Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos de Saint Seiya, Saint Seiya Episódio G e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal.
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"goo. gl /GSVHH"
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Informação para o leitor:
Yaoi (contém relacionamento amoroso entre homens).
Avaliação etária: M/NC-17 (situações adultas, sexo, consumo de álcool e substâncias legalmente questionáveis, violência estilizada)
Par citado: Aldebaran & Mu...e algumas outras coisinhas mais, dos mais variados tipos (et pour quoi pas?)
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"12"
Por: Deneb Rhode
14.
O Infiltrado
—Gavião? Gavião, está tudo bem? Está me ouvindo, Gavião? Ga... Ah, que droga, Jabu, fale alguma coisa! Quem é que você disse que achou?
Ichi poderia falar naquela hora o que quisesse, não ia receber qualquer resposta. Do outro lado da linha Jabu parecia ter se transformado em uma estátua, sem voz ou movimento ante a um interlocutor maior, mais graduado, muito mais forte e que por acaso encabeçava sua lista de suspeitos de conspiração: Aldebaran de Touro, um dos Cavaleiros Dourados chefes do Exército de Athena. Sorrindo magnânimo, a imensa mão estendida num gesto amistoso.
—Devo dizer que é...interessante vê-lo num lugar desse. Veio por algo em especial?
—Erhm...hum...uh...aaahh...
Ainda pálido e gago, Jabu revirava as tripas no incômodo dilema dos aventureiros perante as esfinges. Veio para fazer perguntas, agora era perguntado e não tinha o que responder. Queria falar, devia saber o que falar, mas uma força invisível mais intensa que o cosmos dos doze Cavaleiros de Ouro juntos lhe amarrava a língua: nada de sobrenatural, apenas o gelo do susto ante um oficial de altíssima patente, ao ser visto numa hora errada e num lugar mais errado ainda. A indagação do superior ficou no vazio: deu-se ali uma quietude tensa, desconfortável, quase um duelo de western onde não se usam armas, só palavras.
No meio do silêncio incômodo o comandante preferiu sacar primeiro: com o brilho um pouco apagado, sobrancelha grossa erguida, tentou de novo resposta.
—Eh...Jabu?
Nada.
Touro suspirou, guardou a mão no bolso, um tanto sem graça. Ajeitou-se na cadeira, examinou por alguns instantes o Cavaleiro de Bronze petrificado, coçando o queixo. Voltou-se novamente para o jornal, vez por outra deixando a leitura para olhar dos lados, checar se o tentado interlocutor ao menos se mexia. Após mais alguns instantes levantou-se.
—Bom...enquanto a Mona não volta, eu vou...dar um jeito numa assunto, licença.
Com um sorriso amarelo, foi deixando a sala após fazer um gesto discreto para a garota de cabelos platinados, que voltava do cigarro e aparecia na porta. Juntos, sumiram para trás de uma cortina de pedrarias e conchas. Enfim só diante dos espelhos, longe do escrutínio de um membro do Alto Comando, Jabu enfim respirou. E respondeu à voz insistente, que durante todo o tempo não parou um minuto, castigando seus ouvidos.
—JABU, FALE ALGUMA COISA! JABU! JABU!
—Pare de zurrar na minha orelha!—Unicórnio rosnou de volta para Hydra pelo comunicador—E use os códigos, quer nos entregar?
—Bom,ok, eu uso...Gavião. Apesar de que você está mais para Mula Surda. Estou aqui berrando há um tempo enorme, custa responder?
—Não dava pra falar naquela hora, a coisa estava complicada! Temos problemas, tem...
—...alguém da chefia aí dentro. Sim, eu ouvi quando você disse.
—Alguém da chefia?—Jabu exasperava-se—Se fosse só isso ainda seria moleza, tem um Cavaleiro de Ouro aqui! Pior, é o Aldebaran! O mesmo que estamos investigando! Caí literalmente na mão do nosso suspeito!
