Capitulo VI – Good Enough

What do I have to do?
(
O que eu tenho que fazer?)
To
try to make you see
(
Para tentar fazer você ver)
That this is who I am

(
Que este é quem eu sou)
And it
's all that I can be
(
E isso é tudo que posso ser)

Os ânimos na escola de magia e bruxaria de Hogwarts só estiveram exaltados assim, quando Sirius Black escapou de Azkaban, causando medo e pânico em todos os alunos, dessa vez a fofoca sobre a marca negra estava tão fora de controle, que a diretora Mcgonagall se viu obrigada a fazer um discurso de explicação, na realidade nem ela mesma sabia o que dizer. Como explicaria que: Harry Potter o herói do mundo bruxo, o garoto que servia de exemplo para muitos ali; era na verdade o responsável por conjurar a tal marca negra. Ainda que os motivos reais disso não tenham sido descobertos não havia dúvidas de que ele era responsável pelo ato. Durante o almoço daquela quinta-feira, a velha bruxa resolveu se pronunciar.

- Caros alunos, - Ela começou pigarreando e chamando a atenção de todos – eu gostaria de esclarecer alguns fatos recentes que ocorreram na nossa escola. Ao contrário do que andam dizendo por ai, o incidente na ala hospitalar não resultou na morte de ninguém. – Dizer incidente, era mais fácil do que citar o fato novamente – Muito menos no retorno de Vocês-sabem-quem, a real causa do incidente está sendo analisada pelos professores, porém o mais provável é que tenha sido uma brincadeira de péssimo gosto da parte de algum aluno. – Com o olhar a diretora buscou o rosto de todos os alunos, talvez na esperança de que encontrasse uma pista na expressão de algum deles. – Por tanto peço a todos que parem com as fofocas e histórias inventadas, qualquer novidade que for descoberta eu farei questão de que sejam avisados. Bom apetite a todos.

Assim que a professora encerrou o discurso Hermione mirou a mesa da Sonserina, olhando diretamente para Draco, o loiro retribuiu o olhar e os dois se encaram de forma tensa, até que Gina chamou a atenção da amiga e as duas saíram do salão principal em direção a Ala Hospitalar. Harry teria alta hoje.

Quatro dias se passaram desde a última vez que Draco e Hermione tinham se encontrado para resolver assuntos do trabalho, a castanha tinha desaparecido e o Sonserino resolveu procurá-la para cobrar uma postura mais séria da parte dela, como era domingo foi até o campo de quadribol, sabia que a Grifinória estaria treinando ali e provavelmente Hermione estaria nas arquibancadas com um grosso livro, fingindo muito mal que se divertia com aquilo, ela era do tipo de pessoa que não sabia fingir, alguma coisa sempre a delatava, um pé que batia o chão, a testa enrugada, os lábios encrespados. Como os melhores amigos dela poderiam não perceber esses simples sinais? Afinal passaram os últimos sete anos ao lado dela, mesmo assim Draco tinha quase certeza de que eles não notariam o fato de ela detestar tudo aquilo.

Ao chegar ao campo de quadribol, viu Hermione do jeito que imaginou que veria, sentada em uma arquibancada, lendo um grosso livro, vez ou outra ela olhava para o jogo, vendo os vultos escarlates cortarem o céu, e acenava para Harry que parecia concentrado em achar o pomo de ouro. Assim que Draco se aproximou, a castanha fechou o livro, levantou-se e caminhou até ele o puxando pelo braço para fora do campo. Sem entender nada o loiro se deixou levar até que os dois estavam parados atrás das arquibancadas, o lugar estava deserto e provavelmente ninguém os veria ali.

- O que você quer aqui Malfoy? – Hermione cuidou para que uma distância segura entre os dois fosse mantida, ficando mais de dois metros dele. – Eu perguntei o que você quer aqui, você tem problemas auditivos? – Draco fez uma expressão contrariada, ainda sem responder nada – Sempre que eu te pergunto algo você fica com essa cara de babaca e não diz nada, tem mesmo problemas auditivos, ou só gosta de se fazer de idiota? – Ela dera uma risadinha irônica, já ele apertou o olhar ficando com raiva.

- Uau, sua incrível capacidade de ofender as pessoas até me deixou sem ar, parabéns Granger – Draco dera uma risada mais alta que a dela – O caso é, quando eu olho pra sua cara eu fico imaginando: "Como pode uma pessoa ser tão estranha, ridícula, sem graça, chata e irritante. Tudo isso em apenas um ser" Ai eu perco um pouco a linha de raciocínio... Me desculpe – Dessa vez a vitória estava estampada em seu sorriso, Hermione apenas bufou, cruzando os braços – Não foi para falar sobre seus muitos e variados defeitos que eu vim aqui. Eu quero saber quando nós vamos começar a trabalhar, eu tenho pressa em me livrar desse trabalho e de você.

Antes que ela pudesse responder, alguns passos tinham sido ouvidos, os dois procuraram entre as estruturas de madeira da arquibancada, mas não conseguiram achar os responsáveis pelos passos, não demorou muito para que Gina, Harry e Rony aparecerem, carregando suas vassouras. O moreno com uma pequena bolinha dourada em mãos, o treino tinha acabado.

- Esse cara está te incomodando Mione? – Harry se postou do lado da amiga, seu olhar era frio e penetrante, mirava Draco como se fosse arrancar sua cabeça apenas com a força do pensamento. Hermione se sentiu contrariada, detestava o fato de ser "protegida" pelos amigos, ela sabia lidar muito bem com Malfoy, não precisava de Harry ou qualquer outro ali.

- Tudo bem, ele só queria falar do trabalho – Hermione segurou o braço do amigo e deu um pequeno sorriso, entretanto Harry nem se quer retribuiu o olhar ou o sorriso, seus olhos mantinham-se presos em Draco, o loiro apenas parecia curioso com a forma que era encarado. – Depois do almoço Malfoy, vamos espalhar os cartazes e falar com as pessoas ok?

- Nossa Potter, que recuperação mais incrível a sua, já voltou a ocupar seu lugar de guarda-costas da Sangue-ruim, fico impressionado – Ao pronunciar a ofensa à Hermione, os dois garotos grifinórios se precipitaram, no impulso de bater em Malfoy, porém as duas meninas foram mais rápidas e seguraram os dois pelos braços. – O que aconteceu com você mesmo? Sua amiguinha me disse que você suspeita de maldição Imperius. Isso é bem engraçado não acha? Porque eu ainda tenho quase certeza de que se trata de um pedaço meio-morto, meio-vivo de uma Horcruxe.

