Capitulo III – Sick cycle Carousel

I never thought I'd end up here
(
Eu nunca imaginei que terminaria por aqui)
Never thought I'd be standing where I am

(
Nunca imaginei que estaria parado aonde estou)
I guess I kind of thought it would be easier than this

(
Eu acho que pensei que seria mais fácil que isso)
I guess I was wrong… Now one more time

(
Eu acho que estava errado... Mais uma vez)

Passava da meia noite e Hermione não conseguia dormir, estava sentada no parapeito da janela do seu dormitório. Lá fora o céu estava estrelado e iluminado por uma grande lua prateada. A castanha estava sem sono e sua cabeça parecia tão cheia de pensamentos que ela tinha certeza de que iria explodir a qualquer momento. Sua confusão vinha diretamente do fato de não conseguir se entregar aos sentimentos em relação a Rony, tudo com ele era quase mecânico, automático, programado. Desde as demonstrações de carinho, ou as frases carinhosas e, toda vez que a relação entre eles saía dos parâmetros que ela havia criado em sua cabeça ficava assim, confusa, atordoada. A sua única certeza era que gostava de Rony e queria que ele fosse feliz, mas ao mesmo tempo sentia que a felicidade dele estava longe da dela. O que faria então? Terminaria com ele? Em algum lugar dentro da sua cabeça bagunçada ela tinha suas justificativas para não o fazer. Afinal ele era de uma boa família, era um rapaz respeitador, sabia ser educado quando precisava e sempre a tinha amado, mesmo quando ela ainda era um "patinho feio". Tudo isso não se encaixava na descrição que ela tinha de amor, mas se encaixava no que era certo e Hermione era uma menina que gostava de fazer as coisas certas.

Quando conseguiu criar coragem para levantar do parapeito faltava uma hora para seu despertador tocar, era segunda-feira, dia letivo. Resolveu se adiantar e foi tomar seu banho, que foi mais demorado que o costume, ela lavou os cabelos e o corpo lentamente, aproveitando a sensação de água quente relaxante. Vestiu a saia, a camisa branca do uniforme e os sapatos. Pegou seu material do dia todo para não ter que voltar ao dormitório mais tarde e saiu. Observou do alto da escada o salão comunal vazio exceto por um ruivo que estava sentado em frente à lareira com um olhar perdido. Hermione sentiu um frio incomodo na barriga e seu coração se apertou no peito. Ela engoliu seco, respirou fundo e desceu até ele.

Rony estava tão perdido nos próprios pensamentos que não notou quando Hermione se aproximou dele e sentou na poltrona ao lado do sofá onde ele estava. Quando virou a cabeça para encará-la sentiu uma raiva súbita tomar conta de seu corpo. Ela estava linda, iluminada por aquela luz fraca do fogo da lareira, percebeu que ela tinha saído do banho a pouco, pois seus cabelos estavam molhados e cheiro de perfume e limpeza. Ficou calado apenas a olhando com uma expressão impassível no rosto.

- Ron... – Ela começou bem baixinho na esperança de acalmá-lo – Eu queria te pedir desculpas pela maneira como falei com você no outro dia, eu acho que fiquei nervosa por estar me espionando e acabei passando dos limites... – Não teve tempo de terminar de falar porque Rony havia se levantado e estava saindo pelo buraco do retrato como se Hermione não existisse. A castanha ficou sentada sem entender a atitude dele. Ponderou a idéia de segui-lo, mas sentiu como se seu corpo pesasse uma tonelada e ficou sentada sozinha até que Harry e Gina desceram e a acompanharam ao salão principal.

Os dois dias que se seguiram não foram diferentes daquela segunda-feira. Hermione tentou por várias vezes conversar com Rony, mas tudo que conseguia era ser ignorada. Ela dormia pouco durante a noite e passava o dia cochilando pelo castelo. Sua aparência era digna de pena. Ela mal comia, e não prestava a atenção em nada, ficava sempre com aquele olhar perdido e calada. Hermione calada era algo muito raro de se ver. Nem mesmo a tentativa de Gina de animá-la deu certo, a ruiva iniciou uma discussão sobre a libertação dos Elfos domésticos e nem assim a amiga reagiu.

Já era quarta-feira estavam no horário de almoço, os quatro amigos sentados na mesa da Grifinória, ninguém ousava falar, o clima entre eles era tão tenso que era até difícil respirar. Foi então que Harry resolveu acabar logo com isso.

- Rony, vem comigo precisamos conversar – Harry se levantou de seu lugar e encarou o amigo de forma séria e decidida. A principio Rony pareceu contrariado, mas percebeu que o amigo estava falando sério e o acompanhou.

Assim que os dois saíram Gina pigarreou alto para chamar atenção de Hermione que respondeu com um olhar meio desconfiado. A ruiva deu seu habitual sorriso sapeca e segurou a mão da amiga que estava sobre a mesa.

- Mione eu estou preocupada com você, sabe que eu não me meto na sua relação com meu irmão, mas eu realmente estou preocupada. – Gina falava baixo para não chamar a atenção das fofoqueiras – Ele nos contou o que houve e me desculpe falar, mas você pegou meio pesado não acha? Tudo bem que meu irmão não é um santo e que a versão que ele nos contou, onde ele era o cavaleiro prateado, Malfoy o lobo mau e você a princesa que de repente virou dragão é um pouco forçada – Ela parou de falar e deu uma risada baixinha, Hermione não resistiu e riu junto com ela. Gina se animou com o sorriso que via e resolveu perguntar – Quer me contar o que aconteceu?

