Artur acordou com o Sol batendo no seu rosto. Virou-se para o outro lado, tentando livrar-se da claridade e deu de cara com um corpo adormecido. Então fragmentos da noite anterior passaram por sua cabeça. A pressa de Ariadne em se livrar das roupas, o corpo macio dela, os gemidos abafados pelos beijos, a força com que ela cravara as unhas nele, o gosto da pele dela. O momento de êxtase e a expressão que viu no rosto dela (nas duas vezes). E o cheiro ainda presente no ar.
Ariadne, entretanto, acordou sem muita consciência de onde estava. Levou um grande susto quando viu o pointman na cama com ela. Ele sorriu bondosamente e balançou a cabeça, virou-se para encarar o teto e fechou os olhos. Esticou o braço e entrelaçou os dedos nos dela. Ficaram um tempo deitados até que Artur levantou-se e foi tomar banho. Por sorte ambos tinham arrumado as malas no dia anterior e por isso puderam acordar mais tarde e demorar no banho.
Passaram na recepção para deixar as chaves e entraram no carro de Artur que o manobrista já deixara no ponto para eles. Ele teve vontade de sair para algum lugar com Ariadne antes de ir encontrar o resto da equipe, mas sabia que eles precisavam terminar este trabalho primeiro, depois teriam muito tempo para sair juntos. Antes eles passariam em suas respectivas casas para deixarem as malas. Primeiro passaram no apartamento de Artur.
— Você quer subir? Ou prefere ficar no carro? Eu não vou demorar mesmo – ele falou quando estacionou em frente a um prédio de quatro andares.
— Não, tudo bem, eu vou com você Art.
O prédio era modesto e bem cuidado. Quando saíram do elevador, pararam em frente a uma porta vermelha com o número 503 gravado na cor preta. O apartamento dele era pequeno e sem muitos detalhes, mas aconchegante. Ariadne seguiu-o até o quarto e sentou na cama enquanto ele colocava a mala sobre uma mesa e abria gavetas à procura de algo. Tirou alguns papéis e parou perto dela.
— Vamos?
— Agora não. – ela levantou-se e puxou-o pela gravata para um beijo bem demorado.
Essa garota ia acabar com ele. Tinha um fôlego e uma disposição incrível. Não que ele estivesse reclamando, mas em alguns momentos ele teve que se esforçar muito para conseguir satisfazê-la. Ele precisou de muita força de vontade para não jogá-la na cama e só sair de lá no outro dia.
— Anda minha menina gulosa!
Eles desceram até o carro de mãos dadas e quando Artur deu a partida, a arquiteta perguntou.
— Você poderia só passar na minha casa depois da reunião, na volta?
— Claro que sim. Então é pra ir direto para o galpão? – ao que ela confirmou.
Eles chegaram poucos minutos depois ao local da reunião: um galpão, antes usado por uma construtora. Artur parou na porta para que Ariadne descesse logo enquanto ele estacionava o carro.
— Princesa, poderia não dizer ainda sobre nós dois?
— Claro! – algo dentro dela desanimou.
Ela foi calorosamente recebida pelos colegas, em especial por Eames que, depois de abraçá-la, ficou com um braço passado em volta da cintura dela. Encheram-na de perguntas de todos os tipos. Como foi a semana? Deu tudo certo? Conseguiu fazer os desenhos? O Artur foi muito insuportável? Como é o Hotel Realeza? É muito grande, é bom? Gostou? Cadê o Artur? Vocês brigaram? Cadê os desenhos, já mostrou pra ele? Descobriu alguma coisa interessante? Etc.
— Calma, calma. – ela estava muito feliz de vê-los de novo, tinha que admitir que sentira saudades deles – Um de cada vez.
— Certo, minha querida – Eames falou primeiro – Cadê o seu noivo?
Ela já estava prestes a responder que não sabia, que pouco se importava. Estava tão decepcionada com aquela história de não contar nada sobre eles que tinha vontade de chorar. Mas não teve tempo para nada disso, pois o próprio entrou pela porta.
— Estou aqui, senhores! – ele veio caminhando com uma pasta na mão, colocou-a sobre uma mesa e foi até onde todos estavam – Agora, Sr. Eames, se me dá licença, pode largar minha namorada, por favor?
E puxou a moça para si, abraçando-a de maneira possessiva. As reações foram variadas, Yusuf demonstrava confusão, Bruno tinha um sorriso sincero no rosto, Eames expressava divertimento e Ariadne estava surpresa.
— Namorados? – Yusuf fora o único que não entendera – Pensei que fossem noivos e não namorados!
— Yusuf eu acho que ele não está mais falando sobre uma farsa.
— E do que você está falando Artur?
O pointman teve vontade de bater na testa de Yusuf. Será que era tão difícil de perceber? Ao invés de tentar explicar com palavras – o que provavelmente causaria mais dúvidas – ele resolveu explicar com ações. Sem aviso prévio, beijou Ariadne na frente de todos. Se isso não respondesse a todas as perguntas, então ele não saberia jamais como responder.
Se antes os três homens estavam falantes e cheios de perguntas, depois dessa cena eles emudeceram. Continuavam cheios de perguntas, mas estavam surpresos demais para conseguirem falar algo. O primeiro a se recuperar foi Eames.
— Até que enfim desencalhou, Artur – ele adorava provocar o colega – E, minha querida Ariadne, você não tinha uma opção melhor não?
