Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos de Saint Seiya, Saint Seiya Episódio G e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal.
Informação para o leitor:
Yaoi (contém relacionamento amoroso entre homens).
Avaliação etária: M/NC-17 (situações adultas, sexo, consumo de álcool e substâncias legalmente questionáveis, violência estilizada)
Par citado: Aldebaran & Mu...e algumas outras coisinhas mais, dos mais variados tipos (et pour quoi pas?)
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"12"
Por: Deneb Rhode
13.
Tecnologias da Inteligência
—Gavião para Coruja... Gavião para Coruja...Na escuta, Coruja?
Se Rodorio, vila mais próxima ao Santuário de Athena era um cantinho de tranquilidade pacato e ajeitado, singelo e pacífico, com aquele clima bonachoso de cidade do interior, o mesmo não dava para dizer da minúscula e mal-encarada Baía da Caveira da Górgona, situada umas tantas milhas ao sul. Porto clandestino fedendo a anchovas, onde desembarcava toda espécie de carga questionável desde eras imemoriais, ainda hoje fazia seu cotidiano em cima do A B C da economia de bas-fond: assaltos, biscates e contrabando. Violenta até as fundações, com um clima tão amistoso quanto o de um presídio de segurança máxima, a pequena localidade era o abrigo favorito de tudo de pior que o Santuário rejeitasse e nunca mais quisesse por perto: ex-mercenários, trapaceiros, ladrões, renegados , gente expulsa da corporação, o pacote completo daquilo que por motivos os quais nem os deuses soubessem, escapasse de quase certeiras sentenças de morte.
E é nesse lugar bacana, onde ser depredado no meio da rua é mera rotina e até bebês andam armados com navalhas que vamos encontrar um de nossos heróis, em cima de um telhadinho, bem ao lado de uma janela: quase morto de calor debaixo de sombra nenhuma, torrando a mercê do sol implacável da Ática, o vermelho da careca ardida contrastando com o branco do moicano empapado em suor...
— Gavião para Coruja!
...ignorando solenemente a barulheira de chiados e voz fanhosa que brotava de sua mochila.
—ICHI DE HYDRA! LACRAIA! QUER FAZER O FAVOR DE ATENDER?!
Irritado, tirou a fonte de barulhos da mochila: um walkie-talkie cor de rosa berrante, falsificadíssimo, até no cheiro: tutti-frutti misturado com plástico ordinário Made in Taiwan.
—Eu estou ouvindo, você está me vendo, agora pare com essa palhaçada! Acha que isso tudo é necessário?
Do outro lado da rua, em frente aos botecos e casinhas de ar decadente, um tão irritado quanto Jabu de Unicórnio vestido em abafadíssimo suéter de mangas compridas gesticulava e vociferava em frenesi. Ao mesmo tempo em que apertava os botões de um nada discreto reloginho de pulso: tão rosa e ordinário quanto o comunicador nas mãos de Hydra, tão cheio de frescuras, babados e lacinhos quanto permita o mau gosto. Quase encoberto por cabelo, enganchado na sua orelha como se fosse um aparelho de surdez pink , um fone com fio acolhia as palavras de Ichi, as mantendo invioláveis para o exterior.
—Claro que é necessário, temos que testar isso antes! Eu preciso fazer com que essa coisa dê certo! Ou nada vai dar certo!
Hydra resmungou, enxugando a face com os dedos.
—Ah, tá...você acha que dando esse escândalo e com essa maravilha da tecnologia chinesa estilo Barbie alguma coisa vai dar certo? E quanto a mostrar...imagine se não tem ninguém olhando para você.
Apenas gesticulou, indicando com o dedo o pedacinho de rua em volta de Jabu. Unicórnio olhou ao redor. Um grupo de meninos descalços o observava e caía na risada, duas velhas encarquilhadas lhe analisavam os gestos, boquiabertas, uma garotinha, puxada pela mãe cheia de tédio apontava o pulso do Cavaleiro de Bronze em total surto de birra escandalosa, aos gritos de "é da Hello Kitty, eu queroooooo!" Vermelho como um tomate, Jabu fez a cara mais séria que conseguiu, se aprumou, engoliu em seco e tratou de achar uma explicação:
—É para...é para...para minha sobrinha! Minha sobrinha, e eu tenho que experimentar! O que vocês estão olhando?
