– Então você me acorda no meio da noite, para te salvar de passar a madrugada algemado em um contêiner, pede para eu trazer meu kit de trabalho e Emmett a tiracolo, como se eu fosse a porra do seu empregado - Edward olhou pelo retrovisor Emmett logo atrás deles com sua moto – E quer que eu me contente com essa merda de silêncio?
Edward lançou um olhar para o seu amigo e parceiro de trabalho ao lado. De fato ele merecia um pouco de consideração. Se não bastassem as enormes olheiras e o cabelo em desordem completa, Jasper ainda usava um pijama com galinhas pintadas nas calças. A peça irrisória foi dada por sua irmã, fato insistentemente explicado por ele.
Edward sabia que deveria contar o que acontecera ao amigo. Mas no momento sua cabeça estava ocupada com coisas mais interessantes. Sua agressora. A pele branca, o seu corpo torneado, os cabelos negros que emolduravam perfeitamente o rosto delicado efrio. Como se já não fosse suficiente o maldito cheiro dela martelava em sua memória. Necessitava descobrir quem era aquela mulher e, sobretudo, necessitava desesperadamente vê-la novamente.
Levou cerca de meia hora para que Edward conseguisse explicar aos seus amigos o que se sucedera no término daquela tarde. Tinha chamado justamente aqueles dois, porque eles eram as figuras que Edward mais confiava em todo o FBI, e possivelmente fora dele. Ele queria manter os detalhes da operação fracassada fora dos arquivos.
Não sabia muito bem porque não queria deixar a sede a par da existência da mulher, nas palavras de Emmett ele estava ficando maluco, mas Edward tinha essa sensação de que necessitava descobrir mais sobre ela, antes de cita-la. Algo o dizia que o que aconteceu no porto era apenas a ponta de um imenso iceberg.
– Novidades, tenho a proprietária do Porshe Vermelho! Meu amigo, te apresento a sua garota: Alice Brandon.
Edward correu para trás do computador de Jasper esperando ver sua agressora novamente, nem que fosse pela foto da Licença de motorista. Assim que cravou os olhos na jovem, soltou um suspiro longo e desanimado.
– Não é ela, Jasper.
O loiro visivelmente murchou, enquanto Emmett parecia mais interessado em passar os dedos pelo rótulo da garrafa de cerveja.
– Se o carro for roubado estamos fudidos... Quer dizer, você está fudido! Mais alguma coisa que eu deveria saber? Estatura média, morena, olhos azuis...
Edward lembrou-se da figura da mulher.
– E ela cheira... como morangos.
Emmett engasgou com a cerveja e Jasper olhou para o amigo incredulamente. Entretanto o espanto dos dois era oriundo de fontes diferentes.
Ela cheira... – o grandão balançou a cabeça, olhando fixamente para Edward, não se permitindo repetir as palavras do amigo – Você sabe a porra do cheiro dela?
– Morangos! Obrigado Edward, informação de grande valia. – Jasper disse baixinho como se estivesse invocando uma praga ou coisa parecida, mas de repente o seu olhar meio grogue, efeito da cafeína para a inibição do seu sono, se iluminou. – Como eu não pensei nisso antes?
O loiro e o moreno agora detinham a atenção em Jasper que acabava de se vangloriar em pensamento. Ele inclinou a cabeça para frente arqueando ambas as sobrancelhas. Parecia compartilhar o segredo do século.
– Brandon! – Ele sussurrou, como se a menção do sobrenome pudesse explicar tudo. – Brandon é um nome de uma família que está constantemente vinculada à máfia. Vocês dois não pensam que isso é uma simples coincidência, não é?
A coisa que Jasper mais gostava era uma teoria da conspiração. Por isso sabia um pouco sobre tudo. E isso incluía o histórico da atual máfia italiana.
– Eu normalmente não levo as merdas que você diz a sério, Jasper. Com essa calça de bichinha você dificultou ainda mais pro seu lado. – Emmett disse.
Jasper mexeu em alguma coisa no notebook logo o virando para os amigos.
– Esse é Charles Swan, o Don Corleone da vez, ou assim podemos dizer. Apesar do modelo da máfia não ser mais o mesmo dos filmes do poderoso chefão, se ainda chamassem alguém de Don, esse alguém seria o Swan. Ele é o número um da máfia, sem sombra de dúvidas.