Ao terminar sua frase os quatro grifinórios arregalaram os olhos, ficando perplexos demais para dizer alguma coisa, ou até mesmo para reagir. Harry por sua vez, deu uma risada alta, em um tom quase maligno, fazendo todos se espantar, o moreno se livrou da mão de Hermione que ainda segurava seu braço, e se aproximou de Draco, que não recuou nem um milímetro.

- E eu ainda tenho quase certeza de que foi você quem me enfeitiçou, agora fica por ai inventando mentiras para se livrar da sua culpa – Harry tirou a varinha do bolso e a mantinha apontada para o peito de Draco – Típica atitude de um sonserino covarde, afinal você nunca teve coragem para nada, vai ser sempre um fracassado, que nunca realizou nada em sua vida, porque sempre teve medo das conseqüências.

- Oh santo Potter, e agora usa toda sua coragem para mentir para os seus amados amiguinhos, - Draco dera uma risadinha, olhando para a varinha apontada para seu peito, sabia que estava em desvantagem, mas não poderia se calar agora tinha que expor Potter em frente aos amigos, quem sabe eles não tomariam uma atitude. – o que vai fazer quando Voldemort se apossar do seu corpo novamente? Sabia que ele detesta os Sangue-ruim? E se a Granger estiver por perto e você acabar matando-a o que vai dizer a todos? Que fui eu quem te enfeitiçou para que você fizesse isso?

Draco tinha conseguido, Harry tremia de ódio a cada palavra que ouvia, sua mão apertava a varinha com tanta força que seus dedos estavam esbranquiçados. Sua respiração estava pesada, enquanto os amigos pareciam nem mesmo respirar. As acusações de Malfoy tinham sido pesadas e, por mais que tentassem, não conseguiam deixar de acreditar pelo menos em alguma parte daquilo.

Foi em uma fração de segundo, Harry havia aberto a boca para dizer um feitiço quando Hermione se aproximou e abaixou sua varinha, antes que o pior acontecesse. E por um instante, quando encarou os olhos do amigo, pode ver que as pupilas do menino tinham se aberto em fendas, como os olhos de uma cobra, como os olhos de Voldemort. Assustada Hermione focou novamente os olhos verdes de Harry, mas eles estavam normais. Seu coração disparou no peito e encarou Draco, que parecia mais surpreso do que qualquer um com a atitude dela.

- Já chega Malfoy, eu não vou tolerar suas insinuações, cada vez que faz isso eu tenho mais certeza de que você é culpado. Agora suma da minha frente antes que eu faça uma besteira, não quero terminar em Azkaban por conta de um tipinho como você – Hermione se postou entre Harry e Malfoy, dizer aquilo tudo era difícil e fazia sua cabeça pesar de repente, mas sua função era defender o amigo, e faria isso, acreditaria em Harry Potter até que fosse provado o contrário.

- Se tem tanta certeza assim sua nojentinha, vai ter que provar antes de sair por ai abrindo sua boca imunda para falar comigo nesse tom – Draco pegara o braço de Hermione e a trouxera para perto, fazendo os narizes quase se tocarem, os demais observavam a cena perplexos demais para fazer alguma coisa – Nunca mais se dirija a mim nesses termos, ou vai se arrepender.

Draco largou o braço de Hermione, e se afastou dos quatro grifinórios, tomou o caminho de volta ao castelo, o peito arfante e pesado, a cabeça trabalhando rápido demais, o ódio rugindo em seu estomago revirado. Ah como queria matar Hermione Granger, como detestava a maneira que ela tinha de falar, como era insuportável essa garota de sangue imundo. Granger. Hermione. Sangue-ruim. Ela tinha sido todas essas em questão de segundos, isso era atraente e irritante de uma forma que ele não poderia sustentar.

Assim que o almoço de domingo havia terminado, Hermione foi até Mcgonagall, a professora a recebeu em sua sala, que pelas lembranças da castanha estava exatamente igual ao que era nos tempos de Dumbledore. Assim que se sentou na cadeira oposta a grande cadeira de madeira e couro onde estava a diretora, Hermione perdeu a noção do que teria para falar, não sabia por onde começar, nunca tinha desistido de algo na vida, mesmo que estivesse difícil ela insistia, mas depois de hoje tinha certeza de que trabalhar com Draco Malfoy não era mais possível.

Antes que ela pudesse falar, um estalo foi ouvido na parte mais baixa da sala, as duas voltaram os olhares para o pequeno Elfo doméstico que apareceu, Hermione não pôde evitar sorrir, tinha verdadeira adoração por esses seres. A diretora deu um sorriso e perguntou ao Elfo o que ele queria. O bichinho olhou para a velha bruxa e lhe informou que havia problemas na cozinha. Mcgonagall pareceu contrariada em se levantar e sair andando, para a castanha ela parecia um tanto cansada. Afinal ser diretora não deveria ser fácil. Pedindo licença e dizendo que já voltava à diretora saiu da sala deixando a menina sozinha.

Nunca estivera sozinha naquele lugar, e tinha quase certeza de que nunca estaria. Com tantos quadros espalhados por todas as paredes sabia que não estava só. Com seu jeito curioso Hermione analisou muito dos diretores, a maioria deles fora simpático e sorriu para a menina, tirando um ou outro que pareciam ocupados demais para lhe retribuir uma gentileza. Seus olhos pararam ao encontrar o nariz torto, a barba prateada e os óculos de meia lua do diretor Dumbledore. Hermione sorriu abertamente e foi retribuída pelo quadro.

- Muitos pensamentos na cabeça senhorita Granger? – O velho da pintura a encarou por cima dos óculos e sorriu mais abertamente, Hermione se sentiu segura ao ouvir aquela voz, tinha tanta fé em Dumbledore, ele inspirava confiança.

- Muitos pensamentos confusos professor – Ela disse de forma simples e sincera, ainda admirando a figura do bruxo.

