Título: Wicked Game
Autora: Senhorita Mizuki
Categoria: Slash
Gênero: Romance
Classificação: R
Personagens: Harry Potter e Draco Malfoy
Avisos:
Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Agradecimentos a: Lilly Malfoy e a Mudoh Belial pela betagem.

Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.


Wicked Game

Por Senhorita Kaho Mizuki


Capítulo 7

Hermione pressionou uma bolsa de gelo na testa de Harry. Este agradeceu, pegou a bolsa e continuou pressionando sobre sua cabeça. Em seguida a garota depositou uma aspirina e um copo de água na mesa, olhando-o de forma reprovadora. Agradeceu baixinho, pois até mesmo falar fazia sua cabeça latejar de dor – era um verdadeiro castigo ter de se recuperar de uma ressaca ao modo trouxa. Tomou a aspirina e recostou-se no espaldar da sua cadeira no escritório onde os aurores em treinamento, como ele, ficavam.

Naquela manhã, Harry havia entrado no Ministério e lançando olhares desafiadores para quem ousasse mencionar a noite anterior no pub. Obviamente as notícias já haviam voado feito um furacão. Não havia rastro de Dino Thomas em lugar nenhum, e Harry achou que era melhor assim.

Voando pela porta aberta, uma coruja vinha com sua edição do Profeta Diário. Seguindo ela vinha Ron, ofegando como se houvesse corrido. Colocou a moeda na bolsinha da patinha e pegou seu jornal, como Hermione também fez.

- Não acho uma boa idéia abrir esse jornal, Harry! – o amigo alertou erguendo o dedo.

Tarde demais, porque no mesmo aposento, Hermione já havia aberto e soltava uma exclamação abafada. Justino olhou por cima do ombro da colega e leu a notícia, soltando um palavrão. Harry olhou para eles e depois para Ron, que tinha uma expressão de súplica. Então abriu o jornal sem cerimônia, folheando até chegar à coluna social e viu o que temia.

Uma foto constrangedora de Harry tropeçando nos próprios pés para chegar ao banheiro e dando um flagra em Gina e Dino, uma foto encantada com a trajetória inteira, até ele desmaiar. Perfeito, resmungou entre dentes. Viu a autoria da foto e grunhiu alto, sentindo mil agulhas perfurarem sua cabeça.

- Quem foi o bastardo que convidou Colin Creevey?

- Ninguém, ele se infiltrou como sempre. – disse Justino, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Ron suspirou pesadamente e deixou os ombros caírem, tendo falhado na sua missão de evitar o inevitável. Arrastando os pés, puxou a cadeira na frente de Harry e sentou-se pesadamente. Fez umas caretas antes de falar ao amigo.

- Mamãe pediu pra que você reconsiderasse, e perdoasse Gina. – fez um gesto vago com as mãos – Disse que ela estava chateada e provavelmente muito bêbada.

- Certo. – Harry rolou os olhos para o lado – Então quer dizer que está tudo bem trair sua irmã se eu estiver bêbado e chateado?

- Hum... Eu acho que não. – o ruivo torceu a boca e olhou incerto para o outro.

- Ron, eu realmente amo sua mãe como se fosse minha... – começou num tom cansado – mas acho que ela deveria deixar meus relacionamentos em paz e se preocupar mais em quando você vai pedir Mione em casamento.

- Harry! – Hermione guinchou de seu lado, acertando seu braço com o jornal que segurava.

Como algo automático ligado ao nome de Mione e qualquer menção de relacionamento, Ron ficou vermelho e embaraçado. Pela primeira vez naquele dia Harry sorriu, mas só conseguiu mover um pouco a boca, porque até isso lhe doía.

- Ele não parece estar mais mal humorado. – a amiga resmungou, voltando a abrir o Diário.

- Talvez seja melhor assim, Ron... Nosso relacionamento não andava muito bem. Gina tem brigado muito comigo, é como se ela vivesse de TPM!

