Capitulo II – Through these times

Why can I look you in the eyes
(
Por que eu posso olhar nos seus olhos)
And know you see through me
?
(
E saber que você está vendo através de mim?)
S
o I try to look away
(
então vou tentar olhar ao redor)

Hermione decidira que iria mudar definitivamente seu estado de espírito em relação às atuais circunstâncias, estava quase começando a aceitar a idéia de ter que trabalhar em equipe com Malfoy, e inutilmente tentava ignorar a chatice sem fim do namorado, que insistia em tentar fazê-la desistir do projeto. Até então Hermione estava irredutível, mas sua paciência que não era muito grande começava a se esgotar e ela previa uma grande discussão entre os dois se ele não desse uma trégua. Ela estava acomodada em uma das poltronas do salão comunal, lendo um livro muito antigo sobre poções do humor, estava mesmo precisando manter a calma e quem sabe o livro pudesse ajudar, Rony sentara-se no sofá ao seu lado e ficou calado apenas analisando a garota, que passou a ignorá-lo tentando se concentrar na leitura.

- Ei, sobre o que está lendo? – Rony disse fingindo interesse – É algo sobre esse novo projeto com o Malfoy? – Seu tom quase descontraído não enganou Hermione, nem enganaria qualquer pessoa por mais ingênua que fosse.

- É um livro de poções de humor. – Hermione disse virando a capa do livro para o ruivo e depois voltando a se acomodar na cadeira para continuar a ler.

- E tem a ver com o Malfoy? – ele perguntou receoso e tentando não causar uma inflamação na namorada, que suspirou baixinho, fechando o livro e voltando toda a sua atenção para ele.

- Não Ron, tem a ver comigo mesma, sabe às vezes acho que sou... Hum, explosiva demais, não acha? – Ela dera um sorriso maroto e o namorado a olhara desconfiado, quase entendendo a indireta em seu tom de voz – Não se preocupe Rony, eu sei que às vezes posso exagerar na dose e acabo fazendo tempestade em copo d'água. Só que eu resolvi mudar, por isso vou procurar uma poção que me ajude com meu mau humor. – ela dera outro sorriso maroto e Rony se calara, Hermione voltou a sua atenção ao grosso livro de poções e podia ver que Rony tinha uma expressão perdida no rosto.

Não demorou muito e Harry descera do dormitório masculino para se juntar ao casal, os dois meninos batiam um papo animado sobre quadribol quando Gina apontara no topo das escadas do dormitório feminino, descendo depressa para se interar a conversa dos garotos. Hermione desejou mentalmente que eles se calassem para que ela pudesse voltar a ler seu adorado livro. Não demorou muito para que Rony lhe desse a notícia.

- Mione, não vai nem acreditar; Harry conseguiu agendar o campo para o fim de semana todo, isso quer dizer que vamos poder treinar bastante – Hermione discretamente abaixou o livro de seu rosto e olhou para os três com cara de "whatever" o namorado continuou com seu sorriso aberto – Você se importa de ficar sozinha? – Ele parecia apreensivo ao perguntar, no entanto Hermione apenas parecia ter recebido uma ótima noticia, ia ter um tempo de paz. Era tudo que ela queria no momento.

- Não... Claro que não, fiquem à vontade. Se precisarem de mim, eu vou até lá torcer por vocês – Ela sorria solidaria e logo os três subiram para pegar seus equipamentos de treino.

Não demorou muito tempo até que Hermione estivesse totalmente entediada, já tinha terminado de ler o livro sobre "poções do humor" e como não entendia nada de quadribol, aquilo que assistia à quase três horas eram apenas borrões escarlates que cortavam o ar em alta velocidade. Ela não parava de se perguntar como é que alguém poderia achar graça em algo como aquilo. Já tinha perdido a paciência e saiu das arquibancadas e foi dar uma volta no castelo.

Draco acordara muito animado nessa manhã, a última coisa que lhe restava depois de tudo isso era o quadribol, sentia-se orgulhoso de poder dizer que poderia continuar no time por sua própria competência, já que tinha passado muito tempo treinando para ser um apanhador muito bom. Podendo facilmente esmagar Harry Potter em uma partida. Fora até os jardins depois de sua refeição matutina e encontrou seu time completamente desanimado sentados em um banco de pedra.

- O que está acontecendo aqui afinal? Porque ainda estão parados? Vamos para o campo, precisamos treinar se quisermos vencer o Potter – Draco olhava a todos com descrença, e ao terminar de falar bateu palmas algumas vezes na tentativa de entusiasmar os companheiros de time, que olhavam para o loiro com a mesma expressão de desanimo.

