Título: The Same Old Mistakes

Autora: Samantha Tiger Blackthorn

Beta: Ifurita

Casal: Aoi x Uruha

Tema Musical: Same Mistake – James Blunt

Classificação: NC-17 - M - +18... Etc, etc... Para adultos!

Gênero: YAOI, Romance, Drama, Angust, Lemon.

Resumo: Temos o livre arbítrio, não temos? Nem sempre. De vez em quando, se persistimos muitas vezes no mesmo erro, o destino nos prega peças e a vida nos dá uma nova chance para cometermos novos erros, mesmo que não peçamos por ela.

Avisos: Essa é uma estória YAOI, contém LEMON, mostra o relacionamento e o sexo explícito entre dois homens,se não gosta não leia.

Disclaimer: Esses homens lindos e talentosos não me pertencem, o que é uma pena, apenas tomo a liberdade e o atrevimento de me divertir com eles.

Dedicatória: Para minha querida Amiga e Beta Lady Anúbis, um presente pelo seu aniversário, com todo meu amor. EU TE ADORO MINHA 'CABEÇA DURA' PREFERIDAAA! *grita* Foi escrita com carinho, e o meu único objetivo é agradar você. Espero que aprecie ao ler, tanto quanto adorei escrever.

FELIZ ANIVERSÁRIO! *atrasado*


The Same Old Mistakes

Sentiu uma tontura virar a sala à sua volta, fazendo seu corpo cambalear, sendo amparado por Uruha que se adiantou sem seu socorro o segurando pela cintura e o sustentando junto a ele.

3ª Parte

- Yuuuu! Eu não disse? – Uruha sussurrou assustado com o estado de prostração do moreno.

- O que... O que você disse? – Aoi perguntou debilmente a Kai, se apoiando por completo sobre o loiro já que suas pernas estavam se recusando a sustentar seu peso, sendo amparado do outro lado pelo Reita que ajudou o mais novo a levá-lo para o sofá e retirou a sua guitarra de seus ombros, a colocando no suporte.

- O que...? Que são ordens médicas? São mesmo, você estava lá, você ouviu muito bem! – Kai repetiu se agachando logo à frente do moreno meio largado no sofá, ficando na altura de seus olhos negros. – Era para você começar com duas horas nos primeiros dois ou três dias e ir aumentando duas horas a cada dois dias até chegar ao ritmo de ensaio normal... – Bronqueou carinhoso e preocupado. – E você já extrapolou de cara, ontem e hoje! Não temos pressa Aoi, você não tem que provar nada pra nós. Somos seus amigos e companheiros, nós te conhecemos!

- Eu... Eu... Está bem. Eu só tive a impressão de já ter ouvido isso...

- E ouviu. – Reita replicou. – Todos nós ouvimos. No quarto do hospital.

Enquanto o diálogo se desenrolava Uruha se mantinha calado, sentado ao lado do moreno, tentando entender o que tinha acontecido. Aoi estava cansado, fragilizado pelo acidente, mas isso não seria motivo para quase desmaiar, seria? E ele disse ter tido a impressão de já ter ouvido aquelas palavras... Quais palavras? Não tinha muita certeza.

oOo

E a semana foi passando... Aos trancos e barrancos, entre picuinhas e bate bocas, onde geralmente acabavam com Aoi emburrado e Uruha irritado, com o loiro capitulando em favor do moreno, por este ainda estar debilitado. A personalidade do moreno era difícil, e estava pior com todo estresse do acidente e do repouso forçado, com alguém de intruso em casa... Para alguém reservado e organizado como ele a convivência dos dois era um suplício e um verdadeiro teste de paciência para o loiro que segurava aquela situação há sete dias.

- Aoi, você tem que fazer as três refeições do dia, pelo menos enquanto está tomando esses remédios fortes.

