Harry entrou na sala comunal acompanhado por Rony e o resto do time de Quadribol da Grifinória. A sala, ele notou, não estava com a decoração habitual, da maneira que geralmente ficava quando o time ganhava um jogo. As bandeiras não estavam para cima, e parecia que as garotas ainda estavam preparando as coisas, o que pareceu estranho para ele. Ele sabia que as garotas haviam deixado o campo no momento em que o jogo acabou; Gina tinha contado a ele que elas sairiam mais cedo caso o time ganhasse. Já fazia quase uma hora que ele tinha pego o pomo; certamente as sextanistas já teriam terminado por aquela hora. Ele então avistou Michelle, Pauline e Robin olhando para ele com, o que ele suspeitou que fosse, medo. Aquilo não podia estar certo. Por que diabos elas olhariam para ele daquela maneira? Ele correu os olhos pela sala procurando a namorada, mas parecia que ela não estava ali. Aquilo também era estranho. Algo não estava certo. Ele procurou Rony.
- Ei, Rony, cadê sua irmã? – ele perguntou.
- Não sei, achei que ela estivesse aqui. Vamos perguntar às amigas dela. – Rony disse.
Harry notou que Rony também havia percebido que algo estava errado. Os dois se aproximaram das garotas, elas caíram fora, indo em três direções diferentes, e então pareciam ter desaparecido.
- Ok, isso foi muito estranho. O que você acha que elas estão fazendo, Harry?
- Não sei. Tem algo errado, Rony, eu sinto. Preciso achar Gina. – ele disse ao amigo.
- É, sei o que quer dizer. Ok, qual das amigas de Gina cederia mais fácil?
- O quê? O que pretende fazer? – Harry perguntou.
- Quero dizer, com qual delas você acha que conseguiríamos informações? – ele disse abruptamente. – E rápido, devo acrescentar. Eu tenho um pressentimento ruim sobre isso.
- Vamos tentar a Robin. Ela está logo ali. Você vai por trás enquanto eu vou pela frente. Dessa maneira ela não poderá fugir de novo.
Rony se distanciou de Harry enquanto este último caminhou em direção à Robin. Como ele suspeitou, ela tentou fugir antes de ele chegar até ela. Rony rapidamente veio por trás dela e a agarrou pelo braço.
- Robin... – Harry começou.
- Escutem. - ela disse nervosa. – Eu não estava lá, e não sei o que houve, então não adianta perguntar nada.
- Aconteceu? O que aconteceu? Robin, a Gina está bem? – Harry perguntou desesperado.
- Eu já disse que não sei, terá que perguntar a uma das outras garotas. – ela disse, e então saiu de perto dos dois.
- Oi, o que está acontecendo? – Hermione perguntou.
- Não sabemos. – disse Rony. – Mas eu vou descobrir. Harry, olha a Michelle. Vai por trás dela.
Harry e Rony repetiram o processo, mas em ordem invertida. Quando Michelle tentou fugir, Harry segurou o braço dela, enquanto Hermione se aproximou rapidamente.
- Harry, ouça, eu não posso lhe contar nada. Não até Ash chegar aqui. Temos que saber da história da forma certa.
- Que história? Do que está falando? Onde está Gina? – Harry perguntou com raiva.
- Ela está na ala hospitalar. Mas... – ela não terminou.
Harry se virou e correu em direção ao buraco do retrato.
- Harry, pare, você tem que esperar. – Michelle gritou, mas parou, ele não o fez. Ele a ignorou; fingiu não ouvi-la.
Harry correu pelos corredores, sua mente trabalhando cada vez mais rápido. O que tinha acontecido à Gina? Por que suas amigas estavam agindo de forma tão estranha? Por que não contaram a ele assim que ele e Rony chegaram à torre? Correndo em alta velocidade, ele alcançou a ala hospitalar em tempo recorde. Ele notou uma aluna de pé, em frente à entrada; era Ash, uma das melhores amigas de Gina.
- Ash, onde ela está? O que aconteceu? – ele perguntou sem fôlego, com as mãos apoiadas na cintura, onde sentia pontadas.
- Harry, o que está fazendo aqui? Como descobriu? – ela perguntou enquanto se punha de frente à porta, literalmente bloqueando a entrada dele.
- O que está fazendo, Ash? Saia da frente. Quero ver Gina. – ele mandou.
- Acalme-se, eu tenho que explicar uma coisa, e não posso fazer isso aqui. Volte à Torre da Grifinória, eu te encontrarei lá. – ela disse.
- Você é louca! Eu não vou sair daqui! Saia da minha frente, Ash! – ele estava lívido.
- Não, apenas escute. – ela pediu.
- Eu não farei isso. Ashley Montrele, saia da frente, antes que eu faça você sair. – ele disse rangendo os dentes.
Harry e Ash não ouviram os passos se aproximando deles. Ambos estavam, no mínimo, surpresos quando a professora McGonagall começou a falar.
- Potter, Srta. Montrele, a Srta. Weasley ainda não está pronta para receber visitas. Por que vocês dois não voltam à Torre da Grifinória? Eu avisarei quando puderem voltar.
- Professora, - Harry começou enquanto seu coração batia rapidamente. – por favor, eu nem ao menos sei o que aconteceu. Ninguém me contou sobre Gina. – ele olhou para Ash. – Por favor, não posso vê-la só por um momento? E então eu prometo voltar à Torre.
A Professora McGonagall pareceu compreender o tom de Harry, e ele sabia que a angústia estava estampada em seu rosto. Lembrou que se sentiu da mesma maneira no dia que sentou na sala dela, tentando explicar porque ele e Gina não estavam se falando. Aquele deveria ter sido o mesmo tom e olhar que disse a ela que ele estava apaixonado por Gina.
- Sim, Potter. – a professora disse compassiva. – Você pode ver a Srta. Weasley. Contudo, eu enfatizo, apenas por alguns minutos. Srta. Montrele, você pode esperar por Potter, se quiser.
Harry lançou à Ash um olhar de desprezo; ela disse à professora que voltaria à torre. Tentou se comunicar com Harry, precisava falar com ele, mas ele não lhe deu atenção. Com os ombros baixos, ela se afastou lentamente da ala hospitalar. Não havia dúvida alguma para ele que mais tarde, na torre, Ash teria boas explicações para dar.
