Capitulo IV – Spin

When the world keeps spinning round
(Quando o mundo continuar girando)
My world's upside down
(Meu mundo está de cabeça para baixo)
You and I wouldn't change a thing
(Você e eu não mudaríamos nada)
I've got nothing else to lose

(
Eu não tenho nada mais a perder)

Já estava sentada naquela cadeira há quase dois dias, suas pernas e coluna estavam doloridas assim como sua cabeça e seu estomago, naquele momento era difícil dizer onde não sentia dor. Queria noticias mais claras sobre o amigo, algo mais definitivo do que "O Sr. Potter está se recuperando, seu quadro é grave, mas estável" toda vez que madame Pomfrey aparecia para tentar expulsar, Hermione, Gina e Rony da porta da ala hospitalar, ela dizia a mesma coisa que no final não queria dizer nada, o que tinha acontecido com ele afinal? Cair da vassoura foi tão grave assim? Hermione sentiu um enjôo ao pensar no que poderia acontecer, mas eles dariam um jeito nisso não é? Eles eram bruxos e a medicina bruxa era muito avançada solucionavam quase tudo. Quase tudo.

Hermione olhou para o lado e viu Gina de olhos fechados, em seu rosto havia marcas de lágrimas. Deveria estar da mesma situação que ela, as roupas amarrotadas e uma palidez devido à fome que sentiam. Não quis olhar para Rony, mas não pode evitar e ao se virar viu que sua cabeça estava jogada de lado e seus cabelos ruivos caídos sobre os olhos, ele roncava baixinho. Sabia que não iria adiantar ficarem os três sentados ali, que ir descansar um pouco não faria mal pelo contrário iram se sentir melhor, mas sugerir isso era insanidade. Hermione não sairia dali por nada.

Já estava quase na hora do almoço e o estomago de Hermione roncou tão alto que despertou Rony de seu sono, o ruivo se virou para ela com uma cara de assustado, mas ela apenas desviou o olhar e reparou que Gina tinha um olhar perdido. Queria acabar com essa situação, queria bater na porta e gritar com aquela velha que não era boa em dar informações. Se o caso dele era tão estável assim porque não podíamos nem visitá-lo? Isso era irracional, quando percebeu Hermione já estava em pé, e tinha a mão cerrada em punho, estava pronta para dar um murro naquela porta quando muitas vozes começaram a surgir ao redor, e ao se virar pode ver algumas cabeças ruivas surgindo no corredor.

- Meus queridos, ah meus queridos, o que está acontecendo aqui? – A senhora Weasley se aproximou do grupo e Gina correu para abraçar a mãe, que acomodou a filha em seus braços e já começou a chorar de emoção. Hermione ainda estava abismada com a visita deles, seria o caso de Harry tão grave?

- Hermione, Rony, como está o Harry? – O Senhor Weasley se aproximou dos outros dois adolescentes e apoiou as mãos nos ombros deles, como Rony estava sonolento demais para responder, a castanha falou por ele

- Não temos noticias concretas, faz dois dias já eu estou começando a ficar preocupada, será que o senhor poderia conversar com ela? – Hermione tinha a voz chorosa e o senhor Weasley a olhou com carinho e disse que tentaria conversar com Madame Pomfrey.

Antes que ele tivesse a chance de bater na porta a diretora Mcgonagall chegou, sua expressão carrancuda estava lá novamente. Assim que se aproximou Hermione olhou para a mestra na esperança de que ele passasse alguma noticia sobre Harry, muito séria a diretora pediu que todos se sentassem e, quando já estavam acomodados ela começou a falar

- Todos sabem que quadribol é um jogo muitíssimo perigoso e o Sr. Potter não corre risco de vida, mas ainda está desacordado, ele sofreu muitos machucados e apesar de não ter consciência está agitado e por isso não podem visitá-lo, toda vez que ele escuta vozes se agita e como tem feridas profundas é melhor que ele fique calmo. – Como era de seu costume Mcgonagall passou a mão levando pequenos fios de cabelo grisalho para trás da orelha. Os cinco Weasley e Hermione ouviam atentamente cada palavra. – Alguma pergunta?

- Porque ele ainda não acordou? – Gui que tinha muitas cicatrizes espalhadas pelo rosto e mãos fitou com muita seriedade a diretora, tinha uma expressão de profunda preocupação, era natural afinal ele tinha visto o quanto Harry tinha lutado para sobreviver durante a guerra.

- O Sr. Potter sofreu uma pancada muito forte na cabeça. – Todos olharam assustados para a diretora que pediu calma com as mãos – Não se preocupem não ouve traumas no crânio apenas uma concussão, ele deve acordar logo. Tudo que peço a vocês é: que tenham calma e esperem até ele poder receber visitas, não há necessidade de ficarem de plantão aqui.

