Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 18 - Me ame esta noite, pois o dia está distante |
- Outro dia que passa sem você morrer - sibilou uma voz à sua frente. James ergueu o olhar. - Que desperdício!
- Snape, não estou com humor para te humilhar, então por favor me lembre de fazer isso em dobro da próxima vez - James o cortou.
- Você não quer que os outros acreditem que você tem sentimentos, não é, Potter? Embora você tenha algum sucesso, inclusive Lily acredita nisso.
- Deixa a Lily fora dos nossos problemas - disse James, virando-se par o garoto.
- Tarde demais. Ela se meteu nos nossos problemas desde o momento em que tomou a decisão equivocada de falar com você - respondeu ele, com os olhos ameaçadores.
- Deixa ela fora disso - repetiu. - Isso é entre você e eu.
- O que foi, James? - zombou Snape. - Então você realmente se importa com a pequena Lily, não? Deve ser horrível que ela praticamente te odeie.
- Ela não me odeia - respondeu, com frieza. - Tenho certeza que sente algo por mim.
- Sempre se pode viver de ilusões, Potter - cuspiu o sonserino, com bastante convicção. - Acaso ela te disse alguma coisa?
- Não, mas eu soube quando me beijou - assegurou.
O semblante de Snape se tornou rígido e pálido, e saíam faíscas de seus olhos.
- Oh, então a asquerosa sangue ruim te beijou? Tenho pena de você, Potter. Nem uma cadela como ela você conseguiu fisgar.
Snape não viu o rápido soco que James acertou em sua cara. Aturdido, se incorporou a tempo de evitar um segundo golpe, e acertou o outro bem no estômago, com toda a sua força, fazendo-o dobrar de dor. Esqueceram toda a razão e começaram a descarregar a raiva que ambos sentiam. Acabaram rolando pelo chão do corredor, sem perceberem que isso bem lhes podia custar uma expulsão, armando uma bagunça que logo alertaria meia escola.
Lily descia de seu treino e ouviu ruídos incomuns. Com toda a curiosidade própria de qualquer estudante de Hogwarts, procurou a origem do escândalo. Vinha de alguns andares abaixo. Ouviu murmúrios de vozes quando estava chegando, então não era a primeira a reparar nos barulhos. Pulou os últimos degraus e meteu a cabeça no corredor: umas dez pessoas observavam dois alunos lutando, sem fazerem nada! Abriu caminho até os garotos e, fazendo uso de sua força, separou o que estava acima e o empurrou para trás, metendo-se de pé no meio dos dois. O garoto que estava no chão se levantou rapidamente, e logo os dois trataram de se engalfinharem de novo, mas Lily voltou a empurrá-los. Então fitou seus rostos machucados e com rastros de sangue, reconhecendo-os.
- Mas são dois idiotas! - exclamou a ambos, voltando a empurrá-los. - Fiquem quietos, porra!
Os garotos não pareciam ligar para ela. Agora havia mais alunos no corredor.
- Se não pararem agora, vou tirar todos os pontos da Grifinória e da Sonserina! E não estou brincando! - ameaçou pela última vez.
Severus e James pararam, mais por terem percebido o tamanho do público que reuniram do que pela ameaça em si.
- E vocês - disse Lily para os curiosos. - Para as Salas Comunais, JÁ!
Os estudantes obedeceram contrariados, murmurando sobre o que possivelmente tinha acontecido e olhando a cada dois passos para os três setimanistas.
- Posso saber o que estavam pensando? James, você é o Monitor Chefe!
James murmurou algo e desviou o olhar.
- Severus...
- Para você, é Snape. Não vou permitir que uma qualquer como você me diga o que tenho que fazer. Não se atreva a gritar comigo - disse, encarando-a diretamente nos olhos, enquanto tentava contar o sangue que escorria de seu nariz com a manga do uniforme.
James fez menção de voltar a se atirar contra ele, mas Lily ficou no meio e o separou, arrastando-o até a Torre da Grifinória.
- Isso, Potter! Já que não pode tê-la em sua cama, que ao menos ela cuide de suas feridas! - gritou Snape.
A ruiva continuou empurrando James, que tentava se soltar. A joven encarou Snape com profunda tristeza, e ele ficou paralisado. Nesse momento algo muito valioso terminara e a opressão em seu peito ao ver seu inimigo com ela não era mera questão de ciúmes infantis.
Lily puxava James, cabisbaixa, até um banheiro feminino, fazendo-o entrar a força, tendo o cuidado de ter certeza que estava vazio antes de entrar. Uma vez lá dentro, pegou sua varinha e murmurou um feitiço para trancar a porta.
James permaneceu com os braços cruzados, encostado contra a parede, olhando para o chão. A ruiva o olhou de relance, pegou uma toalha em sua bolsa de treinamento e a umedeceu em uma das pias. Logo se aproximou de James e o obrigou a olhar para ela, erguendo o queixo do garoto. Ele tentou tirar a toalha dela para se limpar sozinho, mas Lily deu um tapa em sua mão e continuou limpando-o com bastante cuidado. Também consertou seus óculos quebrados com a varinha. Quando terminou, dobrou a toalha e voltou a guardá-la em sua bolsa.
