Rebole garota

Na balada, agitação da festa, olhei pra sua menina
Ela fica na minha o tempo todo quando a gente tá aqui
A bunda se afasta como se fosse dona do lugar
Que música é essa? Preciso saber

Party Rock Anthem - Lmfao

O verão tinha acabado e com ele o sol quente. Nas ruas de Nova York já podia ver as roupas de frio chegando às inúmeras lojas que cercavam os quarteirões. Maria olhava tudo aquilo fascinada enquanto Lily se divertia com a cara de boba da amiga. Depois de comprarem o equivalente a 15 mil reis só de roupas, Lily puxou a amiga para a sua loja favorita.

— O que estamos fazendo aqui? — perguntou Maria corando ao ver o nome da loja.

— O que se faz na Victoria's Secrets, Mary? — riu Lily.

A vendedora chegou perto das duas jovens com um sorriso enorme no rosto. Não era a primeira vez que Lílian Swan entrava ali para comprar lingerie. A pequena garota de 15 anos gastava uma fortuna todo mês com aquela loja, e pelo que via ela tinha a vida sexual mais ativa que a própria vendedora com os peitos espremidos e com cinco namorados. Nunca tinha visto a garota ruiva que acompanhava Lily, mas pelas roupas caras da garota a vendedora não deixou de deduzir que era rica igual à amiga.

— Lily!

A loura se virou quando seu nome invadiu os cômodos daquela loja. Sorriu sinceramente para a vendedora da qual sempre esquecia o nome. Quando a moça de cabelos louros e pequenos chegou mais perto, Lily pode ver seu nome gravado no crachá no peito.

— Hey Irina! Hoje eu trouxe uma amiga muito especial — sorriu a garota puxando Maria para mais perto.

— Amiga de Lily é amiga minha! — Irina puxou a garota de cabelos ruivos para um abraço. Aproveitando o momento para passar as mãos no cabelo e nas roupas da garota.

Rica, deduziu Irina.

— Hum, obrigada — corou Maria pela atenção.

— Então, o que vai querer hoje? — perguntou.

— Eu não quero nada, já comprei na semana passada. Hoje eu vim para você ajudar a minha amiga aqui — piscou Lily para Maria fazendo a garota arregalar seus olhos castanhos.

— Para mim? — gaguejou.

— Sim! Ande logo antes que eu mude de ideia, hein.

Rapidamente Maria pegou a mão de Irina sendo levada pela vendedora. Hoje ela ia chegar em casa cheia de compras, com mais sacolas que já comprou em toda a sua vida! E não precisaria mentir. Ou não.

Irina jogava as peças de roupas mais absurdas e loucas que a garota pobre já tinha visto. Sem ninguém ver pegou a calcinha que tinha uma abertura na vagina para melhor acesso e enrolou no meio do monte de lingerie que tinha pegado. Corando com esse pensamento, Maria foi para o provador.

— Já vestiu? — gritou Lily sentando nas almofadas rosa que ficavam no chão em cima do tapete branco. Tão macio que pensou em comprá-lo para seu quarto.

— Já e deu! — gritou Maria empolgada. Estava tão feliz em ver que o tamanho da lingerie era M e não mais G. Agora só faltava pouco para chegar em P e quem sabe em PP.

— Saia então, eu quero ver — pediu Lily enquanto encarava um grupo de garotos do lado de fora da loja conversando banalidades.

— Sair? Você está louca?

— Ah, pare disso Maria! Não tem ninguém na loja e os provadores são afastados, sabe... Algumas pessoas gostam de dividir o provador — gargalhou Lily da própria piada.

— Vou sair rapidinho, só para você ver, ok? — resmungou Maria abrindo a cortina vermelha e saindo do cubículo que chamavam de provador.

Ficou com medo da reação da amiga diante do seu corpo. Óbvio né! Lily era toda magra, esbelta e... rica. Enquanto Maria era gorda, torta e pobre. Os olhos estavam fechados com medo de abrir e ver a amiga caída no chão rindo e apontando para a barriga grande de mais, a bunda que nem cabia na calcinha e as pernas gordas que empurravam a calcinha para os lados. Depois de algum tempo reuniu coragem para abrir os olhos devagar encontrando Lily sentada olhando fixamente para a garota.