Com um gesto irritado dispersou os garotos, enquanto as velhas saltavam passos atrás e a menininha continuava se desbordando em urros, estoicamente arrastada pela mãe. Ajeitando gola e manga para encobrir o fio, puxando o suéter por cima do reloginho-comunicador, Unicórnio continuou o azedo diálogo com o amigo no poleiro:
—Bote o seu walkie-talkie dentro da mochila, não fique com ele à mostra, dá para enxergar essa coisa a quilômetros! Se esconda direito, vamos fazer como combinamos.
De cara amarrada, Ichi voltou a guardar o aparelhinho dentro da mochila, largando apenas uma fresta por onde pudesse falar e apertar os botões. Com a bolsa no colo, ouvia abafadamente a voz de Jabu, quase sem entender o que ele dizia.
—Você tem consciência de que eu não estou achando que isso vai dar certo. Jabu, essa ideia de..
—Não me chame pelo nome! Combinamos códigos, esqueceu?
—Ah...claro, combinamos—e coçou a testa, sem se lembrar—Alguma coisa com bichos, era?
—Os pássaros, os pássaros! Lembre, eu vou chamar você, que está de vigia, de "Coruja", e você me chama de "Gavião ". Assim não vai ter perigo de alguém saber o que estamos fazendo se interceptarem a comunicação. Agora, trate de ser discreto: use seu fone, minha voz deve estar vazando aí do outro lado...
Ichi meneou a cabeça em negativa, o moicano dobrou mais uma vez sobre a careca, escorregando as pontas no suor.
—Não vai dar, meu amigo. Isso aqui não é equipamento de inteligência do Mossad, é só um brinquedo falsificado de quinta categoria que você comprou no camelô. E por acaso sabe o que acontece quando um brinquedo de camelô passa muito tempo fritando no sol?
—Mas você não está aí nem há dez minutos!
—Para uma tranqueira dessas, isso já é muito tempo. O fone queimou, não tenho como usar, sinto muito. Dê-se por satisfeito que essa outra parte ainda funciona. Ou pelo menos funciona um pouco.
Cutucou o botão de volume do aparelho: um tsunami de ruídos, chiados, microfonias distorcidas, estalidos e apitos nos mais proibitivos decibéis invadiu o ouvido de Jabu, enquanto se repetia como um guincho esganiçado pelo alto-falante do walkie-talkie. Como se tivesse a cabeça atravessada por mil pregos, Unicórnio segurou as orelhas, corcoveando e praguejando em fúria:
—AAAH, VAI EXPLODIR MINHA CABEÇA! PARE COM ISSO, DIABO! PARE AGORA! TIRE ISSO DE MIM! EU VOU...
—Você não vai nada, ao menos nada por enquanto, e pare com esse showzinho, quer mais gente olhando?!—Hydra tentava regular o som do aparelho, sem sucesso—Ou vai desistir de encontrar o tal Homem Alto "A."?
Com os ouvidos doendo e sob a mira dos olhos esbugalhados das duas senhoras, que se afastavam dele na corrida enquanto faziam mil gestos de benzedura, Jabu ajeitou-se e respirou fundo. Era verdade, precisava ter foco. A carta misteriosa que lhe chegara às mãos naquele dia e o encontro que marcava para um lugar tão sinistro eram assuntos prioritários. Resoluto, checou mais uma vez o endereço: uma porta encardida num sobrado rosa bastante feio, onde se destacava apenas uma tabuleta escrita à mão:
"MONA KRESPIA—DENTISTA & AFINS"
—Mona Krespia, dentista...Esse nome não me é estranho. Tinha uma mulher com esse nome no Santuário, não?
—Era uma das servas do último Patriarca, uma das poucas que não sumiu—Ichi recordava os fatos enquanto ainda tentava ajustar o volume—Lembro quase nada dela. Foi mandada embora ainda naquele tempo e parece que trabalhava em Rodorio com alguns bicos...Será que agora virou dentista?
—Bem, isso importa pouco. Ela deve ser apenas dona desse pardieiro, o que me interessa mesmo é o "A": o homem alto perto do espelho e do tal "Tratamento 12" que tinha na mensagem. Se esse sujeito tem mesmo algo a dizer, vamos saber agora!
Ia armando o punho para bater na porta, Hydra por uma última vez lhe pediu atenção:
—Olha, Jabu, digo...Gavião ...Só para confirmar, você tem certeza do que está fazendo?
