O verão anterior ao sexto ano de Gina em Hogwarts tinha começado bem. Ela tinha feito um novo amigo, Andrew, no começo do verão, para o desânimo dos seus irmãos. Os dois tinham passado muitos dias agradáveis juntos, e tinham se tornado íntimos. Ela também tinha se correspondido com Harry semanalmente, o que tinha aprofundado a amizade deles. Harry tinha vindo à Toca no seu aniversário. Embora Rony fosse muito mesquinho em relação à amizade com Harry, Gina também pôde passar alguns momentos legais com ele. Duas semanas antes das aulas começarem, a Sra. Weasley mandou Rony, Gina e Harry ao Beco Diagonal. Eles iriam comprar os materiais escolares e almoçar com Hermione. Ninguém esperou que esse passeio divertido acabasse como acabou.
- Rony, não esqueça. Você tem que distraí-la. - disse Gina enquanto eles almoçavam no Caldeirão Furado.
- Eu sei, eu sei. Pare de me importunar, você é tão chata quanto ela.
Gina olhou de maneira repugnante para o irmão e voltou a comer, enquanto escutava a discussão entre Hermione e Harry.
- Ei, Hermione, eu quero ir ao Olivaras, acho que tem uma rachadura na minha varinha. Quer vir comigo? - Rony disse tentando parecer o mais inocente possível.
- Uma rachadura, realmente, Rony, isso não é um bom sinal. Sinceramente, não sei porque você não consegue tomar conta dos seus pertences. Vamos, é melhor irmos agora; ainda temos muito o que fazer. Vocês dois vêm conosco? - Hermione disse muito rápido.
- Hm, não. Eu quero ir à "Artigos de Qualidade para Quadribol", e eu sei que Gina está procurando uma nova vassoura. - disse Harry tentando parecer o mais natural possível.
- Estou? - perguntou olhando para Harry. - Ah sim, quero dizer, eu estou! Eu acho que vou tentar entrar no time, e precisarei de uma vassoura. Vem, Harry, vamos. Encontramos vocês na Floreios e Borrões em uma hora. - disse Gina apressadamente.
Rony e Hermione estavam inconscientes do olhar mortal que Gina estava lançando sobre Harry enquanto andavam pelo Beco Diagonal em direção a Olivaras.
- Sinceramente, você é tão ruim quanto o Rony. Gina está procurando uma vassoura. - ela o imitou. - O que diabos fez você dizer isso? - ela exigiu uma explicação.
- Eu não sei. É difícil mentir para a Hermione, ela vê através da gente. - ele disse envergonhado.
- Bem, ela vai ficar irritada com Rony quando o Sr. Olivaras disser que a varinha dele não tem rachadura alguma.
- Ah, ele arrumou uma. - ele disse astutamente. - Rony pediu aos gêmeos para encantarem uma rachadura na varinha dele, então quando você olha, realmente parece rachada.
- Bem, pelo menos um de nós pensou. - ela brincou enquanto corria de Harry.
- Espere, mocinha, eu a pegarei mais tarde.
- Claro, claro. Só acredito vendo. Agora se apresse, a gente só tem uma hora para comprar o presente dela.
Harry e Gina brincavam e riam enquanto caminhavam até a Floreios e Borrões. O amor de Hermione pela leitura parecia aumentar a cada ano, e livros eram sempre presentes bem-vindos. No começo do verão, Gui tinha mandando para Gina uma caixa velha de quinquilharias, com antigas inscrições nela. Gina achou que isso seria um bom presente para Hermione, e junto a isso, um livro que ela poderia usar para decifrar a mensagem. Gina tinha escrito à Professora Sinistra, a professora de Runas Antigas em Hogwarts, e tinha mandando uma cópia da inscrição. Ela pôde dizer à Gina que língua era, e até o livro que ela poderia usar para traduzir. Gina tinha encomendando o livro na Floreios e Borrões e agora iria apanhá-lo.
Harry ainda estava sem saber o que dar à Hermione, mas ele não estava preocupado, sabia que iria achar algo para ela naquela livraria. Uma vez lá, os dois se separaram. Gina tinha pedido ao balconista para pegar o livro, o qual ela pagou para que embrulhasse. Ele ainda estava dando uma olhada quando notou Gina vindo em sua direção.
- Ei, vem aqui me ajudar. - ele a chamou.
Assim que Gina andou até o fim do corredor, um homem jovem derrubou um livro nos pés dela. Ele não podia apanhá-los sozinho, pois suas mãos estavam ocupadas com outros livros. Harry viu Gina parar para ajudá-lo, pouco antes do seu mundo desabar.
Gina largou a bolsa, e se ajoelhou para pegar o livro. No momento que seus dedos tocaram a encadernação, ela desapareceu. Harry apenas fitou, confuso, o lugar onde Gina estava. Parecia que o tempo tinha reduzido a velocidade, porque um segundo depois o homem também não estava mais lá.
- NÃOOOOOOO! NÃOOOOOOO! - Harry gritou indo em direção ao lugar onde Gina estava.
Muitos clientes e o balconista, que tinha atendido Gina, vieram para ajudar Harry.
- O que aconteceu? - perguntou o balconista.
- Ela estava aqui, ela estava bem aqui. - Harry disse freneticamente. - Ela foi apanhar o livro, e... e... ela... desapareceu. Ah, meu Deus! Meu Deus! O que eu vou fazer? - Ele perguntou enquanto agarrava os cabelos.
- Acalme-se. Você pode me dizer o nome dela? Quem devemos chamar? - perguntou o balconista.
- Gina, Gina Weasley. O pai dela trabalha no Ministério, ah meu Deus! - Harry disse enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
Para Harry, pareceu que horas se passaram enquanto esperava os Aurores chegarem à livraria. Para os outros, Harry parecia estar em choque, ele tinha um olhar confuso. Parecia não notar as pessoas ao seu redor. Ele segurou a bolsa de Gina enquanto andava de um lado para o outro, todo o tempo se repreendendo por não ficar de olho nela. Harry parou abruptamente quando viu Arthur Weasley entrar na livraria. Primeiro Arthur parou para falar com os Aurores, e ficou com eles por um tempo. Ele, então, se virou e foi em direção a Harry, que começou a tremer violentamente. Arthur o abraçou forte, tentando confortá-lo. Harry notou que os olhos do Sr. Weasley estavam brilhando, cheios de lágrimas, e ele também estava tremendo.
- Sinto muito. Eu sinto muito. Eu deveria ter ficado próximo a ela. Eu não sabia. Eu não imaginava. Deus, me desculpe. - Harry disse chorando nos ombros de Arthur.
- Está tudo bem, filho. Ninguém está culpando você. Vamos, tente se acalmar. Você não poderá ajudá-la se não se acalmar. - ele disse ternamente.
- Eu sei, me desculpe.
- Não há nada para se desculpar. Harry, me escute. - ele disse segurando os ombros de Harry e olhando-o nos olhos. - Isso não foi culpa sua. Escutou? Ninguém o culpará. E... Gina não é a primeira garota a ser levada. - o Sr. Weasley disse solenemente.
Arthur, então, foi até os Aurores para recolher mais informações. Harry retomou seu passo, mas não tão freneticamente quanto antes. As palavras de Arthur tinham-no acalmado. E ele sabia que não ajudaria em nada Gina se eles o estuporassem. Quando Harry se virou, ele viu Rony e Hermione falando com os Aurores e com Arthur. Ele viu o rosto de Rony empalidecer, e Hermione se jogar nos braços dele. Dentro de minutos, os dois foram até onde Harry estava.
- Rony, eu sinto muito... - Harry não continuou.
Rony o agarrou e abraçou.
- Está tudo bem, companheiro. Papai nos contou o que aconteceu. Não foi culpa sua.