Nisso ele recebeu outro golpe com jornal de Hermione, Justino soltou uma sonora risada e também apanhou. O ruivo apenas cruzou os braços e pareceu considerar.

- Eu acho que ela ainda gosta de Dino, ou descobriu que gosta mais dele do que de mim, se é que me entende. – Harry continuou.

- Hey, Harry! Obrigado por compreender, amigão!

A cabeça de Dino apareceu na porta aberta, como se estivesse ali fazia um bom tempo, com medo de entrar e enfrentar certo companheiro. Dois na verdade, porque não apenas Harry, mas Ron também levantou e fechou a cara, estralando os dedos como um aviso. Dino achou que ainda não era uma boa hora para aparecer e engoliu em seco, desaparecendo de vista.

- Volte aqui que não resolvemos esse assunto ainda!

Harry precipitou-se pela porta, mas foi impedido por um obstáculo de asas, que ficou voando ali em cima de si bicando sua cabeça. Achando sua varinha, lançou um feitiço e com um piozinho o pássaro caiu duro no chão. Esfregando a testa olhou para os dois lados do corredor, vendo bruxos atarefados e milhares de bilhetes voarem de um lado para o outro, mas sem rastro de Dino novamente.

Suspirou e olhou para a coruja petrificada, amarrada a sua patinha havia um pergaminho enrolado que parecia ser de boa qualidade, estava lacrado por com o selo de um brasão que Harry já havia visto. Soltou-o antes de desfazer o feitiço. O animal o bicou violentamente no pé e levantou vôo, percorrendo habilmente os corredores daquele andar do Ministério.

Quando voltou para a sala, Ron tinha uma expressão mortificada.

- O que raios foi aquilo?

- Uma coruja de raça, não deve pertencer a qualquer bruxo. – Hermione disse olhando para o pergaminho em sua mão. – Do que se trata?

Harry quebrou o selo e abriu, descobrindo uma letra bastante rebuscada e o brasão se repetindo em uma estampa no topo da folha. Uma rápida olhada no fim da carta o fez franzir a testa, era de Richard Honeyman. Não podia ser coisa boa, porque tudo havia começado por causa dele.

Era um convite, não para assistir uma partida, mas para jogar uma partida de quadribol. Harry imaginou que o rapaz deveria gostar bastante de jogos, e estava curioso para saber até onde ele iria com eles. Havia reservado um estádio em uma ilha da Escócia para tal, Harry arregalou os olhos, não era qualquer estádio, mas o do time Pride of Portee!

Oh, mesmo não sendo dos Chudley Cannons, Ron ia ficar com tanta inveja...

Mas como um balde de água fria lhe veio a lembrança fatídica daquela festa, daquele quarto. Richard comentara sobre convidar Harry para uma partida de quadribol... com Malfoy. Logo, aquele loiro, maldito, com seu orgulho puro sangue enfiado no traseiro, estaria lá em um dos times. Com cem por cento de certeza.

Não, já havia tido o suficiente daquele sonserino. A partir do momento que se reencontraram uma onda de azar o atingiu. Uma que não o havia atingido desde que derrotara Voldemort. Dobrou a carta e largou na mesa, pegando um pergaminho da sua gaveta e começou a redigir sua resposta.

- Um convite para jogar quadribol no fim de semana – resmungou para os colegas. Sabia que estavam curiosos. – que não irei aceitar.

- Quadribol? É sempre bom... – Ron começou, pegando a carta e lendo antes que Harry pudesse impedir – Não vai? – pulou de onde estava – Mas... Mas é o estádio dos Pride of Portee!

- E daí? Não torcemos para eles. – disse indiferente.

- Não me importo, é um dos estádios britânicos mais tradicionais! – Ron fez uma cara de cachorro abandonado – Você poderia me levar...

- Ron, eu não vou.

- Eu acho melhor reconsiderar e aceitar, Sr. Potter.

