Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos de Saint Seiya, Saint Seiya Episódio G e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal.


Informação para o leitor:
Yaoi (contém relacionamento amoroso entre homens).
Avaliação etária: M/NC-17 (situações adultas, sexo, consumo de álcool e substâncias legalmente questionáveis, violência estilizada)
Par citado: Aldebaran & Mu...e algumas outras coisinhas mais, dos mais variados tipos (et pour quoi pas?)

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"12"

Por: Deneb Rhode

2.

A reunião mais sigilosa

—Ao menos aqui nós podemos falar sobre a última crise que está ameaçando o Santuário! E afinal, somos Cavaleiros de Athena, homens de valor que enfrentam todas as situações! Alguém, alguma queixa?

—Ah, sim, tenho uma. Essa meleca que está caindo do seu nariz é nojenta! Limpe essa droga!

Os quatro olharam para Jabu, trêmulos e encolhidos. Ban virou a cara com uma expressão de nojo e irritação, que contrastava com os dentes chocalhando. O Cavaleiro de Unicórnio sacou um lenço, rezando pragas baixinho, enquanto limpava a caca escorrida.

—E não reclame você também, diabos!—emendou Ichi de Hydra, que tentava com os dedos entorpecidos puxar o cabelo moicano por cima do resto da careca, na tentativa infrutífera de se abrigar um pouco mais—Você que disse "a mesa mais reservada, Ulisses, a mais reservada de todas!" Ao menos nos desse tempo de pegar um casaco, sei lá!

Os outros acenaram que sim com a cabeça. Ao fundo, o delicado cenário de quartos de boi pendurados em ganchos, pernis, frangos depenados, costelas, salsichas e rins de cabra dava um matiz carmesim ao ar esbranquiçado, tornado ainda mais brumoso pelas nuvens de respiração dos oficiais. Jabu guardou o lenço, sem desmanchar o ar sério e urgente.

—Não havia tempo para essas frescuras, e eu não sabia que os padrões de segurança das reuniões da Corregedoria eram tão rígidos. Mas tanto melhor: temos uma crise gravíssima. Se tudo isso é necessário para manter esse assunto em segredo, então que seja!

—Você podia ter perguntado para ele!—Geki, encolhido, apontou para um Nachi, pálido e tiritante, as sardas realçando mais que nunca sobre a pele cianótica, tal uma espécie de ferrugem sobre aço judiado—Aliás, belo amigo você, cachorro sarnento, podia ter nos avisado dessa! Você trabalhou na Corregedoria até o mês passado!

Nachi parecia nem ouvir, apenas tremia, os olhos esbugalhados, murmurando coisas desconexas.

—Carne...carne...eu detesto carne. Eu não como carne, odeio carne...carneeee...carneeeeeeeeeeeeeeee...

Ichi achou por bem largar as madeixas um instante, dando um sonoro cascudo no oficial catatônico:

—Deixe disso, seu frouxo! Logo você que já conhecia esta mesa está aí, agindo feito um debilóide! Ande, recomponha-se!

Nachi voltou a si, segurando o cocoruto dolorido, os olhos lacrimejando:

—E porque você acha que eu saí da Corregedoria?!? Por que você acha que eu fui para Equipamentos e Logística, eu que não entendo nada de armaduras?!?!! Depois que fecham você neste lugar pela quinta vez, só para acompanhar o Comandante Milo...você não agüenta! Ninguém agüenta!!! E ele é louco, as reuniões, os inquéritos dele duram horas...sem interrupção...Horaaaas!

Desatou a chorar, enquanto Ichi tentava consolá-lo, esbofeteando-lhe o rosto e sacudindo-o pela gola. Os outros preferiram não olhar a cena embaraçosa.

—Bom, fala de uma vez, Jabu! Nós não somos o Comandante Milo e nem temos o "treinamento intensivo" dele com "coisas geladas" para agüentarmos uma reunião num frigorífico.

—O Comandante Milo tem treinamento com coisas geladas? Pensei que isso era a área do falecido Camus...

—Foi o que eu disse, Geki. Os comandantes Milo e Camus, eles...ah, deixa pra lá! Jabu, anda logo! E por misericórdia, limpa esse nariz!

Jabu tirou o lenço de novo, assoou e retomou a palavra.

