Capítulo Seis
SELADO COM UM BEIJO

Harry e Gina caminharam lado a lado até a biblioteca. Se despediram quando viram as pessoas que iriam encontrar. Gina foi sentar-se com suas amigas do sexto ano, enquanto Harry se dirigiu à mesa onde estavam Rony e Hermione estavam. Quando ele se aproximou da mesa, notou que Hermione parecia um pouco cautelosa, e Rony um pouco aborrecido.

- Oi, o que aconteceu? - ele perguntou aos amigos.

- Nada, nada demais. - Hermione disse nervosa. - Nós realmente precisamos começar esse trabalho do Professor Binns.

- Rony, o que você tem? - Harry perguntou.

- Estava apenas imaginando. - disse curiosamente.

- Imaginando o quê? - perguntou um Harry confuso enquanto sentava à mesa.

- Você me contaria se tivesse acabado de se agarrar com minha irmã no armário de vassouras?

- O quê?! - ele perguntou intensamente, mas em voz baixa devido ao fato de eles ainda estarem numa biblioteca, e haver muita gente por perto.

- Ron, - Hermione disse calmamente. - você está agindo como um idiota. Harry e Gina não estavam se agarrando. Agora vamos começar.

- Eu sei disso! - Rony disse para Hermione rangendo os dentre. - O problema é se ele me contaria.

- Claro que contaria, Harry não esconderia algo assim. - ela disse olhando nervosa para Harry, e então olhou para Rony.

- Oi, eu ainda estou aqui, sabe... - Harry disse prático. Os dois olharam para ele, percebendo que, de fato, ele estava lá. - Eu não estava me agarrando com Gina no armário. - ele disse.

- Então onde estava agarrando ela? - o irmão dela perguntou enjoado.

Aquela foi a vez de Harry ranger os dentes. Lenta e calmamente, ele respondeu a Rony.

- Não estávamos nos agarrando. Eu nunca nem ao menos a beijei. Aconteceu de eu encontrá-la no caminho até aqui. Foi isso que aconteceu.

- Você não a beijou, o caramba. Eu vi! - Rony acusou.

- Tudo bem, eu a beijei no rosto e em lugares como esse. Mas eu nunca a beijei. - Harry explicou.

- Mas você quer. - Rony acusou.

- Rony, por favor. - Hermione pediu. - Não comece outra vez. Harry respondeu sua pergunta. Você sabe, eles se gostam. Por que ficar chateado com isso?

Harry olhou para Hermione. Claro que ele gostava de Gina. Mas por que ela teve de mencionar aquilo para Rony?

- Eu sei disso, Hermione. - Rony disse. - Eu não sou cego. - Ele então olhou para Harry por conta do barulho que esse fez com tal comentário. - O que me aborrece são os encontros às escondidas.

- Eles não se encontram às escondidas, Rony. - defendeu Hermione.

- Oi!

- Ah, do que você chama todos aqueles desaparecimentos, e as caminhadas então? - Rony argumentou.

- Rony, você está imaginando coisas.

- Eu ainda estou aqui!

- Imaginando, - Rony rosnou baixinho. - Você mesma disse, naquele dia nas estufas que tinha algo acontecendo entre os dois. Você os viu, e eu também. Minha irmã estava radiante, e esse idiota, esse idiota, estava tão vermelho e corado. O que você acha que causou isso, Hermione? Vamos, diga.

- Eu sou invisível? Eu ainda estou aqui, mas estão falando sobre mim como se não estivesse.

- Eu sei o que disse, Rony. - Hermione tentou se defender. - Eu perguntei à Gina, e ela disse que nada aconteceu entre eles. Eu acredito nela e, de qualquer maneira, por que ela mentiria sobre isso?

- BASTA! - Harry disse em voz baixa, mas furioso com os dois melhores amigos. - Percebem que ainda estou aqui? Vocês dois estão discutindo minha vida pessoal como se fosse da conta de vocês. Agora, quero saber aonde querem chegar. Comecem a falar, ou eu vou embora e não falarei com os dois por um bom tempo.

- Harry, calma, nós só estávamos...

Ele não deixou que ela terminasse. Ela não iria justificar aquilo, ou melhor, ele não deixaria que ela o fizesse.

- Se envolvendo em algo que não é da conta de vocês. Acham que eu e a Gina discutimos as sessões de amassos de vocês quando estamos juntos?

- Vocês estão juntos? - Rony perguntou, chocado.

- Não, Rony. Não estamos juntos. - Harry vociferou. - Não somos um casal. Mas se fôssemos, certamente não estaria aberto à discussão.

- E por quê não? - vociferou Rony.

- Porque, - Harry disse ferozmente. - o que eu e Gina fazemos juntos, é da nossa conta, não da sua, não é da de Hermione ou de qualquer um, mas nossa e apenas nossa.

- O que, exatamente, vocês fazem juntos que é tão secreto? - Rony perguntou novamente, agora realmente furioso.

