Avisos: depois de muito tempo resolvi retomar Orion. Espero não me perder nos rumos que a história vai seguir. Para situá-los, quando comecei a escrever, não sabíamos quase nada sobre o que poderia acontecer na Season 3A. Mas alguns spoilers já haviam sido divulgados. E por isso o nome do Deucalion aparece na fic. No entanto, isso não significa que vou seguir os acontecimentos da temporada. A partir de agora, esqueçam o que rolou na temporada, a fic vai se tornar uma versão alternativa da terceira temporada, ok?

Aguardo mesmo os comentários de vcs, só pra ter certeza que não perdi a mão...rs...

Revelações

Eles chegaram a Beacon Hills já pela manhã. Na sala enegrecida pelo fogo da casa dos Hale, Peter aguardava, atento. Ele sabia muito bem que Stiles não se negaria a ser um orion. Mas receava pelo que isso poderia representar.

Na mitologia que cercava sua espécie, nunca ninguém conseguiu definir exatamente o que um Orion seria capaz de fazer e agora eles teriam a oportunidade de vivenciar todas as perspectivas da nova criatura.

- Bom dia! – sorriu, daquele jeito torto, assim que Derek e Stiles entraram no local.

- Peter! – Derek cumprimentou de um jeito direto e Stiles apenas o olhou.

O alfa mais velho ergueu as sobrancelhas numa expressão de quase espanto. Os olhos do rapaz agora traziam uma coloração dourada, um pouco mais dura e amadurecida do que ele carregava antes de ser oficialmente um Orion.

E não era apenas a mudança de expressão no rosto jovem, era como se aquele brilho etéreo o fizesse se sentir vulnerável. Algo dentro de si lhe dizia que Stiles agora estava no comando, mesmo que quem tivesse lhe mordido tenha sido Derek e não ele.

E como se pudesse ler os pensamentos de Peter, Stiles fechou os olhos, virou o rosto para a janela e falou:

- Vocês dois dividem a energia do alfa. Derek só se tornou alfa ao te matar, Peter. E você só recuperou seus poderes ao fazer com que ele lhe mordesse. Eu não sei o que isso pode significar, mas agora eu sou um Orion de dois alfas.

- Como sabe disso? – Derek perguntou, o tom de voz cauteloso.

- Não sei. – Stiles suspirou, cansado – Tem muita coisa na minha cabeça, que eu ainda não consigo entender, falar, explicar. Quero ir pra casa.

Derek se prontificou a leva-lo em casa e deixou a mansão atrás do rapaz. Os dois alfas reparando o quanto ele parecia maior enquanto andava para o carro.

O camaro preto estacionou diante da residência dos Stilinski e, assim que tirou o cinto de segurança, Stiles esticou a mão e tocou a testa de Derek com a ponta dos dedos. Um arrepio correu do corpo do rapaz para o alfa que sentiu mais que viu seus olhos brilharem daquela mesma cor indefinida, como ouro velho.

E Derek repetiu o gesto, tocando a testa de Stiles e vendo, admirado, o choque de seu corpo fazer a íris do rapaz se avermelhar. E ele pôde então definir o que aquilo representava. Um ritual entre eles, para dizer, mais que isso, para se certificarem que mesmo que o bando tivesse dois alfas, mesmo que Derek e Peter estivessem conectados, era ao mais novo dos Hale que o Orion pertencia em primeiro lugar.

Stiles deu um sorriso aliviado e já saía do carro quando um par de luvas pretas o empurrou de volta para dentro e bateu a porta, o trancando no veículo. Pela janela, Derek já com olhos vermelhos e dentes afiados a mostra notou um rosto feminino, quase delicado, encarando os dois com determinação.

- Aqui Stiles não entra. – a voz de Ms Morell, a conselheira escolar, era autoritária – Derek, guarde as suas presas para quem realmente pode colocar vocês em perigo. Tome, - ela jogou um pedaço de papel para dentro do carro, com uma espécie de endereço rabiscado – Pegue a interestadual com a 25 e dirija até o retorno. Espero vocês por lá. Não se preocupe, Stiles. Deaton falou com seu pai, disse que faria um trabalho voluntário junto com Scott numa ONG que cuida de animais selvagens. Não é de todo mentira e seu pai ainda ficou orgulhoso de você.

