Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos de Saint Seiya, Saint Seiya Episódio G e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal.
Informação para o leitor:
Yaoi (contém relacionamento amoroso entre homens).
Avaliação etária: M/NC-17 (situações adultas, sexo, consumo de álcool e substâncias legalmente questionáveis, violência estilizada)
Par citado: Aldebaran & Mu...e algumas outras coisinhas mais, dos mais variados tipos (et pour quoi pas?)
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"12"
Por: Deneb Rhode
4.
Os arquivos do Santuário
—Olha, Ichi, não me leve à mal...mas nós queríamos mesmo alguém de Equipamentos e Logística, não acho que você seja a pessoa mais indicada.
—Não diga tolices, Shun! É claro que eu posso ajudar: conheço a sede melhor que qualquer pessoa. E o Nachi está só há uma semana no setor de Logística, o que ele pode saber mais que eu? Além do que, fui eu que pedi para ele essa troca de serviço, você sabe como eu gosto daqui...
Shun coçou a cabeça, sem muita paciência para argumentar com Ichi. Tudo bem, se ele queria o serviço da manhã, então que fosse. O ponderado Cavaleiro de Andrômeda, ordenança pessoal da Deusa, sabia que o outro não estava dizendo a verdade: era totalmente incomum ver o Cavaleiro de Hydra no palácio principal. Mas achou por bem não discutir: apenas torcia para que o colega não fizesse nenhuma bobagem.
E para piorar, já estava fazendo:
—Uh...Ichi: seria muito incômodo se eu pedisse que você limpasse os pés? Não é por nada, mas está enchendo o palácio de lama...
—Ah, isso?...—E Hydra se pôs a raspar os pés no tapete, já bastante marcado de suas próprias pegadas—Bom, é uma história comprida, e...é eu entendo que você não esteja achando bom que eu ajude você, tão imundo quanto eu estou...
—Não, não é problema, até é bom—disse Shun, amável, enquanto vestia um guarda-pó comprido, touca e máscara cirúrgica em cima da armadura—Eu falo mais dos pés, pra não sujar muito o palácio, mas de resto, sem queixas. Na verdade, acho que de certo modo isso vai nos...hum...poupar tempo.
—Poupar...tempo?
—É. Acompanhe-me.
Os dois cavaleiros seguiram por uma passagem larga, até uma porta mal-cuidada à esquerda, com aparência de coisa que não era aberta há meses. Shun pegou uma chave grande, foi destrancando o velho cadeado que a mantinha fechada enquanto recomendava:
—Para garantir, cubra o nariz e a boca, ao menos agora no começo. É meio empoeirado aqui.
O Cavaleiro de Andrômeda abriu a porta, na mesma hora uma nuvem grossa de poeira deixou a sala, acompanhada de um cheiro quase homicida de mofo. Ichi começou a tossir, os olhos ardendo e os brônquios em convulsões. Shun calmamente explicava.
—Este é um quartinho de despejo que vem sendo usado desde o tempo do oitavo Patriarca. Isso, acho já vai fazer uns mil e quinhentos anos, no mínimo. Desse tempo em diante, tudo o que se fez foi jogar coisas e mais coisas aqui umas mais valiosas, outras menos. Nós mesmos, depois da Revolução, jogamos um bocado de tranqueira aqui, tudo o que não queríamos ter na frente dos olhos acabou vindo para cá. Mas aí, já viu: houve aquela coisa das chuvas de Poseidon, deu infiltração e acabou enchendo de mofo. Muita coisa estragou, uma pena. E já não era o ambiente mais saudável, agora...
—E...entendo...—Ichi lutava para respirar.
—Normalmente, quem me ajuda a arrumar esses objetos é o meu irmão, o Ikki: ele gosta de ver essas coisas antigas. Pode até não parecer, mas é um homem muito sensível para artes: achou coisas aqui que nem eu mesmo sabia que tinham algum valor. Vasos chineses, quadros da Renascença, até uma gravação original de Julie Andrews, de pouco depois que ela começou a ficar famosa. Essa ele pegou para ele, o Ikki sempre fica emocionado quando ouve "Early One Morning"...mas nem me lembro se era essa a música.
—Ah, fascinante!—E o cavaleiro de Hydra tropeçava em incontáveis caixotes, seguindo os passos de Shun, que parecia saber de cor onde havia chão no meio daquela bagunça—Mas o Ikki não quis ajudar você desta vez por que?