Harry teve de se compor. Ele sabia o porquê de Rony estar fazendo aquelas perguntas, parte dele achava que o amigo merecia uma resposta. Mesmo ainda sendo apenas da conta dele e de Gina. Talvez, dar algumas respostas a Rony faria ele calar a boca e encerrar a conversa.

- Rony, - ele disse controlado. - Gina e eu conversamos. Eu não sei como explicar isso, mas nós nos conectamos um ao outro. Ela pode se abrir para mim, e eu me abro para ela em retorno.

- Você não quer dizer que tem uma relação melhor com minha irmã do que conosco? - Rony perguntou um tanto magoado.

- Não! - isso não estava saindo da maneira que Harry queria. - Vocês são meus melhores amigos. Têm sido por sete anos, e espero que pelo resto da minha vida. Gina e eu temos algo em comum, algo que nos define. Eu realmente não posso explicar. - disse gentilmente.

Rony parecia confuso, mas Hermione parecia entender.

- Harry, você quer dizer Voldemort?

- Não diga esse nome! - Rony guinchou.

Harry riu dos amigos.

- Sim, quer dizer, ninguém mais cruzou o caminho dele e sobreviveu; ela sim.

- Mas Gina encontrou apenas uma memória. - Rony sustentou.

- Não, Rony, você está errado. Eu me informei sobre diários mágicos. Eles podem ser extremamente poderosos. Dizem que se o bruxo for forte o suficiente, ele pode copiar seus poderes para o diário. Se alguém foi poderoso o suficiente, esse foi Voldemort. Gina é muito especial para ter sobrevivido àquela provação. - Hermione argumentou.

- Eu sei que ela é especial. - Rony disse, um olhar constrangido apareceu no rosto dele. - É só essa coisa de conexão. Quero dizer, o quanto vocês dois estão conectados?

- Eu não sei, Rony. - Harry balançou a cabeça. - Eu posso falar com ela, melhor do que com qualquer um que conheço. Sei que ela se abre para mim também. Quero que se abra para mim. Eu gosto dela. Pode entender isso? - ele perguntou ao amigo.

- Posso. Eu só não gosto dos passeios às escondidas. Me prometa que vai me dizer que estão juntos quando isso acontecer. Eu não quero saber por outra pessoa, ou pior, flagrar vocês dois. Entende?

- Sim, quando e se ficarmos juntos, prometo que não esconderemos nada de você. - disse Harry.

- O que você quer dizer com "se"? - Hermione pressionou.

- Ela não está preparada para um relacionamento, Hermione. - disse triste.

- Você não acha que Gina é quem deveria decidir isso? - Hermione perguntou calorosamente.

- Essa é a decisão dela, Hermione. - ele disse desanimado. - Ela mesma disse há algumas semanas, ela não está pronta para um relacionamento.

Aquilo pareceu pôr um ponto final na discussão. Rony parecia convencido de que Harry e Gina não estavam se agarrando pelas costas dele. Hermione parecia confusa quanto à relação de Harry e Gina. O pobre Harry, que não fez nada a não ser acompanhar uma amiga à biblioteca, estava triste e aborrecido. Os dois amigos dele, basicamente, tinham jogado o fato na cara dele; a garota que amava não estava pronta para amá-lo. O quanto seu dia poderia piorar?


Após Gina despedir-se de Harry, ela avistou suas amigas sentadas numa mesa ao fundo da biblioteca. Os sextanistas tinham duas tarefas principais para entregar em poucos dias, e uma delas era de Feitiços. Elas teriam de observar feitiços de proteção, analisar, detalhar, escrever os procedimentos e repercussões, se houvesse alguma. O Professor Flitwick decidiu que só aceitaria pergaminho sobre feitiços protetores válidos, que funcionassem corretamente. Essa tarefa coincidiu com uma de História da Magia. O Professor Binns tinha pedido ao sexto ano para avaliar a efetividade dos feitiços antigos de proteção, e para discutir se eles eram úteis nos dias de hoje. Gina e suas amigas tinham levado esse trabalho a sério, e começaram a trabalhar nele a partir do momento em que o professor o passou. Após quatro semanas de trabalho intenso, todas as garotas haviam terminado o trabalho do Professor Flitwick, mas apenas a metade tinha terminado o do Professor Binns. Elas estavam se encontrando naquele dia para finalizar os papéis já feitos, e ajudar com os inacabados.

- Oi, pessoal. - disse Gina toda animada e feliz.

- Oi, Gi. Eu vi você e o Harry chegando juntos. - Pauline disse maldosamente.

- Sim, nós nos cruzamos nas escadas. - Gina disse inocentemente.

- Ah, o Harry caiu no degrau falso novamente? - perguntou Pauline, com um certo brilho nos olhos...

-...E te abaixou para cima dele? - perguntou Kristen assim que Pauline terminou.

-...E ele estava com as mãos onde não devia? - perguntou Michelle, tão rápida quanto as outras.

