Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos de Saint Seiya, Saint Seiya Episódio G e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal.


Informação para o leitor:
Yaoi (contém relacionamento amoroso entre homens).
Avaliação etária: M/NC-17 (situações adultas, sexo, consumo de álcool e substâncias legalmente questionáveis, violência estilizada)
Par citado: Aldebaran & Mu...e algumas outras coisinhas mais, dos mais variados tipos (et pour quoi pas?)

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"12"

Por: Deneb Rhode

6.

O informante

No pátio do Instituto de Educação, em meio a dúzias de crianças que farreavam desordenadamente, uma sensação muito esquisita percorreu as costas de Geki, como se tivessem enfiado algo quente e desconhecido na sua armadura. Logo a seguir, Kiki—o garoto lemuriano, conhecido "discípulo-filho de criação" de Mu de Áries—se materializou repentinamente bem diante dos três, pedindo com urgência:

—Disfarcem! Façam de conta que não tem nada acontecendo!

O menino de cabelos vermelhos desapareceu em pleno ar. Surpreendidos, os três não sabiam o que fazer, enquanto uma amazona magricela passava, buscando alguma coisa no chão. Geki sentiu arrepios, quando a tal coisa quente escorregou das costas da Armadura de Urso para as peças mais baixas. Fosse o que fosse, era macio, tépido e cheio de coisinhas pontiagudas que faziam cócegas insuportáveis.

—Ai! Ui! O que...?

Geki não terminou a frase: um balde vazio, levitando sozinho, se enfiou em sua cabeça. O Cavaleiro de Urso começou a forçar para tirar o balde entalado, enquanto a mulher olhava a cena, bastante surpresa. Finalmente a amazona sacudiu a cabeça, deu de ombros e foi embora, voltando a procurar algo no chão.

Tão logo a mulher se afastou, Kiki apareceu novamente:

—Deu certo, mas você quase estragou tudo!—disse o garoto enquanto tirava o balde da cabeça de Geki—Eu pedi para disfarçar!

—Mas o que é isso??—Geki estava nervoso, dançando o que parecia uma estranha modalidade de xaxado—Que é que você pôs na minha armadura??

Kiki subiu nas costas de Geki, olhando dentro da Armadura de Urso:

—Não se preocupe, eu não pus nada aí. É só o Cosmos: ele deve estar percorrendo a armadura, essas coisas acontecem...Ei, é o meu lanche?

O garoto pulou dos ombros de Geki no chão, tomando o embrulho das mãos de Nachi.

—É sim—disse o Lobo—seu pa...digo, seu Mestre não teve tempo de vir aqui, então pediu que eu trouxesse ele. Você esqueceu em casa.

—Não esqueci não, eu fiz de propósito—respondeu Kiki abrindo o pano—Mestre Mu e o Alde sabem que eu gosto do lanche quentinho. Então se eu deixo em casa, eles esquentam antes de mandar...olha, ainda está bom.

Abriu a lancheira revelando um aroma delicioso. Os três Cavaleiros de Bronze estacaram, de queixo caído. Kiki parecia entediado:

—Perdiz com molho madeira e shiitake de novo...Isso está ficando chato. Alde podia cozinhar algo de diferente, já é a quarta vez nos últimos dias. E pra variar ele esqueceu de por uma sobremesa...

Geki, ainda sentindo arrepios dentro da armadura olhou, bestificado:

—Peraí, moleque: você diz que come isso quase todo dia enquanto eu vivo de macarrão instantâneo???

—É, desde que eu vim para o Santuário. Antes, em Jamiel, era só no fim de semana, quando o Alde ia para lá. Ele cozinha bem, mas anda meio distraído ultimamente. Deve ser o dia 12 chegando...

A referência ao dia 12 trouxe Jabu à atenção:

—Dia 12?

—É. Dia 12 agora—o garoto se servia da perdiz, tranqüilamente—Ainda bem que já está chegando.

Jabu tirou a lancheira das mãos de Kiki, olhando o garoto fixamente;

—E o que você sabe sobre dia 12?

—Ei, devolve meu lanche!—o menino, irritado, arrancou de volta a lancheira das mãos de Jabu, enquanto fazia um anão de jardim levitar e atingir o Cavaleiro de Unicórnio com força bem na cara—Qual é a sua de tomar o alimento de uma criança indefesa?!?

Nachi tentou consertar a situação: não era bom aborrecer o bem dizer filho do seu chefe.

—Uh...desculpe ele, Kiki, o Jabu anda agitado...olha, ele agiu de boa intenção, pode acreditar...

Jabu tentava ajeitar a mandíbula, enquanto Kiki parecia zangado.

—Não sei que boa intenção foi essa. Se queria um pedaço, era só pedir que eu dava!

Geki animou-se; com baba escorrendo pelo queixo fez menção de aceitar uma asinha de perdiz. Jabu se levantou do chão, empurrando o Cavaleiro de Urso para o lado, sem que pudesse dizer algo.

—Eu não quero seu lanche, eu quero saber do dia 12! O que vai ter no dia 12?!

—Não digo!

O garoto continuava com a cara amarrada, ia dificultar as negociações.

—Escute aqui, é para o bem do Santuário!! Você quer virar um traidor sonegando informações??

—E você quer levar outra anãozada na cabeça?!

Antes que Jabu se complicasse ainda mais, Nachi puxou-o da frente de Kiki, tentando acalmar o menino.

—Olha, eh, haaaa...ele não está falando direito. É que sabe, parece que você sabe de alguma coisa no dia 12...

—Eu sei sim.

