Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos de Saint Seiya, Saint Seiya Episódio G e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal.


Informação para o leitor:
Yaoi (contém relacionamento amoroso entre homens).
Avaliação etária: M/NC-17 (situações adultas, sexo, consumo de álcool e substâncias legalmente questionáveis, violência estilizada)
Par citado: Aldebaran & Mu...e algumas outras coisinhas mais, dos mais variados tipos (et pour quoi pas?)


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"12"

Por: Deneb Rhode

7.

Contra-espionagem

Uma noite cálida e aprazível, a brisa arrebatada de gerânios, lua crescente no céu, adornado de estrelas. E ali, encostados no muro, resfolegantes, os jovens ansiosos exercitavam atividades proibidas, secretas, pecaminosas à luz dos deuses. Um esforço, mais outro, as mãos apoiadas no muro, a vertigem embalada pelos sussurros, um trançar de pernas bambas, buscando equilíbrio. E a voz rouca, abafada, clamando em súplica:

—Tire o pé de dentro da minha boca, seu vira-latas fedorento!!!

Nachi acertou o passo, grunhiu algo que pareciam desculpas. Na verdade não agüentava mais. Vermelho, exausto e trêmulo, gastava o restinho de forças para não tirar os pés do lugar, nem deixar cair o peso esmagador que levava nos ombros. Se acontecesse...o tombo ia ser mais que feio.

—Ô, vocês, vão mais para a esquerda. Aí não vão pegar nada que preste!

Lá embaixo, comodamente sentado na grama, Kiki observava tudo, ainda saboreando os restos de uma caixa de pralinés belgas.

—Você...seu...seu...!

Jabu fez menção de sair do lugar. Se moveu irritado, pés se arrastando no chão, joelhos tremendo. Por um segundo errou o passo, tropeçando numa lajota deslocada. Os outros dois rapazes, precariamente equilibrados sobre seus ombros se agitaram desordenadamente, como as partes de uma montanha de cubos prestes à desmoronar.

—Pára com isso, Jabu!!! Eu não consigo nem olhar no visor!!!

—Aaah! Eu não agüento! Pára ou eu vou cair!

Retomaram o prumo com dificuldade, endireitando-se contra a parede. A improvisada pirâmide humana alcançou o beiral de uma janela, Geki, que estava em cima do desajeitado arranjo firmou as mãos.

—Consegui!

Do interior do prédio, o ruído de água corrente e o vapor ganhavam tímidos a noite. Embaixo do monte, sustentando o peso de dois, o cavaleiro de Unicórnio praguejava.

—Preço justo! Bela coisa de preço justo!!!

Nachi arriscou falar:

—Mas veja, foi justo. Você mesmo aceitou essa troca com o menino, fez uma proposta e ele aceitou...

—Eu só fiz isso porque esse demônio da cabeça de pica-pau estava me levando à ruína!!!Eu não ganho o suficiente para manter uma draga movida a petit-gateau!

Kiki protestou:

—Que mentira! Eu só comi três petits-gateaus! E só porque tinha três diferentes, branco, preto e com amêndoa. Ah, eu fiquei indeciso!

—Três petits-gateaus, mais uma caixa de chocolate, mais creme brulée, pra não falar em bolinhos de mascarpone, drageados com licor e um strudel gigante que você nem mexeu!!! E tudo na doceria mais cara de Atenas!!! A hora que eu sair daqui, você me paga!!!

Nachi tentou pisar de novo na boca de Jabu, na esperança de fazê-lo ficar quieto. Kiki não se importava:

—Mas é claro que pago: a hora em que vocês saírem daí com a coisa que me prometeram, vou pagar com gosto. Então, você não quer saber o que vai acontecer no dia 12? É só fazer isso que eu conto. E é melhor fazerem logo, que daqui à pouco é hora do jantar.

Jabu resmungou alguma coisa entre os dentes, algo entre um xingamento simples e juras sentidas de maldição. Geki, encostado no parapeito afastou a cortina que fechava a janela, deixando escapar vapor e perfume de sabonete para o lado de fora.

—É só fazer foco, agora a coisa vai!

—Que bom...Então ande logo...

