Título: Wicked Game
Autora: Senhorita Mizuki
Categoria: Slash
Gênero: Romance
Classificação: Lemon
Personagens: Harry Potter e Draco Malfoy
Avisos: Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Agradecimentos especiais a: sis Mudoh Belial, que permitiu ser alugada duas semanas por esta criatura que vos fala. Merece um altarzinho das betas! XD
Notinha: ceninha caliente nesse capítulo!
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Wicked Game
Por Senhorita Kaho Mizuki
Capítulo 15
Harry acordou mais uma vez com cabeça bombeando de dor, dessa vez sem Hermione para lhe prover aspirinas. E tinha a ligeira impressão de que estava em falta de poções que poderiam aliviar sua dor de cabeça. Isso porque nem fazia idéia de qual fora a última vez em que repusera mantimentos, poções e remédios na sua casa.
Deslizou para fora da cama e vestiu um roupão velho listrado de cores vermelha e amarela por sobre seu pijama – uma pequena homenagem a sua casa que a Sra Weasley lhe dera de presente em algum natal passado. Lentamente caminhou sobre os chinelos até o banheiro, parando em frente ao espelho, se olhando seu reflexo abatido por longos segundos. Então soltou um muxoxo e bateu a testa na superfície vítrea.
- Oh, droga.
Realmente havia prensado Malfoy e feito aquilo tudo com ele, não? Não existia a mínima possibilidade de ser tudo um sonho muito ruim... Seu corpo sabia e sua cabeça explodindo não o deixava esquecer.
Não podia entender a si mesmo, não podia ser porque Malfoy estivera lhe provocando propositadamente todas aquelas semanas?! Queria apenas lhe intimidar, mas o tiro saíra pela culatra. E porque incomodava tanto com quem o ex-sonserino fazia aquelas coisas ou não? O monstro do seu peito que estivera adormecido desde seu sexto ano parecia querer sair rasgando qualquer um que tocasse o loiro mais intimamente.
Aquela missão estava afetando-o. Os lugares e as pessoas diferentes das que ele se socializava estavam confundindo sua cabeça. Junto com o irritante do Richard desafiando-o a todo o momento e Harry não declinava um desafio, nunca. Era isso, o estresse. E talvez porque andava bebendo um pouco além da conta.
Respirou fundou e lavou o rosto. Fez uma careta ao olhar para o relógio de pêndulo do corredor – havia dormido até uma da tarde. Aquela definitivamente não era uma atitude de um auror, mas então se lembrou de que era domingo e relaxou.
Caminhou para a cozinha, tentando dissipar os pensamentos da noite anterior. Tentou não lembrar de como Malfoy havia gemido docemente em seus braços e se esfregado nele. Harry parou abobado na frente do armário da despensa, acordando subitamente e balançando a cabeça.
Precisava urgentemente da ajuda de Hermione, concluiu, vendo que a única coisa que restara nas prateleiras foram os potes de geléia de amora da Sra Weasley. Havia umas vinte delas – ganhava uma a cada vez que a visitava. Tudo porque um dia elogiara muito a geléia em um café da manhã na A Toca.
E realmente gostava de geléia da amora, mas Harry praticamente não tomava seu café da manhã em casa. Suspirando, escolheu um dos potes e verificou o que havia mais para comer. Havia pó de café e pão duro – decidiu ir de torradas, fatiando os pães e colocando-os numa velha torradeira. Sonolento, tentava a custo abrir o pote do doce com as mãos, quando a campainha horrível da casa dos Black soou.
Ao menos já havia se livrado do quadro da mãe de Sirius. Pensou, largando o pote na mesa e indo atender a porta ainda de pijamas.
Gelou ao abrir a porta e encontrar Malfoy recostado confortavelmente à soleira, usando vestes brancas e óculos escuros que ocultavam parte de seu rosto, o qual lembrou Harry de uma daquelas estrelas de Hollywood. Piscou e esfregou os olhos, entortando seus óculos redondos. Devia estar sonhando ainda ou tendo uma espécie de alucinação pela falta de comida decente.