Por alguma razão, aquilo fez Harry se sentir mil vezes pior. Ele preferia que Rony tivesse socado ele, ou gritado com ele. Tinha sido sua culpa, por que eles não viam isso? Hermione foi até Harry e o abraçou pela cintura, chorando em seu peito.
- Harry, não é sua culpa. Se culpar não vai trazer Gina de volta. Então, é melhor tirar esses pensamentos da sua cabeça agora mesmo. - ela disse em meio às lágrimas.
Uma vez juntos, eles foram até onde Arthur e os Aurores estavam. Os Aurores tinham recebido sua tarefa; todos exceto um Auror deixaram o prédio. Arthur se virou e falou diretamente com o trio.
- Se eu mandá-los para casa, eu tenho o pressentimento que esbarrarei com vocês no meio da busca, então eu lhes darei uma missão. - disse Arthur. - Eu quero que vocês três vão ao Caldeirão Furado, e depois à Hogsmeade via flu. Vocês podem sair no Três Vassouras. Eu não acho que Madame Rosmerta trará problemas a vocês, se ela o fizer, é só contar o que aconteceu. Então, quero que vá ao castelo e contem ao Diretor o que houve hoje. Quero que obedeçam a Dumbledore. Se ele disser que vocês devem ficar lá, fiquem lá. Se ele mandar que retornem à Toca, o façam. Estou contando com a maturidade de vocês. Podem fazer isso?
Os três assentiram; Arthur abraçou cada um antes de eles saírem da livraria.
Severo Snape estava andando rapidamente pelo corredor, estava a caminho do calabouço no velho Solar. Ele tinha ouvido que um dos jovens aprendizes havia capturado uma garota. Ele já tinha alertado esse grupo sobre seqüestrar vitimas, assim como Lúcio Malfoy. Enquanto o Lord das Trevas queria meios de capturar prisioneiros, ele também tinha exigido que apenas ele daria as ordens para fazê-lo. Esse grupo era perigoso; estavam tentando fazer nome. Se o Lord das Trevas ouvisse sobre a captura, a única coisa que ganhariam seria uma prova da Maldição Cruciatus. Snape estava tentando chegar à câmara antes que o grupo fizesse mais algum estrago. Ele tinha demorado demais da outra vez, e uma jovem garota tinha sido torturada até a morte. Quando ele abriu a porta, sentiu seu estômago embrulhar. Ali, segurada por dois dos palhaços, estava Gina Weasley. Ela estava lutando contra os dois garotos. E Snape tinha falhado na tentativa de impedir o outro de golpear o rosto dela.
- O que significa isso? Deixem-na ir! Agora! - ele rugiu.
- Senhor! Estamos apenas tentando ensiná-la alguns modos. - disse o chefe do grupo.
- Flint, creio que tenha sido advertido sobre esse tipo de comportamento. Se você insistir em desobedecer às ordens, eu não vejo razão para não comunicar isso ao Lord. Agora, mais uma vez, solte-a e saia daí nesse instante. - Snape disse numa voz fria.
Marcos Flint acenou para que seus dois cúmplices soltassem Gina. Todos três se afastaram, enquanto Gina tentou andar. Contudo, Snape não foi até ela, ele lhe lançou um olhar tranqüilizador. Gina estava ciente da lealdade dele a Dumbledore, e não sentia mais medo.
Numa voz ameaçadora, Snape falou com os três amadores:
- Agora, me digam. O que significa isso? Por que ela está aqui?
Flint parecia ter se agachado sob Snape. Ele olhava para o chão enquanto falava.
- Eu a vi no Beco Diagonal, ouvi que o Lord das Trevas tem planos para ela, então eu pensei...
- Você pensou... Está claro para mim que pensar foi algo que você não fez hoje. Termine! - rosnou Snape.
- Eu considerei trazê-la aqui para o nosso Mestre. Eu deixei cair uma das chaves do Portal quando a vi na Floreios e Borrões. Ela, estupidamente, o apanhou e aqui está ela.
- Como ela não o reconheceu, Flint? Você não passa despercebido. - perguntou Snape.
- Eu usei um disfarce. - ele disse, humildemente.
- Outra infração. Ora, ora, Flint, você parece que quer ser punido. Você é assim tão estúpido, ou alguém está ordenando que faça isso? - Snape disse duramente.
- Ninguém me ordenou. - ele disse timidamente.
- Então, você admite que é estúpido. Parabéns. Essa foi a primeira coisa certa que fez hoje. - ele disse sarcasticamente. - Agora, me responda uma coisa. Por que a blusa da Srta. Weasley está rasgada? E por que eu vejo contusões nos braços e no rosto dela?
- Ela armou uma briga, precisou de três de nós para controlá-la. Ela é uma peste. Eu não posso fazer nada se ela se machuca com facilidade.
- E a blusa, Flint! - ele rosnou.
- Só estávamos nos divertindo um pouco. Nada que ela não tenha feito com o Potter, isso eu garanto. - Flint brincou.
- Por mais que eu despreze Potter, eu acho difícil de acreditar que ele tenha arrancado as roupas dela. Que novo rumo você está tomando, Flint? Parece que tem uma tendência em atacar garotas mais jovens. Você não fará muito nome se levar fama de 'Eu-posso-bater-na-sua-irmãzinha-mais-rápido-que-você'. - ele ridicularizou o rapaz. - Saiam da minha frente, todos vocês. Eu decidirei mais tarde sobre contar ao Mestre sobre isso.
Flint e os outros dois estavam deixando a Câmara quando Snape os chamou novamente.
- Flint, você está caminhando muito próximo à beirada de um precipício agora. Não faça nada que me obrigue a te empurrar. - ele disse friamente.
Flint saiu da câmera enfiando, rapidamente, as mãos nos bolsos, mas não antes de Snape perceber que elas estavam tremendo.
Severo Snape logo lançou um feitiço para trancar a porta, e um feitiço silenciador no lugar. Após Flint e os comparsas fecharem a porta da câmera, ele escutou Gina se mover até o chão, mas ele ainda não havia olhado para ela. Quando fez os feitiços, ele se virou para ela, seu estômago revirou. Gina Weasley, a garota que precisou ser contida por três futuros Comensais da Morte, estava se contorcendo no chão, abraçando os joelhos junto ao peito. Ela tinha um olhar distante; ela não parecia se dar conta de onde estava.
- Srta. Weasley. - Snape disse se aproximando dela.
- Não! - ela disse firmemente.
- Não o quê, Srta. Weasley?
- Não se aproxime de mim.
- Você precisa da minha ajuda, eu tenho que me aproximar de você. - Snape disse ternamente.
- Não, eu...
- Você confia em mim, Srta. Weasley? - Snape tentou.
- Sim. - ela disse cautelosa.
- Então, deixe-me ajudá-la.
Ele tomou o olhar cauteloso dela como um sim, e andou até ela. Olhando mais de perto, ele notou que a blusa dela tinha sido cortada, e a alça do seu sutiã estava abaixada. Ela tinha um corte do peito até o ombro, onde a lâmina devia ter pego. Notou que as pernas dela estavam sangrando, e a calça comprida, que ela estava usando, também tinha sido cortada. Ele não sabia como se aproximar dela agora. As outras garotas tinham sido torturadas com maldições; essa era a primeira vez, pelo que ele sabia, que aqueles idiotas tinham machucado uma garota fisicamente. Não só isso, parecia para ele que ela tinha sido molestada. O novo plano dele era procurar ajuda médica para ela, e achou que o melhor lugar para levá-la era Hogwarts. Quando ele se ajoelhou, ele parou devido ao olhar de raiva nos olhos dela.
- Não toque em mim. - ela disse veemente.
- Mas...
- Eu disse para não me tocar. Posso levantar sozinha. - ela se manifestou.
- Como quiser. Fique sentada mais um pouco, eu preciso transformar algo em uma Chave do Portal. - ele parou quando viu medo nos olhos dela outra vez.