No alto do telhado, Hydra levava o punho ao rosto, agastado:
—Eu disse, eu avisei que isso não ia dar nada de bom! Olha, no seu lugar eu desistia dessa coisa de investigação e tentava arrumar alguma desculpa boa para o interrogatório da Corregedoria mais tarde. E é melhor ser legal e passar algum açúcar no chefe que está aí: quem sabe se não dava para ele lhe dar algum indulto, apelar junto ao Milo, livrar sua cara...
—Surdo está você, não ouviu o que eu disse? Ele é o nosso SUSPEITO!
—Isso importa agora? Suspeito ou não, aproveite que no geral ele é bonzinho e ficha-limpa e...
Travou uns instantes, pensativo. Havia algo de errado naquela cena.
—...mas que mal pergunte, Jabu: que diabos o Aldebaran está fazendo aí?
Unicórnio ia responder, abriu a boca. A dúvida lhe roubou as palavras. De fato: o chefe, célebre pela conduta exemplar como oficial de exército e devotado homem de família, gostos caros e refinamento, ser visto numa espelunca daquelas em plena Baía da Caveira da Górgona...mas isso fazia sentido? Ainda confuso, olhou para o lado da sala por onde Touro saiu, a cortininha de pedras brilhosas ainda se agitando.
—...olhe, La...digo, Coruja...agora você me pegou. Eu não faço a menor ideia! Não sei porque ele viria para um lugar desses. Isso aqui é um...um bordel, um bordel barato e caindo aos pedaços!
—Bordel? Mas e a coisa de "dentista"?
—Eu sei lá, deve ser só fachada. O que estou vendo em volta de mim é um bordel, pode ter certeza!
—Aldebaran num bordel? E será que o "marido" dele sabe? Olha, que babado...
—Isso não interessa!—Jabu, irritado, quase gritava no comunicador preso ao pulso—Não estou aqui para fazer fofoca, eu vim para ver o que tinha na carta, e parece que isso foi por água abaixo! Perdemos nossa chance!
Hydra resignava-se, no fundo aliviado.
—Isso aí. É, é mesmo uma pena, mas parece que a coisa do Homem Alto "A." perto do espelho não passava de um trote. Bom, eu vou sair daqui. Você, procure ver se o Aldebaran livra a sua cara e dê o fora também. Quem sabe ele fica com pena por...sei lá, por você ser baixinho...
—Hã? Baixinho?!
—Perto dele, é. E nessa hora vale qualquer...
Ichi já se aprumava sobre o telhadinho onde estava escondido, ia saindo, passando sem fazer barulho diante da janela ao lado quando Jabu o interceptou num berro.
—ESPERE!
O grito, saindo a todo volume do walkie-talkie quase faz o Cavaleiro de Hydra rolar telhado abaixo. A janela se abriu: uma moça peituda e gorduchinha vestida de camisola e bobes na cabeça apareceu, olhando em volta. Ichi se encolheu o melhor que pode junto a um canto de parede, rezando às galáxias para não ser visto. Uma voz grossa ecoou de dentro da casa.
—Volta pra dentro, Zenaide!
—Mas Dodô, eu ouvi um grito na janela!—e a mocinha arrumava uma alça da camisola, mal escondendo os seios fartos—Será que não tem gente aí?
—Gente aí no telhado? Ah, qualé! E volta pra dentro senão lhe espiam da rua!
Foram segundos intermináveis para Ichi, quase sentado em cima do walkie-talkie rosa, abafando a gritaria com braços e pernas. Enfim a moça deu de ombros e entrou, fechando a janela. Furioso, o Cavaleiro de Hydra socou os botões do comunicador.
—Idiota, que bicho lhe mordeu? Já se lascou e quer me ferrar junto, é isso?!
Jabu nem deu importância. A última afirmação de Ichi havia tido um efeito quase mágico nele: o sacado do desespero e acendido uma luz, juntado pontos antes desconexos em sua cabeça, esquecidos no meio da ansiedade. Tudo fazia sentido: carta, lugar, pessoas presentes, letra "A". Estava em epifania, como se tivesse descoberto a América.
—É isso, Coruja! O Homem Alto "A"! Perto do espelho! Não era trote!