Morell colocou o capacete cinza chumbo e subiu na Harley Davidson Night Rod e acelerou, tomando o caminho que havia indicado para o alfa. Derek ainda hesitou antes de dar a partida, mas acabou ligando o carro e seguindo para onde Deaton os esperava.

A indicação dada pela jovem mulher e o endereço rabiscado no papel amassado levavam a entrada de uma propriedade particular, que passaria despercebida por qualquer veículo que cruzasse aquele trecho da estrada.

Derek mesmo só divisou a entrada de terra batida entre as árvores e arbustos porque a moto vermelho escuro da conselheira estava parada no acostamento. Ela não falou nada com eles, sequer tirou o capacete e religou a motocicleta quando eles se aproximaram, entrando pelo caminho estreito de terra que mal dava para o carro do alfa passar.

Dirigiram ainda por quase uma hora, em curvas complicadas, pegando bifurcações e abrindo porteiras de metal enferrujado. Ela só estacionou e desceu da moto, tirando o capacete, quando alcançaram um casarão antigo, estilo colonial, mas bem conservado.

O imóvel tinha dois andares, paredes brancas e janelas de vidro com cortinas cor de vinho. Na varanda, uma porta dupla de madeira maciça e escura, com batedores de bronze. Duas cadeiras de balanço e alguns vasos de planta enfeitavam o lugar, que poderia se passar tranquilamente como a casa de alguma senhora idosa.

Deaton abriu a porta e saiu do casarão antes mesmo que Stiles conseguisse abrir a porta do carro. Ele já não parecia mais o veterinário de olhar apaziguador que conhecia. Vinha de calça camuflada, coturno, camisa escura e jaqueta de couro. Olhou para o lados e falou para Morrel:

- Perímetro protegido e tranquilo, traga os dois para dentro.

A mulher apenas concordou com a cabeça e fez sinal para que Stiles entrasse na casa, mas parou diante de Derek e lhe estendeu a mão.

- Aqui todo lupino precisa de um convite para entrar.

Derek arqueou as sobrancelhas, desconfiado. Ela deu de ombros e falou:

- Se não acredita, tente se mover.

O alfa sorriu de canto e tentou erguer o pé direito para dar um primeiro passo, mas seus pés pareciam colados ao chão. Morrell esticou a mão novamente e insistiu:

- Convencido?

O alfa ainda rosnou alguma coisa e fez força para sair do lugar por mais um tempo. Até que, a contragosto, pegou a mão pequena, mas firme, e conseguiu caminhar até a entrada do lugar.

Assim que entraram na residência, Morell soltou a mão do alfa e fechou a porta e as cortinas. Não estava exatamente frio, mas a lareira estava acesa e Deaton havia se acomodado numa poltrona de veludo verde musgo, com o espaldar alto. A sua frente uma pequena mesa com vários livros e pergaminhos espalhados, instrumentos dourados antigos como astrolábios, bússolas e outros utensílios que nem Derek nem Stiles conheciam.

O veterinário ergueu os olhos que carregavam uma expressão mista de cansaço e contrariedade. Stiles deu um passo a frente e uma ligeira surpresa pareceu erguer suas sobrancelhas, mas logo passou.

- Sentem-se. Nossa conversa vai ser longa.

Stiles assentiu e se jogou num puff marrom próximo a mesa e Derek puxou uma das cadeiras de madeira escura, sentando ao lado de Stiles, cruzando os braços sobre o peito.

- Só me respondam uma coisa – a voz dele começou macia demais e Stiles sentiu um frio correr sua espinha, era o mesmo tom de voz falso de quem vai dar uma bronca em seguida – vocês têm alguma noção da besteira que fizeram?

Se era possível, Derek amarrou a cara mais ainda. Mas Stiles apenas engoliu em seco. Não pela mensagem em si, mas por notar que a voz de Deaton não alterou. Ele continuava com aquele olhar que parece um escudo protetor, inabalável, falando com sua voz mansa, mas carregado de autoridade.

- Me deixe adivinhar: você – e ele apontou para Derek – finalmente percebeu que o cheiro do Stiles não era do sabonete, perfume ou hidratante de amêndoas e foi checar com seu tio Peter, a pessoa mais inteligente e confiável de toda Beacon Hills se ele realmente poderia ser um Orion. E é óbvio que Peter já havia percebido isso e usou seu poder de persuasão, e sua ingenuidade, para fazer você acreditar que Stiles já estava pronto para a verdade. E agora, estamos todos em guerra, antes mesmo de preparar nossos exércitos.