- Eu sempre achei que o conhecimento estava nos livros – Dumbledore tinha esse dom. Mudar o assunto para algo sem sentido e fazer os ouvintes pensarem – Entretanto senhorita Granger, às vezes a sabedoria suprema está dentro de nossos corações.

- O que o senhor quer dizer com isso? – Hermione piscou algumas vezes, tentando entender a que assunto ele se referia.

- Eu sei exatamente o que a senhorita veio fazer aqui, mas creio eu que desistir sem ter certeza é uma atitude um tanto quanto imprudente. – Dumbledore ergueu um dos dedos e o movia lentamente enquanto falava. – Sua fé em Harry Potter não pode cegar a verdade dos fatos. Eu sei o quanto é inteligente, vai saber escutar aquilo que não é agradável de ouvir.

A Grifinória se manteve calada, apenas observando o quadro, algumas palavras faziam sentido, outras nem tanto. Ele estava dizendo que Malfoy tinha razão? Será que Harry estava mentindo? Não poderia ignorar o fato de ter visto os olhos do amigo com um jeito diferente, maligno, preferia não acreditar, mas iria considerar as palavras do ex-diretor. Sorriu sincera para ele e disse um "obrigada", logo após rabiscou um bilhete para a diretora pedindo desculpas por não poder ficar e foi embora.

Não iria procurar Malfoy, tinha muitas coisas para pensar antes de tomar essa atitude, sem contar seu orgulho que jamais a deixaria ir até ele e pedir desculpas, não faria isso, nem em um milhão de anos. Voltou a se encontrar com os amigos e disse que havia mudado de idéia sobre o trabalho, iria fazer sua parte e evitar Malfoy, mas ainda queria os créditos extras. Rony não opinou apesar de sua expressão demonstrar que ele não aprovava aquilo. Gina ficou calada, como se estivesse pensativa. Harry se levantou do banco e saiu andando sem dizer nada, mas Hermione teve certeza de que ele a estava odiando.

Nesse momento tinha coisas mais importantes, seu coração lutava fortemente contra sua cabeça. Em partes não poderia acreditar em Malfoy sem ter uma prova, e por outro lado Harry estava muito estranho. Queria profundamente calar a voz chata em sua cabeça, fechar os olhos e confiar que Harry tinha sido enfeitiçado e conjurara aquela marca negra apenas por esse motivo, mas sempre fora uma pessoa racional, não poderia simplesmente deixar de lado os acontecimentos e acreditar. Não teria paz enquanto não descobrisse a verdade.

Nos dias que se passaram Hermione tomou uma postura mais reservada, falava pouco com os amigos e ficava a maior parte do tempo apenas observando Harry e suas atitudes. Por estar sempre concentrada nos detalhes sobre a atitude do moreno, nem se quer notou que Rony ensaiava uma reaproximação com ela. Não desejava isso, agora sua vida tinha outras prioridades. Acima de tudo sabia que ao partilhar suas duvidas com Rony seria chamada de louca, entre outras coisas.

Já estavam na sexta-feira e a Castanha tinha a ligeira impressão de que sua cabeça explodiria se continuasse a pensar sobre Harry, Voldemort e Draco. Já havia repassado mentalmente todas as informações que tinha sobre a morte do Lord das Trevas e o que tinha acontecido com o pedaço de alma dele que Harry tinha dentro dele mesmo, no dia da vitória o amigo tinha feito questão de contar todos os fatos para ela e Rony, tudo estava explicado e a suspeita de Malfoy se tornava infundada em quanto mais ela pensava.

Quis procurar Dumbledore, mas duvidou muito que ele fosse lhe dar respostas, novamente surgiriam àqueles enigmas. Se havia algo que Hermione detestava era a forma indireta com a qual o ex-diretor falava, sempre deixando pistas no ar. Já era sexta-feira e nada! Tudo que ela tinha era nada. Como Harry estava cumprindo sua política de silêncio em relação a ela, resolveu sair para esfriar a cabeça, que teimava em latejar sem parar.

Seus pés, sem que ela notasse, a levaram até a torre mais alta de Hogwarts, a Torre de astronomia, o lugar fatídico onde Dumbledore tinha perdido a vida. Subiu os degraus que a levaram para a parte mais alta da torre e viu uma figura inclinada sob o peitoril da janela, seu corpo era alto e um tanto forte, não reconheceu de imediato, pois a luz de uma grande lua deixava a silhueta - do que ela acreditou ser um rapaz, escurecida. Aproximou-se sem fazer muito barulho, não quis incomodar, quem quer que fosse parecia aproveitar aquele silêncio da mesma forma que ela desejava aproveitar.

Ainda que estivesse mais próxima a figura ainda não tinha sido identificada, Hermione sem querer esbarrou em um vaso que estava encostado próximo a uma parede, seu descuido gerou um alto barulho e quando voltou a olhar para a pessoa tinha uma varinha apontada para seu rosto.

- Quem está ai? – Uma voz inconfundível falou de forma arrastada.

- Sou eu – Hermione saiu da penumbra até estar iluminada pela luz da grande lua, seus olhos encontraram o de Draco e ele pareceu hesitar antes de abaixar a própria varinha e voltar a dar as costas para ela.

- O que você quer Granger? – o Loiro parecia um tanto impaciente com a interrupção, guardou a varinha no bolso da calça com força, como se descontasse a raiva.

- Nada – Ela disse simplesmente, ficando parada no mesmo lugar. Sua voz parecia cansada e pesada.

- Então porque não vai embora? – Draco parecia cada vez mais irritado, o que tinha de tão errado assim para que ele se sentisse tão incomodado com a presença de Hermione?

- Porque você está aqui Malfoy? – Hermione se aproximou, apoiando as mãos no peitoril da grande janela, seus olhos encaravam o perfil do rosto dele, que apenas mantinha o olhar fixo no céu.

- Espera mesmo que eu te responda ou isso foi pergunta retórica? – Apesar de a frase conter palavras que poderiam ser usadas com sarcasmo a voz fria e grossa dele não demonstrou qualquer tipo de deboche.

- Eu pensei, pensei com todas as forças nas suas acusações, fui atrás de explicações em livros, usei todos os recursos que eu dispunha, e não consegui me convencer de que você tem razão sobre o Harry – Hermione dizia as palavras de forma seca e firme, sem desviar o olhar do rosto dele, foi quando um pequeno sorriso contrariado surgiu nos lábios dele.

