotas ficaram de queixo caído ao ver o lobisomem vestido um jeans rasgado e desgastado, com a camisa azul-céu quase completamente desabotoada e com o cabelo arrumado para trás. Lily tampouco ficava para trás. Usava um vestido preto justo até os joelhos e o cabelo ruivo recolhido em um coque moderno. Os dois trocaram olhares de preocupação e tentaram transmitir um ao outro, sem resultado, confiança.
Lily pigarreou.
- Boa noite e feliz Dia dos Namorados a todos - sua voz amplificada com um sonorus foi ouvida claramente por todo o salão. - Esta noite, alguns alunos do sétimo ano da Grifinória se apresentarão para vocês como parte da original e fantástica detenção - pronunciou a última parte com evidente sarcasmo - no nosso querido Diretor.
- Então só queremos pedir uma coisa: não riam muito da gente, por caridade humana - disse Remus, com um sorriso fraco.
Ouviu-se um protesto vindo de trás, e a cabeça de Sirius apareceu no meio das cortinas.
- Quem rir vai se ver com os Marotos - ameaçou.
Elise surgiu de uma das laterais da cortina.
- Cala a boca, seu palhaço, e se preocupe em não deixar ninguém perceber que você não sabe a letra!
Lily e Remus tentaram tampar os dois primos, que tinham começado a se xingar diante de toda a escola. Então as cabeças de Kate e Tracy surgiram do outro lado da cortina.
- Querem ficar quietos, que tudo vai sair muito bem? - reclamou Kate.
- Remus, ajeite a sua camisa - sussurrou Tracy.
As cabeças dos intrusos começaram a desaparecer, seguidos por murmúrios de protesto. Artemis e James tinham conseguido prender todo mundo dentro do camarim de novo. Lily negou com a cabeça.
- E acabaram de ter uma prova de que mesmo depois da detenção, continuamos sendo um grupo tão desunido quando antes.
Remus assentiu.
- E agora, quanto antes acabarmos com isso, melhor. Apresentamos nosso mini-show do Dia dos Namorados!
O casal desapareceu por um dos lados e os alunos aplaudiram, confusos, não muito seguros de que conclusão chegar após essa abertura tão peculiar.
As cortinas se abriram e as luzes do Salão Principal se apagaram por completo; o palco se iluminou com luzes coloridas e surgiram algumas vozes.
Olvídate de mí, olvídate de mi
Esqueça-se de mim, esqueça-se de mim
Os quatro garotos surgiram do fundo do palco, todos vestidos de uma maneira parecida com a de Remus e com uma cara de "Vamos morrer!", quando a música começou a tocar. Remus se adiantou enquanto os outros faziam a coreografia atrás dele. O lobisomem começou a cantar.
Esto nunca ha sido facil
Isso nunca foi fácil
Se que te jure mi amor
Sei que jurei te amar
Se que hicimos muchos planes
Sei que fizemos muitos planos
No me llores, por favor
Não chore, por favor
Acabou ajoelhado no chão e piscou um olho para uma lufa-lufa, que quase desmaiou. Logo se levantou, enquanto Sirius tomava seu lugar na frente.
Y aunque parezco el culpable
E embora eu pareça o culpado
Esta historia es de los dos
Esta história é de nós dois
Yo aun sigo sufriendo
Eu ainda estou sofrendo
Me ha costado mucho decir sin dudar:
Custou muito dizer sem hesitação:
"Niña no hay vuelta atras"
"Pequena, não tem volta"
Sirius andou de um lado ao outro do palco, atirando um par de beijos. Felizmente não cometeu nenhuma gafe, e logo se uniu aos seus amigos. Bastante sincronizados, cantaram o refrão juntos.
Olvídate de mi y olvida nuestro amor
Esqueça-se de mim e esqueça nosso amor
Olvida las promesas que no tienen ya valor
Esqueça as promessas que já não tem nenhum valor
Siento que acabe asi, pero no tengo opcion
Sinto muito por terminar assim, mas não tenho escolha
Asi que olvidate de mi
Então se esqueça de mim
Então foi Artemis quem se destacou, fazendo o olhar de cachorro sem dono que Sirius tinha ensinado.