-... E ele a puxou contra si firmemente? - imaginou Robin, não diminuindo o ritmo.

-...E ele te beijou forte, bem na boca? - perguntou Ash, finalizando o monólogo de cinco partes.

- Ah, vocês viram! - Gina corou e fingiu-se mortificada.

- ELE FEZ! - as sextanistas gritaram, todas recebendo um olhar de reprovação de Madame Pince.

Gina riu das amigas.

- Vocês, que bando de bisbilhoteiras. E se ele tivesse beijado... Eu nunca contaria. - ela estirou língua para as amigas e sentou-se para começar seu trabalho.

As garotas trabalharam na tarefa por aproximadamente uma hora, quando decidiram dar uma pausa.

- Gina, eu pensei que você tinha terminado os dois trabalhos semana passada. - disse uma Michelle confusa.

- Ah, eu terminei. Isso é outra coisa. - ela disse, incerta se deveria explicar mais.

- Por que está procurando outro feitiço de proteção? - perguntou Robin.

- Prossiga, Gina. Elas não irão rir. - Ash disse séria.

- Estou procurando um feitiço que possa usar em alguém. A maioria dos que achei são perigosos, tanto para mim quanto para a outra pessoa. Estou certa de que deve haver algum feitiço seguro nesses livros. - ela disse cautelosamente.

- É para o Harry, não é? - perguntou Kristen.

Gina se acomodou na cadeira e olhou para as amigas.

- É. Ele precisa de toda ajuda possível. E se um trabalhinho extra... - as amigas a interromperam.

- Gina, nós entendemos. - disse Michelle.

- Claro que entendemos. - disse Robin.

- Vamos, estamos quase terminando. Vamos todas procurar e com certeza acharemos. - disse Pauline segura.

Gina sabia que não deveria discutir, na verdade, ela estava era aliviada. Suas amigas gostavam de brincar com ela sobre Harry, especialmente agora que eles estavam tão próximos. Ainda que às vezes aquele velho sentimento de vergonha voltasse, o do tempo que tinha uma quedinha por ele; a fazia sentir-se insegura. Ela não sabia se deveria dizer às suas amigas sobre o que estava pensando. Elas tinham se mostrado um maravilhoso grupo de amigas, e não importava como, elas pareciam entender quando brincar e quando não fazê-lo. Gina apenas acenou para as amigas, e todas apanharam um livro e começaram a procurar.

Ash estava procurando em um velho livro empoeirado, Magia Realmente Antiga, quando ela gritou pela segunda vez naquele dia.

- Gina, acho que achei. Aqui, olha isso. - ela disse enquanto entregava o livro à Gina.

- O beijo sagrado? - Gina perguntou.

- Ah, claro, Ash, é só deixar com você para achar um feitiço com beijo, e você diz que eu sou uma má influência. - brincou Kristen.

- Receba todos seus irmãos com o beijo sagrado - Michelle disse quase com uma reverência.

- O quê? - perguntou Pauline.

- Ah, desculpa. - riu Michelle. - Receba seus irmãos com um beijo sagrado, Capítulo 5, Tessaliano, verso 26.

- E isso significa o quê? - Robin perguntou balançando a mão à frente de Michelle.

- Ah, não é engraçado como algumas coisas nunca te deixam? Isso é um verso da Igreja. O "Beijo de paz"; é uma antiga saudação apostólica. São Paulo disse aos irmãos para "receber uma ao outro com um beijo sagrado". Será que eles estavam conectados?

Gina apenas balançou a cabeça. Não sabendo nada sobre religiões organizadas, ela continuou a ler o trecho do livro.

- Parece que pode funcionar. Eu gostaria de conseguir mais informações sobre isso primeiro. - disse Gina.

- Bem, a introdução diz que o feitiço faz parte de um grupo de feitiços que requer algum tipo de laço. Quanto mais forte o laço, melhor será o resultado do feitiço. - Então Ash perguntou um tanto constrangida. - Gina, você e Harry têm um laço?

- Sim, nós temos. - ela disse numa voz triste.

- Pode nos dizer qual? Quero dizer, você não tem que dizer se não quiser. - disse Michelle apressada.

- Bem, vocês lembram do fim do meu primeiro ano? - ela continuou quando todas assentiram. - Eu fui levada para a Câmara Secreta. - ela parou.

- Gina, não precisa continuar. Sabemos que Harry e Rony salvaram você aquele dia. - disse Kristen.

- Foi mais que isso. - Gina disse. - Eu nunca disse a nenhuma de vocês, não que não confiasse em vocês. É tão complicado... - ela suspirou, não sabia o que dizer em seguida. - Alguma de vocês sabe o que tinha na câmara?

Quando todas disseram que não, Gina ficou um tanto surpresa. Ela estava certa de que Ash sabia de tudo sobre aquilo, mas parecia que estava errada.

- Vamos dizer que havia a memória de alguém, uma memória que veio à vida, e ele tentou me matar. Foi dele que o Harry me salvou.