- Já passou pela sua cabeça que nem todas as respostas sobre a vida estão nas páginas de livros empoeirados? – Draco ainda não a encarava, mas parecia um tanto quanto relaxado – Talvez eu esteja errado, mas no momento acredito que não estou. Se não quiser acreditar em mim, não acredite! Apenas me deixe em paz.

Hermione ficou calada, não tinha resposta para aquilo, nada em sua vida tinha sido decido dessa forma, em coisas que ela acreditava ou não. Seu ceticismo só a permitia acreditar naquilo que fosse provado de antemão. Tudo bem que havia acreditado em Harry sem fazer uma pesquisa, mas em seu intimo tinha certeza de que a teoria de Draco era falsa, só por isso não hesitou. Sem contar que conhecia o amigo há muitos anos e ele não mentiria para ela jamais.

- Hum acho que vou embora – Hermione dera as costas e que Draco soltara um risinho pelo nariz, virando apenas a cabeça para encarar as costas da garota.

- Ora, ora, a Granger sem uma boa resposta. – Finalmente estava lá, o sarcasmo, a maneira debochada de falar, e sem que precisasse se virar ela sabia que o sorriso também estava presente – Talvez deva correr para a biblioteca e ver se consegue uma boa resposta para me dar.

Novamente o silêncio, por mais que ela tentasse, não tinha respostas para dar a ele. Não poderia discutir dessa vez, não tinha argumentos, na opinião dela a teoria de Draco estava errada, tinha livros para provar a qualquer um que quisesse saber, mas dentro dela mesma algo não parecia certo, ela tinha dúvidas, seu íntimo sabia que havia coisas além das páginas dos livros.

- Adeus Malfoy – Nesse momento tudo que ela precisava era pensar. Um pensamento a fez rir, lembrou-se de Rony dizendo no quarto ano que um dia seu cérebro explodiria de tanto que ela pensava.

- Já que você é tão sabida, antes de embora me diga o que seus livros falam sobre isso. – Draco não explicou o que isso queria dizer, forçando Hermione lhe encarar. Uma das mangas de sua camisa do uniforme estava erguida, mostrando a pele muito branca de seu braço. Sem entender direito a castanha se aproximou dois passos.

- Ok, eu não sou dermatologista Malfoy – Ao ouvir o nome da profissão Draco fez uma careta de duvida, antes que ele fala-se, ela respondeu: - Esquece é coisa de trouxas. Enfim qual é o problema com seu braço?

- Havia uma marca negra nele. – Ainda sem tirar os olhos do próprio braço ele disse quase em um sussurro de tão baixo. Foi a vez de a castanha fazer uma careta de duvida, o garoto dera um suspiro e tornou a falar com a voz mais elevada – Conseguiu notar que ela sumiu, ou só aos meus olhos que ela é invisível?

- Sua gentileza me deixa admirada Malfoy – Hermione ergueu os olhos para o rosto dele e encostou o quadril no peitoril de pedra, cruzando os braços.

- E me deixa admirado o fato de você ainda esperar gentilezas da minha parte, Granger. – Draco se manteve sério e se aproximou dela para que seu braço não saísse do foco do olhar de Hermione, como se a presença dela fosse fazer a marca reaparecer. – Acontece que semana passada a marca ainda estava aqui, bem mais fraca do que quando Ele era vivo, é obvio, mas ainda aqui. – Ele fez uma pausa onde avaliou as expressões dela, que agora eram de concentração. - Sumiu do nada, um dia acordei e ela tinha desaparecido.

- Isso deve significar que Voldemort nunca mais vai voltar. – Ela concluiu ainda muito séria, seus dedos se ergueram meio hesitantes, evitou olhar para cima e encarar os olhos dele. Não demorou que a ponta de seu indicador toca-se levemente o lugar onde antes existia a Marca de Voldemort.

A pele de Draco era tão fria quanto branca, parecia um cubo de gelo, seu indicador e seu dedo mediano se arrastaram levemente por toda a extensão da antiga marca, fazendo pequenos contornos, onde provavelmente estaria gravada a caveira de boca aberta e língua de cobra. Seus dedos quentes deslizavam suavemente, como se analisasse aquele pedacinho de pele enquanto tocavam sua superfície. Levou um susto quando sentiu a mão fria de Draco envolver seu pulso e parou o movimento dos dedos.

Draco quis puxar o braço para trás quando ao sentir os dedos, quentes e macios, de Hermione tocarem sua pele, um arrepio subiu por sua espinha e de repente todo seu corpo reagiu, como se fosse um bicho faminto diante de sua presa, teve que se conter para não deixar seus instintos agirem naquele momento, ficou parado, sentindo o calor do toque suave que ela possuía, era novamente o gelo e o fogo, os dois se tocando um derretendo o outro, um diminuindo a intensidade do outro. Quando finalmente não agüentou mais a tortura do toque de Hermione ele a segurou pelo pulso, e ai o choque foi maior, sua mão tão gelada como de costume, tocando a pele quente e acolhedora, os dois se encararam por longos segundos.

Nenhum dos dois ousou falar, Draco afrouxou a mão do pulso dela e a mesma recolheu a mão para próximo do corpo, ainda sem dizer nada, ele se afastou e pegou o caminho das escadas que o levavam para fora da torre. Hermione ficou parada no mesmo lugar, sentiu um forte calor lhe tirar o fôlego, era como se a ausência dele causa-se um abafamento, uma estranha sensação de sufocamento e vazio.

Sábado de manhã Hermione estava com os amigos no salão comunal, depois do encontro com Malfoy na torre de astronomia ela estava mais calada que nunca. Harry parecia um pouco mais disposto a conversar com ela e por duas vezes lhe pediu que passa-se algo para ele, mesmo com a mudança de atitude do amigo, ela não conseguia se animar, sua cabeça estava mais confusa do que antes, porque ele teria lhe falado da marca negra? Será que ele esperava que ela desse uma resposta? Parte da mente sabe-tudo de Hermione gritava que aquilo era um sinal de que sua teoria estava certa, Voldemort já era para sempre e Malfoy era louco.

