Autora: Senhorita Mizuki
Categoria: Slash
Gênero: Romance
Classificação: R
Personagens: Harry Potter e Draco Malfoy
Avisos: Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Agradecimentos especiais a: sis Mudoh Belial, que permitiu ser alugada duas semanas por esta criatura que vos fala. Merece um altarzinho das betas! XD
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Wicked Game
Por Senhorita Kaho Mizuki
Capítulo 9
Malfoy ignorava a forma com que Harry olhava chocado para ele, ainda caído, continuando a falar e dobrando a bela capa.
- Acredito que há outras profissões que combinem mais com o Garoto de Ouro. Você nunca conseguiria dar um bom espião. – estalou a língua.
O rapaz ao chão recuperou-se, encarando o loiro furiosamente. Ergueu-se de súbito e arrancou a capa das suas mãos e apontou a varinha em sua direção.
- Diferente de você, não é Malfoy? – rosnou.
- Bem, eu acredito que é um dom com o qual um legítimo sonserino nasce. – concordou, erguendo uma sobrancelha clara.
E voltou a cruzar os braços, como se esperasse alguma coisa de Harry. Este franziu o cenho, apertando os dedos em sua varinha, estranhando o fato do outro não ter ainda puxado e apontado a sua, para um duelo, como seria apropriado numa situação daquelas. Mas ainda assim não baixou sua guarda, Malfoy olhou vagamente para sua varinha.
- Estava imaginando quanto tempo eu teria de andar por aí até você aparecer. – resmungou.
- O que...? Então sabia o tempo todo que o seguia?
- Porque, eu não deveria? – foi a vez de Malfoy franzir o cenho.
Harry estava começando a se irritar com aquilo. Depois da conversa que ouvira com Honeyman, ele o fizera segui-lo até aquele beco desconhecido e ainda vinha com aquele papo confuso? O que a maldita doninha estava aprontando agora?
- Isso é alguma brincadeira? – disse em um tom baixo e ameaçador.
- Não, não é. – o loiro respondeu sério – Potter, ser traído pela sardentinha por acaso fundiu seu cérebro?
Aquele comentário deu um clique na cabeça de Harry, fazendo-o avançar em cima do loiro sem pensar, prensando-o contra a parede com um braço contra seu pescoço e a varinha contra a bochecha rosada. Malfoy tossiu, sentindo sufocar, mas não foi o suficiente para reprimir um sorriso de canto.
- Eu acho que acertei na mosca, não foi? – mesmo sufocando seu sarcasmo estava intacto.
- Cala a boca, Malfoy!
- Oh, Potty. Me faça calar. – ronronou.
Soltou-o de imediato e deu-lhe um safanão, fazendo-o bater as costas em um muro sujo. Malfoy gemeu e cerrou os olhos momentaneamente de dor. Lançou um olhar aborrecido ao outro.
- Qual o seu problema, Potter? Não é isso que vim fazer aqui, então pare com essa palhaçada. – disse com voz arrastada, enquanto ajeitava os fios loiros e o olhava de cima a baixo – Ao menos por enquanto, sim?
- Não sei diabos está falando, Malfoy. – Harry disfarçou, se empertigando e ficando embaraçado.
- Vou fingir que acredito. Então, que notícias tem de Shackelbolt?
Olhou em expectativa para Potter, que havia baixado apenas um pouco a varinha e o encarava ainda mais confuso que antes. Draco estranhou a atitude do ex-grifinório, aliás, estranhava-a desde o começo daquele pequeno "interlúdio". Permaneceram se encarando assim até a boca do loiro formar um "oh", entendendo o que acontecia.
- Ele não te disse. – concluiu.
- Quem?
- Kingsley Shackelbolt, sobre sua missão. Sobre mim. – disse pausadamente, como se lidasse com uma criancinha – Eu sou seu espião, Potter. Seu informante.
- Sim, você é um espião. Dos Comensais. – voltou a apontar-lhe a varinha, mais nervoso ainda.
Aquela era a idéia que Shackelbolt fazia de uma piada? – pensou Draco, suspirando. Sabia que iria ser difícil, conhecendo a cabeça dura de Harry Potter.
- Não, da Ordem. Esqueceu toda a guerra ou esteve entretido demais com as horcruxes?
- Certo. – Potter soltou uma risadinha descrente.
- É fácil confirmar, pergunte a Shackelbolt. – ergueu o queixo pontudo, como se tivesse ainda quinze anos e desafiasse seu maior inimigo de escola.
