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OBRIGADA.
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Se fosse perguntada na posterioridade como chegara em casa naquela noite, Isabella simplesmente reviraria os olhos, empinaria o nariz bem talhado, e ignoraria seu perscrutador. Em um dia de bom humor, talvez até, soltaria uma piadinha irônica.
Mas, a resposta honesta, era que ela não sabia.
Arrepios passavam por todo o seu corpo como se morresse de frio, apesar do aquecedor do Audi estar ligado e em bom funcionamento. Isabella sentia como se tivesse sido dragada para um terrível pesadelo, uma realidade a qual ela não estava familiarizada. Nessa nova realidade ela era um desastre. Falhara pela primeira vez e, para completar sua decaída, em uma missão ridiculamente fácil.
E tudo era culpa dele.
Socou o volante quando os olhos esmeraldinos invadiram-lhe a cabeça, amaldiçoando o dia em que o agente entrara em sua vida. Uma nova onda de arrepios passou pelo seu corpo quando ela se lembrou do extremo atrevimento do homem. Ele a tocara. A beijara. E, inegavelmente, ele a fizera sentir coisas.
Isabella odiava Edward Masen por isso.
Já havia se adaptado com o fato de que era seca. Imune. Incapaz de se sentir atraída, ou regozijar-se, com qualquer toque de cunho sexual vindo de outro indivíduo. Alice, é claro, desenvolvera uma teoria para aquilo, como fazia sempre que algo necessitava de uma explicação. Segundo ela, Isabella se portava daquele jeito indiferente perante o toque dos homens, porque todas as figuras masculinas que já a possuíra, foram escolhas da máfia, e não dela. Isabella defenestrou a ideia assim que ela saíra da boca da pequena.
No fundo, o fato de que ela não poderia ser submissa ao toque masculino, fazia com que se sentisse superior. E não era como se Isabella fosse morrer sem conhecer o tão 'superestimado' orgasmo. Devido a sua particularidade, aprendera junto com a puberdade como proporcionar prazer a si mesma. E estava satisfeita com isso.
Mas Edward Masen chegara determinado a acabar com a sua vida!
Pegou o celular, seu íntimo a avisando que deveria informar Charles da sua falha. Mas o estomago embrulhou só de se imaginar fazendo isso. Isabella resolveu então, postergar o fato, o quanto pudesse. Ouvir a voz do tio censurando-a aquela hora da noite era tudo o que Isabella menos precisava.
Olhando a sua volta percebeu que se encontrava estacionada na calçada, de frente para o seu apartamento. Não saberia dizer quanto tempo passara ali. De repente, estava cansada demais para guiar o Audi até a garagem e desligou o carro. Resolvendo-se por deixa-lo ali mesmo.
Andou lentamente até a porta não se importando com as gotículas de chuva que lhe atingiam o corpo. O que mais queria era esquecer o que acontecera. Sabendo que o fato era impossível, aquiesceu de que, pelo menos, não veria mais a cara de Edward Masen. Pensando bem, ela não queria sequer ouvir o nome do federal novamente.
– Isabella! – Seu nome foi gritado assim que Bella colocou o corpo para dentro de seu apartamento. Pode visualizar a figura de Alice que quicava no sofá branco, aparentando muito menos que seus 22 anos. Seu cérebro registrou, mais por força do hábito que interesse, uma pasta preta que as mãos pequenas agarravam como se daquilo dependesse a sua vida.
– O que é isso? – disse apontando para a referida pasta, deixando as chaves em cima da mesinha de vidro.
– AGENTE EDWARD MASEN – Alice gritou ainda mais. Isabella permitiu-se fechar os olhos por um instante, imaginando o que o universo tinha contra ela.
– Fiz uma pesquisa completa sobre o Edward – Alice continuou, saindo do sofá e abrindo a pasta – sobre seus amigos no FBI, o que ele teve que passar para chegar até lá, seu relacionamento com a família, suas posses... Desencavei até a vida do pai dele, o Carlisle.
Alice parou na frente de Isabella, mastigando avidamente um chiclete, mania que sempre adota quando está investigando algo.
– Eu sei, eu sei. Eu sou demais. Sinceramente, eu caprichei nesse relatório e acho que você...
– Alice – Isabella levantou a mão, interrompendo-a – Por favor... Pare de falar.
