Capitulo VII – Who we are Part I
And we break and we burn
(E nós quebramos e queimamos)
And we turn it inside out
(E nós viramos no avesso)
To take it back to the start
(Para fazer isso voltar ao começo)
And through the rise and falling apart
(E através dos altos e baixos)
We discover who we are
(Nós descobrimos quem somos)
Hermione estava totalmente fora de controle, não sabia por que se sentia tão mau ao ver Draco e Pansy juntos, já tinha presenciado essa cena inúmeras vezes durante sua vida escolar, os dois sempre foram "namorados" ou pelo menos ela estava sempre correndo atrás dele. A verdade é que ela queria uma atitude da parte de Draco, afinal Parkinson nunca esteve o apoiando quando foi mais necessário, ele tinha ficado sozinho todo esse tempo e de repente quando uma noticia sai no jornal, à fortuna volta para sua família, a sujeitinha começa a se insinuar novamente. O maior problema nisso não era ela, era ele... Poxa era quase inacreditável que ele aceitasse a bajulação desses falsos, não era possível que não soubesse que aqueles "amigos" eram interesseiros.
Enquanto sua cabeça trabalhava em mil maneiras de apagar Draco Malfoy de dentro dela, Hermione foi surpreendida por Rony, o garoto tinha se aproximado e ela nem notara, com um pequeno sorriso no rosto ele sentou-se no peitoril da janela e a fitou de forma curiosa, sorrir de volta foi inevitável para ela.
- Você está bem? – Ele disse baixo, Hermione respondeu apenas com um aceno de cabeça. – Está assim por causa do Malfoy? – A pergunta fez as borboletas no estomago de Hermione, começarem a bater as asas em todas as direções, ela era péssima mentirosa, mas principalmente não queria mentir para Rony.
- Mais ou menos, - Ela disse de forma sincera, percebeu o olhar triste de Rony e se apressou em continuar. – não é nada disso que sua cabeça ciumenta está pensando Ronald. Essa historia do pai dele ser absolvido, sei lá, me deu a impressão de que todos os comensais vão ter acesso livre às ruas. Não quero outra revolução, minha vida não suporta mais essas coisas.
- Eu também pensei isso, mas Hermione nós vimos o desespero dos Malfoy durante a guerra, até na casa deles nós estivemos, você sabe que eles não apoiavam mais Voldemort. – Rony tentou ser coerente, e ouvir palavras assim vindas dele era surpreendente, tão surpreendente que Hermione não pode evitar uma cara de espanto. – Ei, não faz essa cara, é verdade não é? – Rony parecia envergonhado e Hermione riu-se
- Sim você tem razão, mas não é só isso que me incomoda... – Ela iria começar a falar sobre Harry, mas sabia o quanto esse assunto poderia arruinar a, já frágil, relação que tinha com Rony, se segurou e desviou o olhar do dele.
- É o Harry não é? – Rony disse sem olhar para ela, apenas fitando a paisagem através da janela. O silêncio que recebeu em resposta o fez prosseguir. – Eu detesto ter que falar isso, mas ele está estranho demais Hermione, você que passa menos tempo com ele do que eu e Gina pode não ter presenciado, mas ele tem agido muito mau, está sempre bravo, irritado, estúpido com a minha irmã, esses dias quase dei um soco na cara dele por conta disso.
- O que você acha que é? Voldemort? – Hermione se virou para Rony, ela estava aflita, se Rony tinha percebido algo de diferente em Harry ela não poderia mais se negar a acreditar que realmente havia algo de estranho acontecendo.
- Não sei... Às vezes penso que sim, outras penso que não, sinceramente não sei. – Rony viu o rosto de Hermione ficar mais triste e uma lágrima correr pelo rosto dela, usou um dos dedos para enxugar a lágrima e a puxou para um abraço, foi retribuído e a garota afundou o rosto entre seu ombro e pescoço.
- Eu não quero mais Rony, estou cansada dessas coisas acontecendo, eu só queria ter um ano de paz – Enquanto falava ela tinha os cabelos acarinhados pelo "amigo", seus soluços de choro sendo abafados pelo corpo dele, onde ela se segurava com força, como se fosse cair se acaso solta-se. – Esse ano deveria ser perfeito, eu já me meti em problemas, terminei com meu namorado, e agora Voldemort está de volta na pele do meu melhor amigo, não agüento mais Rony, eu não agüento.
- Calma Mione, nós vamos dar um jeito nisso, sempre resolvemos todos os problemas, tenho certeza de que com esse não vai ser diferente, vai dar tudo certo – O ruivo apertava Hermione contra seu corpo, fazendo ela se acalmar, logo os soluços foram diminuindo até que ela apenas respirava pesadamente contra a clavícula dele.
Draco estava se sentindo sujo, enojado, enjoado. Na primeira oportunidade que teve se livrou dos pseudo-amigos e foi atrás de Hermione, não sabia o por que faria isso, mas a visão da castanha lhe parecia reconfortante, diria qualquer coisa a ela, algo que a fizesse ficar irritada, ver o jeito como ele ficava já o faria sentir melhor, porque acima de tudo as emoções que ela transmitia eram sempre verdadeiras. Procurou a em todos os lugares e se lembrou que ela sempre ia parar nos jardins quando estava triste, talvez desse sorte e a encontraria lá, foi andando até lá o mais rápido que pode sem correr. Quando finalmente chegou ao corredor que dava acesso aos jardins viu uma cena que fez seu estomago revirar e sua sensação de enjôo piorou.
Rony e Hermione estavam abraçados, os dois ali, naquele momento intimo e bonito, o ruivo a segurava pelas costas com uma das mãos e a outra usava para amaciar os cabelos castanhos dela. A vontade que teve era de amputar as duas mãos do garoto para que ele nunca mais pudesse usá-las para tocar em Hermione, a garota por outro lado parecia frágil e sensível, como estava no dia em que a fez dormir em seu colo. Esse Weasley filho de uma puta, esse lugar pertencia a mim, deveria ser ele a abraçá-la naquele momento, era uma função que ele poderia exercer sem muito esforço.
Já sem agüentar mais foi embora, ou acabaria fazendo algo de que provavelmente iria se arrepender depois, seus passos até a aula de poções foram os mais longos e demorados de sua vida, sua cabeça não parava de pensar em quanto queria matar Ronald Weasley e mataria Granger também, por ser tão burra e deixar que um idiota como aquele chegasse perto dela. Sua fúria não passou despercebida, os sonserinos que agora se arrebanhavam em volta de Draco, sofreram muito com a ira do garoto no decorrer do dia.