- Quem era, Gina? - perguntou Ash.

- O nome dele era Tom Riddle. Mas não é assim que ele é conhecido agora. - Gina parou quando ouviu Ash exclamar. Pelo olhar dela, Gina percebeu que ela sabia quem era Tom Riddle.

- Gina, como? Quero dizer, onde? Ah, meu Deus, não posso acreditar... - Ash, tremendo, não conseguia formular uma simples frase. De repente, Ash abraçou Gina, e então a olhou nos olhos e disse: - Ele é o garoto de cabelos negros com que Trelawney sempre te aborrece, não é?

- Mas, Ash, - Pauline interrompeu - você achava que o garoto de cabelos negros era Você-Sabe... - ela também não pôde terminar quando viu a confirmação nos olhos de Gina.

As garotas ficaram em silêncio, não havia mais nada a ser dito. Todas suas amigas agora sabiam que de alguma maneira Gina tinha encontrado Voldemort durante seu primeiro ano. Se Gina achava que suas amigas iriam abandoná-la, ela estava errada. Essa revelação pareceu uni-las mais ainda. A dor de esconder a verdade tinha-se ido. Gina não mais precisaria se preocupar se teria de desenterrar aquilo; Suas amigas estariam lá de qualquer maneira. Talvez um dia, quando não restasse nem um resquício de dor, ela pudesse contar-lhes o resto. Ela não tinha medo de perdê-las, o fato era que ela não se sentia pronta para enfrentar tal memória.

Ash finalmente falou outra vez: - O laço que você e Harry têm não é porque ele te salvou, é?

- Eu costumava achar que sim, que eu devia a ele. Que era um débito que eu precisava pagar. Mas agora que Harry e eu somos amigos, percebi que temos um laço diferente. - Gina disse solenemente.

- É porque ambos sobreviveram a você-sabe-quem, não é? - perguntou Michelle.

- Sim. - respondeu Gina. - Eu nunca pensei nisso dessa maneira, mas Harry me convenceu disso. - ela sorriu. - E eu não consigo explicar, mas acho que existe outro laço também.

As amigas sorriram para ela. Ela podia não saber o que era o outro laço, mas elas certamente sabiam. É muito difícil não reconhecer um amor verdadeiro quando está bem na sua frente.

As garotas ficaram na biblioteca durante algum tempo, todas se voltaram para os trabalhos que estavam fazendo. Embora não tenham adquirido muito sucesso, porque cada uma parecia perdida em seus próprios pensamentos.


Era a terceira semana de Novembro, e o correio matutino já havia chegado no Salão Principal; Edwiges veio descansar no braço de Harry.

- Olá, garota, o que você tem aí? - ele perguntou à sua coruja da neve, enquanto ela ressaltou a perna para ele.

Ele desamarrou o pergaminho e leu o bilhete.


"Harry, por favor, me encontre na sala especial amanha à noite antes do toque do jantar. Shhh! É segredo."

Harry soube imediatamente quem tinha enviado o bilhete; ele procurou Gina. Quando a avistou, ela olhou para ele, e ele deu-lhe um curto aceno a respeito do bilhete. Ela sorriu de volta.

O dia seguinte quase não chegou para Harry. Ele tinha pensado sobre o bilhete de Gina desde que tinha recebido. De certo modo, ele estava feliz por ela ter-lhe enviado o bilhete. Ele tinha algo para ela, mas não sabia como entregar. Após o Professor Snape dar-lhe a chave do portal, ele desejou saber se poderia conseguir uma para Gina também. Ela estava tão em perigo quanto ele, e ele decidiu perguntar ao Professor Snape sobre isso. Ele disse a Harry que precisaria da aprovação do diretor, que ele precisaria perguntar a ele, e foi exatamente o que Harry fez em seguida. Para sua surpresa, Dumbledore sugeriu que ele aprendesse a fazer uma. Ele então o mandou até o Professor Flitwick. Enquanto Gina estava comparecendo aos seus encontros nas manhãs de Sábado, o Professor Flitwick estava instruindo Harry a fazer uma chave do portal. Dentro de algumas semanas, Harry era capaz de produzir uma; tudo que ele precisava era de um teste. Hermione ficou emocionada por Harry ter tomado essa tarefa extra, e ela alegremente o ajudou com o teste em uma tarde. Ela estava, para dizer a verdade, um tanto chocada quando foi transportada à sala do diretor, mas ao mesmo tempo encantada por Harry ter realizado tal feito. Tudo que restava fazer era presentear Gina com isso. Ele não estava certo sobre como ela iria reagir. Afinal de contas, ele mesmo não ficava muito excitado com a idéia de chaves do portal, mas poderia ser útil algum dia.

No fim da tarde de quinta-feira, Harry partiu para a sala especial que ele e Gina usavam para conversas particulares. Ele não foi tão longe.

- Ei, Harry, onde está indo? O sinal do jantar ainda não bateu. - disse Rony.

- Eu tenho um encontro, não acho que vou demorar. - ele tentou soar normal.