A voz forte e grave veio da porta, fazendo todos virarem para a figura de Kingsley Shacklebolt. O alto auror segurava uma fumegante xícara de chá, olhando para Harry com uma das sobrancelhas erguida.

- Achei que tinham trabalho a fazer. – disse Kingsley indicando a papelada que formava pilhas nas suas respectivas mesas.

Harry, Justino e, principalmente, Hermione empertigaram-se em suas mesas e enfiaram os narizes nas pilhas de papéis, como se o expediente tivesse começado naquele momento.

- Potter, venha para meu escritório, sim? – disse Kingsley e, enquanto saía da sala, continuou – Weasley creio que essa não é sua seção.

- Desculpe senhor! – o ruivo corou e saiu ligeiro, mas não antes sem lançar um olhar nervoso para o amigo.

Ignorando os gestos do ruivo, Harry seguiu Kingsley até sua sala que, para um auror da posição dele, até que era apertada. Assim que se sentou do lado oposto da mesa, a porta se fechou atrás dele.

- Senhor, porque eu tenho de aceitar o convite de Richard Honeyman? – estreitou os olhos por detrás dos óculos – Hei, como sabia o conteúdo da carta?

- Tenho uma missão pra você, Harry. – apenas disse se reclinando na cadeira e tomando um gole de seu chá.

- Sério? Uau. – Harry piscou os olhos, um sorriso começou a se formar no canto da sua boca – Isso é ótimo, eu estava imaginando até quando ia nos deixar apenas cuidando de burocrac... – um sino soou na sua cabeça – Espere. Por favor, diga que essa carta não tem a ver com a missão.

- Bingo. – apontou os dois dedos para Harry, como se fossem duas armas.

Droga. Estava em uma semana de Murphy!

- Então, do que se trata? – recostou-se na cadeira, dando-se por vencido.

- Uma fonte vem nos informando sobre uma possível ligação de Honeyman com alguns Comensais da Morte.

- Sir Honeyman? – Harry franziu o cenho. Não parecia ser coisa que o homem faria, sem falar que tinha boas e generosas relações com o Ministério.

- Não, seu filho caçula, Richard.

Deslizou pela mesa o que parecia ser a ficha do corvinal. Havia alguns delitos sem muita importância, ocorridos fora de Hogwarts, que pareceram a Harry coisas de um adolescente rebelde. Os gêmeos tinham fama de desordeiros por muito menos do que constava naquela ficha. Não que houvesse alguma coisa que ligasse o corvinal a Voldemort, mas era fato que a maior parte dos feitos fora encoberta pelo pai do rapaz. O que o dinheiro e a influência não faziam, pensou Harry.

No entanto, realmente, não conseguia ver mais que um playboy entediado querendo chamar a atenção. Não se lembrava como era em Hogwarts, Harry não era familiarizado com os estudantes de anos anteriores ou acima deles. Apenas os de sua casa, já que freqüentavam a mesma sala comunal.

- Sabe bem que uma boa parte dos Comensais ainda está solta. – Kingsley falou e esperou o garoto assentir – Acreditamos que Honeyman esteja se comunicando e encobrindo um grupo.

- E eu entro onde nisso?

- Uma investigação, mas não é um trabalho de auror. O Ministério não nos deu permissão para esse caso, Honeyman é uma figura importante para a política de Scrimgeour. Estamos agindo com a Ordem aqui, Harry – disse em tom de confidência – Richard possui muitas amizades com jovens de famílias bruxas conhecidas, e pareceu interessado em você – deu uma pausa e uma piscadela sugestiva, o que fez Harry engolir em seco e imaginar que tipo de "interesse" poderia ser – Você ainda é um auror em treinamento, Honeyman sabe que não podemos lhe dar missões que não sejam supervisionadas por ao menos dois aurores profissionais. E ele deve achar, como alguns, que você é apenas o enfeite do Ministério. – sorriu de um jeito debochado.