- Ah Gina, você sabe que seu irmão é um ciumento. Eu deveria esperar que ele me seguisse aquele dia, mas não que ele fosse ficar me espionando sabe? Eu me senti uma traidora, ou uma garota idiota que não sabe nem se defender sozinha. Quando eu vi que ele estava ali ameaçando o Malfoy e me abraçando como se eu fosse mesmo uma idiota, meu sangue subiu. – Ela respirou fundo, antes de continuar seu relato – Eu assumo que errei Gina, eu não deveria ter falado tudo aquilo que falei, muito menos na frente dele, mas eu já tentei pedir desculpas pelo menos umas vinte vezes e ele continua a me ignorar, sabe eu to me esforçando muito pra engolir o orgulho, mas ele não me ajuda.

Gina lançou um olhar solidário a amiga e sorriu fracamente, ela entendia o que Hermione passava, afinal convivia com Rony desde que nasceu, sabia que quando ele empacava, era muito difícil fazê-lo andar novamente. Naquele momento ela esperava que Harry pudesse convencê-lo de conversar com Hermione.

Harry tinha arrastado Rony até os jardins, os dois se sentaram em um dos vários bancos que havia espalhados por lá. Até que Harry começou a falar.

- Rony eu estou preocupado com você, sabe que eu não me meto na sua relação com a Mione, mas eu realmente estou preocupado. – Ele tinha certeza que essa frase que havia ensaiado com Gina surtiria um grande efeito – Eu sei que ela pegou pesado com você e tal, mas sabe isso já tem quatro dias e ela está tentando se redimir. Por acaso já deu uma olhada nela esses dias? Ela está péssima e você sabe que pode resolver isso com uma conversa – Harry tinha a voz meio debochada, sabia que falar sério com Rony não adiantava, era melhor uma abordagem mais casual – Quer um conselho de amigo? De melhor amigo! Fale com ela, e fale logo ou ela vai desistir de você.

Harry se levantou e deu um leve tapa no ombro de Rony que ficou sentando no mesmo lugar, considerando as palavras do amigo e a chance de perder Hermione para sempre. Seu estomago deu uma volta e ele achou melhor seguir o conselho de Harry e ir conversar com a namorada. Se é que ela ainda era sua namorada. Ele decidiu resolver isso logo, ainda tinham um tempo antes das aulas, seria o bastante para conversar com ela. Levantou-se e quando já estava perto da entrada do salão, viu Hermione sair de lá apressada.

Assim que Gina se levantou para ir se encontrar com Harry, Hermione ficou brincando com a comida que estava em seu prato. Pensando no que iria fazer no resto do dia e se lembrou que era quarta-feira, ou seja, tinha os dois últimos tempos livres, iria poder dormir um pouco e tentar relaxar desses dias ruins. Foi então que se lembrou, tinha que terminar o trabalho com Malfoy. Outra vez sentiu o desanimo tomar conta do seu corpo, se ela não se lembrava imagina ele. Teria que mandar uma coruja. Olhou rapidamente o relógio de pulso, faltavam quinze minutos para sua aula. Levantou-se e conferiu que Draco não estava por ali antes de ir até o corujal. Passou pelos alunos, que se amontoavam na porta, rapidamente. Quando chegou ao seu destino, rabiscou um bilhete e soltou a coruja.

Durantes as duas outras aulas Rony tentou conversar com a namorada, mas todas suas tentativas falharam e ele nem ao menos consegui chegar perto dela. Quando o seu ultimo tempo já tinha terminado Hermione foi ao dormitório, guardar seus livros e pegar o trabalho que ia fazer com Malfoy. Nem se quer prestou a atenção que Rony tinha tentado falar com ela, estava tão apressada, queria terminar logo sua tarefa e descansar. Foi até a biblioteca e quando chegou a porta, viu Malfoy surgindo na outra extremidade do corredor, respirou aliviada, pelo menos ele viria ajudá-la. Porém uma voz a chamou e Hermione se virou já sabendo de quem se tratava.

- Mione – Rony a chamou parando atrás dela, a menos de um metro de distância – Eu... Queria é... Conversar com você. Podemos? – Até ele terminar sua frase, Draco já estava parado ao lado deles e olhava curioso a situação.

- Conversar? – Hermione disse com um pequeno sorriso no rosto, tentando achar motivos para se animar, ela sabia que assim os dois iriam se acertar, mas algo dentro dela não acha que isso seria algo tão bom assim – Podemos, tudo bem. -Antes de sair andando com Rony, Hermione ouviu a voz irritante e fria de Malfoy a suas costas.

- Você quer dizer depois que terminar o trabalho não é? – Ele cruzou os braços e encarou a costas da castanha, olhou para Rony e ele estava com as orelhas muito vermelhas, no rosto uma expressão de raiva. Como Hermione apenas se virou para ele e não disse nada ele insistiu – Granger?

- Rony, agora eu não posso conversar, eu tenho que terminar o trabalho, mas podemos nos falar depois que eu acabar, eu te procuro no salão comunal – Ela disse calmamente, com uma falsa esperança de que ele iria entender sua situação, apenas pelo olhar que ele a lançou, ela teve certeza de que ele não iria compreender.