- Será possível que eu tenho que falar a mesma coisa todo dia Uruha? Eu tomo café preto pela manhã, e à noite eu tomo um suco ou como algo leve, eu belisco sabe? Como uma mania... A única refeição que eu faço mesmo é o almoço... – Explicava pela enésima vez, quase perdendo a paciência.

- Mas Aoi... – O loiro gemeu em desespero de causa.

- Fala sério... Eu não consigo comer nem a metade do que você está tentando me enfiar garganta a baixo... – Reclamou. – O que eu posso fazer é tomar um copo de leite... – Fez uma careta ao pensar no esforço que faria para isso. – ...Junto com os remédios nos outros horários...

- Só leite não dá, posso abrir mão de uma refeição completa, mas tem que por algo sólido no estomago pela manhã e à noite... – Teimou o loiro. – São as ordens do doutor Mitsuo...

- Por Buda! – O moreno se exaltou. – Dez dias disso! É um verdadeiro martírio! Vou acabar ou morto ou louco, antes que esses dias acabem.

- E se passaram apenas seis dias... Estamos na manhã do sétimo. – Um sorriso irônico se desenhou nos lábios cheios. – Ainda faltam três, você sobrevive!

- Meu consolo é que meu tormento termina no décimo, depois da maldita consulta com o doutor 'Marquês de Sade'... Graças a ele descobri o que é sofrer.

- Não seja tão dramático Aoi! – Uruha riu, vendo a raiva do mais velho expressa no jeito impaciente de andar de um lado para o outro no meio da cozinha, enquanto ele mexia a panela, preparando o almoço de ambos. – Você não tem noção do que é sofrer! – Falou sem notar o que dizia, nem a reação do outro às suas palavras. – Podia ter sido pior, podia estar paraplégico, ou sem memória, ou com algum problema na coordenação motora e não poder nunca mais tocar, ou podia...

Interrompeu-se de repente ao notar pela visão periférica o guitarrista se apoiar de repente na parede, e ao olhar para ele só teve tempo de virar o registro do gás, fechando-o e segurá-lo antes que se ajoelhasse no chão, extremamente pálido e gelado.

- O que... O que você disse? – Gaguejou com o esforço que fez para falar, as palavras dele trovejando em seu cérebro.

...Você não tem noção... Não tem noção do que é sofrer! ...Sofrer...

A respiração estava difícil, aquele frio esquisito o gelava por dentro e o coração batia tão forte que parecia querer sair pela sua boca.

- Não sei, eu... Não disse nada demais... – Apoiou-o e o colocou sentado numa cadeira à mesa, buscando em sua mente o que poderia fazê-lo ficar daquele jeito.

Aoi sentiu a tontura chegando, fazendo a cozinha rodar, seu corpo cambaleando, suas pernas bambas, não estavam conseguindo firmá-lo de pé. Deixou-se conduzir, sentando-se obediente, tomando a água fresca que ele trouxe, ao sentir o copo úmido encostando-se à sua boca, em pequenos goles, o mal estar melhorando com a sensação confortante da toalha levemente molhada e morna em seu rosto, pescoço e nuca.

- Vai passar... Vai passar... – Uruha sussurrava. – Fique calmo. Eu não tinha nada que perturbar você assim, hum...? Depois a gente pensa nisso tá bom? – Passou a toalha na testa, tirando o cabelo do caminho. – Está melhor?

- Um pouco, obrigado...

- Eu vou te levar para o quarto, vem... – Segurou-o pela cintura, passando o braço dele por sobre seu ombro, o levando até a cama e o deitando nela.

- O ensaio... O ensaio... Kou...

- Você não tem jeito mesmo... – Ajeitou-o no colchão, o cobrindo com o lençol, sorrindo docemente. – Nem passando mal você esquece os compromissos? – Sentou-se na beirada da cama, segurando a mão fria entre as suas. – Deite-se um pouco aí, eu aviso o Kai que vamos atrasar. Se você melhorar eu levo você na produtora, mas vai ter que me prometer que se não estiver bem não vai se esforçar... E que vai se alimentar melhor...