O ex-grifinório se limitou a encará-lo, estreitando os olhos, como se pensasse que fosse uma armadilha. Então sua expressão passou para uma concentrada, parecendo considerar o que ouvira. No minuto seguinte guardava a varinha no bolso traseiro e a capa no bolso do robe. Avançou novamente sobre Draco, agarrando as frentes do robe do loiro.
Draco cerrou os olhos em reflexo, achando que ia levar uma surra.
- Boa idéia. – disse Potter.
- O q...?
Foi tudo que pode falar no momento em que abriu os olhos. Então sentiu como se fosse sugado, uma sensação muito familiar a que tinha quando aparatava com Severus, quando não tinha idade para desaparatar.
Quando a sensação passou, viu-se em um lugar completamente diferente. Estavam à frente de um sobrado, na soleira da porta. A rua estava completamente quieta e na penumbra, com exceção dos postes acesos ao longo dela. Potter largou-o com violência, fazendo-o se desequilibrar, para bater a porta. Batia nela com força, fazendo um barulho desnecessário. Draco revirou os olhos para cima.
- Onde estamos?
- Na casa de Kingsley. – respondeu simplesmente.
O loiro sobressaltou-se, mas não com as batidas. Apressou-se a agarrar o braço do outro, impedindo-o de socar a porta mais uma vez.
- Potter, eu não faria isso... – alertou-o com voz baixa.
- Porque não? Não me desafiou a perguntar a ele? Pois então. – vociferou, se soltando.
- Porque não creio ser uma idéia muito boa acordá-lo. Faz idéia de que horas são? – apontou freneticamente para seu relógio de pulso, sussurrando.
- Oh. – a mão de Potter congelou no ar, olhando alarmado para o loiro.
Então o estalo da tranca e o rangido da porta se abrindo fez ambos se sobressaltarem e olharem naquela direção. Shackelbolt os atendia com uma cara de que poderia assassiná-los naquele momento. Harry podia jurar que era a mesma cara a qual muitos Comensais enfrentavam quando se viam frente a frente do alto auror.
O olhar de Draco percorreu instintivamente o torso do homem, nu. Ergueu uma sobrancelha conferindo o peito e o abdômen bem definidos, parando no cós do parecia ser uma calça de pijama, que deixava pouco a imaginação. Percebendo o olhar assassino cravado agora em si, Draco pigarreou e desviou o olhar, se endireitando.
- Não olhe para mim, ele me trouxe a força. – apontou para o ex-grifinório.
- A que devo a honra dessa visita? – esgueirou os olhos negros para a figura de Harry.
O rapaz não deixou se intimidar, recuperando-se, e pediu para entrar porque havia coisas a perguntar. O auror com relutância abriu mais a porta e se afastou para o lado, dando espaço para os dois rapazes passarem, olhou para os lados da rua, antes de fechá-la.
Draco ainda comentou algo sobre sua boa forma, na esperança de amenizar seu humor, mas recebeu um olhar aborrecido do sonolento Kingsley. Sentaram-se em um sofá de dois lugares e com um toque de varinha o auror fez aparecer uma garrafa e três copos, servindo a bebida para cada um. O loiro olhou para a bebida e comentou em um tom inocente:
- Posso pedir um café?
Kingsley bufou e com outro manejo de varinha, transformou o copo na mão de Draco em uma gigantesca xícara, contendo o líquido fumegante, que o ex-sonserino assoprou e bebericou feliz da vida.
- Vamos ao que os traz aqui. – resmungou, e então encarou Harry – Não lembro de ter mandado trazer ele e nem vir a minha casa.
- Não lembro de ter me dito quem era nosso espião. – replicou teimoso.
Draco sentiu a tensão entre o chefe de aurores e o aprendiz de auror, observando alternadamente um e outro do seu canto, através do vapor que saía da sua xícara a qual não tirava de perto dos seus lábios. Só mesmo um idiota grifinório feito Potter para falar daquele jeito com Shackelbolt. Mas então ele era o salvador do mundo bruxo, portanto achava que podia falar daquele jeito até mesmo com o Ministro da Magia, Draco revirou os olhos. . O homem grande suspirou, cruzando os dedos e apoiando os cotovelos nos joelhos.
- Se eu tivesse lhe dito com quem trabalharia, teria aceitado a missão?
- Não. – a resposta foi instantânea.
- Ei, eu não fiquei menos infeliz ao receber a coruja da Ordem com a notícia! – Draco comentou subitamente, se sentindo ofendido.
- Mas ambos irão trabalhar juntos. – Kingsley disse em tom de comando – O evento de fim de ano no castelo de Honeyman nos abriu algumas brechas. Decidi colocá-lo com Malfoy assim que recebi o relatório dele sobre aquela noite.