- Diretora nós não podemos nem vê-lo de longe? Só pra ver como ele está. – Gina que já estava chorando olhou para a diretora, a mulher engoliu seco ao ver o estado da menina ruiva, mas negou com a cabeça. Hermione ficou parada apenas observando a cena e quando parecia que a diretora não iria dizer mais nada ela se acomodou naquela cadeira dura na qual tinha passado os últimos dois dias e cruzou os braços.

- Vocês meninos, não vão ficar aqui até liberarem as visitas ao Harry tem que ir comer, amanha tem aula e eu não quero que fiquem plantados aqui, portanto moçinhos podem se levantar, ir tomar banho, fazer uma boa refeição e dormir bastante – A Sra. Weasley colocou as mãos na larga cintura e ordenou que os três fossem embora. Hermione cogitou a idéia de dizer que não era filha dela e por isso não iria obedecer, mas desistiu ao se lembrar o quanto ela ficaria magoada com isso. Os três obedeceram contrariados, mas obedeceram.

Hermione tinha tanto sono que enquanto tomava banho já se esforçava para continuar acordada. Terminou de se arrumar e deitou, dormiu o resto da tarde e o começo da noite de domingo. Quando despertou sentiu a fome rugindo em seu estomago, trocou de roupa e foi até o salão principal jantar. Encontrou Rony e Gina já sentados comendo, acenou para a amiga e sentou-se ao seu lado, os três comeram em silêncio absoluto, e ignoraram todas as perguntas sobre Harry, até porque não sabiam de quase nada.

Assim que terminaram a refeição, os três caminharam até a ala hospitalar, onde tomaram seus lugares nas cadeiras desconfortáveis. Hermione tinha quase certeza de que elas eram duras e frias propositalmente para que ninguém ficasse sentado ali por mais que vinte minutos. Não demorou, para que Madame Pomfrey aparecesse na porta da ala hospitalar, com sua expressão carrancuda e um jeito de que não acreditava que eles estavam ali novamente.

- Sinto dizer, mas não vão poder passar outra noite aqui, é proibido que fiquem fora dos salões comunais depois do toque de recolher, então queridos voltem amanha quando tiverem um intervalo de aulas e provavelmente já irão poder visitar o Sr. Potter. – Ela tentou ser doce e gentil, falhou totalmente, pois sua expressão de severidade era totalmente contrastante com seu tom de voz. Os três sabiam que não iam poder ficar ali e então trocaram olhares cúmplices e se levantaram sem falar nada.

Enquanto caminhava ao lado de Gina, Hermione relembrava cada momento que tinha passado com Harry, como ele era importante em sua vida, tantos anos e passando por coisas tão mais perigosas, não poderia ser um tombo de vassoura a pará-lo agora. Foi quando uma suposição bateu em sua cabeça como um balaço atinge um goleiro. Se estivesse lá poderia ter salvado Harry ou pelo menos aliviado sua queda, como Dumbledore fizera no quarto ano. Agora tudo fazia sentido, a culpa disso tudo era dela. A castanha sentiu os olhos arderem com as lágrimas que queria chorar, será que mais alguém estava pensando assim? Será que os amigos a estavam acusando pelas costas? Hermione engoliu seco e continuou andando sem dizer nada.

No outro dia as primeiras aulas da manha pareciam não passar, cada palavra do professor Bins era uma tortura e logo depois a animação do professor Slughorn na aula de poções era esmagadora. Será que ele não sabia o que estava acontecendo com Harry? Será que ele não se importava, ou será que também a culpava? Hermione queria ter um vira-tempo que funcionasse ao contrario para poder adiantar o tempo e ir direto a hora do almoço, sabia que não existia isso, mas desejou que existisse. Mesmo que Rony fosse a última pessoa com ela queria falar assim que tocou o sinal para irem comer ela o olhou e foi correspondida, os dois caminharam em silencio até a Ala hospitalar onde Gina já estava esperando.

Os três bateram na porta ao mesmo tempo e Madame Pomfrey abriu apenas uma fresta, o suficiente para verem a sua carranca mal-humorada. Os três a encararam, e ela abriu a porta para que entrassem, mas antes disso deu umas vinte recomendações, basicamente só podiam respirar e olhá-lo de longe. Gina foi a primeira a se aproximar, seguida de Rony e por ultimo Hermione. A castanha sentiu o peito apertar a ver Harry tão debilitado, seus braços estavam enfaixados e uma de suas pernas estava suspensa, deveria ter quebrado. Ao ver aquilo ela não pode deixar de sentir culpa, ela poderia ter evitado, se não estivesse ocupada com seu egoísmo, com sua vontade de ter notas boas, de ganhar pontos extras.

