Título: Wicked Game
Autora: Senhorita Mizuki
Categoria: Slash
Gênero: Romance
Classificação: Lemon
Personagens: Harry Potter e Draco Malfoy
Avisos: Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Agradecimentos especiais a: sis Mudoh Belial, que permitiu ser alugada duas semanas por esta criatura que vos fala. Merece um altarzinho das betas! XD
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Wicked Game
Por Senhorita Kaho Mizuki
Capítulo 11
Harry passara a semana ficando distraído, irritado com o fato de Malfoy não tê-lo contatado por dias. Não que ele estivesse sentindo falta da doninha, mas como a missão andaria com aquela espera? Era muita ingenuidade de Kingsley achar que os dois trabalhariam tranquilamente. Esquecera que era de senso comum que grifinórios não trabalhavam bem com sonserinos, e vice-versa.
Hermione percebia que seu amigo não andava fazendo os relatórios de forma correta, que sua cabeça estava fora daquele escritório. No fim da tarde do quinto dia, a garota sugeriu que encerrassem o serviço, o que foi alegremente acatado pelos outros dois colegas. Harry os acompanhou até o elevador do Ministério, taciturno.
- Ah, que ótimo. – Dean sussurrou sarcástico.
O comentário fez Harry erguer a cabeça e ver um par de pessoas entrarem no elevador, conversando animadas. Estreitou os olhos por trás dos óculos, reconhecendo Malfoy, vestindo o que parecia ser um traje muito parecido com o que seu pai costumava usar. O loiro discutia alguma banalidade com um juiz que Harry conhecia apenas de vista.
O homem que aparentava mais de cinqüenta anos cumprimentou-o e os seus amigos polidamente. Foi nesse momento em que seu olhar e o de Malfoy se encontraram, ficando presos por segundos, até o loiro dar seu sorriso de escárnio e acariciar distraidamente a bengala de cabeça de serpente que segurava, insinuando um movimento que fez o moreno corar de imediato.
Parou quando o juiz voltou a se virar para ele, continuando a conversa que mantinham. Harry sentiu uma fisgada desconfortável a ver Malfoy falar com o homem com voz tão aveludada, enquanto este parecia um tanto quanto inclinado demais para o lado do loiro. Mal percebeu que Hermione já havia saído com Justin e Dean do elevador e o chamava. Lançou ainda um último olhar aos dois quando saiu, vendo Malfoy lançar um de esguelha em resposta.
Harry franziu o cenho, mas então a porta do elevador fechou para continuar subindo. Hermione voltou a chamá-lo e ele finalmente se virou. Rapidamente inventou uma desculpa qualquer sobre ter esquecido algo no escritório e pediu para que fossem embora sem ele. A garota olhou desconfiada, mas nada disse, acenando com a cabeça.
Apertou o botão do elevador com certa insistência, levando um choque do mesmo, que parecia ter se irritado com o abuso. Harry olhava feio para ele enquanto finalmente a porta abria. Adentrou rapidamente e ficou olhando os botões com números, sem lembrar que andar o juiz havia apertado naquela hora.
Então um pigarro o fez se sobressaltar e virar, para encontrar Malfoy em um canto, observando-o com uma expressão divertida. Passando e parando muito perto de Harry, o loiro apertou um andar e lhe disse próximo a seu ouvido:
- Me pague um café, Potter.
Um arrepio percorreu a espinha de Harry e ele afastou-se um passo instintivamente, irritado com o olhar debochado do outro.
- Está maluco, Malfoy? Se nos virem juntos?
- Se aparecer alguém conhecido, apenas finja que somos amantes! – disse e piscou de forma inocente.
- O que? Malfoy! – guinchou.
- Estou brincando, - ergueu as mãos – ou não, nesse caso. – sorriu – Então me leve a algum lugar trouxa, não creio que teremos problemas lá.
E saiu do elevador assim que abriu as portas, sem dar direito de resposta a Harry, esperando obviamente que o seguisse. E foi o que ele fez, mantendo uma distância segura até ambos estarem fora do Ministério. Enfeitiçaram suas vestes bruxas em roupas cotidianas trouxas.
- Tem certeza que quer entrar em uma loja trouxa, Malfoy? – olhou desconfiado para o outro – Achei que tivesse aversão a eles.
- Eu gosto do café deles. Aqueles feitos naquelas tranqueiras ligadas na parede... – começou a explicar fazendo gestos atrapalhados, tentando descrever.
- São cafeteiras, máquinas. Deveriam ter colocado você em Estudo dos Trouxas no sétimo ano como punição. – disse a última frase num murmúrio.