Ante o ar confuso de Potter, Draco depositou sua xícara, agora pela metade, na mesinha de centro e se recostou no sofá, olhando-o de soslaio, com um sorriso satisfeito nos lábios.
- Coloquei algumas idéias na cabeça de Richard, por exemplo, como seria uma vantagem trazê-lo mais para perto. Nesses tempos, não há Comensal que não queira pôr as mãos no salvador do mundo bruxo.
- Então está querendo dizer que aquele papo de vingança que ouvi no vestiário era apenas fachada? – o ex-grifinório perguntou em tom descrente.
- Eu me vingarei ainda, Potter. Um dia, do meu jeito. – um sorriso de escaninho surgiu no canto dos lábios finos – Mas não agora e não dessa forma.
- Oh, eu aposto que sim. – replicou, em tom ácido.
Um alto e irritado pigarro os fez desconectarem seus intensos olhares de desafio um do outro.
- Desculpe interromper o flerte, – o auror ergueu uma sobrancelha negra, vendo Harry se remexer no sofá a menção de "flerte" – mas creio que podemos considerar tudo esclarecido, certo? Malfoy o manterá informado sobre tudo.
- Hei! Como assim esclarecido? Eu nem ao menos disse se concordava ou não com esse arranjo! – Harry cerrou os punhos apoiados nos joelhos, sentindo-se rejeitado – Como pode esperar que eu trabalhe com... ele?
- Desculpe Sr. Potter – Kingsley começou com seu tom de autoridade – Mas um auror aceita seu trabalho sob qualquer circunstância.
- Como saber se Malfoy não é um deles? – vociferou e apontou para o loiro, não importando com o fato de ele estar ouvindo tudo e tomando seu café com uma expressão calma – Pode resolver de uma hora para outra se juntar aos Comensais, nunca confie em um Malfoy!
- Eu não confio, Harry. Mas esse Malfoy em questão tem tantos problemas envolvidos que não seria estúpido de me trair, eu faria questão de segui-lo até os confins do mundo e fazê-lo pagar lentamente. – disse com uma expressão sombria.
- Não duvido nem um pouquinho... – disse Malfoy de seu canto, com uma nota de divertimento.
- É bom mesmo. – Harry olhou o outro rapaz de esguelha.
- Espero que lembre disso quando for aceitar suas próximas missões, Harry. – Kingsley disse com um tom que dava por encerrado o assunto.
Então virou para Malfoy com um ar de quem sempre tivera algum negócio com ele, o que, àquela altura, Harry não duvidava mais.
- E como está nosso rapaz, Malfoy?
- Ele começou a não gostar da idéia, mas lembrá-lo de quem é nosso mentor deve tê-lo feito mudar de opinião. – disse, retornando a sua xícara e tomando o resto do café.
- Que idéia? Quem? – Harry questionou, ficando mais irritado sendo deixado de lado em tantas informações.
- Oh, você irá saber. – o loiro respondeu com ar de riso, depositando sua xícara vazia de volta na mesinha.
- Irá saber com o tempo, nem mesmo Malfoy possui todas as informações. Ainda está tentando ganhar a confiança de Honeyman. – Kingsley se limitou a responder.
- Bem, a conversa está realmente interessante, mas tenho de ir. – Malfoy levantou-se de súbito, passando os dedos pelos fios aloirados.
Apesar do ar impecável, ele parecia estar com alguma pressa, olhando disfarçadamente seu relógio. Kingsley os acompanhou a porta e encarou duramente o ex-grifinório, fazendo-o sentir aquele arrepio de medo que às vezes acontecia estando sob as ordens do auror.
- Me lembre de descontar pontos de seu treinamento da próxima vez que aparecer em minha casa tão tarde e não se tratar de uma emergência. – alertou Harry.
- Mas essa era uma emer... – seu argumento foi cortado, recebendo uma porta fechada na cara. Virou-se para o ex-sonserino, com vários desaforos na ponta da sua língua.
- Até mais, Potter. – disse a voz arrastada, rapidamente.
Foi o que deu tempo de ouvir, antes de vê-lo desaparatar.
Harry desceu as escadas da entrada amaldiçoando seus antepassados. De todas as pessoas, ele havia de ficar preso em uma missão com Malfoy! Ignorou solenemente a fisgada em seu baixo ventre, que discordava ligeiramente da sua revolta, e desaparatou.
