Capítulo 3
Hospital Infantil
17 de Dezembro, oito dias para o Natal
Na manhã seguinte Gina acordou com o som do chuveiro. Lembrou-se então que Malfoy ainda estava ali. O porquê de ainda não te-lo expulsado, era um mistério até para ela. Ele simplesmente a seguira o dia anterior inteiro, e ainda estava ao lado dela quando ela chegara em casa. O deixara entrar porque estava muito cansada para discutir. E ali estava ele, tomando banho em seu banheiro. A vida podia realmente ser muito sarcástica. De todas as pessoas do mundo, justamente Draco Malfoy estava usando seu shampoo.
Suspirando ela se levantou, olhando desolada a bagunça que estava o quarto. Havia roupa suja espalhada por toda a parte, em cima da escrivaninha, tomando toda a poltrona, e até parte de sua cama. Ela precisava dar um jeito naquilo, se Malfoy entrasse ali, teria uma boa idéia de que tipo de roupas de baixo ela usava.
Com a varinha, colocou todas as roupas em um grande cesto. Se vestiu e se enrolou no roupão, estava um pouco frio mesmo com o aquecedor trouxa, do lado de fora a neve caia se parar. Pegando o cesto ela desceu as escadas, e foi para sua pequena lavanderia, que ficava em um canto do jardim. Estava congelando, mas ela precisava lavar toda aquela roupa. Sorte haver alugado a casa já mobiliada com coisas trouxas, e possuir uma máquina de lavar.
-Ora, ora. Vejam se não é a Weasley lavando suas roupas.- uma voz debochada veio da porta da cozinha.- Que cena mais... doméstica...
-Quer que eu faça o quê?- ela revirou os olhos.- Dê para você lavar? Aliás, acho que seria uma boa, já que está praticamente hospedado aqui, e ainda comendo, dormindo e tomando banho de graça.
-Eu cozinho, Weasley.- ele repondeu, mostrando a ela uma bandeja de deliciosas panquecas.- Mas, se você não quiser, eu posso comer tudo sozinho.
-Não seja infantil, Malfoy.- ela respondeu, correndo para o calor da cozinha, e o cheiro das panquecas.- É claro que eu quero comer.
Eles se sentaram a mesa, cada um se servindo um prato cheio de panquecas. Novamente, Draco se escondeu atrás do 'Profeta Diário' de Gina, sem perguntar antes se ela se importava que ele lesse seu jornal, antes dela.
-Você disse que eu estava praticamente hospedado aqui.- Malfoy resmungou finalmente, após ficar minutos em silencio, lendo atentamente uma notícia.
-E está. - Gina resmungou, se encostando satisfeita na cadeira, a barriga cheia e quentinha.
-O que eu preciso fazer para ficar hospedado aqui?- ele perguntou, olhando-a mais sério do que ela jamais o vira.
-O quê?- Gina exclamou se sentando reta na cadeira.- Não, não, não, não! Nós concordamos que seria apenas uma noite! E você já ficou duas, me ajudou a fazer compras, cozinhou para mim, e tomou banho no meu banheiro!
-Queria que eu não tomasse banho?- ele perguntou indignado.
-Queria que você não tivesse aparecido.
-Por quê? O que eu fiz de tão ruim contra você?- ele perguntou.
Gina abriu a boca para finalmente responder, mas então se calou. O que afinal ele havia feito para ela, que o tornava tão ruim? Ele fora um idiota em Hogwarts, sim. Mas, isso fazia muito tempo. Ele a atropelara na rua, mas ela supunha que não fora de propósito. Ele rira dela na loja, mas ela realmente vestira roupas ridículas. E eles se despresavam, mas até ali isso não significava que se odiassem. Dentro dos limites, até que estavam se dando bem, nos últimos tempos. Não era uma relação de amizade, carinho ou confiança. Mas, ei! Eles eram Malfoy e Weasley, sob o mesmo teto.
Ela levantou os olhos a tempo de vê-lo sorrir triunfante, por causa da expressão dela. Draco rapidamente desfez sua expressão de vitória, a substituindo por uma de abandono e tristesa.