- Não podemos, Potter-retardado reservou o campo pelo final de semana todo, nem se quer podemos entrar lá – Um dos jogadores se levantou de seu lugar e olhou para Draco quase esperançoso, queria ouvir algo de bom do capitão.

Alguns longos minutos passaram-se antes de Draco responder, ele tentava usar seu cérebro para criar uma estratégia. Nada lhe veio à cabeça além de treinos noturnos, olhou para os companheiros novamente e tinha certeza que a idéia seria infeliz. Sonserinos não perderiam o final de semana de sol e folga para dormir durante o dia e treinar quadribol de noite.

- Bom, treinos noturnos estão fora de questão... Então aproveitem a folga para vadiar por ai, mais tarde nos reunimos no salão comunal para repassar o esquema tático e eu vou reservar o campo para nós no próximo final de semana, e se quiserem podem treinar quando tiverem um tempo livre – Os companheiros se levantaram de seus lugares e cumprimentaram Draco, que pela primeira vez aquele ano se sentiu aceito em algum grupo da escola. Ele conteve um sorriso e quase todos já tinham partido quando foi ouvida uma voz irritante. Draco só queria poder aparatar para outro lugar naquele momento.

- Malfoy? Precisamos conversar – Hermione se aproximou do grupo de sonserinos devagar, e anunciou o que estava fazendo ali, porque tinha a séria impressão de que todos eles a enfeitiçariam se ela não declarasse logo a razão de tal aproximação. – Malfoy? Eu estou te chamando. – Ela foi obrigada a repetir quando o loiro pareceu ignorar seus chamados e sua presença. Logo todos os outros garotos tinham saído dos arredores, lançando um olhar de incredulidade, para Draco e Hermione.

- O que você quer? – Ele disse de forma seca, se virando cautelosamente para a castanha com os punhos cerrados de raiva, os olhos dele vibravam de tanto ódio que sentia ao olhar Hermione, que franziu as sobrancelhas e deu um meio passo para traz involuntariamente. – Essa merda de ano já começou da pior maneira possível: com você no meu caminho, e agora que eu acho algo em que posso me dar bem você aparece e estraga tudo, pelo simples fato de existir. – Draco se aproximava lentamente da garota enquanto proferia as palavras com tanta raiva e, lentidão que Hermione se viu obrigada a recuar a cada aproximação dele. – O QUE VOCÊ QUER GRANGER? – Ele repetiu em um grito quando a garota nada lhe respondeu, ficando apena imóvel de tanta perplexidade.

- Eu... Eu... ér, eu vim aqui pra falar do nosso trabalho, mas creio que cheguei em péssima hora, falamos depois? – Hermione que geralmente não tinha problemas em ser grosseira com Malfoy se sentiu tão intimidada que queria se afastar dele o mais rápido possível. Deu as costas para o loiro e começou a caminhar rapidamente, quando sentiu seu braço ser puxado com força para trás, Hermione sentiu o corpo se desequilibrar ao ser virada de frente para ele que agora segurava com força seus dois braços – Me solta... Está me machucando – Hermione disse em uma voz falhada e meio desesperada

- Não queria conversar Granger? Agora vamos conversar – Grosseiramente Malfoy arrastou Hermione até o banco de pedra e a sentou como se fosse uma criança mau criada, ficou parado em sua frente de braços cruzados e cara fechada enquanto observava a castanha massagear os braços que ele havia prendido – Vai garota eu já perdi tempo demais com você, fala logo.

- Eu... Eu tive uma idéia sobre o trabalho, acho que poderíamos ensinar algo diferente aos alunos, uma aula que não temos aqui em Hogwarts, música, teatro, dança, algo assim... O que acha? – Hermione jamais tinha se sentido ameaçada como naquele momento e a expressão séria e parada de Draco a fazia tremer levemente, ele ficou calado tempo demais e a Castanha não agüentou – O que acha?

- Hum, é uma boa idéia, pensou nisso sozinha Granger? Não sabia que tinha capacidade de criação, eu tinha certeza que sua capacidade se limitava a decorar os livros da biblioteca – Draco deu um meio sorriso sarcástico e descruzou os braços, passando as mãos em seus cabelos de uma forma charmosa – Agora desenvolva melhor essa idéia – o Loiro já começou a se afastar em passos lentos quando se virou para Hermione que ainda estava sentada e disse - Ah e quando quiser falar comigo, não faça isso em público, me mande uma coruja.