Estando de volta ao poder ele pôde fazer tudo aquilo que sentia falta, de dar ordens até falar coisas engraçadas para que todos dessem risadas. Por várias vezes disse coisas sem sentido e sem graça e mesmo assim recebeu as mesmas gargalhadas em resposta. Cada segundo que passava ele notava o quão falsos eram seus amigos. Sentiu nojo daquelas pessoas. Provavelmente estavam puxando saco do garoto apenas porque seus pais eram subordinados de Lucius Malfoy no Ministério da Magia. Chegou a sentir inveja de Hermione e seus amigos, afinal eles poderiam não ser ricos e perfeitos, mas sabia que um nunca abandonaria o outro, mesmo nas horas mais difíceis eles sempre estavam juntos.
Durante o almoço Draco cruzou com Hermione em um corredor, ela o encarou com um desprezo, olhar que ele não recebia dela há muito tempo. Seu corpo todo gelou de repente e seu coração bateu descompassado. Teve vontade de perguntar o que diabos estava acontecendo com ela, mas logo Ronald Weasley emparelhou com ela no corredor e os dois seguiram o caminho oposto ao de Draco, que teve que se segurar para não estuporar o ruivo pelas costas.
Hermione estava odiosa aquele dia, não entendia como Rony ainda conseguia ficar perto dela. Tudo que ela fazia era com raiva, usou tanta força para escrever que sua pena rasgou seu pergaminho por diversas vezes. Xingou três alunos do segundo ano durante um intervalo de aula porque eles não estava usando gravatas. E seu humor piorou consideravelmente quando passou por Draco e seus amigos durante a hora do almoço, todos eles riam animadamente e Pansy estava quase sentada no colo do loiro.
Depois de ter cruzado com o sonserino no corredor, a castanha piorou ainda mais, agora atirando seus livros na parede, para extravasar toda aquela fúria contida, ela pretendia gritar, mas só o estrondo dos livros já havia chamando muita atenção, pegou seu material e continuou a andar, pisando no chão com força.
- Cuidado, não vai querer abrir um buraco no chão de Hogwarts – Rony dera uma gargalhada, ao notar que não havia sido acompanhado por Hermione ele se calou. – O que você tem afinal Hermione? Porque está tão brava assim?
- TPM, TPM, SABE O QUE É T.P.M? – Ela gritava e ele a olhou assustado, encolhendo um pouco os ombros.
- Ok, me desculpa, vou te deixar sozinha então, até mais tarde – O ruivo aproveitou a deixa de estar ao lado de uma das passagens secretas que aprendeu no mapa dos marotos se despediu da amiga. Ainda pôde ouvir um "VAI TARDE JÁ" que Hermione gritou e apenas riu sozinho.
Ela continuou seu caminho pelo corredor até chegar à biblioteca, estava tão tenta que seus ombros estavam pesados. Iria sentar-se e relaxar um pouco, afinal a biblioteca era ainda um dos únicos lugares onde ela poderia encontrar paz. Caminhou devagar até seu canto escondido, quase ninguém iria até lá, mas não sabiam o que perdiam, havia duas poltronas verde-musgo, seu tecido era puído, mas mesmo assim seu estofamento era confortável, entre as duas poltrona tinha uma mesa de centro, sua madeira escura e levemente arranhada era perfeita para deixar os livros, ou para usar de apoio quando se sentava sob o tapete de um branco um pouco encardido. Ai perto uma janela de vitrais deixava a luz do sol penetrar durante quase todo o ano. Era seu recanto, o lugar mais perfeito, e o melhor era quase exclusivo.
Hermione deixou sua mochila sobre a mesinha, sentou-se de lado como gostava de fazer, deixando as pernas penduradas sob o braço da poltrona, apoiou a cabeça no encosto macio da cadeira e fechou os olhos, ficou mais de meia hora ali, não estava dormindo, sua cabeça estava cheia demais para que ela se sentisse relaxada o suficiente para isso, mas pode aproveitar o silêncio e a tranqüilidade daqueles momentos.
A castanha escutou alguns passos, mas ignorou, sabia que quase ninguém entrava tão fundo na biblioteca e provavelmente não a incomodariam, aproveitou para se ajeitar melhor na poltrona quando ouviu uma voz arrastada e um pouco alta demais que explodiu em seus ouvidos, ela apressou em abrir os olhos já tendo a certeza de que era Draco Malfoy
- Dormindo aqui outra vez? – Ele dissera se sentando na poltrona a frente dela.
- O que você quer ein? Porque veio me perturbar? – Hermione sentou de forma correta na cadeira podendo encarar o loiro, sua vontade de matá-lo crescendo a cada segundo mais.
- Porque está agindo assim Granger? Qual é o seu problema? – O loiro a encarou de forma séria e seu olhar foi sustentado por ela.
- Não é da sua conta as minhas atitudes, e meu único problema no momento é você.
- Agora que voltou com seu namoradinho vai ficar me tratando assim? Está recebendo ordens dele Granger? Eu não sabia que você era dessas. – Draco cuspia as palavras, Hermione fez uma careta de dúvida e ódio ao ouvir as empáfias que ele dizia.
- Que namoradinho? Está bêbado Malfoy? E as coisas que você não sabe sobre mim dariam para escrever um dicionário. – Hermione se levantou, agarrando sua mochila e dando o primeiro passo para sumir da frente dele, porém o loiro foi mais rápido e a agarrou pelo braço a forçando a ficar de frente com ele
- Eu vi você o Weasley, Granger, não seja mentirosa, estavam se abraçando. – Usando as duas mãos ele a prendia pelos braços, evitando apertar com muita força, apenas o suficiente para que ela não pudesse escapar.
- Sim, ele é meu AMIGO. – Hermione se debateu um pouco tentando se soltar das mãos dele, mas foi inútil uma vez que ele era mais alto e mais forte. – Sinto que você só saiba o que é conviver com pessoas falsas, e ainda mais fique feliz com isso, eu vi você com a Parkinson, estão relembrando os velhos tempos?
- Ciúmes Granger? – Draco dera uma risadinha e involuntariamente a trouxe para mais perto, seus rostos tão próximos que ele podia sentir o hálito dela.