Assim que entrou na ala hospitalar, Madame Pomfrey se aproximou dele. Ela disse que podia sentar-se ao lado da cama de Gina, e sugeriu que falasse com ela; talvez Gina, ouvindo uma voz familiar, respondesse. A enfermeira disse que Gina tinha chegado inconsciente; ela havia tentado o feitiço Enervate, mas não teve efeito algum. Os procedimentos usuais para acordar um paciente não haviam funcionado. Ela não sabia o que estava acontecendo com Gina, e não havia encontrado nenhuma marca no corpo dela. Instruiu Harry a ficar, até que o Professor Dumbledore chegasse. Tinha despachado uma coruja ao diretor, e esperava que ele sugerisse algo a ela. Harry andou cautelosamente até a cama de Gina, ele não pôde deixar de ver como estava pálida. A respiração dela se mantinha calma, mas aquilo o deixava desconfortável, e sabia o porquê. Puxou uma cadeira que estava próxima à cama dela, apanhou sua mão e respirou fundo. Uma lágrima solitária fez seu caminho até a bochecha dele e então até sua túnica; ele não se importava em enxugá-la.
O Professor Dumbledore e Snape chegaram lá quase uma hora depois de Harry. Dumbledore pediu a Harry para acompanhá-lo enquanto Snape examinava Gina. Harry concordou, mas antes de se afastar, deu um beijo suave na testa de Gina, e sussurrou "Eu te amo" no ouvido dela. Dumbledore guiou Harry até uma sala, adjacente à sala de Madame Pomfrey. Antes de alcançarem a sala, Harry notou outro paciente na enfermaria. Algo fez com que ele parasse e olhasse atentamente para a cama e para a pessoa que estava deitada.
Com um olhar duro ele encarou o diretor.
- Por que Flint está na enfermaria? Por que ele está em Hogwarts? – de repente tudo parecia se encaixar.
- Harry, tudo será explicado. Por favor, eu insisto, venha comigo. – o diretor disse em seu tom calmo.
- NÃO! Quero saber porque ele está aqui. Isso tem a ver com Gina?
- Harry...
- O que ele fez a ela? Eu vou matá-lo! – disse furioso, enquanto se lançava sobre o inconsciente Flint.
Assim que Harry puxou o corpo de Flint da cama, ele sentiu seu próprio corpo endurecer enquanto caía no chão.
- Severo, você realmente acha que isso era necessário? – Dumbledore perguntou.
- Levando em consideração que Potter provavelmente o teria matado, sim, acredito que tenha sido necessário. – o mestre de poções disse calmamente. – Eu sugiro que levite Potter até aquela sala e tranque a porta. Acredito que ele tentará tirar a atadura de si. Além disso, eu não tenho tanta certeza que terei a motivação de colocar outra atadura corporal nele antes que ele faça algum dano em Flint.
Dumbledore assentiu e levitou Harry até a sala. Uma vez que todos estavam dentro, ele trancou a porta com um rápido feitiço e pôs um feitiço silenciador no cômodo. Livrou Harry da atadura e mandou que se sentasse.
- Harry, preciso que se acalme. Acha que pode fazer isso? – Dumbledore perguntou.
- Me acalmar! Aquela porcaria a machucou e você quer que eu me acalme! – ele gritou.
- Se você não o fizer, - o diretor disse gentilmente. – eu não terei escolha senão modificar sua memória.
Harry parecia incrédulo. Dumbledore não faria aquilo com ele. Ele não podia estar falando sério, podia?
- Harry, é muito importante que fique calmo e escute o que temos a dizer. Pode fazer isso? – o diretor perguntou.
- Sim. – Harry disse amargamente.
- Eu suponho que a Srta. Weasley tenha lhe contado que Marcos Flint a atacou?
- Não, ela nunca me disse quem tinha sido. Só agora que eu entendi. Com o que Malfoy disse, depois vendo ele aqui. Eu estava certo, não estava? Foi Flint quem a atacou. – ele disse friamente.
- Sim, Potter. Foi Flint. – disse Snape.
- Harry, nós estamos em um dilema. Precisamos da sua ajuda para aliviar parte da situação. - Dumbledore continuou quando viu que Harry tinha concordado. – A maioria das pessoas acredita que a Srta. Weasley teve sua memória apagada após ser liberada pelos Comensais. Explicar o porquê de ela ter atacado Flint será um problema.
- O que você quer dizer com ela atacou Flint? – Harry perguntou severamente.
Snape explicou o que aconteceu no saguão de entrada. Como ele tinha criticado a vinda de Flint a Hogwarts. Ele tinha testemunhado o ataque de Gina a Flint.
- A Srta. Weasley entrou no castelo com outras sextanistas. Quando Flint entrou no saguão de entrada, a Srta. Weasley o viu e se lançou contra ele. Flint devia estar em choque, ou tinha batido a cabeça, não estou muito certo. Ela parecia furiosa. – Snape então olhou para Dumbledore e falou. – Os irmãos dela devem tê-la ensinado a lutar e proteger-se. – ele voltou a olhar para Harry. – Ela o bateu. Primeiro golpeou a mandíbula dele, e então ela o esmurrou novamente, dessa vez no nariz. Ela se preparou para ir embora, mas antes que ela pudesse fazê-lo, a Srta. Montrelle gritou para que tomasse cuidado. Flint tinha-se levantado e estava indo na direção dela. Ela virou-se rapidamente, e bateu a perna contra Flint; o pé dela o acertou na virilha. Ele então caiu para trás, e sua cabeça bateu no chão.
- Ela não tem nenhum machucado. – Harry parecia perplexo.
- Ah, mas ela tinha machucados. - Snape tinha um sorriso estranho nos lábios. – Suas mãos estavam machucadas. Parece, entretanto, que as amigas dela as curaram antes de chegarem à ala hospitalar. Elas também esqueceram de contar à Madame Pomfrey tudo que sabiam. Apesar de que, elas não sabiam que eu tinha estupefado ela. – Snape concluiu.
- Você a estupefou! Por quê?
- Eu precisava levá-la à ala hospitalar. Eu também precisava impedir que ela contasse às amigas o porquê de atacar Flint. É muito importante para a saúde da Srta. Weasley que os comensais achem que ela não lembra de nada daquele dia. – Snape explicou.
- Você quer dizer para a sua saúde! – Harry vociferou.
- Harry, o Professor Snape agiu corretamente. – Dumbledore o preveniu.
Harry abaixou os ombros, e se manteve quieto.
- É assim que deveríamos proceder. – Dumbledore começou. – A Srta. Weasley será informada a, devo dizer, esquecer o que aconteceu hoje. Se as amigas dela perguntarem, ela irá negar qualquer lembrança desse evento. Além disso, o Sr. Flint será informado que, em alguns casos, pessoas que tiveram suas memórias apagadas podem ter sensações associadas com o ocorrido, embora não tenham as lembranças. Então, no caso da Srta. Weasley, ela teria um ódio inegável por ele, mas não seria capaz de lembrar o porquê. – a descrença devia estar estampada nos olhos de Harry. – Há documentos que provam isso, Harry. O Sr. Flint não poderá evidenciar ou contestar que esse não foi o caso. É por isso que você não poderá se vingar dele.