Caminhou até o seu quarto, tirando o vestido que adornava seu corpo, sem a mínima consideração pelo tecido fino. Pegou o primeiro pijama que viu pela frente, um conjunto de short e blusa rose, o vestindo rapidamente. Embrenhou-se debaixo do edredom logo em seguida, algum canto da sua mente pedindo para que Alice houvesse desistido de conversar e voltado para o seu próprio apartamento. Foi com um murmúrio de irritação que ouviu os passos característicos da mais nova entrando no quarto.
– Dá para você parar de querer ser autossuficiente por apenas um momento? Dê só uma olhadinha e uma vez na vida orgulhe-se do meu trabalho! – Alice se conteve quando viu Isabella já debaixo do edredom.
– Bambola – Sua voz continha um tom preocupado – O que aconteceu?
– Alice, você não tem ideia do quanto eu quero te enforcar agora! – Isabella apontou o dedo indicador na direção da pequena – Tenho uma intuição de que você não deseja isso. Então, para o seu próprio bem, recomendo que, primeiro você suma do meu quarto, e segundo, que enfie essa pasta no buraco de onde ela nunca deveria ter saído.
– Oh! – Alice exclamou, caindo sentada na cama, a compreensão abatendo-se sobre si – O que saiu errado?
Isabella grunhiu, remexendo-se nos lençóis. Não era possível conversar com Alice Brandon.
– O que ele fez para você? – Ela perguntou, as mãos na cintura, levemente enraivecida. No entanto, havia algo em seus olhos que a raiva não conseguia mascarar. Isabella reconheceu aquilo como culpa.
– Nada, Alice. Vá dormir!
– Per l'amor di Dio, Isabella! Você é uma espécie de irmã mais velha para mim! Eu sei quando você quer me ocultar as coisas!
Assim como eu, pensou Isabella, mas não detinha forças necessárias para tirar de Alice o que quer que ela estivesse escondendo. Suspirou resignada, encostando-se a cabeceira da cama. Refletiu como sempre acabava contando tudo para aquela mulher.
– Ele arruinou com a minha missão. Provavelmente a missão mais patética que eu já fui designada – Algo fervilhou nos olhos sempre tão frios – Eu errei, Alice!
A baixinha balançou a cabeça se inteirando do que se passava no interior da mais velha. Conteve a língua afiada, com uma piadinha sobre o fato, pronta para ser proferida. Alice conhecia Isabella, talvez melhor que a própria, e sabia que naquele momento ela não aguentaria qualquer comentário sarcástico. Passou, então, para o outro tópico em sua cabeça.
– E... – Instigou Isabella a continuar.
– Ele me beijou. – Ela cuspiu, as feições femininas levemente contorcidas.
– Oh! – Alice levou a mão pequena aos lábios, querendo suprimir um sorriso, que logo cedeu lugar para uma expressão preocupada – E você... Você não sentiu nada?
– Senti – Os olhos da mais nova se iluminaram com a confissão – Ódio!
Alice suspirou, cruzando as pernas em cima da cama de casal.
– Diga-me algo que eu não saiba! – Retrucou, ironicamente. A pergunta muda nas entrelinhas do ditado retórico.
Isabella bufou pela milionésima vez naquela noite e dando-se por vencida meneou levemente a cabeça.
– Oh meu Deus! – Alice gritou, saltando da cama e andando em círculos pelo quarto – Minha teoria estava certa! Eu estava certa o tempo todo! Isso é maravilhoso, Bella! Eu disse! Você só não sentia nada porque era obrigada! Ah! Eu sempre soube!
– Mas, de certo modo, eu fui obrigada! – Isabella exasperou-se, a ideia que beijara Edward Masen porque gostaria de fazê-lo, simplesmente a nauseava. – Ele não me deixou muita escolha!
– Pare de ser tão dramática, bambola! - Alice revirou os olhos grandes para a acidez presente na voz de Isabella – O que aconteceu depois?
– Eu o avisei para ficar longe de mim, do contrário, o mataria. – Um rápido sorriso habitou os lábios de Isabella.
– Você não o fez! – Alice disse, ressentida.
– Alice...
– Você não pode sair por ai ameaçando as pessoas de morte! – ela bateu os pés no chão – Ah, é! Você pode – ironizou -, mas isso não significa que deva!
Isabella olhou por um longo momento a mulher que praticamente crescera ao seu lado. Bem no fundo a mafiosa admirava a baixinha por sempre tentar ser um tipo de consciência para ela.
– Se não percebeu, não estou com ânimo para conversar sobre esse, ou qualquer outro assunto. Pretendo dormir, e sugiro que você faça o mesmo! – Isabella informou, virando-se de lado e fechando os olhos.