- Encontro, hm, essa foi a mesma desculpa que Gina usou. Há algo que precisa me dizer? - seu amigo aborrecido perguntou.

- Não, Rony. Acho que já conversamos sobre isso antes.

- Conversamos, e você prometeu não esconder nada de mim. - Rony retrucou.

- "timo, Gina me mandou um bilhete para encontrá-la na sala secreta, a que sempre vamos. Está satisfeito? - Harry perguntou.

- Sabe, se não quiser me contar, tudo bem. Você não tem que me contar tudo. Te vejo no jantar. - disse um Rony muito aborrecido.

Harry apenas balançou a cabeça e sorriu. Talvez a melhor maneira de fazer Rony se calar fosse contar a verdade. Ele fez seu caminho até a sala, e esperou a porta aparecer. Quando apareceu, ele bateu e esperou que Gina abrisse. Era estranho, ele nunca tinha ido à sala quando Gina não estava lá, e ele nem sabia se conseguiria abrir a porta se precisasse. Gina abriu a porta algum tempo depois, e havia algo muito diferente nela. Harry não conseguia identificar a mudança. Ele gostou, mas realmente não conseguir descrever.

- Oi, você chegou bem na hora. - ela disse sorrindo para ele.

- Obrigado. Uau, o que é tudo isso? - ele perguntou.

- Bem, é bem idiota, mas eu pensei em termos um jantar de Ação de Graças.

- Um o quê? - ele riu.

- Estamos aprendendo sobre os trouxas americanos em Estudo de Trouxas, e, bem, hoje é o dia de Ação de Graças deles, e eu achei que seria legal celebrar isso.

Harry estava boquiaberto. No centro da sala, havia uma enorme mesa redonda, cheia de comida até a borda. Havia um peru com todos os acompanhamentos, baguetes, milho em conserva, purê de batatas, e molho de oxicoco. Tinha um cheiro maravilhoso, como noz-moscada e molho madeira, mas ele não lembrava de ter comido batatas laranja antes. Do outro lado, ele viu um jogo de chá e uma torta de maçã, e, o que ele soube depois, uma torta de abóbora, bem próxima a isso.

- Uau, você se empenhou tanto. Obrigado, Gina. - ele disse timidamente.

- De nada.

- Então, o que estamos agradecendo? - ele perguntou.

- Amizade. - ela disse claramente. - À sua e à minha. Você me ajudou tanto nesses últimos meses, e eu realmente não sei como te recompensar.

- Por favor, não diga isso. Você não me deve nada.

- Ok. - ela disse relutante. - Vamos comer, e então eu preciso fazer algo para você.

- O que você precisa fazer?

- Não, não. Primeiro comemos, estou faminta.

- Quando você não está faminta? - ele riu.

Os dois sentaram-se para uma refeição deliciosa, na qual Gina confessou, Dobby tinha feito a maior parte do trabalho. Ela apenas disse a ele quais comidas trazer, e ele tinha ficado mais que feliz por ajudar. Após terminarem de comer, Gina chamou Harry para sentar no sofá com ela. Ela começou a explicar o que precisava fazer.

- Eu gostaria de fazer algo para te recompensar, Harry, e, por favor, não discuta comigo. - ela começou.

- Gina, eu te disse, você não me deve nada, por favor não se sinta na obrigação.

- Eu não me sinto na obrigação, Harry. Eu quero fazer algo por você, então, por favor, me deixe fazê-lo. - ela só continuou quando ele assentiu. - Eu encontrei um feitiço de proteção. Eu pesquisei e não trará dano algum se tentarmos. - ela parou quando viu o olhar confuso dele. - Muitos dos feitiços de proteção requerem um sacrifício, ou são tão difíceis que muitos bruxos não conseguem executá-los. Esse não requer nada, e parece relativamente fácil. Eu gostaria de tentar. Por favor, diga que sim.

- Posso ver o feitiço antes de tentarmos? - ele pediu.

- Claro. - o sorriso dela se alargou, sabendo que ele a deixaria fazê-lo. - Aqui estão todas as informações.

Harry pegou o livro que Gina o ofereceu, Magia Realmente Antiga por Methuselah Antiquas.


O beijo sagrado

Esse antigo feitiço deriva seu nome do seu uso entre Cristãos antigos. Seu único encantamento conhecido está em latim e deve datar desse período. O feitiço original é certamente mais velho do que esse, e deve ter existido de outras formas que foram perdidas na Antiguidade. Da parte posterior ao primeiro século até o começo do quarto d.C., esse feitiço era de uso comum entre os antigos Cristãos como uma proteção contra seus perseguidores. Durante essa era, trouxas e bruxos conviviam pacificamente: a comunidade bruxa não era vista como suspeita por praticar o oculto, como foi o caso em tempos posteriores.