—Claro que sim, Coruja. Esse nosso plano é à prova de falhas. Tudo friamente pensado e calculado.
Ichi suspirou fundo.
—Ahn...Recebemos esse bilhete há menos de duas horas atrás, não sei como se pensa e calcula algo em tão pouco tempo. E só o fato de estarmos aqui prova que não pensamos direito: você sabe que a Baía da Caveira da Górgona é considerada área restrita. Ninguém do Santuário vem para cá sem avisar, a não ser que queira ganhar de presente um interrogatório de várias horas e muita dor-de-cabeça. Não é um lugar bem-visto por ninguém, a Corregedoria costuma encrencar...
Ouvindo Hydra, Jabu sorriu, astucioso.
—Então, você disse tudo: a Corregedoria. É esse mesmo nosso trunfo na manga!
—Como?!—Hydra, confuso, quase deixa a tralha fugir das mãos—Mas que história é essa?
—Simples: lembre-se que desde aquele incidente com o Shaka, estamos sob Estado de Atenção no Santuário, quase tivemos um Alerta Máximo. E nisso, a Corregedoria anda toda assanhada, detendo gente para averiguações a troco de ninharias. Só hoje de manhã, dos recrutas que vivem espiando o alojamento feminino uns nove foram para inquérito, no mínimo quatro direto para a sala do Milo...
—E-eu não imagino no que uma coisa dessas iria ajudar a gente!
—Elementar, meu caro Lacraia—e por um segundo Jabu despiu-se da cautela para ganhar os ares de um Sherlock cozido, derretendo sob o calor mediterrâneo—Se nesses dias tem gente sendo detida por olhar o alojamento das moças, o que será que acontece com alguém que seja visto entrando na Baía da Caveira da Górgona?
Ichi engasgou, olhos arregalados, pensamentos subitamente se atravancando nos nervos diante da pergunta.
—Você..não...quer...dizer...que...
—Sim!—E Jabu sorria, triunfante—É isso mesmo: qualquer um visto indo para cá vai parar certamente em alguma sala de interrogatório por uma tarde inteira, com o Milo enfiando-lhe a unha no nariz!
Silêncio. Interrompido pelo ruído de engolir em seco, tosse, soluço, gemido, ranger de dentes, seguido de um arfar ansioso e um guincho atrapalhado, meio gago, brotando a toda potência no fone de Unicórnio.
—E-E-ENTÃO, VAMOS DAR O FORA DAQUI! AGORA!
Ichi largou a mochila, se jogou de qualquer jeito do telhado. Foi disparando pela rua, ansioso em botar distância entre ele e aquele lugar nefasto, autêntico saco das encrencas. Antes que conseguisse avançar mais que poucos metros, Jabu, rápido e preciso como um verdadeiro gavião o interceptou:
—Onde você pensa que vai?!
—Salvar meu nariz enquanto ainda tenho um!—e Hydra não parava de espernear—Vou voltar para o Santuário agora mesmo, antes que alguém me veja e...
Irritado, Unicórnio o arrastou de volta , rosnando entre dentes:
—E vai abandonar o plano na metade? Escute, seu idiota, nós já estamos aqui, se alguém por algum acaso nos viu entrando, não é saindo que vamos nos salvar do Milo! Nossa melhor chance é essa, apanharmos o conspirador antes de todo mundo! É isso que a Corregedoria quer, no fim das contas! O resto não vai livrar a nossa cara!
Hydra cedeu, parou de debater-se, acompanhava o outro com pernas bambas, muito pálido para alguém que estava tostando ao sol.
—Olha, Jabu, se isso der errado...se der algo errado...
—Não vai dar nada de errado, nós estamos na vantagem! Temos o walkie-talkie que grava e esse reloginho que capta som e dá para esconder na manga. O plano é simples: falo com o Homem Alto, obtenho evidências, você grava a conversa e aí damos o fora. Com isso na mão, se o Milo perguntar algo, mostramos alguma coisa do que conseguimos. E pronto! Salvamos Athena, e tenho certeza de que a Corregedoria vai é nos agradecer!
O colega ainda estava inconformado com a situação, tentava argumentar.
—Eu nunca vi a Corregedoria agradecer a ninguém, nunca! E mais, essa carta, esse mistério logo num lugar desses...Você mesmo disse que parecia uma cilada. Acha normal se jogar assim, botar o pescoço na linha pra ver se passa trem?