Não agüentando mais ver aquela cena Hermione sentiu lágrimas começarem a rolar por seu rosto, tentou ser silenciosa ao sair da sala, mas teve certeza de que os amigos a tinham ouvido. Novamente estava correndo pelo castelo, estava se tornando um hábito fazer isso, só faltava esbarrar com Malfoy novamente. Ela nem tinha terminado de pensar e esbarrou em alguém. Dessa vez tinha caído ao dar de encontro com o loiro, não teve nem vontade de se levantar e ficou sentada no lugar onde caiu.

- Granger? – Malfoy se abaixou até poder encarar o rosto dela e notou que ela chorava e soluçava alto, assim que se aproximou Hermione recuou e dobrou as pernas até abraçar os próprios joelhos – Você tem que parar de correr assim por ai, o que foi dessa vez? O Potter partiu dessa para uma melhor? – Draco dera uma risadinha ao terminar sua ultima pergunta, mas percebeu que tinha sido infeliz na indagação, pois Hermione emitiu um som muito parecido com um rugido. Alguns segundos se passaram e ela não respondia nem encarava Draco que começou a perder a paciência.

Antes que pudesse entender alguma coisa Hermione sentiu o braço ser puxado com força até ser obrigada a ficar em pé, ela tentou protestar puxando o braço com força das mãos dele, mas não obteve sucesso e começou a ser arrastada pelo corredor até chegar à biblioteca. Não estava acreditando que Draco Malfoy estava fazendo aquela cena ridícula de puxá-la pelo braço como ela fosse uma criança mau educada que estava indo para o castigo, ele só a soltou quando ela caiu sentada na poltrona velha da parte mais isolada da biblioteca. Draco sentou-se a sua frente e a encarou.

- Você é maluco? Porque me trouxe aqui? – Hermione massageava o braço levemente dolorido pela força que ele usou para arrastá-la pelo castelo, olhou pra Draco que parecia muito sério.

- Ah você abriu a boca, agora me diz, o que aconteceu Granger? – O loiro encarava Hermione como se saber o que estava acontecendo fosse um assunto de extrema importância para os dois.

- Porque eu diria? Porque isso seria da sua conta? – Hermione virou o rosto e fez um bico com os lábios, e como era de costume começou a enrolar uma mexa de cabelo com os dedos.

- Granger eu não tenho tempo pras suas idiotices, eu estou atrás de você há três dias. Temos um trabalho para fazer e você sumiu. Se estiver pensando que vou fazer tudo sozinho para você ganhar o crédito está muito enganada. – Draco parecia falar muito sério, mas não pareceu surtir efeito sobre Hermione.

- Tudo isso que está acontecendo com Harry é culpa desse trabalho idiota, se eu não estivesse ocupada perdendo meu tempo e sendo egoísta eu estaria lá e ele não teria caído daquela vassoura. – Hermione disse as palavras muito rápidas e sentiu o ar faltar no pulmão e os olhos arderem em lágrimas. – Acho bom você ir se acostumando com a idéia de ficar sem os créditos extras por que eu vou sair fora desse projeto ridículo. – Quando terminou de falar Draco começou a gargalhar.

- Sério e eu que achava que eu era egocêntrico – Sua risada se tornou tão alta que ele ouviu um grito de Madame Pince e teve que se conter – Teria evitado mesmo que ele caísse Granger? Sinceramente eu duvido até porque foi o Potter que provocou aquela queda. – Draco passou uma das mãos pelo cabelo e sorriu de lado.

- O que quer dizer com "Potter que provocou aquela queda"? – Hermione sentiu o coração batendo mais rápido, se isso fosse verdade porque nem Rony nem Gina tinham dito algo, tudo bem que eles estavam estranhos e não tinham dito nada sobre a queda, mas ela também não havia perguntado.

- Pobrezinha, seus amigos cabeça-de-fósforo não te contaram? Será que eu conto ou te deixo na curiosidade? – Malfoy sorriu abertamente, mas ao ver a expressão de Hermione ele continuou a falar – Pouco antes de cair ele começou a agir de forma estranha, ficou balançando a cabeça e começou a gritar, depois como se estivesse possuído deu um mergulho com a vassoura e antes de chegar ao chão se jogou. – Hermione arregalou os olhos ao ouvir o relato, sentiu novamente seu coração bater rápido. – Acho estranho ele não ter acordado ainda, pelo o que falaram minhas fontes a queda nem foi tão brusca assim e ele nem estava tão alto quando saltou, deve ter algo errado com ele.