- Guerra? – a voz de Stiles saiu um pouco rouca, depois de tanto tempo em silêncio.

- Sim, Stiles. Guerra. O estado inteiro, e eu não me espantaria que alguns lupinos de outros estados, está se movendo para Beacon Hills nesse momento.

- E por que isso? – o rapaz insistiu – Eu sei que alguns sentiram o meu cheiro e...

- Eles sentiram apenas o cheiro de um Qhimmér. Um humano com potencial para se tornar um orion.

- Nunca ouvi falar desses qhimmér. – o alfa rosnou em sua cadeira.

- Claro que não. Os qhimmér são subestimados pela sua espécie, Derek. Apenas os que de fato sobrevivem à mordida e se tornam orions são reconhecidos nas lendas.

- Sobrevivem à... à mordida? – Stiles levantou do puff e coçou a nuca, sentindo seu estomago revirar.

- Derek não lhe falou? Bom, é bem provável que ele também não sabia dos riscos. Nem todo qhimmér sobrevive à mordida, Stiles. É preciso ter o sangue legítimo para suportar o dom do Garou.

- Eu não sabia disso. – Derek falou em voz baixa, se aproximando de Stiles e colocando a mão em seu ombro – Juro que não sabia. De nada disso.

O rapaz fez um meneio de cabeça e tornou a encarar o veterinário que agora puxava um livro antigo, com alguma espécie de árvore genealógica traçada na capa e centenas de linhas, ao longo das páginas, com nomes de pessoas, lugares e datas.

- Venham ver. – ele chamou e abriu um mapa mundi já amarelado pelo tempo e cheio de riscos em giz vermelho, anotações em letras diversas e marcações impossíveis de serem decifradas – Isto aqui é o que o meu povo faz há 15 gerações. Nós, os Dhiemy, somos caçadores e protetores dos Qhimmér. Cada nome marcado aqui nesse livro é um Orion em potencial. Alguns até chegaram a se tornar um. O seu nome, Stiles, foi escrito aqui assim que você nasceu.

- Assim que eu nasci? Como? Fizeram meu mapa astral e viram alguma estrela apontando pro quarto da minha mãe na maternidade?

- Você tem o legítimo sangue Qhimmér, Stiles. Os Stilinski vem de uma antiga família cigana, que se desmembrou na época da inquisição e migrou para a Polônia. Lá ainda conseguiu manter as tradições por mais um tempo, até que aderiram ao cristianismo por conveniência e pouco depois, se afastaram da tradição Qhimmér. Meu avô – Deaton continuou – sempre seguiu de perto a sua família. Nós nunca abandonamos nossa missão de proteger os Qhimmér, porque sabíamos que quando o orion nascesse, precisaria de nós, precisaria de alguém que conhecesse as raízes da sua alma para ajudar no processo.

- Você está aqui para me ajudar?

- Sim. Eu e Morell estamos lhe acompanhando de perto há muito tempo. Eu não vim para Beacon Hills por causa dos lobisomens como os Hale pensaram no começo, eu vim aqui por causa de você, Stiles.

Stiles baixou os olhos, tentando assimilar tudo o que havia descoberto em tão pouco tempo. O que afinal havia de tão grandioso assim num órion para que tanta gente movesse sua vida a seu redor?

- Stiles? – Deaton chamou novamente – Eu sei o que está pensando, posso ver a tensão em seus ombros. Observo seu jeito de ser há tempo o suficiente para compreender que você prefere ajudar a ser ajudado. A questão é que agora isso precisa mudar e se não aceitar o que temos a fazer por você, os riscos são maiores do que podemos supor.

- O bando de alfas... – Derek, começou a falar, mas foi interrompido.

- Não é só um bando de alfas, Derek! – Morell trocou um olhar com Deaton, antes de continuar – É um bando de alfas sob o comando de um deucalion.

Derek sentiu os pelos em sua nuca arrepiarem ao ouvir a menção aquele tipo de lobisomem.

- Tem certeza?

- Espera, o que é um deucalion? – Stiles levantou-se e encarou o grupo, que parecia realmente preocupado.

