Capitulo V – Breathing

I'm looking past the shadows
(
Estou olhando as sombras do passado)
In
my mind into the truth and I'm
(
Na minha mente, na verdade eu estou)
Trying to identify t
he voices in my head
(
Tentando identificar As vozes em minha cabeça)

O que a marca negra de Voldemort representava? Poderia representar muitas coisas, medo, um ataque, morte, comensais revoltados querendo vingança, mas a marca negra flutuando sobre os céus de Hogwarts era muito mais do que tudo isso era um pavor sem tamanho, quem seria capaz de conjurar aquilo? E porque o faria? Isso queria dizer o que afinal? Que Voldemort teria voltado a vida? Potter não era tão fantástico no fim das contas, se nem matar um velho decrépito ele conseguia, mas nesse caso Draco Malfoy não era tão diferente assim de Harry Potter, ele também teve sua chance de acabar com Dumbledore, mas faltou coragem. Não! Faltou vontade.

Assim que ele acordou naquela manhã de terça-feira teve uma grande surpresa o salão comunal da Sonserina que geralmente era vazio estava apinhado de alunos, todos pareciam muito agitados e preocupados, sussurrando pelos cantos, olhando uns aos outros com olhar acusador. Draco se aproximou de um aluno do segundo ano e lhe perguntou o motivo daquele estardalhaço. O menino muito assustado lhe respondeu que Pirraça, o fantasma do castelo, teria visto a marca negra voando sobre o teto da Ala Hospitalar, e Harry Potter estava morto.

Draco deixou o menino sair de perto dele e ficou pensativo, ajeitou a roupa do uniforme e se encaminhou para a saída do salão comunal, teve a impressão de que todos o olharam como de tivessem achado o responsável pelo atentado e pelo assassinato de Harry Potter. Antes de sair Draco deu uma gargalhada, apesar da vontade não tinha cometido tal crime. Pirraça não era uma fonte confiável, iria atrás da Granger, tirar essa historia a limpo.

Durante o caminho até a Ala Hospitalar, Draco considerou a hipótese desta historia ser verdadeira, o que a volta de Voldemort iria significar em sua vida? Da última vez que ele apareceu tudo que restou foi destruição, medo, raiva. Ele sabia que mesmo que o Lord das trevas retornasse ele não venceria a guerra, e novamente todos aqueles que o apoiaram iriam ser mandados para a margem da convivência social. Jamais iria escolher esse caminho novamente, seria esperto. Não que fosse ficar ao lado do Potter, seria apenas neutro nisso tudo.

Quando chegou ao seu destino nada havia lá, além de uma grossa camada de poeira e uma porta fechada. Draco colocou a cabeça para fora da janela e olhou para o céu na esperança de ainda poder ver a marca negra pairando por lá, assim como o corredor o céu estava vazio, apenas o azul aguado matinal. Ele decidiu ir até a diretoria, tinha certeza de que suas respostas estariam lá.

Ao entrar no corredor que dava à diretoria Draco teve a certeza de que a historia de Pirraça era meio verdadeira, vozes exaltadas de professores discutiam a marca negra, quanto à morte de Harry nada tinha sido dito. O loiro se aproximou devagar até onde não poderia ser visto e apurou os ouvidos para escutar melhor o que eles falavam. Pode ver Hermione com uma expressão muito séria e Gina chorando agarrada com o irmão que parecia um morto vivo em meio aquela multidão que não parava de falar.

Draco estava tão compenetrado em entender o que acontecia que foi surpreendido pela mão enorme de Hagrid que o pegou pela camisa o suspendendo no ar, Draco deu gritos de protesto, mas o meio gigante não parecia escutá-lo, em passos largos ele se aproximou da porta da diretoria fazendo muito barulho. Todos voltaram sua atenção a ele e o sonserino pode ver no rosto de Hermione uma expressão de confusão.

- Olha diretora quem eu apanhei espiando nossa conversa – Hagrid balançou Draco que ainda estava preso em sua mão e o largou no chão, fazendo com que ele caísse sentado. – Aposto que veio conferir se o plano deu certo não é mesmo?

