Título: Wicked Game
Autora: Senhorita Mizuki
Categoria: Slash
Gênero: Romance
Classificação: R
Personagens: Harry Potter e Draco Malfoy
Avisos: Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Agradecimentos especiais a: Lilly Malfoy e sis Mudoh Belial pela betagem.
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Wicked Game
Por Senhorita Kaho Mizuki
Capítulo 5
Draco acordou se sentindo particularmente renovado na manhã seguinte. Seu humor estava tão bom que não gritou com o elfo doméstico que havia se atrapalhado com seu café da manhã. Até mesmo havia dado um animado "bom dia" para os quadros de seus antepassados que cobriam os longos corredores, recebendo resmungos mal humorados em resposta. E nem havia se aborrecido com a cara azeda do quadro de seu avô que tinha lugar de destaque no hall de entrada.
Adentrou a biblioteca, que antes servia de escritório do pai – não que Lucius houvesse trabalhado como um mortal qualquer, mas ele tinha de tratar de negócios em algum lugar da mansão – e agora era onde Draco recebia instruções. Seu tutor se encontrava de costas, observando o jardim através de uma janela grande, parecendo pensativo e segurando um jornal. A sua entrada fez o homem virar-se, deixando a vista um tapa-olho que cobria seu olho esquerdo. Olhou o rapaz loiro e ergueu uma sobrancelha negra.
- E um bom dia para o senhor, professor! – saudou-o alegre, antes de sentar-se na mesa de mogno.
- Isso explica os resmungos ecoando pelos corredores. – pontuou Snape, torcendo o nariz avantajado com desgosto – Espero que essa alegria lufa-lufa não tenha a ver com espírito natalino, senhor Malfoy.
- Não... – pegou uma balinha de alcaçuz e meteu na boca – ...é melhor.
- Algo me diz que talvez tenha a ver com... isso. – o professor disse com sua voz monótona, jogando na sua frente a edição do dia do Profeta Diário.
Estava aberto na coluna social, o loiro pegou imediatamente e se pôs a ler avidamente o artigo. Grunhiu contrariado – então era isto o que acontecia quando Draco resolvia aparecer em um mesmo evento que Harry Potter. Seu nome era apenas citado. Mesmo que fosse um Malfoy, sendo mais bonito e certamente mais bem vestido, e ainda amigo íntimo do anfitrião. O grifinório sempre receberia todos os confetes.
Notícia de grandes dimensões envolvendo os Malfoy parecia que só aconteciam quando estavam ligados a de Comensais. Terminou de ler e jogou displicentemente de lado.
- Sim, ele estava lá. – confirmou com sua voz arrastada – De qualquer forma foi divertido, ganhar dele em um jogo e mostrar a ele que, decididamente, não tem classe o suficiente para estar naquela festa. – esclareceu, dando um sorriso de escárnio que foi acompanhado pelo professor.
- Ouvi dizer que o Ministério anda usando o garoto para se promover, mandando-o para esse tipo de lugar apenas para aparecer nos jornais. – estalou a língua, mostrando sua desaprovação.
Sentou-se do outro lado da mesa, separando a correspondência e abriu a agenda enquanto se servia de chá. Depois da guerra Snape não voltara a lecionar em Hogwarts, não achara necessário voltar com Dumbledore morto e não tendo mais de servir como espião duplo. Slughorn continuou lecionando Poções e Lupin havia reassumido as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas. Eles zombavam que o lobisomem primeiro devia aprender a se defender de si mesmo antes.
Draco soube da ligação de Snape com a Ordem da Fênix pouco depois de ter sido abrigado em Spinner's End, quando sua missão em Hogwarts foi um fracasso. Sua primeira reação fora de incredulidade e, então, alívio assim que lembrou da oferta do velho diretor antes de morrer. Aceitou trabalhar com o professor e ajudar a Ordem, dando informações sobre famílias de Comensais com as quais seu pai tinha contato. Lucius, provavelmente, não ficaria muito feliz de saber disso, mas alguém precisava salvar a ele e sua mãe!