— Está tão feio assim? — perguntou Maria toda sem graça enquanto mexia nervosamente os dedos da mão.

Lily parou de encarar o corpo da garota e sorriu ligeiramente negando com a cabeça. Levantou da sua almofada e limpou o jeans nervosa.

— Eu... hum... Não estou me sentindo bem e... Estou te esperando lá fora, ok? Já deixei tudo pago com Irina. — Lily fez uns gestos com a mão enquanto gaguejava. Sem jeito correu para fora da loja deixando Maria confusa e machucada sentimentalmente.

— Você sempre estraga tudo Maria com esse corpo de hipopótamo — chorou Maria enquanto tirava frustrada a lingerie e jogava na pilha de sutiãs e calcinhas em cima da poltrona no provador.

Foi ai que a calcinha que tinha o buraco para "facilitar" caiu do monte. Maria olhou para ela e um tom de desespero empurrou o pano para dentro da bolsa. A calcinha ficou embolada junto com a sua escova de dentes para emergências. Secando as lágrimas que teimavam a cair, Maria saiu do provador carregando o monte de roupa para o caixa. Depois de passar tudo Maria saiu da loja para encontrar com a amiga sentada na beirada da calçada.

Irina olhava aquilo tudo com um sorriso perverso no rosto. Ela tinha visto a garota loura ficar louca e sair da loja e também tinha visto Maria chorar e roubar. Com um suspiro Irina olhou para o relógio e depois pegou sua bolsa em cima do balcão enquanto se despedia da moça que estava no caixa com um ligeiro adeus.

— Estou saindo Anita, se disser alguma coisa para Marcus eu a comerei viva.

Lily estava sentada no parapeito da calçada quando Maria chegou com os olhos inchados. A amiga parecia frágil assim com o corpo curvado para as sacolas de compras e os olhos presos em alguma coisa na calçada empoeirada.

— Então, vamos? — perguntou Lily se dirigindo para a direção ao seu apartamento. Maria assentiu acompanhando a amiga.

Os passos da menina loira eram mais apressados e na frente do que a ruiva. Lily olhou para trás ainda envergonhada – sem saber o porquê – e encontrou a amiga andando devagar. Carregava a bolsa preta no ombro, mas parecia que a mesma pesava demais.

— Quer que eu carregue? — Lily não carregava muita coisa, apenas as sacolas de compras. O cartão Premium se encontrava no bolso da calça jeans um pouco arranhado.

Maria arregalou os olhos e negou rapidamente puxando mais a bolsa para si mesma. Lily achou um pouco estranho essa diferença de humor e se perguntou se Maria era bipolar. Deixou quieto, afinal era coisa da amiga e não sua.

— É muito longe daqui? — pela primeira vez Maria falou enquanto seus olhos pulavam só de imaginar entrar em um prédio chique de Manhattan.

— Não... Falta pouco.

— Hum... Lily? — chamou a garota correndo para pegar o passo da amiga.

— Sim?

— Você me acha gorda? — Lily arregalou os olhos pela pergunta. Ela, gorda? Claro que não! Maria tinha curvas, isso ela viu quando a amiga experimentou a lingerie, mas nunca que ela era gorda.

— Claro que não! De onde você tirou essa ideia?

— É que você me olhou de um jeito estranho quando eu saí do provador — Maria mordeu os lábios enquanto corava.

Lily fez uma careta. Ela pensou que a amiga não tinha percebido, mas pelo jeito estava errada.

Como ela poderia dizer à amiga que se sentiu atraída pelo seu corpo? Estava ficando louca, só podia isso! Talvez fosse a abstinência de sexo que Seth fez com ela! Cadê aquele garoto quando precisava dele?

— Estava preocupada com minha irmã, eu não dei comida para o gato dela — mentiu Lily.

— Ela tem gato? — perguntou Maria assustada fazendo Lily rir.

— Sim, um gato chato que fica me arranhando. Bella não sabe cuidar dela e vai cuidar de um gato, mas o bichano está vivo até hoje. — deu de ombros.