Deste modo, os bruxos entre os membros da igreja podiam executar esse feitiço em todos os membros da congregação bruxa e trouxa igualmente, para assegurar a proteção de todos. Esse feitiço é claramente mencionado na carta de São Paulo aos Romanos (Capítulo 16): "recebam um ao outro com o beijo sagrado"; mas o verdadeiro significado desses versos se perdeu nos atuais trouxas modernos. O Beijo Sagrado também é mencionado em textos apócrifos retidos pela comunidade bruxa.

Desses textos, nós pudemos extrair três modos nos quais esse feitiço poderia funcionar. Primeiro, oferece um tipo de proteção mágica contra o inimigo. Segundo, dar ao receptor uma grande força mental. Terceiro, oferecer uma grande resistência contra a dor, como as proteções mágicas eram, infelizmente, não muito seguras. A segurança relativa ao feitiço foi recompensada pelo fato que, virtualmente, nenhuma repercussão negativa acontecia se o feitiço fosse conjurado, como era comum em casos de feitiços de proteção. Em outras palavras, não há mal algum em experimentá-lo.

O Beijo Sagrado é executado dessa maneira:

A pessoa que executará o feitiço coloca a ponta da sua varinha no peito do receptor.

O feitiço basium sanctum tibi confero é invocado.

A pessoa que executa o feitiço beija o receptor.

Deve-se acrescentar que o poder do feitiço pode variar de acordo com as circunstâncias. Acredita-se que o feitiço será mais forte de acordo com a força do laço entre o que executa e o receptor. No caso dos antigos Cristãos, o laço era sua fé compartilhada, mas outros laços eram possíveis na teoria.

Após Harry terminar de ler, ele olhou para Gina, seus olhos estavam brilhando.

- Não sei o que dizer. Você quer mesmo experimentar? - perguntou a ela.

- Sim, isto serve tanto para mim quanto para você. - ela disse. E vendo o olhar confuso dele, continuou. - Se tem algo que eu posso fazer para te ajudar, é isso. Eu não conseguiria viver se não o fizesse.

Harry segurou a mão dela e a olhou nos olhos.

- Você teria que me beijar, isso... quero dizer, você ficaria bem com isso? - ele então abaixou os olhos.

Gina pôs a mão no queixo dele e levantou até que seus olhos encontrassem os dele.

- Harry, não há nada que eu queria mais. - ela disse com um sorriso, ainda olhando para ele.

Harry esboçou um largo sorriso e, a antes que ele pudesse pensar, antes que ela pudesse dizer outra palavra, ele agiu. Ainda segurando a mão dela em uma das suas, ele levou a outra ao rosto dela. Lentamente ele a guiou até ele e com o mais macio dos toques, ele a beijou.

Após um bom tempo eles se separaram, sorrindo um para o outro, mas ele queria aquela proximidade de novo. Harry deu um leve beijo nos lábios dela, depois no nariz e finalmente no alto da sua cabeça. Ele a segurou em seus braços, não desejando soltá-la mais. Por tanto tempo desejou beijá-la, abraçá-la, mostrar a ela o que sentia. Agora ele estava tendo a chance. Gina respondeu todas as dúvidas que ele podia ter aconchegando seu corpo no dele. Então assim era o céu, ele pensou, nunca mais se aventuraria a voltar à Terra.

Em todos aqueles anos Gina tinha sonhado em beijar Harry, ela nunca tinha imaginado que seria daquela maneira. Ele foi tal gentil, embora tão intenso. Era encantador, um cavalheiro. Ele a fez sentir-se apreciada, desejada e bonita. Nunca, em seus sonhos mais selvagens, ela poderia ter acreditado que um beijo faria aquilo com ela. De alguma maneira, ela sabia que iria acontecer, que ela e Harry deveriam ficar juntos. Isso é o que eles querem dizer, quando dizem, "você nunca esquecerá seu primeiro beijo", e Gina agora tinha se juntado àquele grupo. Ela foi tirada de seus pensamentos quando ele beijou-lhe o alto da cabeça de novo, e ela sorriu para ele.

- Obrigado. - ele disse e sorriu.

- Pelo quê? - ela perguntou.

- Por ser você. Por fazer com que eu seja eu. - ele respondeu e a puxou para si.

- De nada. E obrigada por ser você também. - ela suspirou.

- Você se importa se ficarmos aqui um pouco mais? - ele perguntou.

- Não, mas eu gostaria de fazer o feitiço de proteção, se não se importa. - Gina disse.

- Ah, isso significa que eu vou ter que te beijar de novo? - Harry brincou.

- Não, se não quiser. Nós podemos ver se um pontapé nas suas calças funcionaria. - ela disse como se estivesse falando com Rony.

- Não, não. O trecho diz um beijo, e eu acho que terá de ser feito. - ele disse alegremente.

- Eu não sei se quero te beijar de novo. - ela fez beicinho.

- Por favor, me beija de novo. Serei seu melhor amigo se beijar. - ele implorou.

- Você terá de me oferecer algo mais que isso, senhor, você já é meu melhor amigo. - ela declarou.