- Depois? Depois eu não vou poder falar com você Hermione, já que está ocupada demais com seu novo amiguinho eu não vou te interromper – Rony abriu os braços em uma pose agressiva. – Muito bom saber que você prefere passar seu tempo com ele do que comigo, eu nem sei mais porque te chamo de namorada. Até outro dia Granger. – Ele deu as costas para os dois e saiu apressado do campo de visão dos dois, mesmo assim Draco e Hermione escutaram o barulho de coisas explodindo.

- Nossa, como é esquentado esse seu namoradinho ein? – Draco dera uma risada alta e Hermione se virou para ele com uma expressão de raiva – Não me olha assim, eu não fiz nada. Que culpa tenho eu de que seu namorado acha que você não vai resistir a mim. Tudo bem que ele tem razão de me considerar irresistível... – Draco se assustou quando a porta da biblioteca se abriu e Hermione entrou, sem nem responder a sua ofensa. Ele deu outra gargalhada e a seguiu até uma das mesas onde iriam trabalhar.

Passaram mais tempo fazendo o trabalho do que as duas aulas que tinham combinado. Metade do tempo discutiam e a outra metade conseguiam trabalhar em equipe, Draco sempre com suas citações infames. Hermione tentava manter a calma, mas quase sempre cedia as provocações dele e então começavam a discutir.

- Acho que devemos fazer tudo em verde e prata, afinal são as cores mais bonitas – Malfoy apontou sua varinha para o cartaz que já estava terminado e só faltava colorir. Hermione abaixou a varinha dele com a mão e lançou um sorriso irônico. Draco a encarou com uma expressão de nojo.

- Nem pensar, vai ser tudo em vermelho e dourado, afinal a Mcgonagall era diretora da Grifinória ela vai preferir que seja assim – Hermione abriu a boca para dizer seu feitiço e Draco a interrompeu, os dois ficaram discutindo sobre cor até que ao mesmo tempo lançaram seus feitiços no papel, as quatro cores tinham se misturado, o prata envolvendo o dourado e o vermelho contornando o verde, quando viram o resultado ficaram espantados, os dois se encararam meio envergonhados, não imaginavam que poderiam ter um resultado tão bom ao trabalhar em equipe.

- Acho que terminamos, agora é entregar e eu tento convencer a velha de que a minha idéia é boa. – Draco se espreguiçou e começou a reunir suas coisas, Hermione ficou parada, olhando e relendo o trabalho já pronto – Granger, posso te perguntar uma coisa? – A voz dele estava estranha como alguns dias atrás, curiosa, sem todo o sarcasmo de sempre, e ele parecia engasgado ao perguntar. Hermione se virou para ele, deixando o quadril apoiado na mesa, apenas acenou que "sim" com a cabeça – Porque você namora um idiota como o Weasley?

- Não acho que isso seja da sua conta Malfoy, mas se é quer mesmo saber eu te falo, talvez eu namore o Ron porque eu gosto dele, eu até compreendo que não entenda isso, porque gostar deve ser algo impossível para alguém como você - Nem mesmo ela entendeu porque tinha se irritado tanto com a pergunta, se gostava mesmo de Rony era só responder. Não havia motivos para uma pergunta lhe causar tanto incomodo.

- Você gosta dele? – Draco começou a gargalhar, pegou suas coisas e antes de sair da biblioteca completou – Se acha que eu não sei o que são sentimentos, deveria prestar mais atenção em você mesma. Se você gostar mesmo do Weasley, eu sou a chapeuzinho vermelho.

Hermione não respondeu a insinuação que Malfoy tinha feito, depois de terminar de arrumar suas coisas ela conferiu o relógio e percebeu que já estava na hora do jantar. Não queria encontrar Rony agora e por isso achou melhor caminhar e esfriar a cabeça. Andou vagarosamente pelos corredores até que finalmente chegou ao salão comunal da Grifinória, todos seus amigos estavam lá, incluindo Rony e Lilá Brown, Hermione não acreditou quando viu a garota sentada ao lado de seu namorado. Quando deixou a sua bolsa na poltrona Gina se manifestou

- Mione, o que aconteceu com você? Não te vimos no jantar, está tudo bem? – A ruiva brincava de bagunçar os cabelos já bagunçados de Harry, enquanto o moreno fazia cócegas em sua barriga, Hermione deu um sorriso fraco, sua cabeça ainda rodando.

- Eu estava ocupada fazendo o trabalho e depois fui dar uma volta, acho que perdi a noção do tempo – Sua voz estava abatida, Hermione sentou no braço da poltrona e voltou a encarar Rony e Lilá que pareciam conversar sobre algo muito engraçado, pois os dois não paravam de rir

- Claro Gina, ela estava ocupadinha com o seu novo melhor amigo, Malfoy. – Rony disse em um tom alto chamando a atenção de muitos que estavam ali – Hermione agora passa o tempo dela brincando de casinha com ele, esqueceu quem são os amigos e agora se mistura com as cobras. – Enquanto ouvia as ofensas a castanha sentia a cabeça doer com a vontade de chorar.

- Então é verdade o que andam dizendo por ai? Que a Hermione e o Malfoy têm se enroscado pelos corredores? – Lilá Brown tinha se pronunciado, seu tom invejoso e venenoso, Hermione já podia ouvir os cochichos dos outros alunos em volta. – Acho que quando me trocou por essa ai Uon-Uon fez um péssimo negócio.

