Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 21 - Nem tudo é tão fácil |
Elise levou as mãos para a nuca do garoto, fazendo carinho com os dedos. Sorri enquanto ele a abraçava e a puxava contra seu corpo.
- Acho que precisarei de muita ajuda. - Remus enterrou sua boca no pescoço da garota, percorrendo com a língua a fina pele de sua garganta. - Oh, sim - murmurou -, bastante ajuda.
- Ahhhhhh! - gritou um voz. Ambos ergueram a cabeça, aborrecidos, para ver quem era.
- Você não - reclamou Elise, em um sussurro.
Sirius e James estavam plantados na metade do corredor, vestidos com seus uniformes de Quadribol e seus belos queixos caídos uns cinco centímetros mais abaixo do que o normal.
- Traidor! - exclamou Sirius, cheio de fúria. - Quer dizer que o verdadeiro perversor da minha prima é você? Meu próprio amigo? Sangue do meu sangue?
- Cara, isso de sangue do seu sangue... - disse James, sorrindo ao seu lado.
- Estou indignado! - reclamou Sirius.
- Sim... Por que não nos contaram que são namorados?
Elise se soltou de Remus.
- Quem aqui falou sobre namorados? - perguntou ela. - E você, primo, não se mete na minha vida!
- Não estão juntos? - questionou James, confuso.
- Não - disse Elise.
- Sim - falou Remus, ao mesmo tempo. - Um momento... não estamos juntos?
James coçou a cabeça, pensativo, enquanto Sirius rapidamente se enfiava entre sua prima e seu amigo.
- Não estamos juntos? - perguntou Remus, de novo.
- Que eu saiba, não discutimos esse ponto ainda - respondeu Elise.
- Acho ótimo que... - Sirius continuava falando, no meio do casal.
- Cala a boca! - Remus e a morena disseram ao mesmo tempo, empurrando o outro garoto, que se pôs ao lado, assustado.
- Bem, tecnicamente não estamos juntos, mas na prática... Quer dizer, quer ser minha namorada, certo? - perguntou o lobisomem. Elise enrolava uma mecha do cabeço úmido em seu dedo. - Não é?
A garota suspirou e o encarou, séria.
- Você gosta de mim, Remus?
- Ok, eu não quero escutar isso - disse James, desaparecendo rapidamente pelo corredor. - E você também não, Almofadinhas.
- Ei, eu quero ouvir sim! - protestou Sirius.
James agarrou seu amigo pelo colarinho da túnica e o arrastou dali.
- Claro que eu gosto de você, Elise - disse o garoto, parecendo magoado. - O que estávamos fazendo aqui antes, se não gostasse? Por acaso você não gosta de mim?
Elise suspirou e se apoiou contra a parede.
- Claro que gosto, há muito mais tempo que você de mim. Disse que gosta de mim... isso é um problema.
- Por causa do Didrell - soltou automaticamente, com uma voz um tanto amarga.
Elise o olhou, confusa, e logo negou com a cabeça.
- Mas você vai para a França com ele - continuou o garoto, parado em seu lugar.
- Vou para a França, onde há 50 milhões de franceses e, casualmente, ele é um deles - contestou Elise. Remus pareceu magoado de novo. - Juro que o problema não é o Didrell.
Remus se aproximou e ergueu o queixo dela, obrigando-a a lhe olhar nos olhos.
-Então qual é? - Elise voltou a desviar o olhar. Remus se afastou novamente. - Olha, Elise, não vou dizer que gosto de você desde sempre, porque é mentira; mas agora eu gosto. Muito. Pensei que nós estávamos saindo... não entendo nada, Elise - acabou.
Pela primeira vez desde que a conhecia, Elise pareceu não saber o que dizer. Se ajeitou e foi até Remus, acariciando suavemente o braço dele.
- Não é por causa do Didrell, Remus. Nem porque estou indo para a França.
- Por quê, então? - perguntou, como se não acreditasse nela.
Novamente o silêncio.
- Não posso... não quero dizer, Remus. Preciso encarar isso sozinha, está bem? - suspirou. - Acho que vai ser melhor se acabarmos com isso.
- Acabarmos com o quê? - questionou amargamente, começando a andar pelo corredor. - Se lembro bem, não estamos juntos.
- Remus... - disse, com uma voz suplicante.
- Faça o que quiser, Elise - o garoto estava de costas. - Volte com o Didrell ou vai esconder mais segredos. Sinceramente, eu não ligo - mentiu, enquanto sumia pelo corredor.
...
Sirius e James chegaram à entrada do Salão Comunal, o moreno ainda resmungando. Justamente nessa hora, Artemis e Tracy saíam, de mãos dadas. A loira estava corada, pois ao passar pelo Salão todos tinham começado a cochichar. Mas Artemis apertou sua mão e isso a ajudou a passar por todos de cabeça erguida.
- Ei, casalzinho feliz - cumprimentou Sirius. - Vocês saberiam me dizer onde está a Kate?
Artemis e Tracy negaram com a cabeça.
- Elise, Lily e ela estavam no Salão Comunal faz dez minutos... agora, nem ideia - respondeu Artemis.
- Elise estava por aí com o Remus, agora mesmo - disse James sorrindo, enquanto Sirius fazia careta. Tracy e Artemis se entreolharam, ele com um sorriso e Tracy completamente aniquilada. - Ei, Tracy... você está bem? - perguntou.
A loira voltou a corar e baixou o olhar. Artemis apertou sua mão e olhou para James, negando ligeiramente com a cabeça. O garoto entendeu que aquele não era o momento.