- Srta. Weasley, você confia em mim? - ele perguntou novamente.
Ela assentiu com a cabeça.
- Eu preciso levá-la a Hogwarts. Eu tenho que fazer uma Chave do Portal. Eu juro que não sofrerá dando algum. Você confia em mim?
Ela assentiu, e Snape se pôs a fazer uma Chave do Portal. Ele ficou de olho nela, temia que ela estivesse em choque. Quando a Chave do Portal estava pronta, ele se disfarçou de uma pessoa que Gina parecia não reconhecer; então eles tocaram a chave, juntos.
O brilho que existia nos olhos de Dumbledore rapidamente se extinguiu quando o trio recontou a história do desaparecimento de Gina. Ele não sabia como Gina havia sido levada. Logo, explicou que as outras garotas também tinham sido levadas sem razão aparente. Nenhuma das garotas se conhecia. Suas famílias nunca haviam tido contato, eles nem ao menos trabalhavam em campos relacionados. Ele sentia que tais seqüestros eram ocasionais. Embora as garotas tivessem retornado, elas tinham sido brutalmente torturadas, e tiveram suas memórias apagadas; uma delas ainda estava em St. Mungus. Ele supôs que Gina retornaria em um dia, assim como as outras tinham retornado. Pediu ao trio que informasse Fred e Jorge sobre o rapto, e então pediu para que todos retornassem à Toca. Embora não estivessem felizes com as instruções, eles fizeram o que lhes fora pedido.
Alvo Dumbledore sentou-se em seu escritório, torcendo para que seus agentes tivessem ouvido sobre o rapto de Gina. Ele não sabia se Severo estava no mesmo lugar que Gina, mas se estivesse, sabia que ele tentaria ajudá-la. Snape tinha conseguido salvar a terceira garota raptada, e mesmo que ela tivesse sido torturada, ela iria sobreviver. Dumbledore suspirou profundamente, seu pensamento voltou à terceira tarefa do Torneio-Tribruxo, há três anos atrás. Aquela tinha sido a noite em que pediu a Severo que voltasse para Voldemort. Ninguém sabia como Severo tinha sobrevivido àquela noite. Voldemort iria matá-lo logo que o visse? Ou ele seria torturado? Tinham corrido um grande risco, o futuro do mundo mágico tinha estado por um fio. Como esperado, Voldemort lançou a maldição Cruciatus em Severo, e então, por sorte, a maldição Imperius. Por sorte porque Severo tinha aprendido a se livrar da maldição. Ele seria capaz de enganar Voldemort; e mais uma vez, ser bem-vindo ao covil. Dumbledore tinha esperado Severo desesperadamente aquela noite, e quando ele finalmente voltou, tudo que ele deu ao Diretor foi um curto aceno. Dumbledore soube então, que tinha seu espião, o que ajudaria a provocar a queda de Voldemort. Esfregando seus olhos, ele notou que uma hora havia se passado desde que o trio tinha deixado seu escritório, só então uma cabeça apareceu em sua lareira.
- Sabe onde a Srta. Weasley está? - ele perguntou à estranha cabeça no fogo.
- Sim, Diretor. Eu estou com ela na Casa dos Gritos. Por favor, diga para Papoula nos encontrar no Salgueiro Lutador. Ela precisa de cuidados médicos.
- Ela recebeu muitas maldições?
- Não, não creio que tenha recebido maldições. Expressar o que eles podem ter feito a ela me deixa apreensivo.
- E quanto à memória dela? - Dumbledore perguntou.
- A memória dela está intacta. Não sei se isso é bom ou ruim nesse momento. Diga à Papoula para vir aqui, quero levá-la para lá o mais rápido possível.
Assim que a cabeça desapareceu, Dumbledore convocou Madame Pomfrey e Minerva McGonagall. Ele também se comunicou pela lareira com Arthur Weasley, pediu que trouxesse Molly a Hogwarts, e que não deixasse ninguém mais vir.
Madame Pomfrey tinha deixado a enfermaria completamente vazia. Como ela poderia cuidar de Gina se seus pais e metade do pessoal estava em cima dela a bombardeando com perguntas?
- Srta. Weasley, eu preciso examiná-la. - a enfermeira explicou.
- Eu estou bem, apenas limpe esses cortes e me deixe ir para casa. - ela disse de maneira prática.
- Você não está nada bem. Não haveria razão para estuporá-la se você estivesse bem. Além desses cortes e contusões, eu preciso fazer um exame. - ela disse o mais calma possível.
- Não, não precisa. Eles não... - ela rompeu em lágrimas.
Madame Pomfrey sentou gentilmente na cama de Gina e pôs a mão em seu ombro de forma tranqüilizadora.
- Está tudo bem. Pode me dizer o que fizeram? Eu realmente preciso saber.
- Antes de rasgar minha blusa... ele estava me agarrando... eu o esmurrei... mordi a boca dele. Ele ficou bravo e cortou minha blusa. Ele... ele... ele ficou me olhando boquiaberto. O idiota disse que queria ter certeza que tudo era real. - a enfermeira a abraçou enquanto chorava, e então Gina se recompôs mais uma vez. - Então ele agarrou minhas calças. Ele estava me tocando. Ele as cortou depois que o chutei. Ele estava tentando... ele estava tentando... Eu lutei com eles; assim como me ensinaram. Ele não fez mais nada, porque... porque alguém apareceu. - ela não disse que o Professor Snape a ajudou. Não sabia quem estava ciente da lealdade dele, e não queria arriscar sua situação. Ela também omitiu muitas partes do ataque, em parte porque estava envergonhada, e por outro lado porque ela não queria reviver aqueles momentos. Omitiu o quanto se sentiu suja com a maneira que eles a tocaram. As ameaças enquanto lhe apontavam a varinha, a realização de tais ameaças com a mão e o punho. Ela omitiu que eles a fizeram achar que sua vida estaria acabada assim que o dia terminasse.
Papoula continuou abraçando Gina. Ela orou em silêncio agradecendo pelos canalhas não terem feito tantos danos físicos. Os danos mentais eram outra coisa. Ela podia curar os cortes e contusões, mas Gina precisaria de ajuda extra para lidar com os danos mentais. Após Gina se acalmar, Papoula saiu para pegar algumas poções e pomadas.
- Apenas limpe os ferimentos da faca. - Gina disse determinada.
- Não posso fazer isso. Você ficará com cicatrizes se não as curar.
- Eu quero as cicatrizes. - ela disse claramente.
- Olha aqui, se você acha que eu deixarei que mantenha essas cicatrizes como forma de se punir, pode mudar de idéia. - ela disse severamente.
- Eu não me culpo, não fiz nada de errado. Aquele asqueroso foi que me seqüestrou. Foi ele quem me atacou. Foi ele quem me cortou. Quero as cicatrizes para poder lembrar disso todos os dias. E no dia que eu devolver o favor a ele, eu poderei mostrar o porquê. Não faça curativo, apenas limpe-as. - a voz fria dela disse.
A determinação na voz de Gina quase assustou Papoula. Ela conhecia Gina Weasley há muitos anos, e essa não era a mesma garota. A contra gosto, ela obedeceu ao pedido de Gina. Após um encontro com o Diretor e os pais dela, ela mandou a garota para casa, para a Toca.
As últimas semanas na Toca tinham sido muito tensas para todos que lá estavam. Nenhum dos garotos sabia como se aproximar de Gina desde o dia que ela tinha sido seqüestrada; os pais dela também não sabiam. Gina tinha chegado em casa com Arthur e Molly, ela parecia que estivera numa briga de punho. Tinha contusões pelo rosto, mãos, braços e pernas, junto a duas bandagens cheias de sangue. Uma na parte superior da sua coxa, e a outra em seu ombro. Essas não passaram despercebidas pelos presentes na sala. Hermione foi a primeira a se aproximar dela.