Todos pareciam muito contrariados com a presença de Draco, ele teria motivos e capacidade para conjurar uma marca negra, mas todos os indícios até agora apontavam para Harry como culpado. No entanto poderia ser também uma travessura de um sonserino rebelde. A diretora se aproximou do loiro que se levantou e ajeitou as vestes.

- O senhor tem algo que queria nos dizer? – Sua voz já possuía o tom de acusação que ela tentava evitar com a expressão no rosto. Draco quis rir, pois a professora era uma péssima atriz.

- Tenho, esse ogro que vocês chamam de guarda-caças deveria ser mantido em uma jaula, não circulando por ai. – Draco cruzou os braços e todos olharam pra ele com expressão de escândalo pelo comentário. Percebendo que não tinha começado direito ele pigarreou alto e continuo a falar – Eu sei que já devem estar pensando que fui eu quem conjurou a marca negra, mas não foi.

- Que engraçado Malfoy, porque ninguém aqui falou em marca negra, como você sabia? – Rony tinha saído de seu transe e agora parecia muito nervoso, como se tivesse se transformado em um bicho que estava pronto para voar na garganta de Draco.

- Pirraça, ele está gritando pelo castelo que conjuraram a marca negra e que o Potter está morto. Eu só vim saber que parte disso é verdade. – O loiro parecia não ter se afetado pela atitude de Rony e respondeu normalmente, a diretora parecia convencida, os outros ainda o acusavam com olhares. – Qual é? Eu não conjurei nada, eu estava dormindo e quando acordei o salão comunal estava cheio, eu vim descobrir o que aconteceu.

Um burburinho se formou quando todos os professores começaram a discutir o assunto ali mesmo. Draco teve vontade de gritar que ainda estava presente, pois a maioria o indicava como culpado. O loiro já estava atingindo seu nível máximo de irritação quando Gina deu um grito e interrompeu todas as vozes. Ao mesmo tempo todos os presentes olharam para ela. Que nesse momento parecia menor do que realmente era, seus olhos vermelhos acompanhando o tom de sua pele, a respiração ofegante, um nó se formou na garganta de Draco e ele sentiu pena.

- Não foi ele, vocês todos aqui sabem que não foi ele. – Gina, falou tão engasgado que sua voz demorou alguns instantes até ser decifrada por todos, Draco apertou o olhar em direção a garota e pode ver que ela sofria ao dizer essas palavras. Antes que alguém pudesse fazer algo ela empurrou quem estava a sua frente e saiu correndo pelo corredor. Não demorou a Rony e Hermione a seguirem. Draco não perdeu tempo e correu na mesma direção que eles.

Hermione tinha ficado para trás, ao que parecia ela estava cansada demais para continuar. Draco se aproveitou da distancia que tinha de Rony e da proximidade com Hermione para puxá-la até um canto vazio do castelo. Ela não protestou, o que causou um estranhamento no sonserino.

- O que aconteceu realmente Granger? – A castanha estava sentada em um dos parapeitos de pedra e olhava para ele com uma expressão de tristeza e confusão. Como ela permaneceu calada, Draco insistiu na pergunta. – Granger? O que aconteceu?

- Foi o Harry... Ele conjurou aquilo, eu e a Gina vimos, era como se fosse outra pessoa dentro do corpo dele, como se fosse o Harry estivesse possuído por alguém ou alguma coisa. – Hermione não encarava Draco ao contar o que aconteceu, e ele ficou mais intrigado ainda quando ela terminou de falar.

- Possuído? Eu nunca ouvi falar de feitiços assim. Isso é magia muito antiga, daquelas que ninguém mais pratica, porque ninguém tem esse conhecimento, eu não acredito nessa possibilidade. – Draco sentou ao lado de Hermione enquanto falava em voz alta suas conclusões e Hermione o olhou contrariada, já que sabia de tudo isso, mas mesmo assim não conseguia descartar essa hipótese. – Talvez ele esteja ficando louco, a pancada na cabeça pode ter afetado alguma coisa.

- Está preocupado Malfoy? – Hermione o interrompeu com a questão e imediatamente Draco a olhou nos olhos, repetindo a pergunta dentro de si mesmo várias vezes.