—Não é que ele não quis, ele tinha uma viagem marcada—Shun sorria por debaixo da máscara, enquanto tirava um monte de ânforas de um canto—Parece que o Cavaleiro Shaka de Virgem deu ordens para ele fazer um retiro espiritual na Índia, uns dias meditando e recitando mantras para ficar mais centrado. Bom, ele nunca fica muito satisfeito em fazer essas coisas, mas acaba indo: o Shaka afinal sabe das coisas...
—E você ficou sozinho. Bom, não tenho dúvidas que é muita coisa para uma pessoa só lidar, deve tomar tempo. Me diga: suas obrigações com a Deusa não ficam comprometidas com isso?
Shun sacudiu uma toalha antiqüíssima, erguendo uma nuvem centenária de teias de aranha.
—De jeito nenhum, Ichi, eu tenho a manhã livre enquanto a Deusa faz seu desjejum e lê os jornais. Como eu acordo bem mais cedo que ela, aproveito o tempo para arrumar as coisas antes de ir para o gabinete. Procuro ser útil dando um jeito nesta bagunça, isso também ajuda...Ei, uma caixinha de música! Athena vai adorar...
O Cavaleiro de Andrômeda abriu uma caixinha em formato oval, revelando espelhos manchados e uma bailarina encardida que girava ao som de um minueto. Parecia interessado, examinando os mecanismos e ouvindo a melodia. Era a deixa que Ichi precisava. Tentando conter o ardor na garganta, procurou seu tom de voz mais consternado.
—Ah, é bom mesmo algo...assim acho que ela se anima, está tão tristinha, tão desesperada, coitada...
Shun fechou a caixinha, secamente, o costumeiro rosto doce endurecendo, se tornando nervoso e cortante:
—Ah...e o que VOCÊ tem a ver com isso?!
Ichi ficou sem palavras, quer pela poeira que teimava invadir seu nariz e boca, quer pela expressão inamistosa de Shun, tão logo foi mencionada a tristeza de Athena. Nunca havia reparado no quanto o sempre meigo Cavaleiro de Andrômeda poderia se tornar assustador e sério em caso de necessidade, os olhos verdes ganhando um tom cinzento e ameaçador que fazia lembrar a aparência do irmão mais velho: Ikki, Cavaleiro de Fênix, homem temido e violento, que nunca hesitou em erguer o punho mesmo contra os próprios colegas de farda. Aquilo exigia alguma espécie de conserto:
—Eu?? Uh, eu não tenho nada, nadinha mesmo, só fico preocupado...A Deusa é tão querida e ela está...quer dizer, eu ouvi falar que ela está deprimida, você sabe, o tal negócio do dia 12 e...
Conserto errado: Shun, mesmo de máscara começou a tossir, o par de correntes de sua armadura se lançou espontaneamente ao chão, serpenteando de modo caótico. O pequenino cavaleiro de Andrômeda parecia apoplético, gesticulando as mãos em nervosismo:
—Mas onde, onde você ouviu uma coisa dessas??? Essa informação...isso não devia...Mas que coisa, como isso foi parar com você?!!?
Um início de vendaval começou a percorrer a sala, jogando pó, fungos e objetos para todos os lados: o poder de Tempestade Nebulosa de Shun parecia ter sido acionado inadvertidamente, e no pior lugar do mundo para que isso acontecesse. Hydra, apavorado e sem ter para onde correr, acabou sendo atingido em cheio por um objeto grande, envolto em um pano negro, desabando no chão.
—Ichi!!!—e Andrômeda saiu do transtorno, usando de todas as forças para conter sua habilidade de criar ventos antes que fosse tarde demais—Você está bem? Fale comigo!!!
Caído no assoalho, por cima de montes de bugigangas aleatórias, Ichi foi abrindo os olhos, dando de cara com o vulto negro aninhado despudoradamente entre suas pernas. Sinistro, ameaçador, guarnecido por um elmo vermelho com asas de morcego e ombreiras de longos espinhos.
—O PATRIARCA VOLTOU!!! NÃÃÃÃÃÃOOO!!!!!
Na tentativa de fugir, Ichi ainda derrubou uma pilha de discos 78 rotações em cima da própria cabeça, se soterrando de vez. Shun foi em seu auxílio, encontrando o rosto do Cavaleiro de Hydra embaixo de alguns cacos de um tango de Gardel.
—Ai, que bom que achei você, isso não era para acontecer, me perdoe! Bom, me dá aqui esta capa, vamos botar isso no lugar...cada uma que a gente passa...
—Ca...capa?!—Ichi ainda não parecia recuperado do susto.