Mas, mesmo assim, a figura de Malfoy continuava ali na sua frente. O loiro passou os dedos longos pelos cabelos lisos para tirar alguns flocos de neve e retirou os óculos, olhando-o com a expressão arrogante de sempre. Antes de falar, lhe entregou um exemplar da edição do dia do Profeta Diário.
- Apesar de negar tanto, você parece adorar publicidade Potter. Se não, não apareceria tanto nela. – disse com sua voz arrastada, erguendo uma sobrancelha.
Franziu o cenho e pegou o jornal, arregalando os olhos verdes ao bater eles numa foto constrangedora envolvendo ambos. Maldito Creevey, silvou mentalmente. Suas faces coraram, e não era por causa do frio da rua. Desejava muito que não tivesse seguido os dois até aquele jardim, ou, por experiência própria, receberia uma correspondência anônima, não tão anônima assim, com fotos ainda mais constrangedoras que aquela.
Dobrou o jornal, esfregando a têmpora. E ali estava a causa de todos os seus problemas no momento. Lançou um olhar raivoso.
- O que faz aqui, Malfoy? – guinchou quando recuperou sua voz a custo.
- Fazendo uma visita, já que, segundo o artigo, temos uma suposta amizade. – disse, olhando para dentro – Eu não continuaria nessa casa, sabendo que Lestrange está solto. – empurrou Harry para o lado e entrou sem ser convidado, tirando as luvas.
Harry olhou para a rua coberta de neve, de um lado e para o outro, antes de fechar a porta com estrépito. Malfoy sobressaltou-se com o barulho e olhou-o com censura, o moreno ignorou-o e voltou para a cozinha, para seu "café da manhã" interrompido.
- Não creio que você esteja aqui para me dar lição de segurança. – resmungou.
- Eu tenho algumas novidades com relação a Richard. – disse Malfoy, seguindo-o e passando os olhos clínicos pelo estado das paredes – Estamos perto do nosso objetivo agora. Richard veio até minha mansão esta manhã...
- Mesmo? – murmurou irritado.
- Não podemos chegar ao esconderijo exato dos Comensais por causa do feitiço fiel. Sugeri a ele que o trouxéssemos para perto, para que Lestrange e seus homens estivessem ao alcance para pegá-lo. Talvez convidá-lo para perseguir dragões negros, já que você parece gostar bastante dessa atividade.
Não soube o porquê, mas Harry sentiu suas faces quentes com o comentário. Na cozinha, decidiu se ocupar com o pote de geléia, como uma desculpa para não olhar para Malfoy. O loiro não parecia nem um pouco perturbado com o que fizera no dia anterior, como ele mesmo ficara. Talvez estivesse querendo fingir que nada tivesse acontecido, um delírio de bêbado. Poderia fingir que acordara não lembrando do que fizera, era simples, não era? Trincou os dentes e apertou mais a tampa do pote, tentando inutilmente girá-la.
- Não poderia mandar uma mensagem? Por coruja, chamada na chaminé, telefone, eu sei lá. – resmungou, esfregando a mão dolorida no roupão e tentando abrir com a outra – Precisava vir até aqui? – ganiu, fazendo uma força sobre-humana para abrir um simples pote de geléia.
- Oh, por favor, Potter. – bufou impaciente – regrediu novamente ao estado de trouxa? – e com isso puxou a varinha e murmurou um feitiço, abrindo sem dificuldades a tampa.
Encarou o loiro a sua frente, considerando se dizia ou não "obrigado" ao maldito que sorria debochado. Decidiu sentar a mesa e dedicar-se a cobrir suas torradas com camadas generosas de geléia.
- Não devia estar reportando isso a Kingsley?
- Eu farei, assim que você receber o convite de Richard. – respondeu indiferente, recostando-se a mesa.