Sim, estava realmente preocupado, mas não com Harry Potter, ele não se importava nem um pouco que fosse com a segurança ou saúde dele. Afinal sua vida escolar tinha sido um lixo graças ao senhor maravilha. Sua preocupação vinha de outro lugar, vinha do fato de um possível retorno de Voldemort. E isso era o motivo de sua real preocupação. Dessa vez ele iria acabar com o velho pessoalmente e sem culpa ou arrependimentos.

- Não, não com Harry Potter pelo menos – Draco desviou o olhar da garota que ainda parecia querer ler sua mente sem usar feitiços.

- Então está preocupado com o que? – Hermione se levantou e ajeitou a roupa, parecendo um pouco irritada com a resposta que havia recebido de Draco. Como ela tinha essa capacidade, de se irritar por nada, ou quase nada. Ela realmente estava esperando que ele se importasse? Estava mais louca que o Potter então.

- Voldemort – Era só um nome, mas pode ver o medo nos olhos dela, e na atitude de se afastar meio passo, que aquele nome ainda tinha impacto sobre ela. E que se ela temia isso tanto quanto ele, isso era um sinal claro de que sua teoria poderia estar certa.

- Não diga besteiras, Voldemort está morto, todos nós vimos. – Hermione deu as costas e começou a se afastar de Draco, pelo jeito como ela caminhava, ele sabia que ela não acreditava naquilo que tinha acabado de dizer.

- Quando resolver parar de mentir para si mesma, me procure, eu estou interessado nessa historia. – Draco falou mais alto e ela parou de andar, olhou para ele por cima do ombro e por um instante ele teve a certeza de que ela correria para abraçá-lo, mas a garota só voltou a caminhar em outra direção.

As aulas daquele dia foram tão confusas quanto os professores que as davam. O castelo todo estava em pânico, e a historia sobre a marca negra tinha se espalhado como um rastilho de pólvora por entre os corredores de pedra. E parecia que cada vez mais algo colocava lenha nessa fogueira, assim como toda fofoca a verdade ia se distorcendo e até a hora do almoço já estavam mortos metades dos alunos e professores. Draco já estava farto de tanto falatório e resolveu se abrigar daquela bagunça indo até a parte mais longe do jardim, escolheu uma árvore e se sentou à sua sombra.

No meio de tantas coisas ele não conseguia focar seu pensamento em apenas uma. Toda vez que o nome Voldemort aparecia em sua mente, seu coração acelerava algumas batidas e ele procurava uma explicação. Não acreditava em posseção e achava pouco provável que tenha restado algo de Voldemort para possuir alguém. Talvez algo durante a luta possa ter transferido a alma do Lord das Trevas para o corpo de Harry e agora essa tal "parte" esteja conseguindo tomar conta do garoto Maravilha.

Já havia esgotado sua hora de almoço, mas ele não tinha intenção de voltar às aulas, e sabia que no meio daquela confusão nem notariam sua ausência, já que não tinha amigos, duvidava que alguém fosse sentir sua falta. Talvez a Granger sentisse, ou talvez em alguma parte dele houvesse o desejo de que ela sentisse sua falta, que procurasse a presença dele com o olhar, e ficasse preocupada ao não encontrar. Draco dera um pequeno sorriso ao ter esse pensamento e devagar fechou os olhos.

Porque a Granger? E onde é que estava todo o ódio que sentia por ela? Será que carência é assim tão forte que pode ser capaz de mudar um sentimento? Ele sempre acreditou que sentimentos não acabam apenas se transformam, mas no que o ódio que ele sentia havia se transformado? Amor... Ah não, amor era exagero, ele não amava Hermione, apenas tinha essa necessidade de irritá-la, de tirá-la do sério e ver seu rosto se transformar em algo diferente de tudo que ele já tinha visto. Ela era tão intensa em tudo que fazia, até seu olhar era penetrante, muitas vezes teve quase certeza de que ela pôde ler seus pensamentos.