Chegaram à porta do edifício Bellily. Um edifício que o próprio Charlie Swan construiu quando cresceu com a sua firma de construção. Ele colocou todo amor e carinho naquela construção e ficou tão bela que para alugar um apartamento por um ano tinha que esperar na fila. Afinal, quem não ia quere morar na Madison AV em um dos prédios mais caros daquela maldita ilha?

Maria ficou constrangida quando adentrou no luxuoso hall coberto de cobre e ouro. Parecia que ela estava dentro do Caesar's palace, mesmo não ter pisado em Vegas para ver por ela mesma, Maria tinha assistido diversas vezes The Hangover.

— Seth? — perguntou à loira quando avistou o namorado sentado em uma poltrona passando as páginas de uma revista qualquer. Ele fazia uma careta da fofoca alheia que lia nas letras pequenas e vermelhas.

Os olhos negros do garoto finalmente brilharam de alegria por ver a namorada tão feliz. Estava adorando o fato que Lily arranjou uma amiga tão legal e delicada como Maria.

— Estou com saudades — explicou o motivo enquanto puxava a namorada pela cintura e colavam seus lábios.

Lily riu puxando o namorado para mais perto. Sentiu-se muito estúpida por sentir uma leve atração por Maria. A garota era bonita, tinha que confessar, mas ela via garotas mais bonitas desfilando por aí todo dia.

Também não sabia o motivo para Jacob ficar correndo atrás dela como se estivesse no cio.

— Estou com mais saudades — ronronou no ouvido no namorado o fazendo rir.

Maria estava visivelmente corada com aquela troca de afetos em público. Parecia que estava em um filme pornográfico, infelizmente segurando a câmera. A amiga loira se separou do namorado e olhou para Maria envergonhada.

— Maria, vá até o restaurante na ala oeste e coma o que quiser.

— Mas eu não tenho dinheiro — lembrou a garota.

— Diga que está comigo, bobinha! — riu enquanto puxava Seth para a sala da gerência do hotel.

Não tinha quase ninguém ali, somente o velho gordo que fingia que trabalhava para aquele edifício. Lily o mandou ver uma ocorrência de furto no primeiro andar os deixando sozinhos na sala cercada de câmeras e escura. A garota passou a tranca na porta enquanto brincava com a chave na boca de uma forma bastante erótica.

— Alguém vai nos pegar Lily! — Seth estava bastante amedrontado. Nunca tinha feito sexo em um lugar que não seja um quarto e uma cama confortável. E se pegassem ele ali? Billy ia fritar seus ossos!

— Seth, eu sou a dona daqui, ou futura dona. Tanto faz — bufou Lily enquanto tirava o moletom do corpo e o jogava em cima dos equipamentos de vigilância. — Se alguém me pegar aqui não vai abrir a boca para dizer pro meu papito.

— Mas se alguém pegar a gente... conectados?

— Não está sentindo? — Lily rodou entre si cheirando o cheiro da pequena sala escura.

— O quê? — Seth não sentia nada e olhava estranho para a namorada que estava cheirando o ar igual a um cachorro.

— Sexo, Seth — riu Lily tirando a blusa decotada ficando somente com o sutiã rosa. — Isso aqui cheira a sexo, não está sentindo?

— Eu só estou sentindo cheiro de queijo podre. — Seth fungou fazendo uma careta. Seus olhos encontraram o odor que sentia. O gorducho tinha deixado um sanduíche de salmão com queijo.

— Seth meu bem, ainda bem que você é quente.

A cadeira que era usada pela vigilância era pequena, mas cabia o corpo de Seth perfeitamente. Não precisava caber mais nada já que Lily estava por cima dele distribuindo beijos quentes enquanto suas mãos ágeis abriam os botões.

O telefone no bolso de trás da calça da garota interrompeu sedo o clima sexual que ambos tinham. Ignorando o aparelho completamente, Lily voou para a calça do namorando querendo já seu prêmio.

— Você não vai ver quem é? — perguntou Seth puxando a blusa de Lily. A garota somente negou. — Lily, pode ser sua mãe.