—...E o Jabu anda muito curioso...Sabe como é, dia 12 agora é um dia muito importante...

—É importante sim.

—Então, você pode contar para a gente o que tem nesse dia, não pode?

—Não conto!

E virou a cara.

Não havia acordo. Nachi suspirou, Jabu pensou seriamente em ir até o menino e dar-lhe umas belas palmadas, Kiki apenas olhou de esguelha e o anão de jardim se pôs de pé entre os dois, ameaçadoramente. Geki, que observava tudo, apenas se sacudindo a cada momento em que o Cosmos andava por dentro da armadura, comentou.

—É a mesma tromba que eu fazia quando esqueciam de me dar sobremesa...

O rosto de Jabu se iluminou num estalo:

—É isso!

Correu até a cantina da escola e trouxe um pirulito colorido.

—Aqui, garoto. Vimos que o Comandante esqueceu de por a sobremesa, então arrumamos uma pra você. Então, acho que agora podemos conversar como amigos e você conta para a gente o que vai ter no 12 de junho, não?

Sem efeito: Kiki fez um olhar de desprezo, gélido, sem falar nada. Lobo observou, pensativo:

—É...pelo jeito ele não gostou.

Jabu não se deu por vencido. Novamente foi até a cantina, comprou mais uma barra de chocolate e um saco de balas. Kiki mais uma vez nem fez caso. Nova tentativa: um sorvete de duas bolas, um algodão doce e um pão-de-mel recheado.

—Isso não está dando certo, Jabu—ponderou Geki—Esse garoto é criado com perdiz ao molho madeira e shiitake, não vai se comover tão fácil...

A paciência do Cavaleiro de Unicórnio se esgotava:

—Ande logo, seu pestinha! Pegue logo esses doces ou...

Kiki apenas levitou o anão de granito na altura do nariz de Jabu, agitando-o como um fantoche de meia.

—Ou o que??? Tá querendo conversar com o anão???

—É muita ousadia!—engasgou—É bom você se lembrar que é só um Cadete Aprendiz, e eu sou seu superior, sou um Cavaleiro de Bronze!

—E o Mu e o Alde são Cavaleiros de Ouro, e vão ficar muito felizes quando eu contar que você queria roubar meu lanche!

Jabu empalideceu. Era bem capaz daquela pestinha falar tudo para os pais de criação. Visualizando uma cela bem encharcada na prisão de Uranos, decidiu abrandar o tom:

—Ok, tudo bem, tudo bem...Mas escute, eu quero saber só uma coisinha de nada, é muito importante...

—Se é importante, não pode ser uma coisinha de nada.

Jabu fez menção de estrangular Kiki, Geki e Nachi apressadamente o arrastaram para longe do garoto. Nachi, bastante nervoso, tentava argumentar:

—Olhe, bom, tudo bem, não tem problemas...mas Kiki, tenha um pouco de pena da gente...O Jabu só queria saber uma coisa simples, só o que vai acontecer no dia 12. É que a gente precisa muito saber, para nós é importante, entende?...

Kiki olhou o grupo com o canto dos olhos:

—Vocês estão desesperados, não é?

Geki continha Jabu, que esperneava, furioso. Nachi fez uma cara de súplica, curvado, esfregando as mãos.

—Bom, por favor...

O menino deu um sorriso enigmático:

—Se é assim, posso dar um jeito...Posso contar pra vocês o que é...mas por um preço justo.


Ms. Rhode's Rambled Reports: Para os fãs do Kiki, eis aí...Kiki! Ele tem se tornado mais popular com o passar do tempo, e muitos leitores de fato cobram mais fan fiction com ele, seja como garoto mesmo ou num "salto de tempo" mostrando como o cabecinha-de-fogo iria encarar as futuras crises da maioridade. Eu estou gostando de trabalhar com ele, é personagem muito fácil de caracterizar (no original tem elementos de sobra) e que tem um potencial inacreditavelmente vasto, sobretudo na parte de humor. Conversando com a Tanko—autora do melhor Kiki em fan fiction que eu vi até hoje—chegamos à conclusão que é muito parecido com escrever Shin-chan: a diferença é que Kiki tem uma família bem mais relaxada e bem-resolvida, não abaixa as calças por qualquer motivo e veio de fábrica armado até os dentes com telecinese.

A parte de incluir uma escola no Santuário gerou algumas questões: isso combinaria com o lugar e a ambientação? Eu acredito que sim, já que a parte educacional sempre foi muito incentivada na Grécia, e não seria lógico que justamente os exércitos da Deusa do Saber (sim, Athena é a Deusa do Saber) fossem constituídos de um bando de gente iletrada, dos que olham a expressão 2 mais 2 igual a 4 como quem tenta decifrar hieróglifos.

Diz o bom senso: para estar com Athena, o conhecimento faz diferença. Kiki provavelmente devia estudar em casa, com Mu, quando vivia em Jamiel: isso é importante já que um dia a Armadura de Áries será dele. No Santuário, com Mu reassumindo suas funções militares e de gabinete e ainda mais com instituições de ensino disponíveis, provavelmente o garoto iria para a escola (até pra aliviar um pouco a jornada do pobre lemuriano de cabelo violeta: ser guerreiro, ferreiro, oficial de alta patente, e ainda mais educar criança não é mole não!) E claro, some-se a isso também os benefícios que a educação em escola traz para as crianças: socialização, formação do caráter, contato com a realidade do mundo e outros bichos que uma professora saberia explicar melhor que eu (não sou professora).

Isto continua? É claro que continua! Sigam-me os bons!!