- Você precisa ir à enfermaria. Eu não tenho unguento cicatrizantre de murtigo.
James grunhiu, voltando a baixar o olhar. Lily continuou lhe encarando alguns segundos e foi abrir a porta, mas parou no meio do caminho.
- O que foi dessa vez? - perguntou suavemente.
O garoto não pareceu disposto a responder sua pergunta, então Lily abriu a porta.
- Obrigado - murmurou James, antes de sair.
Lily encolheu os ombros.
- Por que aguenta o Snape te tratando assim? Quando foi comigo, quebrou meu nariz - soltou James, de repente, encarando-a nos olhos pela primeira vez. - Não deveria permitir que essa víbora falasse contigo dessa forma.
- Ele sofre demais. A mãe dele morreu, James, e o pai o odeia - ela tentou explicar.
James então fez algo surpreendente e começou a rir debaixo do olhar atônito de Lily.
- Ah, é? - perguntou, em um tom cruel. - O pai o odeia? - nesse momento, Lily teria lhe esbofeteado. - Lily, o pai dele pertencia à associação de bruxos que matou os meus pais*! - explodiu, dando um soco na parede em que se encostava.
A ruiva ficou paralisada a uns metros de James, que estava com a cabeça baixa, virado para a parede. Todo o ódio dele por Snape... seus pais assassinados... Ela sabia que o pai de Snape estava em Azkaban por ser um conhecido bruxo das trevas, mas não sabia nada sobre associações e muito menos sobre os pais de James.
James notou algo quente atrás dele. Lily estava lhe abraçando por trás, envolvendo seu tronco com um braço e acariciando suas costas com a mão live. Apoiou a cabeça em seu ombro.
Virou-se para olhá-la nos olhos. Tinha contado um de seus maiores segredos para ela. E por mais estranho que fosse, sentiu que se tivesse feito isso antes, teria se sentido melhor. Não queria que ela o visse chorar, nem que fosse de raiva, então voltou a desviar o olhar. Mas Lily não se deu por vencida e voltou a lhe abraçar forte, desta vez apertando-o contra ela.
Ele se deixou abraçar. Perdeu-se em seu corpo quente e reconfortante por alguns minutos, encontrando o consolo sincero que a garota não sabia explicar com palavras. Sentia-se unido à ela.
Lily se separou dele, apertando sua mão antes de se soltar completamente.
- Eu... eu não sabia - disse finalmente.
James então a encarou, lembrando quem ela era.
- Não, de fato. Mas posso apostar a minha vassoura que você tinha uma teoria extraordinária sobre meu ódio pelo Snape, na qual eu certamente não sairia nem um pouco beneficiado. Ou estou errado? Lembre-se, Evans, aqui eu sempre sou o vilão - saiu do banheiro, batendo a porta e deixando Lily sozinha.
- Eu também te amo, James - murmurou segundos depois, escorregando pela parede até ficar sentada no chão do banheiro.
...
A despedida de Fabian e Jacques um dia antes do final do trimestre foi um pouco triste para Lily, Artemis e Kate; alguns alunos, como Remus, respiraram aliviados. Estava francamente cansado da perseguição do loiro e das contínuas referências que ele fazia sobre Elise e como sentia falta de conversar com ela.
Desta vez foi Lily quem evitou Snape, e não pelo que James tinha lhe dito - no fim das contas, isso era culpa do pai dele -, mas sim pela maneira como ele havia lhe tratado. Desconhecia os motivos que Snape tinha para estender sua animosidade por James para ela, mas não toleria mais nenhum insulto do garoto... pelo menos não sem um pedido de desculpa antes, o que tinha certeza que não iria acontecer.
Tampouco tinha melhorado sua relação com James, que continuava frio e indiferente à sua presença. Remus e Artemis trataram de animá-la, mas Lily sabia que desta vez quem estava errada era ela, mas infelizmente não sabia como ajeitar as coisas. Não seria algo tão fácil como ficar diante dele e dizer "Sinto muito, James. Por tudo. Te Amo". Por favor, isso soava ridículo até para sua mente desesperada. Queria ao menos recuperar... O que queria recuperar? Sua amizade? Talvez pudesse chamar de tolerância. Tinha se dado conta de uma coisa, isso sim. Claro que não era um grande mérito, porque era exatamente aquilo que seus amigos vinham repetindo há meses. Ela mesma tinha desistido da coisa mais maravilhosa que podia lhe acontecer: o amor sincero do garoto que ela amava. Sim, parecia meio brega, mas ela tinha tinho exatamente os mesmos preconceitos que odiava tanto em pessoas como as NTCMSP e se considerara inapropriada para James, quando ele estava gritando aos quatro ventos que desejava ficar com ela.
A volta para casa de trem apenas serviu para acentuar a frieza do jovem para com ela. Precisava fazer alguma coisa, mas... o quê?
King's Cross estava, como sempre, cheia de gente. Lily procurou por seus pais no meio da multidão. Ainda não tinha os encontrado quando alguém tocou seu ombro. Reconheceu o homem amável que a encarava.