- Seu grande chantagista... – Falou devagar, com um arremedo de riso. – Eu... Prometo que vou tentar...

- Já é alguma coisa... – Manteve a mão dele nas suas, os olhos chocolate encarando os negros se fechando a contragosto e a respiração ficando regular, vendo-o adormecer. – Já é alguma coisa, meu amor.

oOo

Kai aproximou-se de Aoi, que estava sentado e recostado no sofá, durante uma das pequenas pausas para descanso que estavam fazendo a cada duas horas durante os ensaios por causa do moreno. Sentou-se ao lado dele, virando-se de frente, vendo-o de olhos fechados. Desviou seu olhar para o espaço onde estavam ligados os equipamentos e instrumentos, onde estavam Reita, Ruki e Uruha conversando. O guitarrista loiro estava um pouco abatido, olheiras escuras sob os olhos chocolates, a expressão habitual alquebrada, se iluminando apenas quando encontrava a figura do moreno, acomodado ao seu lado. Voltou a olhar para Aoi, notando que este o contemplava discretamente com os olhos entreabertos.

-Está se sentindo bem?

- Um pouco cansado...

- E então Yuu, como vocês estão se entendendo?

- Se com essa pergunta você quer saber se estamos nos acertando... – Suspirou. – Então a resposta é que não nos entendemos.

- Mas você não falou com ele ainda? Nós comentamos sobre isso, lembra? No dia do último ensaio, durante o almoço, quando ficamos sozinhos na mesa... Que você ia tentar se aproximar dele, se declarar...

- Kai, eu não me lembro de nada desse dia... Nem do ensaio, nem do almoço, nem do dia seguinte, ou do acidente... Lembro de flashes, mas não sei se aconteceram ou se são produtos da minha cabeça, do meu desejo de tê-lo para mim.

- Mas eu achei que... Bem, vocês ficaram por último depois daquele ensaio... E depois de todos esses dias vivendo juntos... Ele ama você, é evidente!

- O fato é que eu não lembro... Não sei se eu disse alguma coisa ou se fizemos algo a mais. – Olhou para os próprios dedos entrelaçados sobre o abdômen. – Quanto a esses dias que ele está 'hospedado' lá em casa, ele tem se portado como um verdadeiro amigo, leal e devotado. – Sorriu ironicamente. – Ele me deixa louco! Apesar de ter um gênio insuportável, ser desorganizado e metido a mandão...

- O que faz com que você o ame ainda mais... – Falou malicioso.

- Na verdade não sei como consegui me calar até agora... Refrear meus sentimentos tem sido um tormento. Viver debaixo do mesmo teto, sabendo que ele está no quarto ao lado, ao meu alcance e não poder tocá-lo, tê-lo para mim é uma tortura sem precedentes.

- Estou surpreso de que você não tenha tentado nada...

Uruha olhava o moreno sentado no sofá, de olhos fechados, descansando em mais um dos intervalos. Viu quando o baterista se aproximou, sentando-se ao lado dele. Tirou a guitarra do ombro a colocando no suporte sem notar a aproximação de Ruki e Reita.

- Parece que ele está bem melhor... – Reita indicou Aoi com um gesto de cabeça.

- Já você parece horrível! – O baixinho alfinetou. – Tá difícil dormir com ele no quarto do lado?

- Não enche Ruki... – Mostrou a língua, rindo logo depois. – Ele está melhor sim Rei-chan. O problema é que de vez em quando ele tem um tipo de mal súbito, empalidece, fica tonto, sente um mal estar estranho... Como ontem por exemplo. – Colocou o dedo em riste diante do rosto do vocalista. – Por isso tenho dificuldade de dormir viu... De preocupação.

- Pensou no que eu falei Kou...? A oportunidade não costuma bater na porta duas vezes... Você tem sorte, tem uma segunda chance.