A garota deu de ombros empurrando ainda mais as calças do namorado. Seth gemia baixo e segurava a cadeira enquanto Lily fazia um ótimo trabalho lá embaixo. Não se esquecendo do telefone que tocou, o garoto bateu de leve no ombro da namorada.

— Lily, atenda — pediu recuperando o fôlego. A garota xingou mentalmente toda a árvore genealógica do namorado enquanto se levantava do colo dele.

— Que porra, Seth! — gritou puta da vida. Quem mandava a companheira atender a porra do celular enquanto recebia um boquete?

Mas não seria o celular que tiraria o prazer da garota naquela tarde. Furiosa ainda com o namorado pegou o celular do bolso traseiro da calça e abriu a mensagem nova que piscava na tela.

— Sua mãe?

Não, era coisa pior.

Eu fico imaginando a cara e a reação da Seth quando descobrir seu segredo. Ele ficará puto ou pedirá um ménage à trois. E sua querida irmã? – I.

— É somente Maria perguntando se eu vou demorar — sorriu Lily fazendo Seth facilmente acreditar na sua mentira. — Onde que eu parei?

Desligando o celular e o jogando em qualquer lugar a garota tirou a roupa subindo em cima do namorado. Pegando a camisinha e colocando no membro de Seth com uma habilidade, Lily montou no namorado espalhando beijos pelo seu peito moreno. Pegou-se imaginando beijando outro peito moreno.

Ou talvez mamilos.

Rebolava no colo de Seth enquanto o namorado gemia baixinho com medo de alguém pegassem eles no flagra. Uma imagem na tela preta e branca chamou a atenção da garota a fazendo cerrar os olhos para ver melhor. Maria se encontrava na direção da câmera sentada à mesa enquanto devorava um morango ao chocolate. Lily olhou para os lábios inchados molhados de chocolate da amiga enquanto devoravam o morango.

— Oh sim — gemeu Lily enquanto seus olhos se concentravam na tela pequena preta e branca que se encontrava a sua frente.

O morango com chocolate chegava a se desmanchar dentro da boca. Maria deixou sair um gemido quando enfiou dois morangos de uma vez só. Corou quando viu que estava na presença de pessoas ricas e importantes fazendo uma gafe dessas.

— Eu não acredito. — A voz masculina e grave fez Maria levantar o rosto. Jacob se encontrava ali em pé com um prato cheio de cup cakes castanhos. Olhava para Maria admirado, finalmente encontrara a garota. — Deus está tão bom comigo.

— Já comigo... — bufou Maria pegando sua bolsa para se retirar. Jacob estava tão quente naquele jeans escuro! Dava para ver o formado do seu pênis. Como o bastardo não usava cueca? Devia ser preso...

— Espere Maria, não vá — puxou a menina a impedindo de ir embora. Quando ele disse para ela não ir embora que Maria viu que não tinha lugar nenhum para ir. Se fosse para o Brooklyn carregada de sacolas ia ser assaltada na certa. — Fique, coma comigo.

— Eu não posso...

— Como amigos, eu juro.

Maria levantou o olhar do chão para o rosto de Jacob. O moreno era bonito, a garota não podia negar. Com um sorriso ligeiro, o pequeno príncipe conseguiu que Maria ficasse para terminar seus morangos. Sentou no mesmo lugar e esperou que Jacob sentasse a sua frente, mas o garoto sentou ao seu lado. Perto demais! Com um olhar de repreensão da garota, Jacob sorriu se desculpando enquanto se dirigia para a cadeira a sua frente.

— Está bom? — perguntou quando apontava para o prato com os morangos.

— Oh, você não faz ideia! — riu Maria enquanto mordia um pedaço enorme do morango grande e vermelho. Jacob ficou hipnotizado pelo chocolate que escorria pelos lábios e parava no queixo.

Pegando a toalha, limpou o rosto da garota que corou diversas tonalidades de vermelho.

— Posso experimentar? — perguntou inocentemente. A garota assentiu mergulhando o morango no fondue de chocolate, estendeu o morango pela mesa até a boca carnuda de Jacob. Ele abocanhou o morango e até demorou um tempo para retirar sua boca da fruta.