A castanha não tinha palavras para rebater o relato de Draco, mas se perguntava por que seus amigos não tinham dito nada a ela, o que estava acontecendo com Harry afinal? Teve a sensação de tinha algo muito sério por trás dessa atitude esquisita do amigo, talvez alguma perturbação pós-guerra, porém Harry nunca tinha se mostrado traumatizado, pelo contrário sentia muito orgulho e felicidade por ter posto um fim nas maldades de Voldemort.

- Eu preciso ir agora – Hermione se levantou e nem encarou Draco, novamente estava chorando, se sentia confusa e queria ficar sozinha antes de confrontar Rony e Gina, não teve tempo de se afastar dele, pois ele voltou a segurar em seu braço

- E nosso trabalho? – Draco puxou Hermione para mais perto até ficarem a centímetros de distancia um do outro. Ele a encarou e notou que ela chorava, e sem entender por que quis abraçá-la e protegê-la, mas porque ela era tão atraente quando estava frágil? Porque essa maldita vontade de cuidar dela? Hermione levantou os olhos para encarar os dele, o cinza estava meio borrado por causa das lágrimas.

Os dois ficaram em silencio absoluto apenas analisando um ao outro, Hermione pensava em mil e uma coisas enquanto seus olhos analisavam os dele, pensou no beijo que deram, em Rony, em como tudo isso era loucura demais até para ela, e por ultimo pensou e Harry ali deitado naquela cama sem poder se mover e ainda tinha mais esse mistério sobre sua queda. Sentiu-se fraca e impotente como se mesmo depois de toda aquela luta algo ainda fosse capaz de acabar com a paz em sua vida, não pode se controlar e começou a chorar veementemente, abaixou a cabeça e sem saber o porque abraçou Draco pela cintura seu rosto se apoiando entre o ombro e o peitoral dele. Assim que foi correspondida no abraço começou a chorar mais.

Draco se assustou ao ser abraçado, mas ela era tão quente que não pode evitar em retribuir o abraço, uma de suas mãos foi até os cabelos macios dela e começaram um leve carinho enquanto a outra mão a envolvia pela cintura, trazendo a mais para perto dele. Ficaram longos minutos abraçados, até que Hermione se acalmasse, ela estava tão cansada que quase adormeceu no abraço frio que ele tinha, mas aquele frio era tão bom, era como se esfriasse suas emoções até se sentir anestesiada e calma.

Ele temia se mexer e estragar aquele momento, mas não pode evitar e andou de costas até sentar-se na poltrona felpuda, trouxe Hermione junto com ele a sentou em seu colo, apoiou os joelhos dela sobre o braço da poltrona a trouxe sua cabeça para junto de seu peito novamente, ficou acariciando seus cabelos. Sabia que esse era apenas um momento, e que assim que ele terminasse voltaria a ofendê-la e humilhá-la como sempre fazia, mas agora ele só queria esquecer o próprio nome e esquecer o sangue que corria morno, nas veias dela.

Embalada pelos carinhos e pelo perfume de Draco, Hermione adormeceu nos braços dele, só teve noção do que estava acontecendo quando acordou e não encontrou ninguém ao seu lado, a biblioteca estava muito silenciosa e ao olhar pela janela notou que já estava no final da tarde. Tinha pegado no sono e perdido todas as aulas depois do almoço. O que iria dizer aos professores? O que iria dizer aos amigos? O que iria dizer para o espelho quando ele perguntasse o que ela estava fazendo no colo de Draco Malfoy? Ela evitaria o espelho porque de todos a quem devia explicações, sua face refletida era a única para quem ela não poderia mentir e essa era uma verdade um tanto difícil de se explicar.

Hermione saiu da biblioteca e usou a varinha para desamarrotar as roupas e arrumar o cabelo, no meio do caminho uma coruja sobrevoou sua cabeça e deixou cair um bilhete, ao ler a Castanha se surpreendeu com o conteúdo assinado por Draco Malfoy "Granger, eu disse a diretora que ficamos fazendo trabalho a tarde toda e por isso perdemos aula, já que isso é mentira e você ficou roncando eu sugiro que comecemos logo esse trabalho ou vamos estar ferrados, essa noite na biblioteca o lugar de sempre. Draco Malfoy". Ela não queria mesmo visitar Harry e por isso dobrou o bilhete e continuou seu caminho até o salão principal, chegando lá encontrou Gina e Rony que questionaram onde ela havia passado a tarde. Para não mentir ela disse que estava cansada e pegou no sono na biblioteca, os irmãos a olharam com uma expressão de "como eu não pensei nisso também" e deram de ombros.