- Não tenho o que pensar Akira... Eu não vou voltar atrás.

- Eu disse pra você que ele era um cabeça dura! – Ruki falou com Reita, irritado, sem tirar os olhos do amigo. – Baka! Não vai haver uma terceira vez...

- Eu tenho as minhas razões... – O loiro rebateu teimoso, levantando um pouco a voz. Não estava muito paciente para ter aquele tipo de conversa. Não depois de mais de uma semana convivendo com um Aoi irritadiço e mal humorado, testando a sua paciência e o seu amor em todos os níveis possíveis e imagináveis.

- Que são completamente idiotas!

- Hei, hei, não vamos discutir... – Reita enlaçou a cintura do namorado. – O Uruha sabe o que está fazendo, ok?

- Ah, claro! Como sempre você defende 'ele'. – Aponta o guitarrista, que está cada vez mais insatisfeito com o rumo da conversa. – Mesmo que ele esteja ferrando com a melhor oportunidade que já teve de ser feliz...

Os ânimos estavam ficando mais exacerbados, o tom das vozes foi se elevando, chamando a atenção de Aoi e Kai que conversavam sentados no sofá. O estresse estava muito alto depois de tudo o que havia acontecido, desde o acidente, passando pelo tempo no hospital, e a rotina naqueles últimos dias completamente alterada pela preocupação com a saúde e a situação entre os dois guitarristas. Os dois morenos se levantaram do sofá, chegando mais perto atraídos pelas vozes exaltadas, para acalmar a discussão, ouvindo as palavras iradas de ambas as partes, enquanto um Reita desnorteado tentava intervir.

- VOCÊ NÃO SABE O QUE ESTÁ DIZENDO RUKI! – Uruha gritou. – ESSA É A MINHA VIDA, MINHA DECISÃO... E EU EXIJO QUE VOCÊ A RESPEITE!

Antes que Aoi e Kai chegassem mais perto, fizessem ou falassem qualquer coisa, Aoi estacou de repente, o corpo ficando muito tenso, os olhos arregalados.

...Você não sabe o que está dizendo, e eu não quero isso Yuu! Por isso a resposta é não! Essa é a minha decisão, quer você queira, quer não!

As palavras atingiram seu cérebro com a potência de um raio. Sentiu o corpo gelar, não conseguia falar nem se mover. Apenas ouvia palavras soltas à sua volta, vozes que o chamavam de longe e de repente o seu mundo girou e tudo se apagou diante dos seus olhos. Uruha correu, ao mesmo tempo em que Kai, mas ninguém chegou rápido o suficiente para segurá-lo e evitar que seu corpo fosse ao chão. Tudo ficou esquecido, enquanto se uniam para carregar e acomodar o moreno no sofá. Uruha esfregava a mão gelada entre as suas, umedecidas com álcool que ele não sabia de onde havia surgido.

- Viu o que você fez? – Uruha sibilou enquanto o acudia.

- A culpa é minha? Você é que não agüenta ouvir umas verdades... – Ruki reclamou emburrado. – Não precisava esse escândalo todo... E eu tenho razão.

- Calem-se os dois. – Reita repreendeu ao ouvir o pequeno gemido de Aoi. – Ele está voltando a si.

O moreno abriu os olhos confusos, vendo os rostos preocupados dos quatro junto de si, sentindo o forte cheiro de álcool e Uruha ao seu lado, massageando seu pulso e mão. Kai o ajudou a sentar-se, e Aoi levou a mão atrás da cabeça, gemendo ao achar um galo ali.

- O que aconteceu...?

- Você parou de repente e perdeu os sentidos... – O baterista explicou. – Foram apenas alguns minutos. Lembra-se de alguma coisa?

- Eu não sei, ouvi algo e senti um mal estar e não vi mais nada.

- Vou levar você pra casa. – Uruha sentenciou. – Já ensaiamos bastante por hoje mesmo, não acha Kai?

