Capitulo X – Undone
You know I can't be like everybody
(Você sabe que eu não posso ser como todos)
'Cause I can't tell you what you wanna hear
(Porque eu não posso dizer o que você quer escutar)
I don't know if I can make it better
(Eu não sei se posso melhorar)
All I know is I will be around
(Tudo que sei é que estarei por perto)
Não que ela precisasse de uma razão nessa situação, mas Hermione gostava de razões. Quando ela tinha uma razão, uma certeza, tudo parecia se resolver mais facilmente. Era por isso que ela adorava livros, porque eles diziam os fatos, e eram de certa forma uma prova de que aquelas histórias realmente aconteceram, ou que aquela fórmula realmente dava certo. Tudo em sua vida era planejado, mesmo com sua tendência em preferir o perigo ela tinha capacidade de fazer planos até naquelas situações mais complicadas. Esse era o problema com ele, pois tudo que tinha Draco Malfoy envolvido não a permitia fazer planos. Era uma espécie de bloqueio, porque, por mais que ela quisesse entendê-lo, não conseguia. Porque no fundo ela sabia que ele tinha razão em não querer se envolver diretamente com ela, e ao mesmo tempo ela temia isso com a mesma intensidade que desejava.
Foram duas semanas complicadas e corridas para Draco e Hermione. Isso de uma certa forma foi bom para os dois, que com o tempo se sentiam mais a vontade na presença um do outro. Não trocavam palavras sobre o que existia entre eles - se é que existia alguma coisa, evitavam brigar, e, por conseqüência, não chegaram a ter um contato físico mais próximo. Só as vezes que as mãos acidentalmente se tocavam quando um iria mostrar um pedaço de pergaminho ao outro. Nesse instante ocorria a troca penetrante de olhares e logo após agiam como se nada tivesse acontecido. Colocaram o projeto em prática, se aproveitando da popularidade que ainda possuíam por causa do desfile, e agora tinham mais coisas e pessoas para organizar.
O comportamento de Harry havia piorado substancialmente e Hermione se viu obrigada a ir conversar com a diretora Minerva, que aparentemente relutou em acreditar na menina até que o retrato de Dumbledore confirmou que a castanha dizia a verdade. Então a diretora disse que iria pesquisar a melhor forma de ajudar Harry sem que ele fosse morto e cortado em pedacinhos. Ainda sem uma solução definitiva, Hermione continuou seus afazeres e evitou entrar novamente em conflito com o amigo. Não que essa tenha sido uma tarefa fácil, porque a cada dia que passava ele ficava mais agressivo e obscuro. A castanha já previa o momento em que ele finalmente se transformaria em Voldemort e como isso seria desastroso.
Era um domingo à tarde quando Hermione fora interceptada pelo senhor Filch em um dos corredores. Ela teria que ir se encontrar com Malfoy para acertarem detalhes do trabalho, mas o zelador lhe informou que a diretora requisitava sua presença em sua sala. No começo ela sentiu-se contrariada em ter que deixar Draco esperando, mas sua duvida logo se dissolveu quando Filch avisou que era um assunto urgente. A grifinória seguiu ao lado do zelador até a sala da diretoria, onde ele murmurou uma senha para que gárgula de pedra permitisse a passagem dos dois. A sala realmente não havia mudado em nada desde os tempos de Dumbledore, e isso era de certa forma reconfortante.
- Obrigada sr. Filch, já pode se retirar. – A diretora lançou seu olhar severo ao homem que foi embora fazendo uma reverencia forçada. – Que bom que veio senhorita Granger, o que eu tenho para te dizer não vai consumir muito do seu tempo. – Minerva indicou a cadeira em frente a sua mesa para que Hermione sentasse e ela aceitou o convite. Sentiu o coração bater acelerado na expectativa de ser algo sobre Harry. Respirando fundo encarou a mulher. – O assunto é o senhor Potter, nós conseguimos um feitiço capaz de destruir o fragmento de alma que resta nele, mas para isso é necessário que a Horcrux esteja no controle do corpo no momento em que agimos.