Hermione sentiu seu mundo desabar quando viu Rony dizer que concordava com ela. Tudo a sua volta pareceu rodar de repente, ela queria matar cada um naquele salão, xingar e gritar com todos, mas não tinha forças nem para se defender. Viu como sua visão periférica Gina se levantar e gritar algo que ela não entendeu. Queria morrer, só queria morrer. Seus olhos ardiam pelas lágrimas que queriam cair, ouvia muitos ruídos, mas nenhum deles fazia sentindo, quando percebeu seus pés a tinham levado para fora daquele lugar, assim que sentiu o ar que vinha das janelas batendo em seu rosto, Hermione começou a correr, entrou em uma das passagens secretas e desceu vários lances de escada indo parar no primeiro andar.

Enquanto corria as lágrimas se libertaram de seus olhos e corriam por sua face, ela estava sem ar e suas pernas começavam a doer, mesmo assim ela tinha a impressão de que se parasse iria cair, tudo aquilo era tão injusto, doía demais ouvir aquelas palavras dele. Jamais esperava ser ofendida daquela forma em publico, não por ele. Nem se quer sabia onde estava, mas não parava de correr até que esbarrou em algo, ou alguém. Seu corpo pendeu para trás com o impacto, mas foi impedida de cair por um braço que a segurou. Hermione não conseguia respirar direito, tinha o peito arfante e suas lágrimas não paravam de escorrer por seu rosto.

Draco tinha ido treinar quadribol, como fazia todas as noites que podia. Ficou quase uma hora voando atrás de um pomo de ouro, tentando criar táticas para encontrá-lo mais facilmente. Quando terminou seu treino, reuniu seu equipamento e andou de volta ao castelo, o caminho estava escuro como era de costume ele nem se quer percebeu quando alguém se aproximou dele correndo, quando se deu conta tinham esbarrado de frente com ele fazendo seu corpo cambalear para trás, mas ainda assim teve tempo de segurar a pessoa e voltar a uma posição de equilíbrio. Ele queria perguntar quem era, mas ao ouvir o choro e perceber o desespero da garota Draco apenas se calou e esperou que ela se acalmar um pouco.

Hermione queria se soltar da pessoa que a segurava, mas não tinha forças, seu choro não se acalmava e ela agarrou aquilo que acreditava ser a camisa do rapaz, puxava com tanta força que tinha certeza que iria rasgar o tecido. Ela tentou dizer algo em meio aos soluços e sua voz não saiu. Draco sentiu aquele hálito doce novamente, os dois estavam tão próximos e ele teve certeza de que era Hermione quem estava em seus braços, chorando desesperada. Com a mão que estava livre ele segurou a castanha pela nuca e com o corpo dela preso em seus braços ele não pode mais se controlar. As bocas se aproximaram lentamente até que se uniram em um beijo confuso. Hermione não entendia o que acontecia, estava zonza e foi surpreendida quando os lábios dele tocaram os seus.

Os lábios se encaixaram como se fossem feitos sob medida um para o outro, Hermione ficou parada, suas lágrimas ainda correndo e dessa vez molhando o rosto dele também. Draco roçou seus lábios nos dela, fazendo Hermione se arrepiar por inteiro, as mãos dele seguravam seu cabelo de forma firme. Quando ela finalmente fechou os olhos, o beijo se tornou mais intenso, as línguas se tocaram de forma lenta e carinhosa, fazendo os dois tremerem levemente, e quanto mais Draco sentia o gosto de Hermione, mais ele a pressionava contra si fazendo o beijo se tornar ousado, quente. Sem conseguir se conter Hermione segurou com firmeza nos ombros dele, fazendo suas unhas encravarem levemente na pele dele que estava coberta apenas pela camisa do uniforme.

Hermione nunca tinha se sentindo assim, tão completa. O beijo a consumia e ela sentia cada pelo de seu corpo arrepiado pela intensidade da boca dele colada com a sua. Seu corpo todo tremeu fortemente quando Draco deu uma leve mordida em seu lábio, sabia que a essa distancia ele podia sentir seu coração pulando dentro do peito. Se pudesse ficaria ali para o resto de sua vida

Draco nem se quer sabia o que estava fazendo, mas beijá-la era tão necessário. Não entendeu como, mas sua boca conhecia a dela era e tão fácil estar ali sentindo o gosto doce que ela tinha, suas mãos apertavam levemente a cintura de Hermione, até que sua mão pode tocar na pele macia e muito quente que ela tinha, era como gelo e fogo se encostando, o frio e o quente se misturando, tornando tudo morno.

Quando foi necessário respirar as bocas se separaram e a castanha sentiu os joelhos falharem, mas ele não a deixou cair suportando todo o peso dela em seus braços. Ainda com os olhos fechados e as respirações ofegantes os dois continuaram abraçados, até que os braços dele que a envolviam afrouxaram, deixando ela se afastar uns centímetros, os dois se encararam ofegantes, vermelhos pelo calor do beijo.

Hermione começou a se afastar, sem dar as costas para ele até estar iluminada pelas luzes do castelo que deram a ele a visão de seu rosto, manchado pelas lágrimas e sua boca a qual ele tinha beijado muito vermelha e enxada, entreaberta deixando a respiração ofegante passar. Antes que ele pudesse piscar ela já estava correndo outra vez. Dessa vez para longe dele. Assim que entrou no salão comunal a castanha foi abordada por Gina e encarada com certa pena por Rony que tinha uma expressão de arrependimento assim que viu o estado em que ela estava. Sem responder coisa alguma ela correu para o dormitório.