- Nós vamos até a cozinha - falou Artemis, para romper com o silêncio. - Peter está aí dentro.
James e Sirius agradecerem os dois e entraram no Salão Comunal, enquanto o casal sumia pelo corredor. Os Marotos logo notaram a pressão do Salão Comunal. Peter, que estava sentado com alguns alunos do sexto ano, levantou-se ao vê-los e explicou o que tinha acontecido, assim que os garotos perguntaram. James procurou as garotas do NTCMSP com o olhar, mas elas já tinham subido para seus dormitórios.
- Elise deu um tapa na cara da Gilda - Peter terminou de contar. - Parecia bastante chateada.
- Minha prima mandou bem - murmurou Sirius. - Não contem a ela! - exclamou rapidamente, ameaçando James e Peter.
- Não pensei que fossem tão... - começou James.
- Vadias - ajudou Sirius. James assentiu. - Sim... sim, nós sempre nos demos tão bem com elas...
- Até que conhecemos garotas com personalidade - murmurou James, meio que para si próprio, mas Sirius pareceu escutar. - Mudou bastante.
Sirius coçou o pescoço com um semi sorriso, e olhou para Peter.
- Viu a Kate? - perguntou.
- Saiu com a a Lily, faz uns minutos, mas não sei para onde.
Nesse momento Remus entrou no Salão Comunal, cumprimentando seus amigos com a cabeça antes de subir para o quarto. Parecia irritado.
- O que aconteceu? - perguntou Peter, sem entender.
Sirius deu de ombros e James disse "mulheres", suspirando. O retrato da Mulher Gorda voltou a abrir, e desta vez foi Elise quem entrou e se aproximou deles, com o semblante abatido.
- Entreguem isso ao Remus - murmurou, passando a túnica que o lobisomem deixou com ela para o James. Também subiu rapidamente para seu dormitório.
- Essa mulher? - perguntou Peter, apontando-a com a cabeça. Os outros confirmaram. - Sério... essas garotas estão te deixando malucos - disse, desgostoso.
Lily e Kate saíram do banheiro dos monitores depois de se ajeitarem um pouco e secarem suas roupas com a ajuda das varinhas. Achavam que o tempo de intimidade que tinham deixado para Tracy e Artemis estava de bom tamanho e que já podiam entrar em seu dormitório para tomarem uma boa ducha e trocarem de roupa, que cheiravam a algos e lodo.
- Acho que vou tingir de alaranjado - disse Kate, de repente. - Vou usar uns feitiços permanentes.
- Eu gosto do seu cabelo - disse Lily, erguendo uma sobrancelha. - Além disso... alaranjado?
- Sim, como ruiva, só que mais claro... Estou cansada de ser loira. Quero mudar um pouco.
Lily encolheu os ombros.
- Eu conheço um lugar que faz isso muito bem - as garotas se viraram; Artemis e Tracy vinham pelo corredor, de mãos dadas, e com um grande pote de sorvete nas mãos.
- Sorvete! - exclamou Lily, correndo até seus amigos. Artemis precisou erguer o braço para que Lily não roubasse o pote.
- É mesmo? - perguntou então Kate, aproximando-se de Tracy. - Pois terá que me contar onde é, assim que os exames terminarem eu vou.
- Chisp, Lily, pare! - dizia Artemis, rindo enquanto se esquivava de sua amiga. - Este sorvete é só para pessoas deprimidas.
Lily emitiu um resmungo, enquanto os outros três caminhavam para o Salão Comunal.
- Mas eu estou muito deprimida! - queixou-se. - Hmmm... Minha irmã me odeia e quando eu tinha sete anos, a minha tartaruga morreu - contou a garota, procurando entre suas lembranças tristes, entrando no Salão Comunal.
- Você também odeia a sua irmã - respondeu Kate. - E a sua tartaruga morreu porque você deu um banho nela com sabão de limpar chão.
- E eu lá sabia qual era o pH neutro das tartarugas! - defendeu-se.
- Não sei, mas 2,5 definitivamente não é - apontou Artemis.
Lily continuou resmungando e começou a resmungar ainda mais quando Kate correu para o chuveiro. Tinha ficado sem sorvete de chocolate e sem o seu banho.
- Ei, Lils!
Virou-se; James e Sirius estavam sentados nas poltronas perto das janelas, e faziam sinais com as mãos. Aproximou-se um pouco menos chateada.
- Olá - disse, deixando-se cair no sofá ao lado de Sirius. James franziu um pouco o cenho; ao seu lado tinha muito espaço.
- Você está com um cheiro estranho - reclamou o moreno.
- Eau de Toilet* 'O lago de Hogwarts' - respondeu. - Tomamos um banho de roupa e tudo e agora a sua namorada se enfiou no banheiro, enquanto eu preciso continuar fedendo à Nessie* por toda a vida.
* Eau de Toilet: Água de colônia, em francês.
* Nessie: Referência ao monstro do Lago Ness.
foi quando Kate apareceu e se aproximou deles.
- Elise está no banho - explicou, sentando-se entre Sirius e James. - E depois é a minha vez - disse, encarando a ruiva.
Lily revirou os olhos.
- Você pode tomar banho no nosso dormitório - disse Sirius, olhando Kate. Ela o encarou, desconfiada. - Remus está lá também - esclareceu o moreno, rapidamente.
Kate pareceu pesar as possibilidades e logo se levantou.
- Vou buscar o meu shampoo e essas coisas... - falou, corando. A ideia de tomar banho onde seu namorado tomava era bastante... excitante.