Yo he roto con tu vida
Eu acabei com a sua vida
Tus amigos me han dejado
Seus amigos me largaram
Se que tienen que apoyarte
Sei que precisam te apoiar
Pero nadie me ha llamado
Mas ninguém me chamou
Artemis girou e deu a vez para James.
Te llevas la peor parte
Você aguentou a pior parte
Pero yo siempre sere aquel tio miserable
Mas eu sempre serei aquele cara miserável
Solo alguien que nunca te hizo feliz
Apenas alguém que nunca te fez feliz
Que no fue digno de ti
Que nunca foi digno de você
James fez os passos que a ruiva lhe ensinara e, assim como Remus, piscou para o público, para depois voltar a se juntar aos outros garotos.
Olvídate de mi y olvida nuestro amor
Esqueça-se de mim e esqueça nosso amor
Olvida las promesas que no tienen ya valor
Esqueça as promessas que já não tem nenhum valor
Siento que acabe asi, pero no tengo opcion
Sinto muito por terminar assim, mas não tenho escolha
Asi que olvidate de mi
Então se esqueça de mim
Então, para o deleite das garotas, os quatro avançaram e se agacharam diante do público. Algumas alunas não conseguiram se segurar e tinham levantado de seus lugares, gritando pelos garotos.
Se que encontraras a alguien
Sei que encontrará alguém
Entonces me entenderas
Então vai me entender
No, no dudes en llamar
Não, não hesite em me ligar
Yo no te quiero borrar
Eu não quero te apagar
Outra vez voltaram a dançar a mesma coreografia.
Olvídate de mi y olvida nuestro amor
Esqueça-se de mim e esqueça nosso amor
Olvida las promesas que no tienen ya valor
Esqueça as promessas que já não tem nenhum valor
Siento que acabe asi, pero no tengo opcion
Sinto muito por terminar assim, mas não tenho escolha
Asi que olvídate de mi
Então se esqueça de mim
A música terminou e os quatro garotos ficaram de pé no palco. Todos os alunos, especialmente as garotas, começaram a aplaudir estrondosamente e a assobiar. Eles agradeceram e correram para o camarim, sorrindo, quase eufóricos. As cortinas voltaram a se fechar. As garotas tinham assistido tudo dos bastidores, e imediatamente os parabenizaram pelo ótimo desempenho. Elise inclusive abraçou seu primo, mas quando se deu conta de quem era, afastou-se rapidamente. Então Kate, Lily, Tracy e Elise foram para o palco, as cortinas ainda fechadas.
- Como elas vão se sair? - sussurrou Remus, enquanto observavam as cortinas começarem a se abrir mais uma vez.
- Vão gostar mais da nossa música - respondeu Sirius. - Só precisa lembrar como as garotas ficaram... A canção delas é muito sem sal.
Todos concordaram, assim que começou a tocar a música das meninas. Elise estava no centro do palco, com um vestido branco até os pés, amarrado no pescoço; o cabelo estava preso de um modo muito elegante. Tracy, Lily e Kate ficaram ao lado, com um vestido igual ao de Elise, só que azul céu. As três eram as backing vocals. Foi Elise quem começou a cantar.
Does he love me, I wanna know
Será que ele me ama, eu quero saber
How can I tell if he loves me so?
Como eu posso saber se ele me ama?
Is it in his eyes
Está nos olhos dele?
As outras três garotas questionaram, perfeitamente coordenadas, dançando a coreografia.
Oh, no. You'll be deceived
Oh, não. Você será enganada
Is it in his sighs
Em seus suspiros?
Oh, no. He'll make believe
Oh, não. Ele vai fazer você acreditar
If you wanna know
Se você quer saber
Shoop shoop shoop shoop
If he loves you so
Se ele te ama
It's in his kiss
É pelo beijo dele
That's where it is, oh yeah!