- Eu? – Ela dera uma gargalhada – É você quem está me segurando porque me viu abraçando o Rony. – Como se tivesse levado um balde de água fria Draco a soltou, Hermione se afastou meio passo e os dois ficaram se encarando.
- Não seja convencida Granger, eu jamais teria ciúmes do Weasley.
- Ah não? De quem teria ciúmes então? Talvez Harry Potter? Ou que garoto mais não pode se aproximar de mim? – Draco sentiu o coração falhar uma batida, sua frase tinha saído com outro sentido, não sabia o que dizer, não poderia mostrar desespero, mas ficar calado era confirmar o que ela estava dizendo.
- Por favor, Granger pare de sonhar, e principalmente pare de distorcer minhas palavras. – Ele dera uma gargalhada um tanto forçada e ela não pareceu muito convencida.
- O que você quer aqui afinal? – Hermione, o encarou novamente, ainda estressada. Continuaram parados, apenas se olhando.
- Não preciso te dar explicações, a biblioteca é livre, todos podem usar sabia?
- Porque você não se mata Malfoy? – Hermione arrumou a mochila nas costas e cruzou os braços.
- Porque VOCÊ não se mata Granger, afinal que diferença você faz no mundo?
- Ok, eu tenho coisas mais importantes a fazer, se você me dá licença. – Ela deu as costas conseguiu se afastar alguns passos, mas antes que pudesse sumir da visão dele, foi interrompida.
- Temos um trabalho Granger. – Draco falou alto, mas sabia que não precisava dizer mais nada pra que ela parasse de andar e voltasse a olhá-lo.
- Você sempre com essa "Temos um trabalho, Granger" - Hermione fez uma imitação caricata da voz dele e o loiro ergueu uma sobrancelha. – Você acha que eu sou o que? Seu capacho? – Em resposta Draco dera um sorriso. – Ah você acha! Pois eu tenho novidades, eu não estou afim de fazer essa porcaria de trabalho agora, então vamos fazer quando eu estiver afim de fazer. – A cada palavra ela se aproximava meio passo, quando terminou de falar já estava a trinta centímetros de distancia dele.
- Você fala demais, e isso me irrita. – Draco disse em uma voz baixa e um pouco rouca, ela se assustou e ele a pegou pelo braço a trazendo mais perto. – Eu não queria fazer isso, mas você me obriga garota. – Hermione ia abrir a boca para perguntar o que ele ia fazer, mas não teve tempo, sua nuca fora agarrada pela mão fria e um pouco áspera. Sua boca se chocou de forma tensa com os lábios finos e acolhedores dele. Todo seu corpo pareceu esquentar de repente, e sua respiração ficou descompassada.
A principio, o beijo não se aprofundou, Draco apenas apertava os lábios de forma precisa, sugando a parte inferior da boca dela com vontade. Viu por entre as pálpebras ela franzir o cenho enquanto ele sugava sua boca. Sem resistir mais a tentação do hálito doce que ela tinha, ele a beijou mais profundamente. Sua língua deslizou devagar de encontro a dela, sentiu o corpo da menina tremer de leve com o contato e a puxou para mais perto de si. Podendo assim sentir o calor que ela emanava, e o perfume de morango que vinha de toda parte. As mãos frias do garoto seguraram a cintura fina por cima da camisa do uniforme, mas mesmo assim, elas sentiam a pele levemente morena dela queimando.
Draco se surpreendeu quando a mão delicada e macia o tocou no rosto, seus instintos gritaram de repente e ele pressionou mais o corpo dos dois, fazendo o contato entre o quente e o frio aumentar, tudo ali se misturava, as línguas dançavam uma contra a outra e sentir o gosto da boca dela era perfeito demais, tão perfeito que chegava a doer. Era estonteante, precisava respirar, mas não se importava, puxava o ar pelas narinas de forma tensa e o cheiro da pele dela que vinha junto com o ar era desesperador, ele queria mais. Muito mais.
Hermione sentia o corpo arder, sabia que a essa distancia ele poderia sentir, provavelmente qualquer pessoa a cinco metros dela também sentiria. O cheiro de perfume refrescante e ao mesmo tempo um pouco forte a faziam perder o controle. Cada movimento que a mão dele fazia em sua cintura, deixa os sentidos da menina descontrolados, queria sair correndo daquele beijo e ao mesmo tempo queria abraçá-lo mais forte, trazê-lo mais perto e se deixar levar pela língua que agora dominava a sua, em uma dança quase sem fim, sua mão foi se apoiar na face do garoto, seus dedos sentiram a barba nascendo perto da mandíbula.
Suas unhas contornaram a curva do pescoço que imediatamente se enrijeceu. Sentiu a cintura ser totalmente envolvida pelos braços dele, agora só podia tocar o chão com as pontas dos pés. E aquele beijo parecia não ter mais fim, a cada segundo que passava os dois se prendiam mais um no outro. Sem ter mais noção Hermione repuxava de leve os cabelos lisos e macios dele. As línguas se mexiam uma contra a outra em um leve desespero. Já sem fôlego ele foi obrigado a terminar o beijo com uma mordida demorada no lábio inferior de Hermione que soltou uma exclamação baixa com o ato.
Ainda sem se atreverem a abrir os olhos, Draco desceu de forma lenta Hermione até o chão. As bocas ainda muito próximas, as respirações tensas e ofegantes, os dois ficaram abraçados, evitando se mexer demais. Estavam constrangidos, não tinham nada pra dizer um ao outro, não tinham explicações, nem xingamentos, não havia palavras no mundo que pudessem ser ditas sem estragar esse momento. Então ele se afastou e ela também. O castanho encarou o cinza. Os dois consentiram em ir embora em silêncio. Hermione agarrou a mochila e saiu apressada. Draco ficou parado, sentindo o corpo se arrepiar só de lembrar, do que tinha acontecido.
Hermione sentia o rosto afogueado enquanto corria pelo castelo, como se uma corrente elétrica estivesse percorrendo seu corpo, ainda sem ter recuperado a respiração ela chegou em frente ao quadro da mulher gorda. Parou por um instante, puxando todo o ar que podia na tentativa de se acalmar. O quadro a encarava de forma estranha.
- Tudo bem senhorita Granger? – A Mulher de formas roliças e sorriso meio forçado a perguntou com uma voz horrivelmente aguda que feriram os ouvidos de Hermione.