- Ok. – Foi tudo que ela conseguiu responder naquele momento e seu coração parecia que ia sair para fora do peito de tão forte que batia. Não sabia como poderia ser bom ter Voldemort de volta, mesmo que fosse por poucos momentos. – Quais os riscos? O que pode acontecer caso o feitiço não dê certo? Quem me garante que irá mesmo dar certo? Ele pode morrer no processo? Como vamos fazer a Horcrux possuí-lo?
- O feitiço não é completamente seguro, mas nós estamos estudando maneiras de torná-lo mais eficiente. – A diretora sentiu a tensão na forma como Hermione fazia as perguntas e tentou fazer suas palavras soarem seguras. – Eu tenho observado o Potter de perto e no estado que ele está logo-logo poderá ser possuído, a partir daí não teremos muito tempo para agir, mas não podemos segui-lo para todos os lugares. Essa é a parte que falta no plano.
- Hum, talvez eu possa ajudar com isso. – Hermione se levantou da cadeira e tirou dois galeões de ouro de dentro do bolso da calça jeans. Espantada a mulher achou aquilo estranho. – São falsos, e encantados. Quando eu aperto a moeda com força a sua moeda esquenta e envia a mensagem que eu quiser, usando o pensamento. - A diretora pegou uma das moedas de ouro e analisou por alguns segundos antes de voltar a olhar Hermione, que parecia muito satisfeita com sua própria descoberta.
- Interessante. Posso arrumar uma maneira de transporte rápida para qualquer lugar do castelo. Assim que o aviso chegar entraremos em ação. – Minerva rodou a moeda entre os dedos ainda analisando sua confecção.
- Vou avisar a Gina e Rony, ele sempre está acompanhado de um de nós três e quando acontecer... – Hermione parou no meio da frase e balançou a cabeça sentindo-se intrigada. – Me desculpe a pergunta, mas não podemos provocá-lo até que a Horcrux o domine ao invés de ter que esperar que isso aconteça naturalmente?
- Eu já estava me sentindo muito decepcionado. Realmente achei que a senhorita não iria reparar nesse pequenino, mas importantíssimo detalhe. – A voz de Dumbledore ecoou no escritório e Hermione virou o rosto para encarar o quadro onde o que mais chamava atenção eram os olhos azuis do ex-diretor. – Sabe senhorita Granger, o pedaço de alma que se encontra dentro de Harry é um pedaço de Voldemort e mesmo que não possua consciência ou capacidade de planejar é algo que sente e, principalmente, pressente. Assim sendo, se incitássemos a raiva do Sr. Potter com a intenção de que a Horcrux o possua ela não ira seguir esse comando, é seu instinto de defesa.
- Então temos que esperar? – ela perguntou sentindo um pouco de alivio ao saber que o ex-diretor estava ciente de tudo e que provavelmente havia partido dele a solução para o problema. Viu o retrato esboçar um pequeno sorriso. – Ele pode morrer? – Hermione sentia-se boba ao perguntar, mas não poderia evitar, essa era a parte que mais lhe importava.
- Nós corremos mais riscos do que ele. – Dumbledore a encarou por cima dos óculos de meia-lua e pareceu muito sério. Antes que Hermione pudesse falar qualquer coisa ele ergueu seu dedo indicador e sorriu. – O amor salvou Harry uma vez, e talvez o amor possa salvá-lo novamente.
- O que o senhor quer dizer com isso? - Hermione encarou a diretora, na esperança de que ela soubesse o que ele queria dizer, mas a mulher parecia tão surpresa quanto ela. – Alguém vai ter que morrer por ele? Como a Sra. Potter?
- Não se apresse, tudo ao seu tempo, tudo ao seu tempo. – O Ex-diretor dera outro sorriso e se levantou de sua confortável cadeira de tinta, fazendo uma pequena reverencia para as duas. – Está na hora do chá, até mais Srta. Granger.