Aí está, oh yeah!
Kate, Lily e Tracy continuavam dançando a coreografia perfeitamente sincronizadas, enquanto cantavam o coro.
Or is it in his face?
Ou está no rosto dele?
Oh, no, it's just his charms
Oh, não, isso é apenas seu encanto
In his warm embrace?
Em seu abraço?
Oh, no, that's just his arms
Oh, não, são apenas os braços dele
If you wanna know
Se você quer saber
Shoop shoop shoop shoop
If he loves you so
Se ele te ama
It's in his kiss
É pelo beijo dele
That's where it is!
Aí está!
Whoa, it's in his kiss
Whoa, está no beijo dele
That's where it is!
Aí está!
Agora as quatro faziam a mesma coreografia. Elise estava fazendo um bom papel com sua voz forte e todos pareciam gostar da música, mas não tanto quanto gostaram da anterior.
Whoa, kiss him and squeeze him tight
Whoa, beije-o e aperto-o bem forte
And find out what you want to know
E descubra o que você quer saber
If it's love if it really is, it's there in his kiss
Se amor é o que isso realmente é, está no beijo dele
How 'bout the way he acts
Que tal o jeito que ele age?
Oh, no, that's not the way
Oh, não, esse não é o caminho
And you're not listening to all I say
E você não está escutando tudo o que digo
If you wanna know
Se você quer saber
Shoop shoop shoop shoop
If he loves you so
Se ele te ama
It's in his kiss
É pelo beijo dele
That's where it is!
Aí está!
Whoa, it's in his kiss
Whoa, está no beijo dele
That's where it is!
Aí está!
Oh, yeah, it's in his kiss (that's where it is!)
Oh, yeah, está no beijo dele (aí está!)
Ooh, it's in his kiss (that's where it is!)
Ooh, está no beijo dele (aí está!)
Ooh, it's in his kiss (that's where it is!)
Ooh, it's in his kiss (that's where it is!)
Ooh, it's in his kiss (that's where it is!)
Ooh, it's in his kiss (that's where it is!)
As garotas terminaram e receberam um caloroso aplauso. Não foi uma salva de palmas tão esmagadora quanto a dos garotos, mas gostaram da música delas também.
- Viram? - disse Sirius, atrás das cortinas. - É que onde estão os Marotos...
Tracy, Elise e Kate entraram correndo no camarim. Lily tinha ficado no palco, e as cortinas não tinham se fechado.
- O que está acontecendo? - perguntou James. - Por que a Lily não entrou?
Mas as garotas não ligaram para ele, apenas começaram a se despir diante dos garotos.
- Ma-mas... - começou Artemis, vendo como as garotas simplesmente tiravam seus vestidos.
- Shhh - Sirius imediatamente o silenciou. - Está desconcentrando ela... - disse, sem tirar os olhos de suas amigas.
A festa durou pouco para o moreno, porque as meninas estavam com outra roupa por baixo e, sem dar nenhuma explicação, escapuliram até as mesas das casas.
- Vocês estavam sabendo disso? - questionou novamente James.
Os outros três negaram, mas nem deu tempo de falarem mais nada, porque começou a tocar outra música.
Lily, que ainda estava no palco, virou de costas para o público e desfez o coque com um gesto rápido, enquanto começava a se mexer suavemente no ritmo da música. Então tirou o vestido em um único movimento, revelando seu verdadeiro figurino: um short de couro marrom e um top branco que deixava seus ombros descobertos. Os alunos ainda não tinham compreendido o que estava acontecendo quando um foco de luz iluminou o final da mesa da Corvinal e se escutou claramente a voz de Kate, que usava uma longa saia branca de linho e um top curto de mangas esvoaçantes. Subia na mesa da Corvinal enquanto cantava e dançava.