- Sim, eu só corri... Corri demais. – Hermione tentou retomar a postura, sua respiração um pouco mais normal. – Pena de Fênix. – Disse a senha e a passagem para o salão comunal se abriu, assim que entrou foi avistada por Gina e Rony que sorriram abertamente à ela. Os dois fizeram sinal para que ela se aproximasse, a castanha hesitou, na verdade queria ficar sozinha e tentar entender o mais recente acontecimento.
- Nossa! Você está bem Hermione? – Gina perguntou, com um sorrisinho perigoso dançando nos lábios.
- E-eu... Eu estou ótima, porque pergunta Gina? – Fingindo muito mal uma tranqüilidade ela sentou-se no braço da poltrona ao lado de Rony.
- Hum podemos conversar a sós? – A ruiva não esperou uma resposta, passou pela amiga e a puxou pelo braço, deixando Harry, que também estava lá, e Ron curiosos, as duas subiram apressadas para o quarto. – Tudo bem, quem você estava beijando? – Ao ouvir a pergunta a castanha arregalou os olhos e sentiu o rosto esquentar de vergonha.
- Você está louca Ginevra? – Hermione disse um tanto alto, sua voz escandalizada. – Como assim quem eu estava beijando?
- Qual é Hermione eu conheço os sintomas. – Gina dera uma risadinha abafada. Percebeu que a amiga iria perguntar o que seriam esses sintomas e resolveu responder antes. – Boca vermelha e um pouco inchada, camisa amarrotada, cabelos meio despenteados, hum, deixe me ver o que mais. – a ruiva pareceu meditar um momento e observou Hermione. – Ah claro, essa respiração, esse brilho no olhar. Admita Granger, você estava dando uns amassos por ai.
A Castanha não sabia o que responder, não sabia se poderia contar a verdade para Gina, mas sabia que tentar negar era inútil, porém dizer que era Draco Malfoy o garoto com quem ela estava se "amassando" poderia causar um mal estar entre as duas. Não gostava de mentiras, mas dizer a verdade era complicado. Estava perdida e sem saída. Hermione respirou fundo antes de responder.
- Ok Gina, mas não me mate, muito menos conte ao seu irmão. Ou conte à qualquer pessoa. Lembra que eu te disse que o Malfoy tinha me beijado um dia quando eu briguei com Ron? – A ruiva a encarou com outro sorrisinho perigoso – Ok, se acalme, já aconteceram outros beijos e eu não sei qual é a dele. – Hermione começou a andar em círculos pelo dormitório enquanto falava. – Sinceramente eu nem sei qual é a minha, do nada esses beijos acontecem e eu não sei o que dizer, não sei o que fazer, não sei como encará-lo depois disso...
Enquanto ouvia o relato da amiga, Gina caiu na gargalhada, a ruiva ria tão alto que nem quando levou um tapa de Hermione conseguiu parar. Depois de alguns minutos de gargalhada sem fim, a menina finalmente parou e respondeu à amiga.
- Vamos lá, não posso dizer que você esteja apaixonada, – Hermione fez uma careta ao ouvir a palavra "apaixonada". – mas eu sei que pelo menos atração física existe entre vocês dois. Então amiga, o que vai fazer? Pegar o Malfoy só de vez em quando ou descobrir o porquê dessa atração?
- Nenhum dos dois, esses beijos não podem mais se repetir. Eu não gosto do Malfoy e ele não gosta de mim, deve ser uma doença mental repentina. Isso vai passar. – Hermione sentou na própria cama e fez um bico emburrado.
- Você tem que parar de viver mentindo pra você mesma, que saco Hermione. Isso não é viver, vai à luta descobrir o que ele sente, descobrir o que VOCÊ sente. – Gina sentou-se ao lado da amiga e as duas ficaram se encarando. – Eu sei que está confusa, não estou dizendo para fazer isso agora, mas eu espero que você faça.
- Tudo bem obrigada, mas não conte a ninguém, por favor. – Hermione encostou à cabeça no ombro de Gina que a abraçou, as duas ficaram ali mais um tempo até que a ruiva começou a fazer um interrogatório sobre o beijo de Draco e a Castanha voltou a ficar vermelha se recusando a falar sobre o assunto.
A essa altura o mês de setembro já havia ido embora, estavam quase na metade de outubro e quanto mais o tempo passava mais frio ficava, já era de se prever um inverno muito rigoroso afinal ainda era outono e a temperatura não conseguia passar dos 10º durante o dia. Hermione e Draco haviam se distanciado bastante depois do beijo caloroso na biblioteca, quando se encontravam para fazer o trabalho, que por sinal ainda não havia começado efetivamente, mau se encaravam ou conversavam, e os boatos diziam que o Loiro estaria novamente namorando Pansy Parkinson, os dois eram sempre vistos juntos. Isso irritava Hermione que evitava se encontrar com os dois.
Dentro de alguns dias seria halloween e a diretora havia anunciado um evento surpresa, Hermione agradeceu mentalmente, pois com a cabeça ocupada a diretora não iria lembrar-se de seu projeto que ainda permanecia um projeto. A verdade é que os alunos que poderiam participar não haviam se inscrito, ou por serem tímidos demais ou por não acreditarem na capacidade de Draco e Hermione ensinarem algo a eles. A última opção era bem mais provável, já que por vezes ela ouvira comentários sobre os cartazes que estavam espalhados pelo castelo.
Quarta-feira era o dia mais chato da semana, portanto o dia mais demorado de todos a passar. Logo após o almoço os alunos buscavam os corredores dos andares inferiores do castelo, pois esses eram mais quentes e confortáveis. Como haviam demorado a sair do salão principal Hermione e seus amigos foram obrigados a ficar nos jardins, tinham as próximas aulas nas masmorras e subir não compensava. Enquanto os quatro amigos se espremiam em um frio banco de pedra para tentar afastar o frio puderam ver Draco e seus amigos, eles sentaram em um banco próximo, e Hermione sentiu nojo ao ver Pansy sentar-se no colo de Draco, que não pareceu gostar muito da atitude, mas, no entanto não a afastou.
