Capítulo Três
A SALA SECRETA

Era um melancólico dia de Março, muito frio e ventilado. Harry sentou na biblioteca, de costas para a porta. Ele esperava ter um pouco de paz. Estava tendo muitos problemas em se concentrar ultimamente. Podia ter sido por conta de muitas coisas em que andava pensando, mas ele sabia qual era. Rony e Hermione passavam muito tempo juntos, mas não era isso. O time da casa estava na corrida para o campeonato, mas também não era isso. Voldemort estava ficando cada vez mais poderoso. Harry sabia que aquilo deveria preocupá-lo, e realmente o preocupava. Novamente, não era aquilo que estava desconcentrando ele. O que o preocupava era seu relacionamento, ou a falta disso, com Gina Weasley.

Desde o Dia dos Namorados, Gina não saía da sua cabeça. Tudo bem, aquilo era uma mentira. Gina não saía da sua mente há algum tempo. A verdade era que ele estava pensando em Gina por mais de um ano. No início, ele encarou como um interesse fraterno. Mas, quantos irmãos normais querem esmurrar qualquer sujeito que fala com a sua irmã? Então ele pensou que fosse por causa dos Weasleys. Além do mais, eles tinham praticamente o adotado. Ele não deveria se importar com o bem-estar dela? Ainda, novamente, ele não sentia aquele nó no estômago quando Rony estava chateado, ou quando os gêmeos estavam com raiva. Não, esses sentimentos eram apenas por Gina. Foi preciso um presente especial dela para ele para que ele enfrentasse a realidade. E a realidade era que ele gostava de Gina, gostava muito dela.

Os pensamentos de hoje eram, entretanto, de preocupação. Não acontecia freqüentemente, mas ele começou a observar um padrão. Harry percebeu que se ele tivesse Defesa Contra as Artes das Trevas, era uma chance de que Gina estivesse tendo um dia de folga. Às vezes durava apenas o dia, outras vezes durava um pouco mais. Mais uma vez, ele a tinha visto no corredor, sem prestar atenção, correndo para algum lugar. Quando ele tentou chamar por ela, ou ela não o ouviu, ou o ignorou. Ele realmente torcia para que ela não o tivesse escutado, não agüentava pensar na outra possibilidade. Ele tentou descobrir de onde ela vinha todas as vezes que a tinha visto. Mas, do que ele conseguiu reunir, ela tinha um período livre antes de cada encontro. Isto era algo que ele teria que investigar mais. Ele deitou a cabeça na mesa fresca da biblioteca e tentou clarear sua mente. Vê-la chateada realmente o preocupava.

Em uma mesa próxima, ele ouviu sussurros altos. Assim que olhou sobre seus ombros, notou um par de garotas do quinto ano; elas eram amigas de Gina. Olhando mais um pouco, ele notou que ela não estava com elas. Enquanto observava, mais duas se aproximaram da mesa balançando as cabeças. Ele escutou de perto, sem saber realmente o porquê de estar fazendo aquilo.

- Vocês não a encontraram? - perguntou uma garota que Harry reconheceu como Ash, uma das colegas de quarto de Gina. Seu nome verdadeiro era Ashley, mas por alguma razão estranha, todos a chamavam de Ash.

- Não, nós procuramos por toda escola. - disse Pauline, outra colega de quarto.

- É, e eu até fui falar com a morcega velha e perguntei se ela sabia onde ela tinha ido. Talvez ela pudesse usar sua visão-interior para coisas mais úteis. - Kristin, a última companheira de quarto, disse.

- Você não disse isso dessa maneira, disse, Kristin? - perguntou Ash.

- Não, mas deveria. Eu juro. Ela não tem nada melhor para fazer além de torturar a Gina? - Kirsten, suplicante, perguntou às suas amigas.


Torturar Gina? Quem estava torturando Gina? E por quê? Estas perguntas invadiram a mente de Harry. Ele estava quase se levantando e se juntando às garotas, quando pensou melhor sobre isso. Não, era melhor ele ficar onde estava. Iria apenas escutar um pouco mais da conversa. Afinal de contas, ele estava reunindo informações; não era como se estivesse espionando, ele tentou se convencer.


- Trelawney disse que Gina ficou com ela por aproximadamente quinze minutos, então foi embora. Ela não tinha idéia sobre onde Gina poderia ter ido. - disse Kristin.

- Conte a elas o que ela disse hoje. - disse Pauline.

- O quê? O que ela disse hoje? Aconteceu algo mais? Eu pensei que fosse a mesma besteira que ela vem repetindo todo ano. - disse Michelle, outra amiga de Gina.

- Espere, eu não estava lá hoje. Alguém pode me pôr a par da situação? - disse Robin, a última quintanista da mesa.

- Tudo bem, começou da mesma maneira de sempre. Trelawney olhou para Gina e ficou toda confusa. Gina olhou para mim e revirou os olhos. Ela me disse que precisava, realmente, desistir daquela matéria. - disse Ash.

- Eu não entendo. Ela tem feito isso com Gina desde o terceiro ano praticamente. Ela já deveria ter desistido. - disse Michelle.

Robin olhou para o grupo um pouco intrigada: - Ela mencionou o garoto de cabelos negros novamente?

- Na mosca. Tá vendo, você nem mesmo precisava estar lá para entender! - disse Kristin sarcasticamente.

- Olha, nem começa. Não sou eu que fico juntando Gina e Harry Potter em Adivinhações. - disse Robin rapidamente.


Aquela pequena menção do seu nome, realmente chamou a atenção de Harry. Quem estava juntando ele e Gina? O que diabos Trelawney, aquela morcega velha, tinha a ver com isso? Ele procurou escutar mais de perto.


- Robin, quantas vezes vamos te dizer isso? O garoto de cabelos negros não é Harry Potter. Você não lembra que Trelawney mencionou Harry e o tal garoto ao mesmo tempo? Ela até disse que eles eram pessoas diferentes. - disse Ash.

- Sim, sim, agora eu lembrei. É tão confuso. Ela é tão vaga. E eu não sei quanto a vocês, mas Gina sabe muito mais sobre isso do que está nos contando. - disse Robin.