Ainda relutante, com suas teorias explodindo na cabeça, e sensação de abafamento lhe impedindo de raciocinar direito, ela levantou os olhos para o outro lado do salão, procurando o lugar onde Draco sempre ocupava, mas este estava vazio, as pessoas em volta pareciam nem se quer notar a ausência dele, porém para ela aquilo tinha um peso enorme, como se tudo se fecha-se a sua volta o ar sumisse de seus pulmões.

Hermione passou a manha toda buscando os lugares onde Draco costumava freqüentar, mas ele parecia ter sumido como fumaça em uma ventania. Até o campo de quadribol ela vasculhou e nada. Ele não estava em parte alguma, durante o almoço ele também não estava presente. "Ele não poderia pular duas refeições, estaria com fome, onde é que estará?" Finalmente no fim de tarde ela tomou sua decisão, furtivamente foi até o dormitório masculino para dar uma olhada no mapa do maroto, revirou as coisas de Harry procurando o pergaminho, quando finalmente achou disse as palavras certas e a planta do castelo surgiu.

Vasculhou em todos os cantos, e nada, Malfoy não estava no castelo, ficando irritada de repente a castanha dobrou o mapa, colocou as coisas do amigo no lugar e tomou a decisão de ir até a diretora. Assim que saiu pelo buraco do retrato Hermione deu de cara com os três amigos, Gina pareceu absurdamente feliz ao ver a amiga, Harry deu um sorriso torto e Rony pareceu aliviado. A Castanha passou por eles, avisando que tinha que encontrar Mcgonagall. Gina lhe puxou antes que ela se afastasse e sussurrou "Tenho que conversar com você, me procure quando voltar" O tom de suplica na voz da ruiva indicava que algo sério estava acontecendo.

Hermione caminhou de forma rápida pelo castelo, passando por todas as passagens secretas e atalhos que conhecia. Ao chegar à porta da diretoria a grande gárgula a encarou e a menina sorriu anunciando que precisava ver a diretora, poucos segundo depois ela saltou para o lado revelando a escada por onde ela subiu até chegar ao gabinete da diretora.

Mcgonagall sempre adorou Hermione, as duas não tinham uma relação muito próxima, porque aparentemente a diretora não gostava de fugir do profissionalismo, adorava os alunos, mas mantinha uma distância saudável nas relações com eles. Sendo uma das poucas exceções à regra, a castanha sempre percebeu um afeto na maneira em que a professora a encarava. Sentou-se na cadeira em frente à dela e as duas se encararam.

- Me desculpe ter ido embora aquele dia, mas tive que ir realmente, a senhora me parecia cansada – Hermione disse meigamente e recebeu um sorriso em resposta, os olhos da castanha espiaram o quadro de Dumbledore que estava pendurado atrás da cadeira da diretora, o ex-diretor apenas sorria calmamente.

- Oh, sim, sim, não tem problema, a verdade é que ser diretora é mais difícil do que eu julguei. – Mcgonagall tinha seu tom sóbrio de se expressar, mas o cansaço era visível em seu rosto marcado por rugas e linhas de expressão. – Em que posso ajudar senhorita Granger?

- Eu estive procurando Draco Malfoy por todo o castelo, para falar sobre nosso trabalho... – Ela fizera uma pausa, analisando a expressão da mulher, por um segundo pensou melhor do que viera fazer ali e como seu motivo era ridículo. Interromper uma pessoa ocupada para perguntar sobre um aluno, se por acaso recebe-se como resposta um "Tenha santa paciência, eu tenho cara de GPS menina?" da professora seria aceitável, como o estrago já estava feito, ela prosseguiu – Então, eu não o encontrei, a senhora sabe me dizer onde ele está?

- Não ia encontrar mesmo, – Mcgonagall não parecia irritada, estava até parecendo contente com a pergunta – o Senhor Malfoy saiu esse fim de semana, foi visitar a mãe no St. Mungus, depois de tantos acontecimentos ela acabou meio adoentada, está em tratamento, mas fico contente de que esteja se preocupando com sua tarefa até mesmo se entendendo com seu parceiro.

Hermione sentiu vergonha ao ouvir as palavras da professora. Não estava atrás de Draco por conta do trabalho, na verdade não fazia a menor idéia do motivo pelo qual procurava por ele. Nesse momento ponderou o que iria dizer a ele caso o encontrasse, olhou para a diretora e deu um sorriso. Será que falaria "Hei Malfoy, só preciso que fique perto de mim porque estou me sentindo claustrofóbica, e você faz isso passar"? Quis rir da própria desgraça, mas apenas trocou mais algumas palavras com a diretora e se retirou, voltando ao salão comunal com a sensação de abafamento e desconforto ainda pesando. Foi ai que se lembrou que tinha prometido uma conversa com Gina, quem sabe ouvir os problemas dos outros não a fizesse esquecer os próprios.

Quando entrou novamente no salão comunal grifinório, Hermione logo localizou a amiga, sorriu para ela e se aproximou. Como sempre Gina estava cercada por Rony e Harry. Sem querer chamar muita atenção ela disse para a amiga que precisava conversar com ela, a ruiva pareceu aliviada ao ser chamada e as duas subiram para o dormitório feminino. Hermione teve a precaução de lançar o feitiço Abaffiato em volta das duas, assim ficariam protegidas das fofoqueiras.

- Então, o que aconteceu? Você parece desesperada – Hermione comentou, se ajeitando melhor na cama.

- Olhe eu estou guardado isso faz dias eu não pretendia contar, mas simplesmente não dá mais. Pode me chamar de louca se quiser, pode até me denunciar pro Harry, só que eu preciso te dizer – Gina estava de uma maneira que Hermione não conhecia, ela, que normalmente era alegre e espevitada, estava séria, tensa, preocupada. – Acho que o Malfoy está certo. Harry tem andado estranho demais depois daquele acidente no quadribol, ele não sorri mais, está sempre irritado, descontrolado...

- Espera um segundo Gina. – Hermione estava aturdida com o que tinha ouvido, seu cérebro processava a informação de uma maneira torta, as palavras da amiga entravam em seu sistema nervoso de forma destorcida e desconexa. – Está me dizendo que acha que Voldemort está vivo dentro do Harry?

- Não sei. – Gina respondeu baixinho depois de alguns momentos de silêncio. – Só sei que ele não é mais o mesmo, que tem algo de errado com ele e não é nenhuma maldição Imperius. Hermione, nós temos que fazer alguma coisa.