Vermelho sangue era pouco para a cor que Maria estava agora. A garota até se pegou imaginando a boca de Jacob beijando sua... preciosa. Suspirou alto fazendo um sorriso sacana brotar nos lábios do moreno.

— Amigos. — Lembrou.

— Amizade colorida? — Brincou Jacob comendo seu cupcake de castanha.

A rivalidade de Bella valeria a pena para ter somente esse homem em seus braços? E Lily? Ela ia ficar chateada por ela namorar seu cunhado? Talvez até ficasse feliz! Elas podiam ir ao cinema juntas com os irmãos mais quentes dessa ilha.

— Então Maria, você vai à festa da Stanley hoje? — perguntou Jacob.

— Sim, vou com...

— Maria, o que você está fazendo com esse idiota? — gritou Lily enquanto entrava furiosa no restaurante. A garota loira tinha os cabelos bagunçados e o rosto pegando chamas. Além da blusa fina que deixava a mostra os bicos rosados. Lily estava sem sutiã?

Seth vinha atrás tentando acompanhar a namorada. Estava vermelho e suado pelo sexo, além das calças que estavam amassadas. Era óbvio que os dois transaram!

— Eu... — gaguejou Maria.

— Eu que te pergunto Maria, o que está fazendo com essa daí? — grunhiu Jacob apontando para a cunhada furiosa ao seu lado.

Maria levantou e Jacob levantou atrás puto com sua cunhada e com seu irmão. Ele estava indo bem com Maria, como ousam interrompê-lo?

Pareceu um soco no estômago da Lily quando Jacob tinha a referido como "essa daí". Tentando controlar as lágrimas a cair à garota começou a sentir falta do ar.

— Não fale assim dela, Jacob! — grunhiu Seth batendo de leve no peito do irmão.

— Por favor, vocês poderia ter a gentileza... — gesticulou uma mulher nova com a cara fria. O garçom a mandou não entrar no meio daquela confusão, mas queria ganhar um ponto com o patrão. Nada melhor que despachar jovens loucos, não?

Pobre moça, era jovem naquele emprego. Não sabia o que estava se metendo.

Lily finalmente conseguiu respirar regularmente. Olhou para a mulher a sua frente com a cara de esnobe e sentiu sua visão ficar vermelha. Quem era aquela vadia que a mandou ir embora do próprio edifício?

— Está louca? — gritou fazendo algumas pessoas virarem a cabeça.

— Não vou pedir novamente, vou chamar a segurança! — disse a moça.

— Me ouça bem — começou baixo enquanto seguia em direção à moça. — Você está demitida. DEMITIDA!

A moça arregalou os olhos verdes enquanto processava o que Lily tinha dito. Ela poderia estar falando com a filha do seu patrão? Mas ela se vestia tão mal para ser rica.

— Desculpe, eu...

— Saia! — cuspiu.

A moça se jogou de joelhos aos pés da loira, mas Lily tratava a empregada com frieza. Segundos depois os seguranças a levaram e todo mundo voltou para suas respectivas comidas.

— Quer saber? Foda-se! Morra com seu egoísmo, Lílian! — Jacob largou algumas notas em cima da mesa, mandou um sorriso forçado para Maria e foi embora daquele edifício. Não deveria nem ter entrado ali para começo de conversa.


— Eu pensei que você era diferente Maria, não como as outras garotas! — grunhiu Lily enquanto corria de um lado para o outro dentro do seu quarto.

— Ele só queria...

— Ele queria você! — Lily parou de andar no quarto e apontou o dedo magro e esbelto na cara da amiga.

— Eu também o quero! — gritou Maria quando lágrimas caíam por seus olhos.

Lily encarou a amiga assustada enquanto seu peito se apertava. Maria chorava tanto que parecia que tinha perdido algum membro do corpo.

Ela poderia gostar de Jacob? E o pior, Jacob podia gostar dela? Mas Maria era tão frágil, tão meiga, tão ingênua... Era seu dever proteger a amiga das mãos do seu cunhado.