- Henry! - Lily abraçou o avô de James, recuperando um pouco de alegria. - Edna! - a avó de James beijou sua bochecha. - Como estão? - perguntou com um sorriso.
- Pelo que vejo, melhor do que você - respondeu o homem, piscando um olho. - Por acaso você viu o cabeça oca do meu neto?
Lily ia dizer que não quando Remus e James apareceram no meio das pessoas. Henry e Edna abraçaram efusivamente seu neto e Remus. Lily baixou o olhar e tentou escapar rapidamente dali.
- Estávamos justamente perguntando à Lily por você - disse jovialmente Edna, olhando para a garota, que deu com um sorriso fraco.
- Sei... - respondeu secamente James, sem nem sequer olhá-la. - Vamos? Estou começando a ficar com fome.
- Já ia dizer que está mais magro! - exclamou Edna. - E você também, Remus. Agora mesmo quando chegarmos em casa eu vou pedir para a Ana preparar um jantar especial. Você vai ficar para o jantar, né, Remus?
A gentil senhora enchia os garotos de atenção, enquanto os conduzia até a saída da estação, onde também esperavam os pais de Remus, que foram imediatamente convidados para o jantar pela Sra. Potter. Lily observou a cena com um olhar melancólico.
- Então, como está?
Sobressaltou-se. Não tinha percebido que Henry permanecera ao seu lado, e continuava lhe observando.
- Bem - respondeu Lily, tentando fingir entusiasmo. - Muito bem.
- Outra vez problemas com James?
- Não, senhor, definitivamente não - apressou-se a dizer Lily. - Lily não fez nada, eu asseguro.
O ancião pareceu duvidar um pouco, mas logo deu um tapinha carinho no cabelo de Lily, conformando-se com a resposta.
- Então espero lhe ver logo lá em casa. Deixa eu ir antes que a Edna se esqueça de mim - piscou um olho, enquanto abria caminho até a saída da estação.
Novamente sozinha, ela continuou procurando seus pais. Kate se aproximou.
- Lily, os meus pais mandaram um carro me buscar. Quer que te deixe em casa?
- Não, obrigada, meu pais devem estar por aí. Se lembre de me mandar uma coruja para dizer qual o melhor dia para irmos visitar Elise.
Kate assentiu e se despediu da amiga. Depois de mais alguns minutos de procura, Lily finalmente encontrou seus pais, que a esperavam justamente atrás de uma das portas da estação.
Os primeiros dias das férias foram como se Lily tivesse ficado em Hogwarts: estudava praticamente o tempo todo. Claro que também comia, tomava banho e pratica um esporte radical: aguentar sua irmã e seu noivo durante as refeições, sem ter ataques homicidas.
Seus pais estavam muito felizes. Fazia bastante tempo que não a viam e estavam muito orgulhosos da filha; tudo o que tinha contado a eles foi que esses últimos seis meses na escola foram fantásticos.
Lily recebeu a coruja de Kate quatro dias depois, enquanto jantavam.
- Estamos comendo, irmãzinha, então dê um jeito nesse bicho - murmurou sua irmã Petunia, entredentes; Lily pegou um pedacinho de bolo de ameixa para a coruja e liberou a carta, ignorando-a completamente.
"Hey, Lils,
Como vai a vida sem mim? Triste, é claro. A minha também, sem vocês... Estou farta de estudar e ficar sozinha em casa. Preciso literalmente ordenar os elfos a me fazerem companhia! Sim, deprimente, eu sei. Assim, estava pensando que poderíamos ir visitar a Elise amanhã. Ontem ela me mandou uma coruja e avisou que podíamos dormir lá, se quisermos... O que acha da ideia?
Ah, também já falei com o Lupin pela lareira. Ele queria saber quando nós iríamos. Pediu para perguntar se tinha lugar no carro para ele e Pettigrew - obviamente esse daí não aguentou um dia no castelo sem seus amiguinhos. Eles viriam até a minha casa com pó de flú, assim você pegar os três de uma vez.
Me mande uma resposta o quanto antes, e não se esqueça de gravar alguma fita nova!
Beijos,
Kate Nicole K."
- Más notícias, Lily? - perguntou a Sra. Evans, enquanto Lily lia a carta.
A ruiva negou com a cabeça e sorriu.
- Mãe, posso ficar com o seu carro para ir até Londres depois de amanhã? Voltarei no dia seguinte.
A Sra. Evans franziu o cenho.
- Londres? O que vai fazer em Londres?
- É queElise e Sirius estão lá. O tio deles faleceu e estão limpando a casa dele para vender. Queria dar uma mãozinha a eles. Kate e mais dois amigos vão vir comigo.
- Sirius? Mais dois amigos? - seu pai fez uma cara esquisita, enquanto sua mãe ria e Lily os observava sem entender.
- Isso, dois garotos da escola, amigos do Sirius... o primo de Elise - respondeu a garota, ainda sem compreender a cara do pai.
- Quer dizer que mesmo sendo uma aberração, tem um namorado? - perguntou Petunia, falsamente inocente, agravando ainda mais a careta no rosto do pai.
Lily a fulminou com o olhar, e logo se virou para seu pai.