Hermione ficou parada vendo Malfoy se afastar lentamente até desaparecer de vista. Ainda perplexa a garota voltou até o campo de quadribol onde ficou esperando os amigos e o namorado. Quando eles finalmente pararam o treino para almoçar Hermione já não sentia fome, mas sim uma sensação estranha no estomago, era como se milhões de borboletas voassem dentro de si em todas as direções querendo sair. Sempre ouviu dizer que sentir borboletas no estomago era uma sensação boa, mas o que sentia agora estava bem longe de algo bom. Agradeceu mentalmente a Merlin pela distração dos amigos que nem se quer reparam que ela mal tinha tocado em seu prato de comida. Depois de mais uma hora de descanso os amigos voltariam ao treinamento, ainda um pouco tonta Hermione deu uma desculpa esfarrapada e se livrou deles indo diretamente para a biblioteca, seu refugio secreto (não tão secreto, uma vez que todos sabiam que poderiam a encontrar lá) e confortável.

A castanha escolheu um grosso livro para ler, o titulo se tratava da influencia do Sol no humor das pessoas, tudo bem que essa historia de humor estava incomodando Hermione nos últimos dias, mas ela realmente gostaria de entender o comportamento humano em certas situações afinal era a única maneira de tentar manter a boa convivência com seu namorado e com sua consciência. Talvez depois de Hogwarts tentasse a carreira de psicóloga, adoraria analisar grandes bruxos problemáticos. Embalada em pensamentos e no silencio da biblioteca Hermione acabou pegando no sono, com o corpo mal ajeitado, na poltrona verde e puída.

Depois te der ficado um bom tempo escondido nas arquibancadas espionando o treino da Grifinória, Draco resolveu que ia achar um modo produtivo de aproveitar seu dia de folga, como já não tinha amigos (ou melhor, escravos) ele teve que se virar sozinho mesmo, andou pelos corredores enfeitiçando e assustando alguns alunos do primeiro ano até que a brincadeira já tinha perdido a graça, estar sozinho era ruim, mesmo que contasse boas piadas ninguém iria estar lá para ouvir, um de seus amigos estava morto e o outro tinha enlouquecido, paciente de guerra no St Mungus. Pansy Parkinson o evitava de todas as maneiras, Zabini tinha se mudado para outro país com sua mãe. Os outros sonserinos que restaram preferiam não se misturar com um covarde que não cumpriu sua missão. Talvez depois de Hogwarts ele se tornasse ministro da magia para ter seu respeito de volta.

Após sua caminhada quase sem fim pelo castelo, Draco de deparou com as grandes portas de madeira escura da biblioteca, já que não tinha outra opção no momento iria ler algo de interessante, talvez táticas de quadribol. Após passar pelo olhar de censura de Madame Pince o Loiro correu os olhos pelas prateleiras até achar um livro que falava sobre seu esporte favorito, procurou um lugar mais afastado para evitar ser interrompido e se deparou com uma cena intrigante.

Hermione Granger estava deitada em uma das poltronas, a cabeça apoiada no encosto do móvel, as pernas penduradas no braço da mesma. Era uma cena que merecia uma foto, as grandes ondas de cabelo castanho caiam por cima de seu ombro e suas costas, em seu rosto a franja quase lhe cobria os olhos fechados, sobre o peito um grosso livro com o qual ela estava abraçada. Draco se deteve olhando Hermione por longos minutos, ela parecia uma criança e isso sempre irritara o loiro. Esse jeitinho de menina mimada, que pede tudo para a mãe e que se não consegue chora, esse maldito jeito de menininha do papai, princesinha. Detestava como ela parecia inocente, frágil, delicada. E ao mesmo tempo sabia que tudo aquilo não passava de impressão visual, porque ela era uma irritante, uma desequilibrada, barraqueira, teimosa e muitas vezes grosseira. Sem nem ao menos perceber Draco se aproximou da poltrona onde Hermione dormia calmamente, o loiro observou as expressões calmas da castanha bem de perto, podendo sentir seu hálito doce em cada suspiro mais forte que ela dava. Meio entorpecido com a cena Draco, que mantinha seus olhos presos na boca de Hermione, não percebeu quando a mesma abriu os olhos.

Hermione tinha aberto apenas uma pequena fresta nos olhos quando um perfume masculino e diferente invadiu seus sonhos, seu subconsciente queria saber da onde vinha aquele perfume, a primeira coisa que seus olhos embaçados enxergaram era uma figura muito branca e loira que estava com o rosto inclinado sobre o seu, o perfume do mesmo invadia suas narinas como facas cortantes que tiravam seu sentindo, ela estava entorpecida pelo calor que sentia do corpo dele próximo ao seu. Prendeu a respiração tentando não chamar a atenção da figura que ela ainda não tinha identificado, ou talvez fingisse não identificar.