- Ah, Gina! Você está bem? Estávamos tão preocupados!
- Eu estou bem agora, Hermione. Estou apenas cansada.
- Quer que te ajude a se trocar? - ela se ofereceu. Então, tentando melhorar o clima continuou. - É uma pena Madame Pomfrey ter tido que cortar sua blusa, sei que é uma das suas favoritas.
- Ela não cortou. - ela disse friamente.
- Quem cortou então, Gina? - Jorge perguntou.
- Os mutantes que me seqüestraram. - disse friamente.
A primeira reação de Jorge foi de abraçar Gina, como tinha feito muitas vezes. O resultado dessa ação jamais sairia da sua mente. Assim que Jorge a abraçou, ela gritou.
- Não! Não me toque! - ela gritou quando se desvencilhou dele.
- Gina! - ele gritou.
- Não, saia! Não encoste em mim! Nenhum de vocês encoste em mim! Vocês não têm o direito! Eu não disse que podia! - raiva e lágrimas preenchiam a voz dela quando deixou a sala e subiu as escadas.
- O que eles fizeram com ela? - Fred perguntou suavemente.
Arthur tinha tomado Molly em seus braços, e estava consolando-a. Ela acenou para ele e deixou a sala à procura de Gina.
- Eu disse! O que eles fizeram a ela? - Fred gritou.
- Não temos certeza de nada. Gina não nos contou. Só sabemos o que Madame Pomfrey disse. - Arthur disse tristemente.
- E o que ela disse? - perguntou Jorge furiosamente.
- Eles não a estupraram. Mas teriam se... se ninguém tivesse interferido.
- E quem foi? - perguntou Jorge.
- Não importa. Ele usaram uma lâmina para cortar a blusa e a calça dela, essa é a razão para as bandagens. - Arthur os informou.
- Sr. Weasley, por que Madame Pomfrey não os curou?
- Eu não sei, Hermione. - ele disse seriamente. - Essa é outra coisa que precisamos que Gina nos diga.
- Bem, se eles não... você sabe. Por que ela está tão fora de si? - perguntou um Rony perdido.
- Você é tão burro assim, seu idiota? - gritou Fred.
- Rony, mesmo que eles não tenham conseguido o que queriam, é óbvio que tentaram. - Hermione disse severamente. - Quero dizer, olhe para ela. Eles bateram nela, e tentaram cortar as suas roupas. Não consigo imaginar... deve ter sido horrível.
Um Rony com lágrimas nos olhos puxou Hermione para perto dele, e ela lamentou nos braços dele.
- Apesar de tudo, ela lutou. - Arthur disse com algum orgulho. - Ela deu uma mordida em um, esmurrou e chutou outro. A luta deu tempo até... até a ajuda chegar.
- Eles não apagaram a memória dela? - Rony perguntou. - Dumbledore disse...
- O rapto de Gina foi diferente, eu não sei o porquê, nem Dumbledore sabe. Vamos apenas rezar em agradecimento por termos ela de volta. - ele disse abatido. - Escutem, vocês todos podem ajudar a mãe de vocês, façam um chá ou algo do tipo. Preciso fazer algumas coisas no meu estúdio. - Arthur disse enquanto ia embora, seus ombros tremendo um pouco.
Harry não disse uma palavra aquele dia, se era por estar chocado, desacreditado ou com medo, ele nunca saberia. Tentou ter uma conversa agradável com Gina nos dias que se seguiram, mas não tinha sido fácil; ela não estava pronta para falar com ele, ou com qualquer um. Isso tinha mudado há dois dias atrás quando estavam partindo de volta à escola. Enquanto desciam para tomar café, Harry ouviu Gina em seu quarto e decidiu tentar falar com ela novamente. Ele se preparou enquanto batia na porta.
- Gina, posso entrar?
- Claro, Harry. Está aberta.
Ele ficou surpreso, o quarto sempre arrumado dela estava uma bagunça. E ele pensou que ela devia estar procurando algo.
- Perdeu alguma coisa?
- Sim, minha bolsa. Agora acho que a perdi... naquele dia. Não tinha muita coisa nela, a não ser o presente de Hermione. Eu sei que não posso comprar outro livro antes do aniversário dela. Estou um pouco chateada, só isso. - ela falou tão rápido que assustou Harry. - Harry, você está bem? Está aí olhando para mim.
- Ah, sim, desculpa. Eu só... Você não tem falado muito ultimamente. E bem... eu meio que sinto falta disso.
Gina corou.
- Obrigada, eu acho. Contudo, agora estou imaginando, você acha que sou uma máquina de falar todo tempo? - ela riu.
- Não, não o tempo todo. - ele sorriu. - A maior parte do tempo, mas não todo. - brincou.
Eles ficaram calados por alguns momentos e, então, Gina retornou ao assunto.
- Bem, eu terei de pensar em outra maneira de pegá-la de volta.
- Ah! Espere, eu esqueci. Fique aqui. - Harry disse, e Gina ouviu-o subir até o quarto de Rony.
Alguns minutos se passaram até que Harry voltou ofegante ao quarto de Gina com a bolsa dela em suas mãos.
- Minha bolsa! Você está com ela, que ótimo! Ah, Deus, o que aconteceu com ela? - ela perguntou.
- Ah, foi minha culpa. Eu hm... eu estava meio que agarrando ela no dia que você... você sabe. Acho que de alguma maneira eu a amassei. Desculpa. - disse envergonhado.
- Tudo bem. - ela parecia sem palavras. - Você comprou o presente de Hermione?
- Não, não tive a oportunidade.
- Bem, eu vou ao povoado essa tarde, quero me despedir do Andrew. - ela notou o sorrisinho de Harry e a curta gargalhada. - Por que você está balançando sua cabeça? Sei que ele está aqui o tempo todo, mas queria me despedir da maneira correta. Por que não vem comigo? Tem umas lojas legais, tenho certeza que encontrará algo para ela.
Ele estava chocado, mas feliz. Disse sim imediatamente, e então desceu para tomar café. Gina ficou em seu quarto pelo resto da manhã.
O passeio pela cidade foi agradável, eles conversaram sobre muitas coisas. Tudo estava bem até Harry roçar sua mão contra a de Gina. A reação dela foi de afastar a mão, como se tivesse sido queimada. Quando ele tentou falar sobre isso, ela gritou com ele. Disse que não queria falar sobre isso, e que ele não deveria pressioná-la. Eles não se falaram até encontrar Andrew na Biblioteca.
- Venham, vocês dois. Levarei vocês para almoçar. - Andrew ofereceu.
- Ah, obrigado. Vão você e Gina. Preciso comprar um presente para Hermione. - Harry disse antes de se retirar.
- Gina, vocês dois brigaram?
- Não, mas aconteceu algo no caminho para cá. - ela disse tristemente. - Eu reagi de maneira exagerada, e ele está me dando meu espaço.
- Gina, você não pode ficar escondendo isso. - um Andrew preocupado disse.
Gina apenas olhou para ele.
- Ah. - ele riu. - Não faça esse olhar para mim, senhorita, não funciona comigo. Não sou nenhum dos seus irmãos. - e docemente acrescentou. - E nem estou apaixonado por você.
- O quê!?! Onde quer chegar? Quem está apaixonado por mim?
- Você sabe exatamente de quem estou falando. Harry te ama. - ele disse abertamente. - Não consegue ver que isso está matando ele? Ele quer ajudar, ele quer fazer um pouco da dor ir embora. Você deveria deixá-lo tentar, Gina.
- E por que isso, Sr. Sabe-tudo? - sua voz soou em um tom delicado.
- Porque você também o ama.
- Eu n...
- Não negue. - ele riu. - Não adianta. Deixe-o ajudá-la. É tudo que eu digo. Agora vamos. Brigar com você me deu apetite. - Andrew brincou enquanto ele e Gina andavam até o restaurante.