Harry se levantou rapidamente.
- Você está louco? Depois de tudo que ele fez a ela, eu supostamente tenho que fingir não saber de nada? Que tal eu matá-lo e deixar tudo assim? Então, ninguém terá de fingir nada! – ele gritou.
- Harry, por favor, sente-se. – ele esperou até Harry se estatelar na cadeira mais uma vez. – Se você se vingar do Sr. Flint, alguém irá achar que ela se lembra dos eventos daquele dia. Eles saberão que ela está ciente da função do Professor Snape lá. Eles irão supor que ela contou ao pai, e ele em troca me contou. Não apenas Severo estará em perigo, mas nós perderíamos um emissário muito precioso dentro do círculo de Voldemort. – Harry se inclinou e colocou a cabeça entre as mãos. – Sei que deseja vingar o que foi feito à Gina. Contudo, se o fizer, você poderá trazer mais danos que benefícios a ela. Posso confiar que ficará longe do Sr. Flint? Posso confiar que não irá falar com ninguém mais além de mim, do Professor Snape e de Gina em relação a esse assunto?
Harry se sentou sem dizer nada. Depois do que pareceram horas, ele olhou para o diretor.
- Sim, senhor. – ele disse abatido. – Posso voltar e sentar-me junto à Gina?
- Sim, Harry, o professor Snape a libertou do feitiço ao qual ela tinha sido submetida.
- O que você fez a ela? Por que Madame Pomfrey não pôde fazer o feitiço enervate nela?
- Foi um feitiço Enervate seletivo, diretamente especificado para ela, apenas a pessoa que o conjurasse poderia removê-lo. – Snape disse sincero. – Eu precisava de tempo para comunicar ao diretor. Não lancei para machucá-la.
- Eu sei disso. – ele disse suavemente. – Posso ir agora?
Dumbledore assentiu e livrou a sala dos feitiços que tinha feito. Harry percebeu que ele e Snape o observaram cuidadosamente ao sair da sala. Ele nunca tinha se sentido tão abatido como estava sentindo-se naquele momento.
Harry sentou-se próximo à Gina novamente. Estava tentando acalmar-se. Ele não podia acreditar no que Dumbledore tinha-lhe pedido. Como ela podia não se vingar de Flint depois de tudo que ele havia feito à Gina? Como ele, Harry, podia viver sabendo que não tinha defendido a sua namorada? Ele precisava se recompor. Não seria nada legal se Gina acordasse e o encontrasse naquele estado. Olhou para ela e sorriu. Ela tinha se tornado algo tão importante na vida dele, até mais naqueles últimos meses. Apanhou a mão dela. Era tão macia, assim como todo o corpo dela. Ele nunca tinha tido a oportunidade de tocar a mão, o rosto ou os lábios de uma garota daquela maneira antes de Gina. Corou com esses últimos pensamentos. Nunca tinha sentido o prazer que dava tocar a mão de uma garota. Mas novamente, duvidou que sentiria tanto prazer em tocar a mão de uma garota que não fosse Gina. Assim que segurou a mão dela, levou-a até a boca e deu um beijo suave. Ele beijou a palma da mão dela e o pulso. Então voltou a beijar as costas da sua mão. Tocou ligeiramente o anel que tinha dado a ela no Natal, e sorriu com a lembrança. Enquanto pensava sobre aquele dia, ele se inclinou de modo que seu braço descansou sobre a cama dela e levou a sua mão ao seu rosto.
- Feliz Natal, Gina. – Harry disse assim que Gina entrou na sala comunal. Ele tinha mandado Rony e Hermione ao salão comunal enquanto esperava Gina aparecer na sala comunal.
- Feliz Natal, Harry. – ela sorriu e seu aproximou para dar-lhe um beijo. – Adorei tudo que me deu, principalmente o honey, o poema era maravilhoso. – ela disse com os olhos brilhando.
- Bem, eu tenho mais uma coisa pra você. Queria te dar pessoalmente. Você não se importa, não é? – ele perguntou.
- Claro que não, mas você já me deu tantas coisas nesse Natal, é um exagero. – ela corou. – Os chocolates, o livro de poesias, e até... – ela corou profundamente. – as toalhas que você bordou com meu nome. Eu não sei onde as conseguiu, mas elas são maravilhosas. Melhor não deixar a mamãe saber que você me deu elas, não acho que ela aprovará. – ela riu nervosa.
- Esconda isso do Rony também se não se importa. Tenho certeza que ele não aprovaria. Eu as comprei em uma loja trouxa em Ottery St. Catchpole. Eu as vi, e quando as senti, bem, elas são tão macias e aconchegantes, elas me lembraram você. – dessa vez ele quem corou enquanto a trazia para junto de si. – Eu achei aquele livro de poesias, e também os outros presentes que te dei. – ele sorriu.
- Harry, o único dia que foi ao povoado foi no dia que foi comigo.
- E?
- Bem, quero dizer, que... Bem, Harry, eu não fui muito legal com você aquele dia, e você me comprou um presente.
- Você estava muito tensa; eu não levei a sério o que me disse. – ele riu.
- Levou, sim. Eu feri seus sentimentos. E você ainda me comprou presentes, eu não entendo. – ela tinha um olhar confuso sobre ele.
- Para dizer a verdade, você feriu meus sentimentos, mas aquilo não importou. Eu já estava apaixonado por você. Você podia ter pisado meu coração no chão, e eu ainda iria comprar as coisas que achei que gostava.
Ela não disse nada a ele. Enlaçou os braços ao redor do seu pescoço e pôs as mãos nos cabelos dele. Ela o puxou para si e o beijou profundamente. Fez com que ele soubesse exatamente o que ela sentia por ele. Quando eles se separaram, ele soube, pelo olhar dela, que também o amava.
Conduziu-a ao sofá junto ao tapete de coração, e ambos se sentaram. Aconchegaram-se um próximo ao outro, desfrutando da proximidade. De vez em quando, um olhava para o outro e eles se beijavam de novo. Depois de um tempo, Harry falou.
- Quero te dar isso. – ele disse enquanto trocava de posição para olhar melhor para ela. – Eu realmente não sei o que significa, mas é como me sinto. – ele corou e entregou-lhe uma caixinha de anel.
Ela olhou de forma estranha para ele.
- Não sabe o que significa? – ela olhou para ele e para a caixa.
- Bem, - ele riu. – tem uma história estranha sobre isso. Não sei se gostará de escutá-la agora.
- Não, vai em frente, eu quero escutar. – ela riu.
- Bem, eu comprei isso em Ottery St. Catchpole também. Numa pequena joalheria trouxa.
- Harry, você tinha dinheiro trouxa?