Em dois minutos voltou com tudo o que precisava em sua mochila, pois não era necessário toda a escola ficar sabendo que iria tomar banho no quarto dos Marotos. Sirius a pegou pela mão e se pôs a rir quando a viu tão vermelha.
Lily olhou de relance para James, que estava ao seu lado, e viu que ele estava lhe observando. Olhou novamente para frente.
- Seu perfume é bastante sensual - disse o garoto, e desta vez Lily o encarou, com uma expressão falsa de aborrecimento.
- Sim, as algas são um afrodisíaco potente - respondeu a garota.
- Não preciso delas, de qualquer forma - sussurrou ele em sua orelha, baixando a cabeça com a intenção de beijar o pescoço dela, mas a ruiva o parou com a mão.
- Aqui não, podem nos ver - murmurou, em tom de reprimenda.
James suspirou, desgostoso, e voltou a adotar a posição de antes.
- Em todos os lugares podem nos ver - reclamou. - Desde que voltamos, não pudemos ficar mais do que cinco minutos sozinhos. E posso contar nos dedos de uma mão as vezes que consegui te beijar sem que você tenha se separado de mim de repente, só porque escutou algum ruído.
- James... - ela começou.
- James nada. Não estou te pedindo para colcarmos um anúncio no Profeta ou algo do gênero. Só quero poder te beijar com toda a tranquilidade do mundo, sem ter a sensação de que estou fazendo algo que não devo!
A ruiva baixou o olhar e coçou a testa.
- Não é fácil para mim.
- O que não é fácil? - questionou, em um tom brusco.
- Veja bem - disse, erguendo o olhar. - Você já ficou com um monte de garotas e também saiu com várias. É como se você fosse uma lenda do colégio. No momento em que me virem em seus braços, todo mundo tentará te convencer de que eu sou inadequada para você e tratarão de me humilhar. Me nego a passar por isso.
James não desviou seu olhar dos olhos verdes da garota.
- Realmente se importa tanto assim com os outros, Lily? Você se comporta como se nada que eles pudessem pensar te afetasse, mas só age assim porque é mais vulnerável a críticas do que qualquer um...
- Isso não é verdade!
- É verdade sim - interrompeu. - Me beija aqui, na frente de todo mundo, para demonstrar que não é.
Lily o encarou, chateada, e abriu a boca para reclamar, sem encontrar as palavras necessárias.
- Viu só? - disse James, entre triunfante e irritado. Levantou-se da poltrona. - Vou embora antes que as pessoas comecem a imaginar porque nós dois estamos aqui sozinhos.
Lily ficou mais uns segundos no sofá, refletindo, e logo se levantou também. Entendia James, mas não se sentia capaz de demonstrar o que sentia por ele em público. Era vulnerável?
Quando chegou em seu dormitório, viu Tracy e Artemis sentados no chão, apoiados contra a cama da garota, enquanto comiam o sorvete que descansava no colo do garoto e conversavam aos cochichos. Ao menos Tracy estava melhor. Sorria e se apoiava em seu namorado. Na verdade, seria perfeito se pudesse fazer isso com James sem se preocupar se os outros os encaravam ou não. Sacudiu a cabeça enquanto pegava suas coisas e entrava no banheiro. Elise estava em sua cama, com as cortinas fechadas. Quando passou diante do casal, lançou um olhar interrogativo para entender o que estava acontecendo com a morena, mas os gestos dos dois mostraram que não tinham nem ideia.
Elise não saiu da cama a tarde toda, nem para jantar. Se Lily ou Kate tivessem feito isso, certamente os demais teriam se enfiado na cama delas para falar sobre seus problemas. Mas Elise era diferente. Poucas vezes sofria alterações de humor e quando tinha algum problema, se fechava em si mesma e logo sempre acabava contando para seus amigos. Entretanto, ela precisava da solidão, então todos a deixaram tranquila.
No dia seguinte, quando se levantaram para o café da manhã, a morena já estava acordada e com o mesmo ânimo de sempre, descansada e cheia de energia. Seu comportamento antes das aulas foi completamente normal, exceto por um lapso que teve quando os Marotos se juntaram a eles no café, quando se manteve calada por um instante.
No meio do café da manhã, Dumbledore pediu a atenção de todos por um momento e passou os horários dos NOMs e dos NIEMs, que começariam em menos de um mês. Também solicitou que os dois Monitores-Chefes se reunissem com ele em seu escritório no final das aulas, para debater um assunto importante. Lily começou a avaliar qual seria "um assunto importante" para o diretor. Talvez a recolocação dos quadros? Se o melhor era creme ou arroz doce como sobremesa no dia seguinte?
Olhou para James para perguntar sua opinião. Ele estava justamente à sua esquerda, muito sério. Suspirou. Certamente continuava irritado. Vencendo a vergonha, fez algo que nunca tinha feito antes. Sem deixar de tomar seu café, colocou sua mão na coxa de James e fez um suave carinho com as pontas dos dedos. A tentativa de chamar sua atenção pareceu dar resultado, porque o garoto congelou com a torrada a meio caminho da boca e a encarou, confuso. Ela se virou para sorrir para ele, sem parar o carinho na perna. O garoto retribuiu o sorriso. Lily achou, então, que estava perdoada, e lhe deu uma palmadinha na coxa antes de retirar a mão e voltar a fixar sua atenção na comida. Mas notou algo em sua perna que a fez ficar vermelha instantaneamente: James estava fazendo o mesmo que ela havia feito há alguns segundos. O olhou, com a intenção de repreendê-lo, a medida que se acalorava, mas James se fingiu de desentendido.