Harry desaparatou ambos até onde achou estarem fora de olhares bruxos. Malfoy fez cara feia para a lojinha simples, mas nada disse. Apenas falaram quando ambos estavam acomodados com seus respectivos pedidos – Malfoy com uma outra xícara grande de café, como Harry notou, na qual ele não cessava de depositar açúcar.
- Alguém aqui não vai dormir essa noite. – comentou, tomando seu chá.
- Eu tenho coisas melhores para fazer de noite, mesmo. – respondeu, despejando o último saquinho de açúcar – Espero que esteja ansioso pelas novidades que trago.
- Espere um pouco, Malfoy. Primeiro me diga como se meteu nisso, e com a Ordem.
- E porque eu preciso fazer isso?
- Porque não é um segredo que não confio e nunca confiei em você, Malfoy. Então desembucha. – disse sério.
- É um bom argumento. – ergueu um dedo, tomando um gole calmamente de seu café – E a resposta é bem simples: percebi que não teria vida muito longa ao lado dos Comensais e fiz um acordo com a Ordem. E ajudei bastante Snape como um espião.
- Claro que tinha segundas intenções. – deduziu sarcástico.
- Não nego, me conhece para saber. Mas elas não são da sua conta, Potter.
- Porque se envolver de novo, se já está com sua vida arrumada e salva?
- Estou em débito com a Ordem da Fênix, um grande débito. Não se pode simplesmente trair uma facção como os Comensais e deixar a Ordem como se nada houvesse acontecido, Potty. Não enquanto houver motivos para ela existir.
- Então essa missão...
- Creio que quer saber tudo sobre Richard Honeyman, e como parei nisso. – o interrompeu, girando a xícara em sua mão e parecendo não se abalar muito.
- Se vamos trabalhar nisso juntos, sim.
- Encontrei Richard quando me juntei aos Comensais, mas ele nunca recebeu a marca negra. – começou – Ele possuía muitos contatos por conta do pai influente, era útil para os Comensais e ele havia se interessado com a política do Lorde das Trevas desde Hogwarts. De fato, ele já havia dado em cima de mim na escola, mostrando muito interesse. – nisso ergueu os olhos cinza, para ver Harry se remexer e cruzar os braços, incomodado.
- Achei que estava namorando Pansy na época. – resmungou.
- Se não se lembra, no sexto ano eu estava ocupado demais me preocupando em não ter minha família morta para me ocupar com namoricos. – replicou sombrio – Naquele tempo eu o rejeitei, mas então minha situação depois da guerra ficou ligeiramente complicada, como você e muita gente sabem. – encarou seu reflexo na bebida escura – Então me pareceu uma boa idéia... – deixou no ar.
Harry, que naquele momento tomava seu chá, engasgou, cuspindo parte da bebida. Malfoy ergueu sua xícara da mesa e se afastou, olhando com certo nojo.
- Está dizendo que se envolveu com Honeyman para devolver sua família ao status que ela tinha? – perguntou chocado, limpando o queixo e olhando embaraçado para os lados.
- Não é como se fosse algo muito repulsivo, ele é até bom de cama. – deu de ombros.
- Sabe, Malfoy, eu acho que posso ficar sem os detalhes. – disse com voz ligeiramente esganiçada, cobrindo os olhos com uma mão.
Malfoy soltou uma risada e pareceu impelido a falar mais, mas desistiu, mordiscando o lábio inferior.
- Soube que Richard voltou a ter contatos com alguns ex-Comensais e desde então venho tentando me envolver nos seus planos. Mas ele abre sua guarda muito pouco, preciso usar de artifícios que não gosto nem um pouco para conseguir pequenas coisas. Então não use sua tendência a se precipitar e estragar tudo, sim? – alertou-o.
- Imagino que artifícios, – murmurou, tirando a mão dos olhos – e eu não sou um precipitado. – franziu as sobrancelhas, aborrecido.
- O que quiser acreditar, Potter. – disse em voz arrastada – Mas voltemos ao trabalho. Creio que consegui convencer Lestrange de que poderia armar algo para o Garoto de Ouro. Ou ao menos consegui uma chance, até que confiem em mim.
- Lestrange? – aquele nome atingiu-o como um soco.
- O que foi Potter, está com medo?
- Em seus sonhos, Malfoy. – rosnou.
As lembranças de sua batalha com Bellatrix continuavam frescas na sua memória. Os gritos da mulher, o modo como os olhos insanos viraram para trás, a satisfação que sentira em matá-la e vingar Sirius. Aquela satisfação sinistra que o incomodava até naquele momento.