- Ah, bem, os pais de Hermione tinham mandado dinheiro extra para ela esse ano, acho. Eu perguntei se ela podia trocá-lo, já que eu tinha muito dinheiro bruxo. Seus pais não iriam deixar nenhum de nós voltar ao Beco Diagonal após você ser levada, e então ela teria de agüentar isso. Tudo aconteceu perfeitamente; eu pedi isso a ela depois que você me chamou para acompanhá-la ao povoado.
- Tudo bem. – ela riu. – Essa é a parte estranha?
- Não, a joalheria trouxa foi a parte estranha. – ele riu. – Ele era um sujeito estranho. Eu realmente não conseguia entendê-lo, ele tinha um sotaque muito estranho, e insistia que era dos Estados Unidos, mas foi reivindicado a viver em uma ilha. A mulher dele me lembra um pouco sua mãe. – ele surpreendeu o sorriso dela. – Todo tempo que estive lá, ela tentou me fazer comer. Até trouxe um pouco de sopa para mim; tinha as coisas mais estranhas possíveis naquela sopa. Acho que ela chamou aquilo de matzo, a sopa estava boa. – ele riu.
- Você comeu?
- Tive que comer. – ele riu de novo. – Ela não me deixava sair da loja. Ficou dizendo que eu estava muito magro, que eu precisava de carne em meus ossos. Ela até fez um pacote para eu levar pra casa. Rony e eu tivemos um banquete noturno. As massas folhadas foram as melhores. Acho que ela as chamava Rugalah.
- Ah, claro, não divida comigo ou Hermione. – ela disse indignada.
- Seu eu as tivesse escondido de Rony, eu teria dividido. Estavam muito boas. – ele disse sincero.
- Garotos!
- Vai, abre. – ele disse.
Lentamente ela abriu a caixa. Os olhos dela se arregalaram e abriu ligeiramente a boca deixando escapar um suspiro.
- Harry, é lindo... não sei o que dizer.
Ele tinha dado um anel à Gina. Dois corações enlaçados em diamante, com um pequeno diamante em forma de coração entre os corações maiores. A faixa de ouro era grossa, e Gina parecia ter notado as inscrições "Gina, eu prometo, com amor, Harry".
- É um anel de compromisso, ou pelo menos foi isso que o vendedor disse. Eu não sei o que ele quis dizer com isso, mas eu sei o que eu quis dizer.
Ela o olhou com os olhos brilhando, e, de certa forma, sem palavras.
- O quê... O que você promete, Harry?
Suavemente ele começou.
- Enquanto eu viver, eu prometo estar aqui por você. Para te escutar, escutar seus sonhos, seus medos. Para te proteger da melhor maneira possível.
Lágrimas caíram dos olhos de Gina.
- Harry...
- Shhh, deixa eu terminar. – ele sorriu para ela. – Prometo te dar as coisas que mais deseja na vida. Prometo te dar risadas, alegria, satisfação, paz e amor. – ele teve que parar,tinha que enxugar as lágrimas dos olhos. Ele manteve a mão no rosto dela enquanto continuava.. – Eu prometo ser sincero com você. Eu não irei te tirar da minha vida. Irei te dizer meus sonhos e desejos, mas, acima de tudo, irei te contar todos os meus medos. – ele a beijou docemente e limpou mais lágrimas do rosto dela. – A única coisa que não posso te prometer é que estaremos juntos nos próximos cem anos. Mas esse é meu maior desejo.
Quando Gina desatou a chorar, Harry a envolveu em um abraço caloroso. Ele sentou ali, abraçando e balançando ela, confortando as lágrimas de alegria dela.
- Gina, você vai usar o anel?
Ela o olhou com desejo nos olhos.
- Sim, Harry, eu vou usá-lo. E se você puder manter a promessa dos cem anos, eu a aceitarei também.
O coração dele disparou, e aquilo pôde ser visto em seu rosto. Ele pôs os corações no dedo da mão esquerda dela. A próxima coisa que ele soube, foi que eles estavam enlaçados no sofá, beijando-se da maneira mais apaixonada possível.
Harry foi trazido dos seus pensamentos pelo alvoroço dos outros na ala hospitalar. Gina não tinha se mexido desde que ele chegara ao seu lado. Uma onda de medo tomou conta dele, enquanto outra lágrima caiu dos seus olhos. Não estava ciente da pessoa em pé atrás dele.
- Potter. – a professora McGonagall disse calmamente; talvez ela não quisesse surpreendê-lo.
Ele não moveu um centímetro enquanto falava.
- Sim, professora?
- Acho que seria melhor voltar à torre da Grifinória. Estando aqui não está ajudando a Srta. Weasley e nem a você mesmo. – ela disse pensativa.
- Não, eu quero ficar. E se ela acordar?
- Ela acordou enquanto você estava com o diretor, Potter. – ela então se afastou com a reação dele.
- O quê?! Ela acordou! Por que não me avisou? Por que ela ainda está inconsciente? – ele exigiu saber.
- Agora, olhe aqui. Entendo que esteja aborrecido. Mas não irá manter esse tom comigo. – ela disse severa.
- Desculpe. – ele murmurou. – Não estou gritando com você, sério, não estou. Estou apenas...
- Sei que está aborrecido, mas a Srta. Weasley não estava muito estável quando acordou. Madame Pomfrey achou melhor dar uma poção adormecedora a ela. – O tom dela ficou um pouco mais suave. – Volte à sala comunal, Potter. Eu direi à Madame Pomfrey para avisá-lo quando a Srta. Weasley acordar e estiver pronta para visitas.
Com relutância, Harry deixou a ala hospitalar, mas não antes de beijar Gina e sussurrar algumas palavras de amor no ouvido dela. Ele nem se sentiu intimidado com o olhar que a diretora da sua casa lhe lançou.
Ash assistiu a Harry passar pelo buraco do retrato; ele não demorou a achá-la e as outras sextanistas. Rony e Hermione também estavam na sala comunal, e imediatamente juntaram-se a ele na mesa dela.
- Comece a falar. – ele mandou. – E não deixe de mencionar nada, sei que curaram as mãos dela.
Ash estava em choque, e pelos olhares das outras, Pauline e Michelle também estavam. Rony, Hermione, Robin e Kristen pareciam confusos.
Nervosa, ela começou.
- Nós saímos do campo exatamente depois de vocês ganharem. Estávamos indo arrumar a festa. Quando chegamos ao hall de entrada, ela pirou. Foi até Flint totalmente transtornada. – As outras escutaram-na explicar o que Gina fez a ele. Então ela explicou o porquê e como tinha curado as mãos de Gina, depois como as três confirmaram suas histórias antes de chegarem à ala hospitalar.