- Lily, você está bem? - Tracy, que estava de frente para a garota, a olhava, desconfiada.
A ruiva deu um pulinho no banco para se livrar da mão de James.
- Oi? S-sim, estou bem, só está fazendo um pouco de calor, não é mesmo? - perguntou ela, com um risinho nervoso.
- Sim... - respondeu Tracy, não muito convencida. Artemis a observava também, mas ele ria e lhe piscou um ollho.
Lily olhou para a mesa. Era tão embaraçaso! E a mão de James tinha voltado. Voltou a olhá-lo, ofendida, mas ele nem ligava. Então Kate começou a falar não sei o quê sobre algumas músicas, mas era difícil se concentrar com a mão de James percorrendo toda a sua coxa! Maldita hora em que resolveu fazer aquilo.
Ainda que, de verdade, não era ruim...
Pouco depois, todos se levantaram para irem às suas aulas. Lily percebeu que Artemis ficou para trás, enquanto Tracy conversava com Kate e James.
- Do que você quer falar? - perguntou Lily, acompanhando seus passos. Artemis sorriu. - Se quer saber o que aconteceu no café... - disse, começando a corar novamente, inventando uma desculpa sobre conforme andava.
O jovem se pôs a rir.
- Já sei o que aconteceu no café, Lily. Ainda que eu teria preferido que você me contasse antes de eu descobrir sozinho - contou, não sem uma certa reprovação na voz.
Lily sorriu timidamente.
- Então não queria perguntar por...
- James? Não. Certamente vocês estão bem com essa coisa de se esconder... - Lily abriu a boca para contestar. - Tanto faz, não era sobre isso que queria conversar contigo.
- Sobre o quê, então? - perguntou, sossegada por não ter que falar de James.
- Elise.
Lily não respondeu em seguida.
- Então você também notou? - perguntou, finalmente.
- Ela está estranha desde que voltamos das férias... - disse Artemis, com uma voz preocupada. - E às vezes eu a vejo... triste, como se estivesse tão perdida em seu mundo que até se esquece dos demais.
Lily assentiu.
- Na verdade, percebi que ela está preocupada desde que fomos visitá-la na casa do seu tio Alphard. Kate me disse que Elise desapareceu uma manhã inteira e não deu explicações sobre onde ia. De vez em quando, fala coisas mais para si mesma que para os outros... e ainda tem o Remus.
Artemis ergueu as sobrancelhas, com uma cara confusa.
- O que tem o Remus?
- Elise gosta dele. E o Remus gosta dela. Só que ela me veio com essa história de que não pode sair com ele, ao menos não agora. E mais umas coisas sobre o tipo de relacionamento que não pode construir nesse momento.
- Por quê? - perguntou o garoto, desconfiado.
Lily encolheu os ombros e negou com a cabeça.
- Algo está acontecendo.
- Sabe que não podemos descobrir nada da Elise. Sempre quem acaba nos contando tudo é ela mesma - lembrou Artemis.
- Sim, mas dessa vez parece ser algo... algo grave - completou a ruiva, enquanto entravam na sala.
Artemis concordou e colocou uma mão sobre o ombro da amiga.
- Esperaremos alguns dias, certo? Logo veremos o que fazer.
A ruiva assentiu.
- Já falou com a Kate? - perguntou, de repente.
Balançou a cabeça, afirmando.
- Ela também notou. Parece que temos sensores para essas coisas - brincou o garoto. Lily sorriu um pouco, melacolicamente. - Venha aqui, Lils - disse, dando-lhe um forte abraço e balançando a garota de um lado para o outro. - Certamente não é nada.
Ela se separou, parecendo mais aliviada, e foi ocupar seu lugar junto com Elise, que novamente parecia estar tão normal como sempre. Lily não pode evitar olhá-la com certa apreensão. Artemis se juntou à Tracy, que o recebeu na mesa com um beijo.
Depois da última aula, Lily se despediu de suas amigas e saiu diretamente para o escritório do diretor. James já a esperava fora da sala, encostado contra uma parede. Sorriram. A irritação do Maroto tinha desaparecido, pelo menos por alguns dias.
Enquanto andavam pelo corredor, Lily olhou rapidamente sobre o ombro, e com um gesto rápido atraiu James para si e o beijou, mordendo com ternura seu lábio inferior. Após uns breves segundos, se separou dele e continuou caminhando para o escritório do diretor.
- Lily! - reclamou o garoto comicamente, plantado no meio do corredor.
- Isso foi pelo café da manhã - lembrou a ruiva, sacudindo um dedo em um gesto de reprimenda.
- Lily! - voltou a dizer, alcançando-a com duas passadas. - Isso não se faz - sussurrou, perto de sua orelha.
Ela o afastou, como se fosse um mosquito irritante.
- Também não se deve passar a mão enquanto se come.
O garoto fez uma cara de desgosto.
- Se é quando você deixa... - murmurou, um pouco chateado. Lily o olhou de relance.
Continuaram caminhando até encontrarem a gárgula que levava ao escritório de Dumbledore. Assim que falaram a senha e subiram as escadas de pedra, bateram na grande porta de entrada. Não houve resposta. James voltou a bater com mais insistência e obteve a mesma resposta. Então, empurrou a maçaneta; a porta estava aberta.
- Vamos esperar lá dentro.