Snape teve seu olho danificado durante a guerra, uma das várias seqüelas deixadas por aquele período. Decidira continuar ajudando Narcisa e Draco a se restabelecer, o loiro imaginava que talvez seu professor possuísse uma espécie de dívida com seu pai. Ele se mostrara tão fiel a Lucius, mesmo antes da sua época de escola.
- Onde está minha mãe? – perguntou ocasionalmente, enquanto assinava alguns papéis que lhe eram passados.
- Arranjando os últimos detalhes da ceia de Natal. – disse, sem lhe dirigir o olhar – Sylvie está com ela. Espero que tenha lembrado de convidar seus parentes, Draco. – nisso encarou o loiro daquela forma com a qual costumava botar medo nos seus alunos em Hogwarts.
- Aqueles que interessam, obviamente. Se bem que ainda não entendo porque convidar tia Desireè. A velha tem uma boca suja e não pára de fumar aqueles cigarrinhos fedorentos! – fez uma careta.
- Mas está com o pé na cova, e não queremos ter seu nome riscado do testamento, queremos? – respondeu simplesmente.
- Acho que irei mandar comprar mais daqueles cigarros para ela. – anotou.
Basicamente, Snape fazia o papel que deveria ser de seu pai naquele momento, se não estivesse trancafiado em Azkaban com anos de detenção nas costas, mesmo que os mais caros advogados tivessem conseguido diminuir sua pena. Não substituíra Lucius, literalmente, apenas instruía Draco nos negócios da família Malfoy, que ele estranhamente conhecia até demais.
De fato a idéia de arranjar uma noiva fora dele, argumentando que Draco precisava de uma boa fachada dentro da sociedade bruxa, um noivado bem sucedido devia ajudar bastante. Mas Draco não tinha a mínima pretensão de ter de desfilar de braços dados com uma estranha.
Até que Potter apareceu na mídia bruxa noivando com Gina Weasley.
Não que ele tivesse sentido seu rosto queimar e seu peito se remoer de inveja e ódio, mas era uma questão de honra. Realmente, deveria mostrar a Potter que ele ainda era o melhor e tinha o melhor, mesmo que já não fossem arquiinimigos de escola. E realmente escolheu a melhor que lhe fora oferecida. Sylvie fora uma das estudantes de Beauxbatons, que pareciam ter mais beleza que habilidade em magia.
Sua família não era conhecida e costumava ser muito discreta, era perfeita. De qualquer forma, era uma companhia que sua mãe não tinha fazia muito tempo.
Apesar de previsível, Potter continuava não tendo o menor gosto ou classe, desde os onze anos. Francamente, uma Weasley? E pelo visto as coisas entre eles não deveriam andar muito bem, especialmente em termos mais íntimos, pensou Draco lembrando da festa da noite anterior, satisfeito com a própria audácia.
Potter parecia estar realmente precisando de um alívio, não querendo desmerecer a si próprio. Draco sabia que podia excitar o mais hétero dos homens, com poucas palavras e toques em lugares certos. E havia sido divertido e delicioso ver como havia derretido e gemido daquele jeito em suas mãos. Não que ele estivesse atraído por Potter ou coisa parecida, era apenas vingança, doce e lenta.
Era apenas essa a razão – vingança. Foi isso que o levou a não resistir e provocar Potter daquele jeito na noite anterior, além do que foi merecido... Aquele hábito irritantemente grifinório de andar por aí espiando pessoas, um dia ele tinha de topar com o nariz na parede sem que houvesse alguém que o protegesse.
Um sorriso se insinuou na face pálida do sonserino, que foi substituído por um maior ao erguer a cabeça e ver sua mãe entrar na biblioteca, parecendo uma figura diáfana com seus longos cabelos loiros e vestido branco. Ela estendeu os braços e beijou o filho nas duas faces, Sylvie entrou silenciosa atrás dela, varrendo os olhos claros pelo lugar como se checasserapidamente cada canto.
- Não sabia que já havia acordado, poderia ter vindo me dar bom dia, querido. – disse ainda segurando o rosto de Draco.
- Nos perdoe Narcissa, tínhamos muito trabalho a fazer logo cedo. – Snape respondeu por ele.
A mulher se virou para o professor, como se o visse pela primeira vez ali, piscando várias vezes e voltando a sorrir, com uma expressão sonhadora estampada no rosto bonito.