- Ela está certa. Eu não acho que Gina ficaria tão chateada se não tivesse algo por trás de tudo isso. - disse Michelle.

- Gina é nossa amiga. Ela nos contaria se houvesse alguma verdade nisso. - disse Pauline.

Ash e Kristin baixaram os olhos, e não responderam às outras.

- Tudo bem, desembuchem vocês duas. Vocês sabem de algo, e não estão nos contando. Gina também é nossa amiga! - ralhou Michelle.

Ash e Kristin olharam uma para a outra, e silenciosamente concordaram em contar às outras o segredo delas.

- Certo. Sentem todas vocês. Kristin e eu viemos pensando bastante nisso, e traçamos uma linha do tempo.

- Uma linha do tempo? Do que estão falando? Como diabos vocês fizeram isso? - perguntou Pauline.

- Bem, vocês sabem, eu sempre faço boas anotações. - declarou Ash.

Assim que as outras acenaram de acordo, ela continuou: - Eu dei uma olhada nas minhas anotações de Adivinhações, e achei todas as vezes que Trelawney mencionou Gina e o garoto de cabelos negros.

- Você realmente tem isso anotado? - perguntou Robin um pouco chocada.

- Vocês querem escutar ou não? - repreendeu Kristin.

Todas as garotas assentiram com a cabeça e ficaram quietas, então Ash pôde continuar sua história.

- Bem, Trelawney começou com isso no terceiro ano. - Ash puxou uma pasta e abriu. As garotas estavam quase dizendo alguma coisa, quando Kristin olhou-as com um olhar que dizia "calem a boca e escutem, senão...".

- Eu examinei minhas anotações, e escrevi todas as vezes que ela mencionou o garoto de cabelos negros e Gina, e as poucas vezes em que ela mencionou Harry também. A primeira vez foi no primeiro dia de aula.

Em uma imitação precisa de Professora Trelawney, Ash falou: - Minha querida, você tem um passado misterioso com um garoto de cabelos negros. Você acredita que ele se foi, mas temo que esteja errada. Você o encontrará novamente.

Ash, vendo a expressão de Michelle, falou primeiro: - Sim, eu escrevi palavra por palavra. Você sabe como eu sou quando o assunto é anotações. Agora, façam silêncio, e me deixem terminar. - Michelle sorriu, balançou a cabeça e deixou Ash terminar.

- A maior parte do terceiro ano é a mesma coisa. Ele se foi. Você está errada. Encontrará ele de novo. Bla, Bla Bla. Então, lá pro fim do ano, ela disse uma coisa estranha. - notando a cara das outras, ela respondeu à pergunta delas. - Sim, estranha mesmo para Trelawney.

Imitando a voz estranha da professora, Ash falou novamente: - "Ah, sim, minha querida. Você está preocupada com alguém próximo a você. Próximo ao seu coração, contudo, tão longe do seu alcance. Mais uma vez, ele deverá encontrar o garoto de cabelos negros. Embora, ele não será reconhecido, como uma vez foi. Temo que o garoto de cabelos negros tenha mudado, e tenha adquirido outra aparência. Contudo, você e seu coração sempre o reconhecerão, mesmo que os outros não o façam. Temo que seu coração não sobreviva a esse encontro. Eu vejo a morte muito próxima a ele. Apesar de que, essa nova aparência não tenha nenhum conhecimento sobre seu encontro e do seu coração com ele, eu temo que, no momento certo, ele será informado".

- Ash, você está me assustando. O que diabos significa isso? E quem diabos é "seu coração"? - disse Robin.

Kristin assumiu nesse momento: - Essa predição aconteceu no fim do terceiro ano. Você lembra o que estava acontecendo no fim do terceiro ano? - ela olhou para suas amigas que estavam na mesa.

- Isso foi durante o Torneiro Tri-Bruxo. - disse Pauline.

- Exato, e quem você acha que seria o coração de Gina? - disse Kristin sarcasticamente.

- Ah, cai na real. Bem, nós todas sabemos que Gina teve, e eu enfatizo, TEVE, uma quedinha pelo Harry. Mas isso acabou, eles são apenas amigos agora. - disse Michelle.

- Eu não tenho tanta certeza. Gina mantém muita coisa de sua vida em segredo. Seu primeiro ano, aquele diário, aquele que ela não tem mais. E principalmente Harry. Se eu não a conhecesse melhor, eu diria que ela nem ao menos conheceu Harry Potter. Isso porque ela fala muito pouco nele. Mas de algo eu sei. Harry é de quem Trelawney está falando. Aqui está o que ela disse após o torneio. - disse Ash.

- Minha querida, você está aliviada, mas não comemore a vitória ainda. Embora seu coração esteja vivo, parte dele morreu. Ele se sentirá culpado pela ressurreição do Lorde das Trevas, e pela morte do outro garoto de cabelos negros. Será muito depois dele perceber que não pode mudar o destino. Escute seus sonhos. Preste atenção. Você não está fora do alcance do garoto de cabelos negros. Um traidor, uma vez fingindo-se de amigo, irá informá-lo em breve sobre o último encontro. - Ash revelou na imitação precisa.

- Ash, você está dizendo que o garoto de cabelos negros é Vold... - Robin estremeceu quando tentou terminar a palavra, mas não conseguiu.

- Ash, isso é loucura. Quando Gina poderia ter encontrado o Lorde das Trevas? E mesmo que tivesse, ela não estaria morta? - disse Michelle.

Ash olhou para as amigas. Com uma voz triste, ela disse: - Eu não sei. Tudo que sei, é que algo aconteceu à Gina no primeiro ano. Antes de todas nós sermos amigas dela. Eu sempre pensei que ela fosse nostálgica, ou um pouco sensível ao que estava acontecendo. Agora, com todas essas coisas que Trelawney disse, eu quero saber. Nenhuma de vocês ouviu falar que Harry salvou a vida dela? E tem mais. Vocês querem que eu continue?


- Sim, por favor, continue. - Harry pensou.