— Ele vai te fazer sofrer, amiga. Não quero vê-la chorar assim, vem cá! — Lily puxou Maria para um abraço apertado enquanto segurava as próprias lágrimas. Só ela sabia o quanto sofreu ao ver as lágrimas da irmã de noite por causa de Jacob. E também as suas próprias lágrimas.

— Eu só quero tentar. Se ele me fizer sofrer eu juro que deixo você arrancar as bolas dele, está bem?

Lily riu enquanto acariciava de leve os cachos ruivos da garota. Se ela quisesse arrancar as bolas de Jacob já arrancaria, mas nunca teve coragem. Quem sabe com Maria sofrendo ela teria?

— Só as bolas? E o pênis? — riu Lily passando os dedos pela bochecha limpando as lágrimas suas. Maria riu junto enquanto abraçava apertada a amiga. — Agora vamos logo que a festa da piranha da Stanley vai começar.

— Já? — pulou Maria correndo para pegar sua bolsa. — Tenho que tomar um banho! Ai Deus, Lily!

— Estou brincando Mary, ainda faltam duas horas — riu.

— Sua idiota! — jogou sua escova de dente que bateu no ombro da amiga que caiu no chão em gargalhadas.

— Vou lá embaixo preparar alguma coisa para comer, fique a vontade! — Lily bagunçou mais os cachos da amiga e saiu do quarto deixando Maria sozinha.

Estando sozinha, Maria lembrou-se automaticamente dos morangos cheios de calorias que tinha comido agora pouco. Correndo para pegar sua escova, foi para o banheiro grande e luxuoso da suíte. Temendo ser pega trancou a porta ficando de joelhos no vaso sanitário. As lágrimas já começaram a descer pela face redonda da garota. Era sempre assim. Primeiro as lágrimas, depois os xingamentos e depois a escova na sua garganta. A coceira veio para depois a ânsia de vômito. Dobrando a cabeça para baixo, Maria fechou os olhos para não ver. Ela tinha vergonha disso, tinha vergonha de vomitar. Mas se não jogasse tudo para fora como ficaria magra? Como ficaria bonita? Ela só queria ser perfeita.

Ouvindo o barulho da porta lá fora sendo aberta, Maria levantou dando descarga e correndo para a pia lavar a boca. Suspirou alto recolhendo as lágrimas. Quando estava visivelmente bem saiu de dentro do banheiro encontrando Lily deitada na cama comendo um pacote de frango frito.

— Frango frito? — perguntou Maria chocada.

— Foi pelos menos o que Elza me deu. — Lily virou o balde de frango para ver melhor. — Por quê? Não gosta?

— Gosto, é que é gorduroso.

— E daí?

— É que você é magra e fica comendo essas coisas. Como consegue?

— Sou magra de ruim! — gargalhou Lily abocanhando uma coxa de frango.


— Você acha que eu estou bonita? — perguntou Maria insegura do seu corpo. Como sempre. — Esse vestido não me deixa gorda?

Lily virou-se e olhou para amiga sobre a luz acessa da limusine. O vestido branco caía perfeitamente com a pele porcelana e os cabelos vermelhos. A garota era magra, mas tinha suas curvas. E uma coxa que ficou visivelmente a mostra no minúsculo vestido.

Maria não estava gorda. Estava gostosa.

— Você está linda! — Lily sorriu tentando esconder o nervosismo. — E magra.

— Magra, isso! — Maria suspirou quando sentiu o estômago roncar de fome. Quanto tempo não parava nada nele? Doze horas?

Lily também não estava nada mal. O vestido roxo realçava os cabelos louros jogados em um rabo de cavalo. Curto também deixando as coxas magras e brancas da garota a mostra. O pé estava espremido pelo salto agulha de 16 centímetros guardados no fundo do guarda-roupa. Maria tinha obrigado a amiga a usar.

— Eu nunca andei de salto! — choramingou Lily quando a limusine parou em frente ao prédio de Stanley. Vários carros paravam atrás e na frente e pessoas saíam bem vestidas.

Lily agarrou com força o banco do carro fazendo uma careta. Nunca tinha ido uma festa bonita assim. Nunca tinha ido a uma festa! Maria olhou para a amiga empacada no estofado de coro e riu tentando puxar Lily para fora.