Harry mirava os sonserinos com ódio e Hermione que vinha sempre o observando não pôde deixar de notar. Uma tensão parecia ter sido criada entre Sonserinos e Grifinórios e possivelmente logo surgiria uma briga se não tivessem sido interrompidos por um barulho muito alto de objetos se chocando. Todos se viraram em busca da origem do som, tanto os alunos que estavam no jardim, quanto aqueles que ocupavam o corredor. Logo pode se avistar uma comitiva de pessoas que caminhavam pelos jardins em direção ao castelo.
Mulheres com roupas muito coloridas usavam as varinhas para empurrar magicamente grandes araras de roupas, todas caminhavam impecavelmente, desfilando sobre seus sapatos de salto alto e suas saias justas e um tanto compridas. Todos os alunos olhavam a comitiva, admirados, cochichando sobre o que estava acontecendo. Quando a diretora surgiu na porta do salão principal, sendo acompanhada de alguns professores. No final da comitiva, um pequeno cocho de carruagem que aparentemente só cabia uma pessoa trazia um homenzinho, de não mais que um metro e meio de altura, suas vestes em um roxo berinjela berrante e cintilante. Em sua cabeça uma cartola no mesmo tom de suas roupas, porém cravejadas de grandes pedras que refletiam a fraca luz do sol cegando muitos.
Mcgonagall se aproximou da carruagem, que era arrastada por um cavalo absurdamente grande e negro, estendeu a mão ao pequeno homem e o ajudou a descer da carruagem. Com um grande sorriso no rosto que parecia ser feito de porcelana ele abraçou a diretora, o topo de sua cabeça quase nos cotovelos da mulher, que meio sem graça retribuiu o abraço.
- Oh Minerva quanto tempo não te vejo, você está ótima como sempre. – A voz do homem era um tanto afeminada, e sua forma de falar demonstrava uma grande admiração pela diretora.
- Obrigada Ned, você também, sempre elegante, não? – A diretora deu um sorriso e enlaçou o braço do homem, que a seguiu para dentro do castelo, os dois batendo um papo animado e a essa altura todos os alunos olhavam muito curiosos o que estava acontecendo. Um homem vestido de preto se encolheu para entrar na pequena carruagem e a levou embora. Uma mulher meio despenteada veio correndo logo após, atropelou os alunos que estavam em seu caminho e se precipitou até chegar ao pequeno homem que a olhou com desgosto.
Logo o sinal havia tocado e os alunos tinham que se dirigir para a próxima aula, todos foram com má vontade, queriam saber do que se tratava aquelas roupas e aquele homem, que para Hermione era um total desconhecido.
- Quem era aquele? – A castanha perguntou a Gina e juntou suas coisas para ir embora.
- Não conhece? Não acredito. – Gina dera uma risada um tanto alto. – Alguém que Hermione Granger não conhece, que milagre.
- Sinal de que ele não é alguém importante, porque se fosse eu saberia. – A castanha dera um sorrisinho vitorioso e a amiga fechou a cara.
- Acho que você tem passado tempo demais perto da boca do Malfoy, está começando a falar igualzinho a ele. – Hermione arregalou os olhos ao ouvir o que Gina tinha dito, e ruiva dera outra gargalhada. – Cuidado seus olhos vão cair Hermione, relaxa ninguém escutou. Voltando, aquele é Ned Flanders, ele é um estilista bruxo muito famoso. As roupas dele são as mais caras que eu já ouvi falar. O que ele faz aqui eu já não sei.
- Pra você qualquer trapo velho é caro, Weasley pobretona. – A voz esganiçada e irritante de Pansy Parkinson estralou nos ouvidos de Gina e Hermione, que se viraram para encará-la, pouco atrás estava Draco, que mantinha o olhar fixo na castanha.
- Olha a Parkinson parou de latir e aprendeu a falar, que bonitinho, quer um biscoito? – Gina respondeu batendo palmas, como se chamasse mesmo um cão. Hermione caíra na gargalhada ao lado da ruiva e pode jurar que viu Draco dar um pequeno sorriso.
- Você não tem medo de morrer sua traidora do sangue? Para mim você é pior do que essa sangue-ruim nojenta do seu lado. Como pode se misturar com gente desse nível? – Pansy cuspia as palavras, sua voz falhando ao subir de tom.
- Sério, você poderia trocar o disco, esse blá-blá-blá sobre sangue já era garota, ninguém mais pensa nisso. – Gina jogara os cabelos para trás e deu as costas para Pansy que sacou a varinha para enfeitiçá-la, Hermione foi mais rápida e a desarmou.
- Que feio Parkinson, atacando as pessoas pelas costas. – Hermione a encarava firmemente enquanto ainda empunhava a varinha.
- Sua sangue-ruim nojenta. – Pansy avançou sobre a castanha, as mãos cerradas em punho, sem ter muito tempo para reagir Hermione ficou parada esperando o ataque que não aconteceu. Draco havia puxado a morena pela camisa do uniforme para trás.
- Cala a boca Parkinson e some da minha frente agora. – Draco largou a menina que quase caiu no chão, Pansy encarou o loiro que sustentou o olhar furioso. Todos pareciam muito surpresos com a atitude, mas o menino abriu espaço entre a multidão e tomou seu caminho para a próxima aula.
Durante o resto do dia só se ouvia dois assuntos no castelo, a chegada do estilista e Draco Malfoy impedindo Pansy de bater em Hermione. Harry e Ron interrogavam a amiga na tentativa de descobrir o motivo da defesa de Malfoy, porém a castanha sabia menos que eles, pois também não havia entendido a atitude dele.
Com tanta agitação a quarta-feira passou mais rápido do que normalmente, logo estava na hora do jantar e todos os alunos se reuniram no salão principal. Na mesa dos professores estava sentado o pequeno homem, ele parecia contentíssimo em estar naquela posição, enquanto comia observava o salão apinhado de alunos e era observado de volta. Todos curiosos para saber o motivo da presença do estilista.
Depois algum tempo que a sobremesa fora servida a diretora se levantou acompanhada do amigo e chamou a atenção de todos.
- Tenho a certeza de que todos estão muito curiosos sobre a presença de um dos meus alunos mais brilhantes e queridos, Ned Flanders, aqui hoje. – Todos os alunos deixaram seus pudins de chocolate e ouviam atentamente as palavras da diretora. – Bom creio eu que todos sabem qual a profissão do nosso convidado, para os desinformados ele é um grande estilista de roupas bruxas. Ned fora aluno de Hogwarts anos atrás e desde aquela época sempre inventava moda com os uniformes. – a diretora fez uma careta de desgosto, mas o homem dera uma risadinha e ela prosseguiu. – Como eu já havia dito esse ano o baile de Halloween será diferente, antes do baile propriamente dito, teremos um desfile com as novas roupas de Ned. O mais importante é que os alunos e alunas serão os modelos.