- Severus! Há quanto tempo, porque não nos visita mais? – saudou-o vivazmente. – Ficará para a ceia?
Um silêncio constrangedor se instalou no aposento. A verdade era que Snape freqüentava a mansão todos os dias, chegando pela manhã. Apenas não morava ali porque recusara a oferta de Draco. A memória de sua mãe estava falhando com mais freqüência naqueles dias, o loiro a olhou preocupado.
O médico da família havia alertado-o que ela havia sofrido grandes traumas com a guerra, tendo a irmã morta, o marido preso, e após passar um bom tempo sofrendo dos nervos no tempo em que Draco fora marcado como Comensal. Recebeu recomendações insistentes para que sua mãe fosse internada em St. Mungus, onde haveria curandeiros especializados para cuidar dela. Draco recusara, achando um exagero. Ela estava bem – pensou olhando o perfil de Narcissa –, era apenas um choque do qual ela se recobraria quando menos esperassem.
- Mamãe, a senhora já passou o cardápio da ceia para os elfos? – perguntou, quebrando o silêncio.
A mulher ficou alguns segundos olhando Snape com a mesma expressão, para só então virar-se para o filho e um ar de confusão cruzar as delicadas feições marcadas por algumas rugas de idade.
- Desculpe. O que foi que disse querido?
- Nada. – Draco sorriu e se dirigiu a noiva, ainda parada à porta – Sylvie, pode acompanhar minha mãe até a cozinha?
- Claro. – respondeu com um breve sorriso que pareceu mover quase nenhum músculo de seu rosto, sua voz tinha um leve sotaque francês – Venha Sra. Malfoy. Temos de passar o resto das instruções aos elfos.
- Oh, é mesmo! – a mulher mais velha tapou a boca, com uma expressão de espanto – Há tantas coisas para fazer!
Com isso deu um beijo estalado em Draco e saiu a passos apressados com sua voz excitada ecoando. O loiro soltou o ar pesadamente, como se o tivesse segurado todo aquele tempo. Snape fitou-o com certa consternação, então pigarreou, fingindo voltar sua atenção ao que fazia antes.
- Posso administrar-lhe uma poção calmante mais tarde.
- Sim, obrigado. – e voltou a sentar-se à mesa.
Sua mãe estava bem, era apenas o estresse.
Uma batida na janela fez Draco pular na cadeira, lançando um olhar raivoso para a inocente coruja que estava do lado de fora dela. Mas quando reconheceu o animal apressou-se a deixá-lo entrar. Snape ergueu uma sobrancelha negra, também a reconhecendo.
Draco retirou o pergaminho e chamou um elfo doméstico para que alimentasse a coruja. Quando se viu novamente sozinho com o professor, abriu-o e percorreu os olhos pela letra rebuscada. Um vinco se formou entre as sobrancelhas claras, o loiro estava ficando claramente aborrecido com o que lia.
Dobrou o pergaminho e guardou-o no bolso do robe. Ele e Snape voltaram a suas atividades em silêncio, mas sua mente ainda ruminava o conteúdo da carta que recebera.
Eu não me livro de você, não é mesmo, Potter?
Capítulo 6
Não fazia idéia de que horas retornara, sabia apenas que estava péssimo demais para andar, ainda mais para ter desaparatado como fizera. Acabou bem em frente à Toca, e numa infelicidade, vomitou no canteiro de rosas da Sra. Weasley, assim que um sonolento Ron de pijamas abriu a porta.
O resultado fora uma ressaca monstro no dia seguinte e um jantar silencioso, onde olhares ansiosos passeavam dele para uma raivosa Gina. A única criatura aproveitando o momento da sobremesa fora o bebê de Fleur e Bill. Harry queria estar em qualquer lugar, menos ali.
Após as "comemorações em família" ainda restava a "confraternização do pessoal do trabalho". Que idéia idiota.
Pegou a garrafa de firewhisky e encheu mais uma vez seu copo, sob os olhares desaprovadores de Hermione. Devolveu-lhe um olhar de desafio, virando a bebida de uma vez, vendo estrelinhas girarem na sua frente. Ele precisava daquilo.
