Artur acordou assustado. Algo batera em seu rosto e ele olhou para o lado para descobrir o que foi. Ariadne jogara uma almofada nele.
— O que foi?
— Shh! – ela pôs o dedo indicador nos lábios e ele não pôde deixar de pensar no sabor da boca dela – Fale baixo. Tem gente lá fora, vão entrar. Venha, venha para cama.
Ainda estava olhando para os lábios dela quando se deu conta do que estava acontecendo. Desesperado jogou-se na cama ao lado de Ariadne.
— Tem que parecer que acabamos de acordar – ela deitou-se meio de lado e ele a abraçou se deliciando com o contato do corpo dela – Artur, o que é isso?
— Desculpe, mas todo homem acorda assim. Desculpe! – tentou se afastar um pouco, mas estar assim tão próximo dela o deixava...
— E todos têm um brinquedinho desse tamanho? – ela parecia irritada
Ele surpreendeu-se ao ouvir o comentário. Poderia tomar isso como um elogio, e vindo dela numa situação destas, era ótimo. Falou provocantemente, sendo assaltado por uma súbita vontade de apertá-la mais de encontro a si.
— Se quiser, nós podemos brincar mais tarde!
E como podiam! Ele adoraria poder passar a mão por toda a extensão do corpo dela. Há dias esteve tentando se enganar, fingindo-se de indiferente perto dela. Mas isso estava se tornando cada dia mais impossível. Principalmente sendo obrigado a estar tão próximo a ela desse jeito.
— Acordem, vistam-se com roupas confortáveis. Têm todo o dia livre e à noite teremos uma surpresa para vocês. Para a noite, vistam trajes finos.
— Andem, levantem-se!
Assim que os funcionários saíram, Ariadne tentou levantar, mas Artur não deixou. Segurou-a firmemente pela cintura, mantendo seus corpos colados – todos os nervos do seu corpo se manifestaram quando fez isso. Ele queria dizer pra ela ficar ali, pra eles passarem a manhã na cama (embaixo dos cobertores), ele queria dizer algum elogio, beijar o pescoço dela que nem um vampiro, mas o que conseguiu dizer foi:
— Pode deixar Pequena. Eu pego o café da manhã pra você.
Ele poderia ser o café da manhã dela. Não queria, mas tinha que admitir: estava apaixonado por esta garota. E ter que fingir que eram noivos, dormirem no mesmo quarto, isso tudo o estava enlouquecendo.
E aí já era
É hora de se entregar,
O amor não espera
Só deixa o tempo passar
— Prontinho! – ele pegou chocolate quente para ela – Café na cama.
Enquanto ela comia, ele iria tomar um banho. Queria aproveitar muito bem o último dia em que poderia passar com ela.
— Vai tomar banho, Art? – ele apenas balançou a cabeça, confirmando – Posso ir com você?
— Haha, claro querida! – pode sim, na verdade eu adoraria Ariadne! E piscou para ela que nem imaginava o que se passava em sua cabeça.
Já havia despido a camisa e estava terminando de livrar-se da calça quando ouviu o barulho da porta. Virou-se e deu de cara com Ariadne; não imaginava que ela levaria o convite dele a sério. Ela não falou nada, apenas olhou para sua cueca Box e passou a língua pelos lábios provocantemente. Ele não teve tempo para pensar em nada e ela já estava ali em seus braços. Uma voz em sua mente gritava que era tudo um sonho.
— Você vai me beijar? – ela perguntou baixinho.
E fica pro coração
A missão de avisar,
E o meu tá dando sinal
E tá querendo te amar
Artur não esperou uma segunda pergunta. Tomou os lábios dela com voracidade; com uma fome e um desejo de quase uma semana. Ela correspondia na mesma intensidade, arranhando a pele dele levemente. Ele não queria, mas teve que interromper o beijo.
— Eu queria tomar um banho antes de...
— Podemos fazer isso juntos – ela falou livrando-se das roupas.