Quando os três terminaram o jantar foram direto para a Ala Hospitalar, mas antes de entrarem Hermione pediu que sentassem para conversar, os dois parecem confusos com o pedido, mas obedecera e ocuparam seus lugares naquelas cadeiras duras e frias e começaram a ouvir Hermione.

- Eu fiquei sabendo que a queda do Harry foi muito estranha, o que podem me dizer? – Hermione não podia evitar ser séria, sabia que se tinha algo acontecendo às únicas pessoas que poderiam lhe contar com detalhes eram os amigos. Gina engoliu seco e começou a chorar, Rony fez cara de perdido, mas pela primeira vez em muitos dias dirigiu a palavra a ex-namorada.

- Foi muito estranho em um minuto ele estava dando ordens e perseguindo o pomo e no outro ele começou a gritar coisas estranhas, como se tivesse alguém falando com ele, então ele começou a sentir algo parecido com dor na cabeça e sua vassoura perdeu o equilíbrio – Rony encarava Hermione que sentia o peito apertar a cada palavra relatada pelo ruivo. – Foi de repente ele mergulhou rapidamente com a vassoura e parecia que ia bater no chão, mas ai seu corpo deu um salto para o lado e ele rolou pelo chão, não deu tempo de ninguém reagir, foi... Foi... Bizarro.

Hermione analisou e repetiu as palavras que ele disse várias vezes em sua cabeça, procurando uma explicação para a atitude de Harry, em tudo que pensava nada fazia sentido, tudo era absurdo demais para ser real. Olhou os amigos que tinham no rosto uma expressão assustada e percebeu que a culpa que sentia era boba, se tinha acontecido daquela maneira não poderia ter evitado. Pensou em sugerir a eles que chamassem um psicólogo Bruxo, mas cogitar a idéia de que Harry estava enlouquecendo poderia ser uma ofensa, ficou calada e sentou-se ao lado de Gina e segurou a mão da amiga que ainda estava chorando. Ficaram ali por mais de vinte minutos até Madame Pomfrey liberar a visita.

A castanha se surpreendeu ao ver Harry acordado, o moreno abriu um sorriso ao ver os amigos, Gina se aproximou e beijou o namorado levemente e novamente começou a chorar. Bom quem não estava chorando ali? Até Rony que tentava disfarçar tinha lágrimas pregadas nos cílios. Harry tinha a voz fraca, mas parecia quase recuperado dos traumas na cabeça, Hermione se sentiu tentada a perguntar algo sobre a queda, mas preferiu ficar calada e aproveitar o momento, falariam disso mais tarde. Depois de quase uma hora de visita Madame Pince os expulsou da Ala hospitalar e assim que saíram encontraram Draco Malfoy em uma das cadeiras de espera.

- Granger eu estou começando a perder a pouca paciência que tenho. – O loiro se levantou e olhou diretamente para Hermione, ignorando a presença dos dois ruivos que pareceram muito irritados com a forma que ele falou. Rony já estava vermelho e pelo som de sua respiração, a castanha já percebeu que ele estava enfurecido.

- Estou morrendo de medo de você sabia?. – Hermione sorriu irônica e respirou fundo, se fosse esperta levaria o loiro para longe de Rony antes que tivesse mais uma pessoa para visitar na ala hospitalar. – Sabe como é, eu tenho memória seletiva, coisas insignificantes eu esqueço. Agora vamos antes que fique tarde demais. – Antes que ele pudesse responder Hermione passou por ele e o puxou para longe dos amigos.

Quando já estavam em outro corredor, Draco parou de andar e Hermione se virou para encará-lo. O loiro tinha uma expressão de incredulidade no rosto e ela se manteve calada esperando ele dizer algo. Como ele não se pronunciou ela continuou a caminhar e novamente parou ao notar que não era seguida por ele.

- Granger eu estou aqui parado me perguntando por que eu não te mato agora e acabo com a tortura que se tornou minha vida desde o momento que esse maldito trabalho começou. – ele caminhou pequenos passos para se aproximar dela. – Você acha que vou ficar te acobertando só porque seu amiguinho se jogou de uma vassoura em movimento? Está enganada ou me ajuda com essa porcaria de trabalhou ou vou dar um jeito de no final do ano ainda perder mais pontos do que pode recuperar.

- Olha Malfoy, eu realmente me esqueci e isso nunca acontece comigo, pode ficar tranqüilo que a mais interessada nesses pontos sou eu, então vou fazer questão de dar o melhor de mim para que ganhar mais pontos sozinha do que Sonserina. – Hermione sorriu de lado e Draco apertou o olhar - Agora vamos embora ou vai ficar ai me encarando?