Sua mente estava remexida, de cabeça para baixo, e tudo que precisava era ficar bêbado o bastante para não pensar. A ceia de Natal na casa dos Weasley fora um tanto constrangedora. Gina se recusava a lhe dirigir qualquer palavra, e obviamente esperava que Harry viesse se desculpar e mimá-la. O caso era que ele não se sentia com vontade de fazer aquilo, não sem deixar de pensar naquela festa.
Fez uma careta e encheu mais uma vez o copo, nada de pensar naquilo. A amiga de cabelos castanhos e revoltos apenas bufou e se afastou. Harry permaneceu em seu canto, distraído.
- Não vai fazer nada a respeito disso, cara?
Ron interrompeu seu devaneio sentando afobado do seu lado e cutucando-o insistente, e logo apontando na direção de um sofá. Harry piscou algumas vezes antes de focar sua vista, eram Gina e Dino conversando animadamente. As mãos do rapaz estavam um pouco próximas demais da sua noiva e se inclinava sugestivamente, e ela não parecia estar aborrecida com isso, muito pelo contrário.
Assim como ele, todos os ex-colegas de Hogwarts ali presentes sabiam que Dino ainda tinha uma queda pela caçula dos Weasley Aquilo ia espalhar pelo escritório na manhã seguinte. Harry olhou para seu copo vazio. Estranho. Não sentiu aquela sensação que tinha no sexto ano quando os via juntos – seu monstro no peito rosnando como um leão enfurecido parecia ter acalmado.
Fora uma péssima idéia aquela festinha de confraternização que haviam decidido fazer entre as pessoas do escritório do Ministério, em um pub no Beco Diagonal. A maioria sempre se excedia na bebida e alguns eram motivos de piada por uma semana inteira. Estalou a língua e deu de ombros, o álcool já atingindo um nível favorável dentro de seu corpo.
- Deixe, ela está fazendo pra me deixar com ciúmes. – respondeu numa voz preguiçosa.
- Bem... E você não está? – o amigo cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha ruiva.
- É sua irmã, Ron! Não vai fazer nada que não deve. Não confia nela? – pescou mais uma garrafa e encheu dois copos, empurrando um para o ruivo – Aqui, beba com seu amigo!
- Harry, você está bêbado.
- Ainda não, mas estou perto! – soltou uma risada que fez Ron duvidar – Fique também, assim ao menos cria coragem pra chamar Mione pra dançar.
- O que? – o amigo corou de imediato – Eu não vou tirar Mione pra dançar! Porque eu faria isso?
- Porque estamos todos cansados desse jogo que faz com ela desde o nosso quarto ano.
O ruivo abriu a boca para argumentar, mas logo a fechou, sabendo que havia um fundo de verdade naquilo. Limitou-se a virar o copo de uma vez como Harry havia feito antes, para então se levantar já chamando Hermione.
Ao menos alguém ali sabia o que queria, apesar de estar anos atrasado, pensou Harry enquanto observava o amigo ainda corado abaixar a cabeça, coçar a nuca e dizer algo a Mione. A garota inclinou a cabeça para poder ouvi-lo e um rubor cobriu seu rosto, competindo com o que cobria o do ruivo. Deu um breve aceno e acompanhou Ron até a pista de dança.
Quando Harry voltou a olhar o sofá que o amigo havia lhe mostrado minutos antes, viu que havia um outro casal se agarrando nele. Varreu o olhar pelo lugar, sem sinal de Dino ou Gina. Recostou-se na poltrona onde havia se instalado e decidiu relaxar – que ela se divertisse e dançasse. Talvez a ruiva esquecesse do assunto da festa da mansão rápido e voltasse a falar com ele.
Por mais que tivesse bebido, era justamente o que Harry não conseguia esquecer de jeito nenhum. Focou seus olhos em um ponto qualquer e começou a sentir a raiva aflorando junto com as lembranças.
O bastardo havia brincado com ele e o deixado naquele estado vergonhoso! Sem contar que ainda perdera um bom tempo tentando achar a saída daquele andar mais uma vez. Jurara ter visto um rastro de divertimento no rosto de Richard quando esse se despediu dele na entrada do saguão.