- James, não acho que... - mas o garoto já tinha entrado no escritório e estava remexendo nos apetrechos do diretor, com curiosidade. A ruiva revirou os olhos. - Enfim...
Entrou no escritório e fechou a porta. Logo ficou muito quieta, de pé no meio da sala, encarando James, emburrada.
- O diretor vai se aborrecer se te pegar mexendo nas coisas dele - apontou Lily. James estava dando uns tapinhos em um monte prateado que emitia uns ruidinhos parecidos com assobios.
- Ele não liga - disse James, depositando o apetrecho sobre a mesa e desviando sua atenção para uma espécie de pêndulo. - Sempre mexo em seus brinquedos e ele nunca me disse nada.
- Mas certamente se irrita - teimou Lily, cruzando os braços.
James continuou, sem se importar.
- Olha só, o chaveiro que tivemos que recuperar no dia da prova - e o ergueu, usando uma argola. - Ao menos poderia ter nos confiado algo de mais valor - disse, deixando o objeto para trás e se afastando dos apetrechos do direto, para o prazer de Lily. O que ela não gostou tanto foi que ele resolveu se aproximou dela, que começou a retroceder.
- Hmmm... James, esse não é o momento - ameaçou, quando suas costas bateram na parede.
James apoiou suas mãos uma de cada lado da cabeça de Lily.
- Não é o momento do quê? - perguntou, aproximando seu rosto do dela. Seus narizes se tocavam.
- Estamos no escritório do diretor - sussurrou a ruiva.
Mas James estava fazendo algo com sua boca na orelha da garota que, para seu pesar, estava gostando muito.
- James - voltou a sussurrar, mas o garoto não ligou. Beijou a nos lábios, apenas roçando-os, e se afastou. Voltou a repetir o mesmo gesto um par de vezes, até que Lily, impaciente, o puxou para si pelo colarinho da camisa, beijando-lhe com paixão. James a rodeou pela cintura e a estreitou contra seu corpo.
- Hm, hm. Belo dia, não acham?
Interromperam o beijo em um estado perto da perda de controle. O diretor não olhava para eles, mas sim observava os terrenos da escola pela janela; o reflexo de seu rosto no vitral, denunciava que estava sorrindo. Lily se penteou e se certificou de que toda a sua roupa estava no lugar certo, enquanto James passava a mão pelo cabelo.
- Queria nos ver, senhor? - perguntou, enquanto ajeitava os óculos.
Dumbledore virou-se e os olhou com seus olhos arregalados, como se tivesse esquecido que eles estavam ali.
- Sim, crianças. Sentem um momento - fez uma firula com a varinha, fazendo aparecer um par de cadeiras rosa com pontinhos no encosto. Lily e James sentaram. - Bom, bom... quer dizer que estão juntos?
James teve que disfarçar uma risada, enquanto Lily corava.
- Com todo o respeito, senhor diretor, nos chamou para isso? Eu penso que este não é um tema a ser debatido - disse, muito séria.
O ancião alisou a barba.
- Que enfadonha, Srta. Evans... - a garota fez uma careta de desgosto e James já não fazia nada para esconder as gargalhadas. - Mas se está com tanta presa... Chamei-os para uma detenção.
Se Fawkes tivesse começado a dançar cancan nesse instante, os dois jovens não teriam ficado mais surpreendidos.
- Detenção? - perguntaram, incrédulos.
- Sim. Não pensavam que a briga com o Sr. Snape ficaria sem o devido castigo - explicou, com um tom de voz mais sério.
- Mas senhor, a Lily não fez nada - falou James.
- A Srta. Evans não notificou o ocorrido, como se supõe que ela deveria ter feito. Quem me avisou foi o próprio Sr. Snape, por isso ele, além dos pontos perdidos, não cumprirá nenhuma detenção.
A ruiva baixou o olhar. Claro que não tinha dito nada, não queria que expulsassem James. Ele então se levantou da cadeira, muito aborrecido.
- Mas diretor! Esse rato só contou para que o senhor tirasse nossos distintivos! Não percebe? - Lily puxou-o pela manga da túnica e o fez sentar-se de novo. Logo apertou sua mão, tentando lhe acalmar. O diretor continuou encarando-os, fixamente.
- Eu sei, James - suspirou, fazendo com as rugas marcassem ainda mais o seu rosto. - Mas preciso fazer algo, não podem simplesmente se livrar da punição. Ao invés de tirá-los de seus cargos, vou fazer com que sirvam de exemplo. Vocês ficarão encarregados de preparar a formatura dos alunos do sétimo ano, e tudo o que isso implica, incluindo o jantar e o baile. E, logicamente, o discurso de formatura.
- Baile? - perguntou Lily. - Nunca houve um baile de formatura.
Dumbledore recuperou o sorriso.
- Bem, é que fiquei com vontade de dançar depois do Dia dos Namorados. Achei conveniente organizar um baile.
- Mas senhor... a formatura... é... temos os exames! - reclamou a garota.
- Ainda terão uma semana depois dos exames para preparar tudo, Srta. Evans - disse, com um olhar doce. - Além disso, certamente encontrarão voluntários.
James e Lily se entreolharam. Os outros lhes dariam uma mão, nisso ele tinha razão.
Isso era tudo o que deveríamos conversar - terminou o diretor. - Qualquer dúvida que tiverem... - os garotos assentiram e levantaram, entendendo que Dumbledore dava por encerrada a reunião. Saíram do escritório um pouco cabisbaixos.