- Deucalion é o pior tipo de lobisomem que existe. – Morell começou.

- Oh, ótimo! Bom saber disso. É um sinal de que existe algum tipo de criatura sobrenatural que seja melhor? Unicórnios? A fada do dente?

- Unicórnios são malvados e a fada dos dentes é uma mercenária. Não, não existe criatura sobrenatural que seja boa, todos obedecemos a nossos instintos. Mas um deucalion é maligno. E isso é tudo o que você precisa saber! – Derek respondeu, irritado.

Era a primeira vez que perdia a paciência com Stiles desde a descoberta de seu sangue órion. Mas agora, ao ouvir falar do deucalion, sabia que não tinham tempo a perder. O rapaz pareceu magoado, mas não falou nada, apenas cruzou os braços na altura do peito e apertou a si mesmo. Uma crescente insegurança se instaurando dentro dele.

- Na verdade, Derek, você e Stiles não tem mais escolha. Ele precisa saber mais do que isso, para ter como se preparar. – Deaton ponderou, levantando da mesa e indo até um armário de madeira e portas de vidro repleto de livros que pareciam muito antigos.

Abriu a porta do móvel e passou o indicador por uma fileira, depois outra até que se deteve num exemplar de capa marrom, as letras douradas quase imperceptíveis. Voltou com ele já aberto, os olhos sem desviar das páginas amareladas.

- Aqui está, uma edição de 1715 do Malleus Malleficarum, conhecido no mundo inteiro como O Martelo das Feiticeiras, traz um capítulo sobre o deucalion. Um século depois, quando a igreja pensou ter exterminado os lobisomens, o capítulo foi removido. Vejam:

"Há ainda aquilo de mais bestial entre os seres no nosso tempo. Mais que os íncubos e súcubos, o deucalion é quase como o próprio demônio encarnado. Filho direto dos Garou, o deucalion além de um homem metade lobo, traz consigo a marca dos feiticeiros dos mortos."

- Depois desse trecho, os autores recomendam os mesmos tratamentos para o deucalion que utilizavam nas "bruxas tradicionais".

- Feiticeiros dos mortos? Necromantes, você diz? – Stiles sentiu um frio percorrer sua espinha.

- Sim, Stiles. Você definiu bem. Um deucalion é uma espécie de necromante. Alguém que foi capaz de matar um pedaço de si mesmo em troca de um dom. Todo deucalion é um oráculo, que consegue enxergar quais pessoas têm habilidades especiais e vai atrás delas para recrutá-las em seu "exército pessoal" ou eliminá-las de uma vez.

- Calma aí! Esse deucalion é o que? Uma espécie de professor Xavier dos lobisomens?

- Stiles, o deucalion é uma besta! – Morell quem falou – Ele se fortalece com a habilidade dos membros do seu bando. Os transforma, através de rituais, em protótipos de deuses pagãos. Mais que lobisomens, eles têm poderes.

- Que tipo de poderes? – o garoto sentia-se apavorado, mas sua curiosidade era sempre maior e agora que estava envolvido até a alma, literalmente, naquela situação, queria saber de todos os detalhes.

Deaton levantou e fez um sinal para que o seguissem. Eles foram atrás do veterinário sem questionar e atravessaram a sala, chegando a um longo corredor que revelava que o casarão era ainda maior que o imaginado.

Os cômodos no resto da casa estavam todos com as portas fechadas e a baixa iluminação deixava o imóvel com um ar gélido, além do cheiro peculiar de poeira guardada.

- Não usamos esta casa há muitos anos. – ele explicou, abrindo a porta no final do corredor, que rangeu como se protestasse e não quisesse revelar o que escondia atrás de si.

Mas não havia nada de interessante ali, apenas um banquinho de madeira sem pintura, um aparador antigo com um vaso de porcelana pintado a mão, coberto por teias de aranha, e um pedaço de pano, que mais parecia um resto de cortina carcomida por traças, amontoado no chão.

Detaon empurrou o pano com o pé deixando a mostra uma alça de cobre presa ao chão de madeira. Com um esforço, puxou-a para cima revelando uma escada que daria ao porão da casa. Morell não precisou de mais nenhum sinal e já foi descendo as escadas que rangiam mais até do que a porta.