—Muito bonito, seu covarde! E o que você acha que pode acontecer com a gente?
Como se fosse a resposta, a portinha do consultório de Mona Krespia se abriu, com um homem barbado, forte e troncudo, coberto de tatuagens de marinheiro saindo em fuga alucinada rua afora. Ia a toda velocidade, ferido e seminu, mais desembestado que o próprio Hydra, berrando e chorando como um bebê:
—EU NÃO AGUENTO! CHEGA! PARA! EU QUERO MINHA MÃE! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE!
E uma mulher baixinha, armada com o que parecia um imenso alicate saltou igualmente pela porta em seu encalço:
—Volta aqui, safado, não acabou! Acha que pode sair sem pagar?
A perseguição dobrou a esquina, se perdeu nas ruas de trás, onde os gritos do homem ecoavam transformados no mais absoluto recital de horror, velado pela distância e por sons de destruição. Ichi gesticulava nervoso, apontando para o lado onde os personagens saíram de cena enquanto uma garota de cabelo platinado, trajando minúsculo vestido preto e vermelho, meia arrastão e brilhosas sandálias rubras de salto altíssimo aparecia na porta. A moça sentou-se nos degraus de entrada do consultório, tranquilamente acendeu um mata-ratos ao mesmo tempo em que Jabu tentava acalmar o outro Cavaleiro.
—Ora, tome vergonha, você está com medo disso? Não podemos dar importância para uma bobagem, isso não é nada!
—Nada? Não parecia com um "nada"! E pensa um pouco: se isso é o que tem do lado de fora, o que é que pode ter lá dentro?!
Unicórnio estava farto:, com sincero desprezo no olhar largou Ichi na calçada, dando-lhe as costas.
—Nada que possa NOS fazer mal. Você por acaso se esqueceu que somos Cavaleiros de Athena? Temos a força de partir estrelas com nossos punhos! E você ainda tem medo?
—Tenho!—agastado, Hydra tentava se recompor—Somos Cavaleiros DE BRONZE, estamos longe de ser a coisa mais forte que exista por aí! Se aí dentro tiver...
—E o que é que pode ter lá?!—o amigo o cortou, desafiador e colérico—Pensa, Lacraia, é o que estou tentando explicar desde o começo! NÃO VAI TER NINGUÉM MAIS FORTE QUE NÓS! Teria que ser alguém do Santuário, um dos oficiais superiores, um Cavaleiro de Prata! E esses também estão fugindo da Corregedoria como um bando de ratos assustados! Não vão aparecer num lugar desses, nem eles nem outros Cavaleiros de Bronze! O resto desta vila é só de criminosos ordinários, gente sem Cosmos, sem poderes, sem nada! Não podem nos fazer mal!
Ichi murchou os ombros, se dando por vencido. Resignado, voltou a escalar o muro da casa onde estava antes, em busca de seu antigo posto de observação. Jabu, decidido, interpelava a garota na porta:
—Você é Mona Krespia?
—Não—e a loira displicentemente soltou uma baforada de fumo dos lábios vermelho-incêndio direto no nariz de Unicórnio—A Mona saiu, acho que volta logo. Se quiser, pode esperar que acho que ela atende: na sua frente tem só um cara.
Arrematando:
—Aquele cara grande, no salão.
Sem mais palavras, voltou a pitar o cigarro. Sob a menção de um "cara grande", Jabu aguçou olhos e ouvidos e se apressou pela porta, nervos armados para a fatídica ocasião. Com certeza ia ficar diante do misterioso "A.", o homem alto do qual falava o bilhete! No escuro hall de entrada, iluminado apenas por abajures poeirentos, refez o contato, chamando Ichi pelo walkie-talkie.
—Estou chegando no lugar marcado, se prepare para gravar!
—Já está gravando—e a voz de Ichi era puro desânimo—Só espero que a gente tenha chance de sair desse buraco e continuar inteiro...
—Deixe de besteira, homem! E quem seria páreo para nos enfrentar? Já disse que não tem ninguém mais forte que nós por aqui! NINGUÉM MESMO! Atenção, é agora...