Enquanto desciam as escadas, Lily observou o garoto, de relance. Tinha o semblante endurecido, certamente pela menção à Snape. Esfregou suavemente o ombro dele, que rapidamente se virou com um sorriso nos lábios e lhe deu um beijo rápido. Lily continuou lhe encarando. James era bom e queria estar com ela. Uma coisa tão simples como essa parecia inundá-la com uma emoção absoluta que tornava difícil respirar. Sentia que podia gritar até ficar rouca, sentia-se mais viva quando ele a tocava... Sentia o amor. Isso pareceu adquirir mais significado essa tarde, quando saíram do escritório do diretor, e Lily precisava contar e demonstrar... E aí que estava o problema, em demonstrar. Não se sentia capaz.
- Não acha que Dumbledore exagerou dessa vez? - perguntou simplesmente, com um sorriso. - Baile de formatura... parece tirado de um filme medíocre de Hollywood.
James sorriu e a puxou para si, pela cintura.
- Sim, mas vou gostar de ir a um baile com você - sussurrou. - Se quiser ser minha parceira, é claro.
Lily ergueu o olhar, franzindo um pouco os lábios.
- Oras, vamos, Lils! Podemos ir ao baile e parecermos amigos... Vai me negar isso também?
A ruiva notou que o garoto voltava a se aborrecer, assim rapidamente concordou com a cabeça e mudou o assunto da conversa. Veria o que podia fazer... ainda que ela também tivesse vontade de ir a um baile com ele, por mais brega que isso soasse.
- Um baile?! UM BAILE! - gritou Tracy entusiasmada, no meio do jantar. Todos os alunos da escola pararam para escutá-la.
Lily pousou um dedo nos lábios.
- Dumbledore não disse que podíamos anunciar - falou. - Supõe-se que não é nada oficial.
- Ah, mas que emocionante! - exclamou, batendo palmas. - Vão ter que me deixar ajudar a organizar tudo, a decoração, o anuário, a música, a comida...
James e Lily fecharam a cara e trocaram olhares a medida que Tracy seguia enumerando. Realmente precisavam fazer tantas coisas?
Lily notou uma mão em seu ombro. Virou-se; Artemis sorria.
- Nós vamos ajudar vocês.
A ruiva suspirou e sorriu agradecida.
- E qual dos dois fará o discurso de formatura? - perguntou Kate, timidamente.
- James - falou a ruiva.
- Lily - disso o garoto, ao mesmo tempo. Logo eles se olharam, chateados. - Por que eu? - reclamou.
- E por que eu? - repetiu ela. - Você fala melhor em público e essas coisas.
James ia abrir a boca para protestar, mas Elise se adiantou.
- Eu também acho que deveria ser você, James. Não sei, você é mais... representativo - disse finalmente a morena, ao que Lily concordou.
- Mas Lily é a primeira da turma - interrompeu Remus. - Ela é quem deveria fazer o discurso.
Elise o olhou, irritada. Os outros se calaram, já que a tensão nesses momentos saturava o ambiente.
- James também é um dos primeiros da turma - disse ela.
- E Lily participa da maioria dos clubes.
- Mas o seu forte não é escrever - apontou a garota.
- Ei! - reclamou, então, a ruiva.
- Acaso se lembra da primeira versão da carta para James? - falou a morena. Lily teve que abaixar a cabeça, um pouco chateada com sua amiga. Os demais seguiam a discussão entre a morena e o lobisomem, como se fosse uma partida de ping pong.
- E por que você precisa se meter, se não tem nada a ver contigo? - devolveu Remus.
- Por que você está se metendo? - exclamou Elise, com raiva.
- Porque você se meteu antes! - gritou ele, levantando-se e dando um soco na mesa.
Agora quase todo o mundo estava observando-os.
- Tem algum problema, Lupin? - ela também se levantou.
- Não! O problema é você! - disse, apontando-a.
- Ótimo! - exclamou Elise, raivosa. Recolheu seus livros e saiu rapidamente do Salão Principal.
- Ótimo! - gritou Remus, antes que ela desaparecesse pela porta de entrada. Logo desabou sobre o banco.
Seus amigos observavam a cena, em silêncio. Kate e Lily trocaram olhares suspeitos e assentiram; já esperavam algo assim. Levantaram-se e seguiram sua amiga. Tracy e Artemis hesitaram um momento, mas logo se uniram a elas.
Remus continuava encarando seu prato de comida, alheio aos cochichos ao seu redor e aos olhares preocupados de Sirius e James.
- Aluado... - sussurrou o moreno. O garoto não ligou. - O que está acontecendo, amigo?
- De novo não teve resposta. Desta vez, foi James quem tentou.
- Remus...
- Eu pensava que... - começou o lobisomem, de repente. - Sei lá, não sei o que o pensava. Achava que ela estava no mesmo ponto que eu. Gosto muito dela - completou, quase em um sussurro.
Sirius lhe deu um tapinha no ombro, mas não disse nada mais.
...
Quando chegaram ao dormitório das garotas, Elise não estava lá. Certamente tinha pensado que dessa vez não se livraria do interrogatório e acabou indo se refugiar em outro lugar. Depois de esperarem por ela até altas horas da noite, as meninas decidiram ir para a cama, resignadas.
Na manhã seguinte, quando se levantaram, Elise já estava no quarto, vestindo-se e guardando o pijama.
- Bom dia - ela as cumprimentou, quando viu que tinham acordado. - Se não se apressarem um pouco, não vamos chegar a tempo para o café.
Lily trocou um olhar com Kate e voltou a observar a amiga.