-Seu hipócrita.- ela o acusou.- Por quanto tempo quer ficar?
-Eu não sei, não muito. - ele respondeu, abandonando o fingimento. - Apenas alguns dias, até arranjar outro lugar para ir.
-Certo. E promete que não vai me incomodar muito nesse tempo?- Gina perguntou.
-Palavra de Escoteiro.- ele sorriu para ela.
-Malfoy, você por acaso já foi escoteiro?- ela revirou os olhos.
-E isso importa?- ele sorriu ainda mais.
Gina abaixou os olhos, sacudindo a cabeça. Seria uma longa semana. Foi quando seus olhos caíram sobre a página aberta do jornal, que Draco estivera lendo.
-Ei, esse aí não é o seu pai?- ela perguntou, apontando a foto.
Draco imediatemente empalideceu, fechando o jornal.
-Espere! - Gina gritou.- O que ele faz no jornal?
-O que um Malfoy faz no jornal?- Draco falou desdenhoso.- Estamos sempre aparecendo no jornal, Weasley. Por mais surpreendente que isso possa soar.
-Nem tanto, com a fama de vocês.- Gina retrucou aborrecida. E ao ver Draco se levantar perguntou.- O que planeja fazer hoje?
-Preciso pegar algumas coisas. Não posso ficar usando a mesma cueca durante dias.
-Que delicado.- Gina virou os olhos.
-Estou saindo, e não espere por mim.- ele anunciou, deixando-a sozinha na cozinha. Ao ouvi-lo no hall de entrada, Gina teve uma idéia.
Ela correu, se colocando exatamente entre ele e a porta. Draco a olhou espantado, ao ver como ela sorria.
-Eu não vou esperar.- Gina respondeu ainda sorrindo.- Porque eu vou com você.
-O quê?- ele exclamou irritado.- Não! Sem chance.
-Por que não? Você me seguiu ontem o dia inteiro.- ela deu de ombros, cada vez mais feliz com a expressão irritada dele. Quando Gina era boa, ela era ótima. Mas, quando era má, era melhor ainda.
-Por que eu não vou deixar.
-Vai fazer o quê? Me amarrar?
-É uma idéia.
-Você não faria isso, está morando na minha casa de favor. Eu podia expulsa-lo, ou mandar prende-lo depois, dizendo que foi invasão.
-O que é isso? Você é realmente uma Weasley boazinha, ou o quê?- ele perguntou surpreso.
-Essa é uma longa história.- ela retrucou.- Que eu não pretendo te contar nunca.
-Você não vai, Weasley.- Malfoy respondeu cada vez mais bravo, por ela estar usando suas próprias palavras contra ele.- E isso é ponto!
ooooooo
Meia hora depois os dois andavam até a Estação King´s Cross. Draco bufava furioso, e Gina sorria vitoriosa a seu lado.
-Oh, não é tão ruim assim, Malfoy.- ela riu.
-Cale a boca.- ele murmurou.
Eles entraram na velha estação. Gina não fazia idéia do que ele pretendia, até que o viu se aproximar dos ármarios da estação. Pessoas alugavam aqueles ármarios, para deixar suas malas por um tempo, enquanto esperavam um trem que fosse demorar. Observando-o, Gina viu que Draco olhou para os dois lados antes de abrir o armário. De dentro tirou uma mala, então se aproximou dela.
-Pronto, vamos.- ele falou com uma certa urgência.
-Espere aí.- Gina murmurou, ao ver uma banca de jornais trouxa.
-O que foi agora?- ele perguntou.
-Acalme-se, só vou comprar uma revista. Não tem nada para fazer lá em casa, e está muito frio para ir até o Beco Diagonal.
-Eu vou para casa.- ele murmurou, e ela ergueu as sobrancelhas.- Quero dizer... para sua casa. Oh, você me entendeu!- ele exclamou furioso consigo mesmo, por ter chamado a casa da Weasley de sua casa.