Draco murmurou um "Eu te odeio sangue-ruim" que Hermione ignorou, os dois retomaram a caminhada até a biblioteca. Como da primeira vez em que trabalharam juntos os dois mais brigavam do que se entendiam. Draco era a favor de coagir os alunos a participarem do projeto, já Hermione achava melhor esperar que fossem voluntários. Chegaram a um meio termo depois de muita discussão e um frasco de tinta preta jogada sobre a roupa de Draco. Iram esperar os voluntários, mas iriam convidar os mais "precisados" pessoalmente para adiantar o trabalho.

- Acho que podemos fazer uma lista de com quem vamos falar pessoalmente, assim facilita nosso trabalho. – Hermione sentou e colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha, mas sua franja insistia em cair sobre os olhos castanhos.

- Você acha? Nossa Granger sua inteligência me assusta de tão imensa, sério você deveria pesquisar se não tem parentesco com Albert Einstein. – Draco estava irritado desde que Hermione jogara um frasco de tinta sobre sua roupa muito branca, se odiou por não ter seu próprio frasco para descontar nela, mas iria se vingar.

- Olha Malfoy eu já me desculpei pela tinta ok? – Hermione tentava segurar o riso, mas era quase impossível ao ver a cara que ele tinha. – Agora, por favor, me ajude um pouco, quem você acha que pode ser urgente?

- Você! Isso é fato. Porque se for pra servimos de exemplo você precisa ser mais apresentável Granger. – Draco tentou parecer sério enquanto falava, e Hermione se segurou para não atirar a tinta novamente sobre ele. Ela fingiu que não tinha ouvido e ele começou a gargalhar. –A verdade deve doer, mas tudo bem, já que não aceita minha ajuda eu sugiro o Longbotton.

- Neville? – Hermione olhou para Draco com os olhos muitos arregalados e ele fez uma expressão de incompreensão

- Não! Antonia Longbotton. É claro que é o Neville, Granger. – Hermione começou a gargalhar com a ironia dele e Draco tentou se conter, mas foi impossível e quando percebeu estava rindo junto com ela, depois de algumas gargalhadas os dois voltaram a falar sério – O cara precisa mesmo de ajuda, nunca deve ter beijado uma garota.

- Eu gosto do Neville, ele tem um estilo diferente e arrumado, não tem nada de errado com ele. – Hermione começou a desenhar flores no canto do pergaminho enquanto falava e Draco soltou um risinho pelo nariz.

- É claro que você gosta Granger, você é ex-namorada do Weasley. – Draco sorriu vitorioso e Hermione pediu paciência a Merlin para não jogar o tinteiro nele novamente, ou dessa vez devesse usar algo mais pontiagudo para machucar de verdade. – Ok, não quer o Longbotton, que tal aquela idiota com rabanetes pendurados?

- Luna Lovegood? – Hermione teve que rir dessa. – É impressão minha ou você está atacando meus amigos? Porque se for essa sua intenção pode ir parando com suas gracinhas Malfoy – Hermione tentou ser firme, mas ao cogitar a idéia de mudar o "estilo" de Luna Lovegood ela já sentia vontade de rir.

- Agora vai me culpar pela falta de estilo dos seus amigos? Procure um sonserino com problemas de auto-estima e ai nós poderemos discutir. – Draco fez uma bolinha de pergaminho e começou a jogá-la entre as mãos.

- Claro que não tem problemas de auto-estima, a maioria sofre de megalomania, ou psicopatia, ou algum transtorno psicológico que pode levá-los a cometer homicídio – Hermione sorria e continuava com seus desenhos, olhou rapidamente para Draco e viu que ele ainda brincava com a bolinha de papel.

- Falou a filha do Freud. – Ele dera outra risada e atirara a bolinha de papel na cabeça de Hermione que ficou muito zangada. – Agora parando com as idiotices, temos que decidir isso logo, já está tarde.

- Tudo bem, eu acho que podemos olhar melhor ao vivo, ainda estou em duvida de quem são as pessoas com baixa-estima. – Hermione se levantou e arrumou suas vestes, pegou a bolinha de papel e jogou na cara dele. – podemos fazer isso na quarta-feira, pois temos as duas ultimas aulas livres. Eu começo com os cartazes quando tiver um tempo e nos encontramos na quarta pode ser?

- Tanto faz Granger – Draco se levantou e se espreguiçou, juntou suas coisas e olhou Hermione que estava parada a menos de dois metros a sua frente, os dois se encararam por alguns instantes até que ele perguntou: - O que foi?