—O caso é sério, e sigilo é fundamental. Algum de vocês consegue imaginar algo tão grave, mas tão grave que abalasse de vez o nosso esteio e nossa fonte de força e coragem? Pois bem, algo assim está acontecendo agora!

Os presentes se entreolharam, Ichi largou Nachi, que soluçava baixinho. Geki levantou uma sobrancelha, olhando feio.

—Claro que está, esse frio todo está acabando com a gente. E isso está acontecendo agora! É alguma piada, Unicórnio?

Jabu se impacientou, enxugando o nariz com as costas da mão.

—Não é nada disso, idiota! Eu falo de algo realmente grave, e que abalasse nosso alicerce maior. O maior deles! A coisa mais fundamental para nós!!!

Silêncio. Após instantes, Ichi arriscou:

—Os soldos?

—Não, não!!!—e Jabu vociferava, dando murros na mesa, pingando meleca—Athena, bando de desmiolados!!!! Estou falando de ATHENA!!!! Nossa fonte de força, nosso esteio!!! A Deusa Athena!!!

Nachi baixou ainda mais a cabeça, os outros três olharam Jabu com ar de irritação e desdém.

—Ainda fosse algo importante!

—E É IMPORTANTE, DIABOS! Athena é a Deusa pela qual o Santuário existe, a que dá nossas forças, a que nos inspira...

—Principalmente os peitões dela, muito inspiradores...

Ban não prosseguiu: foi atingido por um corte de alcatra antes que falasse mais.

—Já chega! Escutem: a Deusa está com uma crise, uma crise terrível nas mãos, e é nosso dever protegê-la! Tem algo acontecendo que está levando nossa Athena ao mais completo desespero. Hoje ela estava totalmente abalada, fora de si. Ela simplesmente entrou em surto durante meu relatório sobre as atividades das tropas nas Américas, destruiu parte da sala, falava coisas sem sentido, chorava! E o que isso pode ser?

—Já considerou a hipótese de TPM?

Jabu fuzilou Ichi com os olhos, ameaçando-o com um leitão congelado.

—Pensem, raciocinem ao menos uma vez na vida! Ela estava totalmente bem há um dia atrás, parecia muito contente por sinal...e aí veio essa mudança repentina! Foi algo muito mais grave do que uma simples coisa de mulher, disso eu tenho certeza!

—Você perguntou a ela o que havia?—indagou Geki, um pouco mais interessado.

—Não pude. Estava muito transtornada, e quando o assunto é grave mesmo, vocês conhecem Athena: ela se fecha e tenta resolver tudo sozinha...

—...o que nunca dá certo e acaba nos metendo numa fria, não que nós já não estejamos em uma.—Hydra continuava tremendo—Ok, faz sentido cuidar disso sim. Se tem algum motivo sério que faça com que a Deusa fique tão preocupada, é melhor a gente se preocupar antes dela. Para nosso próprio bem.

Ban retirou os últimos restos de alcatra da cara.

—Seja como for, é inútil tentarmos investigar algo sem um ponto de partida. Você disse que a Deusa não falou com você, e duvido muito que fale caso ela continue tendo ataques histéricos nos próximos dias. Sem ela falar, não saberemos o que é, sem saber não temos como fazer alguma coisa. Estamos perdendo nosso tempo.

Ban ia se levantando para ir embora, Nachi fez menção de ir junto, tentando destravar o corpo gelado e se por em pé. Jabu os interrompeu.

—Esperem aí, nós temos um ponto de partida sim! A Deusa não falou comigo, mas enquanto estava jogando coisas em mim, eu ouvi nitidamente ela dizer algo sobre "dia 12" "faltam dez dias" e "Brasil". O que quer dizer que é algo que vai acontecer no próximo dia 12 e...bom, eu não sei o que tem "Brasil" a ver com isso, mas seja o que seja, temos pouco tempo...

Nachi se sentou de novo, com cara de desespero. Os outros olhavam Jabu, nos rostos o ar sinistro da paciência esgotada.

—Isso não ajuda—rosnou Ichi.

—É a informação que nós temos! Vamos ter que começar daí! Ou vocês são tão fracos que vão ignorar o juramento de proteger a Deusa e abandoná-la à mercê de algum destino terrível, só porque não tem capacidade intelectual para seguir uma pista como essa? Vocês são tão burros assim?!