Sangue-ruim, Granger, Hermione. Todas essas eram apenas uma. E todas essas eram capaz de mexer com sua cabeça de formas diferentes, a sangue-ruim era irritante, petulante, convencida, defensora do Potter e nojentinha. A Granger era sabe-tudo, prepotente, cheia de si, orgulhosa. E por último, mas não menos importante Hermione, a menina do beijo, do abraço, do carinho, a menina que se permitia chorar, que precisava de ajuda, aquela que aceitava um abraço do maior inimigo.

Draco havia adormecido pensando em Hermione, Granger, Sangue-ruim, e como essas três eram tão diferentes e tão atraentes, ao despertar se deu conta de já estava na hora do jantar, e ficar sumido assim por tanto tempo poderia levantar suspeitas. Apressou-se até chegar ao salão principal, como já esperava Granger e os amigos não estavam lá, deveriam estar chorando pelos cantos ou tentando arrumar uma explicação para a loucura de Potter. Fez sua refeição bem devagar e quando terminou teve a brilhante idéia de ir até a Ala Hospitalar e "conversar" com Harry Potter.

Já estava preparado para encontrar resistência na entrada da enfermaria, mas pelo contrário tudo estava quieto e solitário, apesar de ser muito suspeito Draco foi em frente e abriu à porta, Madame Pomfrey estava atarefada mexendo muitas poções que nem deu importância à presença de Malfoy, que se aproximou da cama de Harry. O menino estava de olhos abertos e encarava o teto com uma expressão indecifrável, uma que Draco nunca havia visto em seu rosto durante todos esses anos, era confusão, medo, pavor.

- Potter? – Assim que ouviu seu sobrenome pronunciado Harry virou a cabeça e se espantou ao ver Malfoy, que apenas dera um sorriso canalha que queria dizer "ora, ora quem está de novo todo enfaixado" – Eu quero saber o que aconteceu.

- Ah você quer saber? E o que te leva a pensar que eu vou te contar? – Harry encarava Draco com uma expressão irritada e em seus olhos podia se ver uma sombra se formando, o sonserino observou atentamente o semblante do grifinório e sorrio de lado.

- Acalme-se Potter, não vai querer que Voldemort tome conta de seu corpo outra vez não é mesmo? – Ao terminar de falar Draco percebeu o tom de pele de Harry esvaecer e sua tonalidade ficar tão pálida que se o grifinório desmaiasse não seria uma surpresa. Levou alguns instantes para o moreno se recuperar e voltar a olhar para o rosto de Malfoy que parecia satisfeito com tudo isso.

- Você está mais louco do que nunca Malfoy, de que lugar da sua mente doentia veio essa idéia? – Apesar da tentativa de ser firme, o tom de voz usado por Harry denunciava a verdade. Algo envolvendo Voldemort estava acontecendo e Draco com certeza iria descobrir o que era.

- Corta essa "Menino-que-sobreviveu" – O tom de desgosto na voz de Draco deixava claro o quando ele não suportava Harry – Seja lá o que aconteceu, você tem que pedir ajuda a essa cambada de bruxos que se sentem a cima da verdade, é a única forma de impedir que "Você-sabe-quem" retorne.

- Está preocupado com isso? Não vai querer seu mestre de volta? – Harry usou um tom de voz agressivo e se apoiou nos cotovelos, ficando mais ereto na cama - Ninguém precisa saber do que aconteceu aqui, eu sei que não vai se repetir, e se por acaso você comentar com alguém, eu juro que invento uma forma de por a culpa disso toda pro seu lado, agora some daqui Malfoy.

- Escuta bem o que eu vou te dizer Harry Potter – Draco se aproximou perigosamente, o dedo indicador apontado diretamente para o rosto de Harry, sua mandíbula cerrada e seus olhos dilatados – Se não fizer algo que acabe com isso, eu juro que mato você, mato com tanto prazer que nem culpa, eu iria sentir.

- Você pode repetir a última parte, por favor? Eu acho que não ouvi direito – Uma voz feminina interrompeu a conversa dos dois rapazes, Draco se virou já sabendo que se tratava de Hermione, e como sempre ele seria o vilão da historia. Ao encarar a castanha teve a certeza de que ela armaria um escândalo. – Some daqui Malfoy!