- Sim, por favor, continue. - disse Pauline.

- Ano passado foi a mesma coisa: garoto de cabelos negros isso, garoto de cabelos negros aquilo. Ela não foi bem específica até o terceiro semestre. Então, ela começou a mencionar o outro garoto alto. - o grupo assentiu e Ash continuou.

- Oh, minha querida. Vejo que ainda está ocupando seu pensamento com muitos garotos. Eu acho que seria melhor você se concentrar, talvez, num outro assunto. - Ash olhou para as garotas. - Lembram que Gina ficou muito irritada com ela, e disse que seus pensamentos estavam em outra coisa além de garotos, já que suas notas eram tão altas. - as outras assentiram, sorriram, e pediram para Ash continuar.

- Então a morcega velha começou a falar do garoto alto. - o grupo assentiu.

- Minha querida, vejo que seus pensamentos caíram em outro. Um garoto alto, que possuiu seu coração uma vez. Muito mais próximo que seu coração de antigamente. - Ash parou e comentou que a professora Trelawney parecia um pouco irritada com Gina. - Eu vejo que você chama por ele mais uma vez. Sinto dizer, mas ele não vê você. Mesmo na doença, ele não estará ao seu lado. Ai, eu vejo seu coração, ao seu lado, assistindo, ou talvez, esperando. Por todo o tempo, suas noites são consumidas pelos sonhos que vocês ainda tem com o garoto de cabelos negros. - Ash acenou para Michelle, para que ela dissesse o que tinha acabado de dizer.

Michelle começou: - Eu disse pesadelos. Eu lembro daquele dia. Gina estava espumando de raiva; ela estava aborrecida com Trelawney. Gina disse "sonhos que ainda tem, sua estúpida", algo que não repetirei, "você nem ao menos reconhece um pesadelo quando o ver com sua visão interior". Eu perguntei à Gina sobre isso, e ela disse que não queria falar sobre aquilo. Eu não sei se ela tem ou não pesadelos, não estou em seu dormitório, mas ela nunca mencionou nada a mim.

Pauline Kristin balançaram a cabeça negando a pergunta sobre os pesadelos, mas Ash não.

- Ela tem. Todas as noites. - Ash disse.

Ela, vendo o olhar que Kristin e Pauline lançavam sobre ela, continuou: - Gina lança um feitiço silenciador em sua cama todas as noites. Eu a ouvi fazer isso uma noite. Eu fiquei acordada e esperei. Não ouvi nada, mas vi as cortinas da sua cama se mexendo. Eu levantei, e fui vê-la. Ela estava no meio de um pesadelo horrível. Eu não estou bem certa, mas acho que ela não passa uma semana sem ter um pelo menos. Esse é um dos motivos pelo qual passei a anotar tudo que Trelawney diz. Ela pode não acertar muito no que prediz, mas com Gina, existe alguma verdade. Algo a assombra, algo que ela não vai dividir com ninguém.


Harry precisou de toda força que pôde reunir para permanecer sentado, e não sair da biblioteca à procura de Gina. Ele sabia que o garoto alto que Trelawney mencionou era Rony. Aborrecia-o a idéia de que a professora tivesse olhado para Gina como se esta fosse uma qualquer. Ele ficou mais aborrecido com os sonhos. Ele sabia como era aquilo. Matava-o por dentro saber que Tom ainda perseguia Gina. E aquela Trelawney era estúpida o suficiente para não desistir desse assunto com ela. Por que Gina não foi a Dumbledore, e pediu para que ele falasse com a professora? Por que ela não disse nada para Rony, para ele, ou até mesmo para Hermione? Por que estava sofrendo sozinha? Ele quebrou aquela linha de pensamento e continuou a escutar a conversa das quintanistas.


- ... até mesmo desistir de Adivinhação não iria resolver o problema. Trelawney procura Gina nos corredores. Você não lembra o que aconteceu no Dia dos Namorados? - disse Kristin.

- Não! - disse Robin. - Onde eu estive naquele dia? O que aconteceu?

No momento em que Michelle começou a falar, Harry ficou grudado na conversa: - Nós estávamos indo para Defesa Contra as Artes das Trevas, nós nem ao menos tivemos Adivinhação aquele dia. De repente, Trelawney surgiu até Gina e agarrou seu braço. Você fala, Ash, você sabe imitar a voz da morcega velha melhor.

Ash imitou a professora: - Minha querida, pense antes de dar um presente a alguém que considera querido. O presente que você deu trouxe aflição e dor a ele. Enquanto conversamos, eu o vejo, no alto de uma torre, com lágrimas na face e no coração.

- Espera um pouco. - disse Pauline. - Se isso foi no Dia dos Namorados, então Trelawney não sabia do que estava falando. Esse foi o dia em que Harry abraçou Gina na Sala Comunal. Esse foi o dia em que ele a beijou, bem na nossa frente. Que tipo de dor causaria essa reação?

- Sei o que quer dizer. - disse Ash. - Eu perguntei a ela sobre aquele dia, e ela não irá contar. Então, não tenho a mínima idéia sobre que presente Trelawney estava falando. - após dizer isso, Ash notou um olhar diferente nos olhos de Kristin. - Certo, Kristin, desembucha. O que você sabe?

Kristin riu: - Nada demais, na verdade. Eu apenas, meio que ouvi Rony Weasley e Hermione Granger falando sobre isso um dia.

- Você quer dizer que estava espionando eles. - disse Pauline, enquanto ria.

- Escutando, espiando, seis de um, meia dúzia de outro. - Michelle riu silenciosamente.

- Desembucha. - disse Ash.

- Não é nada. Hermione disse que Gina deu a Harry algumas informações. Mas, ela nem ao menos sabia o que eram, porque Gina não mostrou a ela. Na verdade, ela contou a Rony quem nem mesmo Gina sabia sobre o que eram essas informações. De alguma forma, ela copiou por meio de mágica essas informações para Harry, e deu a ele. Ela disse à Hermione que era muito pessoal, e se Harry quisesse que ela visse isso, ele a mostraria um dia. Mas, o que quer que fosse, ela foi abraçada e beijada por isso. Então, deve ter sido algo muito bom. E isso mostra que Trelawney é uma completa fraude. - disse Kristin.