No dia seguinte Hermione não quis se levantar para assistir suas aulas, ficou a manha toda deitada tentando entender aqueles últimos acontecimentos, por mais que pensasse não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Porque Rony estava agindo assim? Porque Malfoy a tinha beijado? Porque beijá-lo era tão bom assim? Essa última pergunta era a mais atormentadora, queria esquecer aquele beijo, queria esquecer-se de sua vida, desde que chegou a Hogwarts, o melhor ano de todos tinha se tornado o pior e ela nem tinha saído de setembro ainda.

Viu-se obrigada a sair da cama quando o relógio anunciou meio-dia. Criou coragem, tomou banho, vestiu-se e desceu para o salão principal, sabia que já esteve em dias melhores, mas tentava disfarçar sua expressão desanimada, com sorrisos. Quando chegou a mesa da Grifinória, encontrou Lilá Brown sentada no lugar que ela costumava ocupar, a garota falava alto, animada com Rony enquanto era encarada por Gina. Hermione teve que rir baixinho quando notou a cara de desprezo que a amiga tinha. Sentou ao lado de Harry que a abraçou de lado, dando um beijo em sua têmpora. Ah como adora Harry Potter, ele era o cara mais perfeito que ela conhecia se não o considerasse um irmão roubaria ele de Gina.

- Não te vi nas aulas da manhã, você está bem? – Harry perguntou baixinho e a namorada se inclinou para eles para ouvir a resposta. Infelizmente ele não perguntou tão baixo assim, Rony foi mais rápido em responder por ela.

- Eu aposto que ela estava com o Malfoy, agora eles não se desgrudam. Ou não percebeu que ele também não apareceu para ver as primeiras aulas? – Hermione só queria entender as atitudes de Rony, estava prestes a começar a chorar novamente, mas seu orgulho falou mais alto dessa vez. Encarou o ruivo que pareceu surpreso com a atitude.

- O que você tem a ver com isso mesmo? Eu já sei que você é um desocupado e que por isso tem necessidade de cuidar da vida alheia, mas me poupe desses comentários infelizes, você não acrescenta nada a minha vida, por tanto guarde suas suposições para quem quer ouvir. – Enquanto falava Hermione não desviou o olhar do rosto dele um segundo se quer, Rony engoliu seco e seu rosto se avermelhou

- Porque ficou tão nervosa assim Hermione? Quem não deve não teme – Lilá Brown tinha se intrometido na conversa, a castanha soltou um suspiro baixo e a encarou com um sorriso brincando nos lábios.

- Três coisas pra você. Primeira: Pra você é Granger. Segunda: Esse é um assunto entre pessoas, ou seja, você não foi convidada. Terceiro: Ontem quando disse que o Rony tinha escolhido mal ao ficar comigo em vez de você, acho que tinha razão sabia? Só uma ridícula como você para agüentar um idiota como ele. – Gina e Harry começaram a rir ao seu lado e ela se levantou, ainda encarando os dois que não abriram a boca pra respondê-la. – Eu vejo vocês mais tarde, preciso ir.

Assim que saiu do salão principal Hermione respirou fundo, e sorriu sozinha, não sabia da onde tinha vindo a coragem para confrontar os dois, mas tinha certeza que depois dessa estava se sentindo muito, muito melhor. Apenas um detalhe não saia de sua cabeça. Malfoy também não havia assistido às primeiras aulas, ele estaria tão confuso quanto ela que não teve coragem de se levantar da cama?

Durante o resto do dia Hermione se empenhou para evitar qualquer aproximação com Malfoy, por mais ridículo que fosse essa atitude, afinal teriam que apresentar um trabalho juntos no dia seguinte. Infelizmente seu plano falhou durante a aula de Transfiguração, a única que tinham juntos aquele dia. Assim que o sinal tocou a professora chamou a atenção de Draco e Hermione, pedindo aos dois que ficassem na sala. Assim que todos os alunos tinham saído eles caminharam até a mesa onde a professora estava e esperaram ela falar. Mesmo estando lado a lado eles não ousaram se olhar.

- Olá meninos. Eu só queria saber como vai o trabalho, eu sei que tem pouco tempo para trabalhar nele, mas já conseguiram se adiantar para amanha? – A professora olhava os dois com um pequeno sorriso no rosto, suas rugas marcadas pela expressão que ela pouco usava.

- Sim professora, já está tudo pronto. Só está faltando apresentar. – Hermione parecia envergonhada ao ter que falar alto perto de Draco, mas sorriu para a diretora que parecia orgulhosa dos dois.

- Ótimo, aguardo vocês dois às oito da noite amanha. – Ela terminou de organizar suas coisas dentro de sua pasta e se levantou – Até amanha, boa tarde, Senhorita Granger, Senhor Malfoy. – Terminou seus comprimentos e saiu por uma porta a sua esquerda a deixando aberta quando passou.

Hermione continuou olhando para o lugar onde a diretora estava, sem se mexer, tomando cuidado para não respirar alto demais e chamar atenção dele. Draco por sua vez estava analisando a Castanha, notando o nervosismo na atitude dela, em seu interior ele temeu tanto esse encontro com ela, mas sabia que não poderia evitar, teria que trabalhar com ela, resolveria isso de seu jeito.