- Vocês mentiram para Madame Pomfrey. – Hermione disse atordoada. – Têm noção da quantidade de regras que quebraram?
- Hermione, cala a boca! – Harry gritou e olhou para ela. – Eu não dou a mínima para as regras, quero saber por que não contaram a mim ou ao Rony o que aconteceu com a Gina. – ele vociferou em direção à Ash.
- Não queríamos que ela fosse expulsa por agressão. Queríamos que nossa história desse certo, e ter certeza de que você não diria nada que metesse a Gina em problemas. – ela então olhou para Hermione. – Se vão deletar alguém, que seja eu. Fui eu quem curei a Gina, foi idéia minha. – ela disse decidida.
- Hermione não irá deletá-la a ninguém. – ela viu o olhar intimidado de Hermione e então olhou de volta para Harry. – Você não irá. Snape e Dumbledore já sabem o que elas fizeram. Não cabe a você, concentre-se em Gina ao invés de fazer seu papel de monitora-chefe.
Ash viu Rony passar os braços firmemente pelos ombros de Hermione, ele devia saber o quanto Harry a machucou com aquela frase.
- E você. – ele vociferou para Ash. – Não cabe a você decidir o que e quando eu preciso saber das coisas. Fique fora da minha relação com Gina. Se sabe o que é bom para você, ficará longe de mim. – ele disse ameaçadoramente.
Ash pôde sentir que empalidecera; ela nunca tinha visto Harry agir de tal maneira. Ele estava cheio de raiva de maneira que ela nunca tinha visto. Ela sentiu-se tropeçar e então sentiu Michelle e Pauline ao seu lado, segurando-a. Viu Harry dirigir-se ao dormitório masculino, e então ouviu a porta fechar-se com uma pancada. Ela sabia que Rony e Hermione também queriam dizer poucas e boas para ela, então ela virou-se para olhá-los. Com orgulho, ela se manteve lá esperando. O que veio depois a surpreendeu. Rony a alcançou e pôs a mão nos ombros dela.
- Está tudo bem, garota, sei que estava tentando proteger Gina. Gostei disso, vocês todas são boas amigas. Mas se algo assim acontecer novamente, contem-nos imediatamente. – Rony disse simpaticamente. Ash então olhou para Hermione, que estava falando com ela.
- Harry está certo, se o professor Snape e Dumbledore têm conhecimento disso, não é meu dever tomar decisões. Não estou certa se teria alguma. – ela então apanhou a mão de Rony e o conduziu para longe das sextanistas.
Após evitar a maioria dos grifinórios naquela noite, Harry foi, mais uma vez, para o seu dormitório. Ele notou que seu malão e sua cama estavam jogados para a direita. Da primeira vez que ele entrou no quarto aquela tarde, ele estava sem controle das suas emoções. Infelizmente, sua cama foi a que mais sofreu com a ira dele. Tinha literalmente arrancado as tábuas da cama, assim como os lençóis. Ele então tinha descontado sua frustração no malão. Da última vez que o tinha visto, estava de cabeça para baixo, a vários metros do seu lugar habitual. Sabia que Rony tinha consertado o que podia; lembraria de agradecê-lo depois. Sentou-se na cama, esperando a noite dar lugar à manhã. Não percebeu o quanto estava cansado. O sono o alcançou minutos depois da sua cabeça tocar o travesseiro.
- A chave está pronta, Lúcio?
- Sim, mestre, só resta mandá-la a Draco. Ele fará com que a garota Weasley a pegue.
- Você não dará isso ao seu filho, Lúcio. Ele é tão desastrado quanto você. Não acho que ele seja capaz de executar essa tarefa. Além do que os Weasley e Potter suspeitam dele, ele não conterá a língua. Eu não quero nenhum erro, Lúcio.
- O que deseja, meu senhor?
- Quero um grifinório para esse trabalho.
- Um grifinório? Sabe algum que esteja do nosso lado?
- Infelizmente não. No entanto, isso não significa que não podemos manipular algum deles. Imagine se um grifinório descobrisse uma maneira que ajudaria a proteger o poderoso Harry Potter, ou alguém de que ele gosta. Eu consigo ver esse pequeno grifinório dando seu melhor para ajudar na causa. E ele irá ajudar, ajudará a trazer Gina Weasley para mim. E fazendo isso, Harry Potter virá até mim por si só.
Harry acordou de um susto com sua cicatriz queimando, e suor encharcando seus lençóis. Precisava ver Gina. Precisava saber se ela estava a salvo. Voldemort estava tentando capturá-la. "A pedra", ele pensou. Tinha feito a chave para ela, mas nunca lhe tinha dado. Precisava dá-la à Gina antes que fosse tarde demais. Rápida e ruidosamente, ele correu para o seu malão. Fazendo muito barulho, ele pôs a pedra na sua capa de invisibilidade e se apressou em sair do dormitório. Sem prestar atenção, correu pela sala comunal e passou pelo buraco do retrato.
O coração de Harry afundou quando ele alcançou a cama de Gina na ala hospitalar. Ela estivera dormindo da última vez que ele esteve lá, e agora tinha-se ido. Sua mente estava trabalhando mais rápido que seu coração. Precisava ir até Dumbledore; precisava contar que Gina desaparecera. Quando ele se virou e saiu de perto da cama dela, colidiu com algo sólido, entretanto macio. Ouviu um baque e um som de ar saindo do pulmão de alguém. Levou alguns segundos para perceber que Gina estava no chão em frente a ele. Ela estava lá, não estava com Voldemort. Sua mente ficou vazia enquanto ele se inclinava até ela.
- Ah, meu Deus! Você está aqui! – ele sussurrou enquanto a puxava para si.
- Harry? O que houve? Harry, você está me apertando muito forte!
- Ah, desculpa. Aqui, segura minha mão. – ele disse oferecendo a mão para que ela levantasse.
- Eu seguraria se pudesse ver onde você está. Faria o favor de tirar a capa? – ela disse em um tom brusco.
- Desculpe. – ele corou enquanto tirava a capa. – Esqueci que estava usando ela.
- Tudo bem. – ela amoleceu. – Por que está aqui? Está tudo bem?
Enquanto ele a conduziu até a cama, tentou se acalmar. Não queria assustá-la, mas ela precisava saber sobre seus sonhos. Ele não iria esconder nada dela.
- Harry, fale comigo, por favor. – ela implorou.
- Eu vou, só preciso me acalmar um pouco. Preciso organizar meus pensamentos primeiro. – disse enquanto pousava a capa na cama.
- Tudo bem. – ela riu. – Enquanto faz isso, acho que vou vestir algo mais que isso. – ela disse enquanto removia o que estava usando.