— Saia criatura! — Maria fazia força, mas Lily não se movia do lugar. Os olhos azuis bem marcados pelo lápis preto estavam arregalados. Os lábios rosa estavam ficando brancos de tanto que ela apertava entre os dentes.

— Eu vou cair de cara no chão. Ai meu Deus! Vou ser a vergonha naquela escola segunda! — choramingou Lily.

— Vai nada, você está linda! — resmungou Maria. — Anda logo Lily, você é uma Swan. O cisne corre nas suas veias!

— Muito engraçado, Maria! — Lily olhou sarcástica para o cabelo vermelho.

— Se você não for, eu vou sozinha! — bufou Maria saindo da limusine e colocando os saltos amarelos na calçada.

Um grupo de garotos que estudavam na escola bilíngue Black parou de andar em direção ao saguão quando viram Maria saindo da limusine. Quem era aquela garota? Rindo entre si, assoviaram para Maria que corou de vergonha.

— Quem assoviou? — Lily perguntou largando a poltrona e indo em direção à porta para colocar a cabeça pela porta. Maria aproveitou a distração da amiga e a puxou para fora. — Sua filha da puta!

Maria gargalhou fechando a porta e batendo de leve no carro para o motorista arrancar. Lily fuzilou as amigas com os olhos.

— Você me ama que eu sei.

— Não sei de onde você tirou essa certeza. — resmungou Lily puxando o vestido para baixo.

— Vamos logo! — Maria puxou Lily para dentro do saguão.

Alguns jovens já estavam dividindo suas bebidas ali mesmo no hall de entrada. O porteiro os mandava subir, mas estava muito ocupado apertando os elevadores. Lily e Maria tiveram que se contorcer no meio da multidão para chegar ao elevador lotado.

— Você vem sempre por aqui? — um garoto loiro com seus olhos verdes perguntou a Lily. Seu bafo de cerveja deixou a garota fora do eixo e com falta de ar. Sério mesmo que ele estava usando essa cantada?

— Cai fora. — bufou.

— Fazendo de difícil? Olha que eu amo.

— Ela disse para você cair fora! — Maria entrou no meio da conversa para defender a amiga. — Você sabe com quem está falando? Lílian Carlie Swan! Irmã de Isabella Swan! Swan! Swan!

— Acho que ele já entendeu que meu sobrenome é Swan, Mar — disse Lily sarcástica. Bom, pelo menos tinha funcionado. O garoto foi para longe dela na extremidade do elevador. Não porque ela era uma Swan, mas sim por causa de Maria. Um pouco de álcool com uma garota gritando tinha o deixado tonto.

Por fim o elevador parou na cobertura do prédio. Não era o prédio mais caro da Manhattan nem o apartamento mais luxuoso, mas Jess sabia dar uma festa. Tinha tanta gente ali que pessoas resolviam conversar na escada que dava para o segundo andar por causa do espaço. Garçom? Para quê? Ocupar espaço? A bebida era servida pelo barman que fazia malabarismo no balcão improvisado no canto da sala. Tudo estava preto somente alguns feixes de luz cruzavam a escuridão. Maria e Lily deram a mão com medo do novo mundo. Um novo mundo que elas iam amar.

— Vamos embora? — perguntou Lily.

— De jeito nenhum! — bufou Maria pegando dois copos que tinha um líquido rosa que fazia algumas bolhas. Não sabia nem o que era, mas cheirava a álcool. Estava doida para tomar um porre pela primeira vez. — Vamos no três?

— Um... — começou Lily.

— Dois...

E nem precisaram dizer o próximo número. Entornaram a bebida que saiu queimando a garganta. Maria foi a que gemeu primeiro procurando por água em qualquer lugar, mas Lily fechou a boca segurando à amiga.

Pegaram outro copo, mas dessa vez o líquido era azul e parecia uma pasta. Não desceu rasgando como a primeira, esse já desceu mais ou menos. Estavam se divertindo tanto que nem perceberam que deviam maneirar com a bebida, ainda mais quando não tinham nada no estômago.