Edward olhou para a foto do homem a sua frente. Os cabelos negros, a pele clara, os olhos frios de um profundo azul. Ele conhecia esse olhar. Não restavam dúvidas, aquele homem era a versão masculina e mais velha da desconhecida no porto.
– Eles são muito parecidos Jasper. – Edward externou – O mesmo tom de cabelo, os mesmos olhos. O mesmo ar de arrogância.
– Ah não, você tem que estar brincando comigo. – Jasper olhou para a cara de Edward esperando que ele denunciasse sua brincadeira, logo após suspirou ruidosamente enquanto levava as mãos para o cabelo que já estava um caos.
– Mas que merda Edward! Mafia + mulher + semelhança com Charles Swan é igual a Isabella Swan – ele olhou para os homens na esperança de que entendessem. O que havia com a sociedade atual, ninguém sabia mais nada? – A PORRA DA PRIMEIRA SOBRINHA!
– Isabella... – Edward pronunciou, degustando cada sílaba. Teve que reconhecer que, ao contrário de Alice, aquele nome combinava e muito com a figura de sua agressora. – Por acaso você teria alguma foto?
Jasper chutou o ar com a perna quase caindo da cadeira.
– Não. Eu não tenho uma foto da filha do falecido Charlie Swan irmão gêmeo do chefão da máfia atual. Ela é a provável sucessora do tio, Edward. Você está entendendo nisso? Ela é peixe grande meu irmão. Porque diabos você tinha que cruzar o caminho dessa mulher?
– Uma foto Jasper...
O loiro bufou e mesmo em estado de cólera, mexeu mais uma vez em seu computador. Afinal de contas era para isso que ele tinha serventia. Uma mulher vestida com um top preto e uma calça jeans invadiu a tela do notebook. As suas pernas definidas estavam ressaltadas pela calça colada, o quadril volumoso perfeitamente marcado. Edward subiu os olhos por aquele corpo notando a cintura finíssima e os seios que estavam escondidos pelo top comportado, mas que certamente, eram bem esculpidos. Seus olhos pararam na pele alva de seu pescoço e rosto. Os olhos azuis o encaravam num misto de superioridade e frieza.
Ele reconheceria aquela imagem até no inferno. Era ela.
– Que gostosa do caralho! – Emmett exclamou, seus olhos cravados em Isabella na tela do computador. Edward instantaneamente lhe lançou um olhar assassino.
– Ela está muito além do seu poder de consumo, Emmett. – disse com rispidez, o tom não deixando dúvidas de que o assunto não era questionável.
– Aposto que pensa que ela está a sua altura, né Edizinho?
O loiro lhe lançou um olhar que não deixava margem para interpretação dúbia. Pedia, ou melhor, ordenava que o amigo parasse de meter o nariz avantajado nas coisas que não cabiam a ele.
Emmett simplesmente balançou os ombros de maneira displicente, sem querer admitir que de fato respeitava o parceiro de trabalho.
– Jasper, pode encontrar para mim as propriedades no nome de Isabella? Especificamente casas ou apartamentos aqui em Boston.
Jasper demorou alguns segundos para anunciar que não havia residências em nome de Isabella Dwyer Swan. Edward coçou a cabeça para depois pedir novamente.
– Procure pelo nome de Alice Brandon.
– Alice Brandon – Jasper depois de alguns minutos falou com a voz cansada – possuiu um pequeno prédio de dois apartamentos em Boston.
Edward sorriu.
– Descubra pela correspondência de Alice em qual deles Isabella reside. – Jasper balançou a cabeça contrariado.
– E como tem tanta certeza que ela vive em um dos dois? – Emmett perguntou.
– Eu simplesmente sei – Respondeu, checando o relógio de pulso. Quatro e meia da manhã. Deu as costas aos amigos, preparando-se para ir para o seu quarto, quando a voz de Jasper o parou.
– Aonde pensa que está indo?
– Dormir um pouco enquanto você descobre isso para mim. Amanhã tenho que fazer uma visitinha antes do expediente.
Jasper engasgou.
– Não me diga que você pretende visitar a Swan – Emmett inquiriu.
Edward simplesmente levantou os ombros largos.
– Aonde mais eu iria?