- O que? – grunhiu e depois soltou um muxoxo – Eu sou não sou? É pra isso que me mandam para aqueles eventos entediantes e constrangedores, não é? – concluiu deprimido.

- Você pode provar que é mais do que isso, Harry. – o auror se inclinou apoiando os cotovelos na mesa – Então?

O rapaz olhou pensativo para a janela encantada. Parecia um serviço importante, precisava de alguma ação depois daqueles dias terríveis. Mal via a hora de começar com o trabalho de auror, mas este caso era o melhor que conseguiria até lá, certo?

O empecilho era o fato do insuportável do Malfoy ser amante do suspeito.

Harry pulou na cadeira, ficou ereto, finalmente dando conta da situação. Malfoy! Por Merlin, estavam falando sobre um caso envolvendo Comensais, e o maldito estava mais uma vez metido ali. Sentiu uma excitação correr por suas veias, um sentimento familiar de quando ele tinha aquele pressentimento sobre o sonserino estar envolvido em algo muito podre no sexto ano. Naquela vez estava certo sobre suas suspeitas, agora teria que investigar...

- Pode contar comigo, senhor. – disse com convicção.

Kingsley pareceu querer falar mais alguma coisa, mas Harry não soube o que era porque o homem calou-se, parecendo ter desistido. Este apenas sorrira, entregando-lhe a pasta com a ficha de Richard, dispensando Harry em seguida.


Capítulo 8

Harry não estava prestando a mínima atenção ao que o juiz dizia. Seus olhos verdes estavam cravados na figura magra de Malfoy, pouco atrás do capitão do time adversário, o próprio Richard Honeyman. O loiro o encarava debochado, o sorrisinho que lhe era tão característico adornando os lábios. As mãos enluvadas que seguravam o cabo da vassoura se moveram para cima e para baixo, sugestivamente. Harry sentiu-se ruborizar, imaginando coisas indevidas com os dedos longos que estavam debaixo daquelas luvas.

Desviou seu olhar e resolveu ouvir o juiz, que já estava no fim de seu discurso. Sabia de cor, uma vez que se tornara um fanático por quadribol como Ron, graças a Hogwarts. Antes de escolher seu lado do campo, cada capitão virou-se para seu time, dando últimas instruções.

Ron bateu amigavelmente em seu ombro com um imenso sorriso no rosto, dizendo "Vamos chutar o traseiro da Doninha Quicante". Tenha certeza de que vou, pensou maliciosamente Harry, escolhendo o seu lado do campo.

O juiz apitou e as vassouras voaram com velocidade para os céus. Harry posicionou-se, vendo o estádio de cima, com suas arquibancadas grandes decoradas em cores roxas e douradas.

- Isso é engraçado – uma voz arrastada começou – os pés rapados contra os playboys.

Identificou a voz antes mesmo de se virar na direção dela, vendo Malfoy flutuando a poucos passos de si. Os fios finos e loiro-platinados esvoaçavam em volta do seu rosto, criando uma aura que contrastava com o sorriso sarcástico. Os olhos cinza desviaram dos seus e se dirigiram para um ponto abaixo deles, Harry o seguiu, vendo Dino Thomas sobrevoando perto dos aros que Ron defendia.

- Até entendo trazer o pobretão do Weasley para o jogo, mas também o amante da sua noiva, Potter? – estalou a língua num tom de desaprovação.

- Não tenho mais noiva, Malfoy. – grunhiu em resposta.

- Oh, é mesmo? – ergueu as sobrancelhas claras – Que notícia mais agradável!

Sem replicar, Harry lançou-lhe um olhar irritado. Era o tipo de situação que gostaria de evitar - ouvir as provocações de sempre vindas de Malfoy. Mas Harry não cairia mais na tática de distraí-lo de seu objetivo. Inevitavelmente o outro iria ficar na sua cola durante a partida toda, sendo apanhador também – conhecia-o muito bem – não duvidava que continuasse o mesmo depois de Hogwarts. Esperava que a disputa pelo pomo começasse logo, assim teria desculpa para acertar aquela cara debochada do loiro em cheio.