Kiki sorriu, lambendo os dedos sujos de chocolate. Geki procurou firmar os cotovelos no parapeito. Jabu, sob a pilha toda parecia que ia estourar de cansaço e raiva:

—Seu animal de sela! Essa câmera é foco fixo, não tem o que fazer! Ande logo! Bate logo a porcaria dessa foto e desce de cima de mim!!!

—De nós, você quer dizer...—gemeu um Nachi, quase esmagado.

—Peraí, eu estou meio atrapalhado. E essa coisinha aqui, pra que serve?

O Cavaleiro de Unicórnio já estava quase aos berros:

—Aaaah! Maldita a hora em que eu aceitei uma idiotice dessas! E ainda por cima com a teimosia desse monstrinho de que o Geki tirasse a foto! Isso foi só para nos sacanear, não foi?

—Claro que não, foi uma questão de "adequação"—Kiki respondia com a calma dos grandes executivos, versando as palavras que aprendia na escola—Por as pessoas certas nos lugares certos, para as coisas darem certo. O Nachi de Lobo vive apanhando de máquinas, ele não sabe nem acertar o relógio da sala do Mu, aí não ia servir.

—Ele não sabe, mas eu disse desde o começo que eu sabia usar câmera Polaroid!

Ante o comentário em tom áspero do Cavaleiro de Unicórnio, o garoto respondeu, com ar de superioridade:

—Usar, acho que você sabe...mas cuidar é outra coisa, né? Eu que vejo o estado em que sua armadura vai para o Mu consertar, sempre. E se não cuida nem da própria armadura, acha que vai cuidar da minha câmera fotográfica nova e ultra cara?

—QUE EU COMPREI HOJE PRA VOCÊ, SEU PESTINHA!!!

Mais uma vez o Cavaleiro de Lobo apoiou o pé na cabeça de Jabu, forçando-o a se calar antes que os gritos os denunciassem. Geki, com o coração disparado e um estranho arrepio percorrendo-lhe as calças, apontava a lente para um box de chuveiro onde sob uma transluzente cortininha estampada de jacintos azuis, uma figura esguia e atlética tomava banho.

—Se estivesse mais limpo ia dar...mas tem muito vapor na cortina, assim só vejo borrões. Vai ser difícil...

—Difícil nada...vamos, Cavaleiros de Bronze, coragem. Estou aqui em baixo torcendo por vocês.

—E por que você mesmo não veio aqui tirar essa foto, se queria tanto?! Você é telecinético, podia fazer a câmera levitar, flutuar até a janela, se teleportar...

Kiki fez um ar chocado:

—O que vocês estão dizendo?! Eu, uma criança inocente ficar olhando essas coisas...erradas?!? Ah, vocês são um bando de tarados, eu vou embora!

—E POR QUE ESTÁ NOS MANDANDO TIRAR ESSA FOTO, CRIA DOS INFERNOS?!?

Nachi se desesperou: deu um chute na cabeça de Jabu que o fez cambalear, a pirâmide humana dançou para os lados e quase que se estabaca de vez. O menino, de costas, ar indignado, respondia friamente:

—Vocês não vão entender nada! Isso é o que o Alde me explicou sobre "economia", é "investimento". Uma coisa muito séria!

Jabu ainda estava tonto, Geki se agarrou novamente ao parapeito, sentindo ainda mais o arrepio terrível dentro das calças, se esgueirando mais e mais para baixo. Apontou novamente a lente, enquanto a comichão o fazia dançar. O Cavaleiro de Lobo protestou:

—Pare de mexer os pés!

Geki se ajeitou, tentava ficar quieto, missão quase impossível. Os joelhos de Jabu sacudiam, Nachi, violáceo, parecia que ia desmaiar. Kiki se serviu de mais um praliné, observando tranqüilamente a situação.

—O Cosmos voltou a percorrer a armadura. Estava adormecido e despertou.

—E despertou na pior hora!—Geki não agüentava mais, cócegas insuportáveis se movendo definitivamente para onde por bem não deveriam ir—O Cosmos...eu sinto ele...eu sinto ele no...Ai, isso está picando demais!!!

Abaixou uma das mãos para se coçar enquanto com a outra segurava a Polaroid. Ao ser tocado, O Cosmos deu um salto, e beliscou com vontade aquelas partes sensíveis.

—AI!