Draco olhou mais uma vez para Harry e passou por Hermione, sem dizer mais nenhuma palavra, saiu da Ala hospitalar e tomou um lento caminho pelos corredores. Não demorou muito para que passos apressados e raivosos se aproximassem e era incrível como ele sabia o que ela estava sentindo apenas pelo som de seus sapatos batendo no chão. Desacelerou o passo até estar totalmente parado e esperou até que ela o encontrasse.

Assim que foi localizado pelo olhar ferino de Hermione, Draco esboçou um leve sorriso, ela parecia mesmo uma leoa, daquelas famintas e irritadas porque alguém mexeu com seus filhotes.

- Presta bem atenção Draco Lucius Malfoy, porque eu não pretendo repetir essa informação – Hermione tinha se postado a frente dele, mantendo entre os dois uma pequena distancia, mas perto o suficiente para que ele pudesse sentir o cheiro de morango que vinha de seu cabelo e pele – Se você ameaçar o Harry ou qualquer amigo meu novamente eu juro que eu mesma acabo com a sua raça enquanto você estiver dormindo.

- Muito improvável – disse ele depois de uma breve gargalhada – e muito feio também Granger, eu achei que vocês da Grifinória eram corajosos, matar alguém enquanto a pessoa está adormecida não é lá muito corajoso e nem digno – Draco dera outra gargalhada, e cada vez que seu sorriso se abria podia ver as expressões de ódio de Hermione ficarem cada vez mais aparentes. – Por acaso seu amiguinho te contou porque eu o estava ameaçando de morte?

- Não perguntei, mas duvido que qualquer que seja a sua razão não seria o bastante pra me convencer de que você estaria certo ao ameaçá-lo. – Hermione cruzou os braços e um de seus pés começou a bater levemente no chão, Draco tinha vontade de rir, ela era uma pessoa tão transparente, era impossível que disfarçasse qualquer que fosse sua emoção, algo a denunciaria, e nesse momento ela era culpada de ter perdido argumentos.

- Sabe, eu não estou nem um pouco a fim de falar sobre seu amiguinho irresponsável e idiota – seu pedido foi completamente ignorado por Hermione, que aumentou o tom de voz e de irritação, suas conclusões se tornaram ameaças, que por sua vez se tornaram juramentos, até que ela estava gritando a plenos pulmões maldições para as próximas vinte e cinco gerações de Malfoy's que viessem a nascer. O loiro ficou cada vez mais impaciente e ela estava cada vez mais enfurecida.

Então Draco se aproximou de forma rápida, segurando a castanha pelos cotovelos, impedindo seus braços de se estenderem. Os dois se encararam por alguns instantes. Ela confusa, ele incisivo e determinado, ele a soltou e ela descruzou os braços, ele se afastou e ela apenas o encarou. – Granger, vai embora ou vou te beijar. – Hermione se surpreendeu com a constatação, sua testa se enrugou e ela não se moveu, alguns segundos de silencio e ela abriu a boca para retornar suas ofensas, quando foi surpreendida pelas mãos frias em volta de sua cintura, a prendendo em um abraço

Malfoy a envolveu de forma firme, uma de suas mãos apertavam as costas dela, mantendo os dois colados um no outro. Sua outra mão subiu rapidamente até a nuca da menina, que a esse momento já tinha os olhos fechados. Draco aproveitou a brecha que ela tinha dado e pressionou os lábios rosados e bonitos da menina com os seus. A principio ela se manteve rígida, mas quanto mais tempo as bocas se mantinham juntas, mais ele percebia que ela amolecia em seus braços, até seu aperto não ser mais necessário e ele passou apenas as segurá-la junto ao seu corpo.

Hermione respirava de forma tensa e ele percebia isso, parecia que os lábios dela não dariam passagem para um beijo mais intimo, usando sua esperteza, Draco afastou as bocas e abriu os olhos, como havia previsto a garota tinha aberto a boca para dizer algo. Aproveitando esse momento ele retomou o beijo, dessa vez tendo acesso toda boca de Hermione. O hálito doce dela invadiu suas narinas, fazendo seu desejo de beijá-la aumentar. A língua do sonserino começou a explorar cada pedacinho da língua da menina, que a essa altura, já era uma boneca de panos nos braços dele.