– Claro! O que desejar, Mafia Principessa! – Alice zombou, fechando com força desnecessária a porta do quarto. Ela sabia o quanto Isabella detestava aquele apelido. Por fim a porta da frente bateu e tudo ficou em silêncio.
Isabella abaixou a guarda lentamente, deixando seu corpo relaxar e proibindo-se de pensar em qualquer assunto. Um leve topor começou a tomar conta de seu ser e quando estava quase caindo no sono, um barulho vindo do aparelho telefônico a despertou. Ignorar qual fosse a mensagem recebida, era tentador. Mas Isabella aprendera há muito tempo que não se pode ignorar nada no mundo em qual vive.
Fisgou o aparelho e acessou as suas mensagens, mesmo não reconhecendo o número. Tratava-se de um nome de um estabelecimento, seu respectivo endereço e um horário.
Isabella não precisou de mais informações para saber do aquilo se tratava ou quem enviara a mensagem. Fechou os olhos fortemente. Até o número de seu celular ele já sabia.
Foi necessário todo o autocontrole adquirido durante os anos para que Isabella Swan não arremessasse o pequeno aparelho contra a parede branca de seu quarto.
Com menos de 48 horas o Agente Edward Masen tinha entrado em sua vida, e recusava-se a sair dela, como uma praga difícil de exterminar. Mas até mesmo a pior das pragas daninhas pode ser vencida. Basta que se encontre o pesticida correto.
Edward dirigia muito acima do limite de velocidade, ciente de que era, pelo menos, a segunda lei que quebrava essa noite. Dizer que não estava lidando bem com a situação era um eufemismo. O agente Masen enfrentava uma verdadeira confluência de pensamentos dentro de si, e a única conclusão que conseguiu chegar era que tinha perdido sua sanidade. Jasper estava certo, afinal. Ele tinha ficado maluco.
Seus músculos relaxaram lentamente quando visualizou a fachada do seu prédio. Rumou o carro para a rampa da garagem, quase feliz por estar em casa. Cumprimentou o conhecido segurança com um breve aceno de cabeça, mas o mesmo não suspendeu a cancela que o impedia de seguir com o carro. Bateu levemente a mão no vidro do motorista e Edward percebeu que ele desejava falar alguma coisa.
– Boa noite, senhor Masen – desejou com uma voz temerosa -, uma moça insiste em falar com o senhor. Nós pedimos que esperasse dentro do prédio, mas ela preferiu ficar na calçada.
Edward olhou para frente da portaria do edifício e seu coração gelou. A figura feminina fez com que ele perdesse o ar momentaneamente. Virou-se para o segurança.
– Arthur, você poderia estacionar meu carro na vaga de sempre? – Apesar do tom questionador aquela não era, de fato, uma pergunta. Edward saltou do carro rapidamente, sem nem perceber o aceno hesitante do segurança, e caminhou relutante em direção a mulher.
Ele nunca a havia visto assim. Era praticamente uma bola sentada no meio fio. A cabeça estava entre os joelhos, e os braços finos envolviam as pernas em um forte aperto.
– Rose? – Edward chamou, tocando os longos cabelos loiros em seguida. A situação era tão irreal que ele tinha que ter certeza de que ela realmente se encontrava ali.
– Ed... Edward. – Ela levantou da calçada desequilibrando-se, sendo sustentada pelos braços do homem. O coração de Edward bateu rapidamente quando constatou que ela estava bêbada.
E pela primeira vez desde que saíra do carro ele a observou. Rosalie vestia uma saia curtíssima e um top que deixava toda a sua barriga a mostra. Os saltos altíssimos jaziam jogados no passeio, juntamente com a enorme bolsa. O cabelo acobreado, sempre tão macio e brilhante, se encontrava todo embaraçado e muito mais anelado que o de costume. As bochechas que continham umas poucas sardinhas, dando-lhe um ar de boneca, estavam sujas pela maquiagem preta arruinada. Mas o de mais devastador na figura a sua frente, eram os olhos verdes. Estavam inchados e pequenos, e aquilo não era devido à bebedeira. Rosalie tinha chorado.
– Você está bêbada? – não se conteve em perguntar o obvio. Mal reconhecia a figura de sua irmã mais nova, sempre tão meiga e sorridente, naquela garota que estava em seus braços – Me diga como pode estar bêbada, Rosalie Masen! Você só tem a porra de 17 anos!
Ela riu e tentou se aconchegar mais aos braços dele.