Suerte que en el sur hayas nacido
Sorte que você nasceu no sul
E que burlemos las distancias
E que contornermos as distâncias
Suerte que es haberte conocido
Sorte eu ter te conhecido
Y por ti amar tierras extrañas
E por você, amar terras estranhas
Então foi a mesa da Sonserina que se iluminou. Tracy continuou cantando, vestida com um mini saia jeans e um top de lantejoulas prateadas.
Yo puedo escalar los Andes sólo
Eu posso escalar a Cordilheira dos Andes
Por ir a contar tus lunares
Só para contar as sardas do seu corpo
Contigo celebro y sufro
com você eu comemoro e sofro
Todo mis alegrías y mis males
Todas as minhas alegrias e minhas tristezas
Esperando o que veriam em seguida, muitos encararam as duas mesas restantes. A mesa da Lufa-Lufa se iluminou e Elise começou a se remexer em cima dela, vestida com uma mini saia de couro branco e o que parecia ser a parte de cima de um biquíni preto.
Le ro lo le lo le
Le ro lo le lo le
Y sabes que estoy a tus pies
Você sabe que eu estou a seus pés
A mesa da Grifinória também se encheu de luz e Lily, que tinha descido do palco para correr até lá, se uniu às outras três, cantando e dançando pelas mesas.
Contigo, mi vida
Contigo, minha vida
Quiero vivir la vida
Quero viver a vida
Y lo que me queda de vida
E o que me resta de vida
Quiero vivir contigo
Quero viver com você
Contigo, mi vida
Contigo, minha vida
Quiero vivir la vida
Quero viver a vida
Y lo que me queda de vida
E o que me resta de vida
Quiero vivir contigo
Quero viver com você
As garotas continuavam dançando em cima das mesas, e cantando alternadamente, enquanto se dirigiam de volta ao palco. Kate e Tracy inclusive convidaram alguns garotos para subirem e dançarem com elas, que aceitaram sem hesitar. Elise deu um de seus colares a um garoto lufa-lufa, beijando outro na bochecha, enquanto Lily fazia acrobacias diversas em cima de sua mesa.
Suerte que es tener labios sinceros
Sorte eu ter lábios sinceros
Para besarte con más ganas
Para te beijar com mais vontade
Suerte que mis pechos sean pequeños
Sorte que meus peitos são pequenos
Y nos los confundas con montañas
E você não os confunde com montanhas
Suerte que heredé las piernas firmes
Sorte que eu herdei pernas firmes
Para correr si un día hace falta
Para correr se você me fizer falta
Y estos tus ojos que me dicen
E esses olhos que me dizem
Que han de llorar cuando te vayas
Que vão chorar quando você partir
Le ro lo le lo le
Le ro lo le lo le
Y sabes que estoy a tus pies
Você sabe que eu estou a seus pés
Chegaram ao final das mesas e com a ajuda de alguns garotos muito amáveis, desceram delas e subiram novamente no palco, onde continuaram dançando juntas.
Contigo, mi vida
Contigo, minha vida
Quiero vivir la vida
Quero viver a vida
Y lo que me queda de vida
E o que me resta de vida
Quiero vivir contigo
Quero viver com você
Contigo, mi vida
Contigo, minha vida
Quiero vivir la vida
Quero viver a vida
Y lo que me queda de vida
E o que me resta de vida
Quiero vivir contigo
Quero viver com você
Le ro lo le lo le
Le ro lo le lo le
Sabes que hoy estoy a tus pies
Sabe que hoje estou a seus pés
Le ro lo le lo le lo la
Y la felicidad tiene tu nombre y tu piel
E a felicidade tem o seu nome e sua pele
Contigo, mi vida
Contigo, minha vida
Quiero vivir la vida
Quero viver a vida
Y lo que me queda de vida
E o que me resta de vida
Quiero vivir contigo
Quero viver com você
Ya sabes, mi vida
Já sabe, minha vida
Estoy hasta el cuello por ti
Vou até o fim por você
Si sientes algo así
Se sente algo assim
Quiero que te quedes junto a mi
Quero que fique junto de mim
A música terminou e desta vez os aplausos foram definitivamente estrondosos. Os garotos começaram a pedir para cantarem de novo e todo mundo aplaudia e as aclamava. As garotas agradeceram, sorrindo, e entraram rapidamente no camarim.