- Papai, eu não tenho namorado, não estou grávida e nem planejo fugir para outro país para viver em pecado. Só quero visitar a Elise.
Seu pai continuou parecendo desconfiado, até que Lily se aproximou dele e lhe deu um beijo na bochecha.
- Sabe que o único homem da minha vida é você, seu bobo! - disse docemente, abraçando seu pescoço. Sua mãe lhes observava com um sorriso, e Petunia com evidente desgosto.
O Sr. Evans foi amolecendo o rosto e no final se deixou mimar por sua filha caçula.
- Megg, emprestamos o carro?
A mãe afirmou com a cabeça. Lily bateu palmas, feliz, e deu um beijo em cada um, antes de correr para escrever para Kate.
- Ela sempre lhe convence - murmurou a Sra. Evans ao seu marido, com um corriso nos lábios.
- Não escutou o que ela disse? Sou o único homem de sua vida - disse, orgulhoso. - Se isso é verdade, minha filha pode me pedir o que quiser.
- Mark! - exclamou brincalhona, batendo-lhe com o guardanapo. - Algum dia ela vai achar um namorado...
- Algum dia, mas não dentro de duas ou três décadas, se eu puder impedir.
Petunia se levantou da mesa e murmurou algo antes de subir para seu quarto. Odiava quando seus pais esfregavam em sua cara o quão maravilhosa e especial era a sua irmã.
...
Lily começou a dirigir devagar até a casa de Kate. Não usava o carro desde o verão, quando tirou a carteira. Entretanto, não teve nenhum problema e se adaptou rapidamente. Tinha saído bem cedo de casa, então não havia muitos carros nas ruas de Surrey; colocou um pouco de música para lhe fazer companhia.
Em uma hora, chegou a Norfolk e entrou no povoado. A casa de Kate ficava ao lado da igreja, lembrou-se enquanto dirigia até lá. Por fora, parecia uma casa pequena e modesta, com a pintura da fachada um tanto rachada e a cerca do jardim oxidada; por dentro era uma mansão enorme, luxuosa e normalmente vazia, pois os pais de Kate quase sempre estavam no Ministério.
Estacionou o carro na frente da casa e desceu. Sua mãe tinha lhe obrigado a se arrumar um pouco para visitar sua amiga, mesmo Lily tendo explicado que todos estavam bastante acostumados a vê-la vestida com qualquer tipo de roupa. Também tinha dado para a filha uma cesta cheia de comida e isso, é claro, ela não negou.
Arrumou o gorro de lã, o cachecol e as luvas; estava fazendo muito frio. Se envolveu bem no sobretudo grosso que sua mãe deraa de Natal e apertou a campainha que tinha na porta do jardim, olhando para as janelas do primeiro andar. Tinha certeza que algum elfo doméstico estaria lhe observando. O portão se abriu e Lily atravessou o jardim até a porta da casa, que também se abriu pouco antes da garota chegar. Entrou e fechou a porta. Estava em um hall amplo, tão grande que caberiam duas salas de estar iguais à dela.
- Seria tão amável em esperar com os senhores até a senhorita descer? - Lily olhou para um chão, onde um elfo doméstico a encarava com seus olhos grandes e saltados, estendendo o braço para pegar seu casaco.
Lily sorriu e colocou o sobretudo nos braços do elfo. Entrou na sala de estar tirando o gorro, o cachecol e as luvas. Passou uma mão pelo cabelo, para arrumá-lo decentemente.
- Bom dia! - exclamou. Três cabeças se viraram para olhá-la, Peter, Remus e... oh, não! O que James fazia ali?
Pelo visto ele pensou a mesma coisa, porque depois de vê-la dirigiu um olhar de profunda raiva para Remus, que ignorou o amigo e continuou olhando para a ruiva.
- Como vai, Lily? - perguntou docemente.
- Bem - respondeu. "Se omitirmos o fato de que acabo de ser vítima de uma armação de uma das minhas melhores amigas, é claro", completou em pensamento.
- Senta com a gente. A Kate disse que só demoraria um pouco - Remus voltou a falar.
Lily suspirou e se sentou no sofá diante dos garotos, sentindo três pares de olhos sobre ela.
- Essa roupa te cai muito bem - soltou Peter de repente, ganhando um olhar fulminante de Remus e de James. - O quê? É verdade. Ela está bonita.
- Obrigada, suponho - respondeu Lily, alisando a blusa branca que vestia, bastante justa e com um decote cisne. Nunca tinha usado aquela peça antes, nem a calça jeans, que ajustava em seus quadris antes de cair em um corte reto.
O silêncio imperou na sala. Lily levantou o olhar disfarçadamente para observar James, e viu que ele a encarava também. Baixou o olhar, envergonhada.
- E... bem... como estão as férias? - perguntou, para acabar com o silêncio incômodo.
- Vão bem. Estudando bastante - respondeu Remus. - E você?
- A mesma coisa.
Novamente o silêncio. Se a viagem até a casa de Alphard fosse assim, duraria eternamente.
- Lils! - Kate entrou na sala com uma saia bege nos joelhos, botas altas e uma camiseta justa verde. Provavelmente tinha desfeito tranças no cabelo, que agora estava muito mais ondulado. Lily sorriu. Com certeza ela tinha se arrumado desse jeito para ver Sirius. - Estava com saudades.