Assim que a diretora terminou de falar o salão explodiu em cochichos, todos os alunos falando e comentando ao mesmo tempo, Hermione achou aquilo tudo muito impróprio, afinal Hogwarts era uma escola não um picadeiro de circo. Depois disso, ela havia parado de prestar atenção, voltando a comer seu pudim e ignorando os gritinhos das amigas grifinórias. Pode reparar que Harry, Gina e Rony também desistiram do discurso que agora era feito pelo tal Flanders.
- Não vai querer participar Gina? – Hermione perguntou se divertindo da cara da amiga.
- Não! Eu já namoro Harry Potter, sou mais famosa do que gostaria. – Gina dera uma gargalhada, e fora acompanhada pelo irmão e a amiga, porém Harry fechou a cara.
- Está incomodada Gina? – Harry falou um tanto sombrio. – Se estiver pode arrumar outro que não te traga problemas de celebridade.
- É Harry, talvez eu arrume outro. Alguém que saiba falar direito comigo por exemplo. – Gina encarava o namorado, que deu um sorrisinho sarcástico que não lhe era característico.
- Vá em frente, todos nós sabemos que arrumar outro nunca foi problema para você, do jeito que é rápida terá um novo brinquedinho em cinco minutos. – Harry cerrou os dentes e Hermione pode ver lágrimas brotando dos olhos de Gina que não soube o que responder.
- Cala a boca Potter, - Hermione ouviu um barulho de copo se quebrando e logo após a voz alta de Rony ao seu lado. Virou-se para encarar o ruivo e viu suas orelhas muito vermelhas, o garoto se levantou e apontou o dedo para Harry – se falar da minha irmã outra vez eu...
- Você o que? Vai me bater Weasley? – Harry havia se levantado também, os dois amigos se encarando, separados apenas pela mesa de madeira. – Queria ver você tentando, seu covarde, nunca teria chegado a lugar nenhum se não fosse por mim. Eu fiz sua fama Rony, você sabe disso.
- Pois enfie sua fama no rabo Potter, se abrir a boca para falar com a minha irmã desse jeito outra vez, vou fazer você engolir meu punho. Estou pouco me importando com a sua fama e seu poder "Oh grande Harry Potter". Pois eu sei da historia que ninguém conta. – Rony não se intimidou, seu dedo continuou erguido em direção do rosto de Harry. – Se eu ver você por perto da Gina outra vez, vai apanhar tanto que só vão se lembrar dessa sua carinha bonita por fotos.
- Estou tremendo de medo de você Rony, o grande bobalhão, não se meta no meu namoro, só porque você não sabe segurar uma garota não ache que eu sou igual. Hermione foi esperta em se livrar de um peso morto como você. – Harry dera uma gargalhada cortante, mas sua raiva era visível, a essa altura todos os alunos desistiram do discurso e olhavam a briga entre os amigos.
- Chega vocês dois. – Hermione se levantou e puxou Rony pelo braço, afastando o contato visual entre os dois garotos. – Tenho certeza de que vai se arrepender de ter dito essas coisas Harry, vá pensar no que fez e pare com isso.
- Estou farto de você também Hermione, sempre mandando nas pessoas, dizendo o que elas devem ou não fazer, sabe você não é minha mãe. – Harry olhava a castanha com certo desprezo e a menina negou com a cabeça, com um olhar triste.
- Tem razão Harry, eu não sou sua mãe, mas eu sei que ela estaria muito triste se te ouvisse dizendo essas coisas para as pessoas que foram e são capazes de tudo por você. Do mesmo jeito que ela foi capaz de morrer para te salvar.
Harry arregalou os olhos quando ouviu as palavras de Hermione, seu coração falhou duas batidas e ele sentiu um nó crescer na garganta. Sem dizer mais nada o moreno se retirou do salão principal, seus passos sendo acompanhado pelos olhares de todos os alunos. Hermione voltou a se sentar e Ned Flanders ainda abismado retomou seu discurso sem toda a empolgação do começo. Gina abafou o choro em silêncio e Rony respirava ruidosamente ao lado da castanha, que se manteve calada e pensativa.
No outro dia Harry não foi visto pelos amigos durante o café da manha e Gina havia passado a noite em claro, Hermione sabia por que também não tinha conseguido dormir direito aquela noite. Enquanto ela e a amiga caminhavam pelo castelo em direção as aulas poderiam ver cartazes, laranja berrante, espalhados pelos corredores. Quando pararam para olhar, viram que se tratava da inscrição para modelos, as duas nem se incomodaram em olhar duas vezes e seguiram seus caminhos.
Hermione caminhava sozinha até sua aula de runas antigas, quando foi surpreendida por Draco Malfoy, o Loiro se aproximou e a chamou para uma sala vazia, a castanha hesitou, mas acabou indo com ele.
- O que quer Malfoy? – Hermione caminhava pela sala, os móveis empoeirados e sujos, evitou olhar para o sonserino que estava encostado na porta apenas observando.
- O Potter, nós precisamos fazer alguma coisa, Voldemort pode estar dominando a cabeça dele já. – Draco cruzou os braços e continuou a acompanhar com o olhar os passos da menina.
- O que quer que eu faça? Já disse que mesmo que eu acredite em você a única forma de se livrar de uma Horcruxe é destruindo o corpo onde ela está, de forma que não possa ser reconstituída. – Hermione parou de caminhar e voltou seu olhar para Draco.
- Ótimo, esquartejamos o Potter e pronto. – O menino dera uma gargalhada alta e Hermione apenas o encarou sem mostrar qualquer bom humor. – O que? A idéia é até boa. Deve haver outra maneira, se o pedaço de alma "entrou" no Potter, deve ter um modo de tirá-la, não concorda?
- Isso é magia poderosa e perigosa, eu não mexeria com isso, podemos acabar matando Harry no processo.
- Não estaríamos perdendo grande coisa, mas pense por outro lado, se acaso a Horcruxe se apossar do Potter teremos grandes problemas, e você sabe disso.
