A semana passou mais rapidamente do que imaginavam. No primeiro dia eles foram passear por um bosque da propriedade do hotel. Era muito bonito e as árvores deixavam o ambiente frio, por isso foram aconselhados a saírem com roupas adequadas ao frio. No meio do caminho, chegaram a um ponto de parada em que nasciam lindas flores.
— Você pode pegar uma flor para dar a sua amada – o guia cochichou para Artur.
Meio desajeitado, Artur pegou uma flor de pétalas brancas e colocou-a no cabelo de Ariadne com um sorriso sem graça. Eles tiveram o resto do dia livre para fazer o que bem quisessem. A arquiteta pediu que o pointman a acompanhasse em um passeio pelo hotel, para que ela pudesse observar melhor o local e depois começar seus desenhos. Andaram por cerca de uma hora – de mãos dadas – pela propriedade e acenaram para alguns casais que conheceram na noite anterior. Depois voltaram ao quarto, onde ela começou seus desenhos e ele pesquisou algumas coisas em seu notebook.
— Eu tinha esquecido como segurar na mão de alguém – Artur comentou sem desviar sua atenção do computador.
— Nossa Art, você fala como se há anos não fizesse isso – Ariadne falou, achando graça do exagero do homem.
— Art? – ele olhou para ela com o cenho franzido, mas nada falou sobre isso – E faz mesmo anos que eu não fazia isso.
Ela nada falou, achou que este era um assunto delicado pelo tom de voz que ele usou. Foi quase com arrependimento de ter falado algo para início de conversa. Também fazia tempos que ela não andava de mãos dadas com um homem, mas nunca tinha notado que era uma sensação gostosa sentir a mão de alguém no final da sua. À noite eles desceram para o jantar; a comida estava saborosa, havia músicos tocando e alguns casais dançando. Artur sentiu-se tentado a convidar Ariadne para dançar também, mas ao pensar melhor concluiu que o disfarce deles não pedia isso.
OooooO
No segundo dia, tiveram que participar de uma confraternização que o hotel ofereceu a um casal que se casaria no dia seguinte. Durante o dia puderam escolher fantasias – a confraternização seria uma festa à fantasia – e se deliciarem na piscina – coisa que eles recusaram de imediato. Ariadne sugeriu que se fantasiassem de Romeu e Julieta, por causa da brincadeira que Eames fizera dois dias antes. Chegaram à festa uma hora depois desta ter começado e não pretendiam demorar mais que o necessário. Sentaram-se em uma mesa perto da pista de dança enquanto um garçom servia-lhes vinho.
— Vou te confessar uma coisa Art – Ariadne levou a bebida aos lábios – Essa é a primeira vez que bebo álcool.
— Eu também demorei a experimentar – ele disse depois de tomar um pouco – E ainda hoje não gosto muito. A propósito, porque "Art"?
— Ah, todo casal usa apelidos fofos um com o outro. Pode colocar mais um pouco?
Ele olhou assustado para a taça dela: estava vazia. Ela bebera o vinho como quem estava bebendo água. Tornou a encher o cálice com o liquido.
— Tudo bem, mas vá com calma Ariadne!
Não demorou muito para que ela ficasse alta, rindo mais abertamente para aqueles que os cumprimentavam, balançando-se ao ritmo da música e sentando-se cada vez menos ereta. Num dado momento ela levantou, cambaleou um pouco até estar do lado dele.
— Vamos! – estendeu a mão para ele – Vamos dançar, Art.
Pensou em recusar, mas achou melhor não discutir com ela nesse estado. Pela manhã, quando ela estivesse sóbria, poderiam conversar sobre maneirar no álcool. Ela colocou uma mão no ombro dele, enquanto a outra estava entrelaçada com uma das mãos dele. Ele, por sua vez, passou a mão pela cintura da arquiteta e colou seu corpo no dela. Dançaram até muito tarde, Ariadne acabou se empolgando e perderam a noção do tempo. Quando Artur se deu conta do horário, puxou sua parceira para o quarto. Ela precisou ser carregada até lá, não conseguia andar direito e estava muito sonolenta.
Ela era bem leve e Artur não teve nenhum esforço para levá-la nos braços. Na verdade, o peso morno dela em seus braços era bastante agradável. Quando chegaram ao quarto, ela estava adormecida e ele a depositou devagarzinho na cama, puxando as cobertas sobre ela.
Depois, foi tomar um banho frio. Vinho sempre lhe fazia transpirar muito, sem falar que acordaria no outro dia com uma enxaqueca infeliz. Fez a barba e escovou os dentes, quando terminou ficou olhando para o espelho relembrando a sensação de carregar Ariadne nos braços. Saiu do banheiro e parou ao lado da cama, vendo-a dormir. Parecia um anjo.