- O quê!? – foi então que Harry percebeu que Gina estava apenas enrolada em uma toalha. Uma das toalhas que ele havia-lhe dado no Natal. Ele podia dizer, porque, bem... tinha o nome dela bordado nela. Como diabos ele tinha negligenciado o fato da sua namorada estar diante dele vestida apenas com uma toalha e com os cabelos úmidos? Ele balançou a cabeça como que tentando livrá-la de pensamentos.
- Eu não sei se devo ficar brava com você por não ter notado que eu estava vestida assim, ou feliz por não ter tentando me atacar. – ela ergueu a sobrancelha para ele.
- Ah. – ele corou furiosamente. – Hm... Eu estava um pouco preocupado. Entretanto, talvez tenha sido melhor. – ele corou mais. – Eu vou apenas me virar para que possa se vestir.
Antes que ele pudesse fazê-lo, ela jogou a camisola sobre a cabeça e passou os braços nela. A toalha caiu no chão, ela a apanhou e pôs sobre a cama, ao lado da capa dele.
- Você não precisa. – ela riu. - Pronto. Então, por que veio aqui? – ela perguntou sem nenhum sinal de constrangimento.
- Hm... Gina?
- Sim, Harry. Por que está tão corado?
- Hm… você não quer pôr nada... bem, algo sobre, debaixo disso. – ele podia sentir o calor irradiando da sua face enquanto apontava para a camisola.
A sobrancelha dela arqueou de um modo travesso enquanto o olhava de forma suspeita.
- Por quê, Sr. Potter? Estou surpresa com você. Pensei que tivesse vindo aqui por algo importante. Por que está tão interessado nos meus trajes de dormir?
Mais uma vez Harry sentiu o calor correr por sua face.
- Não, não, eu só queria que estivesse confortável. – ele gaguejou.
- Ah, bem, nesse caso... – ela parecia aliviada. – Eu normalmente durmo nua. – e ela agarrou a camisola.
- Não, pare. – ele se apavorou. Então, ele percebeu que ela estava brincando com ele. – Sabe, algum dia esse seu lado pervertido te trará problemas. – ele sorriu.
- Ah, é mesmo? – ela disse enquanto deslizava os braços ao redor do pescoço dele.
- É, agora, por favor, vá colocar algo aí embaixo. – ele corou de novo.
- Eu estou vestindo algo, bobo. Estou decentemente vestida, apenas esqueci minha camisola aqui quando fui tomar banho. – ela disse o beijando docemente na boca e ao redor dela.
- Você não presta, Gina Weasley. – ele disse apanhando a boca dela em um beijo apaixonado.
Todo o bom senso o deixou naquele momento. Antes que ele percebesse o que estava acontecendo, se posicionou em cima de Gina enquanto ela deitou na cama. Os beijos se tornaram mais desesperados enquanto o tempo passava. Ele não conseguia ter o bastante dela; queria mostrar a ela o quanto a amava. Após uma necessidade urgente de ar, ele moveu a boca até o pescoço dela. Continuou como se uma voz sufocada dissesse a ele que ela estava gostando do que ele estava fazendo a ela. Ele continuou até o ombro nu dela. Podia sentir as mãos de Gina correr pelo seu cabelo, e seus beijos leves sobre a sobrancelha dele; sentiu as mãos dela em suas costas nuas. O que ela estava fazendo ao corpo dele apenas aumentou a ousadia dele. Lentamente desceu com a boca, dando leves beijos abaixo dos ombros dela. A boca dele encontrou um macio declive e ele a acariciou. Esperando pela aprovação dela, ele demorou sobre a última meta dele, que ainda se encontrava sob o vestido dela.
O som de algo quebrando trouxe eles do transe amoroso. Os olhos de Gina se alargaram enquanto ela abraçava Harry desesperadamente. Harry também parecia ter recobrado o senso, mas não se desembaraçou do corpo dela. Após alguns minutos de tensão, perceberam que não tinham sido descobertos. Harry olhou para Gina; os olhos dele estavam cheios de amor. Lentamente, ele moveu a mão abaixo dos ombros dela, e acima novamente, tomando cuidado para que a camisola cobrisse os ombros dela de novo. Levou sua boca à dela mais uma vez, e a beijou ternamente. Quando se separaram, ele a segurou forte contra si, nenhum dos dois falou por algum tempo.
- Então, posso saber por que veio aqui hoje à noite? Ou você estava precisando desesperadamente de um beijo? – ela perguntou com a sobrancelha erguida outra vez.
- Sim e sim. – ele sorriu a segurando forte, quase com medo de deixá-la ir.
Ela riu e se afastou para que pudesse ver o rosto dele.
- Então, por que veio?
Ele ficou sério.
- Tive um pesadelo. Precisava ver se estava vem. Eu juro que não planejei... bem... quero dizer... – ele estava corando de novo, podia sentir.
- Está tudo bem. – ela riu. – Eu acredito em você. Como podia planejar isso? Não consegue nem falar nisso sem gaguejar e ficar vermelho. – ela sorriu diabolicamente.
Ele não sabia o que dizer, ela estava certa. Ele conseguia falar com ela sobre qualquer coisa, mas quando era sobre coisas como aquela, ele ficava sem palavras. Dizer a ela que a amava era tão mais fácil do que dizer o que queria fazer com ela. Ser um grifinório não significava absolutamente nada quando estava sozinho com Gina. Ou então, ela era a leoa e ele a presa. Entretanto, aquela não era uma posição ruim. Ele notou que ela estava esperando que contasse sobre o sonho.
- Hm, desculpe. – ele corou. – Tive um sonho sobre Voldemort, e estou certo de que Lúcio Malfoy estava com ele. Acho que estava acontecendo enquanto eu sonhava; minha cicatriz estava doendo quando acordei. Estavam falando sobre você. – ele parou para a recolher em seus baços quando a viu ruborizar. – Eles iriam fazer alguém te dar uma chave do portal. Voldemort te quer lá com ele. Espera que eu te siga, o que você sabe que farei. – ele a segurou forte; ela não estava chorando, mas ele sabia que estava assustada. – Eu fiz algo para você. Lembra da pedra que o Professor Snape me deu, a que te enviou à sala do diretor? – ela assentiu. – Fiz uma para você. Quero que prometa que a manterá com você todo o tempo.
- E você? Eu não posso...
- Eu ainda tenho a que o Professor Snape fez. Estamos protegidos. – ele beijou a sobrancelha dela gentilmente.
- Você já contou ao professor Dumbledore?
- Não, eu o verei pela manhã. Preciso saber que está a salvo. Você é minha prioridade. – ele disse.
- Eu te amo, Harry. – ela disse enquanto se aconchegava mais perto dele. – Não me deixe só essa noite, por favor. – ela o olhou com olhos pedintes.