Harry, mais uma vez, ficou chocado com aquela conversa. Ele não sabia que Gina não havia lido as memórias dos seus pais. Ele pensou que ela tivesse lido. Ele não tinha contado a Rony e Hermione sobre o presente, e nem Gina. Isso era algo que apenas eles dois sabiam. Preocupava-o o fato de Gina ter se esforçado tanto por ele, e ela não tinha nem idéia sobre o que eram essas memórias. Ele iria consertar aquilo. Assim que a achasse, ele iria falar com ela. Ele iria compartilhar aquele presente extraordinário com ela.


- Então, o que houve hoje? - perguntou Robin.

- Trelawney estava falando sobre sua visão interior isso, visão interior aquilo, quando entrou em transe de novo. Eu realmente achei que Gina ia se levantar e sair. Ela dizia isso com o olhar. Parecia que ela sabia que Trelawney ia dizer algo que ela não gostaria de ouvir. - disse Pauline.

Ash fez a voz de novo: - Minha querida, vejo que se reuniu à sua alma gêmea de novo, um tipo de irmão. Isso você deve ao seu coração. Cuidado com os presentes da alma que vocês trocam. Pois eles aproximam sua destruição. O garoto de cabelos negros sabe, ele está te procurando de novo. Ele espera por você e seu coração. Se se unirem, tornarão mais fácil a tarefa de capturá-los juntos. Pois juntos é como ele quer vê-los. Porém, ele só buscará vingança de sangue em você. Pois seu coração deverá morrer lentamente quando ele reviver seu falecimento.

- Sou só eu, ou Trelawney é a coisa mais assustadora da face da Terra? - perguntou Pauline.

- Eu não sei quanto a vocês, mas eu sei porque Gina escapou. - disse Michelle.

- Bem, por favor, nos esclareça, porque eu, pela primeira vez, não faço a mínima idéia. - disse Kristin.

- Vocês não vêem? - perguntou Michelle. - Trelawney disse que ela tinha se reunido. Deve ter sido por conta do Rony. Lembram que na época do Natal, eles se aproximaram de novo. Trelawney disse que o coração dela fez isso. Isso deve significar que Harry os fez se aproximarem. Então ela disse alguma coisa sobre presentes. Bem, Harry deu o Rony à Gina, e Gina deu informações a Harry. E se eles continuarem a dar presentes um ao outro, eles vão se tornar, eu não sei, próximos ou qualquer coisa do tipo.

- Então se Gina e Harry se tornarem um casal, o garoto de cabelos negros virá atrás deles? - perguntou Pauline.

- Mas esperem. - disse Robin. - Você não disse que achava que o garoto de cabelos negros era Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado?

- Sim. - Michelle continuou. - Então, Trelawney acha que se Harry e Gina ficarem juntos, o Lorde das Trevas virá atrás deles. Mas ele vai matar apenas Gina. Eu acho que ele fará Harry assistir a isso. Você viu como ele estava depois de Cedrico Diggory. Ele estava muito confuso. E eles nem ao menos eram amigos de verdade, pelo menos eu acho que não eram. Se Harry visse Gina morrer, acho que isso o mataria por dentro. Isso é o que Trelawney quis dizer quando disse, "Pois seu coração deverá morrer lentamente quando ele reviver seu falecimento", Gina deve achar que ela está certa nem que seja um pouco, caso contrário, não teria corrido.

- O que iremos fazer? Não podemos sentar aqui e esperar. Podemos? - perguntou Robin.

- Bem, até Gina confiar em nós, é tudo que podemos fazer. - disse Ash solenemente.

- Eu também não gosto disso, mas Ash está certa. Iremos esperar até que Gina queira nossa ajuda. - concordou Kristin.


Aquilo podia ser o que as quintanistas fariam, mas não um certo sextanista. Harry esperou as garotas deixaram a biblioteca. Ele não queria que soubessem que estivera ali. Não queria que suspeitassem de que ele tivesse ouvido a conversa delas. Ele teria de ir até seu malão para pegar o mapa. Muitas vezes, ele agradeceu pelo mapa ter aparecido em seu malão no começo do seu quinto ano. Não sabia como tinha conseguido o mapa de volta, mas estava feliz por tê-lo. Uma vez estando com o mapa, acharia Gina. Então ele teria de conversar com ela. Não tinha a mínima idéia do que iria dizer. Ele apenas sabia que tinha de estar lá para ela. Talvez ela falasse com ele. Afinal de contas, ele sabia sobre quem Trelawney estava falando. Ele esteve na Câmara com Gina. Ela não tinha de ter medo de falar com ele; eles eram amigos. E, ele queria ser mais que isso. Trelawney mesmo, se referiu a ele como seu coração. Era o coração dela? Bem no fundo, ele rezava para ser.


Ele apanhou o mapa, e saiu da Sala Comunal. Não havia nenhum sinal de Rony e Hermione, então não haveria perguntas. Harry entrou no armário de vassouras e iluminou o lugar com sua varinha. Ele procurou por Gina no pergaminho. A primeira vez, ele não a viu. Se ela estivesse fora da área do castelo, ele não estava com sorte. O mapa só mostrava o castelo e sua área exterior. Então, da segunda vez que olhou, notou algo. Num cômodo pequeno, perto de uma das escadarias, viu o ponto indicando ela. Ele não reconheceu aquela sala. Não lembrava de ter visto sala alguma perto das escadarias. Mas, ele lembrou que o castelo estava sempre mudando. Cômodos pareciam subir e descer antes mesmo de você percebê-los.