– Você só pode ter merda no lugar do que chama de cérebro. Ela é perigosa! Edward, você tem que ficar longe dessa mulher.
– Ela praticamente caiu do céu pra mim, Jasper.
– Estaria mais para subiu do inferno, mas continue.
– Eu vou atrás dela sim, Whitlock. Vou recuperar a maleta e vou descobrir que tipo de serviços ela presta para a máfia. E quando possuir provas, eu, Edward Masen Cullen, serei o responsável pela prisão da herdeira de um dos impérios da criminalidade atual.
Jasper bufou.
– E um homem morto no dia seguinte – refletiu – ou até mesmo antes disso.
Edward preferiu descartar o que o amigo disse e continuou o caminho para o seu quarto. Tirou a camisa deixando os músculos a mostra e se livrou dos sapatos os forçando pelos calcanhares. Pulou na cama de casal que o acolhera como uma velha companheira. Apesar do cansaço duvidava que fosse dormir.
Sua bela agressora não só possuía um nome como era a porra de uma espécie de segundo homem da máfia italiana. É, ele estava perdido.
Através da água turva da banheira vitoriana, Isabella viu quando o rosto de Alice, substituindo o do Agente Masen, se inclinou para olha-la mais de perto. Com as mãos na cintura a jovem estava visivelmente enfurecida.
Qualquer pessoa, excetuando Alice, que encontrasse Isabella agora, pensaria que ela tinha morrido. Ela estava estática em baixo da água, os olhos azuis abertos, e sabia que não saiam mais bolas pelo seu nariz. Isabella não fazia ideia de quanto tempo passara submergida no líquido da banheira. Apreciava fazer isso quando precisava calar a sua mente, o que acontecia praticamente todas as noites. Apesar de que, nessa noite em especial, não parecia ter surtido efeito.
– Boa noite, Alice. – Ela saiu da banheira pronta para enfrentar qualquer disparate que a mais nova achasse que ela merecesse.
– Só se for para você! – Retrucou a baixinha, com a voz um pouco estridente.
Isabella rumou para o chuveiro e despejou o shampoo com essência concentrada de morangos em seus cabelos. Aquele era o único momento de seu dia em que ela se sentiabem. Lembrava um pouco da sua infância antes de ser dragada para a mansão Swan na Itália. Uma época que ela nem sequer recordava direito.
– Na verdade Isabella, eu estava tendo uma noite memorável, até que chego em casa querendo descansar e encontro o meu carro todo destruído. Quer me explicar como isso aconteceu? – Ela perguntou encarando a morena que passava agora condicionador pelos longos cabelos.
– Eu sai no seu carro para uma perseguição. – disse calmamente, a mais nova bufou.
– E o que o seu carro faz na garagem? Artigo de luxo? – Alice alfinetou.
Isabella colocou o rosto debaixo do jato de água se abstendo de responder por alguns instantes.
– Eu pensei que seria mais... divertido – Assumiu por fim, massageando as longas mechas calmamente.
– Ah é claro! – A baixinha quase gritou, elevando os braços para o céu – Perseguir alguém com um carro chamativo! Já que você quer adrenalina para a sua vida Isabella, não comprasse um carro preto e sem graça!
– Alice, você tem seguro! – Isabella exclamou retirando o produto dos cabelos.
– Não se trata de seguro! Meu carrinho nunca foi sequer arranhado antes! Se trata de sentimentos!
Isabella bufou pegando a toalha branca e saindo do box parando em frente a pia de granito. Pegou uma escova e começou a pentear os cabelos.
– Bella... – Alice chegou atrás dela no espelho olhando fixamente para a figura da mais alta – O motor do meu carro já não estava quente, você chegou em casa já tem algum tempo. Sendo assim, porque não dormiu?
– Não sou a única que não dormiu essa noite, Alice. – Bella retrucou inamistosa, não queria falar sobre o assunto.
Alice desamassou o vestido brilhante no corpo e voltou sua atenção para Isabella novamente.
– Eu estava me divertindo. Já você estava tentando se matar – Bella revirou os olhos para o exagero da menor – Isabella Swan, o que essa olheiras fazem na sua pele de porcelana?
– Nada que uma boa maquiagem não resolva, Alice. – disse e saiu do banheiro, entrando logo após em seu closet para escolher alguma roupa. Pensou se deveria vestir pijamas e vislumbrou o relógio em sua cômoda. Cinco e quarenta e sete. Decidiu por uma blusa branca e um short curto. Olhou pelos ombros e viu que Alice estava parada na porta do closet.