Quando finalmente chegou à biblioteca, ela sentia-se mais perdida do que aliviada. Confiava em Dumbledore, mas sua mente pessimista não conseguia idealizar maneiras dessa história ter um final feliz. Nem mesmo a diretora pareceu entender as palavras do ex-diretor, e isso era mais uma preocupação. Draco estava terrivelmente insuportável aquele dia e Hermione tentou ao máximo não dar atenção as provocações dele, mas no final da tarde já havia perdido sua paciência.
- Você é burra Granger? Colocar o Ernesto McMillan no mesmo grupo do Longbottom? – Draco havia a chamado de burra ao menos umas 5 vezes naquele dia e ela tinha ignorado todas, na esperança de que ele desistisse de brigar com ela.
- Malfoy, eu vou embora. – Hermione juntou suas coisas e levantou-se, quando o loiro ficou em pé a sua frente, impedindo sua passagem. – O que foi agora?
- Muito legal, chega atrasada e ainda quer ir embora mais cedo? De jeito nenhum Granger, vai ficar aqui até terminarmos esses esquemas. – Ele a encarou intensamente e percebeu que ela já estava a ponto de explodir quando os olhos castanhos se encheram de lágrimas.
- Pela última vez, eu não quis te deixar esperando. A diretora queria me ver, e eu fui, ela tinha que me contar o plano que vai ajudar o Harry. Será que você pode deixar de ser tão insuportável e irritante pelo menos por hoje? Eu estou te pedindo muito? – Ao terminar de falar as lágrimas corriam livremente pelo seu rosto, manchando sua pele e morrendo em sua mandíbula.
- Tudo bem, eu vou ficar na minha. Mas vai ter que me ajudar... Eu não vou fazer tudo isso sozinho. – Draco a observou por uns instantes e seu coração se apertou ao notar que o choro não havia cessado, que ela ainda chorava e agora mais compulsivamente a ponto de sua respiração ficar alterada. – Vá embora Granger, ou vai acabar manchando os pergaminhos com essas lágrimas.
A castanha usou as costas das mãos para secar precariamente as lágrimas que ainda teimavam em cair, juntou suas coisas e tomou o caminho entre as prateleiras. Quando já estava quase de volta ao centro da biblioteca sentiu o braço ser puxado, não com força, mas com uma delicadeza que ela desconhecia. Se não tivesse sentido o perfume de Draco, não iria acreditar que era ele. Seu corpo fora virado em direção ao dele e sentiu-se abraçada com firmeza pelos braços do sonserino. No começo ela não sabia como se comportar, mas logo se sentiu protegida e envolvida, e voltou a chorar, dessa vez com todo o desespero que possuía.
Draco a apertou com mais força ao ter o abraço correspondido. Suas mãos acariciaram os cabelos de Hermione com leveza e sua boca tocou a testa dela em uma espécie de beijo carinhoso. Ficaram mais de vinte minutos assim, apenas abraçados, até que ela finalmente se acalmou e aos poucos se soltou do abraço dele. Os dois se encararam por alguns segundos e ele colocou a franja dela atrás da orelha, aproveitando o movimento para acariciar o rosto da menina que fechou os olhos ao sentir os dedos frios do rapaz tocarem sua pele. Ele se aproximou e selou os lábios dela com os dele, antes de envolvê-la pela cintura e começar a caminhar.
Não estava acreditando que Draco Malfoy estava andando abraçado com ela pelos corredores de Hogwarts. Provavelmente ele o fazia porque não havia mais ninguém por lá a essa hora, mas o fato de estarem lado a lado, correndo o "risco" de serem vistos a qualquer momento por qualquer um, era algo que fazia a cabeça de Hermione rodar. Tudo que ele havia dito aquele outro dia perdera o sentido, porque nesse momento ele estava "assumindo" o fato de se importar com ela, a ponto de levá-la de volta ao salão comunal da Grifinória, andando lado a lado, usando seu braço para prendê-la junto a si, como se assim ela fosse impedida de cair ou de se machucar.
