A lua se escondia entre as nuvens nesta noite fática. As estrelas, amedrontadas, fugiam da iluminação solar para não brilharem. O vento gélido acariciava meu corpo de maneira dolorosa. Minha carcaça nua e agora suja... Não, não era ela que estava suja, e sim minha alma. Antes poderosa, agora apenas fragmentos do que fora antes de Claude corrompê-la da forma mais sádica...

Pude sentir os fortes pingos de chuva escorrerem sobre minha pele marcada pela dor e pecado. Pude perceber a sanidade escapando-me pelas orelhas enquanto me encolhia ainda mais nesse sórdido e estreito beco... Não tenho certeza se eu quero vingança ou fugir.

Porque ainda sinto suas rudes mãos prendendo-me naquela posição vergonhosa... E meus olhos ainda ardem pelas indecorosas lágrimas que deixei escapar... Meu corpo ainda clama por algum tipo de anestesia pela força excessiva que aquele demônio usou contra mim. Pergunto-me se é possível o inferno ser pior que a realidade.

Tento fugir, em vão, da tempestade que as nuvens presenteiam a terra. Contudo, começo a notar que ela está em meus sentidos, em meu cérebro, em minha loucura. Os raios rasgando os céus de maneira impiedosa, assim como Claude me rasgou. Os trovões estremecendo todas as partículas existentes, assim como Claude me estremeceu. Os pesados pingos sendo forçados a chorar, assim como Claude me forçou.

Abraço meu corpo com uma rala esperança de me esquentar, todavia, fora inútil. Todos meus recentes esforços foram ineficazes até eu mesmo me tornar o ser desvalido que sou. Total à mercê de Claude. E eu sei que não importa quantas vezes eu pranteie, grite clame ou rogue, nada vai mudar minha lamentável situação. Tudo por causa de algumas palavras tolas e uma personalidade atroz.

Nunca me senti tão quebrado. Ainda sinto seus dentes e pênis penetrando e marcando minha carne. A sensação do meu sangue escorrer por entre minhas coxas. E a risada maléfica de Claude ecoando pelo beco sem saída.

Uma forte. Duas só para provocar. Três para me despedaçar. Quatro fracas. Cinco só para eu gritar. Seis para eu chorar. Sete fundas. Oito só para me dominar. Nove para me fazer sangrar. Inúmeras outras estocadas em prol a sua distorcida diversão.

O afã consome a minha alma corrompida e eu só quero acordar deste pesadelo, ou quem sabe dormir para ter um sonho melhor. Um no qual eu não me recorde de Claude me encurralando contra a parede com seus olhos dourados famintos. Onde ele não me beija logo em seguida. E quando eu tento relutar, ele não agarre minhas mãos e me jogue contra o chão, prensando meus pulsos contra a calçada lodosa.

Óh, sim, uma simples ilusão na qual aquele demônio não rasgou minha camiseta às pressas enquanto sorria perversamente. Cuja é inexistente a existência daquelas mãos que acariciavam meu corpo de forma brutal e aqueles dentes e lábios que me marcavam sobre a pele. Seria quase estar no paraíso estar nesta fantasia em que Claude não posicionou aquele enorme e grosso pênis entre minhas pernas e me corrompeu e me declarou dele para a eternidade.

Viver em outra realidade ou apenas desaparecer... Não peço mais nada além disso. Porque já não me importa a chuva que me banha e tenta me purificar, eu desejo fundir-me com a névoa que me rodeia e evaporar assim que o sol e toda sua majestosa luz que queima e destrói a agonia e amargura dessa cidade surja.

Anseio veemente em mergulhar no abismo cuja situação me levou. Afogar-me no oceano tormentoso e melancólico, descobrindo os espaços inexplorados enquanto meus pulmões sofrem pela falta de oxigênio. Fechar meus olhos e limpar-me da essência de Claude que impregnou em minha pele, quiça em meus órgãos.

Mas sei que esse meu desejo está a beira da utopia. Hei de conviver com essa cicatriz que aquele demônio deixou. E nada além de esconder essa depressão é o que me resta a fazer. Maldito seja aquele homem e aqueles olhos frios que se tornaram quentes. Pela primeira vez, eu vi aquelas íris serem sóis luxuriosos que queimava por mim. Somente por mim. Eu, apenas um reles combustível para sua monstruosidade.

E meu pranto não para. Estou caindo nesse infinito abismo cujo Claude me jogou. Está tão escuro, tão frio. Tão insuportavelmente angustiante. Estico minha mão esperando que alguém a apanhe, que alguém me salve. No entanto, ela apenas sente o vácuo dos sentimentos. Ela enlaça toda a ausência do mundo e eu me esvaio pelos poros, em busca de alívio.