O primeiro mês na escola passou super rápido, e Setembro também. Além de se acostumar com os novos horários, trabalhos e treinos de Quadribol, Harry estava tentando fazer Gina falar com ele. Toda vez que tentou, eles começaram a brigar. Ele não sabia mais o que fazer, e a paciência dele estava se esgotando. Isso, obviamente, não ajudou quando ele foi submetido a assistir uma aula dupla de poções. Após moer olhos de besouro, cortar fígado de salamandra, e destripar vermes-cecos, Harry estava num péssimo humor. Agora, você pensaria que Draco Malfoy seria inteligente o bastante para perceber isso. Malfoy deveria ter mantido a boca fechada, mas, novamente, quando isso aconteceu? O imbecil esperou Rony sair da sala, exatamente depois da aula, e começou a encher o saco de Harry.
- E então, Potter, como está sua namorada?
- Eu não tenho namorada, Malfoy. - ele replicou.
- Não me surpreende. Ela não parecia, devo dizer, compreensiva com você outra noite. Mas novamente, talvez os Grifinórios não façam mais isso para ela.
Dino e Simas devem ter percebido que Malfoy estava atormentando Harry. Eles mantiveram as mãos nele para mantê-lo no lugar. Contudo, quem iria segurá-los?
- Além disso, - ele falou arrastado. - fiquei sabendo que ela foi bem participativa com um sonserino mês passado. Ouvi que ela é bem real e, bem macia embaixo daquela túnica dela.
Isso foi tudo que pôde dizer; Harry se lançou contra Malfoy. Empurrou o sonserino no chão, e começou a bater no rosto dele. Snape não saiu da sua sala antes de Harry ter coberto as mãos, e também o piso, com o sangue de Malfoy. O rosto de Malfoy estava coberto de vermelho, tanto que estava vazando da boca imunda dele.
- Potter! O que está fazendo? Solte-o agora! - Snape gritou.
Precisou de Dino, Simas e um Rony confuso para tirar Harry de cima do corpo ensangüentado de Malfoy.
- Potter! Cinqüenta pontos da Grifinória e detenção Sábado de manhã. Vá à Madame Pomfrey para ela cuidar da sua mão. Sr. Malfoy, por favor permaneça aqui. - ele disse suavemente. - O resto FORA! AGORA!
Fúria era uma palavra suave para descrever o que Harry estava sentindo. Ele podia ter matado Malfoy facilmente. Como ele ousou! Enquanto travava uma luta dentro de sua cabeça, trombou com uma pessoa que não queria ver.
- Harry! Você está bem? O que aconteceu à sua mão? - perguntou uma Gina preocupada.
- Você não gostará de saber, e eu não quero falar sobre isso. - ele falou duramente.
- Harry, por favor, fale comigo. - ela pediu ternamente.
E aconteceu! O resto de autocontrole que restava em Harry foi pro ralo.
- FALAR COM VOCÊ! Você quer que eu fale com você! Como diabos pode dizer isso quando você não fala comigo por mais de um mês?! Eu queria te ajudar, e você me ignorou! Achei que nossa amizade fosse mais que isso, Gina. Você nem ao menos vai me contar o que aqueles bastardos fizeram a você! Eu sou seu amigo, e não sei. Mas um canalha... um canalha como o Malfoy sabe! Provavelmente todos os sonserinos sabem! Mas eles só sabem o que aqueles bastardos disseram a eles. Por que não confia em mim? Acha que eu sairia contando a todo mundo? Eu não faria isso! - De uma só vez, a raiva na voz dele sumiu. Agora ele estava falando com ela em um tom apressado. - Nesse momento, não me importa a quem você contou. Mas, droga, Gina, conte a alguém. Isso está matando você, e todos que se importam com você. Encontre alguém em quem possa confiar. Sinto não ter sido eu.
Ele foi embora rapidamente, ignorando as súplicas de Gina para que parasse e voltasse. Ela escorregou contra a parede, e chorou. Não fazia idéia de quanto tempo tinha ficado no chão, até que o Professor Dumbledore a achou.
- Srta. Weasley? - ele perguntou gentilmente.
- Ah, sinto muito, senhor. Eu só...
- Está tudo bem, minha querida. Por favor, se levante. - ele ofereceu a mão a ela. - Gostaria de me dizer o que a aborrece?
- Harry e eu... acabamos de brigar. - ela disse com os olhos cheios de dor.
- Bem, eu entendo. Mas também sei que o Sr. Malfoy estava atormentando Harry, nem tudo foi culpa dele. - ele disse, suavemente.
- Malfoy? Eu não entendo. Foi por isso que a mão de Harry estava ensangüentada? - ela perguntou confusa.
- Sim. Parece que o Senhor Malfoy estava provocando Harry. E... vamos dizer que Harry quebrou o nariz dele e o livrou de muitos dentes.
Gina achou que estava enlouquecendo. Dumbledore tinha uma expressão divertida em seus olhos?
- Mas eu presumo que não seja por isso que estavam brigando. - ele disse.
- Não, senhor. Ele estava zangado. Eu não o contei o que aconteceu esse verão. Ele não acha que eu confie nele. - ela disse tristemente.
- E por que isso, Gina? Venha, ande comigo. - ele disse enquanto a conduzia corredor abaixo.
- Porque, - ela começou. - todos pensam que eu sou fraca dessa maneira. Primeiro o diário, agora isso. - ela disse com raiva na voz.
- Gina, você sabe a quantidade de mágica que existe naquele diário? É preciso um grande bruxo para criar um item como aquele. Além do mais, muito do seu poder é copiado para tal objeto. Você não enfrentou apenas uma memória. Você enfrentou uma memória extremamente poderosa. Há poucas pessoas no mundo que não teriam sido possuídas por Tom Riddle. E desses, menos pessoas ainda, teriam sobrevivido. - ele disse com convicção.
- Mas Harry me salvou. - ela disse de forma humilde.
- Sim, ele a salvou. Mas garanto a você que se não tivesse sido forte, tudo que Harry encontraria na câmara seria seu corpo sem vida. Eu falo a verdade quando lhe digo que muitos outros teriam sucumbido a Tom mais rapidamente. Você é uma mulher e bruxa muito forte, Gina. Assim como sua força a ajudou a se manter viva na câmera, ela também a ajudou a manter aqueles Comensais da Morte à distância. Não se subestime. E, mais importante, não afaste seus amigos. Confie em seus aliados. Deixe-o ajudá-la, só então você poderá ajudá-lo também. - disse convicto.
- Queria poder fazê-lo. Acho que ele não falará comigo novamente. - ela disse abatida.
- Acho que o Sr. Potter precisa de um tempo para reorganizar seus sentimentos. Dê um dia ou dois a ele. Estou certo de que ele irá falar com você então.
Essa foi a primeira coisa que Dumbledore previu de forma errada. Harry não voltou a falar com Gina em um dia ou dois, ele não disse uma palavra sequer a ela nas duas semanas seguintes. Gina estava perdida, e Harry a evitava a todo custo. Ele a ignorava quando ela o chamava, ele ia embora quando ela se aproximava. Gina decidiu não procurá-lo, se ele quisesse falar com ela, ele a procuraria.
Era um fim de semana em Hogsmeade, e a maioria dos terceiranistas ao setanistas tinha partido para um dia no vilarejo.
- Gina, por que não vem conosco? - perguntou Rony.
- É, Gina, por favor, vem. Não precisa se preocupar quanto ao Harry, ele não poderá vir. Tem detenção com o Snape. - sugeriu Hermione.
- Por quê? Pensei que tinha sido Sábado passado. - Gina disse.
- É. Bem, Snape é um idiota. Ele cancelou com Harry, disse que tinha um encontro importante. Achamos que ele mudou para arruinar um dia de folga de Harry. - disse Rony.