—Não, nós só não somos adivinhos, essa sua informação é a mesma coisa que informação nenhuma! Ou pior: diz que temos dez dias para resolvermos um negócio que não sabemos o que é, num dia que não nos sugere nada!

—Você é que está com preguiça de pensar!

—Tudo bem, Einstein, então pense você! O que é que vai ter daqui a dez dias e onde o Brasil entra nessa coisa???

—Eu...bom, não tenho idéia, mas...

—Nem nós, é isso. Não deu. Se é algo grave ou não, não dá para investigar. Ponto final.

—E o mundo vai acabar, a Deusa vai ser massacrada e a culpa vai ser de vocês!!! Não se tocam não?

Os outros se levantaram todos, deram de ombros, queriam sair. Jabu permaneceu firme, com ar de superioridade.

—E eu lembro que a porta do frigorífico não abre sem a chave e que a chave está comigo...

Solenemente ignorado. Geki se preparou para derrubar a porta.

—...e que esta é a sala das reuniões secretas do Comandante Milo. Ele não vai ficar feliz se quebrarem algo aqui.

À menção do nome de Milo, todos estacaram. Nachi perdeu o resto de cores que ainda tinha no rosto, e começou a tremer intensamente, sacudido por algo mais que simplesmente o frio. Geki baixou o punho, virou-se, olhando feio para Jabu.

—Tudo bem, burrico de chifre! Não vamos quebrar nada do Comandante Milo. Vamos quebrar você mesmo!

Jabu se levantou da cadeira, decidido, em posição de luta.

—Tá querendo me desafiar, ô Coala? Vamos lá, pode vir, pode tentar tirar a chave de mim o quanto quiser! Eu não vou facilitar, você me conhece! É o nosso dever com a Deusa que está em jogo, e não vou desistir até...

—JÁ CHEGA, EU NÃO AGUENTO MAIS!!!!!

Todos se calaram, olhando para Nachi. O cavaleiro de Lobo tinha os olhos esbugalhados, veias da testa saltadas, parecia que ia enfartar. Aos poucos, foi respirando, ganhando algum fôlego.

E balbuciou:

—Escute, você quer uma pista, eu tenho uma pista! Eu sei de algo no dia 12, sei de uma coisa no 12 agora...daqui a dez dias...É uma coisinha só, uma besteirinha, coisinha sem importância que eu vi numa agenda, mas...se eu contar...se eu contar você me deixa ir embora daqui??? POR MISERICÓRDIA???


Ms. Rhode's Rambled Reports: O grande culpado por esse capítulo—além, claro, de mim mesma—é um tal de Melvin Kaminsky, judeu do Brooklyn (o de Nova York, bem que se entenda). Um homem tão visionário quanto Jules Verne e que idealizou entre outras coisas o sapatofone, as castanholas-telégrafo, o batom com walk-talkie e, claro, a maior de todas as criações, o revolucionário "Cone do Silêncio": engenhoca que se destinava a manter conversações no mais absoluto sigilo, e que muitas vezes apareceu nos episódios de sua obra imorredoura, "Agente 86". De fato o "Cone" mesmo não foi usado aqui: talvez por ser um aparato de tecnologia reservadíssima, exclusiva da agência secreta CONTROL—ou talvez porque não funcionasse lá essas coisas—o Santuário de Athena dispensou o emprego desse recurso, preferindo algo mais simples e econômico. Mas a idéia de sigilo total, indispensável para as reuniões da Corregedoria, foi mantida com todo o rigor que tinha direito.

De qualquer modo, refletindo sobre isso eu entendo plenamente porque a eterna musa Anne Bancroft aceitou se casar com o sr. Kaminsky e dividiu com ele 41 anos de sua vida, separando-se apenas na morte dela em 2005. Viver com um homem desses é viver sem mesmice, é garantia absoluta de surpresas bem dizer todo santo dia. Louvável sr. Kaminsky!

Fora isso, no texto acabou brotando um humilde goodie para a torcida Ice & Poison. Não tenho o hábito de trabalhar com isso, mas ficou uma citação divertida, então achei por bem manter (além de explicar como Milo se acostumou tão bem assim às reuniões na salinha reservada...bom, todos, livres para pensar...)

Isto continua? É claro que continua! Sigam-me os bons!!