Artemis, Sirius, Remus e James tinham visto o número inteiro e também ficaram embasbacados.
- O que estava falando sobre a sua música? - perguntou Remus sarcasticamente a Sirius.
As garotas chegaram sorrindo, muito contentes pelo sucesso.
- Isso não vale! - exclamou Sirius, assim que as viu. - Traidoras! Então era isso que estavam tramando? Muito bonito!
Os outros também parabenizaram as garotas, enquanto as cortinas fechavam e todo se preparavam para a última canção.
...
As cortinas se abriram novamente, revelando um James vestido em calças pretas e camisa escura, sentado nas escadinhas que levavam até o palco. Começou a tocar uma música e James cantou, passeando melancolicamente pelo palco.
Traigo en los bolsillos tanta soledad
Trago nos bolso tanta solidão
Desde que te fuiste no me queda mas
Desde que você se foi não me resta mais
Que una foto gris y un triste sentimiento
Que uma foto cinzenta e um sentimento triste
Lo que mas lastima es tanta confusión
O que mais machuca é tanta confusão
En cada resquicio de mi corazón
Em cada cantinho do meu coração
Como hacerte a un lado de mis pensamientos
Como te deixar de fora dos meus pensamentos
Então apareceram Elise, Lily e Tracy, trajando vestidos rosa pálido que brilhavam e refletiam a luz. Elas começaram a dançar no meio do palco, onde estava James.
Por ti, por ti, por ti
Por você, por você, por você
He dejado todo sin mirar atrás
Larguei tudo sem olhar para trás
Aposté la vida y me deje ganar
Apostei a vida e me deixei ganhar
Te extraño
Sinto tua falta
Porque vive en mi tu recuerdo
Porque tua lembrança vive em mim
Te olvido
Te esqueço
A cada minuto lo intento
A cada minuto eu tento
Te amo
Te amo
Es que ya no tengo remedio
É que já não tenho remédio
Te extraño, te olvido y te amo de nuevo
Sinto tua falta, te esqueço e te amo de novo
Então as portas do Salão Principal se abriram, e surgiu Kate, vestida de vermelho, com um figurino parecido com o das outras garotas. Começou a caminhar entre as mesas centrais, até o palco. No palco apareceram os garotos, que imediatamente fizeram par com as garotas e continuaram dançando.
He perdido todo, hasta la identidad
Eu perdi tudo, até a identidade
Y si lo pidieras más podría dar
E se você pedisse mais eu poderia dar
Es que cuando se ama nada es demasiado
É que, quando se ama, nada é demais
Me enseñaste el limite de la pasión
Me ensinou o limite da paixão
Y no me enseñaste a decir adiós
E não me ensinou a dizer adeus
He aprendido ahora que te has marchado
Aprendi agora que você foi embora
Kate chegou aos pés do palco e começou a cantar um dueto com James, que tinha descido para buscá-la, entendendo a mão e lhe dando um abraço. Logo eles subiram de mãos dadas até o palco, onde dançaram coordenados com os demais.
Por ti, por ti, por ti
Por você, por você, por você
He dejado todo sin mirar atrás
Larguei tudo sem olhar para trás
Aposté la vida y me deje ganar
Apostei a vida e me deixei ganhar
Te extraño
Sinto tua falta
Porque vive en mi tu recuerdo
Porque tua lembrança vive em mim
Te olvido
Te esqueço
A cada minuto lo intento
A cada minuto eu tento
Te amo
Te amo
Es que ya no tengo remedio
É que já não tenho remédio
Te extraño, te olvido y te amo de nuevo
Sinto tua falta, te esqueço e te amo de novo
O Salão Principal irrompeu em aplausos quando a música terminou. Os mais entusiasmados assobiavam e gritavam seus nomes. Agradeceram ao público várias vezes, enquanto as luzes do Salão se acendiam. Alguns professores também aplaudiam, inclusive Dumbledore. Isso significava que a detenção estava cumprida! Voltaram a agradecer e correram para o camarim, abraçando e parabenizando uns aos outros.