- Claro, eu mesmo estou exausto...

- Obrigado Kai... – Aoi compreendeu nesse gesto a consideração do amigo. O que mais desejava agora era ir para casa, sua cabeça estava muito confusa.

oOo

Uruha dirigia apreensivo pelas ruas calmas do bairro residencial, já quase chegando ao edifício do mais velho. Aoi vinha calado pelo caminho, todo o tempo. O banco do passageiro inclinado, a cabeça virada para a janela, os olhos perdidos na paisagem que passava diante dos seus olhos. Só percebeu que tinham chegado quando o carro parou na garagem, e Uruha abriu a porta do seu lado para ajudá-lo a sair do automóvel.

- Vamos Yuu, eu ajudo você. – Estendeu a mão para o moreno, fechando a porta logo depois e acionando o alarme. – A cabeça ainda está doendo? Ou está se sentindo melhor?

- Estou bem Uru... – Aoi segurou o loiro pela cintura, perfeitamente recuperado do mal estar, mas aproveitando o momento para tocá-lo que era o que mais desejava, sempre.

Subiram pelo elevador em silêncio, com o guitarrista mais novo o apoiando, até chegarem em frente a porta do apartamento. Aoi a abriu, se desvencilhando dos braços dele, e entrando pelas próprias pernas já firmes. Completamente restabelecido de suas forças, caminhando até o sofá e sentando-se nele. Uruha passou por ele pensando em ir à cozinha quando ouviu o chamado.

- Kouyou... Por que você está aqui, de verdade, me diz?

- Somos colegas, mais do que isso, você é meu amigo Yuu...

- Mentira! – A voz saiu quase como um rosnado, Aoi se levantou e foi chegando mais perto do loiro que foi se afastando até encostar as costas na parede, aturdido com a expressão séria.

- O que?

- Mentira... Eu tenho observado você. Nesses dias todos, tudo que você tem feito por mim, o modo como tem cuidado comigo... – Os olhos negros brilhavam na face séria, fitando Uruha intensamente. – Eu vejo que eu não sou só um amigo pra você...

- Você entendeu errado Yuu... Não é bem assim.

- Sim... Eu entendi tudo errado, agora eu sei. Depois de conviver com você aqui dentro de casa, eu compreendi perfeitamente...

Uruha tentou se desvencilhar, sair do cerco que estava se fechando, mas Aoi não deixou. Segurou o loiro pelo pulso, o mantendo ali, o puxando para si e o encostando contra a parede.

- Eu me lembrei... Lembro de tudo... – Uruha arregalou os olhos ao entender a dimensão do que o moreno estava falando. – Do ensaio. Daquela manhã. De todas as suas palavras. – Tentou se soltar da mão dele que o mantinha preso ferreamente. – Entendo o que você sente por mim... Não precisa se sentir culpado... – Os lábios roçaram os dele, sussurrando junto a eles, os dedos longos agarrando firmemente as mechas loiras. – Não foi sua culpa.

E o beijo aconteceu, intenso, e por mais que Uruha tentasse interrompê-lo, empurrando-o, não encontrou forças suficientes dentro de si para lutar contra o próprio desejo e o amor que sentia por Aoi e então o abraçou, forte, correspondendo com todo seu ser, exatamente como naquela noite no estúdio, quase dez dias atrás.

- Eu... E-eu não posso... – As palavras saíram dos lábios avermelhados, gaguejadas e ofegantes.

- Mas eu posso... – Um sorriso irônico se delineou nos lábios do moreno. – Eu quero!

Colou os corpos por inteiro, as bocas unindo-se em um novo beijo, esfregando-se levemente, sentindo a excitação dele e o deixando sentir a sua, ouvindo o gemido baixo escapar dos lábios cheios. Afastou um pouco o rosto dele, com a mão fechada sobre o pulso do loiro, seu quadril o prensando na parede.