E se atirou no pescoço da ruiva, rindo.
- Como foram esses dias? Foi ao cinema? Se casou com alguém?
Lily começou a rir.
- Não, não fui. E me casei, mas já pedi o divórcio. Tracy disse que casamento não está na moda.
Kate também riu.
- Bem, fica para a próxima, então. Vamos?
Todos assentiram e se encaminharam até a porta. Lily atrasou a Kate deliberadamente.
- Achou bonito simplesmente não me dizer que o James vinha? - murmurou, enquanto oss garotos saíam.
- Ah, é que eu e Remus achamos que vocês precisam se reconciliar. Estão gerando uma aura de mau humor que está afetando a todos nós - completou Kate, com uma voz de sofrimento. - Não vai querer que eu desenvolva um trauma por sua causa, não é?
Lily ergueu a sobrancelha e negou com a cabeça, enquanto caminhava até o carro, onde os garotos já esperavam.
- Espera, guarda isso - Kate lhe passou uma cesta, parecida com a que ganhara de sua mãe. - É um pouco de comida da avó de James e da mãe de Remus.
Lily guardou a cesta no porta-malas e entrou no carro.
- Posso ir na frente? - perguntou Peter, com os olhos brilhando. - Quero muito mesmo.
Os outros três se entreolharam e deram de ombros, cedendo a Peter o assento do passageiro. Uma vez lá dentro, Lily acelerou e saiu do povoado em direção a Londres.
Depois de uns minutos de silêncio, a ruiva perguntou se eles se importavam se ela ligasse a música.
- Eu escolho - ofereceu Peter, procurando no porta-luvas por alguma fita de seu agrado.
Escolheu uma que pareceu interessante.
"Em um país colorido, nasceu uma abelha no meio da luz do sol"
Kate, James e Remus se entreolharam e começaram a gargalhar exageradamente.
"E foi famosa em algum lugar... por sua alegria e sua bondade"
- Peter, tira isso - disse Lily, um tanto corada. - É uma fita de quando eu e minha irmã éramos pequenas.
"E chamaram a pequena abelha de Maya"
- Não, eu gosto - defendeu-se o garoto, movendo a cabeça no ritmo da música, enquanto os garotos no banco traseiro continuavam rindo. - Tinham que ter cantado algo assim na apresentação de Dia dos Namorados. Isso tem ritmo.
"A travessa e doce abelha Maya"
- Peter, tira isso. Anda! - disse Kate, limpando as lágrimas de risadas.
"Maya voa sem parar, em um mundo especial"
- Não! - insistiu o garoto. - Me deixem escutar a música em paz, senão eu não me concentro e não entendo o significado profundo da letra.
"Não há problema que a Maya não resolva"
- É uma música infantil, Pettigrew - disse Lily, rindo em seu lugar, vendo como o garoto cantava o refrão.
- Todos juntos! - exclamou o garoto. - E chamaram a pequena abelha de Maya - logicamente, ele foi o úncio a cantar, mas isso não o impediu de colocar todo o seu espírito na música. Kate quase engasgou de tanto rir.
...
- A próxima vez eu me sento na frente - resmungou Remus, descendo do carro. Lily tinha estacionado perto do que devia ser a casa de Alphard, situada entre casas bastante parecidas, onde seguramente moravam pessoas que trabalhavam na cidade. - Se eu escutar "a bicicletinha maluca" mais uma vez, corto os meus pulsos.
- Mas é uma música formidável! - exclamou Peter. Todos o encararam com caras homicidas. Uma hora de canções infantis foi o suficiente.
Caminharam até a cerca que rodeava o que parecia uma casa vitoriana, que necessitava de uma mão de pintura. O jardim estava cheio de folhas seccas e cresciam ervas daninhas por todos os lados. Além disso, as árvores eram grandes, de folhagem espessa e que ofereciam boa sombra. James abriu o portão de ferro e se dirigiu até a porta principal, sendo seguido por todos os outros. Bateu na porta.
Depois de alguns segundos, a porta se abriu e Sirius apareceu na entrada, usando um avental rosa com rendinhas brancas, luvas de borracha e um espanador na mão.
- AHHH! - berrou quando viu todos, tentando esconder-se atrás da porta. - Pensei que fosse o Ted!
James, Remus e Peter já estavam quase se revirando no chão de tanto rir, enquanto Kate e Lily olhavam para o outro lado e tentavam não rir. Sirius se livrou das luvas, do avental e do espanador, dando um tapa leve em James, que estava de joelhos no chão, segurando o estômago de tanto rir.
- Entrem - disse, abrindo a porta toda e conduzindo-os ao que parecia ter sido um salão, agora repleto de caixas.
- Nossa, Sirius, como sua casa está limpa! Precisa me contar seu segredo, ok? - zombou Remus.
- Certo, vocês venceram - falou o moreno, aborrecido. - Sentem em qualquer lugar... Quando a Elise chegar, eu mato ela - murmurou.