Quando chegaram ao corredor que dava acesso ao salão comunal dos grifinórios, Draco soltou Hermione do abraço e se afastou meio passo, mantendo seus olhos presos aos dela. Notou que ela não parecia saber direito o que fazer e sorriu meio de lado, como costumava fazer quando estava sendo irônico. Mas dessa vez não era ironia, era um sorriso sincero, e ela pareceu notar a diferença, pois um pequeno sorriso brotou nos lábios rosados dela em resposta. Ela acenou brevemente com a cabeça e deu as costas, tomando o caminho que a levava de volta aos grifinórios e tudo aquilo que ela amava, as pessoas que poderiam ficar com ela, as pessoas a quem ela pertencia.
O clima entre eles ficou muito mais leve depois daquela noite, uma quase amizade começava a surgir e ao que parecia Draco estava tentando ser mais paciente e menos irritante em relação a ela. Tanto que as brigas que tinham eram porque discordavam sobre o trabalho, não porque ele havia criticado o cabelo ou qualquer outra coisa sobre ela. Já estavam quase terminando os esquemas e o tempo que ficavam na biblioteca era maior do que o tempo que Hermione dedicava aos amigos grifinórios.
- Olha só quem apareceu, a Hermione. Vocês se lembram dela? – Harry disse em voz alta ao notar que a castanha atravessava o buraco do retrato que dava acesso ao salão comunal. Todos pareciam prender a respiração ao notar que a menina não havia gostado tanto assim da brincadeira.
- Eu ando ocupada Harry, mas não quer dizer que esqueci dos meus amigos. Aliás, eu jamais posso esquecer das pessoas mais importantes da minha vida. – Ela tentou parecer o mais serena possível nas palavras, mas o amigo não pareceu convencido.
- Tem certeza que não entrou no salão comunal errado, então? Porque aqui não tem nenhum sonserino. – O moreno se levantou de sua poltrona e usou um tom de debochado de voz. Todos prestavam atenção nos dois, pois sentiam que a tensão crescia entre eles a cada segundo.
- E você? Tem certeza de que está no corpo que deveria estar? – Hermione sussurrou e viu os olhos do amigo adquirirem um brilho estranho. Ele se calou, como se a constatação de que ela sabia que tinha algo errado com ele fosse uma ameaça.
Hermione não agüentou ficar ali por muito mais tempo e logo tomou o caminho do dormitório. Não demorou muito tempo para que Gina aparecesse no cômodo com uma expressão um tanto desesperada.
- Está maluca Hermione? Não deveria falar assim, quer que Voldemort tome conta do corpo dele ali, no meio do salão comunal? – A ruiva parecia muito nervosa, e não parava de andar de um lado para o outro.
- Pelo menos assim nós íamos terminar logo essa história. Não agüento mais essa situação Gina, eu quero meu amigo de volta, você viu o jeito que ele falou comigo? Nem o Draco fala mais assim. – Hermione tirou os sapatos e deitou-se em sua cama, fechando os olhos quando sua cabeça encontrou o travesseiro.
- Harry fica assim porque sabe que você está com ele, você sabe que ele odeia o Malfoy. Se você fizesse o favor de ficar longe dele talvez o Harry não vivesse assim tão irritado. – A ruiva tinha aumentado o tom de voz e Hermione ergueu-se sobre os cotovelos para encarar a amiga.
- Está dizendo que a culpa é MINHA? – agora ela gritara, com todo o estresse das últimas semanas se acumulando tanto que ela não pode mais segurar. – Ele tem um pedaço de VOLDEMORT dentro dele, e a culpa é minha? Eu não posso mais fazer o que tenho que fazer porque o Harry acha ruim? Eu quero que ele se dane Gina! Eu tenho sido babá dele e do seu irmão desde o primeiro ano, e quando eu finalmente acho algo para fazer só por mim, eu não posso porque o Santo Potter não quer?
- Você está falando exatamente como o Malfoy. Talvez nós tenhamos mais de um grifinório possuído por um sonserino. Quem é você e o que fez com a Hermione? – Gina parecia desapontada, e saiu do quarto assim que terminou a pergunta. A castanha caiu no choro, sentindo-se desesperada e vazia. Em algum lugar ela sabia que tinha razão por ter se afastado dos garotos, mas não era isso que ela costumava fazer quando alguém precisava, ainda mais se esse alguém eram Harry e Rony.