- Se acalma Ginny, isso deve ser um estresse, ele pode ter ficado com algum trauma depois dessa guerra e agora está estranho, mas isso passa. – A castanha segurou a mão da amiga enquanto tentava acalmá-la. Suas palavras soando muito vazias, ela pode perceber que Gina também pensava isso. – Eu li em todos os livros sobre isso e não tem chance de ser um pedaço de Voldemort...

- Porque será que eu vim falar com você? – Gina tinha se alterado, largou a mão de Hermione e se levantou da cama, ficando em pé de frente para a amiga. – Você sempre acha que tudo sobre a vida está nos livros. Tem coisas Hermione, que não se pode ler, tem coisas que é necessário sentir. Se eu estou te dizendo que meu namorado o homem que eu amo está diferente, é porque ele está diferente, e não é um trauma pós-guerra, é algo muito sério. Queria eu que você achasse a explicação disso em uma porcaria de livro, seria mais fácil, porém a vida já mostrou para nós que nada é fácil.

- O que espera que eu faça então? Eu pesquisei em todos os lugares e nada foi encontrado. – As palavras de Gina tinham doído, tinham o mesmo sentido que as palavras de Draco, e por um momento ela se sentiu insensível, o tipo de pessoa que não crê, que não tem fé.

- Sinceramente? Nada. – A ruiva tinha uma expressão de mágoa no rosto. – Você não entendeu nada do que eu te disse, mas te digo uma coisa Hermione, a vida tem mistérios que você nunca vai descobrir enquanto negar seus sentimentos para acreditar nos seus livros. – Dando as costas para a castanha, Gina se afastou alguns passos antes de ter o braço agarrado e ser obrigada a se virar.

- Você tem razão, - a voz dela saiu engasgada graças às lágrimas que teimavam em escorrer pelo seu rosto – me desculpe, eu sei que às vezes parece que eu não me importo, mas eu me importo muito. Isso está difícil de aceitar, eu tenho medo do que possa descobrir se decidir acreditar no Malfoy.

- Isso pode salvar o Harry e a nós todos Hermione, por favor, eu preciso que me ajude. – Gina usou os dedos para secar as lágrimas da amiga, ela tinha vontade de chorar, mas não o faria, ela não era o tipo de garota que chorava na frente dos outros, nem mesmo escondida, ela agüentava até o final, firme e forte.

- Vou ajudar, prometo que vou fazer o que puder para que fique tudo bem outra vez. – As duas se abraçaram fortemente, para depois voltarem até o salão comunal, onde ficaram conversando com Harry e Rony sobre bobagens.

-xXx-

Desde criança Hermione aprendeu odiar domingos, era cultura popular, todo mundo dizia que domingos eram dias perdidos, onde tudo que fazíamos não servia para nada, ou sempre era aquele dia onde não se tinha coisa alguma para fazer. Depois que entrou em Hogwarts essa crença sobre domingos havia mudado, porque para ela, todos os dias que passava ao lado dos amigos eram dias felizes e bons, porém depois de quase oito anos, Hermione teve novamente aquela sensação de dia inútil.

Acompanhada de Gina, Rony e Harry a castanha ficou sentada nos jardins de Hogwarts quase a manhã toda, eles não tinham nada para fazer, apenas ficaram conversando, os dois meninos jogando xadrez de bruxo, Gina e ela conversando sobre baboseiras como cabelos entre outras coisas. Quando perceberam já estava na hora do almoço, de má vontade a castanha engoliu sua comida, os planos dos três eram: voltar ao jardim e por lá ficar o resto do dia, apavorada só de pensar nisso Hermione deu uma desculpa, dizendo que tinha coisas a fazer na biblioteca e se livrou dos amigos.

Correu o mais depressa que pode até o terceiro andar, vasculhou alguns corredores até encontrar a estátua da bruxa-com-um-olho-só. Girou o olho de pedra e uma passagem se abriu, revelando um túnel estreito e empoeirado. Ascendeu a ponta da varinha e começou a caminhar pelo lugar, depois de alguns minutos, pode ver uma pequena escada, galgou os degraus devagar para não fazer barulho, e empurrou devagar o alçapão de madeira. Espiou pela fresta e viu que não havia ninguém ali. Tomando todo cuidado para não acabar sendo apanhada ela deixou o buraco e entrou no porão das Dedosdemel. Subiu até a parte de trás da loja que tinha algumas pessoas, passou sem ser percebida, até a saída.

Não sabia o que procurava em Hogsmead, a verdade é que ela não sabia muito bem os motivos pelo qual fazia as coisas ultimamente, estava impulsiva, meio descontrolada, porém no seu interior o nome Draco Malfoy piscava como um alarme, dizendo à Hermione que ele era o motivo desse descontrole, e quanto antes o encontrasse, mais rápido se livraria desse maldito abafamento. Ah como queria respirar normalmente.

Caminhou pelas ruas, evitando chamar atenção, suas vestes de trouxa não eram um bom disfarce, denunciavam que ela era aluna de Hogwarts, e por ser a única não deveria estar em Hogsmead hoje. Observou as vitrines e pensou em entrar e comprar algumas coisas, depois de alguns vidros para poção, penas, frascos de tinta e uma coleira nova para Bichento, Hermione decidiu que era hora de ir embora, já estava quase escurecendo e não queria arrumar problemas na escola.

Assim que saiu da última loja que visitou, ela levou um susto ao ouvir um barulho, em sua frente apareceu uma figura alta, de cabelos platinados e uma expressão intrigante no rosto. Hermione ergueu os olhos para ver melhor o rosto do rapaz já tendo a certeza de que era Malfoy. Os dois se encararam por um segundo até que ele disse.

- Anda me perseguindo Granger? – Sua voz era seca e fria, livre de todo o sarcasmo que lhe era habitual. Por alguma razão que ela não soube explicar seu abafamento não desapareceu, pelo contrário ao ouvir as palavras dele naquele tom de voz sentiu o mundo se fechar mais em volta dela.

- Estou fazendo compras Malfoy, é claro que não estou te perseguindo. – Hermione balançou as sacolas que tinha nas mãos para comprovar o que dizia, ele não mudou de expressão. – Onde estava? – ela disse simplesmente.