Permaneceram assim em silêncio enquanto Harry lotava de geléia as torradas que provavelmente não comeria, não sabendo como ocupar suas mãos. Oh mãos. As de Draco estavam apoiadas no tampo de madeira da mesa, longas, de dedos finos, pálidas e quase transparentes, podendo-se ver veias azuladas.
Esperou que o outro dissesse alguma coisa, mas ele continuava quieto, olhando para sua nuca e lhe dando arrepios. Largou a faca melada e ergueu-se para encarar o loiro, seus narizes a um palmo de distância.
- Malfoy, o que está fazendo aqui? – demandou mais uma vez.
- Estou esperando. – piscou inocente.
- O que? – franziu o cenho, mas sentindo que de alguma forma tinha a ver com...
- Você admitir que eu seja melhor que a sardentinha, que não resiste a mim e que apesar do que a sua pequena mente imagina... Você é gay, Potter.
Harry olhou-o chocado, abrindo e fechando a boca como um peixe, sem conseguir falar. Era ingenuidade demais achar que Malfoy deixaria aquilo barato. Parte da sua consciência clamava por sangue, outra lhe mandava ir fundo...
- Eu não sou! – foi tudo que conseguiu falar.
- Oh, nenhum hétero convicto me tocaria daquela forma. – estalou a língua em reprovação, e Harry descobriu que realmente odiava aquilo – Sugiro rever seus conceitos. Talvez seja por isso que a sardentinha não estava lhe satisfazendo. – colocou um dedo na boca, fingindo uma expressão pensadora.
- Cala a boca, Malfoy! – rosnou por fim.
- Me faça, Potter. – sussurrou, desviando de forma descarada o olhar para os seus lábios.
Harry sentiu as mesmas sensações da noite anterior voltar com força e nem ao menos estava bêbado. Estava desgraçadamente sóbrio, com dor de cabeça e com fome. O monstro dentro de seu peito rugiu, enquanto seus próprios olhos seguiam para os lábios finos, que se partiram diante da língua que os umedeceu.
Antes que pudesse pensar duas vezes, segurou o queixo pontudo entre seu polegar e indicador. Inclinou-se na direção dele e roçou seus lábios, sentindo o hálito adocicado – poderia ser de alcaçuz. Experimentou sugar o lábio inferior, vendo-o ficar avermelhado. O loiro entreabriu mais a boca, oferecendo-a. E Harry não hesitou em tomá-la, sedento.
Sentiu a mão do outro em sua nuca, enroscando os dedos nos seus cabelos, fazendo-o aprofundar o beijo, correspondendo com igual intensidade. Recordando como havia sido bom abraça-lo, Harry o puxou a seu encontro, esfregando seus quadris e recebendo resposta igual.
Era diferente de segurar Gina, completamente. A garota era pequena e muito macia e embora Malfoy tivesse uma compleição delgada, era um homem sem dúvida. Da sua altura, poucos, mas presentes músculos, o peito plano, quadris estreitos e uma ereção tão dura quanto a dele roçando contra seu baixo ventre.
Irritou-se com as roupas de Malfoy, que eram muitas, além do robe usava dois pesados casacos. Tirou seu roupão e jogou-o displicente, suas mãos ansiosas partindo para as vestes do outro, interrompendo o beijo.
- Não é legal provocar e me deixar na mão, Potter. O que fez ontem não foi legal. – Malfoy ofegou em seu ouvido, enquanto o outro abrira com impaciência a frente das suas vestes, para dar acesso a seu pescoço e ombros.
- Apenas feche a boca. – rosnou contra a pele pálida.
- Eu posso por ela em usos melhores... – respondeu em tom de riso.