- Elise - arriscou a ruiva. - Quer conversar sobre algo?
A morena parou de colocar os livros na mochila e virou-se com um sorriso no rosto.
- Não me digam que deixei vocês preocupadas? Fiquei estudando até tarde... perdi a hora - logo voltou ao que estava fazendo.
Kate novamente olhou para Lily, preocupada.
- E a briga com Remus? - perguntou Tracy, que acabava de levantar.
A morena encolheu os ombros.
- Está tudo bem, sério, não se preocupem.
E entrou no banheiro, para se pentear. As três garotas trocaram olhares.
- Sempre é tão difícil assim? - questionou Tracy.
As outras duas assentiram.
O rumor que haveria um baile de formatura tinha corrido como pólvora por toda a escola, servindo como distração antes dos exames. Ainda que não tivesse sido falado nada sobre pares, os alunos começaram a chamar encontros para o baile. Várias garotas se aproximaram dos Marotos para lhes pedir uma chance, inclusive de Sirius, que continuava com Kate. Isso, obviamente, não deixava a loira muito contente.
Para Lily era normal que as garotas se aproximassem de James para pedir que ele fosse seu par. Se incomodava um pouco, mas James sempre declinava os convites com um amplo sorriso. O que não foi normal para Lily foi o que começou poucos dias depois do anúncio do baile. Estava sentada na biblioteca com Elise, quando um garoto da Corvinal bastante bonito - com o qual tinha trocado apenas algumas palavras - se aproximou dela.
- Oi, Lily - disse, animadamente.
- Olá - respondeu com um sorriso nervoso. Como se chamava esse garoto?
- Como vão os exames? - sentou-se ao seu lado com uma familiaridade que incomodou a ruiva. Elise se escondia atrás de um livro, para não rir.
- Bem... - respondeu ela. O que, diabos, esse cara queria?
- Estava me perguntando se... bem, se você quer vir comigo para o baile de formatura - terminou, corando levemente.
- Não - disse a garota, ficando um pouco pálida. O corvinal fechou a cara pela resposta súbita. - Quero dizer, adoraria ir com você, mas não será possível.
O garoto assentiu.
- Então já vai com alguém?
Lily sentiu um tremendo impulso de responder "E o que isso te interessa?", mas se conteve. Elise continuava rindo às suas custas.
- Não, é que estou... - começou, sem saber como continuar.
- Esperando que alguém especial faça o pedido - completou a morena, dedicando um sorriso cúmplice à sua amiga. - Não é verdade?
Lily afirmou freneticamente com a cabeça.
- Entendo - disse o garoto, decepcionado. Logo, certamente para não parecer desrespeitoso, olhou para a morena. - E você, vai com alguém, Elise?
A morena pareceu hesitar um momento, mas afirmou com a cabeça.
- Sim, já tenho um par.
- Fico feliz, é um garoto de sorte - elogiou.
O garoto se despediu educadamente e saiu da biblioteca. Lily encarou Elise, impressionada.
- Esse cara acabou de me pedir para ir ao baile com ele ou eu que fiquei maluca? - perguntou.
- Não, Terrence Trust, apanhador da Corvinal, acabou de te pedir para ser sua acompanhante no baile - corrigiu Elise, fazendo Lily se recordar quem era o garoto.
Passaram uns segundos de silêncio.
- Ele está maluco? - questionou a ruiva.
Elise se pôs a rir.
- Não, Lily, ele não está. Acho que gosta de você.
- Sim, certamente é isso - disse, com um tom de "é tão provável quanto eu engordar no Natal".
- Lily, você é bonita, Monitora-Chefe e inteligente. Além de tudo isso, some o fato de que Potter se interessa por você. Estranho é nenhum garoto ter te pedido antes.
Lily ergue as sobrancelhas, incrédula, e voltou para sua tarefa. Definitivamente sua teoria a saúde mental do corvinal era mais plausível.
Não tardou muito a ter que reconhecer seu erro, pois desta hora até o momento de ir jantar, precisou declinar o convite de mais dois gaorots. Elise também teve que rechaçar um lufa-lufa que fazia aula de Herbologia com eles e parecia muito tímido, deixando a morena muito mal por ter que dizer não.
Quando estavam entrando no Salão Principal, Lily se recordou de algo, repentinamente.
- Como assim já ter um par? - perguntou para Elise, que primeiramente se calou.
- Ahhh... isso - disse, suspirando. - Simplesmente não estou a fim de ir com ninguém, por isso vou para cama depois do jantar.
Lily voltou a ver os olhos da amiga cobertos por esse véu de preocupação e tristeza que vinha notando ultimamente. Elise tinha parado de falar com Remus e, apesar de não evitar o garoto, ambos se ignoravam, mutuamente.
Sentaram-se com Tracy, Artemis, James e Remus, que certamente tinham ficado estudando no Salão Principal, pois não suportavam o silêncio da biblioteca.
Depos de comerem e conversarem um pouco, sobretudo sobre a próxima partida de Quadribol da Sonserina contra a Grifinória, Lily ergueu o olhar e encontrou os olhos de Terrence Trust, que a cumprimentou com a mão. Lily, um pouco inibida, sorriu e retribuiu o cumprimento, para logo voltar a se concentrar em seu prato.
- De onde você conhece o Trust?
Olhou para a sua direita e encontrou James, que a olhava tentando parecer casual, mas estava bastante sério.
- Hmmm, na verdade de lugar nenhum... - não estava muito certa se deveria contá-lo, porém tinha aprendido que era melhor não mentir para James. - Ele me convidou para o baile esta tarde - respondeu.