Quando ele subiu as escadas, procurou a sala, mas ela não estava lá. Ele olhou para o mapa; Gina e a sala estavam realmente lá. Então, as escadarias começaram a mexer, e lentamente uma porta apareceu. Ele bateu gentilmente, e viu que o ponto correu. Ele bateu de novo, e a porta abriu. Não ficou feliz com a visão diante dele. Gina tinha chorado. Seu rosto estava vermelho e corado. Seus olhos também estavam vermelhos, e ele podia dizer que eles estampavam sofrimento. Quando ela o viu, desatou a chorar e sentou no chão. Harry entrou no cômodo, e fechou a porta atrás dele. Sentou no chão próximo à Gina. Gentilmente a trouxe para perto, e a abraçou. Acariciou os cabelos dela e falou calmamente com ela. Ele disse que tudo ficaria bem. Que ninguém iria machucá-la. Que ele, Harry, estaria lá para ela, e que nunca a deixaria. Eles ficaram daquela maneira por algum tempo. Por fim, os dois adormeceram. Gina no colo de Harry. Harry no chão, com seus braços ao redor da cintura e dos cabelos dela. A cabeça dela apoiada no

Harry acordou algum tempo depois. Ele não sabia por quanto tempo estivera no chão, mas seus músculos estavam tensos. Gentilmente, ele afastou Gina dele. Ele cuidadosamente a levantou, e procurou um lugar para colocá-la. Bem no canto, notou um sofá, e em frente, uma cadeira. Com cuidado para não acordá-la, a levantou e andou até a área do sofá. Lentamente, ele a deitou em cima do sofá. Pegou o lençol, que estava por trás do sofá, e a cobriu. Acariciou sua face, se inclinou, e beijou-lhe a testa. Ele foi até a cadeira, sentou, e ficou a observá-la. O que ele iria fazer? Ela parecia tão perdida quando ele entrou. Ele iria esperar que ela acordasse. Então, iria aproveitar para fazer algumas perguntas. Primeiro, ele teria de achar um caminho para sair daquela sala. Tinha acabado de perceber que a porta pela qual tinha entrado não estava mais lá. Aquela tarde estava se mostrando bastante interessante. Harry fechou os olhos para descansar, e logo adormeceu.

Estava escuro quando ela acordou. Isso acontecia freqüentemente, ela tinha adormecido muitas vezes naquela sala. Não tinha acendido as velas, gostava da escuridão. Por alguma razão, aquela sala era confortante para ela. O que era estranho entretanto, era que ela não lembrava de ter deitado no sofá. Ela certamente não tinha se coberto com o lençol. Forçou-se a lembrar.

Gina começou a conversar por pensamento: - Eu vim até a sala após me encontrar com Trelawney. Eu estava chateada de novo. Trelawney disse para que eu ficasse longe do Harry. Voldemort sabia sobre o diário e eu. Ele sabia que Harry havia me salvado, e destruiu Tom. Voldemort está atrás da gente. Bem, é isso que a morcega velha pensa. Mas ela esteve certa no passado. Ok, não pense nisso. Por alguma razão, eu estou calma, e me sinto em paz. Como eu fui parar no sofá? Ok, eu vim para essa sala. Eu estava chorando. Eu fiquei aqui por um tempo. Alguém bateu na porta! Harry! Harry bateu na porta! Ele entrou. E, oh meu Deus, como fui idiota. Ele estava tão doce. Me abraçou. Tocou meu cabelo. Ele disse.... Ele disse que sempre estaria lá para mim. O que aconteceu em seguida? Lembre, Gina, lembre. Ok, eu senti como se estevesse sendo carregada. Então ele me cobriu. E então... Não, ele não poderia. Mas, pareceu como se alguém tivesse beijado minha testa. Preciso saber se ele ainda está aqui.

Gina tateou por sua varinha no bolso da sua túnica. Ela tirou-a do bolso e apontou-a para as velas, como já tinha feito tantas vezes antes. Dentro de segundos, velas iluminavam a sala. Ela olhou para a cadeira que ficava de frente ao sofá, e abafou uma risada. Lá estava Harry. Ele estava dormindo.

- Deus, ele é lindo. Eu queria poder ir até ele, mas eu não confio em mim mesma. - ela disse para si.

- Harry. - ela disse docemente assim que deitou no sofá.

- Humrph. - foi a resposta dele.

Gina teve que ri para si mesma. Ele era tão fofo quando dormia.

- Harry, acorde agora, deve ser tarde. - ela disse gentilmente, não queria assustá-lo.

- Tudo bem, humrph, me dê um minuto... Rony... estou tentando... - ele disse com sono.

Gina não pôde se conter, dessa vez ela riu alto.

- Harry, vamos, acorde. E eu não sou Rony! - ela disse rindo.

- Gina? O quê? Huh? Onde? Oh, essa cadeira não é nada confortável. - ele disse sonolento.

Tudo que Gina conseguiu fazer foi rir. Ela imaginou se ele acordava daquela maneira toda manhã. Aquilo era algo que gostaria de descobrir. "Virginia Weasley, tire esse pensamento sujo da sua mente", ela ralhou consigo mesma.

- Hm, oi, Gina. - ele disse timidamente.

- Oi, Harry. Dormiu bem? - ela perguntou.

- Sim, obrigado. E você?

- Sim, melhor do que tenho dormido ultimamente. - ela respondeu.

Ele não ia perder muito tempo, iria perguntar a ela agora.

- Gina, por que estava aqui? E por que estava chorando?

- Harry, poderíamos falar sobre isso uma outra hora, por favor? - ela pediu.

- Não, eu gostaria de saber.

- Harry, é uma longa história. E, bem, eu não acho que estou pronta para falar sobre isso. - ela tentou convencê-lo.

- É sobre o que Trelawney falou na aula hoje? - ele perguntou.

- Como sabe disso? - ela o questionou.

- Eu te contarei, se você responder minha pergunta primeiro. - ele disse.

Gina olhou para ele de uma maneira estranha. De todas as pessoas, Harry era a que ela menos queria envolver naquilo. Mas aquilo tudo envolvia ele. Talvez ele devesse saber a verdade. Ela apenas teria de tomar cuidado com a maneira que explicaria a ele.

- Sim, eu estava chateada com o que ela disse. Você sabe o que ela disse?

Ele assentiu.

- Mas você entende o que ela disse?

Ele assentiu de novo.