Harry apostava e esperava que pudesse, enquanto arrancava as vestes de Malfoy até que lhe sobrasse uma fina camisa. Levou as mãos até ela, mas o loiro segurou seus pulsos impedindo-o. Com um sorriso malicioso ele abaixou-se e postou de joelhos na frente de Harry, que ofegou em expectativa. Sentiu-se no limite apenas quando os dedos longos de Malfoy o envolveram e acariciarem, e achou que seria o suficiente até que a boca substituiu as mãos, fazendo-o se desequilibrar.
O loiro sugou e lambeu, até que Harry empurrasse seu ombro, sentindo que não agüentaria muito tempo. Fez Malfoy se levantar e prensou seus quadris contra a mesa, arrancando a camisa sem cuidado. Logo o resto das roupas de ambos encontrou o mesmo destino: espalhadas no chão da cozinha dos Black. As belas mãos acabaram em cima das torradas, arruinando-as. O ex-sonserino olhou para elas, fazendo uma cara aborrecida por ter se melado. A boca de Harry salivou e sentiu o ímpeto de lambê-la, segurando o pulso firme e colocando cada dedo em sua boca, passando a língua, limpando o doce, saboreando o gosto de geléia de amoras. Sua favorita.
Malfoy observou-o, extasiado, encontrando os olhos verdes escuros por detrás dos óculos. Sem quebrar o contato visual, sentou-se na mesa de madeira, procurando o pote aberto, mergulhando os dedos já limpos, só para que ele voltasse a lambê-los. Voltou a faze-lo, lambuzando agora o peito, fazendo um caminho por onde queria que a boca do outro passeasse. A língua de Harry acompanhou obediente a trilha de geléia, hesitando por um momento antes de deslizar pela extensão da ereção do loiro.
Não sentiu que fosse repugnante tocar outro homem – ao contrário, o corpo de Malfoy lhe parecia muito excitante. Tentou a custo não pensar em como Richard o tocava, experimentando fazer o mesmo que Malfoy havia lhe feito, abocanhando seu membro. Ouviu com prazer o loiro gemer, estremecendo e remexendo os quadris.
Ergueu os olhos, vendo o ex-sonserino quase deitar na mesa, empurrando as coisas dela, fitando-o com uma expressão lânguida. Deslizou a língua pela pele sensível, sentindo o gosto de Malfoy, antes de se erguer e inclinar sobre ele, buscando seus lábios. Viu Malfoy procurar pela sua varinha sem se afastar, apontando ela para suas partes baixas e sussurrando um feitiço que Harry não tinha certeza se já usara alguma vez.
Com espanto, viu o loiro levar a mão até seu baixo ventre não para acariciar sua ereção, mas indo mais embaixo, tocando a entrada. Ofegou ao ver dois dedos longos entrarem e sumirem, indo e vindo, fazendo Malfoy rebolar sutilmente e gemer, indicando que aquilo o excitava muito.
A outra mão alcançou a ereção e Harry sentiu algo gelado e escorregadio cobrir toda a extensão. Afastou uma coxa alva, seus olhos cravados no que Malfoy fazia a si mesmo, enquanto sentia os dedos finos estimulando-o ao limite. Então o loiro parou, apenas para deitar-se por completo na mesa e segurar os joelhos erguidos e afastados, olhando Harry em um pedido mudo.
O ex-grifinório engoliu em seco, apreciando a figura entregue do outro. Não imaginava que pudesse acabar assim, com Malfoy, e debaixo do teto dos Black. Segurou a base da sua ereção, se aproximando das nádegas, tocando entre elas. Em resposta o loiro entreabrir mais as pernas, em encorajamento. Ele parecia tão apertado a Harry... E este estava pronto para penetrá-lo quando um som estridente o fez parar.
Os dois se entreolharam, e, quando o se som repetiu, olharam para a porta. Era a campainha nada discreta, apertada por alguém bastante impaciente. Malfoy bufou e bateu a cabeça na mesa, blasfemando. Continuou deitado enquanto Harry procurava desesperadamente suas roupas.