—É, capa. A capa que Saga usava para se passar pelo Patriarca, ela também veio parar aqui. Também, ninguém sabia o que fazer com ela, estava sobrando...Por mim a gente destruía essa coisa, ela é um perigo. Pra ter idéia, essa capa faz com que qualquer Cosmos, por mais forte que seja, passe sem ser notado, e funciona em qualquer lugar. Eu só imagino o que aconteceria se ela caísse nas mãos de algum inimigo, que problema não ia ser...
Shun tentava erguer Ichi, que parecia tão inapto a andar quanto uma tartaruga emborcada. Agarrou-o pelo dorso e passou a outra mão em torno de seu pescoço, se fazendo envolver desajeitadamente pelos braços e pernas do colega. Hydra ia ruminando as informações, quando a porta da sala se abriu com violência. Um enfurecido Hyoga de Cisne entrou, lutando contra o poeirão flutuante, olhos vermelho-sangue, tossindo e espirrando. Num estalo puxou Shun para fora e ergueu Ichi pelo colarinho, quase esfregando o nariz no seu rosto:
—FALE, SEU MONSTRO, O QUE ESTAVA FAZENDO COM O SHUN??? TENTOU SE APROVEITAR DELE QUE EU VI, NEM VEM COM ESSAS DE NEGAR!!! PODE IR ABRINDO O BICO!!!!!!!!!!!!!!
No ar cristais de gelo já começavam a aparecer do nada, sinal de que o cavaleiro loiro não estava de brincadeira. Shun tratou de acalmar Hyoga antes que fizesse uma desgraça:
—Calma, não é nada disso, ele não fez nada! Ele caiu, foi só isso, eu estava tentando ajudar!
—E o barulho enorme? Parecia que estava desabando o mundo!
—Sim, teve, mas foi um acidente, eu levei um susto...agora larga ele, Hyoga, o Ichi só estava me dando uma mão com a faxina.
Hyoga largou Ichi ainda engasgado e sacudido, o moicano cheio de lama agora parecendo uma vassoura estragada. Shun tentava pacificar o Cavaleiro de Cisne.
—Está tudo bem, juro...
—E seu Cosmos agitado? Eu notei isso, fiquei muito aflito.
—Você...estava prestando atenção no meu Cosmos?—e Shun tirou a máscara, enrubescido. Hyoga tomou suas mãos:
—Eh...bom...eu...sempre presto atenção. Sempre...
Hyoga e Shun ficaram parados na porta do quartinho, cada qual com um sorriso devaneante, olhando fixo nos olhos um do outro. Ichi se esgueirou rastejando entre as pernas dos Cavaleiros: naquela hora, parecia que três realmente era demais. Enquanto tratava de sair dali o mais rápido que conseguia, ainda teve tempo de ouvir os queixumes do Cisne para Andrômeda, num tom algo melindrado, algo doce:
—Você nunca me deixa ajudar você a arrumar esse quartinho. Por que isso?
—É que com você aqui...comigo...o serviço não rende...
Ms. Rhode's Rambled Reports: Mais uma vez tenho pouco ou nada a dizer: na total falta de idéia do que escrever neste espaço, posso tecer alguns comentários ilustrativos sobre o valor inestimável dos ácidos graxos na alimentação de felinos ou ainda expor meu estudo detalhado em 98 páginas de "as aplicações do jiló e seus derivados como mecanismos de opressão do povo". O capítulo em si não me evoca muito o que comentar: do pouquinho, tivemos a primeira participação real do Shun e do Hyoga na história—fora das bocas maledicentes do povo no bar do Ulisses—fazendo o que eles sabem fazer melhor (mentes cítricas, refreiem-se, onegai shimasu!)
É um par que eu gosto muito, e juro, algum dia ainda hei de escrever fic só deles dois (na verdade tenho uma Hyoga & Shun encomendada, que eu deveria ter lançado em janeiro...mas aí já viu, o tempo passa, a gente vai estudando a idéia, mais tempo passa, a gente planeja minuciosamente...e mais tempo passa...Sim, sou relapsa. E lenta. My bad.)
NOTA DE LANÇAMENTO NO FF . NET E NYAH!: Sim, aleluia! Fiz uma Hyoga & Shun...mas não era essa empacada desde janeiro. Era outra, empacada desde junho do ano passado. Quem sabe daqui a alguns meses e... (Deneb é acertada na cabeça com um despertador de corda)
E alguém me perguntou onde se acha a gravação da Julie Andrews cantando "Early One Morning". Sinceramente...não sei. Nunca ouvi isso, e nem sei se existe. Mas penso que seria muito legal ouví-la cantando essa música: sonhar não custa, afinal. Ikki, o fênix irmão do Shun, aparentemente concorda comigo. Se alguém souber onde tem, por favor, nos avise!
Isto continua? É claro que continua! Sigam-me os bons!!