Afastou-se, sabendo que ele o seguia de perto, varrendo os olhos pelo céu a procura de um brilho dourado.

- Eu acho que é muito triste pra você não ter mais a desculpa de fazer parte dos Weasley. – a voz irritante soou próxima dele de novo – Mas não fique deprimido, você pode tingir o cabelo e fingir ser um deles. Ou há a alternativa dos outros irmãos solteiros. – a voz ficou ainda mais próxima – Creio que sardas não é seu único fetiche, não estou certo Potter?

Virando-se bruscamente, Harry agarrou a frente do uniforme de quadribol, fazendo o loiro dar um grito abafado de surpresa. Seu rosto ficou a centímetros do nariz arrebitado do outro, lançando-lhe um olhar irritado.

- Eu não sei do que está falando, Malfoy. – sussurrou ameaçador.

- Ah, mas eu tenho certeza de que sabe... Ou foi tão frustrante que decidiu apagar da sua mente, Potty? – disse numa voz que imitava a de uma criança, piscando os cílios como uma criatura inocente.

Pelo canto dos olhos, Harry viu um balaço vir diretamente em direção deles, soltou o sonserino e ambos se jogaram para trás, a tempo da bola passar assobiando entre eles.

- Você está bem, Malfoy? – um batedor do time dele perguntou, parecia que ele havia batido aquele balaço.

O loiro acenou para ele, indicando que estava. Harry aproveitou a brecha para partir com tudo para baixo, passando pelos jogadores dos dois times. Espichou os olhos para o placar, que marcava trinta a dez para o time de Richard. Se estavam jogando, mesmo que não valesse nada além de seu orgulho, Harry faria questão de ganhar.

Gritou com seus companheiros do time, consertando a posição deles. Justino e Dino se entreolharam de cenho franzido, Ron se animou e se postou firme na frente dos aros. Não demorou muito para que Malfoy aparecesse de novo na sua cola, emparelhando sua vassoura com a dele. Os dois trocaram olhares de esguelha.

- Está bastante focado no jogo, ahn?

- Estou aqui pra jogar, Malfoy, não para ouvir sua ladainha. – replicou seco.

- Ouch! – colocou a mão no peito num gesto teatral – Não diga isso, vai machucar meu coração desse jeito.

Harry revirou os olhos, tomou alguma distância dele e voltou com tudo, chocando dolorosamente seu ombro contra o de Malfoy. O outro foi jogado ligeiramente para o lado quase perdendo o equilíbrio e gemeu, blasfemando alto. Logo depois lançou um olhar irritado e devolveu-lhe o golpe, mas ficando pressionado contra Harry. O moreno cerrou as pálpebras, ficando consciente demais do corpo próximo ao seu.

- Gosta de mais bruto, Potty? – provocou, não deixando de empurrar – Acho que foi isso que assustou a Weasley? Ela não era adepta e por isso procurou outro?

- Cala a boca, sua Doninha maldita! – rosnou.

A risada dele soou nos seus ouvidos, distraindo-o ainda mais do seu foco. Ele sabia que estava parecendo ridículo, dando voltas pelo campo com Malfoy, um empurrando o outro. Com alívio viu o rastro dourado riscar o espaço, seus olhos apurados identificaram o pomo. Não viu alternativa senão atingir o estômago do loiro com o cotovelo.

Acelerou e deixou-o para trás, curvando-se e abraçando o abdômen atingido. Draco soltou um ofego e perdeu velocidade, olhando para Harry e então divisando o pomo. Soltou um palavrão baixinho e colocou gás na sua vassoura, chegando à cola do outro de novo. Este desviou o olhar um milímetro, só para checar o loiro ali. Nenhum dos dois tinha noção de qual era o placar, focado que estavam um no outro... e no pomo, claro.