Gina corou, e colocou as mãos no rosto. Ela não tinha percebido que ele tinha se movido para perto dela no sofá. Passou os braços pelos ombros dela, e a puxou para si enquanto ela se inclinou para o lado dele. Ela não estava chorando, mas ele devia saber que ela precisava de conforto. Ela se sentia calma, à vontade, quando estava perto dele. Talvez as coisas não fossem tão ruins quanto Trelawney fazia elas parecerem, ela pensou. Os dois ficaram daquela maneira por algum tempo, ambos dando e recebendo conforto.

- Gostaria de falar sobre isso? - ele perguntou após quase meia hora que estavam abraçados.

- Não, mas eu falarei. Harry, como sabia onde eu estava? - ela perguntou.

- Eu usei o mapa. - ele sabia que os gêmeos tinham contado a ela sobre o mapa.

- Mas, por que estava me procurando?

- Quando eu te vi no corredor hoje cedo, você parecia aborrecida. Então eu ouvi algumas coisas na biblioteca. Eu sabia que precisava achar você. - ele disse honestamente.

- Você me viu no saguão? Eu não me lembro disso. - ela disse.

Harry sorriu com aquilo. Ele tinha torcido para que ela não estivesse o ignorando.

- O que você escutou na biblioteca? - ela perguntou.

- Suas amigas estavam lá. - ele notou o olhar dela e acrescentou. - Não fique chateada com elas. Elas se importam muito com você. Estão muito preocupadas com você.

O olhar dela amoleceu: - Fico surpresa de elas estarem falando tão alto. Espero que ninguém mais tenha ouvido. - ela comentou.

- Bem, - ele disse bastante constrangido. - eu estava meio que, espionando a conversa.

Gina olhou surpresa para ele, mas não estava brava. Na verdade, ela ficou bastante feliz de ouvir aquilo. Ela sorriu docemente, e seus olhos disseram para que ele continuasse.

- Elas estavam procurando por você. Disseram que você estava chateada. Algo sobre o que tinha acontecido em Adivinhações. Eu não pude evitar. Eu tinha visto como estava aborrecida, e eu imaginei que suas amigas poderiam ter as respostas. - ele disse se desculpando.

- Tudo bem, Harry, eu acredito em você. O que elas disseram?

- Bem, elas começaram a falar sobre o que Trelawney tinha dito. Fizeram uma retrospectiva sobre o que ela tinha dito durante esses anos. - Gina o interrompeu.

- Como elas lembrariam? - então ela riu. - A não ser que Ash tenha escrito todas elas. - Gina notou o olhar de Harry. - Ela escreveu, não foi?

- Hm, sim, ela escreveu. Gina, não fique...

- Não estou zangada. Essa é a Ash. Ela é igual ou pior que a Hermione quando se trata de anotações. - Gina riu e balançou a cabeça. - Continue, eu quero saber tudo.

- Elas falaram da primeira aula de vocês, e sobre o que ela disse antes e depois do Torneio. Elas mencionaram seu irmão, e...

- E o quê, Harry?

- O dia dos namorados. - ele disse tristemente.

Gina abaixou a cabeça e olhou para seu colo: - Oh, torci para que elas não tivessem mencionado isso.

- Gina, você não me trouxe dor alguma. Aquele foi o melhor presente que alguém poderia ter me dado. Eu não mentirei para você. Eu chorei. Gina, como um bebê. Mas não estava magoado. Estava sentindo falta de meus pais. Eu estava achando meus pais. Isso é o que você me deu. Você me deu meus pais. Você sabe como isso é maravilhoso? Não escute o que a morcega velha disse. Você não me magoou. Está ouvindo?

Gina olhou para Harry com lágrimas nos olhos. Ele também estava com os olhos cheios delas. Ele a puxou para si e a abraçou. Ele a beijou docemente na testa, e a segurou mais forte. Gina abraçou Harry de volta, e o agradeceu. Novamente, os dois ficaram daquela maneira por algum tempo.

- Harry, elas mencionaram o que Trelawney disse hoje?

- Sim, e eu quero dizer algo sobre isso. Confesso que algumas de suas predições são verdadeiras. Mas ela não entende tudo corretamente. Ela geralmente confunde as coisas em certos pontos. Então, eu acho que Voldemort sabe sobre o diário, e ele provavelmente virá atrás de nós. Mas, eu não acho que as coisas vão acabar da maneira que ela diz. E essa é a verdade, Gina. Eu não vou deixar de ser seu amigo porque uma vidente velha e louca diz que deveríamos. Eu adoro ser seu amigo, e acho que você também. Nós nos tornamos próximos nesse último ano, e eu não quero que isso termine. Você entende o que estou dizendo?

Gina tinha mais lágrimas nos olhos: - Fico feliz por saber que pensa assim. Eu realmente gosto de ser sua amiga. E também não quero que isso acabe. Mas, eu não quero que se machuque por minha causa.

Ele não deixou que ela terminasse. Ele agarrou a mão dela: - Olha, Voldemort está vindo atrás de mim, quer você queira, quer não. Eu preferia poder olhar para trás e lembrar dos bons momentos com você, do que olhar para trás e não ver nada.

Gina, ainda de mãos dadas com Harry, assentiu.

- Então, você está bem agora? - ele perguntou.

- Sim, eu estou melhor. Eu não posso deixar que ela tire a melhor coisa de mim. Eu apenas desejo que ela desista dessa coisa de "garoto de cabelos negros".

- Por que você não fala com Dumbledore sobre ela? Talvez ele a faça parar. - Harry disse.

Gina discordou com a cabeça: - Dumbledore mencionou algo a mim uma vez. Eu não acho que alguém tenha dito alguma coisa a ele, eu sei que não disse. Mas ele veio até mim. Ele disse que nem sempre queremos ser lembrados de experiências ruins, mas a prevenção pode ser uma boa aliada. Eu acho que ele sente que devo ficar ciente sobre qualquer coisa que tenha a ver com Voldemort. - Gina disse tristemente.

- Gina, - Harry perguntou hesitante. - você alguma vez não sonhou Tom?