Isso fez o Maroto franzir o cenho. Lily supôs que ele ficaria chateado, ainda que fosse sem motivo, já que ele também continuava recebendo convites das garotas.
- Onde estão Kate e Sirius? - perguntou Artemis, que tinha escutado a conversa e queria evitar mais tensão; Elise e Remus se evitando já era o bastante.
Elise abriu a boca para dizer que não tinha nem ideia, quando uma centelha loira atravessou o Salão Principal até eles e se deixou cair no assento ao lado de Artemis. Era Kate. E estava irritada.
Justamente quando iam lhe perguntar qual era o problema, entrou Sirius, também com cara de poucos amigos, e se dirigiu para a mesa. Sentou-se em frente à Kate e começou a jantar, engolindo tudo o que tinha perto dele. Kate brincava, nervosa, o que tinha colocado em seu prato, mas não levava nada à boca. Esse não estava sendo um bom dia para ninguém.
- Isso... - disse Tracy, tentando encontrar um tema para conversa, mas o olhar que Sirius e Kate lhe deram a desanimou.
Continuaram jantando em silêncio.
- Hmm... James, pode me passar o sal?
Nessa hora, Kate estava a ponto de deixar o saleiro na mesa, mas continuou salgando o purê em seu prato.
- Kate, quando terminar com o sal, passe para o Sirius, por favor - interviu, cautelosamente, James.
- Nunca vou terminar com o sal - respondiu a garota, sem parar de salgar seu purê.
- Pois antes de acabar com o pote todo, me empresta um pouco - disse Sirius, mastigando as palvras.
- Não estou a fim, procure outro saleiro - respondeu ela. - Tem muito na mesa, vai pedir algum para Monique. Ela ficará encantada em te dar - falou, roucamente.
O resto observava a discussão. Remus tentou acalmar seu amigo, mas esse rechaçou seu braço.
- Como eu preciso dizer para entender que não aconteceu nada com a Monique? - reclamou.
- Pois não parecia isso, quando eu te vi colada em seu braço, os dois rindo! - gritou ela, largando o saleiro com um golpe contra a mesa. - Seu sal! E me deixa em paz! - levantou-se da mesa e saiu novamente do Salão Principal.
- Sempre precisamos montar ceninhas na hora da comida? - murmurou Artemis.
Sirius deu um soco na mesa e também se levantou, perseguindo a loira. Desta vez, poucas pessoas tinham se dado conta da briga, mas as NTCMSP tinham cara de que receberam o presente de Natal adiantado.
- Kate! - exclamou Sirius, no corredor deserto. - Kate!
- Me deixa! - gritou ela, sem parar.
O garoto emitiu algo parecido a um rugido e a alcançou com duas passadas, agarrando-a pelo cotovelo.
- Está exagerando! - disse. - Eu só estava conversando com ela!
Kate o afastou com um gesto brusco.
- Ah, jura? - virou-se enfurecida para sair dali.
- O que foi? Não confia em mim?
- Não confio nela! - gritou, virando-se novamente. - Acaso percebeu como se comporta? Ela espera que eu me afaste dois metros para se jogar em você e já esqueci quantas vezes soltou "o quão bom seria o dia do baile... os dois juntos" - a última parte deixou escapar em um tom agudo. - E não tenho vontade de parecer a namorada idiota que deixa seu namorado ser apalpado por aí! Não quero! - gritou de novo, com intenção de ir embora.
Sirius voltou a lhe deter perto das escadas.
- Mas ela não significa nada para mim!
- Não ligo - respondeu, soltando-se dele mais um vez. - Tanto faz se você quiser brincar com ela.
A garota começou a subir as escadas. Sirius não a seguiu, apenas ficou parado, observando-a. Ela parou poucos degraus acima.
- Ah, não! - disse em um tom falso. - Mas você é virgem... Pode dizer para ela que...
- E vou continuar sendo até a hora que você quiser - respondeu Sirius, muito sério, no andar de baixo, cortando sua frase no meio.
Kate ficou sem palavras, surpreendida. Fechou a boca e o olhou fixamente, sem piscar. Algo muito intenso acabava de passar por coluna. Nesse momento, sentiu-se cheia de emoções contraditórias e a única coisa que lhe pareceu uma boa ideia era ir para a cama.
Nota da Tradutora: Gente, desculpa deixar vocês na mão DUAS sextas. Acontece que, apesar de entediantes, as minhas semanas são bem corridas. Primeiro eu não pude faltar à missa de sétimo dia da avó de uma amiga minha; cheguei em casa muito cansada e confesso que fui direto para a cama. Na semana seguinte, também fui dormir cedo, antes de ir dar aula de ballet agora de manhã. Sim, sábado de manhã.
A Academia onde eu trabalho está em processo de espetáculo de fim de ano, então o corre corre é diário. Hoje mesmo estou postando antes de ir para São Paulo, comprar tecido com a chefe. Nem deu tempo de revisar o capítulo antes, como eu sempre faço.
Mas mudando de assunto... Não sei vocês, mas adorei essa frase final do Sirius. Foi um choque de realidade na Kate, além de uma prova que o maroto realmente está amadurecendo. Bem, é isso. O próximo capítulo é o penúltimo. Estou procurando uma nova fanfic para traduzir... Se já souber qual a escolhida na próxima semana, conto para vocês. Abraços! E até, provavelmente, segunda ou terça-feira, pois esta sexta ficarei sem computador e só volto para casa no domingo à noite.