Harry admirou a boa forma de Malfoy, se mantendo firme e perfeitamente emparelhado com ele. Mas isso acabou quando o maldito tornou a abrir a boca. Mas nem naquela velocidade e com o pomo tão próximo ele não a fechava?

- Ainda acho que o problema foi outro. – começou com sua voz falha pelo fôlego despendido na corrida – Eu sei que aproveitou cada segundo daquilo, Potter. Eu o tive bem na minha mão.

- Droga, Malfoy! – gritou frustrado.

Tomou distância para bater no loiro de novo, mas ele se desviou a tempo, fazendo Harry se desequilibrar e conseguiu brecha para avançar. Chegou bem perto do pomo, estendendo a mão e chegando a roçar os dedos nas asinhas. Ah não, você não vai, sibilou a mente de Harry, que acelerou e puxou a manga do loiro, para afastar sua mão.

Os dois começaram a se pegar em pleno vôo, mãos embolando na ânsia de pegar o pomo dourado, puxando, empurrando. A certa altura eles acabaram enrolados, o resto dos dois times olhou em expectativa. Próximos do chão eles capotaram das vassouras, rolaram pela grama em meio a socos e palavrões.

Então Draco rolou e ficou por cima, sentando sobre o tórax de Harry, erguendo uma mão cerrada. Sorriu vitorioso e mostrou o pomo dourado, relaxando mais o corpo sobre o outro, sua respiração tão ofegante quanto.

- Parece que você está um pouco fora de forma, Potter. – disse em tom de riso.

- Isso foi sujo! – reclamou, mesmo já esperando aquele tipo de coisa.

- Malfoys nunca jogam limpo. – sussurrou, saindo de cima dele.

Honeyman chegou ao chão antes dos outros, oferecendo sua mão para ajudar Harry a se levantar. Tinha aquele sorriso polido, mas notou certa perturbação nele.

- E com isso, ganhamos de duzentos e cinqüenta a cem. – dirigiu-se polidamente para os outros membros do time de Harry – Foi um bom jogo, rapazes.

- Estávamos empatados? – Harry perguntou para Justino, que acenou com a cabeça e ergueu os ombros.

Olhou para seus amigos, com seus uniformes sujos e estando suados, olhando um tanto quanto constrangidos pra o chão ou outros lugares, evitando encararem-se uns aos outros. Harry soltou um grunhido baixo, não acreditava que havia perdido para Malfoy pela primeira vez na frente deles.

Com Richard Honeyman envolvendo seus ombros, o que deveria parecer de forma amigável, mas para Harry pareceu meio possessivo, Draco brindou-o com um sorriso zombeteiro e mandou-lhe um beijo pelo ar. Achando que tivera o bastante por um dia, Harry virou-se e chamou os amigos para seguirem ao vestiário.

oOo

Após um silencioso banho, Harry e os companheiros se despediram do outro grupo. Havia um murmúrio sobre o que realmente havia acontecido na disputa do pomo, pra estarem tão entretidos ali e não prestarem atenção ao resto do jogo. O grupo já estava próximo à saída do estádio, onde uma barreira mágica os separava dos trouxas, quando Harry parou.

Seus amigos viraram para trás e ele lhes disse que havia esquecido algo, e que iria voltar. Mandou-os irem sem ele, Justino e Dino acenaram com a cabeça brevemente, entendendo de pronto. Quando se viu sozinho, tirou a velha capa da invisibilidade de seu pai da bolsa. Não servia mais para andar em grupo como fazia em Hogwarts, porque havia crescido demais desde então. Mas ainda servia-lhe perfeitamente.

Esgueirou-se até os vestiários novamente, mantendo-se em um canto quando o grupo saiu de lá, tomando cuidado para não esbarrar em ninguém. Franziu o cenho não vendo nem Malfoy nem Honeyman entre eles. Assim que amaldiçoou sua má sorte quando que houvessem ido embora antes, ouviu as duas vozes conhecidas.