Ele deveria estar louco, mas queria beijar aqueles lábios rosados e carnudos, o cheiro era tão bom, tão atraente, tão acolhedor, ele queria beijá-la, foda-se que se tratava da Granger, ele não beijava uma garota há tanto tempo e ela estava ali com a boca pronta para ser beijada. Se tivesse sorte ela não iria acordar e ele poderia fugir sem ser visto pela mesma. Com a língua umedeceu seus próprios lábios que estavam secos de ansiedade, respirou mais pesadamente fechou os olhos sem ter coragem de olhar para os dela e com um movimento lento começou a aproximar sua boca à dela. Quando quase podia sentir o gosto dos lábios uma voz o assustou e ele recuou

- Malfoy? – Hermione disse e meio segundo depois o loiro havia se afastado, andando para trás sem olhar o caminho para finalmente cair sentado na poltrona que estava em frente a ela. ainda assustada e sem entender o que estava acontecendo, a castanha sentou-se corretamente na poltrona, passando a mão pela franja tirando a dos olhos ainda um pouco embaçados, quando finalmente voltou seu olhar para o outro viu uma cena engraçada, ele estava perplexo, olhando fixamente para o rosto dela com os olhos cinza um pouco arregalados. – O que você estava fazendo? – Hermione perguntou ainda confusa.

Ele pigarreou e balançou a cabeça desviando o olhar do rosto dela antes de responder – Eu estava tentando te acordar, temos trabalho a fazer e aqui não é lugar de dormir, ou a Grifinória está tão falida que seus alunos têm que dormir pelo castelo por falta de cama? – Seu tom ferino e grosseiro não atingiu Hermione que se manteve séria, ela tinha certeza que se não tivesse dito algo Malfoy a teria beijado.

- Mesmo? E como pretendia me despertar? – Hermione disse ameaçadora, fechando o livro que ainda estava aberto e jogado em seu colo, com força, logo após ajeitou a saia e a blusa que estavam tortas.

- Eu já tinha te chamado, te sacudido, estava pensando em aquamenti, mas a velha idiota que cuida desse lugar provavelmente me mataria se me pegasse, então estava considerando te dar um tapa na cara – Ele disse se divertindo sozinho com as próprias bobagens. Como ela não deu risada e pela sua expressão provavelmente diria uma coisa que o acusaria, Draco resolveu falar antes de ouvir – O que faz aqui dormindo? Afinal hoje é nosso dia de folga e em dias de folga, garotas comprometidas ficam com os namorados.

- Rony está treinando esse final de semana e eu não gosto de quadribol, na verdade detesto quadribol – Hermione ainda sonolenta falava mais com ela mesma do que com Malfoy que parecia ter adorado a resposta que ouvira.

- Deve ser triste... Ser trocada por bolas e vassouras - O tom de voz malicioso na voz dele fez Hermione finalmente despertar do seu estado de sonolência. A castanha bufou alto e se jogou no encosto da cadeira tentando imaginar uma forma de acordar pior do que esta.

- O que você quer aqui afinal? – Hermione o encarava com uma expressão mau humorada enquanto brincava com um cacho de seu cabelo, ele ficou analisando o movimento dos dedos que se enrolavam no cabelo castanho e pareceu hipnotizado – MALFOY! – Ela dera um grito e ele voltou seu olhar para o rosto dela – Qual é o seu problema?

- Então... O que acha de aulas de comportamento social? – Draco cruzou uma das pernas deixando a canela apoiada do joelho da outra perna e sorrio para Hermione, que parecia estranhar a sugestão.

- Como assim? Quer dar aulas de etiqueta? Nossa... Que gracinha – Com uma gargalhada a castanha fez a expressão dele antes relaxada se tornar totalmente enrijecida e irritada.

- Acho que esse lance de guerra fez você perder a noção do perigo não é Granger? – dessa vez a voz dele era dura e fria como sua expressão e ele parecia prestes a enfeitiçá-la quando continuou a falar – Na minha sugestão iríamos, ensinar os alunos a serem populares, para os garotos eu ensinaria como ser "pegador" e você tentaria ensinar como ser "desejada". – Ele terminou sua breve explicação com uma piscadela.

- Eu não vou ensinar aos alunos como serem fúteis e vazios. Malfoy – Hermione tinha uma expressão de incredulidade e dera uma risada sarcástica, voltando brincar com o cabelo, como se tudo aquilo fosse uma perca total de tempo.