- Bem, eu não estou a fim de ir, mas obrigada de qualquer maneira. Eu tenho que correr, tenho um encontro. Tenham um bom dia. - Gina disse antes de virar-se e sair do Salão Principal.
Gina estava comparecendo a encontros nos Sábados de manhã desde que tinha retornado a Hogwarts; ela não tinha dito a ninguém o porquê de estar indo, ou quem ela estava encontrando. Hermione tinha perguntado sobre isso, uma noite, quando estavam sozinhas na Sala Comunal. Ela quase adivinhara que eram sessões de conselhos. Quando Gina subiu as escadas, ela viu Harry andando no andar de baixo, o andar que ficava a sala de Snape. Pequenas lágrimas se formaram nos olhos dela, mas ela foi até seu compromisso.
Harry bateu na porta do Professor Snape, e entrou na sala escura e melancólica.
- Senhor, estou aqui para a minha detenção.
- Sim, Potter. Sente-se enquanto termino isso aqui.
Harry sentou por quase meia hora. Ele não ousou interromper Snape; não queria levar outra detenção.
- Aqui, você irá levar essa lista até Hogsmeade. - Snape começou. - Você vai ao Boticário, e dará esse pequeno pedaço de pergaminho para o químico. Levará muitas horas para ele encher isso, mas ele está esperando por você. Enquanto espera o pedido, quero que vá ao campo pouco depois da Dervixes & Bangues. Lá encontrara as quinze flores, ervas e raízes que eu listei no pergaminho azul. - Snape entregou-lhe uma bolsa que continham muitas bolsas menores. - Você terá de encher cada bolsa com o item apropriado, preste atenção aos rótulos e não terá problemas. Após terminar de apanhar as coisas, irá voltar ao Boticário para apanhar o pedido. Deverá então tirar uma folga para comer. - Snape notou a surpresa no olhar de Harry. - Não posso fazê-lo trabalhar o dia todo de estômago vazio, posso? Vai demorar duas vezes mais se estiver pensando em comida. Quando estiver anoitecendo, você voltará ao campo. Nesse tempo, irá colher as cinco plantas noturnas. Eu as listei no pergaminho verde. Dê uma olhada e me diga se não está familiarizado com algum item que eu listei.
Harry fez o que ele disse. Os itens listados eram ingredientes comuns em poções; ele estava familiarizado com a maioria deles. Perguntou a Snape sobre três deles, então pegou a bolsa e se preparou para partir.
- Um momento, Potter. - Snape disse enquanto entregava a Harry uma pedra estranha. Era pequena, redonda, polida e arroxeada. - Leve com você. Ponha no bolso.
- O que é isso? - Harry perguntou.
- É uma chave do portal. Se precisar ativá-la, segure em sua mão de diga "bumblebee", o trará à sala do Diretor.
- Sim, senhor, hm... Obrigado. - ele disse sincero.
Snape tinha um olhar peculiar em seu rosto quando olhou para Harry; ele reconheceu com um curto aceno.
- Outra coisa, Potter. A Professora McGonagall também precisa de alguns itens do Boticário. Por favor, vá à sala dela e pegue sua lista. - quase como uma idéia posterior, ele disse: - Uma última coisa, eu não estarei aqui quando retornar. Não venha ao meu escritório enquanto estou ausente. Irei esperar esses itens na minha carteira amanhã de manhã, no mais tardar às oito horas. - depois, abruptamente. - Entendeu, Potter?
- Sim, senhor. - Harry disse, e, então, deixou a sala. Ele estava surpreso com a suave detenção que Snape tinha-lhe dado. Apesar de demoradas, aquelas tarefas eram fáceis. Ele decidiu ficar alerta; Snape nunca lhe dava detenções fáceis. Imaginou o que o esperaria na loja enquanto caminhava até a sala da Professora McGonagall. Quando se aproximou da porta, Harry notou que estava fechada. Ele bateu e esperou ela chamá-lo. Quando ela o fez, notou que ela não estava sozinha.
- Potter, sim, o Professor Snape disse que viria. Eu estou com a lista, mas sinto que não poderá tocar alguns dos itens. Eu pedi à Srta. Weasley para ajudá-lo com esses.
Quando a professora pediu à Gina para ajudá-la com os ingredientes, ela não mencionou que Harry era o outro aluno que iria ao Boticário. Ela não queria que ele se sentisse desconfortável, como ela sabia que ele se sentiria, então falou.
- Professora, eu posso pegá-los sozinha. Não há necessidade de irmos eu e o Harry.
- Bobagem, Srta. Weasley. Possivelmente não poderá carregar todos os itens da lista.
- Não, professora, sério, eu sei quais itens tenho que trazer. Eu direi ao balconista para dar o resto ao Harry quando ele for lá. Acredite, será melhor assim.
- E por que isso, Srta. Weasley? - ela perguntou severa.
- Porque... eu ofendi o Harry, e ele não quer mais ficar em minha companhia. Eu... - ela estava tendo dificuldades em manter o controle, e Harry e a Professora McGonagall tinham percebido isso. - Eu vou indo. - ela disse quando escapou da sala.
A Professora McGonagall tinha aquele olhar em seus olhos, aquele que fazia as pernas de Harry bambearem. Ele estava certo de que ela podia transformá-lo em um inseto e o achatar em dois segundos. Não se mexeu, não iria aumentar a raiva dela.
- Potter, sente e explique isso. - ela exigiu.
- Gina e eu tivemos um bate boca e não estamos nos falando agora.
- Eu normalmente não me envolvo com os problemas dos meus alunos, mas com o que a Srta. Weasley passou nesse verão, sinto que devo. Por que não estão se falando?
Harry hesitou por alguns momentos.
- Eu queria ajudá-la. Ela não iria me contar o que aconteceu a ela. - ele lamentou. - Eu acho que fiquei com raiva... E gritei com ela. - ele se mostrava arrependido.
- Foi no mesmo dia que lutou com o Sr. Malfoy?
- Sim, Professora.
- Então, o Sr. Malfoy o aborreceu e você descontou na Srta. Weasley? - ela perguntou abruptamente.
- Sim. Não. Quero dizer, ela não queria me falar. - ele tentou explicar, mas lamentou novamente.
- Sr. Potter, posso perguntar uma coisa?
- Sim.
- Quanto tempo levou para você explicar à Srta. Weasley os acontecimentos da Terceira Tarefa?
- Isso foi diferente. Não éramos muito amigos naquela época.
- Concedido, eu retirarei. Quanto tempo levou para você contar ao Sr. Weasley e à Srta. Granger sobre aquela noite?
- Eu não sei. Algumas semanas talvez. - disse incerto.
- Eu recordo que levou muitos meses antes de você se sentir confortável para falar sobre TODOS os detalhes daquele evento.
- É, acho que foi isso. - ele disse abaixando a cabeça.
- Então, eu suponho que você ache que ser seqüestrado por Você-sabe-quem, aguentar significativos danos por todo o corpo, e lutar por sua vida, garanta a você o benefício de não falar com seus amigos por meses sobre tal aprovação. Enquanto a Srta. Weasley ser seqüestrada, molestada, e lutar para não acontecer nada pior, ou até morrer, não garante a ela o mesmo benefício?
- Não! Eu nunca pensei que. Eu só... - ele não conseguiu terminar, não se sentia pronto para terminar.
Então, de uma maneira mais branda, ela disse:
- Você só o quê, Potter?
- Eu só queria ajudá-la, só isso.
- Não está bravo com ela?
- Não, não exatamente! Ela não pediu isso! Não foi culpa dela! Eu só quero que ela venha até mim, e me diga... Diga o que eu posso fazer. - então, disse tão suavemente, que ele achou que a professora não iria escutar. - Quero fazer com que se sinta melhor.