Sacando uma lanterna de dentro da bolsa presa à cintura, ela iluminou a escada para que os outros descessem.

Quando se reuniram no porão, Stiles sentiu o queixo cair involuntariamente. Apesar de empoeirado e com cheiro de umidade, o lugar era incrível. Armas medievais, quadros antigos, livros e pergaminhos reunidos, numa espécie de bagunça organizada.

- Esse é o nosso acervo. – Deaton acendeu a luz, apontando para todo o conteúdo espalhado ali – Aqui reunimos tudo o que nossa família conseguiu a respeito de criaturas como os lobisomens e outros que foram entrando em nosso caminho, como outros tipos de metamorfos. E aqui – ele apontou para uma parede coberta por veludo vermelho – temos o item mais precioso da nossa coleção.

Ele puxou um cordão que já havia sido dourado e o veludo se abriu como se fosse uma cortina de teatro, revelando um quadro que cobria toda a extensão da parede.

Nele, um grande lobo se equilibrava sobre as duas patas traseiras, uma coroa na cabeça e restos humanos espalhados ao chão. Circulando o lobo, como um relógio, várias figuras chamavam atenção pela riqueza de detalhes: uma mulher cuja boca pingava um líquido negro e viscoso; um corpo grande de homem com duas cabeças de lobo em cima do pescoço; uma moça ruiva semi-nua com um coração negro nas mãos; um homem pardo, com olhos ferozes e carregando uma montanha nas costas; e os desenhos se repetiam até chegar ao topo, onde um lobo de olhos amarelos jazia sobre uma pedra, partido em quatro partes.

Stiles olhava cada um dos desenhos, admirado com os detalhes e, mais ainda, com a similaridade de alguns daqueles rostos. A mulher ruiva lhe lembrava claramente Lydia. Assim como o lobo sacrificado (ele não conseguia tirar essa palavra da cabeça a cada vez que olhava o desenho) era Scott.

Finalmente olhou ao redor, examinando com cuidado as armas e livros espalhados pelo porão. Deu as costas ao grupo e caminhou, parando em um ou outro ponto do imóvel mal iluminado. Manejava algumas das armas dispostas em caixas aveludadas, observava frascos com o que parecia óleo e galhos de plantas e só quando notou um exemplar da wolfsbane vista antes no Caern é que ele falou:

- Vai me treinar?

- Se você quiser. – Deaton respondeu, as palavras carregadas de um peso que apenas ele e Stiles entenderam.

- Vai doer?

- Sim, vai doer. Muito, no começo.

Derek rosnou ao sentir o mal estar que acometeu Stiles. Adiantou-se para ele, colocando as mãos em seus ombros. Stiles apenas encarou os olhos verdes ansiosos por uma resposta.

- Preciso ser treinado. Sem isso, coloco em risco o bando todo, Derek.

- E por que Deaton diz que vai doer?

- Porque é nossa primeira semana como alfa e orion. O certo era que ficássemos juntos. Vai doer em mim e vai doer em você. E provavelmente um pouco no Peter, mas essa ideia me agrada um pouco. – ele tentou ironizar, mas seus olhos lhe traíam.

- Eu fico com você! – Derek sentenciou, decidido e temeroso ao mesmo tempo.

- Não. Você não fica! – Deaton se aproximou dos dois, retirando as mãos do alfa de cima dos ombros do orion.

- E se eu não lhe obedecer? – o alfa o desafiou.

- Então eu retiro seu convite, e você sentirá seus ossos retorcerem dentro de si, partes da sua carne rasgarem e seus olhos pegarem fogo até que alcance a saída. – a orientadora quem respondeu com a voz calma e, notando que Derek não havia retrucado, continuou – Você vai para sua casa e fique atento. O cheiro de Stiles pode ter se intensificado, mas o seu cheiro continua o mesmo. Quando eles chegarem à conclusão de que o orion é o melhor amigo de Scott, teremos uma vantagem.

Derek olhou de Morell para Deaton e só então voltou a encarar o rapaz, que parecia sentir um buraco se formar em sua alma. Esticou o braço e tocou os dedos em sua testa, sentindo os olhos dos dois se conectarem. Stiles repetiu o gesto e Derek saiu da casa.

O silêncio só foi rompido pelo som do camaro se distanciando e pelo arfar do rapaz, que parecia estar tendo uma crise de pânico.