Procurou na bagunça da cozinha seu pijama, ignorando o olhar feio que Malfoy lhe lançou ao sair do aposento, percebendo no meio do caminho – e tarde demais – que a cueca que usava não era sua.
E para aumentar sua frustração, só bastava mesmo quem batia a sua porta insistentemente: Gina Weasley.
- Feitiço lubrificante: clichê em noventa porcento das fanfics slash em inglês! Uma invenção de fandom muito útil essa...
Capítulo 16
A garota permaneceu na soleira da porta, de braços cruzados. Olhava desconfiada para seu estado enquanto esperava ser convidada para entrar. Harry passou a mão pelos cabelos bagunçados, sentindo-os úmidos de suor e sorriu sem jeito para a garota, que continuava na frente da porta. Ela ergueu as sobrancelhas, com uma expressão que lembrava muito a Sra Weasley quando irritada e o rapaz se tocou, convidando-a a entrar.
Gina analisou o saguão com uma carranca, como que esperando algo de diferente ali. Às suas costas, Harry remexia-se desconfortável, sentindo a cueca de Malfoy apertar. Queria saber como ele conseguia andar com aquilo – ao menos o tecido era bastante macio. Parou quando a garota encarou-o de novo, franziu o cenho, não entendendo o que ela queria.
- Você está com alguém. – concluiu certeira.
O queixo de Harry pendeu um pouco, surpreso com a sagacidade de Gina em perceber tais coisas. Devia ser uma qualidade feminina afinal.
- Como... – parou, pigarreando e cruzando os braços – Se estou, não tem a ver mais contigo, Gina.
- Oh. – a carranca dela passou para uma expressão chorosa – Ainda está bravo comigo, é isso? Por isso não me procura mais, não vem mais em casa. Mamãe me culpa quase todo o dia...
- Bravo? Gina, eu lhe peguei aos beijos com Dean! – disse exasperado – Eu creio que isso explica porque não estamos mais juntos.
- Estávamos muito bêbados, palavra. – ergueu a mão, como uma escoteira.
Incrível como a lógica dela funcionava. Sempre a seu favor...
- Esse não é o ponto... – soltou o ar longamente, exausto – Podemos falar disso pela enésima vez outra hora?
- Porque, estou atrapalhando seu interlúdio com a dona... Quem está aí mesmo? – disse sarcástica e apontou em direção as escadas, que levava para os quartos.
- Não há ninguém aqui. – suspirou e desviou o olhar, ela deu um olhar de cima a baixo em Harry, não acreditando – Eu estava treinando, fazendo exercícios. Por isso estou suado e pouco apresentável.
- Nesse horário? – apontou para seu relógio de pulso.
- Acordei tarde. – respondeu rápido, e assustou-se quando ela fez menção de ir à direção da cozinha – Gina, porque veio aqui? Alguma emergência?
- Conto enquanto lhe faço o almoço. Pelo que conheço, deve ter nadinha na sua despensa.
- Não, não precisa! – elevou a voz, fazendo-a parar e olhar desconfiada para ele.
- Ela está lá, não é mesmo? – deu um sorriso amargurado – Talvez eu devesse lhe dar um oi.
- Prefiro que não faça. – segurou firme o braço da garota, que o encarou magoada – Diga por que está aqui, Gina.
E engolindo um possível choro, a garota abriu sua bolsa e tirou de lá o mesmo exemplar do Profeta Diário que Malfoy havia lhe trazido fazia uma hora atrás. Esfregou a têmpora e perguntou-se quanta dor de cabeça aquela foto ainda iria lhe trazer.
- Amizade com Draco Malfoy? – começou chorosa – Festas em clubes? O que está acontecendo, Harry? Eu te magoei tanto assim? A garota que está aí é uma dessas "inhas" com as quais esses bruxos ricos desfilam?
- Somente aconteceu de eu beber muito, e Malfoy me ajudou a sair da festa. – dobrou o jornal, não agüentando mais ver aquela foto.