– Novidades para você, Irmãozinho! Existem carteiras falsas para pessoas que querem beber, mas possuem um pequeno probleminha de idade – acrescentou com uma risada enguiçada –, como eu!
– O que você está fazendo? – Edward apertou os braços dela fortemente, um vinco formando-se na testa masculina – Essa não é você!
– Não me fale essas mer... merdas. Você não sabe quem eu sou! – ela levantou o dedo para ele, mesmo que não conseguisse o manter apontado por muito tempo – Como você pode me conhecer? Você raramente me visita!
– Do que é que você está falando? Eu fui visitar vocês hoje! – Edward lembrou-a, confuso pela atitude tão diferente da irmã. Tornou-se ciente de que o bate papo deles era acompanhado com interesse pelos porteiros – Vamos conversar lá dentro!
– Eu não quero ir para dentro! – Rosalie choramingou, desviando-se do braço masculino - E você não foi ME ver, Edward! Você foi para pedir um favor para a mamãe! Você não gosta da gente!
As palavras entrecortadas surtiram um grande efeito no Agente Masen. Realmente não se lembrava da última vez que visitara a mansão Masen simplesmente para ver as duas. Mas ele amava as duas mulheres, sem sombra de dúvidas. O incomodava que Rose se comportasse como se ele não ligasse para elas. O que a menina não entendia é que ele possuía seus próprios motivos para manter distância daquela casa, o problema é que Edward só se deu conta de como eles eram egoístas, agora.
– Eu acho que é tudo culpa minha, eu sei. – os olhos esmeraldinos, como os do irmão, focaram-se em um ponto além da calçada. Rosalie fungou um pouco, fazendo com que Edward estudasse a sua figura ainda mais.
– Por favor, Rosalie – ele começou, a voz carregada de dor – Não me diga que você se drogou também.
A adolescente buscou o céu escuro da noite, tentando recuperar a coragem que a bebida trazia, os olhos enchendo-se de lágrimas.
– Eu não sou a mamãe, Ed – Rosalie revelou, surpreendentemente séria para uma bêbada. E apesar do tom usado para informar o irmão daquele fato, a única coisa que Edward conseguiu fazer foi soltar uma risada debochada.
– A mamãe? Usando drogas? – Riu mais uma vez, seria a coisa mais inusitada do mundo ver Esme Masen aspirando pó para dentro do seu nariz aristocrático, ou estampando um cigarrinho de maconha entre os dedos tratados com cremes caros.
– Quem dera dona Esme gostasse de um cannabis, ou mesmo fosse uma viciada em crack! Eu preferiria!
– Que merda você está dizendo Rosalie?
Ela suspirou.
– Você não vê, Edward? Não consegue enxergar nada que não seja em seu próprio benefício? – Ela apontou o indicador trêmulo para o irmão mais uma vez – Nossa mãe toma antidepressivos como balinhas!
Edward ficou mudo e olhou para os olhos desfocados a sua frente.
– O que? – Ele recusava-se a acreditar naquilo.
– Ela provavelmente começou depois que eu nasci. – Rosalie colocou as mãos na cabeça, buscando por concentração – Com o incidente de Carlisle. E tudo é minha culpa! Ele conviveu com vocês durante 10 anos, ai eu nasci e uma semana depois ele resolve nos abandonar! Talvez não quisesse outra criança depois de tanto tempo!
Edward agarrou os braços de Rosalie, balançando-a. Pedindo que ela começasse a pensar com clareza novamente.
– De onde você está tirando isso, Rose? Por favor! Você sabe o que aconteceu, foi um acidente!
– Pare de mentir para mim, Edward! – ela choramingou, e bateu repetidas vezes no peito do irmão – Ele levou praticamente todas as coisas dele para a suposta viagem! E além do mais, nunca acharam o corpo! Eu sei que ele está vivo, e sei que você sabe também!
Edward assustou-se levemente com aquela declaração. Não fazia ideia de que a irmã refletia sobre aqueles fatos do passado.
– O que há de errado comigo? – ela praticamente gritou, caindo em prantos no peito dele.
– Não tem nada de errado com você, Rose. – ele tentou tranquiliza-la, resvalando os dedos nos cabelos loiros. Perguntando-se como Rosalie sabia de todas aquelas informações. Teve medo que ela estivesse investigando o acidente, como ele mesmo havia feito alguns anos atrás.