Gina parecia desanimada: - Eu posso ficar alguns dias sem vê-lo. Eu não acho que, nos últimos quatro anos, eu tenha passado uma semana sem sonhar com ele. Isso é o que mais temo, que eu nunca me livre dele. Se Voldemort não me matar fisicamente, certamente Tom me matará... mentalmente.

Harry não sabia como responder àquilo. Ele segurou a mão de Gina mais forte. Os dois se olharam nos olhos, e ficaram novamente quietos.

- Se eu prometer falar sobre isso com você outra vez, podemos tratar de algo mais urgente? - ela perguntou com um sorriso tímido.

- Sim, claro. - ele respondeu. - Então, como saímos daqui? - ele perguntou com uma sobrancelha erguida.

- O quê? - ela riu. - Pela porta, bobo.

- Bem, Gina, veja, esse é o problema. Algum tempo depois de eu entrar, a porta desapareceu. A não ser que tenha aparecido enquanto estávamos dormindo, não voltou. Eu realmente não me importo com isso. Eu apenas não imagino como explicar à McGonagall o que nós dois fazíamos trancados aqui sozinhos. Deixa só seu irmão saber. - ele disse com preocupação na voz.

- Se eu não te conhecesse melhor, diria que está preocupado com a minha reputação.

- Sim, eu estou. - disse sério. - Você é uma bruxa de respeito. E eu não quero que ninguém pense o contrário de você.

O rosto de Gina adquiriu uma expressão de gratidão: - Harry, quanta gentileza, mas não é minha reputação que está em risco agora. Mas obrigada de qualquer forma.

- O que poderia ser mais importante do que sair daqui, Senhorita Weasley? - ele vociferou, mas brincando.

- Meu estômago primeiramente! Estou morrendo de fome! - ela disse.

- Problema número dois, perdemos o jantar, então teremos que dar uma passadinha na cozinha para... - ela não deixou ele terminar.

- Ah, típico de garotos fazer as coisas do modo mais difícil. Permita-me. - ela levantou e falou para o teto. - Jantar para dois, por favor.

Para o assombro de Harry, comida e bebida apareceram na mesa que se situava entre a cadeira e o sofá: - Como você...

- Não pergunte, porque eu não sei. Sempre que preciso de algo aqui, eu peço, e aparece. Foi assim que consegui o sofá e a cadeira. - ela riu.

- O que mais você pediu? - ele indagou.

- Não muita coisa, eu não gosto de ser gananciosa. Eu pedi a comida, o lençol, e...

- E o quê? - ele perguntou.

- Eu pedi um sono calmo. Eu costumo não sonhar enquanto estou nessa sala. É meu refúgio de Tom e minhas outras preocupações. - ela disse solenemente.

Harry entregou um cálice à Gina, e levantou o seu para fazerem um brinde: - A mim e a você. À amizade.

- À amizade. - ela brindou.

Harry e Gina comeram a refeição. Falaram mais sobre Tom e Voldemort, sobre a família dela, e o que aquelas pessoas significavam para ambos. Riram sobre a escola. E aprenderam novas coisas de um sobre o outro. Harry sabia que já era bem tarde. Não apenas as amigas de Gina ficariam extremamente preocupadas, mas também outras pessoas poderiam estar cientes do desaparecimento deles. Algo tinha o feito ele parar de procurar uma saída daquela sala. A sala tinha um efeito calmante nele. Ele gostava da maneira que o fazia sentir-se. Ele também gostava de estar próximo à Gina Weasley. Isso era algo que deveria fazer com mais freqüência.

Como se tivesse lido os pensamentos dele, Gina falou:

- Então, está pronto para fugir dessa sala? Estou certa de que se pedíssemos um martelo e uma picareta, nós poderíamos sair num instante. - ela brincou.

- Rá rá rá. Não é legal tirar sarro de pessoas perdidas. - ele disse fazendo beicinho.

- Eu não estou tirando sarro de você. Ok, então eu estou brincando, mas eu tenho permissão. - ela disse sem rodeios.

- Ah é? Como?

- Nós somos amigos. E amigos têm permissão de fazer brincadeiras uns com os outros. - ela disse, enquanto estirava a língua para Harry.

- Entendido. Agora, como saímos daqui? - ele perguntou.

Gina se levantou, e gesticulou para Harry dar-lhe sua mão. O que ele fez alegremente. E mais uma vez, ela falou com o teto.

- Porta, por favor.

Novamente, para o espanto de Harry, uma porta apareceu onde não havia nada antes. Gina sorriu para ele, e eles saíram pela porta e voltaram à Torre da Grifinória.

- Gina, alguém mais sabe sobre essa sala? - Harry perguntou.

- Não, acho que não. Bem, exceto o diretor. Ele estava do lado de fora do quarto na primeira vez que saí de lá. Ele disse que era uma sala agradável para se ficar quando se quer pensar. Disse que eu deveria usar sempre que quisesse pensar. Ele disse que a porta pode não estar sempre visível, mas se eu pedisse, apareceria. Eu tenho um pressentimento estranho de que Dumbledore sabe de tudo que acontece no castelo. - ela disse.

Enquanto eles estavam andando até a escadaria que levava à Torre da Grifinória, encontraram o Diretor. Por alguma razão entranha, nenhum deles estava surpreso por encontrá-lo.

- Boa noite, Harry, Senhorita Weasley. Eu acredito que esteja num melhor estado de espírito, Gina. - o Diretor perguntou.

- Sim, senhor. Obrigada. Eu estou. - ela respondeu.

- Não apenas aquela sala tem o efeito calmante. A companhia de outras pessoas parece ter o mesmo efeito. Lembre-se disso, Gina. Procure seus amigos quando precisar. - o Diretor disse.

- Sim, senhor, eu procurarei.

- Sinto muito pela Professora Trelawney tê-la chateado hoje. Você deve entender. Embora ela possa não ser precisa em suas interpretações, há verdades no que ela vê. Nenhum de nós irá sobreviver a Voldemort sozinhos. - ele olhou seriamente para ambos. - Nossos amigos também são nossos aliados. Mantenha-nos perto de vocês. Não tentem enfrentar este nosso mundo sozinhos. Lembrem, juntos somos fortes.