- Malfoy? – guinchou incrédula – Ou ele estava tão bêbado quanto você, ou como sempre aprontando alguma. – parou e piscou – É provável que seja a última opção.
- Eu não sei, não lembro de nadinha. – mentiu, erguendo os ombros com uma expressão vaga.
- Ron está muito chateado, viu? – olhou-o furiosa – Ele acha que você o está substituindo.
- Estão sendo ridículos, os dois. – disse, adicionado mais um problema a sua lista – Falarei com Ron na semana, no Ministério, okay?
- É bom mesmo, sabe como ele é. Ele fica chateado por semanas. – apoiou as mãos nos quadris. E antes que Harry pudesse abrir a boca novamente – Eu sei, está ocupado. Mas irei quando me responder uma pergunta. – e olhou receosa para ele – Dessa vez, terminar comigo tem alguma coisa a ver com o motivo da primeira vez?
Referia-se a vez em que Harry havia terminado com Gina, no sexto ano, por causa de Voldemort. Com uma expressão séria, recostou-se a uma parede e acenou negativamente com a cabeça.
- Dessa vez, é bem diferente, Gina. E talvez não tenha volta. – umedeceu os lábios, nervoso – Dean com certeza ainda gosta muito de você.
- Sim, ele parece mais interessado, ao contrário de alguém. – disse depois de uma pausa, não escondendo um beiço – Não irei importuná-lo com o assunto por enquanto. Nos visite, mamãe está morrendo de saudades. – deu um sorriso não muito convincente.
- Eu irei, não se preocupe. – garantiu com outro sorriso, abrindo a porta e vendo-a passar e se despedir.
Daquela vez não havia inimigos envolvidos, apenas um ex-inimigo: Draco Malfoy.
Voltando à cozinha, encontrou-o ainda em cima da mesa, mas dessa vez vestindo seu roupão velho de cores grifinórias, apenas. Tinha as pernas nuas cruzadas, um ombro meio descoberto e uma xícara de café nas mãos. As magras e longas mãos que o acariciaram e estimularam docemente. Permaneceu um tempo parado a porta, admirando a figura pálida de Malfoy, até que este o notasse.
- Você demorou, quem era?
- Gina. – respondeu, aproximando-se e tentando não encarar demais o modo como o tecido velho caía e contrastava sua pele com as cores vibrantes – Não sei direito o que queria. – fez um gesto vago com a mão.
- A sardentinha? Droga. – disse em tom de desprezo descendo da mesa e recolhendo suas roupas.
- Não a chame assim! – franziu o cenho – Hei! Aonde você vai?
- Tenho coisas a fazer, pessoas a ver. – disse com voz arrastada, vestindo sua calça – Me perdoe se nem todos têm tempo para o ilustre Harry Potter. – finalizou sarcástico.
- Deixe de ser estúpido uma vez na vida, Malfoy. – disse rude.
- Não dá, faz parte da minha natureza sonserina. – alfinetou no mesmo tom, terminado de se vestir – Obrigado pela geléia de amora, muito saborosa.
Harry recriminou-se mentalmente por ainda corar depois do estágio que chegara com Malfoy há quase uma hora atrás. Observou-o terminar de se vestir, procurando o que falar e o que perguntar. Malfoy nem ao menos olhava em sua direção, fazendo tudo mecanicamente. Havia feito algo de errado?
Parecia que sempre estava fazendo, ahn?
Aproximou-se rapidamente do loiro, quando esse se dirigiu a sua sala, segurando seu cotovelo para impedi-lo de continuar. Um par de olhos cinzentos o encarou friamente.
- Espere Malfoy. Por quê?
- Bem, por que responder se nem ao menos você sabe porque fez o mesmo, Potter? – disse ácido, soltando-se – Usarei sua lareira.