Os garotos se sentaram em diferentes bancos, poltronas e cadeiras, enquanto as garotas deixaram as duas cestas em cima de uma mesa, também cheia de caixas.
- É, bom dia a todos! - Elise entrou no salão. - Achei que iam chegar mais tarde.
- Percebemos. Pegamos o Sirius em trajes íntimos - brincou James.
- Por que não me disseram que vinham? - protestou Sirius, chateado.
- Era surpresa - Elise deu de ombros. - Como se atreve a receber os convidados sem o avental de luxo? - brincou.
- Ele estava usando - respondeu Remus, ainda rindo. - Porra, Padfoot, quando contar isso na escola...
- Não se atreva - ameaçou o garoto.
Remus e Peter voltaram a rir, e Kate também não conseguiu se segurar.
- O quê? Vai me fazer engolir o espanador?
Sirius levantou-se com intenções nem um pouco ortodoxas, mas Elise se meteu no meio.
- Venham, vamos mostrar a casa para vocês! E depois, vamos jogar todo esse lixo fora, pois esta tarde vão passam para levar o que ninguém quer.
...
A casa de Alphard era grande e parecia ainda maior agora, praticamente vazia. A única coisa que ficaram nos cômodos foram as camas, os armários e mais alguns móveis que um antiquário do Beco Diagonal buscaria daqui a alguns dias. Todos pensaram que com alguns consertos ela seria uma ótima casa, mas Sirius insistiu que era grande demais para ele, e que não se sentiria confortável morando ali, na casa de seu tio.
- Era um bom homem - suspirou Elise, quando terminaram. - E teve uma vida intensa... Ainda que tenha ficado sozinho nos últimos anos, sem a tia Margueritte e excluído pela família. Gostaria de tê-lo conhecido melhor.
Começaram a encher caixar de papelão com uma porção de coisas inpteis, como rádios quebrados, roupa puída, jornais velhos, uma bicicleta enferrujada, etc. A verdade era que Sirius e elise já tinham feito a maior parte do trabalho, e com a ajuda de cinco pares de braços acabaram logo em seguida. Só faltava sair da casa e vendê-la. Durante toda a manhã, James ignorou Lily deliberadamente, que buscava uma forma de fazê-lo, pelo menos, gritar com ela.
Comeram o tinham trazido no carro, conversando muito animados. No meio da tarde, um motorista bateu na porta e todos o ajudaram a levar as caixas para o furgão; no fim, tinham separado algumas coisas para guardar: álbuns de fotos, livros, uma câmera fotográfica, a vitrola e outras coisas de valor, como a louça, a prataria e algumas pinturas.
Decidiram dedicar a tarde para deixar o jardim apresentável, e logo depois se sentaram na varanda para conversar.
- Kate, venha aqui. Quero te mostrar uma coisa - disse Sirius de repente. Levantou-se, pegou a garota pela mão e a levou para dentro da casa. Os demais reviraram os olhos, ao ver os dois indo.
- Eu queria dar um passeio - falou Elise. - Alguém quer vir? Podemos ir até um pub aqui perto.
- Para isso eu preciso me mexer... - reclamou Peter. - Eu passo, vou dormir.
- São só oito horas! - exclamou Elise.
- Estou em fase de crescimento. Preciso dormir.
- O que está começando a crescer é a sua barriga - zombou James.
Peter fez um gesto para deixarem ele em paz.
- Então vamos? - Elise voltou a perguntar.
- Sim - responderam os outros três, juntos.
Lily, vendo que James tinha aceitado, mudou de ideia. James pareceu pensar a mesma coisa.
- Não - voltaram a responder juntos, se entreolhando chateados.
- Então não vamos? - perguntou Remus, que concordava com a ideia de que Lily e James precisavam se reconciliar, mas ainda não tinha certeza de que posição tomar a respeito de uma reconciliação "exagerada".
Elise sorriu, levantou-se e prendeu seu braço no de Remus.
- Claro que vamos - disse elea. - Eu e você.
Remus pareceu pesar as possibilidades e no fim decidiu ir com Elise, mas não sem antes lançar um olhar de aviso a James. Depois do ruído da porta fechando atrás do lobisomem e da morena, fez-se um silêncio entre os dois. James olhava para o céu, que começava a escurecer, e Lily observava suas unhas. Era o momento ideal para fazer algo, dizer alguma coisa, o que fosse...
- Acho que vou ler no meu quarto - disse James.
Lily, que tinha aberto a boca para fazer um comentário sobre o tempo - sim, completamente inputil, mas não deixava de ser uma tentativa de conversa -, assentiu com a cabeça e não disse nada. Se ajeitou na cadeira da varanda. Uma vez que James tinha ido, jogou as pernas em cima da cadeira, abraçando seus joelhos. Precisava pensar no que fazer.
...
- O que queria me mostrar? - perguntou Kate sorrindo, enquanto Sirius a levava até um dos cômodos do primeiro andar. - Espero que não seja outro avental tão brega quanto o dessa manhã.
- Brega? - disse Sirius, olhando-a de lado. - Eu acho que era muito elegante - brincou.
Kate começou a rir. Quadno chegaram à porta de uma das salas, o garoto a deteve.