Rodolphos Lestrange deveria ser dos Comensais o que mais sentiria prazer em tê-lo nas mãos, Harry tinha certeza. Tentou desanuviar a imagem aterrorizante da mulher caindo sem vida ao chão. Sacudiu levemente a cabeça e voltou a encarar Malfoy.
- E como pretende fazê-los acreditar que me tem em seu poder?
- Richard irá convidá-lo a freqüentar sua casa, seus clubes, como se você fosse mais uma das presas nas quais ele estenderá sua influência de poder. Você se mostrará interessado em uma classe a qual nunca participou.
- E isso será o suficiente para eles? – ergueu uma sobrancelha, descrente – Com todo o dinheiro que me foi deixado, eu poderia ter me interessado antes.
- Eu poderia seduzi-lo. – o loiro respondeu, como se fosse uma coisa usual.
- Certo! – disse ainda descrente, mas sentindo seu coração saltar – Fala como se fosse uma coisa muito fácil.
- Não me subestime. Eu já fiz mais vezes do que você pode contar, posso até dizer que sou muito bom nisso.
O ex-grifinório se remexeu de novo e desviou o olhar, sentindo inexplicavelmente uma sensação muito familiar em seu peito, que estivera adormecida por anos.
- Droga Malfoy, você... – abriu a boca duas vezes procurando o que falar – Tem uma noiva, por Merlin! Não se sente nem um pouco culpado?
Malfoy revirou os olhos para cima, nem um pouco interessado de voltar a discutir o assunto.
- Sim, Potter. Mas alguém tem de continuar a descendência dos Malfoy, e essa tarefa sobrou para mim, se não se recorda desse fato. – respondeu com escárnio – E devo lembrar minha vida não lhe interessa, Potter?
- Eu não sou gay, Malfoy. – sussurrou, com medo de que as pessoas ao redor ouvissem – Além do mais, eu tinha uma noiva até semanas atrás.
- Está certo, tinha! E por favor, não é como se a relação de vocês fosse firme. – se divertiu com a cara de espanto de Harry – Você passou a maior parte do tempo lutando com o Lorde das Trevas, teve apenas uma namorada... Como não saber se o salvador do mundo bruxo não possui outros gostos, afinal? Indiferente a eles ambos sabemos que ele não é. – lambeu os lábios, provocante.
Harry sentou reto em seu assento, engolindo em seco, o baque daquele incidente que o afetara por semanas voltando com força. Malfoy era um bastardo de marca maior.
- Então, qual sua resposta? Pode voltar a sua tão preciosa virilidade hétero depois, se quiser. – disse de forma debochada.
- Eu não vou lhe responder isso, Malfoy. – rosnou Harry, vermelho e remexendo nos bolsos em busca de dinheiro para pagar a conta – Primeiro vamos ao seu plano de aceitar os convites de Honeyman. – jogou as moedas na mesa e se levantou.
- Oh, Potty. Você não é nem um pouco divertido. – ronronou Malfoy, imitando-o e seguindo para fora da loja.
Andaram até um beco próximo. Harry lançou-lhe um olhar irritado e Malfoy deu um sorriso de canto e piscou um olho, antes de desaparatarem.
Capítulo 12
Ainda não acreditava que havia aceitado entrar naquela – Harry resmungava consigo mesmo, segurando um copo de firewhisky e observando o salão através dos seus eternos óculos redondos. Nunca imaginou que poderia ser tão entediante participar daquele tipo de coisa. Então era aquilo que bruxos da alta sociedade faziam quando não estavam exercendo sua influência no Ministério, aumentando suas coleções de feitiços e objetos de artes obscuras.
Eles possuíam clubes para festas e encontros sociais, chás da tarde, salões com mesas de jogos bruxo. Suspirou. Onde estava o bom e velho quadribol de fim de semana? Quando voltava com seus amigos todo sujo e quebrado no fim do dia para casa.
- Mais firewhisky, senhor Potter? – um elfo doméstico carregando uma bandeja perguntou polidamente.
Não hesitou em depositar o copo vazio na bandeja e pegar um cheio, murmurando um agradecimento. Com um 'pop', o elfo sumiu da mesma forma que surgiu. Foi quando Harry percebeu Honeyman vir em sua direção, com Malfoy andando a um passo atrás dele, com as mãos nos bolsos.
Harry achou a cena engraçada, como se Malfoy fosse uma espécie de empregado ou capanga, sempre o acompanhando e seguindo atrás. Sabia que aquela impressão irritaria o ex-sonserino se ele soubesse, ainda que o posto de amante não estivesse muito longe daquelas duas definições. Harry apertou os lábios e acenou brevemente com a cabeça, cumprimentando ambos.