- Granger, você sempre me surpreende com essas perguntas, me diga, se sabe que eu não vou responder por que perde tempo perguntando? – Draco ainda mantinha o tom frio e sério, deixando Hermione completamente agoniada.

Ela ficou sem palavras, não sabia o que dizer, não fazia a menor idéia do que responder, a verdade é que se tivesse pensando antes de perguntar não teria perguntado. Por dois motivos, primeiro: Ela sabia exatamente onde ele estava, não precisava perguntar. Segundo: Ela não se atreveria a demonstrar interesse por qualquer coisa relacionada a ele, seria passar atestado de preocupação, e ter um Draco Malfoy convencido por perto era difícil demais.

- Adeus Malfoy. – Ela bufou de maneira irritada, dando as costas para ele, e caminhando até a casa dos gritos. Dessa forma sairia debaixo do salgueiro lutador, e não em um dos corredores de Hogwarts, não queria ser apanhada.

- Hei Granger, - Draco a chamou a voz um pouco engasgada, como se fosse muito difícil chamá-la assim. – Sua teoria estava errada, fui ver meus pais hoje e eles ainda têm a marca negra no braço, fraca como estava a minha, mas ainda está lá. – Hermione tinha parado de andar assim que ouviu seu sobrenome, voltou a ficar de frente para ele e parecia intrigada com a informação.

- Talvez ela esteja sumindo aos poucos e daqui a um tempo a deles desapareça também. – Ela deu de ombros, como se aquela informação fosse obvia o suficiente para ele saber também.

- Não, a marca nunca tinha se alterado, estava exatamente igual desde o dia que Potter matou Voldemort. Da primeira vez que ele sumiu, há 17 anos atrás, eu sabia que ela não tinha se alterado muito, ficou mais fraca, mas ainda era muito visível. – Draco fizera uma pausa, analisando as expressões dela, provavelmente esperando uma explicação para isso também, como ela se manteve calada ele prosseguiu. – Quando minha tia morreu ainda tinha a marca no braço, mesmo sem vida. Granger, não aconteceu com mais ninguém, só comigo. Todos ainda têm a marca, menos eu.

- O que acha que pode ser? – Hermione não acreditou muito nas próprias palavras, olhou para ele e percebeu a expressão de espanto em seu rosto, e ele sorriu, da forma sarcástica e irônica, aquele sorriso que só ele poderia dar e finalmente a maldita sensação de calor abafado tinha ido embora, ela queria fechar os olhos e aproveitar a sensação de brisa fresca se apossar de seu corpo, mas se conteve, ficando o mais séria possível diante o sorriso dele.

- Granger sem teorias e respostas previamente formuladas? Acho que você deveria correr até a biblioteca e começar a ler todos os livros que achar pela frente, está perdendo a prática. – Ele dera uma gargalhada alta e se virou indo embora. – Adeus Granger.

- Malfoy. – Ela chamara quando ele já estava um pouco afastado, notou que ele hesitou antes de se virar para encará-la. – Precisamos nos encontrar para terminar esse trabalho. – percebeu ele fazer uma careta de desgosto, e ela sorriu, um sorriso pequeno, mas muito sincero.

- Daqui a meia hora, em frente à biblioteca, antes do jantar. – Draco voltou a dar as costas e pegou o caminho que dava até os portões de Hogwarts. Hermione pegou o caminho oposto, se embrenhando até a casa dos gritos para voltar à escola.

A meia-hora que tinham para fazer suas coisas passou de forma lenta, Draco teve tempo de tomar um banho, trocar as vestes por uma roupa mais casual, arrumar seu material para o dia letivo de amanha e ainda ficar observando o local onde antes havia sua marca negra. Lembrou-se do toque quente e aconchegante de Hermione naquele local e seu peito bateu forte. Do outro lado do castelo, Hermione cumpria quase o mesmo ritual, teve o cuidado de diminuir o tamanho das sacolas e esconder o seu conteúdo em um baú. Sabia que Gina a mataria se descobrisse que não tinha sido convidada para a tarde de compras. Ajeitou os cabelos com um feitiço, deixando os com cachos grandes e perfeitos e trocou de roupa, olhou no relógio e viu que estava na hora de encontrar com Draco.

Os dois chegarem quase ao mesmo tempo na porta da biblioteca, ela carregando o material do trabalho e ele com as mãos no bolso da calça, seu jeito elegante e despojado ao mesmo tempo, era incrivelmente atraente. Encararam-se por um segundo, os dois analisando a pessoa à frente, notando as roupas, o cabelo. Hermione preferiu começar a falar antes que ficasse constrangida com o olhar que seu pequeno decote recebia dos olhos dele.

- Vou lançar um feitiço que vai espalhar os cartazes pelo castelo. Enquanto isso, você pode pensar em alguma forma para abordarmos as pessoas da lista. – Hermione tirou a varinha do cós de sua calça jeans e com um aceno da varinha e um feitiço as folhas começaram a voar de seus braços, indo em todas as direções, até que não sobrou nenhuma.

- Ok, então é isso, até outro dia Granger. – Draco dera as costas e conseguiu dar dois passos quando ouviu um guincho alto de Hermione.

- Quê? Como assim "então é isso"? – O loiro, se viu forçado a encará-la, fez uma careta de desgosto e enterrou as mãos no bolso

- É isso Granger, eu estou cansado, fazemos o resto amanha ou outro dia. – Cada palavra que ele dizia era como se fosse um tiro, Hermione tremeu levemente e apertou o olhar para ele.

- E porque diabos você me chamou aqui? Eu poderia ter executado esse feitiço de qualquer lugar do castelo, eu tomei banho, troquei de roupa, me arrumei pra isso? – Era visível o estado de irritação da menina, ele dera uma risadinha baixa.

- Sinto muito Granger, achou que iríamos nos aventurar pelo castelo em busca de fracassados ridículos? – Sem agüentar ele dera uma risada alta fazendo a castanha cerrar os punhos.

- Sente muito? Se eu pudesse matar você eu mataria. – Com os dentes e os punhos cerrados, ela se aproximou meio passo. – Você não vale nem o que come. Ah como eu ODEIO você. – Draco se divertia com a irritação da menina, ela ficava extremamente linda daquela forma, ela provavelmente nem se quer percebia que ficava na ponta dos pés, em uma tentativa tola de ficar mais alta.