-Certo. Mas, você vai ter que esperar então. Só eu tenho a chave.- ela sorriu, se afastando.
Na banca olhou em volta. Os trouxas eram mesmo estranhos. Haviam várias revistas, todas as quais pareciam tratar dos mesmos assuntos inúteis. 'Como reconhecer o homem dos seus sonhos', ou '100 dicas para enlouquecer um homem na cama', mas as melhores eram as reportagens sobre 'a magia por trás das cartas de tarô'. Gina soltou um muxoxo, nem mesmo o Pasquim escreveria um lixo como aquele.
Acabou optando pela revista que trazia a matéria sobre o 'homem dos sonhos'. E sabem porque ele se chama dos sonhos?, Gina resmungou mentalmente Por que ele não existe! Abriu a revista, enquanto caminhava para a porta da estação.
'O homem de seus sonhos deve ser alguém que tenha, no fundo, os mesmos interessesses e objetivos que você. ' ela leu. Ótimo, tudo o que precisava encontrar era outro pretendente a auror fracassado, sem sorte nenhuma na vida. Quem sabe assim os dois pudessem ser felizes, chorando suas mágoas? Seria uma forma aternativa de felicidade. E afinal, eles teriam os mesmos obejetivos, não era isso que a revista queria?
'Olhe em volta, quem sabe ele não estava ali o tempo todo, sem que você percebesse.' ela leu, mais para frente. Acho que não, pensou amarga. Fechou a revista aborrecida, e quando ergueu os olhos viu Malfoy. Ele colocava uma moeda dentro da caneca que um homem vestido de Papai-Noel segurava, o dinheiro arrecadado iria todo para o hospital infantil.
Gina sorriu, surpresa com o gesto dele. Ele doara dinheiro! Ele, Malfoy! Para um hospital infantil trouxa! Os olhos dele se ergueram e encontraram com os dela. Ele se virou de costas parecendo aborrecido, a começou a caminhar em direção a casa de Gina. Ela correu para acompanha-lo. Eles não se falaram, mas ela não conseguia parar de olha-lo, surpresa e encantada.
-O que está me olhando, Weasley?- ele perguntou por fim.- Aquilo era só dinheiro trouxa. Não é como se eu fosse precisar, morando de graça com você.
Ela não respondeu, tentando não rir da reação ofendida dele. Quando se aproximaram da casa de Gina, viram uma coruja parada na grade da escada, que dava para a porta. Draco correu até ela, e entortou a cabeça para poder ler o destinatário.
-É para você.- murmurou.
Gina, surpresa, tirou a luva e apanhou o pedaço de pergaminho. Era do centro de treinamento de aurores, eles queriam conversar com ela.
-Eu preciso ir.- Gina murmurou cada vez mais surpresa, colocando a revista e as chaves na mão de Draco.- Tem comida na geladeira, e não espere por mim.
E com isso desaparatou, deixando Draco para trás, surpreso.
-Como se eu fosse esperar.- ele gritou para ninguém em particular, aborrecido que ela achasse que ele pensara em espera-la.- Weasleys. São todos muito convencidos.
E entrou, respirando feliz por finalmente estar em sua casa provisória. A verdade é que ali era muito aconchegante, e tinha uma estranha sensação de lar e segurança. Embora ele afirmasse para si mesmo, que apenas se sentia assim, porque estando ali não teria que dormir na rua ou em um maldito hotel cheio de pulgas.
ooooooo
Gina apanhou a chave reserva embaixo de um dos vasos do jardim. Já era tarde da noite, e ela não queria acordar Malfoy. Ele ficaria furioso com ela, e se tornaria um idiota de novo. Os Aurores a haviam chamado por causa de seu último teste. Ela não fora tão bem quanto o esperado, mas eles fizeram uma discussão de horas, sobre se ela tinha uma chance de tentar novamente. E haviam chegado a conclusão que sim, que ela teria uma última chance em poucos meses.