Na noite seguinte seria realizada a primeira reunião do grupo de apoio que ela e Draco haviam criado. Hermione sentia-se tão nervosa que não tinha conseguido engolir o jantar e foi correndo para a sala que a diretora havia cedido a eles para que realizassem os encontros. Ninguém estava lá além de Draco e ela ficou mais nervosa ao perceber que ele estava nervoso também.
- Nervoso Malfoy? – Hermione caminhou na direção dele e sentou-se sobre a mesa de madeira, deixando as pernas balançarem para frente e para trás.
- Não Granger, e você? – Ele era geralmente um excelente mentiroso, mas dessa vez não havia obtido sucesso na sua tentativa de esconder seu nervosismo. Hermione soltara uma risada e ele a encarou de forma curiosa. – Está rindo do que, sua irritante?
- Da sua mentira deslavada. Está tão nervoso quanto eu Draco. – Ela se levantara da mesa e ficara de costas dele, voltando a rir um pouco mais alto dessa vez.
- Draco? Agora eu sou Draco? – Ele se aproximara sem que ela percebesse e envolvera a cintura dela forçando o corpo dela tocar no dele. Hermione sentia o peitoral dele pressionar suas costas e a mão dele deslizava vagarosamente pela sua cintura, causando pequenos arrepios a cada toque. - Agora só falta me chamar de "meu amor" – Ele tocou sua boca na orelha dela e sussurrou fazendo o corpo dela todo estremecer.
Hermione parecia em choque, pois não conseguia falar ou se mover. Era como se ele a tivesse dominado. Logo as mãos de Draco a soltaram e ela pode respirar normalmente, ficando de costas para ele, sem saber o que dizer ou fazer. Então a porta se abriu e muitos alunos começaram a entrar. Os dois começaram a falar. A castanha sentindo-se muito nervosa e enjoada, mas agüentou firme e sorriu da maneira mais natural que conseguia.
- Boa noite. Primeiro eu quero dizer que vocês são as pessoas mais inteligentes desse castelo, porque só quem é muito burro acha que não precisa de ajuda. – Todos deram risada e Draco parecia muito mais a vontade para continuar a falar.
Hermione teve um pouco de dificuldade no começo, mas aos poucos foi se soltando e em quase meia hora ela e Draco haviam explicado para todos os alunos o programa do qual iriam participar. Após ouvirem algumas sugestões dos próprios alunos os dois ficaram sozinhos na sala, enquanto terminavam de organizar suas coisas.
- Acho que nós nos saímos bem, não acha? – Hermione perguntou enquanto anotava as sugestões em um pergaminho qualquer, Draco a olhou de soslaio e deu uma risada baixa.
- Fomos ótimos. Ou pelo menos eu fui ótimo. Aliás, eu sempre sou ótimo não é Granger? – Draco fez os cartazes se amontoarem fazendo um breve movimento com sua varinha
- Precisou repetir três vezes a palavra "ótimo" para se auto-afirmar ou porque não sabe assimilar outros adjetivos a você? – Hermione ergueu o rosto para encará-lo e seus olhares se encontraram por alguns minutos. Ela não pode evitar sorrir e ele fez uma careta.
- Sorte sua Granger que nós temos um trabalho a fazer. – Ela soltou uma espécie de rugido e voltou suas atenções para seu pergaminho enquanto ele ia em direção a porta. – Sorte sua que eu gosto de beijar você quando não tenho nada melhor pra fazer. Não se esqueça, na biblioteca amanhã na hora do almoço. – Antes que Hermione pudesse responder ele já havia saído.
As aulas da manhã foram mais tranqüilas para Hermione, pois a garota já havia aliviado muito da tensão de ter que confrontar "seus alunos" pela primeira vez. Ela ainda estava insegura em relação ao que falar quando estivesse tentando ensinar algo para as garotas, e por vários momentos ela se perguntou o que poderia passar a elas, já que não tinha tanta experiência assim com garotos. Talvez ela procurasse algo em um livro mais tarde.