- Você está com algum problema sangue-ruim? – Draco perguntou dando uma risadinha sarcástica. Hermione sentiu seu rosto esquentar e virou-se para encará-lo. Pela cara de ódio que ela fez ele tinha certeza de que tinha conseguido o que queria – Está envergonhada? Sabe eu até que compreendo, ter me beijado como fez ontem a noite – Ele deu outra risada, dessa vez mais alta, fazendo Hermione queimar de raiva por dentro – Não se preocupe Granger, eu não vou contar para ninguém, veja isso como uma caridade da minha parte, mas sinto dizer que não vou poder repetir porque eu tenho uma reputação a zelar.

- Como? EU TE BEIJEI? EU? – Hermione tinha perdido o controle, apontava seu dedo indicador para o rosto dele, e se aproximou perigosamente, a outra mão cerrada pronta para repetir o soco que havia dado nele no terceiro ano. – Você, seu loiro de farmácia de subúrbio que me agarrou, me beijou a força. Se tentar fazer aquilo outra vez eu juro que arranco sua língua fora – Ela tinha o peito arfante, pois usava seu fôlego para gritar cada palavra que dizia.

- Ai Granger, não tem problema, eu entendo seu descontrole e do fundo do coração eu te perdôo, mas tente manter sua boca longe da minha, como eu disse eu tenho uma reputação – Draco tinha no rosto seu melhor sorriso canalha, depois de falar usou as mãos para jogar os cabelos platinados para trás.

- Reputação? Ninguém aqui gosta de você, já sei porque VOCÊ me beijou, foi porque ninguém mais quer ficar com o "Grande Draco Malfoy" e por isso se aproveitou de mim e enquanto eu chorava me agarrou e me beijou a força – Foi a vez dela dar risada, mordeu o lábio levemente tendo certeza de que havia vencido.

- Me aproveitei de você enquanto você chorava? Granger, para se aproveitar de você não é necessário que esteja chorando, isso eu faço a hora que eu quiser – O sorriso canalha tinha sido substituído por uma expressão de ódio, um ódio que brilhava nos olhos dele. O mesmo brilho que ela tinha visto quando o ofendeu outro dia.

Hermione sacou a varinha das vestes e apontou para ele, sem se intimidar com o olhar que ele sustentava – Anda Malfoy, sua varinha agora. – Assim que Draco empunhou a própria varinha Hermione sussurrou de forma quase inaudível – Expelliarmus – Draco nem teve tempo de tentar um contra feitiço e sua varinha já estava voando para longe de sua mão, ele se viu indefeso e o olhar de Hermione não era dos mais amigáveis – Agora é hora de dançar - Com um movimento longo de sua varinha e dizendo a palavra Tarantallegra um jato de luz saiu de sua varinha e atingiu os pés de Draco que começou a se mover em uma dança bizarra, mas que ele não conseguia parar. Hermione deu outra longa risada, pegou suas coisas e foi em direção a porta, mas antes de sair disse: - Tome cuidado com suas palavras, da próxima vez vai fazer coisa bem pior do que só dançar.

O resto da quinta-feira de Hermione foi como ela esperava, um lixo. Só poderia estar em seu inferno astral, nada do que ela fazia dava certo, queria que esse ano acabasse logo, desejava do fundo do coração estar livre de toda essa confusão e para piorar Malfoy tinha feito das suas outra vez, além de beijá-la a força ele tinha invertido tudo que tinha acontecido. Mais uma vez Hermione se sentiu uma idiota, como pode pensar que ele estava preocupado com ela, como pode imaginar que ele tinha tido alguma atitude de carinho, ele era incapaz de ser alguém generoso, preocupado, interessado. Draco Malfoy seria sempre Draco Malfoy.

Durante a sexta-feira Draco fez o que pode para não se encontrar com Hermione, detestava o jeito exibido que ela tinha, odiava o que ela tinha feito com ele no dia anterior, sentia raiva de ter que conviver com ela, se pudesse sumir com ela do mapa o faria com prazer. Porque Hermione era tão incomoda afinal? Porque a presença dela o causava essa náusea. Porque havia beijado essa menininha de sangue-ruim? Ele sabia por que tinha beijado Hermione, tinha feito isso por carência, por impulso, por vontade de beijar alguém, ela parecia tão indefesa e assustada. Mas já tinha tomado sua decisão esse beijo não iria se repetir.

Quando faltava meia hora para começar a apresentação Hermione se lembrou de algo que poderia ser útil em caso de emergência. Foi o mais rápido que pode para o banheiro feminino buscar sua solução. Estava quase atrasada quando dobrou o corredor que dava para a sala da diretora, Draco já estava lá batendo um dos pés no chão e de braços cruzados. Assim que viu Hermione ele sentiu uma grande fúria subir por seu corpo, se não precisasse dela a mataria.

- Você tem algum problema mental, ou só gosta de chamar atenção? – Draco disse baixinho, evitando que alguém os escutasse – Está quase atrasada. Se eu me prejudicar por sua causa Granger, eu juro que arranco essa coisa que você chama de cabelo.

- Cala a boca Malfoy eu sei o que eu faço, não estou atrasada, ainda tenho três minutos para repassar tudo que eu tenho que falar. Agora para de ser histérico, no final ainda vai ter que me agradecer. – Hermione respirava fundo, tentando recuperar seu fôlego enquanto sorria orgulhosa.