Capítulo 10
Draco também não gostara nada de ter de trabalhar com Harry Potter naquela missão, ainda que achasse cada vez mais fascinante saber que poderia provocá-lo de maneiras mais divertidas. Mas tinha de admitir que aquilo lhe trouxera certos avanços com Richard. Era a primeira vez em meses que ele o guiava para o ninho dos Comensais, onde o mentor dele estava escondido, esperando e planejando o momento de atacar a comunidade bruxa.
Richard o levara até uma floresta na Escócia, junto com mais três ex-comensais como eles. Estiveram andando por boas duas horas pela mata fechada, escondidos da luz pelas copas das árvores altas. Tinham suas varinhas em punho, mas nenhum deles se atrevia a usar magia, não até que fosse estritamente necessário. Usavam pesadas capas negras cobrindo seus cabelos e parte de seus rostos. Como imaginara, o lugar era protegido por um fiel. Mas este não fora revelado a Draco.
O que o deixava bastante irritado, considerando o quanto tivera de fazer e abrir mão, o quanto tivera de se envolver com alguém como Richard, apenas para chegar onde estava. O maldito havia permitido e conseguido que se envolvesse nos planos apenas superficialmente. Mas Draco era um sonserino, ele sabia esperar sua oportunidade e agarrá-la em tempo.
Logo puderam divisar a entrada de uma caverna, que ao loiro pareceu estreita. Foram recepcionados por um jovem da idade deles, que Malfoy reconheceu imediatamente e gelou. O rapaz olhou aborrecido para ele, esperando com uma tocha que entrasse na sua frente, reconheceu como Theodore Nott. Estava mais magro que nunca, a capa ridiculamente dançando em seu corpo fino, sua face abatida demonstrava que provavelmente era obrigado a fazer muito trabalho e dormia pouco.
Lembrava de que era um garoto solitário e sorumbático da Sonserina, que preferia ficar em seu canto a participar de uma gangue como a de Draco Malfoy. Sua maior convivência com ele viera na época da guerra, sendo um dos filhos de Comensais obrigados por seus pais a lutarem ao lado do Lorde das Trevas. Apenas um soldado a mais que muitas vezes era deixado de lado e feito de mula de carga. Pela sua aparência e mau humor, não deveria ter mudado muito.
Tinha a impressão de que Nott ficaria furioso ao vê-lo, sabendo que escapara de uma situação que em primeira instância nem desejara ser posto. Puxou seu capuz mais para frente, cobrindo seu rosto pontudo até os lábios. Nott franziu o cenho, observando-o intrigado passar por ele. Atravessaram passagens apertadas até alcançarem uma galeria, onde mais Comensais os esperavam – entre eles reconheceu o próprio pai de Nott.
Alguns deles haviam sido presos na batalha do Ministério, aquela que envolvia a Profecia de Harry Potter e o lorde. Com os dementadores ao lado dos Comensais, outra fuga em massa de Azkaban ocorrera na guerra. Nem todos foram soltos pelos colegas, como seu pai, considerado traidor. Para ser sincero, Draco não se sentia a vontade diante de tantos rostos familiares, sentindo-se de volta ao covil das cobras.
Passaram os mantimentos para um homem atarracado, que olhou desconfiado para Draco. Quando pediu que este mostrasse seu rosto, Richard se interpôs, exigindo ver seu mentor naquele instante.
Relutante, o homem os conduziu até onde ele se encontrava, sentado displicente sobre uma poltrona velha adornada de prata e pedraria de jade, os braços formando serpentes. O loiro estreitou os olhos cinza por debaixo do capuz. Estava sem sua barba característica, mas estava tão acabado como quando o encontrara anos atrás pela primeira vez, junto a sua tia Bellatrix: Rodolphus Lestrange.
Não tinha lembranças boas daquele homem, e acreditava que até mesmo o Comensal não gostaria nem um pouco de saber quem estava debaixo daquela capa. Teve de se segurar para não dar uma risada debochada ao ver Richard e mais os três que viera com eles se curvarem em reverência. Draco se recusou a imitá-los, recebendo um olhar penetrante de Lestrange.
Quando Richard abriu a boca, o homem ergueu a mão, interrompendo-o. Com um sinal, fez dois homens agarrarem Draco e arrancarem seu capuz, mal lhe deram tempo de se debater. Ao ver a face pálida e fios prateados bagunçados ao redor dela, a expressão de Lestrange passou da surpresa a uma enfurecida. Dirigiu-se a Richard como se fosse atacá-lo.
- Honeyman, o que significa isso? Você me diz que possui um trunfo para me oferecer, e me vem com... isso? – disse com desprezo, apontando para o loiro.