Ele não respondeu com palavras, apenas abaixou a cabeça e a beijou novamente. Esse beijo foi diferente comparado com o primeiro. Não era um beijo hesitante, cheio de nervosismo, desajeitamento e incertezas. Foi suave, profundo e intenso, e durou um bom tempo.


Algum tempo depois, os dois releram o trecho do feitiço. Ambos queriam ter certeza de que Gina sabia do feitiço, e que dano algum seria feito a eles. Quando satisfeitos, eles levantaram-se do sofá e ficaram um de frente ao outro. Gina parecia um pouco nervosa, então Harry pegou sua mão e deu um leve aperto. Ela segurou a ponta da varinha contra o coração dele e o olhou nos olhos. Então ela falou as palavras, "Basium sanctum tibi confero". A voz dela era confiante e não gaguejou. Quase como se ele que tivesse recitado o encantamento, Harry abaixou a cabeça até ela, ela colocou os lábios nos dele e o beijou. O beijou foi diferente dos outros dois em muitos níveis. Primeiro, havia quase uma sensação elétrica nesse, como se um verdadeiro poder tivesse sido transferido entre os dois. Segundo, Gina não tinha habilidade em parar o beijo, não que ela quisesse; ela sabia que algo mais os estava controlando. Depois do que pareceu eras, a sensação lentamente diminuiu, e eles se separaram. Harry olhou temeroso para ela, até mesmo ela estava um pouco abalado.

- O que acabou de acontecer? - ele perguntou.

- Eu não sei. Quer dizer, eu não sabia que isso aconteceria, eu sabia que algo iria acontecer. É só que... - ela tentou explicar.

- Eu sei. Foi algo legal. - ele sorriu.

Os dois sentaram no sofá outra vez e tentaram se recompor. Ambos sabiam que um grande poder tinha acabado de ser compartilhado entre eles. Então Harry teve uma idéia.

- Gina, o que aconteceria se tentássemos outra vez? - ele perguntou.

- Eu não sei. Você quer que eu faça o feitiço de novo? Por quê? - ela o questionou.

- Não, não você. Eu gostaria de fazer o feitiço em você. Quero dizer, funcionou. O trecho diz que não haveria mal nisso. Eu gostaria de ter certeza de que está a salvo também. - ele disse seriamente.

- Tem certeza? - ela perguntou apreensiva. - Ou é porque você meio que quer me beijar de novo? - agora ela estava brincando com ele.

- Claro que quero te beijar de novo. - ele disse docemente. - Mas sério, eu gostaria que estivesse protegida. Posso fazer o feitiço? - pediu de novo.

- Ok. Obrigada, Harry. - ela disse suavemente.

Mais uma vez, eles ficaram um em frente ao outro. Dessa vez era Harry que parecia nervoso, então Gina tomou sua mão e deu um leve aperto, assim como ele tinha feito com ela. Ele segurou a ponta da varinha contra o coração de Gina e procurou os olhos dela para a aprovação. Ela assentiu, e ele proferiu as mesmas palavras: "Basium sanctum tibi confero". Novamente, Harry abaixou a cabeça até ela, seus lábios se tocaram com o mais delicado dos toques, e mais uma vez eles estavam unidos. A energia que fluiu dessa vez foi inacreditavelmente mais intensa que qualquer coisa que já tinha experimentado. Harry pôde senti-la tremer um pouco, e envolveu os braços ao redor dela para segurá-la. Durou mais que da outra vez, e fez os dois flutuarem. Como antes, a sensação diminuiu e eles se separaram. Ambos sentaram se recompondo antes de falarem.

- Se eu soubesse que você podia beijar assim, teria te beijado há anos. - Gina brincou, tentando aliviar o clima.

- Vê o quanto pode aprender ao me promover na sua lista? - ele a espetou, mencionando aquela sua lista infame, que ela se recusava a mostrá-lo.

- Bem, sim. - ela disse um pouco constrangida. - De qualquer maneira, acho que deu certo.

- Eu diria que sim. - ele sorriu. - Obrigado novamente por encontrar aquele feitiço para mim.

- E obrigado por querer me proteger também.

Ela o olhou novamente com desejo nos olhos. Como se tivesse lido a mente dela, ele se inclinou e a beijou mais uma vez.


Harry e Gina ainda estavam na sala, relaxando não só dos feitiços de proteção que tinham lançado, mas da constatação de serem um casal. Eles estavam desfrutando uma xícara de chocolate quando se deram conta de que deviam voltar à Torre da Grifinória. Se o alarme vociferando não fosse um sinal, então a coruja batendo na janela recentemente formada era. Harry olhou para Gina, totalmente confuso.

- Que barulho é esse? - ele perguntou.

- Eu tenho um alarme instalado. Às vezes eu esqueço de sair daqui antes do toque de recolher. Um pouco alto, não? - ela riu antes de pedir a ele que se desligasse.

- Parece que temos uma coruja também. Isso aconteceu antes? - ele perguntou.