- Você foi incrível, Kate! - exclamou Sirius com entusiasmo para a loira, enquanto segurava suas mãos. - E está linda - completou, afastando-a dele para vê-la melhor.
- Obrigada - Kate estava da cor de seu vestido. - Você também se saiu muito bem...
Sirius sorriu em resposta e voltou a olhá-la de cima a baixo, enquanto o coração da loira começava a acelerar, fazendo-a apertar as mãos do garoto. Ele se inclinou para ela e a garota fechou os olhos.
- Kate, estava muito bem! - Fabian acabava de entrar no camarim e fez a loira recobrar a consciência e se separar do moreno. Ainda perturbada, ela sorriu e se aproximou dele, que passou um braço por sua cintura. - Precisamos ir ao povoado para comemorar, né Kitty?
Enquanto Sirius se perguntava que tipo de estúpido apelido era Kitty e pensava em arrancar o braço de Fabian com os dentes, entrou no camarim mais gente conhecida. Jacques foi direto até Elise, no momento em que a morena conversava com Remus.
- Elise, ma chèrie, estava sensacional! - exclamou, abraçando-a e a afastando, deliberadamente, de Remus, que ergueu as sobrancelhas. Já estava ficando farto desse francês.
Elise se desembaraçou do loiro e voltou para o lado de Remus.
- Obrigada, professor - disse, sorrindo. - Quer alguma coisa?
Atrás dele, Artemis fazia caretas.
- Elise, não precisa de tanta formalidade... Eu vim te chamar para beber algo em Hogsmeade - disse, segurando uma de suas mãos, que Elise rapidamente soltou.
- É uma excelente ideia - respondeu, sorrindo -, mas acho que todos deveriam ir. O que acha, Remus?
Remus olhou a cara de desgosto de seu professor e concordou.
- É uma ideia fantástica, ma chèrie - respondeu, imitando um forçado sotaque francês, que fez Elise rir e Jacques franzir o cenho.
Tracy tinha se sentado em uma das cadeiras do camarim, sorrindo fracamente para todos que a parabenizavam. Artemis sentou-se ao seu lado, em outra cadeira.
- O que houve agora, princesa? Está triste? Não saiu tudo perfeito? - brincou.
Tracy balançou a cabeça. Demorou alguns segundos para responder.
- O que eu vou fazer agora, Artemis? Acabou a única coisa que eu verdadeiramente gostava nesta escola. Odeio as aulas, não sou boa com feitiços, não tenho amigos...
- E o que eu sou, um descanso para pés? - perguntou Artemis, fingindo-se ofendido.
A loira negou com a cabeça e sorriu para uma menina do primeiro ano que foi lhe dar os parabéns.
- Certo, tenho alguns amigos maravilhosos, mas todos eles têm outras coisas e eu não tenho nada... O que faço? - suspirou, batendo em suas pernas. - Fico jogando ludo?
- Faz o que quiser - respondeu Artemis. - Você pode fazer o que quiser. Se não gosta de magia, por que não tenta conseguir um diploma trouxa? Design, decoração de interiores...
- Isso se estuda? - perguntou a garota, muito entusiasmada. - Verdade? E posso trabalhar com isso?
Artemis assentiu, sorrindo.
- Claro. Vamos nos informar a respeito, ok?
Tracy devolveu o sorriso e segurou sua mão, muito reconfortada. Os dois se levantaram e se uniram a Elise, Sirius e Remus, que conversavam sobre uma escapada até o povoado nesta mesma noite.
Lily e James também estavam recebendo louvores e felicitações, mas assim que teve uma oportunidade, James correu até a garota e ergueu no ar, girando-a.