- N-não... – Uruha gemeu, se contorcendo sob o corpo do mais velho. – Você não... Não me... Perguntou... Se eu quero.

- Sim...! E eu não perguntei mesmo, por que eu sei que você quer. – Tomou-lhe em seu colo, os sentimentos fortes lhe renovando as forças, o carregando por poucos passos pelo apartamento até a cama e se jogando com ele sobre ela, seu corpo cobrindo o dele. – Você não tem escolha, nunca teve... – Repetiu as palavras que ouviu da boca dele, o beijando.

Mãos afoitas seguraram os pulsos, os colocando acima da cabeça. Correram pelos braços, chegando aos botões, tirando-os de suas casas, abrindo a camisa e expondo o peito branco e arrepiado aos seus olhos, aos seus lábios ávidos, enlouquecendo com o cheiro, a maciez e o sabor da pele dele sob sua boca, sob sua língua. Havia esperado demais e agora simplesmente não conseguia mais controlar seus sentimentos, seus desejos.

- Eu te quero...! – Pressionou o quadril contra o dele mostrando e sentindo as evidências físicas daquelas palavras. – Eu te amo! – Sussurrou com os lábios colados sobre a pele de porcelana.

Aoi ouviu o gemido baixo e dolorido e levantou a cabeça, olhou o rosto dele, os olhos fechados, apertados, lágrimas encontrando caminho pela face até o lençol, os dentes apertando o lábio... Sentiu as mãos finas agarrarem seus ombros, como garras, apertando com força, e então deslizarem por suas costas ainda cobertas pelas roupas, o puxando mais sobre ele, entrando pelo cós da calça e puxando a camisa, encontrando a pele nua e o moreno suspirou, o toque frio das mãos dele sobre si o arrepiando.

Uruha perdeu a noção de onde estava ou do que estava acontecendo ali, seus sentimentos pelo mais velho aflorando com toda força, o fazendo se esquecer de medos e traumas e pudores e tudo que pudesse afastá-lo daquele amor pleno, selvagem, imenso, que o movia naquele instante. Todas as suas barreiras caíram por terra, foram derrubadas por aquele momento perfeito, incomparável, do encontro de corpos e almas.

Entre sussurros e gemidos de prazer as peças de roupa foram sendo desabotoadas e descartadas, uma a uma sobre o colchão, caindo de cima da cama conforme eles se moviam, se beijavam e se tocavam. No espaço daquela cama não havia lugar para nada que não fossem aqueles dois, se consumindo em beijos, abraços e carícias cada vez mais íntimas e deleitosas. As mãos de ambos se tocavam, acariciando o membro teso e úmido um do outro, dando e recebendo prazer, provocando delícias, externadas em longos gemidos e doces sussurros.

A noite iluminava os amantes, nus, entrelaçados na cama, no beijo quente, nos movimentos dos quadris de ambos que se encontravam, demonstrando o que ansiavam e não conseguiam mais conter. O moreno se afastou devagar, buscando a mesinha de cabeceira, mas Uruha não permitiu. Agarrou-se ao corpo esbelto, o enlaçando com braços e pernas, o puxando para si e o beijando avidamente.

- Calma... – Pediu ofegante quando os lábios se separaram, mal conseguindo pronunciar as palavras... – Mais devagar, eu... – Tentava conter aquele furacão de sensações que nublavam seu raciocínio. – Preciso... Preciso preparar você...

- Não... – Elevou o quadril, esfregando-se nele e exigindo uma atitude de Aoi. – Quero você... Me toma... – Mordeu o lábio dele, o puxando e sugando. – Me toma... Agora...!

- Assim... Vai machucar você... Me deixa...

- Não me importo, vem... – Abriu mais as pernas, o acomodando, movendo-se sob ele e sentindo o membro teso roçando em si. – É assim que eu quero... Forte, intenso, profundo...