Minerva McGonagall era o que muitos chamariam de "casca-dura", mas, naquele momento, achou que iria chorar. Harry não estava bravo com Gina, nem um pouco, o pobre garoto estava apaixonado por ela. Então, tentando não soar como um conselho, com sorte, ele atenderia.
- Eu entendo. Você está furioso com aqueles desordeiros que a levaram e a machucaram. Você está furioso com o Sr. Malfoy, que teve a audácia de mencionar o acontecido. Agora, assim como fez um bom trabalho com o Sr. Malfoy, não pode fazer nada com os que realmente a machucaram. Conseqüentemente, você fez o melhor que pôde. Ela não irá lhe contar o que precisa saber, então você desconta a raiva nela. - Harry tomou consciência do que tinha feito, e ele deve ter demonstrado isso com sua expressão, pois ela parou. Então, ainda falando de maneira gentil, ela continuou: - O que você parece não entender, Potter, é que não é que a Srta. Weasley não vá lhe contar o que aconteceu, é que, ela não pode lhe contar. Ser atacada do modo que ela foi, causou mais danos mentais que corporais. Ela não é a mesma pessoa que era cinco minutos antes de ser levada. Ela está incerta sobre quem é. O que aconteceu a ela é chamado de "Um momento que marca uma vida". Ela tem que entender quem ela é, antes de lidar com o que aconteceu. E ela deverá fazê-lo quando estiver preparada para confiar aos outros as coisas que aconteceram em tal ocasião.
Harry sentou na cadeira oposta à da professora. Ele não sabia o que dizer, nem muito menos o que fazer. Não tinha sido muito melhor que os canalhas que machucaram Gina aquele dia. Ele foi trazido dos seus pensamentos pela professora.
- Harry, vá a Hogsmeade. Se for rápido, acredito que consiga alcançá-la. Se estiver disposto a dar a ela o tempo preciso, estou certa de que conseguirá as respostas que necessita.
Harry fez o que ela disse, apenas percebendo depois de deixar a sala dela que a professora tinha se dirigido a ele pelo primeiro nome, coisa que nunca tinha feito.
Harry desceu as escadas correndo rumo à porta de entrada do castelo. Uma vez passando por elas, ele desceu os degraus da entrada em alta velocidade ao longo do gramado. Imediatamente, ele avistou Gina; ela não estava tão distante, não devia ter saído do castelo há muito tempo. Quando ele ficou em uma distância boa para gritar, ele a chamou.
- Gina! Espere! - ele gritou, esperando que ela o atendesse. - Gina!
Ela parou e se virou para ver quem a havia chamado. Harry não conseguia ver que expressão ela ostentava em sua face estava apenas feliz por ela ter parado. Quando ele a alcançou, pôde ver que ela havia chorado, e isso o fez sentir-se dez vezes pior do que já estava se sentindo. Ele ficou de frente a ela, mas palavras não viriam; não que ele não soubesse o que dizer, mas ele estava tão sem fôlego, que estava tendo dificuldades em respirar.
- Harry, calma. Respira devagar. Venha, sente-se. - ela disse gentilmente.
Ele se sentiu pior ainda. Mesmo depois de ele ter sido horrível com ela, ela ainda se preocupava com ele. Ela tinha esquecido todas as coisas desprezíveis que ele lhe disse? Por que ela iria querer ajudá-lo? Ele se sentiu um grosseirão.
- Assim, respire lentamente. Está se sentindo melhor? - ela perguntou.
- Sim, obrigado. - ele disse devagar.
Bastou ela olhar para ele para que percebesse que ela estava esperando que dissesse o porquê de tê-la chamado.
- Obrigado por esperar. Não a culparia se não o tivesse feito. - ele disse.
Ela não respondeu.
- Quero me desculpar com você. - ele disse.
- Por quê?
- Por conta da maneira que te tratei. Eu estava com raiva e descontei tudo em você. Gritei com você e disse coisas horríveis. Eu não a culparia se não quisesse falar comigo novamente.
- Harry, você não disse nada de errado. Disse que estava zangado porque eu não confiava em você. Disse que eu procurasse ajuda. Como posso ficar magoada com você por isso?
- Gina! Eu gritei com você. Eu fui um verdadeiro canalha nessas duas semanas. Eu não tenho direito algum para ordenar que fale comigo. Deveria ter respeitado sua privacidade. Estava apenas pensando em mim mesmo, desculpe.
- Ok, não iremos chegar a lugar algum se ambos negarmos que o outro estava errado, ou se ficarmos pedindo desculpa um ao outro. - ela sorriu e se levantou oferecendo a mão a ele. - Que tal fazermos uma trégua e apertarmos as mãos? Talvez assim você queira ser meu amigo de novo? - ela disse com os olhos marejando.
Harry se levantou também, mas não apertou a mão dela. Ele não se importava se ela estremecesse. Ele queria abraçá-la, e foi isso que fez. Ele levantou Gina, como tinha feito tantas vezes antes, e a segurou firmemente. Para a surpresa dele, ela não o evitou como ele pensou que faria. Ela envolveu os braços ao redor dele, e o abraçou na mesma intensidade. Levou alguns minutos para Harry recobrar seus sentidos. E foi então que ele notou que ela estava chorando novamente. Ele, cuidadosamente, a colocou no chão. Não tirou os braços dela, e continuou a segurando. Ela chorou sobre o ombro dele por um bom tempo. Finalmente, ela parou de chorar. Os dois se separaram, e sentaram no chão.
- Gina, por favor, não fique zangada comigo, mas preciso dizer isso. - ele continuou quando ela assentiu. - Você não precisa me dizer nada, é só que... você realmente precisa falar com alguém, por favor. Estamos todos preocupados. - ele parou quando ela levantou a mão.
- Harry, eu estou falando com alguém. Desde que voltamos para a escola. - ela disse.
- Eu não sabia. - ele disse triste.
- Eu não contei a ninguém. Não por mim, mas por ela.
- Não entendo. - ele disse.
- Vamos dizer que ela esteve na mesma situação que eu. E, bem, ela não teve tanta sorte quanto eu tive.
Harry entendeu o que ela estava dizendo, mas não disse nada, esperou que ela continuasse.
- Então, não é que eu não quisesse que ninguém soubesse, eu só não queria que ela virasse assunto de conversas. Ela é uma grande mulher, é forte, mas ela merece privacidade sobre esse assunto. Você entende, não é, Harry?
- Sim, eu não vou te perguntar sobre isso de novo. Estou feliz por você ter alguém para conversar. - disse aliviado.
Eles sentaram de novo em silêncio, mas à vontade um com o outro.
- Gina, sobre as outras coisas que eu disse, sinto muito. Eu realmente sinto muito. - disse sincero.
- Harry, - ela disse docemente. - se não parar de se desculpar, eu vou derrubar creme de canário extra na sua próxima refeição. - ela riu.
- Ah, claro. - ele sorriu. - E quanto isso vai durar? - perguntou.
- Fred e Jorge os melhoraram. - ela sorriu marotamente. - Você será um canário por, no mínimo, uma hora. - ela riu.
- Tudo bem. - ele também riu. - Eu juro que não vou dizer sinto muito outra vez. Porque se eu disser sinto muito, você ficará brava. E eu sinto muito por te fazer ficar brava.
- Aguarde. - ela disse com um sorriso maldoso. - Serão três cremes de canário extra para você. - vendo que ele estava prestes a dizer algo, ela o cortou. - Não diga isso, Harry Potter, ou eu colocarei quatro. E você sabe que não estou blefando. - ela riu.
Os dois amigos ficaram mais um pouco sentados, tentando se recompor. Convencidos de que precisavam ir, Harry e Gina se dirigiram a Hogsmeade. Nenhum dos dois havia notado as duas figuras que emergiam nas janelas das torres do castelo. Uma figura, forte e orgulhosa, e muito aliviada por seus dois estudantes serem amigos de novo. E a outra figura mal-humorada, mas aliviada, imaginando se veria os ingredientes das suas poções algum dia.