Ichi , desesperado, tentava embrulhar walkie-talkie e mochila nos braços:
—Mas cale a boca, bicho barulhento! E, ah, não, não me venha com essa! A situação já está ruim demais, é melhor você não inventar moda agora. Você por acaso viu algum...
—Vi sim, Coruja! Homem alto! Perto do espelho! E que podia assinar por "A"! Coruja, você está pensando no que eu estou pensando?
—Eu estou pensando em ir embora. Ou em enfiar meu punho nessa sua boca enorme assim que encontrar você! Feche a matraca, tem gente aqui perto!
—Pois trate de ficar aí e me dar cobertura! Nós achamos nosso alvo, só preciso ver o que ele está fazendo...
Ignorando os protestos de Ichi, Jabu encolheu o próprio cosmos a um mínimo, e silenciosamente arrastou-se até a cortininha de pedraria, afastando-a devagar. Ali divisou um corredor escuro, nele uma porta fechada de onde podia ouvir vozes, gemidos. Olhou no buraco da fechadura, um pedaço só de imagem, para ele mais que suficiente enquanto escutava.
Aldebaran de costas, meio largado em uma poltrona branca. A garota ajoelhada na frente dele, mexendo em algo que não dava para ver. O Cavaleiro de Ouro gemeu.
—Ah! Cuidado aí!
A moça levantou a cabeça, um tanto desgrenhada.
—Cuidado você, eu já disse para manter o cosmos sempre baixo enquanto está aqui! O tempo todo! Ou não faço direito, esse troço tá enorme...
—Ok, desculpe—Touro voltou a se acomodar na poltrona enquanto a garota retomava o posto de joelhos, se mexendo, a cabeça oculta encoberta pela figura do Cavaleiro—Está meio difícil de se concentrar...
Do lado de fora, Ichi chamava Jabu.
—Então, viu algo?
—Aldebaran com aquela loira da frente, pelo visto...fazendo o que se deve fazer por aqui.
—Ah, linda investigação. Olha, duvido muito que a gente vá descobrir algo melhor ou mais interessante do que a gente viu na janela da casa dele. Jabu, vamos embora!
—É Gavião!
—Tá, tudo bem, Gavião, que seja—e Ichi, exasperado já começava ele mesmo a gritar—VAMOS EMBORA! Chega! Disso saí não vai sair nada!
A janela se abriu de novo, outra vez a mocinha gorducha apareceu, olhar intrigado, segurando os peitos na camisola. Ichi mais uma vez se encolheu, hirto.
—Oi? Tem alguém aí?
—Volta, mulher!
—Dodô, acho que tem alguém me espiando. Tou com medo!
—Depois eu olho. Agora volta, mulher!
—Mas Dodô...
Relutante, a mocinha fechou a janela. Ichi deu um suspiro de alívio. Enquanto isso, na outra ponta da linha, Jabu continuava observando Aldebaran e a loira pelo buraco da fechadura, com toda a atenção. A garota mais uma vez largou o serviço, perguntando:
—E todo esse nervoso de repente é só por causa daquele moleque lá fora?
—O Jabu? É, pois é...
Choque. Ao ouvir seu nome citado por Aldebaran, Jabu grudou-se na porta ainda mais. Então o chefe suspeito estava preocupado com ele? A loira voltava ao trabalho, o homem continuava a falar, sufocado entre gemidos.
—O problema é a época...ai, espera, aí não, faz mais pra cima...Ai...Uhhn! Bom, a época, como eu dizia...A Deusa...e esse...ai! Esse...estado de...ai!...Atenção...Isso piora tudo...ai! Era melhor que o Jabu ficasse quieto...Ai!...
—É melhor você também ficar quieto, já vai acabar. Mas, preocupado com um feto de lombriga igual aquele? No seu lugar eu não ligava pra isso...Que é que ele é, Cavaleiro também?
—S-sim...ai! De...Bronze...Ai! Devagar!
—Isso você resolve fácil, uma Corte Marcial dá jeito. Pode também dar uma boa coça nele e jogar o que sobrar pros peixes, ninguém vai notar. Ou, se estiver muito a fim, conversar com ele também...eu, no seu lugar, não perdia meu tempo. Mas você tentou?