OooooO
Ariadne sentia-se tonta e desnorteada. Percebeu um peso próximo a ela, como se alguém estivesse subindo na cama. Abriu os olhos, sonolenta, e viu Artur. Ele sorriu ternamente antes de colocar uma mexa do cabelo dela atrás da orelha, a mão dele descendo até o queixo da moça. Aproximando-se mais, ele a beijou delicadamente. Ariadne entregou-se ao momento, aspirando o cheiro da loção de barba dele e acariciando seu rosto. Fechou os olhos e o mundo desapareceu ao seu redor.
Ela acordou com uma dor de cabeça terrível e sentindo o corpo pesado. Ainda vestia as roupas da noite anterior. Procurou pelo relógio e viu que passava do meio-dia. Olhou em volta, atrás de Artur, mas não o encontrou no quarto. Depois procuraria por ele e pediria desculpas pelo modo como se comportou na noite anterior: bebendo como uma alcoólatra. No momento precisava de um banho frio.
Quando saiu do banheiro, enrolada em uma toalha e secando os cabelos, encontrou Artur sentado na cama e uma bandeja com o almoço sobre a mesinha. Ele sorriu de lado, baixando os olhos para o chão diante da visão dela apenas de toalha. Saiu do quarto para dar-lhe privacidade para vestir-se. Depois de vestir uma camisa folgada e um short jeans, ela abriu a porta do quarto.
— Já pode entrar – Artur entrou e ela fechou a porta – Eu queria me desculpar por ontem, acabei bebendo demais. E obrigada por trazer o almoço para mim.
— Qualquer cara faria isso por sua noiva. – ele piscou para ela – Sério! Não foi nada Ariadne.
O programa que deveriam ter feito pela manhã foi adiado para à tarde. Então logo ela precisou trocar de roupa. Foram levados a área de jogos e esportes onde, dentre as modalidades oferecidas, escolheram jogar paintball. Nenhum dos dois fazia o tipo esportivo, então Artur escolheu um jogo que pudesse ser ao menos divertido. Além do mais, esse necessitava de um pouco de estratégia, ou seja, pensar. E nisso ele era bom.
A tarde passou rapidamente, tal foi o divertimento deles. Aos poucos foram se soltando e começaram a rir por besteira. Se um errava, o outro ria. Se acertava, risos novamente. Corriam de um lado para o outro, se escondiam em lugares inusitados e no fim, Ariadne ganhara por um ponto. Os coletes de ambos estavam sujos, isso sem falar dos cabelos. Teriam muito trabalho para tirar toda a tinta dos fios. Mas valera a pena.
— Eu escolhi paintball pensando que poderia ganhar – Artur falou enquanto eles voltavam para o quarto – Mas perdi. Eu desisto!
Longe de parecer desapontado ou triste pela derrota, ele estava rindo quando se jogou na cama. Ariadne foi se lavar enquanto ele pedia o jantar no quarto. Não demoraram muito a pegar no sono naquela noite.
OooooO
O quarto dia foi o dia da piscina. Dessa vez eles não tiveram como escapar, haveria uma competição depois do almoço e eles seriam obrigados a participar. O casal vencedor escolheria o que seria servido no jantar daquele dia. Eles, que jamais imaginaram que entrariam na piscina, não levaram roupa de banho, por isso pegaram emprestadas as que o hotel oferecia.
Foi com muita vergonha que eles foram até piscina no horário marcado. Ariadne vestia um biquíni vermelho e Artur, uma sunga verde. Ela tinha vontade de entrar num buraco e desaparecer, enquanto ele queria sair correndo dali. Os dois evitavam se olhar, mas sempre que isso acontecia os olhos acabavam se concentrando no mesmo lugar. Ele não pôde deixar de reparar nos seios dela – que ficaram bastante à mostra com o biquíni. Enquanto ela notou que, tal era o volume que carregava, a sunga dele parecia um pouco apertada.
Apesar de tudo, a competição não foi de todo ruim. O espírito competitivo dos participantes deixou o programa mais emocionante. Até mesmo Artur, que não gostava muito dessas coisas, se empolgou. Contudo, eles não conseguiram vencer. Ficaram em uma posição equivalente à medalha de bronze. Os vencedores foi um casal que chegara dois dias antes que eles e passariam quase um mês no Realeza. O jantar daquela noite foi baseado na culinária oriental. Ariadne, que era apaixonada por sushi, adorou. Foram dormir cedo, pois teriam que acordar antes que o Sol nascesse na manhã seguinte.