E sem esperar pegou um punhado de pó de flu e sumiu na fumaça verde. Harry ficou encarando a lareira vazia até que a cueca apertada voltou a importunar-lhe para acordá-lo do seu devaneio.
oOo
Nos dias seguintes no Ministério, Harry com culpa evitou Ron a todo custo. Não estava pronto para enfrentar o amigo amuado, cheio de perguntas sobre Malfoy. Hermione o repreendia por negligenciar seu melhor amigo daquele jeito até que o convenceu a encarar o amigo de frente. Não podia falar sobre o que realmente passava entre ele e Malfoy para a amiga, apesar dela saber da missão.
Também havia o fato de estar esperando notícias do ex-sonserino fazia já quatro dias e nem mesmo Kingsley tinha alguma posição. Malfoy parecia ter um talento para sumir deixando-o na mão, irritado ou confuso. Exemplos disso seriam a festa de natal, na casa do auror e no domingo.
Ron estava se queixando de algo e Harry se obrigou a ouvi-lo, tentando dissipar seu devaneio envolvendo mãos longas em todo seu corpo. Depois de mais um dia de treinamento, os dois amigos foram até Grimmauld Place com cervejas para conversarem sobre o tal artigo. O ruivo estava muito aborrecido por ser negligenciado por tanto tempo para descobrir que estava sendo trocado por festinhas em clubes.
Estava mais que na hora do amigo começar a sair mais sozinho com Hermione – provavelmente não se queixaria tanto da falta de sua companhia se vivesse de beijos com a garota. Ouvia-o questioná-lo sobre Malfoy, quando uma coruja bateu a janela, com uma carta do mesmo.
Ao ver o destinatário, Ron estreitou os olhos para Harry, que engoliu em seco. Pediu desculpas e abriu a carta, com o ruivo esticando a cabeça para poder ler. Quando conseguiu, soltou um sonoro palavrão.
- Um encontro? Ele está marcando um encontro com você? Harry! – ganiu.
- Não é um encontro... – gemeu não muito a vontade de explicar a situação para ele.
Pela letra, a carta parecia ter sido escrita com pressa, mal conseguiu ler algumas palavras. Parecia marcar um encontro qualquer, mas inexplicavelmente um arrepio percorreu sua nuca. Poderia ser algo a ver com Richard? Mordiscou uma unha gasta – pedia que fosse urgente.
Viu Ron olhando-o entre ansioso e nervoso, esperando uma explicação. Harry respirou fundo antes de explicar sobre a missão, tentando resumir o máximo possível. A cara do amigo não parecia muito agradável ao ouvir aquilo. E entendia, tendo passado todos aqueles anos desde Hogwarts desenvolvendo um ódio mortal pelo loiro puro sangue.
Ron pulou do sofá ao ver Harry buscar o casaco e se ajeitar para sair.
- Não acredito que vai ver Malfoy!
- Eu expliquei Ron, é uma maldita missão!
- Eu sei, mas... É Malfoy! – fez uma cara de desgosto – Como pode confiar nele?
- Não confio... – hesitou, mordendo o lábio inferior, então arregalou os olhos – O que está fazendo?
- Eu vou junto. – decidiu, vestindo seu casaco também – Já pensou se é alguma armadilha?
- Oh, então agora você acha Malfoy perigoso, mas não quando estávamos no sexto ano e eu estava certo o tempo todo? – disse ácido, cruzando os braços.
- Hum, talvez... – admitiu, embaraçado – Mas continua sendo o filho da mãe do Malfoy!
- Ron fique, e avise Kingsley sobre isso. – suspirou.
- Não, mande uma coruja, eu vou junto. – disse teimoso.
Harry bufou – não tinha tempo, e um mau pressentimento aumentava sua ansiedade. Puxou um pedaço de pergaminho e rabiscou breves palavras, indicando o lugar onde Malfoy deveria estar. Hedwiges demoraria a entregar o recado, mas Harry sabia se defender até lá, ele sempre soube. Não era?
Continua...
Fevereiro/2007