Como o ex-corvinal, Malfoy vestia-se impecavelmente, suas vestes surpreendentemente claras dessa vez, iluminando a tez pálida. Os cabelos lisos estavam arrumados, mas soltos. Harry sentiu seus dedos coçarem e pôs sua mão no bolso enquanto segurava o copo ainda cheio na outra. O loiro limitou-se a erguer uma sobrancelha clara, com um ar de desprezo constante no rosto pontudo. Honeyman abriu um grande sorriso e saudou-o entusiasticamente.
- Vejo que veio sozinho, não trouxe um de seus amigos? – comentou, olhando para os lados.
- Não. Eles tinham outros compromissos essa noite. – respondeu, notando certo tom de censura.
- Oh, é uma pena. – comentou, com uma voz que não denotava sequer um pouco do que dizia – Mas estou muito satisfeito por ter aceitado meu convite. Nós estávamos perdendo todos esses anos sem Harry Potter conosco.
Harry teve de segurar o ímpeto de rodar os olhos para cima ao ouvir tal bajulação. Detrás do rapaz, viu Malfoy cobrir discretamente a boca, provavelmente para ocultar um riso.
- Venha, tem algo que quero lhe mostrar. – Honeyman falou animado, fazendo um gesto para que o acompanhasse.
Passaram por mesas de jogo, carteado e fichas mágicas estavam sobre as mesas, ocupando de homens de todas as idades que riam e falavam alto. A fumaça dos charutos os envolvia e fazia Harry se sentir um pouco zonzo. Em todo o lugar não se via uma presença feminina – soubera que nas tardes aquele salão era lotado de madames tomando chá e comendo bolinhos.
Alcançaram uma mesa diferente, onde havia uma roleta e na mesa havia números de aposta e fichas. Tendo vivido sua infância com os Dursley, reconhecia apenas pelos filmes de James Bond, que seu tio Válter era fã.
- Não é magnífico? Meu pai trouxe de um... Como os trouxas chamam? Cassino? – franziu o cenho, esperando que Harry confirmasse – Mas com a diferença de que o jogo foi adaptado a nossa maneira.
Com um aceno de varinha, a roleta girou em uma velocidade absurda, nem ao menos se via ou ouvia a bolinha bater. Com outro aceno, a roleta parou de imediato, com a bolinha parada em uma casa de número, como se estivesse ali grudada todo o tempo.
- Eu achava que era mais divertido esperar e ver ansioso onde a bolinha irá parar. – comentou Harry, não tão impressionado quanto Richard gostaria.
- Ora, detalhes. – fez um gesto evasivo – Gostaria de se juntar a nós e fazer as apostas? – sentou-se, indicando um assento para ele.
Harry olhou apreensivo para todos aqueles rostos dispostos na mesa, todos familiares do infame jogo de cartas que participara na mansão de Honeyman. Apesar de estar ali por uma missão, sentiu que não estava muito a fim de ser derrotado e humilhado mais uma vez.
- Não obrigado. – declinou, continuando em pé – Prefiro observar por enquanto.
- Oh, mas junte-se a nós ao menos uma vez. – insistiu, recebendo outra negativa, então se dirigiu a Malfoy – Você joga, Draco?
- Desculpe, mas terei de declinar também. Não confio ainda em um jogo desses. – respondeu, lançando um olhar indeciso para a roleta.
Enquanto Richard tentava convencer Malfoy, Harry se afastava para um canto, ficando próximo a uma janela. Percebendo sua bebida esquentando na sua mão, levou o copo a boca, mas foi interrompido pela voz arrastada.
- Não é uma boa idéia se embebedar nesse lugar, achei que tivesse aprendido.
Harry estreitou os olhos para a figura do loiro, que se postava do seu lado na mesma bancada da janela. Ignorando o aviso do outro, deu um bom gole da sua bebida, sentindo sua garganta queimar. Malfoy rodou os olhos para cima e pegou uma taça cheia da bandeja de um elfo que passava por eles.
- Não podia nem ao menos vir vestido decentemente? – estalou a língua em reprovação, dando uma olhada nas vestes de Harry, para ilustrar.
- Não há nada de errado com minhas vestes. – grunhiu, olhando para si mesmo. E ele realmente não achava, era seu melhor robe, não importando o fato de que ele tinha uns bons dois anos de uso.
- Oh, por favor, Potter. O que andou fazendo com toda sua fortuna esse tempo todo? Gastando na sardentinha? – debochou.