- Você me viu, Lily? Eu fui bem! - exclamou, enquanto a descia até o chão. Ela também sorria.
- Você estava ótimo, Potter - disse sorrindo tolamente, enquanto encarava seus olhos. Ele tinha as mãos em sua cintura e ela apoiava as suas nos braços dele. - Ótimo - repetiu.
Ele voltou a sorrir e segurou uma das mechas de seu cabelo que caíam seu rabo de cavalo, logo se pondo a brincar com ele, nenhum dos dois desviando o olhar. Então Lily se aproximou dele, apoiou-se em seu ombro e beijou sua bochecha.
Quando se afastou, viu que ele continuava a olhá-la nos olhos e que só estava esperando por um beijo. Ardia nele a mesma necessidade que ela tinha de provar seus lábios... E teria feito, teria lhe beijado se não tivesse se lembrado do que significaria lhe dar um beijo. Admitir que até as células de sua medula óssea estavam louquinhas por ele.
Separou-se bruscamente e foi procurar suas amigas, ainda pensando que tinha estado a ponto de ceder. James, vendo-a se afastar, pensava o mesmo.
...
O Três Vassouras estava cheio de gente, a maioria estudantes de Hogwarts que tinham escapulido do castelo e agora curtiam, bebiam, dançavam e flertavam. Tracy e Artemis conversavam e bebiam em uma das mesas, sem muita vontade de dançar depois de todo o esforço feito no colégio. O mesmo não se podia ser dito de Elise, que dançava com Remus, para o desgosto de Jacques, que não deixava de encará-los.
- Acabo de receber um zero em Runas - murmurou Remus, sorrindo, ao que Elise também sorriu. - Por que não quer ficar sozinha com Jacques?
- Porque não tenho complexo de troféu - suspirou a garota, enquanto passava os braços pelo pescoço de Remus para dançar uma música lenta. - Ele me atrai, mas para ele eu sou apenas mais uma figurinha em sua coleção de vestígios arqueológicos...
- E como você sabe? - perguntou Remus.
- Didrell é assim... ambicioso. Além disso, existem garotos mais interessantes com quem comemorar o Dia dos Namorados - disse distraidamente.
Remus corou um pouco, mas continuou sorrindo.
- Ah, é? - questionou suavemente.
- Uhum - confirmou Elise, apoiando sua cabeça no ombro do lobisomem, que a puxou mais para perto pela cintura. Gostava do calorzinho agradável que sentia no peito quando ela estava assim, pertinho, e ela gostava do ritmo constante do coração dele e do cheiro de sua camisa.
Jacques Didrell os observava, sombriamente, sentado no bar.
Também estavam dançando James - com uma das garotas que tinham lhe pedido - e Kate com Fabian. O casal se olhava e conversava com sussurros; e Sirius ficava cada pior no bar, bebendo um whisky atrás do outro.
- Ei, deixa um pouco para os outros - Lily lhe deu um tapa no ombro, sentando-se no banquinho ao lado. - Afogando as mágoas no álcool ou simplesmente destruindo o fígado sem motivo?
- Que delicada! - murmurou Sirius, entredentes. - Se me disser a mesma coisa vestida de palhaço, talvez eu risse.
Lily ergueu as sobrancelhas e aproveitou para pedir um whisky com gelo a uma das garçonetes.
- Estamos de mau humor... E o que esperava, Sirius? - disse uns segundos depois. - Ela não iria te esperar para sempre... - deu um gole em seu copo.
- Eu sei... mas não poderia ter esperado um pouco?
- Dois anos e meio parece pouco? - perguntou Lily. - Agora já sabe o que ela deve sentir.
Sirius assentiu.
- Mas eu vou conseguir, acredite em mim. Enquanto ela continuar gostando um pouquinho de mim, ainda há esperança. Esse perversor de menores vai saber quem é Sirius Black.
Lily sorriu e terminou seu whisky. Pediu mais duas doses, passando uma para Sirius.