Alertada pelo grito, a figura viçosa desligou o chuveiro. Sem abrir a cortina, alcançou a máscara pendurada em um gancho ao lado e ajeitou-a com ligeireza. Finalmente saiu do box, nua e intrigada, se enrolou numa toalha e virou o rosto para a janela. Foi andando, os cabelos esmeraldinos ainda a pingar sobre os seios. Deu de cara com um Geki de Urso com uma câmera na mão e a outra bem animada, disposta em lugar sugestivo.

—Uh...Comandante Shaina...

A mulher, surpresa não disse uma palavra. Apenas se aproximou, cerrou o punho, mirou e disparou. Soco memorável digno das lendas imortais do pugilismo. O flash da Polaroid espocava enquanto Geki, de olho roxo, caía lentamente para trás, arrastando com ele Nachi e Jabu. Até bonito de se ver, um castelo de cartas se desmanchando no ar, segundo que durava uma eternidade. Kiki agitou-se: em quase desespero, jogou os pralinés para o alto e lançou-se ao resgate, destemidamente. Saltou no chão, se arrastou na grama. Salvou do pior a máquina e sua foto.

—Consegui!

Do lado, caídos um sobre o outro, os três Cavaleiros de Bronze contavam escoriações.

—Meu olho...

—Não reclame, sarnento...O olho que ela meteu a mão foi o meu...

—Tá, mas você pisou no meu olho.

—Ah, parem de choramingar!

—Pior é que ficamos sem a foto...

Kiki olhava a câmera e o papel que saiu dela, com um grande sorriso.

—Mas que nada! Deu tudo certo, a foto está aqui sim, perfeitinha! Tudo ficou muito bem.

Mostrou a fotografia, nela se via Shaina embrulhada na toalha, braço esticado desferindo o golpe mortal. Geki escrutinou a imagem com a vista restante, desanimado.

—A foto...saiu? Mas ela está com a toalha...não era uma foto da comandante sem roupa que você queria?

Kiki olhou o trio caído, com ar de supremo desprezo.

—Mas vocês não entendem nada mesmo. Eu disse que queria uma foto dela pelada?!

—Disse sim, disse que queria uma foto dela sem a armadura! Nem vem!

O garoto apontou para um detalhe na foto:

—Eu disse sem o PEITORAL da armadura!

Na imagem, via-se nitidamente uma marca de nascença bem redonda, sobre o colo exposto da Amazona de Prata. Kiki explicou:

—Um cara da minha classe disse que a Shaina tinha uma marca em forma de morango no peito, eu dizia que não era, que era em forma de cereja. Então: é redonda, igual cereja. Vou ganhar um monte de coisas, ele caiu na besteira de apostar.

Kiki guardou a foto. Jabu esperneava em baixo de Geki e Nachi.

—Agora então, a gente cumpriu nossa parte! Conta logo o que tem no dia 12!

—Claro! No dia 12...

Os três Cavaleiros de Bronze se ajeitaram como podiam, atentos. Finalmente iam descobrir a informação preciosa que lutaram tanto para saber. Kiki fez uma pausa, suspense mais que necessário numa hora tão reveladora. Jabu abriu a boca, Geki crispou as mãos, Nachi arregalou o olho bom. O garotinho tossiu um pigarro, solene...

...e concluiu:

—Eu vou para a Disney!

O queixo do cavaleiro de Unicórnio, pendente em uma exclamação inaudível, despencou de vez. Logo em seguida se fechou, quase travado num rosnar de fúria.

—Você...o que?!?!?

—Eu vou para a Disney. O Alde e o Mu já acertaram tudo, vou sair bem cedinho. Vai ser muito legal! Eles não vão comigo, mas a Shunrei e o Shiryu vão me levar.

A notícia fez Jabu mudar de cor, e começar a empurrar Geki, na vã tentativa de se libertar.

—SEU...SEU PIVETE DESGRAÇADO!!!VOCÊ DISSE QUE ERA IMPORTANTE!!!

—Então: era mesmo: importante para mim.

Kiki nem olhava para o acesso de fúria do Cavaleiro de Bronze, já se preparava para ir embora quando uma forma branquinha e peluda saiu do meio do amontoado de gente no chão, saltitando no gramado até seus pés.

—Cosmos!