Era demais, Aoi não conseguia resistir. Encostou-se nele, olhando-o nos olhos, em um impulso invadindo o corpo sob o seu, num movimento contínuo, o preenchendo por completo. Deixou que seus lábios sorvessem as lágrimas que deixaram os olhos dele, que beijassem os lábios machucados pelos dentes que os apertavam, que continham bravamente o gemido doloroso que lutava para escapar.

- Desculpe... – Beijou a face molhada, emocionado, os olhos marejados. – Me perdoa amor...

- Mo-mova-se... – O loiro ordenou ao pé do ouvido, incomodado com a dor e extasiado com o prazer misturado a ela, o prazer de 'pertencer' a ele. – Me enlouqueça... – Mexeu-se sob ele, erguendo mais as pernas, o enlaçando pela cintura, o fazendo se aprofundar ainda mais dentro de si. – Me prove que é real, que não é mais um sonho...

Aoi moveu-se sobre ele, a princípio devagar, sentindo o corpo dele tenso, preso ao seu, arremetendo-se em seu encontro, o obrigando a intensificar o ato de amor, o fazendo esquecer que queria ser cuidadoso, delicado, o jogando naquele turbilhão insano de arquejos, gemidos e paixão.

- Aaaahhhhhhhh... Isso! Issssooo... Mais! – A voz entrecortada de prazer exigia, a boca junto ao ouvido dele, as mãos agarradas aos cabelos negros, o mantendo colado em si. – Forte... Intenso... Aaaahhhhhh...

Os corpos se moviam em sincronia, iluminados pela luz da noite. Aoi sentiu o corpo sob si se tencionando mais e mais, a respiração ficando cada vez mais rápida, os gemidos mais longos e mais altos. Levou a mão entre os corpos buscando o membro rijo, estimulado pelos movimentos de ambos, apertando-o entre os dedos, movendo-se no vai e vem, junto com seu quadril, estimulando o amado duplamente.

- Huuummmm... Eu... Eu não vou suportar... Muito mais... – Avisou ao loiro, o apertando no abraço, movendo-se mais rápido, penetrando mais fundo, atingindo-lhe o ponto de prazer com força. – Vem... Junto... Ahhhh... – Levantou o tronco, arqueando as costas, chegando ao êxtase. – Eu te amooo...

- Yuuuuhhhhh... – Arqueou as costas, jogando a cabeça para trás, apertando-o dentro de si, sentindo o gozo dele o preenchendo e explodindo de prazer na mão do moreno. – Hhhuuuummmm...

Devagar os dois foram parando, o aperto selvagem relaxando em carícias suaves, as mãos do loiro acariciando as costas suadas de Aoi, as mãos deste deslizando pelas suas coxas abertas, agora largadas no colchão. Os lábios beijando o ombro, a clavícula, o pescoço de Uruha.

- Eu te amo, muito... Não posso mais ficar sem você... – Retirou-se de dentro dele, rolando os corpos abraçados e o aconchegando sobre si.

- Eu não posso Yuu... – Suspirou entre satisfeito e triste. – Não posso... Foram tantos erros... Você não sabe, eu...

- Não quero saber. Não estou lhe dando uma escolha, e também não é questão de poder ou não. É querer... E você quer... – Apertou-lhe em seus braços. – Quer tanto quanto eu.

- Você não entende... – Mas foi calado pelo dedo do moreno em seus lábios.

- Ah, entendo sim. Eu te pertenço... E você é meu. – Aoi ergueu o rosto dele, notando as lágrimas contidas nos olhos chocolates. – Isso é o que importa. Chega... Chega de cometer os mesmos velhos erros... E se isso é um erro, agora é a hora para erros novos, então vamos errar juntos.

Um novo beijo selou aquelas palavras, tão sinceras e verdadeiras e que acharam eco no coração de Uruha, que sem alternativas simplesmente aceitou tudo que vinha com elas. Não um paraíso, ou um inferno, mas uma vida com altos e baixos, erros e acertos, com muito amor.