- Que moderna, convidando um cara! - brincou. - Não está tentando flertar comigo, né?
- Você me pegou - respondeu Lily, com uma voz vazia de qualquer emoção.
- Você também não parece ter tido um bom dia - cutucou Sirius.
Lily apenas deu de ombros. Quanto tempo mais aguentaria isso? Por que não parava de resistir e cedia aos desejos de James e aos seus próprios desejos? Logo ficaria com o coração quebrado, mas... e daí? Esse "e daí" não a convenceu. Não queria sofrer. Não queria que James completasse sua vitrine de medalhas.
- Vamos tomar uma última dose em um lugar mais calmo? - ofereceu Sirius, pensando que não podia suportar mais um segundo sentado ali, vendo Kate nos braços de Fabian.
Lily olhou ao redor do salão e viu que todos os seus amigos estavam ocupados, então concordou e se levantou. Os dois saíram do Três Vassouras e entraram em outra taverna próxima.
...
Fazia uma hora desde que Peter, James e Remus voltaram para o castelo com os demais estudantes. Bem, exceto por Lily e Sirius, que tinham desaparecido do mapa. Tinham procurado os dois por tods as tavernas, bares e cafés de Hogsmeade, mas não havia nem rastro nos dois. No fim, tanto os amigos de Lily quanto eles assumiram que já deveriam ter voltado para o castelo, mas tampouco estavam ali. Os Marotos procuraram seu mapa, mas quem tinha escondido da última vez fora Sirius... James e Remus ficaram com uma grande vontade de dar uma surra em Sirius, mas como ele nunca chegava, acabaram adormecendo.
- Lily, minha Lily, é a mais bela flor da primavera... - ouviram o zumbido de uma voz que tropeçava nas letras. - E eu te asseguro que está muito bem...
então se ouviu um risinho feminino contido, e uns pedidos para que aquele que cantava calasse a boca.
- Ei, Lily - voltou a sussurrar a voz masculina, enquanto entravam em um c?odo. - Esse não é o meu dormitório?
- Shhh, vai acordar todo mundo, Sirius - murmurou a ruiva.
- Mas eu não quero ir para o meu dormitório, quero outro whisky! Vamos jogar strip-poker!
Lily voltou a rir, cada vez mais perto da cama de Sirius.
- Outro dia, Siri-pooh.
Se ouviu um ruído amortecido, como o de alguém caindo em uma cama, e então James acordou, disposto a dar uma boa bronca em Sirius, já que o barulho vinha de sua cama. Remus também tinha acordado e os dois, com seus respectivos pijamas, se posicionaram diante da cama de Sirius, puxando as cortinas do dossel.
- Mas... mas o que, diabos, estão fazendo?
Sirius estava deitado na cama, com Lily montada em cima dele, tirando-lhe a camisa, usando um sutiã preto.
Nota da Tradutora: Gente, tive um problema com a internet ontem à noite. Ia postar na hora de Avenida Brasil, mas a conexão caía toda hora. E hoje o dia foi cheio, mas consegui essa brechinha para postar de tarde!
Segue os nomes das músicas utilizadas na apresentação de Dia dos Namorados. A primeira música, dos meninos, é Olvídate de mí, do Iguana Tango; as canções das meninas foram It's in his Kiss, da Cher, e Suerte, da Shakira (é a versão espanhola de Whenever, wherever); por fim, a música do dueto do James e da Kate foi Te extraño, te olvido, te amo, do Ricky Martin. Não vou colocar o link porque fica muito ruim escrever aqui no fanfiction, mas jogando no Google, aparece de primeira.
E aí, o que acharam desse final de capítulo? Quando eu li no original, fiquei super curiosa pelo próximo capítulo... Quero aproveitar e agradecer todos que conseguiram um tempinho para deixar uma review, mesmo curtinha. É realmente muito animador receber um recadinho, e só me mostra que eu fiz a escolha certa em voltar a traduzir essa fic depois de anos. Valeu mesmo!