- Não. - ela riu. - Ninguém nunca me enviou corujas enquanto estive aqui.

Harry caminhou até a nova janela, abriu e deixou a coruja entrar. Ele então olhou para o envelope, que tinha uma coloração rosada. Também tinha pequenos chumaços de fumaça saindo dele, entretanto cheirava a perfume. Uma vez que Harry tirou o pergaminho da coruja, ela voou para fora da mesma janela que entrou, e a janela também sumiu.

- Eu acho que sei de quem é isso. - ele disse embaraçado.

- Sabe? Quem? - ela perguntou, um tanto confusa.

- Seu irmão. Ele estava um pouco chateado comigo antes de eu deixar...

- Então ele nos enviou um Honey. - ela o interrompeu.

- Um o quê?

- Um "Honey". É, de alguma forma, o oposto de um Berrador. Acho que você pode chamar de um bilhete de amor.

- Por que ele nós enviaria isso? - ele perguntou.

- Porque ele é um idiota, e pela mesma razão que ele enviou um Berrador, dizendo à Hermione que a amava.

- Ele o quê? - ele riu. - Ok, eu acredito. Qual foi a razão?

- Ele misturou alguns feitiços, é claro. Hermione estava furiosa até eu falar a ela sobre o feitiço do "Honey". Pensei que ela soubesse sobre isso. Quando você quer mandar um berrador, o feitiço que você diz é "Pronuntio Cerritus Acroasis", e para um "Honey" é "Pronuntio Cupiditas Acroasis", acho que posso ver onde ele erraria. - ela disse maliciosamente.

- O que acontece se não abrirmos? - ele perguntou.

- Nada, eu acho. Embora, - e ela riu. - acho que Kristen recebeu um uma vez, o dela começou a cantar uma música idiota de amor. Ah, por favor, abra. Mal posso esperar para ouvir o Rony cantar. - ela pediu.

- Ok. - ele riu.

Gina e Harry sentaram no sofá enquanto escutavam a voz calma e suave, e de alguma maneira amável, de Rony ralhar com ele. Gina não conseguia olhar para Harry; ela achou que iria chorar de tanto rir a qualquer momento.


"Harry e Gina,

Sei que estão juntos, não neguem; caso contrário, o berrador teria voltado! Sei o que estão fazendo. É melhor trazer minha irmã de volta à sala comunal, se sabe o que é bom para você, Harry. E para você, mocinha, imagino o que mamãe diria sobre essa sua excursãozinha. Eu não acredito que vocês dois estão se agarrando numa sala secreta! É bom voltarem à Torre pelas 9:00 horas, ou vou escrever à mamãe."

Considerando que um berrador geralmente pega fogo ou explode, um "Honey" faz algo menos dramático. Na conclusão deste "Honey", a carta suspirou dramaticamente, e caiu graciosamente no chão. Com isso, Harry e Gina explodiram em risadinha, tanto que nem conseguiam olham um para o outro. Os dois tinham lágrimas saindo dos olhos, e ambos estavam com a mão na barriga. Toda vez que se olhavam, começavam a gargalhar de novo. Finalmente, quando retomaram o controle, Gina fez uma pergunta a Harry.

- Como meu irmão sabe sobre essa sala? - ela perguntou com a sobrancelha erguida.

- Bem, eu meio que contei a ele. - ele disse constrangido.

- Por que diabos fez isso?

- Ele estava suspeitando de nós. Tem me enchido por semanas por conta do nosso relacionamento. - se defendeu.

- Nosso relacionamento! O que ele tem a ver com isso? Ah, apenas espere, eu vou mostrar a ele! - ela estava aborrecida.

- Gina, eu o prometi algo. Algo sobre nós. - disse nervoso.

- O quê? - a sobrancelha dela estava erguida outra vez.

- Que se a gente ficasse junto, eu contaria a ele. Que não esconderíamos, por favor, não fique com raiva.

Ela balançou a cabeça, tentando entender o porquê de Harry dizer aquilo a Rony. Harry pareceu saber disso e tentou responder.

- Não posso mentir para ele, é meu melhor amigo e seu irmão. De qualquer maneira, eu não quero mentir, quero que todos saibam que estamos juntos. Isso é... se você quiser.

- Ah, Harry, claro que eu quero, mas isso não dá a ele o direito de se meter nas minhas coisas, ou nas nossas.

- Eu sei disso. Escuta, vamos voltar à Torre da Grifinória. Contamos a ele que estamos juntos. - ele parou quando viu que ela estava brava. - Não, escuta. Nós contamos a ele e deixaremos todos ouvir o berrador que ele nos mandou. - ele riu. - Isso deve quebrar um pouco da tensão.

- Ah, algo certamente quebrará, mas não acho que será a tensão.

- Vamos. - ele riu docemente enquanto envolvia os braços ao redor dela. - Vamos torturar seu irmão. - ele disse sorrindo. Então, ele se inclinou até ela e a beijou pela milésima vez aquela noite.