—Tentei falar...ah...ele apareceu aqui...e não fala nada...AAAH!
—Segura as pontas, agora vou lá no fundo. Mas é, esses moleques, tão merecendo uma surra de cinta...
A loira voltou a se abaixar, se agitou mais, fez uns tantos gestos mais firmes, Aldebaran crispou as mãos, se grudando na cadeira, arfando e gemendo alto. Jabu arregalava os olhos, o impacto da revelação sacudindo duramente suas ideias.
—Mas isso é...Isso é...!
Na outra ponta do walkie-talkie, Hydra resmungava:
—O peep show aí está bom, né Gavião? Algo de útil?
—Sim! Ele está...Eu... Ele disse que eu...Você ouviu, não ouviu?!
Hydra, agachado embaixo da janela sacudia os braços.
—Não, não ouvi nada, a não ser você! Que se passa?
—Espere!
No quarto, a cena seguia. A loira continuava o que estava fazendo, enquanto o gigante brasileiro parecia se contorcer. De quando em quando a moça levantava a cabeça, uma ou outra interrupção. Aproveitava para falar.
—E você com tantos planos, dia 12 chegando...ser atrapalhado por um Tatu...
—Ja...Jabu...AH!
—Que seja, um manga-lisa qualquer. Opa, agora vai sair!
E após uma sacudida mais forte, o Cavaleiro amoleceu na cadeira num suspiro. Pouco depois a moça se levantou ajeitando o cabelo, mãos enluvadas brilhando, lambuzadas em algum tipo de substância leitosa.
—Ufa, deu trabalho essa coisa grande!...Aliviado agora?
—Muito, obrigado. Está ótimo. Você faz jus a sua fama.
—Claro, eu sei o quanto sou boa. Especialista! E é bom você vir aqui de vez em quando, não fique tentando resolver essas coisas só em casa. Sempre vale a pena procurar profissionais. Agora se arrume, daqui a pouco a Mona volta pra continuar o serviço com você.
Ainda sentado, Touro se mexia: ajustava algo em sua roupa que Jabu não conseguia ver.
—Eu preferia outra pessoa, digamos que a mão da Mona é meio...pesada...O ruivo é que é bom nisso, ele não veio?
—O ruivo? Sumiu na hora do almoço e ainda não voltou, aquele cara é complicado... Mas não tem erro, é só saber o que pedir para a Mona. Esqueça o completo, você me entende, né? Bom, vai lá, aproveita e já manda o tal Tatu em cana pra largar a mão de ser besta.
—É Jabu. Bom, vou conversar a sério com ele. Se é que não foi embora, o cosmos está fraquinho...Se foi, chamo depois lá na minha sala. Só mais um minuto para eu ajeitar isso, tenho que ir devagar...Caramba, está sensível...
Jabu saltou da porta, alarmado. Ichi o chamou pelo comunicador:
—E então? Vamos embora ou posso ir sozinho? Chefe já deve estar desocupando...
—Já desocupou, e não tenho como sair daqui, ele já disse que me pega assim que eu voltar para o Santuário. Estamos fritos!
—Estamos, não: você está. Até agora não sei de ninguém que me viu, e isso ainda está melhor que já ter sido visto com certeza. Até mais, e que a longa unha da Corregedoria lhe seja leve, amigão.
—Coruja, não me abandone aqui! Coruja! Coruja!
E sentindo-se cercado, sem recursos, gritou o quanto pôde.
—ICHIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII IIIIIIIIIIIIIIIII!
Ichi ia respondendo um "Cala a boca" que ficou incompleto, desapareceu numa tempestade de estática. Um chiado estranho, como se o walkie-talkie de Hydra tivesse sido esmagado percorreu os ouvidos de Jabu, antes de um silêncio morto, vazio. O coração de Unicórnio disparou. A porta da salinha abriu, com a figura enorme do Cavaleiro de Touro aparecendo, encarando-lhe desta vez não muito amistoso, direto nos olhos.
—Ah, então você ainda está aí? Ótimo: vamos conversar de homem para homem, pode ser?!