– Aham! – ela zombou, levando o dedo para enxugar uma lagrima, espalhando ainda mais a maquiagem preta sobre sua bochecha – Veja a mamãe! Eu faço tudo por ela, me comporto como a filha esperada, cuido da saúde dela como eu posso, até meu curso na faculdade é por ela! Você é uma espécie de filho pródigo dos dias atuais, e ainda assim, é o preferido... Não há um dia em que ela não reclame a sua falta. Sabe Ed, eu tento, mas não consigo fazer ela feliz. Toda vez que ela olha para mim, eu sei que ela vê o Carlisle indo embora!
Edward tentou conte-la, mas Rosalie continuou despejando com a voz trêmula.
– E tem aquele presente que você recebeu quando foi aceito no FBI. O que? Pensou que eu não sabia? Pois eu tenho sim conhecimento do pacote sem remetente que você recebeu, com o distintivo do papai – corrigiu-se rapidamente – do Carlisle. Quem poderia ter mandando isso para você, se não ele? E quanto a mim, Edward? Todos sabem que 15 anos é uma data importante na vida de uma garota, mas não mereci nem sinais de fumaça na época! E o fato de eu ter sido aceita em todas as faculdades que já responderam a minha carta? Isso não merece um parabéns da parte dele? Oh! Engano meu! Se nem você que diz gostar de mim lembrou que os resultados saem agora, quem dirá o homem que fugiu assim que eu coloquei os pés no mundo!
Encarando a figura frágil da irmã, despejando tudo aquilo no meio da calçada, Edward percebeu que ela se sentia só. E reconheceu que era um dos, se não o maior, responsável por isso.
Odiou a si mesmo quando percebeu que o seu afastamento tinha a machucado. Que as suas atitudes, olhadas pelo lado de fora agora, pareciam muito com o que ele abominava. Carlisle.
Rosalie desvencilhou-se dele, e sentou novamente no passeio, agarrando a sua bolsa grande como se ela fosse lhe proporcionar conforto, as lagrimas desciam copiosas, e ela murmurava coisas desconexas entre os soluços baixinhos. Um bolo subiu até a garganta de Edward, enquanto ele controlava a vontade de socar sua cabeça contra a parede do edifício. Ele era o responsável pelo estado dela. Sentou-se juntamente com a sua irmã no meio fio, os olhos dele começando a arder pelas lágrimas que tentava controlar.
– Eu sinto muito, Rosalie! – começou, mesmo seu tom estando surpreendentemente baixo a menina parou os movimentos de vai e vem que seu corpo adquirira, como se ele se autoacalentasse.
Edward perpassou os dedos em seu próprio cabelo, sem saber direito como expressar em palavras o que sentia. Como explicar para uma das pessoas mais importantes de sua vida que se sentia miserável por fazê-la sofrer? Ela acreditaria nele? Por quanto tempo ela guardava aquilo, calada? Um sentimento de incompetência tomou conta de si, sua irmã precisava tomar um porre para ter coragem de dizer o que sentia para ele. Tristemente Edward constatou que falhara como irmão.
– Me desculpe Rose – seu olhar se perdeu no asfalto, não conseguiria olhar para ela agora –, me desculpe pelo péssimo irmão que eu sou! Não queria lhe deixar sozinha assim, eu sei o quanto aquela casa pode ser estressante, com as cobranças de Esme e do vovô. Eu não fazia ideia que a mamãe estava... Rose, eu odeio ter te magoado! Mas por favor, não pense que eu não goste de você, porque não é verdade!
Edward sentiu que a cabeça dela virou-se para ele, mas continuou com os olhos perdidos em qualquer ponto da rua.
– Eu fui um idiota, e eu sinto muito! Por favor, me perdoe.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Absorvendo as palavras ditas. Edward sentia os olhos de Rosalie fixos em seu rosto, e por fim conseguiu devolver o olhar da irmã. Ela o olhava com os olhos grogues. Encarava seu rosto como se ele fosse um problema de matemática que ela não sabia a solução. Um medo se apoderou de Edward, e ele se viu rezando que ela o desculpasse.
– Rose? – chamou incerto, fazendo com que a irmã percebesse que ele a encarava, esperando por uma resposta.
– Edward... Você está triste? – perguntou quase apavorada – Me desculpe! Eu não deveria ter trago isso para você! Por que eu não fiquei calada? Você está certo por querer se afastar daquela casa... Eu não deveria ter feito isso, me desculpe!
E ela o abraçou fortemente pela cintura, deixando Edward confuso. Uma hora ela o acusava por não estar inteirado do que se passava, na outra pedia desculpas por ter o informado. Definitivamente álcool não era boa coisa para Rose.