- Achei que fosse mais esperta Granger, mas acho que minhas teorias sobre sua inteligência parecem estar certas. Não serão pessoas vazias ou fúteis, serão felizes, sabe quantas pessoas com baixa estima tem nesse castelo? Eu andei observando e vi vários casos praticamente perdidos, como você, por exemplo – Ela ameaçou jogar nele uma almofada e ele riu levantando as mãos – Estou falando que isso melhoraria a qualidade de vida, nós só iríamos tratar de casos complicados, eu consigo convencer a Mcgonagall, então está faltando você.

- Ok, vou pensar na sua proposta, eu não tenho nada melhor mesmo, por mim nem faria nada disso, principalmente com você quando eu resolver eu te mando uma coruja – Ela dera um sorriso forçado e se levantou da poltrona, passou por ele devagar, mas voltou dois passos para trás e se inclinou, usando o braço da poltrona como apoio até seu rosto estar na altura do dele e disse com um tom sarcástico – E da próxima vez que tentar me acordar não banque o príncipe encantado porque eu não sou a Bela Adormecida.

Draco esperou ela se afastar o suficiente dele antes de respirar outra vez, ele fizera isso com tanta força que achou que seu pulmão iria sair pelo seu nariz. O que ele estava pensando afinal? Beijar a Granger? A GRANGER? Porque ele não se jogava da torre de astronomia em tributo a Dumbledore, seria menos deplorável do que beijar a sangue-ruim.

Sem explicação o humor de Hermione estava renovado e quando encontrou os amigos na mesa de jantar estava animada e contente, fazendo piadas com Gina e rindo das bobagens de Rony e Harry, os amigos perceberam a repentina mudança e Harry fez a pergunta que todos estavam querendo fazer no caminho do salão comunal da Grifinória

- Alguma novidade boa Hermione? Você me parece tão feliz – Harry envolveu Gina pela cintura com um dos braços e puxando a namorada para mais perto continuou sua caminhada, Hermione sorriu com a pergunta quase que involuntariamente, talvez ela soubesse o motivo de sua alegria, era o quase beijo que ganhou de Malfoy, mas jamais admitira isso nem para os amigos ou para ela mesma.

- Acho que passei uma tarde tranqüila na biblioteca e isso deixou meu humor renovado, era isso que eu precisava Harry um pouco de tranqüilidade – Ela sorriu sincera e alegre e todos pareceram aliviados de repente, afinal conviver com o furacão Hermione não era fácil.

Na manhã seguinte Hermione acordou cedo, se vestiu para o dia de calor que imitava o dia anterior e foi para o corujal, mandar uma coruja para Malfoy dizendo para ele a encontrar depois do café da manha na biblioteca.

"Malfoy,

Me encontre na biblioteca depois do café,

No mesmo lugar que ontem. Já decidi sobre o trabalho.

Hermione Granger."

Ela rabiscou em um pergaminho rapidamente quando chegou. O lugar estava forrado de corujas, que piavam sem parar, fez um pequeno rolinho e com um barbante amarrou na pata de uma coruja amarela que tinha lindos olhos de cor âmbar. Fez um leve carinho no bico da mesma antes de indicar o caminho das masmorras.

Hermione voltou em passos lentos e preguiçosos para o castelo, vendo de longe Canino do lado de fora da cabana de Hagrid. E uns bichos estranhos que não identificou. Passou pelas estufas olhando as plantas que cresciam até que finalmente chegou ao castelo, Hermione ficou passeando pelos corredores até voltar ao salão principal onde encontrou Rony muito preocupado

- Onde estava tão cedo? – O namorado perguntou antes mesmo que ela pudesse tomar seu lugar ao lado dele na mesa.

- Bom dia pra você também Ronald. – Ela se aproximou do ruivo e lhe deu um selinho rápido, voltou os olhares para Harry e Gina que fingiam muito mau não prestar atenção na briga que provavelmente viria – Harry, Gina, bom dia também – Os dois deram sorrisos amarelos em resposta – Eu estava passeando Rony, acordei cedo e não quis ficar na cama. Só isso – Não era totalmente mentira, talvez omitir o fato de que estava no corujal marcando encontros com Malfoy não precisava ser citado.

- Ah sim, passeando. – Rony não pareceu contente com a resposta de Hermione, na verdade estranhou não ter ouvido algo como "não é da sua conta, ou vai me proibir de andar sozinha agora?" – Me conte Hermione como vai o tal trabalho com o Malfoy? – Hermione não se abalou com a pergunta e se virou para o namorado tentando manter a calma.

- Está indo lento Rony, eu tenho uma reunião com ele hoje, acho que vamos chegar a um consenso sobre o tema – Rony torceu o nariz com a resposta e se preparava para perguntar mais detalhes quando a namorada o interrompeu – Não pergunte, eu não posso responder nada sobre isso ainda, pedido da Mcgonagall, vai ter que esperar amor. – Ela dera outro selinho no namorado que dessa vez segurou seu rosto demorando mais no beijo – Eu tenho que ir, sabe me livrar logo disso. Até mais tarde.