Jabu engoliu em seco. Parecia que o superior estava a fim de encostá-lo na parede, obter na marra o diálogo que não vingou antes. Em um segundo a mente de Unicórnio viu passar como num flash tudo o que o levou aquela situação: o mensageiro com o bilhete em tom de ameaça, a menção de um homem alto próximo ao espelho, a letra "A" em enigmática assinatura, o camelô azerbaijano e seu walkie-talkie rosa, a Baía da Caveira da Górgona, calor insuportável, cheiro de maresia, crianças rindo de sua cara, moça loira de vestidinho sumário, a placa de "Mona Krespia, dentista"...
E ante tudo aquilo, tomou a única atitude viável, ao menos a seu ver:
—Pois para mim está muito bem, senhor Homem Alto "A"! Pode ir falando!
Enfrentar. Era tudo o que tinha restado. Não tinha mais como fugir, não tinha comunicação, ao menos, iria encarar seu destino como um valente. De punho cerrado, gesto desafiador, havia se resolvido: ia desmascarar o chefe ali mesmo, fazê-lo botar pra fora as confissões, falar de todos os suspeitados planos malignos. No que ia acontecer depois, era melhor não pensar: apenas encomendou a alma aos deuses, jurou mentalmente lealdade a Athena e rogou que seus restos servissem como denúncia e testemunhas mudas de vilania e crimes hediondos.
Aldebaran estacou surpreso, observando a posição de galo de briga de Jabu. Tossiu um pigarrinho, fez uma cara bem séria, das de exigir respeito.
—Eu estou vendo que o senhor, Cavaleiro Jabu de Unicórnio, está se recusando a observar normas de segurança do Santuário, vindo sem licença para uma área restrita em pleno Estado de Atenção. E não quer explicar nada, mesmo interrogado por seu superior, é isso?
—Hehe, não tão rápido!—Unicórnio se derretia em suor gelado, procurando manter a aparência de firmeza enquanto tremia feito uma vara verde—Eu vou falar o que eu vim fazer aqui, mas só depois que o senhor falar tudo! Afinal...o senhor também está em área restrita, desobedecendo as regras! O bom e certinho Aldebaran de Touro em plena Baía da Caveira da Górgona, por que isso, hein?!
Touro vincou a testa, surpreso com a insolência repentina do Cavaleiro de Bronze.
—Eu sou seu chefe, esqueceu?!
—Muito conveniente dizer isso! E as regras não são para os chefes também? O senhor ao menos comunicou a alguma instância superior que estava vindo para cá? Falou com o Estado Maior? Com a Deusa?
—Ora, eu não...mas que diabos você pensa que está fazendo?!
Unicórnio estufou-se:
—Eu que pergunto! O senhor veio aqui com intenções muito certas, parecia muito ocupado lá atrás, não é?!
Aldebaran corou como um pimentão, engasgado.
—Uh, você estava me espiando?!—encolheu os dedos, num gesto nervoso—Olhe...uma invasão de privacidade desse tamanho pode até render um castigo! Não se deve espiar as pessoas enquanto...
—ENQUANTO ESTÃO FAZENDO COISAS ESCONDIDAS EM LUGARES MAIS ESCONDIDOS AINDA, NÃO É ISSO? VAMOS PARAR COM ESSE TEATRO AGORA!
A moça de cabelo platina deixou a saleta onde estava, assustada com o barulho: se pôs recolhida junto à pia, vendo de longe a acalorada discussão. Aldebaran ficou travado, olhar de espanto, pasmo demais para falar alguma coisa. Unicórnio avançou dois passos largos, indo plantar um atrevido dedo em riste bem no nariz do chefe.
—EU QUERO EXPLICAÇÕES AGORA!
Afastando o choque num segundo, um Cavaleiro de Touro indignado agarrou Jabu pelo pulso, o erguendo do chão como um trapo.
—Você está fazendo as coisas errado, Jabu, e quem tem que pedir explicações aqui sou eu! Muitas!—E a sempre amável voz do comandante brasileiro havia se vertido num rosnado ameaçador—Continue assim e vai rezar para todos os deuses para apodrecer na cela do rochedo com menos tubarões!