- Fica na frente da porta e fecha os olhos.
Kate o olhou, desconfiada.
- Fecha os olhos, mulher! Prometo que não há nenhuma intenção premeditada de algum tipo de pecado carnal.
O olhar da garota agora mostrava perplexidade.
- Não vou fazer nada com você - explicou. - Fecha os olhos.
Kate obedeceu e fechou os olhos. Quem poderia resistir a esse sorriso? Sirius a empurrou suavemente e abriu a porta.
- Abra os olhos. Não é linda?
O que a menina viu foi uma espécie de moto, mas maior e com uma aparência bastante frágil.
- Nossa, que coisa mais... enferrujada? - disse, com cuidado.
Sirius a encarou como ela encararia Lily, se a ruiva se atrevesse a dizer que os Rolling Stones iriam se separar.
- É magnífica sim! Olha só! Alphard a guardava no sótão - passou a mão pelo assento rachado da moto. - É uma beleza... Claro que precisa de alguns ajustes, mas quando estiver pronta...
Kate o olhava, erguendo uma sobrancelha.
- Não me olhe desse jeito - disse ele. - Venha aqui. Sobe - Kate obedeceu e se sentou com cuidado, arrumando bem sua saia. Sirius sentou-se atrás dela, pegando suas mãos e as colocando no guidão. - Imagine essa beleza brilhante, com o motor rugindo e o vento sobre o rosto. A coisa não muda de figura?
A garota sorriu e virou a cabeça para olhá-lo.
- Você está maluco.
- Não dirá isso quando eu for te buscar no final das suas aulas com ela. Todo mundo vai se virar para ver como ficamos juntos nessa preciosidade - sussurrou no ouvido dela. Deslizou as mãos do guidão até seus braços, ombros e, por fim, por suas costas, agarrando sua cintura. - O que me diz?
- Que se fizer isso de novo, possivelmente terá que me levar a um hospital - murmurou a loira, abrindo os olhos e levantando-se da moto rapidamente, bastante corada. - Vamos voltar para a varanda?
Sirius, que estava sorrindo, levantou da moto lentamente, e voltou a apoiá-la contra a parede. Se aproximou da garota e saíram da sala em silêncio. Ele estava lhe encarando e ela sabia... estava ficando muito nervosa.
- Só digo uma coisa... O Filch não vai te pendurar pelos polegares se você dirigir essa coisa pelos corredores para me buscar?
- Eu não estava falando de agora, mas do ano que vem - explicou Sirius. - Quando estivermos saindo.
Kate sorriu.
- Vai usar uma burca para as pessoas não te verem saindo comigo? - perguntou, em um tom falsamente inocente.
Sirius suspirou e passou as mãos pelo rosto, exasperado. Kate, rindo, as afastou.
- Era uma piada - rodeou o pescoço dele com os braços. - Você não tem senso de humor?
Sirius a pegou pela cintura e a apertou contra seu peito.
- Tenho muito senso de humor... - disse, inclinando-se para ela.
A porta do quarto da frente se abriu e puderam ver a cara de sono de Peter, vestido em um pijama cheio de dragões.
- Se importariam de falar essas merdas mais pra lá? Estou tentando dormir. Obrigado pela colaboração - e voltou a fechar a porta.
- Essa visão cortou o clima - disse Kate, com cara de desgosto. - Argh - murmurou, fingindo um calafrio.
- Também acho - respondeu Sirius, rindo. - Mas eu o recupero rapidinho - e voltou a inclinar-se para beijá-la.
- Perdão... desculpa interromper, mas podem me deixar entrar no meu quarto? - James os encarava parado no meio do corredor que o casal estava bloqueando. Os dois se afastaram e observaram James entrando em seu quarto.
- Isso é um complô escancarado para que a gente não se beije - disse Kate. - É isso, ou um sinal de que se nos beijarmos, haverá uma catástrofe.
- A catátrofe vai acontecer com aquele que voltar a nos interromper - suspirou Sirius, pegando-a pela mão e a levando até seu próprio quarto. - Muito bem, agora...
- Essa é a coleção de discos que a Elise falou? - perguntou Kate, aproximando-se de umas caixas e pegando um aleatoriamente. - Tinha razão, são uma preciosidade e... Sirius?
O garoto tinha se jogado na cama, se perguntando porque o mundo tinha se voltado contra ele. Kate se sentou ao seu lado na cama.
- Verdade, você provavelmente está cansado - disse, fazendo carinho nas costas dele. - É melhor eu...
Sem saber como, em dois segundos era ela quem estava tombada na cama, com Sirius ajoelhado e com uma mão de cada lado de seu corpo.
Kate esticou um braço e brincou com seu cabelo, quando ele se agachou para beijá-la e, surpreendentemente, conseguiu. Suavemente, como se tivesse medo dos lábios dela fugirem do contato. Deitou ao seu lado, sem deixar de beijá-la, e ela o abraçou, pressionando o corpo contra o seu aao mesmo tempo em que aprofundava o beijo, brincando com sua língua. Kate deslizou sua boca até o pescoço dele e mordiscou levemente, continuando com pequenos beijos que deveriam estar atingindo os lugares certos, porque o garoto não conseguiu conter um gemido baixo. Ela se levantou um pouco e começou a traçar um caminho entre sua orelha e seu pescoço novamente. Sirius estava ficando louco, e acariciava suavemente suas costas, deslizando suas mãos por dentro da camiseta dela. Ela voltou a beijar seus lábios, e ele devolveu o beijo com paixão. Kate se separou um pouco para respirar e deitou na cama, de boca aberta.