- Preciso falar com alguém responsável, não posso fazer isso sozinha! – Hermione parou na frente de Draco e o encarou. – Eu tenho que ir, não se preocupe vou tentar resolver isso, pode me dar licença?
- Granger, nós temos um trabalho. – Draco continuou parado na porta, impedindo que ela saísse.
- Eu sei Malfoy, eu sei. Agora pode sair da minha frente? Vou resolver tudo isso, não me enche ok? – A garota o puxou pelo braço o obrigando a sair da frente da porta e a abriu. Quando fora puxada ainda de costas, sentiu sua barriga ser abraçada pelo braço de Draco e a respiração dele próxima ao seu ouvido.
- Não seja tão grosseira Granger, afinal eu salvei você do ataque da Parkinson. – Draco sussurrava no ouvido da menina que fechou os olhos quase que involuntariamente.
- Porque você fez isso afinal? – Hermione reuniu todas suas forças para que sua voz não saísse tremida. Sentir a respiração de Draco em seu pescoço era de enlouquecer. – Quer me soltar?
- Não sei, e não quero soltar. – Draco levou a boca até o pescoço de Hermione, que suspirou alto ao ter a pele beijada, seu coração batia rápido e ela sabia que os lábios dele sentiam isso ao deslizar sobre a veia saltada em seu pescoço.
O garoto não entendia esses ataques repentinos, estava a mais de quinze dias sem qualquer contato físico com ela e, ele tinha certeza de que já havia superado essas crises, mas era inevitável não se aproximar quando Hermione ficava "agressiva", ela se tornava irresistível, queria dominá-la e fazer como que se calasse ao seu mais simples toque. Tudo isso não era normal, não era racional. Nessas horas ele tinha quase certeza de que seu corpo era possuído por algo, pois suas mãos seus lábios criavam vida própria.
Sua mão possuída acariciou de leve a barriga de Hermione, que tremeu ao sentir os dedos gelados contornando seu umbigo, ainda por cima da roupa, para logo depois fazer leves movimentos para cima e para baixo, fazendo sua camisa do uniforme subir deixando sua pele nua ao toque dele. Sentiu os joelhos falharem quando a mão gelada finalmente encostou-se a sua pele que agora ardia como brasa. Segurou uma exclamação quando os lábios dele escorregaram até sua orelha prendendo seu lóbulo e sugando levemente. Ondas de choque se espalhavam pelo corpo da menina que nesse momento já havia esquecido até mesmo o próprio nome.
A boca de Draco escorregou de forma lenta e torturante pelo pescoço da menina, até a base, onde ele deu uma pequena sugada, sua mão livre, puxou de leve a camisa de Hermione, deixando o ombro da menina descoberto, ele sorriu com a boca ainda encostada na pele dela ao ver a alça do sutiã, seus lábios deslizaram mais até poder beijar levemente o ombro da menina, que permanecia em êxtase com os toques do loiro. Draco dera uma mordida no ombro de Hermione e congelou quando ela soltou uma exclamação, um ruído com o fundo da garganta. Ele ficou parado, seus instintos masculinos entrando parafuso, ele precisava sair de perto dela ou acabaria fazendo uma besteira.
- Granger, vai embora. – Draco disse dentro da orelha dela, sua voz estalando como um trovão para a menina que recobrou imediatamente a razão. Sentiu vergonha, mas não teve tempo para pensar em mais nada, se livrou do abraço dele e saiu em disparada para fora da sala. O garoto ficou parado ali, lembrando do som que ela havia feito e o quanto sentia desejo por ela, percebeu nesse momento o quanto poderia ser perigoso tê-la por perto.
Já estavam na sexta-feira quando uma grande confusão se formou no salão principal, filas e mais filas de meninas de várias idades se formavam. Todas querendo ser a mais nova modelo da linha de roupas de "Magic". Hermione evitou ficar muito perto do local e assim que terminou seu almoço, procurou Gina e Rony de quem ela havia se perdido no meio da confusão. Encontrou apenas o amigo.
- Viu a Gina? – Rony perguntou preocupado. – Harry estava atrás dela, quero que ele fique longe da minha irmã.
- Não vi. Estou procurando-a também, talvez ela tenha ido fazer os testes para modelo. – Hermione tentou acalmar o amigo, que olhava em volta toda hora em busca da irmã. – Ron sinceramente, eu acho que nos afastarmos do Harry não seja uma boa idéia ele precisa de nós, sabemos que não foi ele falando aquele dia.
- Não me importa Hermione, quero esse idiota longe da minha irmã – Rony deu as costas para a castanha e saiu das portas do salão procurando Gina.
Hermione sabia que cedo ou tarde a amiga iria aparecer, então ficou encostada ali quando Draco e sua gangue passaram. Os dois se encararam e ela desviou o olhar, sentindo seu rosto queimar de vergonha. Odiava demonstrar fraquezas, mas dessa vez tinha sido impossível evitar. O restante das aulas aquele dia foram cancelados por causa da seleção de modelos, a castanha ficou muito irritada e quando finalmente encontrou Gina ela estava acompanhada de Harry. O moreno encarou Hermione que não sustentou muito o olhar.
- Me desculpa? Eu sei que isso é tão pouco em frente a tudo que falei para você, mas não sei o que anda acontecendo comigo, é como se fosse um ódio reprimido, sinto vontade de... Não sei! Me perdoa Hermione? Você é quase uma mãe pra mim, uma irmã mais velha de quem eu gosto tanto e de quem eu preciso também. – Harry se aproximou e segurou as mãos de Hermione com carinho, os belos olhos verdes pedindo, quase suplicando perdão.
- Tudo bem Harry, essas coisas acontecem, não tem problema, só não quero que você trate mal a Gina, ela te ama e você sabe disso. – Hermione não teve duvidas ao aceitar as desculpas de Harry, afinal afastá-lo agora não seria racional, quanto mais próximo estivesse dele mais fácil seria uma intervenção. Puxou o amigo para um abraço fraternal que foi interrompido por um grito de Ronald.
- Agora estão se unindo contra mim? O que faz aqui Hermione? – O ruivo falava alto, chamando atenção de muitos outros alunos em volta.
- Sai dessa Ronald, para de dar show aqui. – Gina se posicionou em frente ao irmão e os dois se encararam.
- Gina, esse cara te ofendeu, te tratou mal e você ainda está com ele?