Malfoy ainda estava sonhando quando ouviu um barulho irritante de batidas em sua janela o acordarem, ele abriu uma fresta nos olhos e viu que se tratava de uma coruja da torre, sem querer acreditar no que via ele fechou os olhos para voltar a dormir, mas como as batidas não pararam e se tornaram mais insistentes ele resolveu abrir a janela e pegar o pergaminho da pata da coruja, sem nem agradecer com um carinho Draco fechou a janela novamente. Quase fazendo a pobre coruja despencar do parapeito de pedra. Sabendo do que se tratava o pergaminho ele relutou instantes antes de resolver abrir e ver o que a sangue-ruim queria dele essa hora da manha de domingo. Sentou-se na cama e desenrolou o papelzinho, leu as frases curtas e imperativas que nem davam margem a uma possível negativa dele e sorriu, sorriu sem nem saber por que, talvez fosse uma daquelas situações onde se sorri de nervosismo, ou ele estava sorrindo porque era melhor do que chorar, ou em uma hipótese insana e muito improvável ele tinha achado a caligrafia dela bonita.

Levantou-se muito devagar para tomar seu banho, enquanto sentia a água escorrer por seu corpo aquecendo cada poro arrepiado de sua pele muito branca, Draco se mantinha absorto em pensamentos. Pensava nesse começo de ano letivo, em seu relacionamento com os colegas sonserinos, em como sentia falta dos velhos tempos onde ele dominava as pessoas facilmente apenas ao soletrar seu sobrenome. Entre seus muitos pensamentos reparou que tudo nesse ano terminava em Granger para ele. O namorado e o melhor amigo dela estavam atrapalhando seu trabalho como capitão do time de quadribol. Ela fazia dupla com ele no trabalho do ano. Justamente o ano que poderia decidir o resto de sua vida ter a Granger como ponto final jamais seria algo bom. Já revoltado com o que sua cabeça previa para os próximos meses Draco terminou seu banho e se vestiu para ir tomar seu café da manha. Talvez a ocasião não necessitasse tanto capricho na hora de se arrumar, mas sem saber o motivo Draco fez questão de estar irresistível.

Assim que chegou ao salão principal Draco viu algo que embrulhou seu estômago, Hermione estava debruçada em cima de Rony dando beijos e conversando toda carinhosa com ele, Malfoy sentiu algo estranho, algo que jamais tinha sentido em toda sua vida. Como se ver os dois juntos fosse quase uma ofensa a ele, talvez porque Rony e Hermione nunca tivessem sido um casal exibicionista essa era a primeira vez que via os dois juntos dessa maneira. Será que isso era ciúme? Draco Malfoy estava com ciúmes? Porque motivos ele sentiria isso pela sangue-ruim? Nenhum, ele era Draco Malfoy e isso só poderia ser efeito colateral da comida dos elfos. Depois de uma batalha que ele travava em sua cabeça sentou-se para comer e evitou ao máximo olhar pra o outro lado do salão, quando já tinha terminado sua refeição ele avistou a castanha se dirigindo sozinha para fora do grande salão. Ele se demorou mais alguns instantes antes de se levantar e segui-la a caminho da biblioteca.

Rony estava inquieto desde o momento que viu Draco sair do salão e pegar o mesmo caminho que sua namorada. Daria tudo para ser uma mosca e poder ver o que ia acontecer entre aqueles dois, não que não confiasse em Hermione, sabia que ela jamais abriria espaço para Malfoy, mas Rony sabia que ele não era confiável. Já tinha ouvido pelo menos dez conselhos de Harry e Gina que insistiam para que ele não fosse até lá. Contrariando o amigo e a irmã Rony foi atrás de Hermione na biblioteca.

Hermione estava sentada na mesma poltrona puída do dia anterior, não demorou muito tempo para que o mesmo cheiro que a tinha despertado invadisse o ambiente, antes mesmo de poder ver Malfoy. Quando ele finalmente apareceu saído do vão entre duas grandes prateleiras ela se surpreendeu com sua aparência, ele usava uma camiseta preta um pouco justa que marcava seu corpo levemente. Uma calça jeans também escura e um tênis, tudo contrastando furiosamente com sua pele muito branca, seus cabelos estavam penteados de forma oscilante entre o arrumado e o bagunçado. Ele estava encantador, e ela se perguntou como é que não tinha reparado nele antes.