- Você não me faria deixá-la nem se tentasse. – ele beijou a sobrancelha dela novamente. Então, os dois deitaram na cama, ainda entrelaçados, enquanto caíram num sono pesado.
Eram 7:00 horas da manhã quando Harry retornou à sala comunal. Para a sua surpresa, ele encontrou Rony sentado em uma das confortáveis poltronas que ficavam de frente à lareira.
- Você acordou cedo, estive acordado a maior parte da noite. – Rony disse em um tom abrupto.
- Por quê? – Harry perguntou preocupado.
- Onde você esteve? – Rony perguntou, ignorando a pergunta de Harry.
- Acabei de voltar da sala de Dumbledore. Tive um pesadelo noite passada.
- Eu sei, você me acordou. – a voz de Rony estava adquirindo um tom ameaçador.
- Eu não sabia, desculpa.
- Onde dormiu essa noite? – ele perguntou enquanto seus olhos perfuravam os de Harry.
Harry não sabia como responder aquilo. Deveria contar a verdade a Rony? Por alguma razão, ele sentiu que o amigo já sabia a resposta.
- Eu estava na ala hospitalar com Gina. Fui lá noite passada para contá-la sobre o sonho.
- Você contou?
- Eu disse que contei. Aonde quer chegar, Rony?
- Quando você disse a ela? Deve ter sido depois de você terminar o que estava fazendo com ela. Eu não vi muita conversa antes disso. – Rony disse numa voz controlada.
- Terminar o que estava fazendo com ela? Do que está falando?
- Deu uma com ela! Fez sexo! Transou com a minha irmã! É disso que estou falando! – Rony gritou.
- Você não sabe do que está falando, Rony.
- Não, Harry, eu não sei. Eu vi vocês. – Harry parecia chocado. – Você me acordou com aquele sonho. Eu te segui, pensei que estava vindo aqui pra baixo. Quando você saiu, eu te segui. Vi você com ela na ala hospitalar. – ele vociferou.
- Você estava espionando a gente! – Harry estava intimidado. – O que diabos você tem!?
- Ah, não. – Rony disse desafiando-o. – Você não irá mudar o rumo da conversa! Não planejei espionar vocês. Eu estava chocado, não conseguia me mexer. Não podia acreditar no que estava acontecendo. Estava me retirando, então colidi com algumas comadres. Fiquei aliviado, pensei que vocês dois iriam parar. Mas não pararam. Pararam, Harry? Vocês dois continuaram, descaradamente, em um lugar em que qualquer um podia vê-los. Eu saí antes disso, voltei pra cá, estive esperando você desde então.
- Não aconteceu nada, Rony. Eu juro. Nos controlamos antes disso. Juro a você que nunca toquei na sua irmã. Nós não transamos.
Então Rony fez algo que Harry jamais pensara que ele faria. Ele nem ao menos sabia o que Rony estava fazendo, era como se outra pessoa estivesse ali em pé. Rony devia ter usado toda sua força quando bateu nele. Seu punho colidiu com o rosto de Harry, e no momento seguinte, ele estava no chão. Quando a confusão em sua cabeça clareou, ele pôde sentir os óculos quebrados. Executou um rápido feitiço e, quando os colocou novamente, a pressão machucou seu nariz e o olho direito.
Após mais alguns momentos clareando a mente, Harry falou calmamente.
- Eu juro, Rony, não toquei nela. Estávamos nos beijando e, bem, um pouco mais, mas eu juro, não transamos.
Rony assistiu a ele sair do chão, mas não ofereceu ajuda alguma. Harry ficou de frente a ele, mas Rony parecia não vê-lo, como se estivesse olhando através dele.
- Sabe, nem foi a parte de transar que me pegou de surpresa. – Rony disse sincero. – Foi a minha irmã. O que diabos você fez com ela? A maneira que ela estava agindo. Se insinuando por trás daquela toalha. Ela não agiu melhor do que uma vadia.
Um segundo depois, Rony estava estendido no chão com Harry posicionado em seu peito. Estranhamente Rony estava segurando a mandíbula, mas Harry não lembrava de ter batido nele. Estava segurando Rony pelo colarinho, puxando-o contra si.
- Nunca diga isso! Nunca! Não me deixe ouvi-lo chamar Gina disso novamente. Escutou? Como ousa? O que há com você? – Harry estava gritando com ele novamente. – Não ouse desrespeitá-la outra vez. – o rosto dele estava vermelho de raiva. – Você me dá nojo, Rony. Está sempre tirando conclusões precipitadas. Abra os olhos. Mesmo que tivéssemos feito algo, não seria da sua conta. Eu a amo, e Gina me ama. Estamos juntos e iremos ficar assim. Se não gosta disso, vá pro inferno! – gritou. Harry, então, empurrou Rony de volta ao chão e se levantou. Quando se virou, viu Hermione ao pé da escada dos dormitórios femininos. Ignorou o olhar horrorizado que lhe lançava quando passou a caminho do buraco do retrato.
Ao fim da tarde, Gina se encontrava de frente à sua sala especial, a sala onde ela iria clarear a mente. Sabia que Harry estava lá dentro, não que alguém tivesse lhe dito, mas ele não estava em lugar algum no castelo, e estar na sala era o mais lógico. Ele estava com a mente cheia. Após conversar com Ash, Rony e com o professor Dumbledore, ela tinha ficado ciente de tudo que ele tinha passado no dia anterior e naquela manhã. Não era de se espantar com o estado dele na noite passada, a princípio preocupado, e então apaixonado. Não estava aborrecida com ele, nem um pouco; ela se divertia com os pensamentos do amor dele por ela. Apenas torcia para que ele mantivesse a promessa que fizera a ela de que se abriria quando precisasse. Isso não mostraria que ele a amava, mas que confiava nela, e, de alguma maneira, aquilo parecia mais importante para ela. Bateu na porta, apenas para que ele soubesse que ela estava entrando. A visão que seus olhos encontraram fez com que ela sorrisse. Harry estava adormecido no sofá, o coração de Gina se derreteu enquanto se aproximava dele.
- Deus, ele é tão lindo. – pensou. – Parece um garotinho carente. Ah, como queria que isso fosse verdade ao invés de ele carregar o peso do mundo sobre os ombros. – ela se sentou próximo a ele e gentilmente acariciou seus cabelos. Sorriu quando viu os lábios dele encrespar-se nos cantos, da maneira que fazia quando estava tentando esconder um sorriso.
- Tentando conter o sorriso, ah, esse pequeno... bem, vamos ver o que ele faz agora. – ela pensou enquanto falava o encantamento gentilmente.
- Eu sei que está acordado, sua cobrinha. – ela o importunou, enquanto fazia cócegas na barriga dele.