Do hall desembocou numa sala mais clara, mobiliada com gastos divãs cor de vinho, muitos espelhos, cadeiras acolchoadas, luminárias vermelhas ornadas de carcomidas rendas negras. Estátuas de mulheres nuas serviam como suportes para casacos, um puído tapete de urso bocejava traças. As cortinas de um raiom magenta ordinário e o velho papel de parede estampado com corações e flores circundavam uma pia de granito disposta em um dos cantos, quase atolada entre frascos de gel e cremes. Sobre a parede em grossa moldura, uma reprodução cheia de nódoas de um quadro de Courbet: daqueles empachados de carnes femininas muito à vontade, naturezas bem vivas e polpudas com muito mais a mostrar do que apenas sorrisos .
—Mas que raio de lugar é esse!? ...
—Jabu, você por aqui!
De costas, numa das cadeiras em frente aos espelhos, um homem que parecia muito alto mesmo sentado voltou-se, calmamente fechando um jornal. E antes que Jabu o abordasse, tomou a iniciativa.
—Bom, claro que o lugar não é meu, mas acho que posso convidá-lo para sentar e tomar um chá. Seja bem-vindo.
Jabu empalideceu.
—Co-co-comandante?! ? ?! !
Diante de si, Aldebaran de Touro oferecia-lhe a mão num cumprimento.
Ms. Rhode Rambled Reports: E esta é a prova de que o apocalipse zumbi é uma realidade: mortos estão saindo da tumba, a começar por esta fanfiction, que neste ano completou Jubileu de Flores e Frutas de empacamento—ocasião na qual não ganhei nem sequer uma banana de presente. A locomotiva "12" está outra vez nos trilhos, e estou lidando com ela muito à sério, na medida em que se consiga fazer isso com uma comédia. Portanto, ao sempre diminuto mas querido povo que estava esperando o retorno dela (junto de Dom Sebastião, Jimmy Hoffa e do chocolate Mania, da Garoto), digo que é hora de abrir uma bela garrafa de Nirvana para comemorar: "12" voltou. Não sei se melhor que antes, não sei se pior que antes. O que importa é que voltou.
Não pensem que durante todo este tempo eu não pensei em continuá-la: até pensei, mas a vida real entrou no caminho e me obrigou a me ocupar de coisas mais urgentes (e fico de mal se alguém disser que foi a fadiga que me impediu). As coisas não estiveram fáceis—claro, nunca são para quem tem uma média de 17 bocas para alimentar e manter saudáveis—mas acima de tudo, faltou tempo & saúde para fazer a pataquada direito & como se deve. Tive que eleger outras prioridades, não tinha mais como virar a noite pesquisando avidamente o melhor do conhecimento universal apenas para o luxo de esculhambá-lo com classe.
Além de elementos de desmotivação e motivação, brigando entre si tal e qual Seiyas e Jabus dançando ragatanga de cueca no meu pobre ego. Teve disso sim, não vou negar, mas teve dos dois. E não digo o que foram. Não agora. Se eu disser o que desmotivava, sei que apanho. E se eu disser o que motivava, aí levo um tiro. Vou deixar isso para algum dia mais tranquilo, durante alguma entrevista com minha augusta pessoa (ô pretensão!), quando eu esteja de preferência em um bunker com wi-fi, uma piña colada e uma Jacuzzi...
"12" teve que esperar. Até neste dezembro, quando resolvi ligar o "F...se" (traduzindo: o "Faça-se"), deleguei funções, espremi horários, fatiei compromissos, piquei o que estava agendado, comprei um estoque monstro de energético (dormir é para os fracos!) fiz meus médicos chorarem como a Shunrei no rochedo da cachoeira de Rozan e decidi tocar esta loucura em frente. E é loucura mesmo: meus ossos que o digam! Mas sei que vai valer o esforço se eu conseguir tirar "12" do purgatório das fanfictions incompletas para sempre e dar-lhe um final ultrajantemente digno. Admito: quase desisti dela. É só porque não tenho juízo que voltei.
E hoje é 12.12.2012! Dizem que o mundo acaba agora dia 21. O que significa que tenho exatos 9 dias sobrando para dar um fim nesta farofa. Ou não. Se o mundo acabar antes da fic, posso usar isso como justificativa para tirar férias em Tamangandapio por mais quatro anos (Deneb leva pedrada) De todo modo estou aqui, escrevendo, e parece que agora a coisa vai. Seja lá como for.
Isso continua? É claro que continua! (e tire essa risadinha de "Ah, não creio!" da cara!) Sigam-me os bons!