- Sabe garota, eu entendo perfeitamente que sua vida é um lixo, um desastre, uma perca total de ar respirado, mas me acordar as sete da manha de domingo para falar de assuntos do colégio é demais, até mesmo pra você. – Enquanto proferia seu habitual repertorio de xingamentos Draco se aproximou mais tomando seu lugar na poltrona de frente a dela.

- Eu duvido muito que você tem algo a fazer, ou algum lugar pra ir agora ou qualquer hora do seu dia vazio, mas acho que já te disse tudo que acho de você em outra ocasião não é mesmo? – Hermione já tinha se esquecido do encanto que ele exercia pela aparência no momento em que ele abriu a boca e começou a falar.

- E se me recordo muito bem Granger aquelas palavras doeram muito mais em você do que em mim, quem terminou chorando? Você tem muito que aprender sobre ofender as pessoas, não consegue nem humilhar alguém sem chorar. – Tentando manter a pose de despojado Draco sorriu de lado como costumava fazer e ficou aguardando a resposta da Castanha que ficou congelada ao saber que ele tinha visto aquela lágrima escorrer por seu rosto.

- Duvido que, aprender a humilhar pessoas seja algo construtivo para a minha vida, eu deixo isso para pessoas sem moral como você Malfoy que se auto-afirmam humilhando os outros, eu não preciso de nada disso. – Cada palavra tinha sido dita com muita firmeza e os dois se encararam profundamente por alguns instantes antes de ela prosseguir – Bom não é por isso que eu vim até aqui hoje. Eu pensei bem na sua proposta e acho que podemos fazer algo bom. Não envolvendo sexo é claro, estava pensando em ajudar mesmo as pessoas com essa questão de auto-estima, mudar vidas ajudar quem precisa de ajuda, isso seria ótimo. Eu sei o quanto é difícil ser julgada pela aparência, e quanto às pessoas sofrem por conta disso. – Enquanto falava Hermione abaixou a cabeça ficando com uma expressão muito triste no rosto, até que foi obrigada a olhar para frente ao ouvir a gargalhada de Draco que não parava mais de rir

- Sério Granger eu estava quase chorando aqui, como sua historia de vida é tocante – Ele falava e ria muito alto, tentando puxar ar para os pulmões enquanto Hermione sentia o rosto queimar de vergonha – "Eu sei o quando é difícil ser julgada pela aparência" Oh Merlin que vida cruel – Draco imitava a voz de Hermione em um falso drama quando uma batida fez os dois voltarem as atenções para uma das prateleiras.

Rony estava escondido entre duas prateleiras ouvindo a conversa dos dois, não se agüentando mais de raiva ele simplesmente dera um soco na madeira que fez um estrondo alto chamando atenção. Hermione olhava o namorado sem acreditar que ele a estava espionando e Draco se manteve sério e um tanto curioso no olhar que lançava a Rony.

- Rony? O que faz aqui? – Hermione se levantou e o namorado se aproximou dela em passos rápidos, a envolveu pela cintura em um abraço protetor e encarou Malfoy, que apenas sorriu irônico para os dois.

- Eu vim cuidar para que esse idiota não faça nada com você – Rony tinha as orelhas vermelhas e o punho cerrado, já pronto para saltar em Malfoy e socá-lo até a morte. Seu olhar não voltou para a Namorada que ainda estava presa em um de seus braços, mas pela respiração dela tinha certeza de que estava tão furiosa quanto ele nesse momento.

- Que linda essa cena – Draco dissera se levantando da poltrona e encarando os dois com cara de nojo – Eu achei que você fosse uma pessoa séria Granger, mas já percebi que não! Esse trabalho é importante pelo menos para mim, e se você quer transformar tudo isso em uma palhaçada com seu namoradinho pobretão isso é problema seu, eu vou embora e avisarei a Mcgonagall que farei tudo sozinho – Depois de manter o olhar firme em Hermione o rapaz se afastou dos dois já se preparando para ir embora quando a voz da castanha o fez parar.

- Espera Malfoy! – Quando percebeu que o loiro tinha parado, ela respirou fundo e se soltou do braço de Rony que a apertava pela cintura. – Escuta aqui Ronald Weasley, eu não quero nem saber o que você pensa que está fazendo aqui, muito menos quero saber o motivo pelo qual vai me defender. Eu já enfrentei mais perigos nessa vida do que um velho de 75 anos. Então acho melhor você sair da minha frente agora ou será você quem vai precisar de proteção e eu te garanto que nem a ordem da fênix seria capaz de te proteger. – Hermione tinha o peito arfante e apontava o dedo para ele de forma acusadora enquanto proferia as palavras bem devagar e se aproximava dele em passos lentos.