Harry viu tudo ficar vermelho na sua frente. Quando pegasse Malfoy...
Que raios o sonserino estava pensando naquela noite? Avançando sobre ele daquele jeito, passando mãos de uma forma que Gina jamais havia feito. O pior não era a provocação do loiro, mas a reação que Harry havia tido. Não deveria ter se excitado daquele jeito, devia? Da última vez que checara, ele ainda gostava de garotas. Que lembrasse, somente achara Diggory atraente, mas daí a escola inteira concordava.
Havia suspeitas sobre a sexualidade de Malfoy em Hogwarts, principalmente em seu último ano. Mas por mais que isso lhe fornecesse bons meios de atacar o sonserino, achara que eram apenas rumores sem fundamento. Afinal Malfoy namorava Parkinson desde o seu terceiro ano, pelo que se recordava, e firme. Não era?
Balançou a cabeça. Deveria ter desconfiado, nenhum outro garoto tinha um cabelo tão sedoso e brilhante na escola inteira.
Não que ele houvesse checado cada cabeça para saber, nem que estivesse tão obcecado que decorara a textura sedosa quase palpável da cabeça de Malfoy. Mas fora obrigado a seguir o loiro para cima e para baixo de Hogwarts seu sexto ano inteirinho, claro que certas coisas ele acabaria percebendo no outro garoto.
Como quando ficava sério apenas quando estava concentrado, o resto do tempo andava e agia como fosse o dono do lugar, um sorriso de escárnio se insinuando nos lábios finos e rosados. O modo como as faces pálidas ficavam rubras em dia de calor, como juntava as claras sobrancelhas quando alguém falava a seu ouvido, como as olheiras tomavam seu rosto cansado quando estivera trabalhando na Sala Precisa. Ou as mãos longas e finas, manipulando com cuidado ingredientes de poções, segurando a pena de modo diferente dos outros, ou o modo como lambia o suco que escorria pelos longos dedos da fruta que estivesse descascando.
Um arrepio percorreu sua espinha, pensar nas mãos não havia sido uma boa idéia. Pois logo lembranças de como elas se insinuaram pelo cós da calça e o acariciaram surgiram mais vivazes do que nunca, e subitamente suas calças naquele momento ficaram um tanto apertadas. Pediu outra garrafa de bebida e tornou a encher o copo, tomando um atrás do outro. Respirou algumas vezes, ignorando a pressão em seu baixo ventre.
Se Malfoy era gay e estava se envolvendo com Richard, porque arranjar uma noiva? Harry forçou-se a entender, mas sua cabeça já estava cheia de álcool o suficiente pra não conseguir discernir nem uma cadeira de uma mesa.
Tendo uma noiva e se envolver com outro era traição, não era? Harry arregalou os olhos, alarmado. Ele havia traído Gina naquela noite também?
Mas logo isso já não tinha mais muita importância no momento. Harry sentiu uma sensação familiar crescendo dentro dele, que não era aquela dentro da sua calça. Um bolo vindo pela garganta e deixando sua boca amarga. Precisava urgentemente ir ao banheiro.
Com a mão sobre a boca ele se levantou e foi empurrando as pessoas do caminho, até chegar à porta que pelo cheiro devia ser o que procurava. Abriu a porta e gelou. Poderia culpar a bebida, o som alto e as vozes, mas Harry sabia exatamente o que acontecia a sua frente.
Na entrada do banheiro um cara e uma ruiva se agarravam, estavam tão colados que pareciam ser uma só coisa. Absorvidos em algo que estava intenso demais para ser chamado de "amasso". Mesmo estando pouco difícil distinguir o rosto deles no meio de cabelos revoltos e uma batalha de quem engole a língua de quem, Harry sabia exatamente quem eram.
- Merda. – foi tudo que falou quando tirou a mão da boca.
Nesse momento os dois finalmente perceberam sua presença, Gina soltou um grito agudo e tentou desesperadamente baixar a saia que já era curta, Dino passou a mão pela cabeça e começou a ensaiar uma desculpa. Harry olhou por algum tempo pra eles, antes de baixar a cabeça e vomitar. Então tudo ficou preto.
Continua...
Outubro/2006