OooooO
O banho demorou mais que o normal. Ariadne saiu correndo e se jogou na cama, Artur balançou a cabeça com um sorriso divertido nos lábios. Eles passaram ainda algum tempo no quarto, arrumando as malas, antes de descerem para aproveitar o lindo dia que fazia.
Pararam em frente à porta do elevador, esperando este chegar. Artur, que não conseguia mais manter as mãos longe de Ariadne, a abraçou por trás. Mas o elevador escolheu este momento para chegar e ela soltou-se dele rindo, entrando no elevador. Quando as portas se fecharam, o pointman encostou a moça numa das paredes e começou a mordiscar-lhe o pescoço, enquanto ela se deleitava com o contato da boca dele na pele dela.
Eles saíram de mãos dadas do elevador e foram direto para a área da piscina. Sentaram-se em uma das mesas que ficavam na borda e pediram uma bebida. Ariadne teve uma ideia.
— Vamos continuar o jogo de confissões?
— Tudo bem – Artur tomou um gole do seu coquetel – Pode começar, princesa!
— Deixe-me ver... – ela enrubesceu diante o princesa – Eu nunca tomei coquetel com álcool.
Ela resolveu começar com algo bobo de novo. Depois poderiam ir esquentando as coisas.
— Então é bom maneirar, porque desta vez eu não serei tão bonzinho – ele sorriu, relembrando a outra noite – Na noite em que você abusou do vinho, eu me aproveitei um pouco de você.
— Ah, então eu não estava sonhando? – ela lembrava-se de algo, mas pensava que tinha sido um sonho – Danadinho! O que você fez?
— Não foi nada demais. Foi um beijo inocente – ele não teria coragem de fazer algo com ela naquelas condições.
— Hum... Eu sou virgem! – o álcool infelizmente já estava fazendo efeito.
— Oh! – ele não esperava por esta frase – Terei que tomar uma providência depois quanto a isso – piscou um olho para ela – Eu já tive uma noiva de verdade.
— O que houve de errado entre vocês?
— Ela me traiu! – ele falou sem graça.
— Que bom – ao que ele olhou-a sem entender – Se não tivesse acontecido isso vocês teriam se casado, talvez eu não tivesse te conhecido, nem estaríamos aqui.
Um garçom apareceu com uma bandeja, trazendo mais coquetéis.
— Eu usei boa parte do dinheiro da inserção para comprar minha casa e pagar minha faculdade – ela bebeu um gole do seu coquetel de abacaxi.
— Eu quero comprar uma casa nova – ele falou olhando para o seu copo.
— Vem morar comigo! – Artur levantou os olhos assustado, mas percebeu que ela estava sobre efeito do álcool, o que disse foi da boca pra fora – Eu quero te beijar de novo!
Ele riu. Ariadne ficava muito sincera quando bebia e mais solta também. Ele levantou-se e foi sentar-se mais perto dela. Pousou uma mão em sua perna e aproximou-se dos lábios da garota. Ela tinha uma das mãos em seu ombro e agarrava-o com mais força à medida que o beijo se intensificava.
Separaram-se ofegantes. Artur ainda deu um selinho nela, antes de voltar a tomar seu coquetel e continuarem o jogo.
— Satisfeita?
— Por enquanto!
— Você é uma graça – ele não percebeu o rubor dela – Aquele beijo, no sonho do Fischer, não foi planejado.
— Duvido! – ela bebeu mais um pouco de coquetel – No início, fiquei com medo de fazer este trabalho com você.
— Medo de quê?
— De ter que, sei lá, dormir contigo – ela sorriu sem saber o quão bobo aquilo foi – Sabe, por você ser mais velho do que eu, fiquei com medo de fingir ser sua noiva.
— E ainda sente medo de dormir comigo?
— Acho que não. – ela inclinou a cabeça olhando para ele – Mas agora é sua vez de falar algo.
— Eu quero dormir com você!
A frase ficou no ar. Estava na hora do almoço e eles foram comer com os outros hóspedes. Ariadne encontrou Leila e o marido, pareciam de bem um com outro. Foi falar com eles.
— Olá Leila – elas se abraçaram.
