- Hugh, cinco minutos para começar! – a voz foi antecedida por batidas suaves na porta do seu trailer, o aviso era para o começo das filmagens.

Respirando fundo, mais uma vez, ele pensou em jogar água fria no rosto, mas acabaria estragando todo o trabalho da maquiadora. A única arma que lhe restava era tentar manter o controle pensando em outras coisas que não a reação do seu corpo a risada de Lisa, até agora ele vinha mantendo relativo sucesso, mas também evitara até sair do trailer pra fazer a maquiagem. Era melhor evitá-la e não por a prova todo o poder que ela, supostamente, exercia sobre o corpo dele.

- 10...9...8...7 – a contagem continuou regressiva até o zero, como um mantra para se manter firme e sair do trailer sem dar vexame.

Hugh deixou o trailer achando que conseguiria chegar ao local da gravação sem ter que enfrentar o furacão Lisa. Ah! Ledo engano. A primeira coisa que viu foi ela, caminhando para o estúdio, ela devia ter deixado o trailer segundos antes dele e o brindou com a visão de seu corpo perfeito envolto em uma saia tão justa que poderia ser considerada tortura. Os quadris ondulavam levemente, metade em função dos saltos altíssimos e poderosos e metade por culpa do jeito que ela caminhava, o leve deslizar sensual e maligno.

Subitamente ele se viu sem ar, uma enorme sensação de sufocamento atingiu seu peito, mas a sensação que o mandaria para o inferno sem escalas era a que pulsava fortemente na sua virilha. A calça jeans, parte do figurino de House, ficou tão justa que o zíper doía contra seu membro. Era uma duplicidade de sentimentos do tamanho do mundo, ele estava feliz por ainda "ser homem" e chocado por ter essa parte de sua anatomia ser aguçada por ninguém menos que sua colega de trabalho. Simplesmente pensar que não podia tê-la fazia seu membro pulsar com mais força...

- Como vou sobreviver a isso? Não posso entrar no maldito estúdio com uma ereção apontando para bunda de Lisa. – Definitivamente, ele precisava se aliviar antes de vê-la novamente ou, naquelas circunstâncias e depois de tanta abstinência, explodiria na frente dela e de toda equipe de filmagem.

Mas, de repente, ela parou e, girando sobre os saltos, olhou direto para ele e sorriu. O sorriso mais lindo do mundo, os olhos mais adoráveis do mundo, a única mulher que ele desejava. Hugh sentiu suas pernas ficarem leves e seu coração bater tão rápido quanto era possível, as mãos frias e a ereção em sua calça pulsou forte.

- Droga, mulher. Você será minha perdição! – murmurou para si mesmo.

Ela parou, esperando por ele e Hugh não sabia o que fazer, como encará-la. De perto a sua situação seria facilmente notada, mas ela era como um maldito imã, atraindo – o com força, então ele caminhou até ela.

Ela até tentou caminhar ignorando a presença que de alguma forma sentia atrás de si. Aquela era a sensação mais estranha do mundo, o corpo dela sentia a presença dele de uma forma que ela nunca experimentara antes. Caminhar tornou-se algo difícil, as pernas pareciam leves ou pesadas demais. A respiração ficou mais difícil e Lisa se viu obrigada a parar, seu corpo automaticamente virou – se na direção da energia que o comandava e ela sorriu.

Não, aquele não era um sorriso de alegria, era puro nervosismo, estresse ou qualquer outra palavra que ela pudesse usar e que não tivesse conotação sexual. Ele também parou de andar e a olhou, os olhos percorreram sua figura e ela prendeu a respiração.

- Eu quero esse homem! – a decisão era tão forte em sua cabeça, que mesmo tão concreta e definitiva, balançou o mundo dela naqueles meros segundos. Seu coração bateu tão forte como se aquela fosse a maior aventura de sua vida, talvez fosse, e era certo em seu coração e em seu corpo. Ela o teria! Ele seria dela e ela dele.

Sua boca encheu de água quando imagens deles dois nus, juntos e em pleno êxtase inundaram sua mente. Ela precisava tê-lo, precisa se entregar a ele, nem que fosse por uma única vez, a necessidade dentro dela precisava ser saciada e aquela seria sua missão.