Embora estivesse feliz e aliviada, Gina não se sentiu muito entusiasmada, quando sua família a chamara para comemorar. Durante toda a festa, ela via seus pensamentos se voltando subtamente para sua casa, e para Malfoy. Mas, ela dizia a si mesma que era apenas preocupação com o que ele poderia estar aprontando.
A casa estava escura e silenciosa quando ela entrou. Subiu silenciosamente as escadas, e sem conseguir se conter, abriu a porta espiando o quarto onde Malfoy estava dormindo. Mas, ele estava vazio, a cama ainda arrumada. Preocupada, Gina procurou por ele no banheiro, e em seu quarto. Mas, não achou nada. Talvez ele tenha resolvido ir embora, afinal de contas. ela pensou, levemente decepcionada. Não era tão ruim tê-lo ali, estava ficando acostumada com a presença dele. Parecia estranho estar sozinha novamente.
Foi quando viu o sobretudo de Sam, que Draco estava usando, pendurado no cabideiro do hall. Desceu as escadas, e quando olhou na sala encontrou Draco dormindo no sofá. Ele estava todo encolido, ainda vestido, a respiração calma a tranqüila. Ela se aproximou lentamente, para vê-lo dormir. Ele era mesmo muito bonito, e ficava ainda mais com o cabelo caindo levemente em seu rosto.
Sacudiu a cabeça, e subiu para pegar um cobertor para ele. Quando o cobriu, ele murmurou alguma coisa sobre quadribol que a fez rir. Então, percebeu que ele não tirara os sapatos. Com cuidado, tirou os sapatos dele, para que se sentisse mais confortável. E murmurou:
-Boa noite, Malfoy.
Ela saiu da sala, apagando a luz. Levando a mala dele, para o quarto que Malfoy ocupava. Foi só quando, já de pijamas ela se deitou em sua cama, que percebeu algo. Se não se cuidasse, iria começar a gostar dele.
ooooooo
N/A- Oi, desculpem eu demorar tanto! É que está meio complicado eu entrar no computador aqui de casa, especialmente se for sobre Harry Potter, porque meus pais não estão muito felizes com o fato de que novamente eu não passei no vestibular de medicina. Talvez afinal eu seja burra... Mas, prefiro pensar que a nota de corte 71 é o problema afinal, certo? Sejamos otimistas! Então, aqui está mais um capítulo! Espero que tenham gostado. Obrigada por estarem lendo! Beijos, Madam Tessa
Lolita Malfoy, até que a Gina é fácil de converncer, hein? Além do mais, o Draco cozinhando deve ser uma visão, e ela não ia perder isso, não é mesmo? Bem, eu não perderia. EuDy, sim, eu sempre fui a favor de ajudar os sem-teto. E acho que a Gina também. Pobre Draco... perdeu tudo, mas ganhou a Gina. Até que a troca foi justa... Luiza Potter, EU AMO DG! Acho que é casal mais engraçado! Adoro como eles brigam. É aquela relação bem tipo 'entre tapas e beijos, é ódio é desejo, amar é loucura.' Nossa, isso é tão velho... Mas, serve. Que bom que está gostando, e obrigada pelos elogios! The Blue Memory, gostei do nome! Bem original, já tinha te dito. O porque de ter um Malfoy gorducho e barbudo? Hum, acho que ainda vai demorar um pouco para explicar. Caramba, vocês estão na maior expectativa, e é uma coisa tão simples... Bem, não desista da fic! No final, tudo se resolve. Ou pelo menos se ajeita, hahaha. (Ataques de boberite hoje!) Gla Evans-Dumbledore, sim a intrigante e misteriosa roupa natalina, de explicação simples e rápida... Toh com medo que me matem quando explicar tudo. Em todo caso, como brasileiras, não vamos desistir nunca. Eu de tentar escrever algo bom e você, espero, de ler o que estou escrevendo. Biazinha Malfoy, eu sempre achei o Draco um adolescente mal compreendido. E agora é que ele viu que a Gina é uma garota de verdade. Ele não parecia um cachorrinho seguindo ela? Muito fofo!