Todos riram, até mesmo o pointman. A arquiteta estava sem graça, mas muito feliz em estar abraçada com o seu namorado. Depois da euforia da chegada deles e dessa novidade tão impressionante, todos voltaram ao trabalho. Ariadne mostrou alguns desenhos aos outros, estes passaram algumas informações a eles – coisas que aconteceram ou que descobriram enquanto eles estavam no Realeza. Na tentativa de por tudo em dia, eles trabalharam um pouco mais que o normal.
OooooO
— Vamos, Art. Já terminei!
Artur estivera esperando por sua namorada, pois prometera levá-la em casa. Eles se despediram de Yusuf que ainda estava no galpão fazendo testes e saíram. Como ela morava próximo dali, logo chegaram a casa dela.
— Você não quer entrar um pouco?
Ele acompanhou Ariadne até a sala de estar. A casa dela não era muito grande, mas muito bem decorada. Conhecia um pouco do trabalho dela para supor que ela mesma decorara cada cômodo. Enquanto ela ia até a cozinha, ele ficou sentado no sofá pensando sobre a casa que compraria. Já tinha algumas em vista, mas até terminarem as coisas com o Bruno, ele não poderia comprar nenhuma delas.
— Que rapaz pensativo! – Ariadne voltou com dois copos de refrigerante, sentando-se no sofá ao lado dele.
— Que garota boba! – ele respondeu beijando o topo da cabeça dela ao aceitar a bebida.
Artur terminou seu refrigerante num gole só e pôs o copo sobre a mesinha de centro. Ponderou se deveria fazer o que estava pensando, até se decidir que sim.
— Acho que está na hora de eu ir para casa – ele falou deitando cabeça no colo da namorada.
— Eu acho – ela falou acariciando o rosto dele – Que você deveria passar a noite aqui!
Ela estivera pensando nisso desde que saíram do apartamento dele. Não era boba de pensar que eles ficariam juntos para sempre, mas queria aproveitar enquanto podia. E sentia uma necessidade sem tamanho de estar perto dele; desconfiava que sempre sentira isso e só agora se dava conta. Não importava, na verdade, desde quando se sentia atraída por ele. O que importava é que agora podia tocá-lo do modo como estava fazendo.
— Você só pode estar brincando!
— Bom... – ela foi boba, claro que ele queria ir para casa descansar, como não pensara nisso – Foi só uma ideia. Vou entender se você não quiser ficar.
— Mas é claro que eu quero.
Era estranho agir como se estivessem juntos há meses. Não fazia nem uma semana! Se bem que, se Artur levasse em conta sua última experiência, não importava quanto tempo estivessem apaixonados, sequer importava se estavam apaixonados ou só afim um do outro. Se fosse para dar certo ia dar certo, se não, a vida ia dar um jeito de atrapalhar.
Ele levantou e começou a beijar o pescoço dela devagar. Enquanto o copo dela ia se juntar com o dele, as bocas se uniram e as línguas se tocaram. Num dado momento, Ariadne levantou-se do sofá e puxou-o para o quarto. Não se deram ao trabalho de ligar as luzes nem de tirar as cobertas da cama. O quarto era iluminado apenas pela luz que vinha da rua, de vez em quando sendo iluminado mais intensamente quando algum carro passava.
— Você quer comprar uma casa, não é mesmo? – ela perguntou.
— Estou pensando nisso – ele falou olhando para o teto – Viver de aluguel a vida toda não é um bom negócio.
Eles estavam deitados um ao lado do outro, ofegantes e cansados.
— E pretende fazer isso depois que terminarmos o trabalho para o Bruno, certo? – ele respondeu com um "uhum" – Então, porque não vem ficar comigo... Só até você comprar sua casa?
Essa garota não existe. É sério! Artur não sabia nem o que dizer, tinha que falar algo, mas tinha medo de estragar o momento. Ele às vezes podia ser meio desajeitado com as palavras.
— Hum! – o silêncio dele estava prolongando-se e deixando-a nervosa, será que falei besteira? – Art, dormiu?
— Não, estou acordado. – ele pensa em algo inteligente pra dizer – Estava apenas pensando se devo ir pegar minhas coisas agora ou só amanhã. O que você acha?
Ele virou-se para olhá-la com um sorriso. Ariadne estava feliz por demais para responder e em vez disso beijou-lhe os lábios. Pensava que ele daria uma desculpa educada e recusaria o convite dela.
— Eu acho que deveríamos ir jantar e deixar essa mudança para amanhã – ela falou levantando-se e saindo do quarto.
Ele ficou encarando o lugar perto da porta onde ela acabara de sair – usando somente roupas íntimas. E se não desse certo as coisas entre eles? Ele estava gostando de ficar com ela. Uma mulher que sabia e entendia o trabalho dele, divertida, bonita e, acima de tudo, parecia gostar da companhia dele – de verdade. Ele não sabia bem o que era o amor, mas desconfiava que pudesse sentir isso por ela.
— Art! – ela falou de outro cômodo, provavelmente a cozinha.
— Já vou, minha princesa! – ele respondeu levantando da cama.
N/A: Espero que tenham gostado... Foi a primeira fic com mais de 2 capítulos que eu concluí (as outras ficaram incompletas), logo, perdoem-me se ficou muito ruim. Opiniões são bem vindas... *-*