- Sim, senhor. - ambos responderam.

- Agora, está ficando tarde. Vocês deveriam mesmo voltar à Torre da Grifinória. Não se preocupem, seus amigos e família foram informados de que ambos estavam ocupados fazendo um trabalho para mim. - Harry e Gina olharam incrédulos para o Diretor. - Realmente, não foi uma mentira. Eu preciso de vocês dois unidos. Assim, de certo modo, vocês realizaram essa tarefa hoje. Já para cama vocês dois, e tenham agradáveis sonhos.

- Boa noite, senhor. - respondeu Harry.

- Bons sonhos, professor. - disse Gina.


Ambos caminharam até a Torre da Grifinória sem dizer uma palavra sequer. Ambos sabiam que o Diretor estava ciente de tudo que acontecia no castelo. Surpreendeu-os perceber o quanto ele sabia. Harry disse a senha e ajudou Gina a passar pelo buraco do retrato. A Sala Comunal ficou silenciosa assim que eles entraram. As amigas de Gina olhavam para ela preocupadas. Eles caminharam até Rony e Hermione, que estavam no meio de uma partida de xadrez. Gina se surpreendeu ao ver os gêmeos assistirem à partida. Dava para ver que os quatro tinham perguntas na ponta da língua.

- Então, vocês dois voltaram. Suponho que não adianta perguntar onde estavam, ou o que estavam fazendo. - Rony disse, irritado, enquanto Hermione apenas sorriu para eles.

- Hm, Ron, eu, quero dizer, nós realmente não podemos conversar sobre isso. - Harry respondeu.

- Tudo bem, contanto que vocês estejam seguros. - Rony disse.

- Da próxima vez que vocês saírem para uma missão... - Fred começou.

- Nos informem, antes de horas passarem. - finalizou Jorge.

- Eles ficaram desesperados. Rony estava tão nervoso, ele superou esses dois. - apontou para Fred e Jorge. - Eles estão aqui faz um bom tempo. Foi, na verdade, uma graça ver como todos eles ficaram preocupados. - Hermione disse docemente, escondendo a risada.

- Bem, isso é um sinal de que devemos ir embora, muito obrigado, Hermione. - espetou Fred, enquanto Jorge e Rony balançavam a cabeça.

- Sinto muito, as coisas não saíram como planejamos. Apenas, meio que, aconteceu. - disse Gina se desculpando.

- Tudo bem, nós estávamos apenas preocupados. Suas amigas também. Elas são ótimas pessoas, Gina, conte com elas. - Jorge disse enquanto abraçava a irmã, e acenou para o grupo de garotas de olhares nervosos.

- Eu irei. Amo vocês. - ela disse enquanto abraçava os irmãos. - Eu vou até elas agora. Então irei para a cama, vejo vocês dois em breve, tudo bem? Noite, Rony. Boa noite, Hermione. - então ela fez algo que chocou toda a Sala Comunal. Gina Weasley puxou Harry para um abraço. Ela o apertava forte, e ele retribuiu o gesto. Ela, então, beijou-lhe gentilmente o rosto, e sussurrou algo em seu ouvido. Ele sorriu para ela, apertou sua mão, e desejou uma boa noite. Ela, então, caminhou até suas amigas.

- Harry, há algo que queira nos contar? - disse um Rony chocado.

- Não. - ele sorriu enquanto os desejava boa noite e subiu para o seu dormitório. Deixando para trás três Weasleys e uma Hermione Granger surpresos.


Gina se aproximou de suas amigas que estavam de boca aberta.

- Olá. Sinto muito se preocupei vocês. - ela disse.

- Gina, você está bem? - disse Ash assim que abraçou fortemente sua amiga.

- Sim, sim, estou bem. - ela tentou dizer enquanto cada uma de suas amigas a abraçavam.

- Gina, em relação à Trelawney... - começou Ash.

- Não, nem se preocupem quanto a isso. Não vou deixá-la aprontar comigo. Por outro lado, algumas coisas que ela disse são verdade. Então eu realmente precisava escutar os indícios certos. - Gina disse, chocando suas amigas outra vez.

- Então, você e Harry são, hm, um casal agora? - perguntou Michelle.

Gina sorriu: - Não, somos apenas amigos. Um amigo que irei manter próximo a mim. Assim como o resto de vocês. Não vou mais me fechar para vocês. Eu preciso muito de vocês para fazer isso.

Mais uma vez, suas amigas a abraçaram. Lágrimas foram derramadas, e então risadas foram compartilhadas.

- Eu estou cansada. Vou subir. Vejo vocês de manhã. - ela disse enquanto se dirigia à escada das garotas.

- Gina, posso te perguntar uma coisa? - disse Ash.

- Claro, qualquer coisa. - ela respondeu quando se virou.

- Harry te deu algo hoje à noite? Um presente ou algo do tipo? - a amiga, preocupada, perguntou.

Gina gargalhou um pouco: - De fato ele me deu.

- O quê? - perguntou Michelle.

- Paz de espírito. - ela disse, virou-se, e subiu as escadas.

Ash, Michelle, Pauline, Kristin e Robin olharam uma para a outra. Eles tinham feito aquilo de novo. Um tinha dado ao outro um presente para a alma. Todas as cinco garotas sentaram em suas mesas e fizeram seus trabalhos. Nenhuma outra palavra foi pronunciada sobre Gina e Harry.


Assim que Gina deitou em sua cama, ela pensou em Harry. Ele realmente tinha dando um presente a ela. Ele deu ele mesmo a ela. Ele tinha oferecido sua amizade, e ela tinha aceitado. Ela lembrou do que ele tinha dito a ela. "Voldemort está vindo atrás de mim, quer você queira, quer não. Eu preferia poder olhar para trás e lembrar dos bons momentos com você, do que olhar para trás e não vê nada". Ela sorriu com aquele pensamento. Sim, ela também gostaria de olhar para trás e lembrar bons momentos com Harry Potter. Ela fechou os olhos e teve um sono calmo.