Foi a vez de Geki arregalar o olho bom:

—Co...Cosmos? Então era isso que era o "Cosmos percorrendo a minha armadura" que você falou???

Kiki estendeu a mão, deixando o rato branco subir por ela.

—É, o Cosmos é o mascote da classe. Mas a professora acha o coitado nojento, e disse que ia se livrar dele se visse ele correndo no pátio. Por isso que eu disse pra vocês disfarçarem.

—E entrou na minha armadura???

—Ele tem essa mania. Bom, o Mu e o Alde estão me esperando, é hora de jantar. Vou pra casa! Tchau!

O garoto desapareceu no ar. Geki ainda balbuciou um "mas esse bicho mordeu o meu...o meu..." sem achar coragem para terminar a frase. Uma chuva fina que começava a engrossar roubava o espaço das aragens de verão, molhando o trio. Uma bela noite, com certeza.

—Mas que coisa...patética!

Não se sabe quanto passou antes que a voz se ouvisse, tirando-os do delírio molhado e contundido da humilhação. Pareciam absortos em uma singular dobra temporal: Jabu esmurrando o chão, Geki travado, de boca aberta, Nachi simplesmente esticado na grama, enquanto os pingos de água se espalhavam em sua cara. Em pé, ao lado deles, a figura de capa, guarda-chuva, moicano branco e galochas lhes observava, com enfado.

—Ichi?...Oi, e aí como foi lá com o quarto de despejo? Deu tudo certo?

O Cavaleiro de Hydra fez uma cara azeda: a pergunta do Lobo não tinha agradado.

—Ah, esquece...E saiam dessa chuva, isso está ridículo, não precisam nem me contar o que houve...

—Ah...nós voltamos à estaca zero. Sem informações...

—Por enquanto—respondeu Ichi enquanto ajudava Jabu a se por de pé—Mas eu sei onde conseguir a informação que a gente quer. Na maior segurança.

Os três cavaleiros olharam surpresos para a cara de Ichi. Hydra sorriu, confiante.

—Venham comigo, eu explico o plano. Amanhã de noite vamos estar sabendo tudo sobre dia 12!


Ms. Rhode's Rambled Reports: Fico me perguntando por que não tem muita fanfic que aborda os Cavaleiros de Bronze secundários. As pessoas olham muito para dourados, ou para "Seiya e os outros", e se esquecem que existem esses, que nem "outros" são. Chega a ser mais fácil achar fics com o Misty e o Myu de Papillon do que algo envolvendo os cinco rapazes (e olhem que tanto Misty quanto Myu morreram, por vezes até ressucitam eles para viabilizar as novas histórias). Raríssimas iniciativas, tanto em texto quanto em imagem são conhecidas: lembro de um doujinshi hentai colorido que mostrava Jabu de Unicórnio e Saori em poses aeróbicas de fazer corar um frade de pedra, e mais o elegante—e lamentavelmente extinto no início de 2006—site japonês "Velvet Underground", que criou fanarts maravilhosos com Ichi de Hydra e Nachi de Lobo (além das séries inesquecíveis de imagens de lemurianos—com Mu de quimono, Kiki adulto e Shion idoso—e uma galeria dedicada ao Afrodite, sempre com um rosto predominantemente masculino e sedutor).

Para mim está sendo gratificante trabalhar com os chamados "Bronzes Menores": são muito divertidos e geram possibilidades interessantes. São alguns dos personagens de Saint Seiya mais dados a reprovações e a atitudes falíveis, o que é, em verdade, totalmente humano. Mesmo caracterização canônica—algo do qual eu faço questão absoluta, como ser inacreditavelmente chato que sou—tem sido mais fácil do que eu esperava: os elementos dos "Bronzes Menores" podem ser poucos, mas existem, basta usá-los com sabedoria.

Quem sabe esta fanfic possa ser um início de movimento de valorização da "Turma do Jabu", para que as pessoas vejam que eles não são apenas figurantes na trama, e sim, que história com o "quinteto esquecido" dá bom caldo. Ao menos posso dar a idéia para alguns leitores que podem se animar a escrever mais coisas com eles. Não é mesmo? (Deneb olha com ar suplicante para as cinco pessoas no fundo da sala, que se encolhem).

Isto continua? É claro que continua! Sigam-me os bons!!