- Ei, isso não é justo. Pára! Vamos, Gina! Ei, não posso mexer minhas mãos. Pára! Por favor! – ele pediu com lágrimas nos olhos. – Sabe como eu sou coceguento. Gina! Por favor!
- Isso vai te ensinar a não fingir que está dormindo. – ela disse atrevida.
- Ah, o troco será terrível, senhorita, espere. – ele ameaçou.
- Ah, estou com taaanto medo. Não pode nem desamarrar as mãos, o que irá fazer?
- Gina!
- Tudo bem, seu bebezão. – ela disse enquanto removia o feitiço.
Harry a recolheu em seus braços e a abraçou forte, enquanto dava pequenos beijos em seu rosto. Gina relaxou no abraço dele, sabendo que falaria com ela assim que estivesse pronto.
- Por que sempre que você está perto de mim eu posso esquecer todos meus problemas? – ele perguntou sincero.
Gina o olhou cheia de amor.
- Harry, essa é uma das coisas mais linda que você já me disse.
Ele abaixou a cabeça enquanto falava.
- É verdade. Vim aqui hoje e pensei, "Não posso mais suportar isso." Estava sentindo pena de mim mesmo. – ele então levantou a cabeça para olhar nos olhos dela. – Esse mau humor não mudou até você chegar. É como se o peso que carrego sumisse quando estou perto de você. – ele a segurou forte.
- Fico feliz por ajudar. Sabe que faz o mesmo comigo, não sabe? – Ela sorriu enquanto ele a abraçava forte e beijava o topo de sua cabeça.
- Gi, você sabe o que está acontecendo? – perguntou nervoso.
- Sim, mas se quiser falar comigo sobre isso, estou aqui.
- Tem tanta coisa pra dizer. Tentei bater em Flint e falhei. Gritei com um professor, três para ser mais exato. Acusei Dumbledore de estar louco, e o professor Snape de só pensar em si. McGonagall provavelmente pensa que eu sou uma um bebê chorão. Duvido que Ash fique no mesmo lugar que eu outra vez. Disse algumas coisas desagradáveis à Hermione. E tenho certeza de que Rony não irá mais falar comigo. Então, ao todo, eu tive um péssimo dia. – ele disse de maneira rejeitada.
- Ah, Harry, não se preocupe com isso. Os professores entendem o porquê de você estar agindo dessa maneira.
- Ah, claro, sei o quanto Snape entenderá. Estou surpreso por não estar em detenção ainda. – ele disse.
- Bem... – ela riu. – Tudo que direi sobre isso é que se eu fosse você, eu não iria pras aulas de Poções na próxima semana.
Harry bufou e balançou a cabeça, sabia que estava certa, imaginou Snape dando-lhe uma detenção por entrar na sala.
- Quanto à Ash e Hermione, - ela disse. – elas também sabem que você estava com raiva. Nenhuma delas está furiosa, estão preocupadas com você.
- E Rony? – ele perguntou numa voz forçada, cheia de raiva e interesse.
- Ele me visitou na ala hospitalar e conversamos. Sabe que quebrou a mandíbula dele?
- Eu... hm... não, não sabia. – ele parecia constrangido.
- Ele está bem. Disse o que tinha acontecido. Como nos viu a noite passada, e essa manhã. – ela disse calma.
- Duvido muito que tenha lhe dito tudo. – ele estava com raiva agora.
- Sim, tudo. Ele até me contou sobre essa amável contusão que tem no rosto. – ela disse tocando gentilmente a face dele para não machucá-lo.
Harry sorriu e olhou para ela com olhos descrentes. Ela imaginou que ele não acreditava que Rony contaria a ela do que lhe chamou. Sabia que ele não iria falar sobre aquilo com ela, não gostaria de machucá-la.
- Sei do que ele me chamou, Harry. Não estou contente com isso, mas entendo no que ele estava pensando quando disse. Ele se desculpou e eu o perdoei. Acho que precisa perdoá-lo também. – ela olhou para ele com olhos pedintes.
- Como pode perdoá-lo, Gina?
- Ele é meu irmão. Se eu tivesse entrado e o visto fazendo coisas que me perturbassem, eu teria uma reação parecida. Não estou dizendo que não me machucou, estou dizendo que preciso dele na minha vida, e estou disposta a perdoá-lo. Você precisa dele em sua vida, precisa perdoá-lo também.
- Sei que está certa. É que está muito recente, ele terá que esperar até que eu o perdoe.
- Ele irá. Acho que ele está mais furioso consigo mesmo do que com você, ou você com ele. – ela disse sincera.
- Contudo, não mais furioso do que estou comigo.
- O quê? Por quê?
- Desculpa, Gina.
- Pelo o quê? Do que diabos você se arrepende? – ela perguntou severa.
- Flint. Eu deveria ter percebido. Deveria ter feito você me dizer. Não posso deixar que ele saia ileso depois do que fez com você, Gina. Eu deveria...
- O quê, Harry? Machucá-lo? Matá-lo? – ela perguntou severa.
Ele sentou com um olhar confuso, não respondeu a ela.
- Se tivesse feito alguma dessas coisas, não estaria comigo agora. A única coisa seria que Flint estaria machucado ou morto. – ela disse firme. – Você estaria na prisão, ou pior, em Azkaban. E então, o que seria de mim? Eu estaria aqui sofrendo porque o homem que eu amo teria saído da minha vida. – ela olhou profundamente nos olhos dele. – Não preciso que machuque Flint para que mostre que me ama. Você faz isso todos os dias. Eu preciso de você aqui, na minha vida. – lágrimas escapavam dos olhos dele. Ela podia ver o conflito interno estampado no rosto dele, e ela o segurou próximo ao seu coração. – Eu preciso de você, Harry, e eu quero você. Nunca esqueça disso.
- Eu não mereço você. – ele disse com o rosto enterrado nos cabelos dela.
- Claro que merece, eu não sou tanto assim.
- Sim você é, Gina Weasley. Você é o brilho da lua e a canção do vento.
- Você não quer dizer raios lunares no Prado? – disse recitando um verso do poema que ele tinha-lhe dado no Natal.
- Estou falando sério, Gina, sem brincadeiras.
- Ah, Harry, eu também estou falando sério. É só que temos tanta coisa séria na nossa vida que eu preciso brincar com você, rir de você...
- Rir de mim. – ele riu.
- Bem, e claro, torturar você também. – ela zombou.
- Ah, eu também tenho uma lista de rituais de torturas favoritas? – perguntou.
- Como sabe? – ela lançou-lhe um sorriso maldoso.
- Eu te amo, Gina. – disse gentilmente.
- Eu também te amo, e prometo estar sempre aqui por você, Harry, assim como você me prometeu.
Então, eles selaram aquela promessa com um beijo.