Um barulho chamou atenção dos dois, era a gárgula de pedra que saltou para o lado revelando a porta da diretoria, Hermione tomou a frente e caminhou até subir uma pequena escada que dava para a sala oval, nas paredes todos os antigos diretores olhavam para ela e Malfoy que não demorou a segui-la, os dois sentiram o coração bater forte quando viram que todos seus professores estavam lá também, apresentar um trabalho para Mcgonagall já era preocupante, mas apresentar um trabalho para todos os professores era aterrorizante.

Pela primeira vez ambos perceberam que teriam que se ajudar para obter um resultado positivo, como se conversassem pelo olhar, os dois combinaram que fariam o melhor que pudessem e se preciso trabalhariam em equipe. Hermione usou um feitiço para fazer os cartazes flutuarem na ordem em que seriam explicados. Draco encantou fadinhas brilhantes para que voassem em volta dos professores e de Hermione. Assim que todos estavam em silêncio Hermione começou a falar.

Ela se apresentou e começou a explicar o primeiro cartaz, tentou sem breve para não cansar os telespectadores. No primeiro cartaz Hermione explicou a historia sobre grupos seletivos, onde pessoas eram excluídas por sua aparência ou por sua posição social. No segundo cartaz ela explicou a importância da alto-estima para o bom desempenho na vida acadêmica e na vida pós-acadêmica. No seu ultimo cartaz Hermione mostrou as rivalidades e muitas vezes a violência que os "excluídos" sofriam. Todos os professores olharam interessados para a os cartazes e para a Castanha que mantinha sua apresentação sob controle.

Draco sorriu sem saber por que assim que ela terminou sua ultima frase, tinha que admitir ela era boa com argumentos. Hermione deu um passo para trás e seus cartazes a acompanharam, Draco tomou a posição que era dela e começou sua explicação. No primeiro cartaz tinha toda a explicação da primeira fase do projeto onde os alunos demonstrariam o que incomodava neles mesmo e o que gostariam de mudar. No segundo cartaz eles trabalhariam com a questão de atitude, Draco exemplificou dizendo que pessoas com baixa estima geralmente tinham dificuldade em se impor. No terceiro cartaz ele explicou a mudança de aparência que não seria radical, mas atenderia a necessidade dos alunos. Ele finalizou dizendo que a avaliação dos resultados seriam feitas pelos próprios alunos.

Pela expressão dos professores os dois notaram de que todos seus argumentos não tinham sido o suficiente para convencê-los. Hermione olhou para Malfoy que parecia sem saída. Foi então que ela tomou a frente novamente.

- Para finalizar eu tenho um exemplo para dar a vocês. Murta pode entrar – Hermione olhou para cima e a fantasma saiu da parede, sobrevoou os professores e parou entre Draco e Hermione. – Acho que todos vocês conhecem a historia da Murta não é? Bom ela se transformou em um fantasma depois de um episódio trágico com um Basilisco. Sua morte triste poderia ter sido evitada se Murta não sofresse de baixa estima, se tivessem prestado atenção de que ela era uma pessoa com sentimentos e que tinha muito mais a oferecer do que sua aparência... Infelizmente vivemos em um mundo onde a aparência é mais importante, eu e Malfoy não queremos que os alunos se tornem pessoas vazias e que só se importem com o que parecem ser. Queremos que os alunos tenham a chance de serem ouvidos, que tenham a chance de serem vistos. – Seu discurso tinha prendido a atenção de todos e ela podia ouvir Murta chorando ao seu lado.

- Essa menina e seus amigos foram as primeiras pessoas que se importaram comigo, antes deles eu era apenas uma morta esquecida em um banheiro sujo e fedorento – A fantasma soluçava alto suas palavras enquanto encarava os professores – Deixem a menina ajudar as pessoas, não que elas mereçam, mas a menina iria conseguir – A Murta sorriu fracamente para Hermione e voltou a sobrevoar os professores antes de atravessar a parede e sumir.

Um silêncio se formou na sala, os professores trocaram olhares enquanto Draco e Hermione sentiam a ansiedade aumentar. A castanha já tinha estralado todos os dedos e começava a bater o pé no chão levemente, olhou para o lado e viu Malfoy mexendo nos cabelos e mordendo o canto dos lábios, ela sabia que ele também estava nervoso, mas precisava ser tão lindo e sedutor assim? Ficou observando o loiro até que os olhos cinza dele a surpreenderam, virou a cabeça tão rápido que sentiu seu pescoço estalar.

- A apresentação foi ótima, pelo que vimos e ouvimos tenho a certeza que trabalharam em equipe e esse era o objetivo principal do projeto. Primeiramente me surpreendi com o tema que escolheram e chegamos a pensar que não era uma boa idéia, mas chegamos a conclusão que o bem-estar dos alunos é mais importante do que um curso de artes ou música. Então se preparem para começar, foram aprovados – Mcgonagall disse muito séria e assim que terminou Hermione sorrio abertamente e suspirou aliviada, olhou para Draco que não chegou a sorrir, mas parecia alegre.