—Acha que eu tenho medo? Ha-ha, faz-me rir!—e o dependurado Unicórnio estava pálido, vista turva, entranhas doendo; ainda assim forçava sua melhor expressão de bravura e braveza—Eu tive coragem para vir até aqui, não tive? Vim arriscando tudo, e agora vou descobrir tudo! Ninguém vai me passar para trás, ah, não!Eu não vou sucumbir a ameaças! Eu sei para que eu vim!
E esperneando, berrou a plenos pulmões:
—EU QUERO SABER DESSE TAL "TRATAMENTO 12" QUE O SENHOR CONHECE BEM! FOI PARA ISSO QUE EU VIM!
As palavras de Jabu foram suficientes. Aldebaran desarmou a carranca, mais uma vez arregalou os olhos, bestificado.
—Mas então era isso?!
E abriu a mão, deixando Jabu se esborrachar no chão, como uma marionete sem cordas. A garota loira se aproximou, confusa:
—Ele está falando sério?
—Acho que está, parece tão nervoso—Touro coçava a cabeça—Vai ver que não queria que ninguém tirasse a vez dele, aí surtou quando me viu.
—Vez dele? Não me lembro de ter nada marcado para nenhum Tatu...
No chão, meio desengonçado, Jabu tentava se levantar.
—Ande logo e faça o que ia fazer! Estou esperando, quero ver esse tal "Tratamento 12"!
A loira encolheu os ombros:
—Esse não dá, tem que esperar a Mona ou o ruivo, eles que sabem. Mas o ruivo sumiu, nem sei volta hoje. E a Mona...
—DEIXE DE ENROLAÇÃO, QUERO VER ISSO AGORA!
Momento em que a porta da casa se abriu num estrondo. Uma mulher baixinha e mal-encarada , armada com um imenso alicate entrou, ajeitando trajes sujos e ensanguentados.
—Alguém falou em mim?
Aldebaran olhou para a nanica que chegava, para a loira perplexa e para o recalcitrante Jabu. Levou a mão à testa, pensou dois segundos. A loira engoliu em seco. Unicórnio seguia aos berros:
—MOSTREM AGORA O TAL "TRATAMENTO 12"!
—Ele quer mesmo isso?—e a mulherzinha, ninguém menos que a famigerada Mona Krespia sorriu, com um brilho estranho no olhar. Aldebaran interveio, se postando entre Jabu e ela:
—Olha, Mona, é melhor deixar para lá, ele não está atinando muito bem hoje e...
—SEM ESSA, EU QUERO VER ISSO AGORA! CHEGA DE ESCONDER COISAS! SOU UM CAVALEIRO DE ATHENA, E NÃO VOU DEIXAR ESSES ASSUNTOS MAL-PARADOS!
Ante os berros do Unicórnio, Mona deu a volta em Aldebaran, sem cerimônia.
—Sem essa, Grande Chefe!—e foi pegando Jabu pelo braço—Você não viu que é o garoto mesmo que está querendo? E desde quando você nega os pedidos ansiosos de um subordinado?
Arrastou o Cavaleiro de Bronze sem esforço, o levando além das cortininhas de pedrarias, a uma sala ainda mais no fundo do corredor. O jogou porta adentro.
—"Tratamento 12" saindo! Desculpe, meu caro Comandante Aldebaran de Touro, mas...você volta outro dia, não? Não vou ter tempo pra mais nada hoje. A conta eu mando para o Santuário, depois vocês repassam para o mocinho...
Entrou pela porta, trancando-a atrás de si. Na sala maior, encimada pelo quadro de Courbet, Touro e a loira se entreolhavam atônitos, escutando preocupados os gritos de agonia que Unicórnio deixava escapar.
—Essa não deu para entender...Todo mundo é louco assim no Santuário?
—Ignore, deve ser o calor. Mas estou impressionado com o Jabu, pedir um tratamento de 12 horas logo para a Mona?!
—É, é coisa para quem é muito corajoso mesmo. Me conte, sempre tenho dúvidas sobre a vida da Mona, ela nos fala pouca coisa. Ela era uma amazona que foi expulsa do Santuário, não era?