Assim que chegou a hora do almoço a castanha se apressou para terminar logo sua refeição, afinal ainda tinha uma reunião com Draco. Ao chegar à mesa da Grifinória encontrou-se com Rony, Gina e Harry. O casal fingiu que não a conhecia. Não estranhou a atitude de nenhum dos dois e agradeceu por Rony ter puxado assunto com ela.
- Porque está comendo tão rápido Hermione? Está com tanta fome assim? – Rony dera risada e foi acompanhado pela amiga que tomou um gole de suco de abóbora antes de responder.
- Ainda tenho umas coisas do trabalho para resolver na biblioteca. Mais tarde eu preciso te contar como foi a reunião do clube ontem, acho que todos ficaram bem satisfeitos. – A castanha conversava animadamente com o ruivo que sorria em resposta.
- Vai se encontrar com o Malfoy, não é? – A voz de Harry tinha novamente aquele tom sombrio e ele encarou Hermione de forma penetrante. A garota engoliu seco antes de responder.
- Infelizmente Harry, é uma pena que você e o resto do pessoal não tenham aderido ao projeto. Seria muito mais divertido com vocês lá. – Hermione voltou sua atenção ao prato assim que terminou de falar e levou mais uma garfada até a boca.
- Quem você quer enganar Hermione? Todo mundo aqui sabe o quanto você está adorando ficar intima do Malfoy. – Harry derrubou seu garfo sobre o prato, fazendo um barulho que chamou a atenção de muitos. A castanha respirou fundo e se levantou.
- Quando você estiver mais calmo, me procure, ai a gente conversa Potter. Até lá eu agradeceria se não falasse mais comigo. – Em passos rápidos ela saiu do salão principal e muitos a seguiram com o olhar. Draco Malfoy foi um desses.
Não demorou muito tempo para que ele aparecesse no local de sempre. Hermione andava de um lado a outro no pequeno ambiente e parecia muito tensa e preocupada. O loiro tomou seu lugar em uma das poltronas esverdeadas e esperou que ela se acalmasse para que pudessem começar a trabalhar. Quase vinte minutos depois ela se dirigiu a uma mesa próxima e ele levantou-se e foi ajudá-la.
Ficaram preparando esquemas por mais de meia-hora. Ela fazia e ele mudava basicamente tudo, mudando as pessoas de lugar, dando sugestões opostas as dela, até que ela se irritou.
- Sério Malfoy, você viu o que aconteceu no almoço, tem certeza que vai ficar me irritando de propósito? – Hermione o encarou de forma séria e ele deu risada. Rolando os olhos ela voltou sua atenção para a mesa onde os esquemas estavam espalhados tentando achar algum sentindo para aquilo.
- Preciso confessar que adoro te irritar de propósito, é quase um hobby. – Draco se aproximou ficando atrás dela. Suas mãos se apoiaram na mesa e a castanha ficou presa entre seus braços. Ele suspirou quando ela apoiou as costas em seu peitoral, em seguida beijou a têmpora de Hermione, fazendo-a fechar os olhos por um instante.
- Será que vamos conseguir organizar isso? Essas pessoas têm tantas coisas em comum e ao mesmo tempo são tão diferentes. Acho que precisamos de mais tempo antes da próxima reunião. – Hermione respirou fundo ao terminar de falar e cruzou os braços, ainda deixando suas costas se apoiarem contra o peitoral de Draco, que vez ou outra passava a ponta de seu nariz pelos cabelos dela, para poder sentir o perfume de morangos que vinha das mexas castanhas.
- Talvez a melhor coisa seja não dividi-los, trabalhar com todos juntos, deixar que eles se ajudem também, troquem experiências, e tentem se resolver. – Draco manteve os olhos presos nos pergaminhos espalhados pela mesa enquanto falava. – Sem contar que será menos trabalho para nós dois.