- Ei relaxa, tanto ódio no seu coração pode te fazer mal. – ele dera outra daquelas risadinhas inoportunas e irritantes, mas ao mesmo tempo gostosas de se ouvir, Hermione congelou, tentando manter a calma, já sem conseguir muita coisa, deu as costas e foi embora.

- Você me paga Malfoy. – Ela disse quando já estava quase fora de vista dele. Rosnou alto ao ouvir outra risada, dessa vez mais alta e mais longa.

Passou-se um dia, Hermione não quis nem olhar para Draco, evitou que seus olhares se cruzassem por toda a segunda-feira, porém na terça de manha algo aconteceu. Enquanto todos faziam sua refeição matinal o correio coruja chegou, trazendo presentes para uns, cartas para outros e como de costume o Profeta diário para Hermione e para mais muitos alunos. A castanha pegou seu exemplar e quase engasgou a ler a manchete. Uma grande foto de Lucius e Narcisa Malfoy estava estampada na primeira página, os dois sorriam e acenavam para as câmeras. Sob a foto estava o titulo "A re-ascensão dos Malfoy", ainda intrigada ela começou a ler.

A re-ascensão dos Malfoy.

"Nessa segunda-feira dia 28 de Setembro, foi finalizado o julgamento de Lucius Malfoy, o bruxo estava sendo julgado por fazer parte do grupo de comensais da morte que apoiavam aquele-que-não-se-deve-nomear, depois de passar quase um ano detido em Azkaban, Lucius agora pode retomar sua vida normal. O julgamento levou cerca de dois meses e provas foram reunidas. Sua casa que estava confiscada por ser apontada como Quartel General do Lord das trevas, foi liberada para que os Malfoy possam voltar a ocupá-la. Lucius Malfoy tinha fama de ser um bruxo muito habilidoso, sendo representante de uma das últimas famílias de sangue-puro da Inglaterra ele sempre demonstrou orgulho de ser assim. Ainda que nenhuma atitude "anti-trouxa" tenha sido comprovada, várias pessoas afirmam que ele e sua família, não gostam de nascidos trouxas. Em rápidas palavras ele afirma que "Eu não fui influenciado pela Maldição Imperius, tudo que fiz foi de forma consciente, o Lord das Trevas era uma pessoa ardilosa e convincente, implantou uma idéia errada na cabeça de muitos que viam nele a esperança de deixar a clandestinidade" Quando perguntamos sobre o que faria de sua vida daqui para frente, ele respondeu que "Quero voltar a viver normalmente, voltar ao meu emprego e voltar a ser respeitado como bruxo que sou" quanto ao seu filho Lucius espera que "Faça escolhas melhores que as minhas e que tenha um bom futuro". De agora em diante, com sua fortuna em mãos novamente, ao lado de sua mulher e filho Lucius Malfoy tem a chance de recomeçar do zero."

Por Patrícia Mcnell.

Ao terminar de ler o artigo Hermione ficou boquiaberta, não espera mesmo que Lucius Malfoy fosse absolvido, por outro lado sabia que no fundo não eram pessoas ruins, apenas com valores tortos e costumes errôneos. Passou o jornal para Harry e o amigo começou a ler em silêncio, Gina que estava ao lado dele espiando a foto e as palavras em destaque. A castanha procurou Draco com os olhos pela primeira vez depois da palhaçada de domingo. Ele que estava sempre sozinho durante as refeições dessa vez estava acompanhado.

Vários sonserinos saudavam o "amigo", apertavam-lhe a mão e sorriam como se toda aquela hipocrisia não existisse. Hermione sustentou o olhar para ele, mas não foi retribuída, o garoto por outro lado parecia muito contente por ter pessoas a sua volta, era como um renascimento social, ele tinha passado quase um mês sendo excluído e esquecido pelos antigos companheiros, mas agora com a noticia da inocência de seu pai e a volta de sua mansão e fortuna, Draco era novamente um "cara legal" alguém que merecia respeito.

Enquanto observava a cena Hermione sentiu o estômago revirar, um gosto amargo lhe subiu até a boca e seu coração bateu em um descompasso estonteante. Pansy Parkinson se juntou ao grupo que agora paparicava Draco, a menina empurrou um dos batedores do time da Sonserina para fora do banco, podendo assim sentar-se ao lado do Loiro. Suas mãos ágeis, o abraçaram, trazendo o rosto dele para perto de sua boca, os lábios dela pressionaram a bochecha do garoto demoradamente, e a cada segundo que aquele beijo durava o coração de Hermione se apertava no peito, causando uma sensação horrível de borboletas assassinas no estômago. Mesmo que em seu rosto a expressão fosse de espanto e até repulsa, Draco não afastou Pansy, que agora falava algo baixo em seu ouvido.

Hermione já não agüentando mais essa cena horrível, levantou-se, deixando um copo de suco de abobora cair sobre a mesa, juntou sua mochila e saiu apressada do salão principal, seu coração pulsando fortemente em seu peito e um nó largo e apertado se formou em sua garganta. Andou para o lugar mais longe que pôde a raiva tão grande que ela nem se quer notou que sua angustia era ciúmes.

Continua...

N.A: Acho que não tenho muitos comentários sobre esse capitulo, finalmente a Hermione está notando que tem sentimentos pelo Draco. Sempre penso que os dois fazem parte de mim, tenho meu lado Hermione e tenho meu lado Malfoy, depende do meu humor consigo escrever mais o lado dele ou mais o lado dela, sim isso é complexo e até parece loucura, mas é assim que é UHSAUHAS. Fico contente com as reviews que recebo, mas vou fazer um papel que não gosto muito, só posto o próximo capitulo se receber mais reviews, as pessoas estão lendo e não estão comentando. Vocês são meu termômetro, se não me falarem o que está bom ou ruim não vou saber se estou acertando. Então é isso se eu não receber reviews eu não vou postar u.u E tenho dito. HUSAUHS'

Agradecimentos as reviews de: Sra. Evans, Cyelly, Miss Black-Lupin Potter-Malfoy, Nayla Mony, Perola Negra, Angel Tonks, geb101, - Cricket, Carool, May, aline, Claudia Malfoy, Lady Malfoy, Kawany Weasley.

Beijos, Bri.