Quando se deu conta estava sendo abraçado pelo pescoço, e as mãos dela ensaiavam um carinho em seus cabelos lisos e platinados, Draco não sabia onde aquele beijo o levaria, mas o gosto da boca de Hermione era tentador, e o calor que ela emanava era tão reconfortante e excitante, que ele não podia evitar beijá-la mais e mais até que precisou respirar por um momento. Seus pulmões gritando por oxigênio e o resto de seu corpo implorando por mais daquele sabor que tinha Hermione. Assim que o beijo terminou os dois buscaram todo o ar que puderam, nenhum dos dois se atreveu a abrir os olhos, apenas continuaram abraçados, respirando o ar um do outro, e ficando entorpecidos pelos perfumes.

Alguns instantes se passaram e tudo que se ouvia naquele corredor era a respiração ofegante que aos poucos se acalmava. Ainda sem se mover, os dois tocaram os lábios de novo e, dessa vez por atitude dela, que ao terminar o ato se soltou dele, pegando impulso para se afastar do abraço onde estava presa e onde se prendia. O dois se encararam de forma tensa, suas respirações ofegantes, não parecia que ela iria correr, pelo contrário ele iria ficar. Ficar era ruim? Ele sabia que quando ela corria era mais fácil, o que ela queria?

- Porque você fez isso? – A voz dela era um tanto vacilante e Draco arregalou os olhos, não tinha uma resposta pra isso, nem pra dar a ela, nem para dar a ele mesmo, ele fugia daquela pergunta todos os momentos que passava sozinho sem ter algo para ocupar sua mente, mas ouvir da boca dela, a boca que ele tinha acabado de beijar, era de tirar o fôlego. Como ele não respondia, ela repetiu a questão – Porque você fez isso?

- Não sei – Não tinha outra resposta, ele não mentia, nem para ela, nem para ele. Ele realmente não sabia como explicar, era involuntário. Aquela boca implorava por um beijo e ele não poderia dizer não aquele apelo tão doce e quente, ela era sua fuga do mundo real, era o calor que aquecia sua alma, e ele desejou que ela corresse agora porque enfrentar os olhos castanhos dela era tarefa impossível.

- Não sabe? – Droga, que maldita teimosia, porque não correr agora? Porque essa necessidade de explicações, não havia necessidade de explicar coisa alguma, foi um impulso, um momento de fraqueza, de loucura. Tanto faz. Ele não tinha o que falar, mais que isso, ele não sabia o que falar.

- Adeus Granger – Dizer essas palavras pareceu simples, ele deu as costas e começou a caminhar, rezando, pedindo, implorando para que ela não o seguisse. Parece que Deus realmente existe, pois Draco não ouviu passos atrás dos seus, agora era só ser rápido e logo estaria livre da pressão que as palavras dela o causaram. Maldita Hermione.

O dia posterior ao atentado da marca negra não foi mais calmo, pelo contrário foi terrivelmente mais agitado, a fofoca não parava de se espalhar e o caos estava quase saindo fora do controle da diretora, que durante o almoço fez um comunicado importante. Draco nem se quer deu ouvidos a o que ela dizia, ele sabia da verdade, a verdade que ela não iria dizer no discurso. Potter era culpado também, e ele imaginava um jeito de deixar todos saberem disso.

Seu olhar estava concentrado para o prato, a comida estava um tanto tostada e de aparência horrível, no mínimo os elfos estavam com medo também. Jamais colocaria aquela gororoba na boca, seus olhos se ergueram e de frente pra ele duas mesas distantes, estava Hermione, a castanha observava a comida e a cutucava com um garfo talvez pensando que o alimento ainda estava vivo. Evitar a Grifinória seria uma tarefa difícil, quase impossível, ainda mais que hoje tinham combinado de fazer o trabalho, será que ela iria aparecer?