- Todo mundo erra Rony, infelizmente não somos perfeitos como você, portanto eu decidi que vou dar outra chance ao cara que eu amo que no caso é seu melhor amigo. – a ruiva era decidida com as palavras, ficando nas pontas dos pés para falar com o irmão.
- Amigo? Vou ouviu as coisas que ele disse sobre mim? – Rony olhou feio para Harry que fez uma expressão triste no rosto.
- Você sabe que eu não quis dizer nada daquilo. Me desculpa cara, estou estressado ultimamente. – O moreno puxou Gina delicadamente pelo braço e tomou o lugar onde ela estava. Aos poucos as expressões de Rony iam se amenizando. – Foi mau, de verdade.
- Só espero que não se repita, ou vou ser obrigado a quebrar sua cara. – Rony dera um sorriso torto e logo os quatro já estavam rindo e falando bobagens.
- Então meninas porque não vão ao desfile? – Harry perguntou depois de dar um beijo estalado na bochecha de Gina.
- Por favor, Harry. Acha que eu iria me prestar a isso? Jamais, eu já acho um absurdo essa idéia de desfile. Porque sinceramente isso aqui é um colégio, não faz sentido esse evento, isso não acrescenta nada aos alunos. – Hermione discursava enquanto andava em frente ao banco onde os outros estavam. – Imagina aquelas idiotas que nem sabem desfilar pagando mico para que todos vejam. Jamais, jamais.
- ENCONTREI! – uma voz aguda e afeminada surgiu no jardim, era Ned Flanders, sendo seguido de perto de sua assistente com aparência bagunçada. O homenzinho de cabelos intensamente negros se aproximou dos quatro amigos, que pareciam assustados. – Eu precisava de mais duas garotas, acabei de encontrá-la, Lisa, anote o nome dessas duas belíssimas grifinórias.
- Me desculpe, mas não vamos participar. - Gina respondeu ao homem que sorriu exageradamente.
- Oh tesouro, dois talentos como os de vocês não podem ser desperdiçados, claro que vão participar, é o sonho de todas as garotas do planeta.
- Não é bem o nosso... Perdão, mas não estamos interessadas. – Hermione usou seu tom educado ao responder e novamente Flanders dera uma gargalhada.
- Vocês são lindas, especialmente a ruiva, ruivas naturais são bem raras, quero que participem. – As meninas estavam prontas para recusar outra vez o pedido, quando a diretora apareceu, todos voltaram suas atenções para ela. – Que bom que chegou Minerva, essas duas lindinhas estão se recusando a participar do desfile, mas se elas não quiserem, eu não faço mais nada, sem as duas não tem mais festa.
- Senhorita Granger, senhorita Weasley, fariam essa gentileza em nome da Grifinória, que é a casa das pessoas com boa vontade? – A diretora tentou ser sutil, mas todos em volta que já a conheciam puderam notar que era mais uma ordem do que um pedido. Sem querer contrariar a diretora as duas resolveram aceitar o convite. O homenzinho deu pequenos pulos de alegria e anunciou que faltava apenas um garoto e seu grupo estaria completo.
Durante o resto do dia Harry e Rony se encarregaram de perturbar Gina e Hermione, que se mantinham muito mal humoradas. Durante o jantar foi anunciado que elas teriam que participar de ensaios pelo menos duas vezes por semana até o Halloween, enquanto as amigas se mostraram desanimadas, as outras garotas da Grifinória que não haviam passado no teste olhavam as duas com ódio e rancor.
- Ótimo, era tudo que eu queria, um bando de idiotas armando contra a minha vida. – Gina sussurrou para Hermione que não resistiu e caiu na gargalhada, atraindo mais olhares raivosos, dessa vez das mesas vizinhas. – Cala a boca Hermione, ou vão passar da "armação" para a "ação".
- Até agora estou tentando entender o motivo pelo qual ele escolheu nós duas. Ele tinha todas as garotas de Hogwarts à sua inteira disposição e foi atrás justo daquelas que não queriam nada disso. – Hermione falava de forma séria enquanto remexia seu bolo de carne.
- Vai ver é por isso, ele nos achou naturais. Enquanto todas as outras forçaram para ficar bonitas, nós apenas ficamos lá, sentadas e desinteressadas. – Gina disse de forma displicente. – Acho que vou fraturar o pé, quem sabe assim eles me liberam.
- Não ouse me largar nessa sozinha Ginevra Molly Weasley! – Hermione encarou a amiga, que deu mais uma gargalhada, e assim foi o resto do jantar, as duas procurando desculpas para não fazerem parte do desfile.
Aquela noite Hermione não conseguiu pegar no sono, estava se sentindo muito estranha depois dos últimos acontecimentos, e por mais que tentasse achar um lado bom naquela bagunça, seu cérebro (naturalmente pessimista) sempre apontava para o lado ruim. No meio da noite a garota finalmente conseguiu pensar em algo produtivo. Chegou à conclusão de que seu projeto com Draco não daria certo porque nenhum dos dois era visto com bons olhos diante ao colégio. Ele era filho de um comensal, até pouco tempo o "excluído da Sonserina" nos últimos dias tinha recobrado um pouco de sua popularidade, mas não o bastante para ter credibilidade. Já ela era vista por todos como a "sabe-tudo" sempre tinha um resposta na ponta da língua para quase todos os assuntos, e detestava essas convenções sociais, não era vaidosa e nem a preferida entre os garotos.
Talvez esse desfile aumentasse um pouco seu nível de popularidade, se todos a vissem desfilando em uma passarela, com boas roupas e maquiagem, a enxergariam como uma garota que ela era, uma garota que sabia que era bonita, apenas ainda não havia desabrochado. Um pouco mais animada ela finalmente pegou no sono, tendo em mente o ensaio que teria amanhã.
NA: Bom, capitulo demorado e encalhado nos meus arquivos, vou postá-lo (apesar de ainda não estar satisfeita com o número de reviews que recebi) para que não se perca de vez o interesse em Changin Side. Talvez essa história de "desfile de modas" desagrade algumas pessoas, mas eu tive a idéia e ela se encaixou no meu enredo futuro. Espero que gostem da continuação e espero ter um bom número de comentário dessa vez, ou novamente irei demorar a postar. É isso, mandem suas opiniões boas ou ruins, sempre serão bem vindas. Obrigada todos que comentaram, vocês são fofas demais, leio todas que recebo, podem ter certeza.
Beijos, Bri