– Uma boa noite de sono também! Você voltou de uma perseguição e não dormiu... Algo saiu errado?
Isabella perguntou aos céus o que havia feito para merecer Alice.
– Você pode se abrir comigo, bambola. Sabe disso. – disse pedinte.
– Agente Edward Masen. FBI.
– Um homem? – Alice perguntou curiosa e levemente divertida. Isabella simplesmente a encarou com os olhos frios.
– Ele é o culpado pelo estado do seu carro. – O sorriso discreto de Alice sumiu – E quase... Quase me enganou.
E me fez sentir certas coisas... Isabella completou em pensamento, logo balançando a cabeça para banir aquilo.
– Isabella eu queria que você entendesse que não tem ser perfeita o tempo todo.
Bella lhe lançou um sorriso de desdém.
– Eu ainda estou brava com você – Alice deu um sorriso contido, conhecia Isabella tempo demais para saber que aquela era a hora de mudar de assunto – E você pode começar se desculpando me emprestando o seu chuveiro. Não sei porque diabos a água quente não está funcionando no meu apartamento.
Isabella balançou a cabeça afirmativamente saindo do closet e se deparando com uma pequena mala Louis Vuitton que pertencia a Alice. A baixinha sempre pensava em tudo.
Estacionado no passeio do apartamento de Alice, às seis e vinte da manhã, um sentimento estranho tomou conta de Edward. De repente ele teve medo de descer de sua moto e confrontar a mulher. Não medo propriamente dela, até porque ele não chegava a temê-la. O que verdadeiramente perturbava Edward era a possibilidade de Isabella já ter se esquecido dele. Quantos ela já teria rendido do mesmo modo? Detestaria ter que esclarecer para a mulher que tirou o seu sono, que ele era o cara de ontem do porto.
Decidindo deixar de mulhersisse, ele caminhou para o 220 B, o apartamento que descobrira ser dela. Subiu dois degraus de escada e bateu a campainha.
Alguns segundos depois Edward quase se sentir queimado pelo azul que ele sabia que o observava por trás do olho mágico. Pode jurar que a mão dela já se encontrava na maçaneta decidindo se abriria ou não a porta.
Ele lançou um olhar que desafiava a mulher pelo olho mágico, e instantaneamente a porta se abriu.
Edward engasgou quando sentiu a essência dela o acertando em cheio, muito mais forte do que ontem no porto. Percebeu que os longos cabelos estavam um pouco úmidos, e caiam como cascatas por cima da blusa branca. Os olhos profundos traziam olheiras que profanavam a pele imaculada, mas que fizeram Edward sorrir. Ela também teve problemas para dormir.
Analisando o corpo da mulher rapidamente Edward teve que utilizar de todo o seu alto controle para não demorar mais que o necessário nas pernas desnudas de Isabella. Não queria dar o gostinho para ela do quanto a sua presença o afetava.
– Agente Edward Masen – Edward congelou quando ouviu a voz da mulher a sua frente. Era aveludada, modulada, e sensual. As palavras e o hálito doce ricochetearam em seu rosto, trazendo um calafrio por toda a espinha.
Ele passou a noite inteira pensando como aquela voz seria, e ver aquela mulher pronunciando o seu nome daquela forma levemente grave e comedida fez com que todos os pelos do seu corpo arrepiassem. Edward passou uma mão pelos cabelos acobreados buscando seu auto controle. Que porra de mulher era aquela?
– Em que posso servi-lo?
Edward percebeu que as palavras foram utilizadas por ela, propositalmente para brincar com a imaginação dele. Era quase como um convite. Aquela mulher sabia do poder que possuía, e não titubeava em usa-lo. No entanto, ele iria ensina-la que naquele jogo ambos poderiam jogar. Edward sorriu de lado levemente antes de respondê-la.
– Em muitas coisas Isabella– disse o nome dela do mesmo modo que havia feito anteriormente. Degustando cada mísera sílaba em sua língua - Muitas coisas...
-X-
Olá leitores lindos! hahaha Mais um capítulo de Rede de Segredos! Espero que tenham gostado!
E não se esqueçam de comentar! ;)