Todos os professores começaram a sair da sala da diretoria, mas antes cumprimentaram Draco e Hermione pelo excelente trabalho. Os dois pareciam tímidos diante os elogios que receberam. Quando terminaram de juntar suas coisas deram boa noite à diretora e saíram, descendo as escadas e chegando ao corredor por onde um vento muito frio passava. Hermione olhou para o céu por uma das janelas e novamente estava uma noite muito bonita, sem nuvens e cheia de estrelas que brilhavam. Teve uma grande vontade de sorrir e agradecer a Deus por ter conseguido se sair bem no trabalho, era a primeira vez que algo dava certo para ela nesse ano tão ruim. Já havia se esquecido que Malfoy também estava lá, mas a voz dele fez seu momento bom sumir.

- Boa jogada Granger, usar a fantasma como exemplo. Poderia ter me avisado disso não é? Afinal esse trabalho é em grupo – Draco tinha a voz tão séria que quase convenceu Hermione de que estava realmente ofendido. Ela se virou para encarar o sonserino, que apertou o olhar quando encontrou o dela.

- Grupo? Nós nunca seremos um grupo. Você não sabe nada de trabalho em equipe. Eu só estou nessa porque quero os pontos extras, nunca seremos amigos nem nada parecido com isso – Tinha se irritado, como ele era ridículo, nem agradeceu por ela ter salvo a apresentação como poderia existir uma pessoa tão ridiculamente irritante como ele? Talvez isso fosse um dom algo que estivesse no sangue dele.

- Porque você não cala a boca sangue-ruim – Draco se mostrou mais irritado do que Hermione, e o clima entre eles estava tenso, até que ele se aproximou um passo e a segurou com força em um dos braços, os dois ficaram ainda mais próximos e as respirações exaltadas batiam uma contra a outra.

- E se eu não calar? Vai fazer o que? Vai me beijar? – Hermione não desviou o olhar do rosto dele até terminar de falar, foi quando percebeu o que tinha dito e viu a expressão de raiva dele se transformar em uma de confusão, os dois desviaram o olhar. Ela tinha tocado no assunto proibido, mas porque esse assunto deveria ser proibido? Porque os dois eram inimigos ou porque ambos tinham gostado daquele beijo, gostado tanto que não paravam de pensar nele.

Um silêncio incomodo se formou entre os dois e Draco soltou o braço de Hermione, a castanha ficou parada no mesmo lugar como se ainda estivesse presa a ele. Os dois voltaram a se encarar e ele engoliu seco, seus olhos correram dos olhos para a boca rosada de Hermione. Queria entender porque ela era tão atraente a ele, porque não parava de pensar no gosto dos lábios dela. Novamente desejou poder matá-la para que ela saísse definitivamente dos seus pensamentos, mas seu corpo pensava e agia de forma diferente de sua cabeça e ele sabia que se ela não se afastasse a beijaria mais uma vez e cinco minutos depois quando sua cabeça voltasse ao comando de seu corpo ele estaria se odiando, desejando morrer e matar.

Hermione sentia como se seus sapatos estivessem colados ao chão de pedra daquele corredor gelado, tudo a sua volta parecia ter perdido o sentindo, ela queria se afastar daquele perfume inebriante. Queria correr para longe da frieza que o corpo dele transparecia, mas não podia porque a frieza dele era acolhedora. Temia ser beijada novamente e ao mesmo tempo desejava sentir os lábios dele e seu hálito de menta. Sua cabeça estava uma confusão e ela queria fechar os olhos e sumir, mas sabia o que iria acontecer se os fechasse. Seu mundo iria cair em espiral novamente e todos seus valores e crenças estariam estatelados ao chão antes que ela pudesse impedir, iria sentir culpa, raiva, medo, confusão, desconfiança, nojo, desejo, paixão, calor. E antes que pudesse evitar os olhos já estavam fechados. Sentiu o frio se aproximando e o hálito de menta tomando conta de seu nariz, faltava pouco agora e assim que sentisse o beijo dele novamente mandaria o mundo se ferrar e aproveitaria cada segundo daquela loucura.

- Hermione, Hermione, Hermione – Uma voz assustada parou o casal antes que os lábios se encostassem, como em um salto Draco se afastou dois passos e Hermione virou a cabeça em direção a voz que ela sabia ser de Neville. O garoto muito alto se aproximou dos dois correndo pelo corredor, estava suado e parecia assustado com algo. Se não fosse comum ver fantasmas pelo castelo Hermione apostaria que ele tinha se deparado com um

- Neville o que foi? – A castanha caminhou em direção a ele dando as costa à Malfoy que não foi embora e ficou para ouvir o que estava acontecendo. Ela se aproximou mais quando ele parou de correr e se apoiou na parede do corredor, tentando recuperar o ar.

- É o Harry, ele caiu da vassoura durante o treino, e parece que foi grave. – O rosto redondo de Neville estava vermelho e sua respiração ofegante, antes que ele pudesse terminar a frase Hermione saiu em disparada em direção à ala hospitalar, o amigo a seguiu mesmo sem ter recuperado o fôlego e Draco foi atrás, sem nem saber o por que.

Continua...

N.A: Bom esse aqui ficou mais ou menos, não é um dos meus preferidos, apesar de ter acontecido algo que eu adoro. Bom eu me critico muito em questão de escrita e acho que em algumas partes eu deixei a desejar. Acreditem eu tentei concertar, mas as vezes eu só preciso errar pra acertar depois. Espero que tenham gostado e tomara que mais pessoas leiam e comentem, faço tudo isso com muito carinho pra quem é fã do casal assim como eu.

Beijos Bri.