"Chega... Chega de cometer os mesmos velhos erros... E se isso é um erro, agora é a hora para erros novos, então vamos errar juntos."

Saw the world turning in my sheets and once again I cannot sleep.
Vi o mundo revirando em meus lençóis e mais uma vez, não consigo dormir
Walk out the door and up the street; look at the stars beneath my feet.
Saio porta fora e subo a rua, Olho as estrelas sob os meus pés
Remember rights that I did wrong, so here I go.
Relembro coisas certas que eu transformei em erradas, e aqui vou eu...
Hello, hello. There is no place I cannot go.
Olá, olá! Não há lugar onde eu não possa ir.
My mind is muddy but my heart is heavy. Does it show?
Minha mente está confusa mas meu coração está acabado. Consegue ver?
I lose the track that loses me, so here I go.
Perdi o rastro que me guiou, então assim continuo.

And so I sent some men to fight, and one came back at dead of night.
Assim, enviei alguns homens à luta, e um voltou morto à noite,
Said he'd seen my enemy. Said he looked just like me,
dizendo que vira meu inimigo. Disse que parecia comigo.
So I set out to cut myself and here I go.

Então tomei as mágoas e aqui vou eu.

I'm not calling for a second chance,
Não estou pedindo uma segunda chance,
I'm screaming at the top of my voice.
Estou gritando com toda minha voz
Give me reason but don't give me choice.
Me dê razão mas não me dê escolha.
'Cause I'll just make the same mistake again.
Senão eu vou cometer o mesmo erro outra vez.

And maybe someday we will meet, and maybe talk and not just speak.
E talvez um dia nós nos encontremos e talvez possamos conversar e não apenas falar
Don't buy promises 'cause, there are no promises I keep.
Não acredite nas promessas porque, Não há promessas que eu cumpra,
And my reflection troubles me, so here I go.
E minha culpa me inquieta, Assim aqui vou eu.

I'm not calling for a second chance,
Não estou pedindo uma segunda chance,
I'm screaming at the top of my voice.
Estou gritando com toda minha voz
Give me reason but don't give me choice.
Me dê razão mas não me dê escolha.
'Cause I'll just make the same mistake.
Se não eu vou cometer o mesmo erro.

I'm not calling for a second chance,
Não estou pedindo uma segunda chance,
I'm screaming at the top of my voice.
Estou gritando com toda minha voz
Give me reason but don't give me choice.
Me dê razão mas não me dê escolha.
'Cause I'll just make the same mistake again.
Se não eu vou cometer o mesmo erro outra vez.

Ah, uh, uh, uh, uh, uh (4x)

turning in my sheets

Enquanto me reviro em meus lençóis
Ah, uh, uh, uh, uh, uh
and once again I cannot sleep

E mais uma vez não consigo dormir
Ah, uh, uh, uh, uh, uh
Walk out the door and up the street

Saio porta fora e subo a rua
Ah, uh, uh, uh, uh, uh
look at the stars

Olho as estrelas
Ah, uh, uh, uh, uh, uh
look at the stars for down

Olho as estrelas, caindo
Ah, uh, uh, uh, uh, uh
And I wonder, where is that

E eu me pergunto, onde é que
Ah, uh, uh, uh, uh, uh
I missed

Eu errei?

Same Mistake – James Blunt

FIM


Acabou... Pois é, esse é o fim. Muito obrigada a todos que acompanharam a história e além de ler, deixaram reviews. Foi um prazer imenso escrever e presentear minha querida Amiga Lady Anúbis. Você sabe que te adoro querida.

Meus agradecimentos também às minhas amigas: Isabelle Delacour e Yume Vy que me apoiaram com sua paciência e incentivo durante a criação, e à minha filhota Ifurita betou para mim. Obrigada Filhota

Agradeço também a todos que leram e por qualquer motivo não deixaram review. Muito, muito obrigada.