- Isso deve ser bom para a pele - murmurou, com o olhar sonhador.
Sirius apoiou a cabeça sobre uma mão e mexeu carinhosamente no cabelo loiro.
- Fica e dorme comigo - sussurrou. Kate o olhou hesitante, e se levantou para dizer algo. - Só dormir, mais nada. Quero te ter perto de mim.
Kate não disse nada, mas lhe deu beijo suave nos lábios, enrolando-se ao seu lado. Sirius a abraçou e beijou seu cabelo. Kate tinha razão. Aquilo devia ser bom... Senão, de onde vinha a sensação de que tudo estava perfeito?
...
Elise e Remus voltavam do pub onde tinham tomado algumas cervejas e conversado. Elise ajeitou seu casaco para se proteger do frio, e Remus se pôs atrás dela, para esfregar seus braços.
- Você está preocupado com a Lily? - perguntou a garota, enquanto caminhavam para casa.
- Na verdade... acho que não mais. James já demonstrou que está apaixonado por ela até o último fio de cabelo - disse Remus, rindo. - É uma pena que não conseguem se acertar.
- Sim, e parece que a armação de hoje não serviu para nada - Elise suspirou. - Está começando a chover - sussurrou, sentindo uma gota cair em sua cabeça. Olhou para o garoto. - Devíamos nos apressar.
Remus ergueu o olhar. As gotas começaram a aumentar.
- Uma corrida? - propôs o lobisomente, segurando-a pela mão e começando a correr.
Mas a chuva foi mais rápida; em dois minutos estavam ensopados e ainda longe de casa. Para completar, Remus tropeçou na calçada e caiu no chão, sendo seguido por Elise. Riram. Os dois molhados até a medula, debaixo da chuva, sem parar de gargalhar. Remus se levantou e ajudou Elise a fazer o mesmo. Fizeram o resto do caminho lentamente. Remus abraçava Elise pelos ombros e ela apoiava a cabeça em seu ombro, rindo da chuva e a ignorando.
Chegaram em casa um pouco depois.
- Espera - disse o garoto. - Preciso te pegar no colo, ou você vai molhar os pés.
Elise se pôs a rir. Na verdade, tinha uma piscina portátil em cada um de seus sapatos, mas deixou-se ser carregada. Remus começou a girar em torno de si mesmo, rindo e deixando Elise tonta, sem aguentar mais. Estava bêbada de alegria e de juventude. Voltaram a cair no chão, dessa vez na grama. Elise o beijou em um rompante de momento, com a pele gelada e a chuva escorrendo por todas as partes de seu corpo. Remus correspondeu ao beijo e a ajudou a se levantar novamente. Segurou sua cintura e levantou Elise, que entrelaçou suas pernas no quadril do garoto. Continuaram se beijando com paixão, sentindo a respiração do outro, a pele úmida. Elise, então, separou-se para respirar, e Remus a colocou no chão. Sorriram.
- Deveríamos entrar - disse Elise, pegando-o pela mão e indo até a porta. Bateram. Foi Lily quem abriu um momento depois, já de pijama, segurando um livro.
- O que, diabos, vocês fizeram? - exclamou, ao ver os amigos ensopados e cobertos de grama, sorrindo misteriosamente. - Melhor, não me falem nada. Acho que prefiro não saber - virou-se, para voltar para seu quarto.
- Boa noite, Lily - disse Elise.
- Tirem os sapatos, ou Sirius vai matar vocês por sujarem o chão - despediu-se, antes de subir as escadas que levavam ao seu quarto.
Então Remus beijou Elise, com mais suavidade do que no jardim, e ela correspondeu ao beijo. Logo subiram as escadas, deixando um rastro de água para trás, voltando a se beijar em frente à porta do quarto de Elise. Entreolharam-se, conscientes da explosão sensual que inundava seus corpos nesse momento; mas ambos sabiam que não era a hora, então, sem dizer nenhuma palavra, Remus lhe deu um beijo na testa e foi para seu próprio quarto.
* Obviamente, essa fic não leva em conta as revelações sobre a vida de Severus Snape feitas a partir de "A Ordem da Fênix".
Nota da Tradutora: Gente, a tensão sexual entre os casais é tamanha que dá para cortar com uma faca. Sério, adoro Kate e Sirius, Elise e Remus e Tracy e Artemis. E a Lily e o James precisam se acertar logo! Bem, digamos que no próximo capítulo os dois vão dar um passinho (ou mais) em direção à reconciliação. Uhul! Obrigada pelas reviews e pelas leitoras que resolveram esperar a tradução. Faltam poucos capítulos para o final. Será que conseguimos fechar com 100 reviews? Espero que dê, haha. Beijos e até a próxima semana.
