Suas mãos estavam frias, a pele fria e a respiração rápida... Aqueles poderiam ser os sintomas de uma mulher excitada? É poderiam, mas não era o caso dela, claro que não, ela não estava excitada! Definitivamente não. Estava ansiosa, mas não excitada. Tentou respirar com calma, mas os barulhos na sala não deixavam. Ela estava num quarto de hotel com um homem lindo e carinhoso, o homem com quem ela vinha se relacionando, mas agora quando finalmente chegariam as vias de fato, seu corpo se negava.

Droga! Ela gostava dele, ele é bonito, inteligente e carinhoso, mas não conseguia excitá-la. Como seu corpo não reagia a ele? Isso nunca acontecera antes, claro que ela não sentia tesão por todos os homens do mundo, mas aquela situação especifica era muito constrangedora, estar num hotel com um homem com a clara intenção de fazer sexo e seu corpo gritar por todos os poros que não queria e nem desejava aquela relação. Como sair daquela enrascada? Claro, sempre havia a possibilidade de falar com ele que não queria, não estava no clima, mas isso era imensamente constrangedor naquele ponto, ela podia ter desistido antes de irem ao hotel. Uma decisão pipocou em sua cabeça: Ela tentaria rolar, quem sabe com o contato corpo a corpo a coisa fluísse? Mas, se nem as preliminares animassem seu corpo ela diria a ele que não. OK! Decisão tomada e sensata.

O homem veio da sala sem camisa, o peito nu bem definido faria qualquer mulher desejar correr as mãos por ali, mas não ela, suas mãos continuavam suando frio.

- Desculpe a demora... – a voz dele era rouca e com certeza também encantaria as mulheres, mas para ela faltava algo, uma pitada mais picante.

Ele se aproximou dela depositando um beijo suave em seus lábios e Lisa tremeu. Não pelo efeito que um beijo daquele normalmente causaria em seu corpo, mas devido à ansiedade. Uma mão enorme circundou seu pescoço, acariciando sua nuca e ela tentou, mais uma vez, relaxar, aproveitar as sensações. Mas nada aconteceu, absolutamente nada. Os lábios dele abandonaram sua boca e desceu por seu beijo, os dentes roçando devagar, brincando com a pele. Normalmente, ela estaria excitada, seu pescoço e seus seios eram seus pontos fracos. Mas ainda nada.

Ela remexeu sob ele, o peso do corpo masculino era algo que normalmente mexia com ela, mas novamente nada aconteceu além do incomodo da pele suada sobre seu corpo. Ela tentou achar uma posição melhor, uma em que o peso dele não parecesse esmagá-la contra o colchão, mas só conseguiu que ele se colocasse diretamente entre suas pernas. Droga! Agora ela podia sentir o quanto ele estava excitado e quanto seria constrangedor parar tudo aquilo.

Mas a gota d'água foi o momento em que as mãos dele agarraram seus seios e ela quis morrer. Ele foi delicado e gentil, mas o corpo dela rejeitou o toque como se tivesse sendo invadido, agredido. E, graças a Deus, ele percebeu.

- Lisa, está tudo bem? – cavaleiro como sempre, ele se afastou ficando na ponta da cama, longe do corpo dela.

Ela não conseguiu responder, só abaixou a cabeça.

- Querida, se você não quer é só dizer... Eu não estou aqui para te obrigar a nada. Nunca.

Droga! Porque ele tinha que ser tão gentil?

- Eu quero... Eu queria... Droga! EU não sei o que está acontecendo comigo...

Ela agradeceu o fato dele não voltar a abraçá-la ou tentar tocá-la, além claro, dele não insistir em ter sexo.

- Nós não temos que fazer se você não quiser. – a voz dele continuava calma e, por algum motivo, aquilo fazia certa raiva brotar dentro dela.

- Me desculpe. Eu não consigo.

Claro que ele pareceu eternamente frustrado, mas continuou firme na sua postura de grande cavaleiro e não falou nada, somente concordou com um gesto de cabeça e deixou a cama e foi direto para o banheiro. Alguns segundos depois ela escutou o chuveiro, será que o cara estava tomando um banho frio?

Tentou pensar em como o corpo dele seria, nu sob a agua, mas de nada adiantava, nem a imaginação dela estava cooperando naquele momento.

- Desde quando eu sou frigida? – Ela se perguntou pela primeira vez naquela noite. Claro que poderia ser somente uma ocasião de estresse, cansaço ou nervosismo, mas pelo amor de Deus, ela não era mocinha para estar nervosa com sexo, gostava do cara e se sentia atraída por ele, mas a ideia de ter sexo... Não. Sua cabeça não aceitava e, pelo jeito, certa parte de sua anatomia também não. Então estava batido o martelo? Ela era frigida.