– Pequena... - Edward disse, afastando-a de seu corpo - Você é quem tem que me desculpar. Você me perdoa por eu me afastar de você, Rose?
Ela o olhou descrente.
– É claro Edward! – ela disse, e recomeçou a choramingar.
Edward olhou terno para ela.
– Depois vamos ter uma conversa sobre a "situação" da mamãe – Ele disse sorrindo tristemente e ela balançou a cabeça – Mas agora, você vai tomar um banho comer alguma coisa e dormir um pouco. Vamos entrar? – Ele deu um beijo no cabelo emaranhado dela e levantou-se.
– Oh, eu não posso! – ela disse colocando as duas mãos na boca, se levantando também.
Edward franziu as sobrancelhas.
– Por que?
– Porque - ela disse com dificuldade, ainda com as mãos tampando a boca -, eu vou vomitar.
Rosalie dobrou-se em direção ao asfalto, e com uma mão Edward a segurou pela cintura enquanto a outra prendia seus cabelos para longe do rosto. Passaram vários minutos ali. Depois de sair tudo o que estava em seu estomago, Rose continuou com um acesso de tosse.
– Parece que temos alguém fraca para bebidas. – Edward conseguiu brincar, mesmo que ainda estivesse tenso. Não era muito agradável ver a sua irmã passando mal por ter bebido demais.
– Cala a boca, Edward! – Ela disse, enraivecida. Cuspiu no chão e levantou a cabeça logo em seguida. – Você vai ver o quão boa ficarei depois de muito treinamento!
Seu irmão tencionou a sua volta e Rosalie sorriu.
– Rosalie... – Ele começou com tom levemente ameaçador – Eu não quero te ver, nunca mais, bêbada desse jeito. Olhe só o que você está dizendo...
– Relaxa, Edward! Brincadeirinha... – ela disse rindo mais e levantando as mãos para o alto. Mais tarde se perguntaria como conseguiu se desequilibrar com aquele ato, mas felizmente fora amparada pelo irmão.
– Podemos entrar agora, senhorita Rosalie Masen? – Edward falou, analisando o rosto da irmã que começava a ter traços de sobriedade novamente.
– Ah Edward, acho que não sou capaz de andar mais. Você tem razão, sou uma fraca para bebidas mesmo. Porque eu não consigo nem ficar em pé direito? Eu quero ser capaz de andar sem me desequilibrar, mas meu corpo não me obedece! – ela disse tristemente e fez um pequeno biquinho, Edward riu do ato.
– Está tudo bem, irmãzinha! Eu carrego você! – Ele disse brincalhão a pegando no colo e passando pela portaria acenando com a cabeça para os porteiros.
Rosalie soltou uma pequena risadinha e deixou ser aninhada pelo irmão. Edward percebeu que tudo o que ela precisava era um pouco de carinho. Olhando para a figura pequena e magra em seu colo, não pode deixar de reparar nas roupas mais uma vez, fazendo uma careta. Sua irmã era muito bonita, e pensar que ela estava em algum bar, vestida daquele jeito, para quem quisesse ver o deixava irritado.
– Rosalie, não gostei da sua roupa. – ele recriminou.
– Ah, não? – Ela olhou para si mesma, como se não se lembrasse com o que estava vestida – Eu achei que ela tinha até um estilo! – completou ironicamente – Não se preocupe, tenho algumas peças descentes aqui na bolsa.
Edward riu levemente sabendo que, pelo menos, o gosto por roupas dela não tinha mudado. O elevador abriu e ele entrou com ela em seu colo.
– Pode me colocar no chão enquanto não chegamos ao seu andar, Edward.
Ele sorriu.
– Não tem problema, Rose.
Ela pensou por um minuto antes de falar receosamente.
– Posso ficar com você até segunda?
Edward fez uma cara feia por a irmã ficar tensa ao fazer a pergunta.
– Claro que pode! Você é sempre bem-vinda aqui. Amanhã vou ter que sair a noite, mas vou pedir para Jasper, ou Emmett, dar uma passadinha aqui, para te fazer companhia enquanto eu estiver fora.
– Para me vigiar, você quer dizer! – Ela rolou os olhos – Eu posso ficar algumas horas sozinha! Mas, tudo bem! Por que tem que sair no domingo? Problemas?
Edward pensou o que responder por um momento, mas apenas meneou a cabeça afirmativamente. Na verdade era um único "problema". E ele tinha nome e sobrenome: Isabella Swan.