Quando Harry deitou-se aquela noite, escondido dos seus companheiros de quarto atrás do dossel da cama, ele refletiu sobre o dia. Tinha começado como um dia monótono, e se mostrou cheio de emoções. Ele tinha se sentido zangado, humilhado, tinha chorado e rido. A única coisa que o fazia sentir-se grato era que ele e Gina eram amigos outra vez. Apesar de ter percebido que ela jamais deixara de ser sua amiga, foi ele quem a abandonou. Ele havia prometido que faria as pazes com ela, mesmo que ela não esperasse por isso.
Eles tinham ido ao Boticário e apanharam os itens que ambos os professores precisavam. Ela tinha-lhe ajudado no campo depois da Dervixes & Bangues, e eles puderam colher todas as flores, ervas e raízes num tempo recorde. Isso tinha dado a eles tempo de tomar um chá, enquanto esperavam o crepúsculo. Mais uma vez, Gina o acompanhou até o campo e o ajudou com sua tarefa. Ele tinha de admitir, ela tinha feito a maior parte do trabalho naquela segunda vez. Ela parecia tão angelical, andando pelo campo, procurando por flores noturnas. Ele imaginou que tinha algo a ver com o céu noturno; as cores acima estavam, no mínimo, bonitas. Tinham quase se emparelhado com Gina. Diversas vezes, ela o tinha pego a observando, mas não disse nada, e continuou o que estava fazendo.
O último pensamento dele aquela noite, foi sobre a conversa que tinha tido no Três Vassouras. Gina tinha-lhe contado algumas partes do acontecido daquele dia. Ele não tinha-na pressionado, ele se contentaria com qualquer coisa que ela dissesse. Por alguma razão, aquela parte fez pulsar um nervo no interior dele.
-... quando eu penso sobre isso, percebo que ele poderia ter me matado naquele momento, ele estava fora de si. E também, eu não queria que ele me beijasse. - ela balançou a cabeça. - Quero dizer, até mesmo quando ele me bateu, eu não reagi daquela maneira. Claro que eu o empurrei e bati nele, mas naquele momento, eu estava com muita raiva.
- Você sabe por que agiu dessa maneira? - ele havia perguntado.
- Não ria, mas o pensamento daquele asqueroso me beijando... Bem, quero dizer, uma garota sempre lembra do seu primeiro beijo, foi isso que me disseram. Acho que não queria carregar aquela lembrança pelo o resto da minha vida. Ter um Comensal baixo e de segunda classe como meu primeiro beijo, não obrigada. Acho que foi por isso que fiz o que fiz. - ela disse solenemente.
- Espere. - ele disse confuso. - O que você quer dizer com seu primeiro beijo? Claro que já foi beijada antes. - ele disse de maneira prática.
- Ah, já beijei, não beijei? - ela havia dito com a sobrancelha erguida em questionamento. - E quem foi que eu beijei, e o que sabe sobre isso, Sr. Potter?
- Bem, quero dizer, eu supus. Eu só pensei, bem, você é uma garota bonita, que os garotos... De qualquer maneira, e quanto ao Andrew?
- Andrew?! - ela riu. - Harry, eu e o Andrew somos apenas amigos, além do mais, nós brigamos tanto quanto o Rony e a Hermione. - vendo a sobrancelha erguida dele, ela adicionou. - Ok, esse foi um péssimo exemplo; Andrew e eu somos amigos.
- Ah. - ele disse um tanto envergonhado. - Bem, e quanto ao Col...
- Harry, não ouse terminar essa frase! Colin Creevey, ai meu Deus! - ela disse indignada.
- Desculpe, mas ele vive seguindo você. Quase tanto quanto me segue. - ele riu.
- Então, por que você não o beija? Apenas me deixe fora disso! Além disso, eu não beijarei ninguém tão cedo de qualquer maneira. - ela disse um tanto triste.
Harry apenas olhou para ela. Uma parte queria saber o porquê de ela ter dito aquilo, a outra não queria pensar na resposta.
- Por quê, Gina? - perguntou gentilmente.
- Não sei, acho que mudei. - ela tinha emanado orgulho e auto-respeito. - Enquanto há três ou quatro meses atrás eu teria dito sim a qualquer garoto que quisesse me beijar. Sabe, pela excitação. Mas agora eu quero algo mais. Acho que quero beijar alguém que seja especial para mim, e que me ache especial também. Preciso me curar um pouco mais, mas acho que saberei quando for a hora certa.
Harry realmente não soube o que dizer sobre aquilo, ele apenas sorriu para ela e apertou sua mão de leve.
Esse foi o último pensamento que teve antes de cair no sono.
A manhã de Domingo chegou rapidamente, e Harry levou os ingredientes para o Professor Snape logo cedo. Snape ficou contente por Harry ter concluído sua tarefa corretamente, mas um pouco desapontado. Ele não lhe poderia dar outra detenção. Quando Harry devolveu-lhe a pedra, Snape disse para que ficasse com ela. Disse que ninguém sabia o que poderia vir a acontecer, e o professor queria que ficasse protegido em qualquer ocasião. Em seguida, Harry encontrou Rony, Hermione e Gina no Salão Principal para o café da manhã. Rony iria ajudar Hermione nas estufas aquela manhã, então os dois encontrariam Harry e Gina nos jardins. Após tomarem café, Harry e Gina saíram do castelo para uma caminhada despreocupada ao redor do lago. Harry tinha algo em mente, e não podia mais esperar, iria perguntar a ela.
- Gina, hm, sobre o que disse ontem... - disse nervoso.
- O quê, Harry? Eu disse um monte de coisas ontem.
- Sabe, sobre seu primeiro beijo e tudo mais. - ele ficou da cor de uma beterraba.
- O que tem meu primeiro beijo? - ela perguntou esperançosa e com um sorriso tímido.
- Bem, sei que disse que não estava pronta e tudo mais. Mas gostaria que soubesse que quando estiver pronta. Não que eu esteja te pressionando para estar pronta... Apenas quando estiver... - ele tropeçou.
- Ok, então quando eu estiver pronta, o quê? - ela ainda sorria.
- É que eu não me importaria... Isso é, se você não se importaria... Bem, quero dizer, somos amigos, e nos importamos um com o outro, então eu pensei que talvez... - ele se sentiu um completo idiota por não conseguir terminar.
- Obrigada, Harry, isso é muito legal da sua parte. - então ela disse maliciosamente. - Sabe, acho que terei de te promover na minha lista. - então, ela se afastou dele, sorrindo mais do que tinha sorrido em semanas.
- Lista! Que lista? Gina, espera! Você tem uma lista de garotos que quer beijar? Gina? - Harry chamou Gina freneticamente, mas ela não lhe deu atenção.
Embora Harry a importunasse durante todo o caminho até às estufas, ela não proferiu uma palavra. Ela apenas sorriu o tempo todo, enquanto Harry tentava agarrar a lista dela. Talvez um dia ela mostrasse a ele, ela achou, novamente, que não o faria.
Metas da minha vida, por Gina Weasley compilada em 1º de Maio de 1992
1. Ajudar a derrotar Voldemort (adicionada em 31 de agosto de 1995)
2. Conseguir doze NOM's,mais do que todos os garotos (revisado em Julho de 1994)
3. Conseguir as maiores notas da família nos NIEM's
4. Me tornar uma Medi-Bruxa
5. Casar e ter filhos
6. Dar meu primeiro beijo com Harry Potter (e espero que o último também)
7. Entrar para o time de quadribol da Grifinória.
8. Ir para o Havaí em um avião trouxa (Ok, essa é do papai, mas parece legal)