— Sentem-se aqui conosco, por favor – o marido de Leila convidou.
Eles passaram quase a tarde toda com Leila e o marido dela, conversando e rindo. Depois foram convidados para um pulo na piscina. Um pouco hesitantes, eles aceitaram. Desta vez, Ariadne ficou com um biquíni azul estampado e Artur com uma sunga branca e não se sentiram constrangidos por estarem em trajes de banho na frente um do outro.
Artur deu um salto perfeito, nadou até a borda oposta e voltou. Ariadne ficou impressionada.
— Fiz natação por quatro anos, boba – ele falou para ela, que estava sentada na borda – Mas e aí, você não vem aqui pra dentro por quê?
— Aqui está bom – mas ele segurou nas duas pernas dela e puxou para baixo – Não, Art...
Tarde demais. Ela mergulhou com tudo, pega de surpresa. Emergiu tossindo um pouco enquanto ele se acabava de rir ao seu lado.
— Você me paga Art! – ela não estava achando nenhuma graça.
Ele olhou-a maliciosamente, antes de falar baixinho no ouvido dela, de modo que ninguém mais ouvisse.
— Posso te pagar com uma noite inesquecível!
Passaram o resto da tarde na piscina. Quando o Sol baixou, subiram até o quarto e se arrumaram para a noite surpresa que o hotel preparara para eles.
— O que será que eles aprontaram? – Ariadne perguntou enquanto abotoava os brincos.
— Nem imagino, do jeito que esse hotel é doido, não duvido de nada – Artur falou terminando de atar a gravata.
Eles chegaram ao salão de festa e encontraram-no decorado com balões em forma de dados e peões, as toalhas de mesa quadriculadas parecendo tabuleiros de xadrez. Artur pensava que não se surpreenderia com nada, mas se enganou. Isso tinha dedo do Eames, com certeza. Ele acharia muita graça disso.
— Você acha que foi o Bruno e o Eames que deram uma dica para eles? – Ariadne leu seus pensamentos.
— Não tenha dúvidas!
Foi uma noite agradável, as comidas preferidas de ambos estavam no cardápio e os músicos tocaram músicas diversas. Pediram champanhe – que foi servido em copos no formato de dados – e dançaram até tarde da noite. Os outros casais também adoraram a decoração, mesmo que desconhecessem o motivo dela. Eles não foram os últimos a se retirarem, mas certamente se divertiram como nenhum outro par naquela pista de dança.
Embriagados pelo champanhe eles voltaram ao quarto rindo muito. Chegaram aos tropeços na porta do quarto, tentando abri-la enquanto se agarravam. Mal Artur havia fechado a porta, Ariadne já desabotoava a camisa dele.
— Calma Pequena! – ele falou fugindo dela e sentando no sofá para tirar os sapatos – Para quê a pressa? A noite é uma criança!
— Por isso mesmo – ela falou jogando o vestido dourado que vestia ao lado das sandálias.
Quando terminou de livrar-se dos sapatos e levantou a cabeça, ele deu de cara o corpo seminu da moça. Ela sentou-se nas pernas dele e terminou de desabotoar a camisa anil dele, jogando-a de lado e desafivelando o cinto, depois desabotoando a calça. Artur achou graça da impaciência de Ariadne ao se livrar das peças de roupa que ainda estava no corpo dele.
— E então, terminou meu amor? – o coração dela perdeu um compasso quando ele disse isso.
Ela olhou para ele e só isso foi preciso para que ele tomasse os lábios dela nos seus. Deitou-a no sofá e deitou-se sobre ela enquanto a Lua iluminava os jardins lá fora. Quase não havia nuvens no céu e se podiam ver muitas estrelas quando finalmente eles foram para a cama. Antes, ele apagou as luzes.
— Você precisa mesmo deixar essas unhas tão grande, Ari? – em certo momento da noite, Artur desgrudou os lábios do pescoço dela – Oh! Isso vai deixar marcas.
— Own... E meu pescoço... Awn... Não vai ficar marcado, não é Art? – Ariadne estava tendo dificuldades em falar sem gemer.