—A Mona? Não, ela não passou no teste para amazona por não ter altura, coitada. Ela virou criada do Patriarca, no tempo em que Saga de Gêmeos havia tomado o poder como usurpador. Mas não deu muito certo: a Mona é obsessiva em relação a algumas coisas, acabou se complicando. Por exemplo, insistia que a água da banheira gigante que existe nos aposentos do Patriarca ficasse sempre absolutamente limpa.
—E que problema tem nisso?
—O problema é que ela achava que cabelo na água da banheira era nojento e resolveu cortar o mal pela raiz. Literalmente. Dizem—não sei ao certo—que ela agarrou o Patriarca e o depilou com cera fervendo, dos pés à cabeça. Não sei se isso é verdade, já que ela continuou viva para ser demitida. Mas lembro que por um bom tempo o Patriarca andou meio torto, com as mãos queimadas e o cabelo dele...bom, aquilo era peruca.
Piscando em espanto, a garota olhou para a cortina de pedrarias que ainda bailava.
—Hum, que coisa...É, parece que o pobre do Tatu está em boas mãos. Boa sorte pra ele: "tratamento 12" da Mona, com tudo que tem direito.
A loira platinada conduziu Aldebaran para fora. O gigante brasileiro a acompanhou, mancando um pouco do pé esquerdo.
—Ainda está doendo?
—Ainda. Mas é como você disse, estava enorme. A hora em que você cutucou fundo para sair eu realmente queria subir pelas paredes. Mas ficou ótimo, eu precisava me livrar mesmo dessa unha encravada. E mais: com dia 12 chegando, quero estar bem para aproveitar com o Mu.
A moça sorriu:
—Qualquer hora traga o companheiro aqui, tenho certeza que ele vai gostar. Atendo pessoalmente, sei que ele trabalha muito com as mãos, uma boa manicure vai ser ideal. Completo o tratamento com o mesmo hidratante de leite de cabra que usei nos seus pés, receita minha, super refrescante. E boto uma máscara para cabelo incluída no serviço. Só lembra de dizer para ele não reparar na casa, aqui era um bordel velho, não redecoramos ainda. O salão é feio, o lugar é feio, mas fazemos o melhor serviço de estética de toda a Grécia!
Já do lado do fora, Aldebaran foi se despedindo. E olhou o cartaz na porta, finalmente prestando atenção:
—"Mona Krespia, dentista"...Gente, ela continua com isso?!
—Ah, continua—e a loira sentou-se outra vez nos degraus, acendendo mais um cigarro—Eu sei lá onde é que ela aprendeu a arrancar e obturar dente, fazer canal...Não tem diploma nem licença pra trabalhar. Mas insiste em fazer isso. Tá lá, odontologia completa , incluída no pacote de 12 horas...
Touro pensou, não disse nada, preferiu guardar respeitoso silêncio. C om um gesto cortês se despediu da esteticista. A loirinha acenou para o brasileiro, fumando tranquilamente. Ignorando preguiçosa tanto os gritos de Jabu que brotavam de dentro do salão quanto o caos do outro lado da rua, o trovejar de uma casa inteira sendo quebrada enquanto mais alguém berrava até o fundo da alma.
—PIEDADE! ME LARGA! PARA DE ME BATER!
—Parar de bater o escambau, seu careca folgado! A Zenaidinha não é paisagem pra ficar espiando não! Vou te mostrar o Punho de Hércules bem em cima desse seu olho sem-vergonha pra aprender!
E uma melíflua voz feminina ia se intrometendo no meio da pancadaria:
—Mas Dodô...Dodozinho...Docrates querido, você ainda sabe dar esse golpe? Faz tanto tempo que lhe expulsaram do Santuário...
—Claro que sei, mulher, ainda tou muito em forma! Quer ver só como arranco as vistas desse palhaço? Vou fazer pra você, lindona!
—Ai, que amor, Dodô! Faz sim!
E a barulheira continuou, enquanto os gritos se perdiam na tarde.
—MEU OLHO NÃO! NÃO! NÃOOOOO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!