- Nada... – Hermione tinha tantas palavras para dizer, queria ter agradecido pelo apoio que ele tinha dado a ela mais cedo, queria ter dito que a conversa que eles tinham tido serviu para que ela se sentisse aliviada. Queria se desculpar por ter o tratado mau algumas vezes aquele ano, queria só dizer obrigada. Infelizmente sua língua parecia não colaborar e ela só conseguiu dizer um simples "nada" e ver ele passar por ela e sumir entre as prateleiras.

Hermione se apressou para chegar logo ao salão comunal e não ser pega por Filch, quando finalmente chegou já não tinha mais ninguém lá além de Rony, o garoto parecia muito sério e ela temeu fazer barulho e acordá-lo daquele transe onde ele estava. Assim que chegou ao campo de visão dele, a castanha se assustou. Rony a encarou muito compenetrado e a fez para de andar naquele instante.

- Hermione... – Ele começou, a voz saiu engasgada deveria estar em silêncio há muito tempo. – Eu quero conversar com você. – Rony indicou o lugar ao seu lado no sofá vermelho, Hermione hesitou meio segundo antes de caminhar até ele e sentar-se também. – Quero me desculpar com você, por ter dito todas aquelas coisas, e por ter sido meio irracional, acho que às vezes meu ciúme fala mais alto do que meus outros sentimentos. Você me desculpa?

Sem saber o que pensar ou o que responder ela apenas o encarou de forma séria, e em sua cabeça milhões de idéia surgiram sem parar. Ela estava magoada, e essa demonstração de arrependimento dele era suficiente para ela se consolar, mas não sabia se queria voltar a namorar Rony, ele era um bom garoto, mas fazia tempo que seu coração sentia que o que havia entre eles não era amor, era carinho, cuidado, proteção. Tinha por Rony os mesmos sentimentos que tinha por Harry.

- Com isso você quer que nós... É, voltemos a namorar? – Hermione tentou ser cautelosa e sentiu o coração apertado no peito quando reparou na expressão dele que era isso que ele queria. – Olha Rony eu te desculpo e eu te entendo, mas eu acho que não seria uma boa idéia, nesse tempo que ficamos separados eu percebi que não te amo como achei que amava. Meus sentimentos por você são muito fortes, mas de uma maneira que só permite uma amizade entre nós dois, não quero e não posso mentir pra você Rony.

Passaram alguns minutos de silencio, Rony parecia pensativo e Hermione considerava se essa tinha sido mesmo a melhor escolha dizer tudo isso, poderia tentar se apaixonar por ele, já ouviu dizer que amor se constrói com o tempo. Rony deu um pequeno sorriso e Hermione temeu que ele fosse fazer uma tempestade.

- Tem algo a ver com o Malfoy? – Nos olhos dele ela pode ver que havia ódio, mas teve que pensar antes de responder, no fundo do seu coração não iria mentir para Rony, ela devia a verdade a ele, mas também não poderia contar que Draco a tinha beijado e que hoje mesmo havia adormecido nos braços dele. Diria tudo em relação aos seus sentimentos apenas isso.

- Malfoy não tem nada a ver com isso Rony, eu não estou trocando você por ele, meus sentimentos não mudaram depois desse trabalho, eu já vinha sentindo essa confusão sobre nós dois há algum tempo, o Malfoy foi apenas o motivo dessa briga entre nós, a única coisa pela qual ele pode ser responsabilizado é por existir e por você ter ciúmes dele. Não tenho nada com ele e não é minha intenção ter. – Hermione repetiu as palavras em sua cabeça e conferiu se tinha dito a verdade, talvez a primeira frase, mas isso não tinha importância, só queria ter a amizade e o respeito de Rony de volta.

- Eu acredito em você, mas quero um tempo pra pensar em tudo que me disse, e quanto a Lilá... – Ele encarou Hermione que parecia nervosa só de ouvir esse nome, mas fingiu um sorriso para que ele continuasse a falar – Eu agi errado em querer te fazer ciúmes, me desculpa ta bom?

- Tudo bem Rony, isso é passado, pode tomar o tempo que quiser para pensar, eu vou estar aqui sempre que precisar de uma amiga ok? – Hermione se aproximou e o abraçou, sem nem pensar Rony correspondeu ao abraço e a segurou com tanta força que ela sentiu o ar faltar. Os dois se separaram e Hermione se levantou para ir dormir, o ruivo disse que já iria subir também e ficou sozinho novamente no salão comunal.