Aproximou-se cuidadosamente do vestiário, onde os dois continuavam. Pareciam começar uma discussão.

- ...não gosto disso. – captou a voz de Honeyman, irritada – Não sei o que aconteceu entre vocês durante o jogo, mas não vou arriscar porque você quer provocá-lo.

- Não venha com ciúmes, Richard. – Malfoy o cortou ácido – Você tinha até achado que seria divertido.

- Não sei, mudei de idéia. – grunhiu, dando de ombros e passando os dedos pelo cabelo negro e curto.

- Não venha com essa! Prometeu que Potter seria meu! – aumentou a voz e pressionou um dedo no peito do outro – Que eu teria minha vingança.

- Porque não o deixa para ele? Aposto que tem tanta vontade de se vingar quanto você, Malfoy, ou até mais. – deu um sorrisinho sarcástico.

- De jeito nenhum, eu cheguei primeiro. – replicou com desprezo – Não darei esse gostinho a ele.

O loiro cruzou os braços e ergueu o queixo, de um jeito arrogante que conhecia muito bem. Honeyman ainda passava a mão pelos cabelos, nervoso e olhando-o como se fosse uma criança teimosa.

Sem dizer mais nada, parecendo não querer argumentar mais, ele se aproximou de Malfoy. Circulou sua cintura com os braços e inclinado o rosto para beijar o pescoço do outro. Harry cerrou o punho naquele instante, ficando perturbado sem perceber. O loiro desviou-se friamente, fazendo-o estreitar os olhos em resposta.

- Não estou a fim. – explicou, com uma sobrancelha clara erguida.

- Fazem semanas, Malfoy. – disse entre dentes, visivelmente frustrado.

- Eu sei, mas você cortou completamente o clima agora. – afastou-se, vestindo sua capa e puxando os fios úmidos para trás.

- O que você quer Draco? Já não lhe dei o bastante?

- Não. – respondeu simplesmente, encarando-o impassível – Eu quero Potter.

E se retirou do vestiário, deixando-o amargando a conversa sozinho. Harry ainda o viu chutar um banco e blasfemar, antes de sair e seguir Malfoy. Sentiu o sangue ferver, cerrando ainda mais o punho enquanto andava a uma boa distância dele, não perdendo a cabeça loira de vista. Então era o que estava planejando, ter sua vingança?

Vingança pelo quê? Por seu pai estar preso, por Harry derrotar Voldemort, por fazer a família Malfoy falir? Por nunca ter aceitado sua amizade?

Harry sacudiu a cabeça, imaginando porque de repente pensou naquele fato ocorrido dez anos atrás, que deveria estar enterrado no passado. Remoeu as palavras frias de Malfoy durante todo o caminho, percebendo apenas depois de um tempo considerável que o outro não havia desaparatado. Podia tê-lo feito assim que saiu dos domínios mágicos do estádio dos Pride of Portee.

Ao invés disso, ele seguia caminhando pelas ruas mal iluminadas na noite. Harry decidiu se aproximar um pouco mais, para evitar ser despistado. Ali tinha coisa. Por acaso ia para outro lugar, um encontro secreto que não podia ser arriscado pelo rastreamento de uso de magia?

A mente de Harry estava processando a mil, quando viu o loiro virar uma esquina e o seguiu cegamente. Quando alcançou, deu de cara com um rosto pálido muito próximo olhando diretamente para ele com seus olhos cinza. Harry não conteve um grito abafado de susto, como se houvesse visto um fantasma, tropeçando na barra da capa e caindo estrondosamente no chão.

De braços cruzados, Malfoy virou os olhos para cima, num gesto de enfado. Então se inclinou e estendeu a mão, puxando a capa e descobrindo o resto do corpo do moreno.

- Realmente Potter, tem certeza de que ser auror é uma boa escolha de profissão?


Continua...

Outubro/2006