Ms. Rhode Rambled Reports: (especial para o fanfiction. net ) Você com certeza viu o (neste momento) novo aviso que consta nos disclaimers desta fic, certo? A coisa de "versão modificada para o fanfiction. net". Caso é que isso foi o que motivou a demora deste capítulo—não tão grande, para quem já esperou quatro anos, mas que de todo modo deveria ter saído na sexta-feira. O problema é que eu não conseguia achar um jeito conveniente de pô-lo na rede, e andava realmente descontente com o que este simpático site de fanfictions andava fazendo com meus textos. Já no capítulo passado, um monte de sinais gráficos, pontuações e sequências de letras andaram faltando, e com isso comprometendo o sentido do que eu escrevia.
Não vou entrar em detalhes sobre o que é certo ou não sobre isso (já escrevi o que penso no meu blog), mas apenas deixar claro que, a partir de agora, o melhor jeito de continuar acompanhando esta fanfic é ir em um dos sites recomendados. "12" vai continuar disponível no fanfiction. net, mas deve, a partir de agora estar disponível também em outros sites. Por enquanto, a melhor experiência em leitura vai ser no meu próprio blog ninhomafagafo. blogspot .com (lembrem-se sempre de tirar os espaços dos links). Mas espero estar em breve em outros sites de fanwork (que de preferência NÃO mexam por conta própria no que eu escrevi. Francamente, de corretor ortográfico já me basta o do smartphone).
De resto, o que dizer deste capítulo? Não muito, além de:
a) Nunca economize dinheiro em aparato de telecomunicações
b) Sim, unha encravada dói. E não importa o quanto se seja grande & forte & valente, tirar ela pode fazer a vítima se torcer feito um quati no cio
c) Jabu finalmente conseguiu ver de perto algo com 12...seja lá o que (já não era sem tempo!)
d) Viva a liberdade das mulheres de se vestirem como bem entenderem! (se Shaina visse isso por detrás daquela máscara, acho que tinha um piripaque)
e) Procure sempre dentistas registrados no CRO, não aceite imitações.
f) Nada como o sentido lusitano de "bicos" para fazer com que a gente pense cada vez mais nos negócios dessa gente bonita da Baía da Caveira da Górgona (mesmo que não fosse o caso...mas dá pra pensar assim mesmo) ***agradecimentos especiais, filológicos, semânticos e léxicos para Aries Sin, que nos contou sobre isso***
E uma pergunta que pode estar martelando a cabeça de muita gente: "Mas afinal Docrates não morreu"? Olha, sinceramente, para um sujeito que já havia sido soterrado numa avalanche, que levou com uma luminária de ringue de MMA na cabeça e que teve as pernas totalmente congeladas até a virilha, fazendo no máximo cara de quem leva uma caca de pombo na testa, o que é ter o nariz atingido por um par de correntinhas de chapeado dessas que se vende na 25 de Março? (ok, estamos falando das correntes de Andrômeda. Mas mesmo assim...) Docrates caiu apagado naquela cena, nunca mais voltou para Saint Seiya, mas acho bem plausível pensar que não morreu.
Mesmo porque não seria a primeira pessoa a ser nocauteada para além da imaginação e voltar gozando de boa saúde em Saint Seiya. Nachi de Lobo que o diga. Ele não apenas sobreviveu como está aqui nesta fanfic, junto de seus super amigos que lutam pelo amor, pela justiça e pelo mingau nosso de cada dia. O que aconteceu depois—em Saint Seiya Ômega—já são outros quinhentos cruzeiros (e não se sabe até agora, pra falar a verdade).
De resto, agradecimentos a todos que estão apoiando o retorno de "12" ao ar, velhos amigos como Latrodectism, Nurse e Patricia Loupee e novos queridos dodecanautas (palavra linda demais da conta, sô!), como Human Being e Lune Kuruta . Estamos bem dizer numa reta final (não me diga que acharam que esta farofada ia ser eterna? Ah, não, já tô ficando velha e um dia tenho que encerrar a conta!)
Mas podem ficar tranquilos que ainda vai ter um tantinho a mais—embora provavelmente o mundo acabe antes.
Isso continua? Se o mundo não acabar...é claro que continua! Sigam-me os bons!