No outro dia de manha Hermione acordou cedo junto com Gina e as duas se apressaram para ir ver Harry antes mesmo do café da manha, Rony surgiu na porta do quarto dos meninos e com uma cara de sono e os cabelos bagunçados avisou que iria ver o amigo mais tarde só. As duas saíram do salão comunal e viram os primeiros sinais do Sol pelas grandes janelas do castelo, ficaram boa parte do tempo caladas, até que Gina não se agüentou e perguntou a Hermione como estava sua vida.

- Então Gina, eu conversei com seu irmão ontem e fui muito sincera sobre meus sentimentos, eu acho que ele entendeu tudo que eu disse, vou dar um tempo a ele e ver se podemos voltar com a nossa antiga amizade. – Hermione olhava a amiga com uma expressão não muito animada no rosto.

- E o Malfoy? Porque não adianta me dizer que não tem nada acontecendo entre vocês, cada vez que se encontra com ele você volta totalmente avoada como se estivesse caminhando em nuvens. Quero saber de tudo Hermione Jane Granger.

- Escute aqui Ginevra Molly Weasley, - Gina fez uma careta ao ouvir seu nome completo - eu não fico avoada coisa nenhuma, deve ser enjôo por ter passado tanto tempo perto daquele sonserino, não tem nada acontecendo entre nós dois, apenas o trabalho, nada mais. – Era mentira, sentia-se mesmo avoada e atordoada depois de algum tempo com Malfoy

- Eu estou falando sério Hermione, - Gina segurou o braço da amiga fazendo ela parar de andar - nós somos amigas e você pode me contar qualquer coisa que tenha acontecido entre vocês dois, eu não vou te julgar, apesar de achar o Malfoy um péssimo pretendente, mas é uma escolha sua e eu te apoio hoje e sempre.

- Ok eu vou te contar – Hermione respirou fundo e olhou para a Gina sem saber por onde começar. – No dia que seu irmão me ofendeu no salão comunal, eu fiquei muito mau e sai correndo pelo castelo feito uma desesperada, até queria te agradecer porque tenho a impressão de que você me defendeu aquele dia. – Gina deu um sorriso maroto e fez sinal para a amiga prosseguir. – Eu acabei esbarrando no Malfoy logo na entrada dos jardins, ele me segurou e eu estava chorando muito, ai... Bom, ai ele me beijou e eu sai correndo.

- Beijos? Já aconteceram beijos e você não me contou? Traíra. – Gina dera uma risada divertida e Hermione estava muito vermelha de vergonha. – Não faz essa cara Hermione, isso é normal, mas me conta ele beija bem?

- Gina, em primeiro lugar não foram beijos, com "s" de plural, foi apenas um beijo e eu não sei dizer se era bom eu estava confusa eu nem se quer sei como foi aquilo. – Hermione puxou a ruiva pelo braço e voltaram a caminhar pelo castelo, as duas dando risadas e formulando teorias sobre garotos e beijos.

Pouco antes de chegarem à Ala Hospitalar as duas se assustaram com um barulho muito alto, de algo que parecia uma explosão. Ambas sacaram as varinhas e correram em direção ao som, qualquer pessoa normal iria correr para longe, mas as duas já estavam acostumadas com coisas do tipo. Assim que chegaram ao corredor que dava para a enfermaria puderam ver que o teto havia desabado, Madame Pomfrey tinha uma expressão de terror no rosto e Harry estava de olhos fechados, sentado em sua cama.

Quando se aproximaram mais, notaram que Harry parecia hipnotizado, pois tinha a varinha empunhada em direção ao buraco no teto, em seu rosto um sorriso muito incomum. Um sorriso tenebroso, maldoso, cheio de malicia. Hermione virou os olhos para cima e sentiu o coração falhar uma batida, podia ver claramente a caveira com língua de cobra, e o nó da serpente se fechando, lá estava, verde e brilhante a marca negra de Voldemort brilhando junto com os primeiros sinais do dia que nascia.

Continua...

NA: Esse ficou mais curto que os outros, mas queria desenrolar logo, no próximo serão vistas a mil faces de Draco Malfoy, vou explorar a mente confusa e complicada dele para tentar explicar as atitudes de carinho que ele tem com a Hermione. Fiquei com peninha do Rony, eu até que gosto dele, quando ele não está dando seus chiliques. KPOSAOPASKAPOK ' parei. Bom gente, é isso espero que tenham gostado e aprovado, deixem reviews que eu não escrevo sem elas. Obrigada Naty e Melissa pelos elogios vocês são demais. música do começo Spin - Lifehouse By the way todos os titulos serão músicas do Lifehouse, eles me inspiram muito.

PS. Não tenho beta-reader então me desculpem qualquer erro e quem quiser se canditadar, só me mandar uma review ou e-mail ok?

Beijos, Bri.