Elas só pararam de entornar quando algumas cabeças se viraram para a entrada. Lily teve medo de olhar, por fim olhou quando Maria abriu a boca em um "O" bem grande. Ela podia estar tendo uma alucinação?

Bella tinha chegado com Jacob debaixo do seu braço e um sorriso estúpido no rosto. O vestido que Bella usava era simplesmente perfeito. Era curto e apertado com mangas longas que iam até o pulso. Feito com pele de tigre, o pano parecia até exagerado e ia ser motivo de risos se uma garota usasse. Mas Bella não era qualquer garota, ela era a rainha da UES. O salto bege tinha feito suas pernas finas e brancas ficarem mais longas. O cabelo estava solto em cascata pelas costas com as pontas onduladas. Sua mão estava com um anel preto enorme de dois dedos que estava em cima do ombro largo e moreno de Jacob.

Mas uma pergunta: Por que Jacob estava fazendo com Bella?

E querida Bella, cadê o Edward? Já cansou da sensação de poder?

— Maldita — grunhiu Lily tomando em um gole só o tal líquido azul.

Maria pensava que iria chorar ali mesmo. Como se não fosse tão sentimental, ainda estava bêbada para completar. Ela só pensou que Jacob fosse diferente. Magoada, virou o copo tentando esconder da amiga as lágrimas acumuladas.

Poderosa? Sim, ela estava se sentindo exatamente isso. Bella estava tão feliz que quase chorou. Não era nem de perto a sensação prazerosa que tinha sentindo enquanto fazia amor com Edward, mas também não podia espalhar que tinha feito sexo com ele. Assim com Jacob debaixo da sua mão todos podiam ver quem mandava e também não estava tão ingênua e apaixonada quando há uma semana.

— Jake querido, preciso falar com Lily um minuto, depois te encontro — sussurrou Bella no ouvido dele enquanto o deixava sozinho no meio da pista.

Boceta, ela está vindo em minha direção! Lily tentou virar para o lado fingindo que nem tinha percebido sua irmã ali, mas já era tarde.

— Lily? Estou assustada por te ver aqui. — Bella sorriu para irmã. Tinha se sentido ameaçada vendo Lily toda bonita ali na pista, mas era sua irmã. Ela a amava apesar de tudo.

— Por quê? Está surpresa que eu saí do calabouço?

— Você está bonita irmã. — observou Bella toda carinhosa. Claro, Jacob estava perto. Bella sempre vomitava borboletas, unicórnios e outras coisas idiotas. Lily odiava isso. — Onde está Seth? Não o vejo aqui.

— Não sei onde está àquela desgraça, vim com Maria. — gralhou Lily.

— Maria? — Bella olhou para os lados até que avistou a garota de cabelos ruivos do lado da irmã tentando se esconder dela. Os olhos castanhos dela gritavam medo e Bella até sentiu pena. — Ah, sim, pequena Maria. Cadê seu Jacob Maria? Oh, esqueci! Ele nunca foi seu.

Ela queria avançar na cara branca e magra da Bella e arranhá-la todinha. Pegaria os cabelos soltos e jogaria o líquido azul que pegava fogo. O vestido ia ficar todo em pedacinhos. Mas ela não fez isso pelo simples motivos de ter medo, muito medo.

Só foi Bella se afastar para o celular de Maria tocar. Ainda com medo, ela tirou o telefone de dentro da carteira prata. Uma mensagem. Sabia que ia ser I, essa vadia sempre mandava mensagens nos piores momentos.

Aqui é assim Maria, não deu valor perdeu. Você pensou que Jacob Black ia ficar para sempre igual ao um cão correndo atrás de você? Coitada. Ainda não aprendeu? Não se preocupe, você vai crescer com o ódio e dinheiro da UES, assim como eu cresci. – I


Capítulo enooorme, por isso a demora. Se vocês quiserem capítulos grandes assim vão ter que esperar um pouquinho! Essa Irina hein? Sei não... Lily atraída pela Maria? Bella com Jacob? Ou Jacob com Bella? Ai Deus! Próximo capítulo vai ter Edward e Adam nessa festa, comentem para ganhar spoiler! Quem não tiver conta mande o email *suspira*