- Eu posso explicar, senhor. – o outro começou, um tanto abalado.
- Espero que possa! – vociferou – Porque não há justificativas em trazer na minha frente um traidor, filho de um traidor!
- Meu pai não era um traidor! – Draco rosnou, tentando se desvencilhar dos dois Comensais.
- Tem razão, ele era também um fracassado! – soltou uma risada sarcástica – Devo lembrar que é tão fracassado quanto seu pai, Malfoy?
O homem se levantou com a varinha erguida, aproximou-se em passadas largas, segurando com firmeza o queixo pontudo de Draco, com força suficiente para deixar marcas. A ponta da varinha tocou o lado do pescoço longo, e aproximou seu rosto até tocar o nariz dele com o seu. O loiro sentiu um cheiro forte de tabaco e se viu na mira de olhos penetrantes.
- Eu estava mesmo pensando em fazer uma visitinha a sua mãe e a você, Malfoy. – sussurrou ameaçador.
- Não estou do lado que pensa que estou...
- Oh, mesmo? Não me engana, Malfoy. Você vem da mesma farinha que Snape, covardes e traidores!
- Nós apenas acreditamos que é mais útil um Comensal livre, que um preso, fugitivo ou morto. – replicou ácido, com uma coragem que surpreendeu a si mesmo.
- Senhor Lestrange, posso garantir que ele está comigo já faz alguns meses e não há...
- Você é outro imprestável, Honeyman! – afastou-se de Draco e virou-se para o jovem postado a poucos passos deles.
- Deve entender que não posso passar por cima de todos, isso leva algum tempo. – Richard argumentou, ficando nervoso.
- Mas temos algo que pode animá-lo. – interrompeu Draco, fazendo Lestrange olhar para ele novamente, surpreso com sua audácia – Podemos ter Harry Potter. – disse, conseguindo toda a atenção do lugar – Eu sei que está louco para pôr as mãos no maldito que matou minha tia. – concluiu com um sorriso, percebendo o olho do homem tremer a menção da esposa.
- O que você quer, Malfoy? – disse com voz rouca, depois de alguns segundos de silêncio.
Draco fez sinal para que o soltasse antes, e com uma ordem de Lestrange, libertou-se dos braços dos Comensais.
- O mesmo que você, vingança. Potter colocou meu pai na prisão, e se ele ainda está apodrecendo lá, deixado pelo seu lorde, foi por culpa daquele mestiço. – fez questão de manter seu tom de desprezo – E talvez parte da sua fortuna, que deveria ser de minha mãe se Black não tivesse feito um testamento.
- Agora fala como seu pai. – o homem soltou uma risada debochada – E como pretende conseguir isso?
- Temos nossos métodos, senhor. – Draco deu um sorriso de escaninho, ignorando o desconforto e o olhar um tanto irritado que Richard lançou a ele.
- Muito bem. – disse em tom conclusivo.
Então voltou a sua poltrona e chamou Richard, este se curvou até que Lestrange pudesse lhe confidenciar ao ouvido. O tom era muito baixo, mas Draco conseguiu pegar as últimas palavras, ditas em um tom mais alto.
- E não o traga mais aqui. Não até provar sua verdadeira lealdade e cumprir o que promete.
- Sim, senhor.
Com uma reverência, Richard se afastou. Draco e os outros o acompanharam até a floresta. Percebeu o olhar enfurecido que Nott lhe lançou ao passar por ele, mas fingiu ignorá-lo. Depois de dez minutos caminhando de volta na mata, Richard prensou Draco contra uma árvore – possuía uma expressão muito consternada.
- Porque me convenceu a trazê-lo aqui? Não confia em mim? Já não lhe disse mil vezes que Lestrange nunca o aceitaria? – suspirou como se segurasse um grande peso – Porque acatei seu pedido, hein? – perguntou a si mesmo, esfregando a testa.
- Pelo simples fato que não consegue ficar sem isso, Richard. – disse, trazendo o rosto do outro junto ao seu, beijando-o.
A primeira reação de Richard foi de choque, então, quando começou a corresponder, Draco encerrou o contato de súbito. Lançou-lhe um sorriso de canto, antes de continuar a caminhar pela mata, fazendo-o segui-lo, parecendo dar uma trégua.
Aquilo lhe deu algumas horas para pensar. Que Richard não lhe daria mais brechas por medo de Lestrange era fato. Agora ele devia contatar Potter e tentar descobrir uma maneira de convencê-lo de que podia trazê-lo ao cerco dos Comensais.
Continua...
Fevereiro/2007