- Cala a boca, Malfoy! – rosnou, chamando a atenção de alguns presentes. Mas então baixou o tom de voz, embaraçado – Não fale mais de Gina desse jeito na minha frente. – o viu ergueu uma sobrancelha clara com uma expressão divertida – Não tem nada a ver.
- Tem razão, pelo visto ter dinheiro não quer dizer ter classe. – observou ácido.
- Parece saber bem quando o assunto é falta de dinheiro. Tempos difíceis? – alfinetou de volta.
Malfoy ficou vermelho e pareceu bastante aborrecido com o comentário. Harry sempre soube que o ponto para penetrar na pele dele era mencionar família e dinheiro. No entanto o loiro preferiu dar um gole da sua taça. Parando para pensar melhor, contudo, Harry percebeu que não andavam tão intolerantes um com o outro. Em circunstâncias normais depois de ouvir no mínimo três desaforos de Malfoy, perdia a paciência e partia para cima dele.
Talvez tivesse amadurecido e, por mais difícil que parecesse a Harry, Malfoy também. Não poderia saber o que acontecera a ele do sexto ano até aquele momento, aquele período compreendia tempos sombrios a Harry.
Os ataques do loiro pareciam ter mudado de foco, não menos irritantes. Não importando o que o traidor do seu corpo achasse!
Harry desviou a custo os olhos dos dedos longos que seguravam a taça, ficando aborrecido consigo mesmo. Observou os ocupantes da mesa com a roleta, Malfoy o imitou.
- Todos eles são... – começou, deixando no ar.
- Apenas três deles. – respondeu no mesmo tom baixo – Os dois à direita de Richard e o de cabelos castanho-claro na outra ponta. Eu não os conhecia antes, devem ter sido convencidos por ele a se aliarem a causa. Não creio que lembre, mas ele costumava andar por Hogwarts flanqueado pelos três. O resto são filhos de famílias influentes, ele gosta de andar cercado de tipos poderosos.
Então Malfoy estava no meio deles apenas porque Honeyman gostava de mantê-lo por perto, como uma coisa a ser exibida – Harry concluiu, sentindo-se mais e mais incomodado com a relação daqueles dois.
- E o que exatamente eu devo fazer agora?
- Apenas continue conversando comigo, é o suficiente. – o loiro deu de ombros.
- Então tudo que temos a fazer é continuar provocando um ao outro? – remexeu o restinho de bebida que ainda restava em seu copo – Não é tão complicado como imaginei. Quer dizer, eu ainda prefiro socar sua cara debochada, mas não é tão ruim assim.
- Podemos sempre partir para outro nível de interação. – comentou com ar de fingida inocência, então olhando Harry de esguelha e passando o dedo indicador pela borda da taça.
Quando ele levou o mesmo dedo a boca para lambê-lo, Harry teve de se repreender de novo por olhar. Suspirou virando-se de costas para o salão e debruçando-se na janela, observando o jardim do lado de fora, sentindo uma leve brisa bagunçar os seus já desfeitos fios escuros.
- Porque tem sempre de fazer isso? – resmungou.
- Fazer o que?
Harry sobressaltou-se, vendo Malfoy deslizar para mais perto apoiando os cotovelos na bancada, inclinado sua cabeça para encará-lo e fazendo os fios prateados cobrirem parte de sua face. Estavam muito próximos, Harry tinha certeza de que os olhando do salão pareceriam estar confidenciando segredos íntimos. Com embaraço sentiu suas faces corarem. Quis culpar a luz do luar sobre eles, mas lhe pareceu que a expressão do rosto do ex-sonserino havia suavizado suas feições constantemente arrogantes.
- Draco, Potter! – a voz de Richard os interrompeu – Venha jogar, não está sendo tão divertido sem vocês aqui! – reclamou, de maneira petulante.
Ocultos em parte pela janela, Malfoy lançou-lhe um sorriso triunfante antes de se virar, como se dissesse a Harry que haviam conseguido. Observou por alguns segundos ainda com certo choque as costas do loiro enquanto este ia até a mesa. Honeyman fez um assento surgir do seu lado, para que Malfoy sentasse.
Quando Harry voltou à mesma mesa, tomando um lugar quase oposto ao deles, viu de relance um olhar de desafio nos olhos de Richard, que foi mal disfarçado pela expressão calorosa que mostrava.
Não soube por que, mas naquele momento Harry devolveu-lhe o olhar na mesma medida. As fichas estavam apostadas.
Continua...
Fevereiro/2007