O resto do dia passou para Draco de forma tão rápida que ele teve a impressão de estar sob o efeito de um vira-tempo. No horário marcado o sonserino se dirigiu até a biblioteca, seu coração começou a dar saltos quando ouviu o barulho de penas arranhando um pergaminho, o som vinha exatamente do lugar onde tinha marcado com Hermione. Talvez fingir que nada aconteceu ajudasse.

- Estou atrasado? – Draco falou um pouco alto anunciando sua presença, a castanha apenas ergueu os olhos do pergaminho e encarou o loiro, que apertou os olhos para ela.

- Não, eu estou adiantada. – o tom de indiferença na voz dela era um alivio, ela provavelmente não iria perguntar nada que não deveria ser respondido.

Draco sentou-se em uma poltrona e começou seu trabalho, os dois foram cordiais, aquela tarde, nenhuma ofensa ou ironia. Tudo que falavam um para o outro se tratava do trabalho, foi um tarde muito produtiva, nem tinha chegado a hora do jantar e eles já tinham a lista de quem seria abordado por eles, e os cartazes de inscrições estavam prontos. Quando percebeu que tinham terminado, Hermione juntou suas coisas e se preparou para ir embora.

- Quando vamos nos ver de novo? – Draco quis saber antes que ela deixasse a sala. Granger o encarou de forma séria, e colocou a franja atrás da orelha, deu um sorrisinho meio forçado e fez cara de pensativa, como ela continuou sem responder, Draco insistiu – Granger, eu estou falando com você!

- Não sei. – Hermione disse simplesmente antes de entrar por entre as prateleiras e sumir da vista dele. Draco ficou parado, perplexo levantou-se para segui-la. Segurou a pelo braço, fazendo como que ela o encarasse, a Grifinória manteve a expressão séria no rosto e puxou o braço para se livrar da mão dele – O Harry me contou tudo Malfoy, ele tem quase certeza que estava sob a influencia da Imperius, e eu tenho um forte palpite de que você foi responsável por isso.

- Nossa como você é inteligente Granger – Draco soltou uma gargalhada alta e no rosto dela uma expressão de surpresa se formou – Chegou a essa conclusão sozinha ou o Weasley te ajudou? – Outra gargalhada, ela respirou fundo – Eu sabia que o Potter era muitas coisas de ruim, mas mentiroso e falso essa é novidade.

- O único falso e mentiroso aqui é você Malfoy, - Hermione respondeu depressa, sua voz alterada e a respiração meio ofegante – eu te proíbo de falar assim dos meus amigos, alias eu proíbo que você se aproxime de qualquer um deles, e quero que me deixe em paz também, se não for pra falar do trabalho, não chegue mais perto de mim. – A essa altura ela tinha o peito arfante e o olhar pesado, suas mãos cerradas em punho, Draco a encarou não acreditando do que ouvia.

- Parabéns Granger, você chegou à conclusão certa outra vez, é minhas teorias sobre sua inteligência acabam de ser confirmadas – Ele a rodeou, indo parar atrás dela, imediatamente ela se virou para não o deixar tentar qualquer coisa – No dia que seu amiguinho for completamente possuído por Voldemort e você estiver em desespero, chorando e correndo por ai, me procure, vai ser um prazer ouvir você dizer que eu tinha razão em tudo desde o começo. Passar bem Sangue-ruim.

Antes que ela pudesse responder qualquer coisa ele se afastou, a castanha continuou parada e pode ouvir o estrondo da porta batendo quando ele saiu da biblioteca. Draco andou até as masmorras e quebrou tudo que poderia ser quebrado no salão comunal da Sonserina, ele tinha uma certeza: ela ainda iria se arrepender daquilo.

Continua...

N.A: Sim, esse capitulo demorou e mesmo assim ficou menor que a maioria, autora anda com uns problemas pessoais, e como minhas aulas já voltaram e eu estou estudando para um concurso ficou meio complicado de eu escrever. Desculpas em primeiro lugar. Em segundo lugar prometo ser mais constante nas atualizações. Terceiro lugar... Bom eu espero que gostem desse capitulo.

Quero agradecer a todos que comentam e elogiam vocês são a razão de eu escrever. Obrigada.

Beijos, Bri.