- Eu posso aceitar muita coisa, posso agüentar seu mau-humor, sua chatice e suas irritações Hermione, mas eu não vou aceitar que fale assim comigo na frente dessa coisa, acho que fez sua escolha agora e eu não quero mais ver você – Antes mesmo de esperar uma resposta de Hermione, Rony se afastou rapidamente e entrou pelas prateleiras de livros, esbarrando em Malfoy pelo caminho.

Assim que o "namorado" tinha saído de vista a castanha se jogou na poltrona ficando atônita com o tom de voz que ele havia usado, jamais tinha visto Rony agir daquela forma ou falar com ela assim. Estava se sentindo muito culpada, mas ao mesmo tempo tentava se justificar repetindo mentalmente que ele era o responsável por tudo isso. Enquanto sua cabeça trabalha em uma velocidade incrível a procura de uma solução para a burrada que tinha acabado de fazer ouviu uma risada, ou melhor, uma gargalhada. Respirou pesadamente já sabendo do que se tratava.

- Acho que não vai mais querer fazer o trabalho não é? Deveria correr atrás do trasgo que chama de namorado – Draco ria se divertindo com a cena toda, voltou a ocupar a mesma poltrona que antes e ficou apenas observando Hermione.

- Deixa isso pra lá, vamos trabalhar, temos muito o que fazer. – Hermione secou uma lágrima no canto dos olhos antes que ela caísse pelo seu rosto e encarou Malfoy com uma expressão séria, ele abriu a boca e ela sabia que seria outra de suas colocações infelizes – E quanto a você, guarde suas piadinhas de péssimo gosto para outra hora, precisamos fazer isso logo.

Malfoy ainda ficou rindo por mais uns momentos até que a graça do acontecido tinha passado, os dois se concentraram no projeto. Hermione tinha elaborado um plano de ajuda para os alunos, que consistia em quatro etapas, a primeira seria uma transformação psicológica para dar apoio às mudanças que viriam; a segunda seria uma mudança nas atitudes; a terceira seria mudança na aparência; a quarta seria uma conclusão dos próprios alunos, analisando o que havia mudando em suas vidas.

Quando terminaram o esboço do projeto já estava quase na hora do almoço e resolveram que já estava bom por hoje, Hermione estava surpreendida com a capacidade de Draco em formular projeto e arquitetar estratégias, sorriu sozinha imaginando que ele tinha aprendido suas técnicas com comensais da morte. Já Draco estava surpreso com a seriedade com a qual Hermione fazia suas coisas e sua organização. Ao se despedirem na porta da biblioteca os dois tinham a certeza de que faziam uma boa dupla quando não estava brigando.

- Quando podemos terminar isso? Eu quero me livrar disso logo e no próximo fim de semana eu tenho treino de quadribol e não vou estar disponível – Draco se sentia incomodado por ter que falar com ela cordialmente sem ter que ofender, ele procurava um motivo para xingá-la.

- Não sei, acho que quarta feira não tenho as duas ultimas aulas, poderíamos voltar aqui e fazer os últimos ajustes antes de entregar o projeto – Hermione evitava encará-lo e brincava com suas unhas enquanto falava. – Pode ser?

- Tanto faz, me manda uma coruja eu já vou ter esquecido disso até lá – Draco deu as costas para Hermione e tomou seu caminho até os jardins do colégio segurando a vontade de olhar para trás e ver se ela estava o olhando, apressou os passo até estar em uma distancia segura dela.

Hermione sentiu novamente as borboletas em seu estomago e um forte enjôo ao se lembrar de que tinha brigado com Rony, e que logo mais teria que encarar o namorado na hora do almoço, abraçou seus livros contra o peito e foi caminhando devagar pelos corredores de pedra enquanto pensava em uma forma de concertar o que tinha feito, por mais orgulhosa que fosse ela sabia que tinha agido de forma errada com ele, não poderia falar com ele naquele tom na frente do pior inimigo dele. Por mais que pensasse nada tirava de sua cabeça que tinha perdido Rony e o que mais a incomodou é que isso não era tão horrível de sentir quanto ela imaginou que seria.

N.A: Bom, outro capitulo... Demorei para terminar, mas como eu já tinha dito antes eu não tenho intenção de me apressar, quero fazer tudo com calma e no tempo certo. Esse tempo pode ser uma semana, ou um mês.

Sobre os acontecidos, Hermione pegou pesado com o Rony mesmo e Malfoy está ficando confuso com a aproximação entre ele e a nossa pequena Grifinória. Curiosos para saber onde isso vai dar? Aguarde o próximo. Beijos pessoal, e feliz 2O1O para todos.

Bri.