- Hum, quem sabe seja uma boa idéia, eu ando tão cansada que estou fazendo qualquer coisa para ter menos trabalho e mais tempo livre. – Hermione ficou em silêncio por alguns instantes apenas aproveitando a sensação de estar perto de Draco sem qualquer briga. Ali, apoiada contra o corpo dele, podendo sentir as batidas de seu coração contra suas costas. Era um momento tão raro que ela tinha medo de dizer qualquer coisa que o estragasse, afinal não era sempre que o loiro era carinhoso com ela, a ponto de quase abraçá-la como fazia naquela hora.
Os dois continuaram em silêncio e o único movimento que faziam vinha de suas respirações. Os olhos continuaram grudados nos pergaminhos sobre a mesa, mas nenhum dos dois pensava nos esquemas. Suas mentes vagavam por outros dias, em outras épocas, por lembranças e esperanças. Mas o silêncio foi quebrado por um baque surdo em algum lugar perto dali.
Quando os olhos de ambos pousaram sobre a figura de Harry foi medo que sentiram. Hermione levou a mão diretamente ao bolso esquerdo de sua capa e, entre as coisas que ali se encontravam, havia sua varinha e o galeão falso, usado para comunicação. Ela apertou a moeda e sacou a varinha.
Draco manteve sua posição atrás de Hermione tempo o suficiente para alcançar sua varinha. Logo após ficou ao lado da garota e não pode desgrudar os olhos de Harry, que naquele momento já não era mais o grifinório.
- Ora só o que encontramos aqui: o casal mais bonito e imundo de Hogwarts. – A voz do moreno estava dois tons mais fina e soava fria e cortante, quase exatamente como era a voz de Voldemort. – Não tem vergonha Hermione? Se juntar ao maior inimigo de seu melhor amigo? É isso que os sangues-ruins fazem, não é? Traição!
- Harry, eu sei que não é você falando, por favor... – As palavras saíram embargadas pelo choro de Hermione, que deu um passo a frente. Ela sentiu a mão de Draco impedi-la de se aproximar mais.
- E quanto a você Malfoy? Seu pai sabe que você anda se escondendo por ai com uma garotinha de sangue sujo? Ainda mais sendo quem é? – Harry voltou seu olhar transformado para Draco que pode ver claramente as íris do garoto abertas como fendas, e sua pele em um tom azulado estranho.
- Eu não sirvo mais a você Voldemort, eu não devo nada a você. Sinceramente, acho que você passou do prazo de validade. Está na hora de dizer adeus, não acha? – Draco soltou o braço de Hermione, que se manteve ao seu lado. Ele não precisou olhá-la para saber que ela estava chorando em silêncio.
- Você acha que eu sou Voldemort? Não, eu não sou. Infelizmente o que sobrou da alma dele em mim é muito pouco para que ele tome conta do meu corpo. Eu sou apenas a raiva dele, o ódio, o ressentimento, a vontade de vingança. Eu sou bem pior do que o Voldemort, acredite, Malfoy. – Harry dera uma risada alta e sacou sua varinha, rodando entre os nós de seus dedos. Hermione tremeu em seu lugar e deu um passo para trás ao olhar novamente para o amigo.
- Harry... Por favor, você pode vencer isso, por favor. – Novamente sua voz a entregou e ela tremia com mais força.
- Ora Granger, sejamos sensatos. Você não é santa, nunca foi. Sai por ai dando ordens e dizendo a todos o que é certo e errado, mas e você? Acha certo ficar se esfregando com o Malfoy pelos cantos desse castelo, enquanto seus amigos de verdade odeiam esse cara?
- Cale a boca Potter, ou eu vou ser obrigado a acabar com a sua raça. – Draco entre cortou a fala de Harry que deu uma gargalhada alta.
- Nossa, estamos nesse nível então? Já está defendendo sua namoradinha de sangue imundo? – Harry deu um passo à frente e Draco e Hermione deram um passo atrás. – Vai acabar comigo? Como? Do mesmo jeito que acabou com Dumbledore? Oh, espere, você não teve coragem não é mesmo? Porque você é um covarde Malfoy, uma cobrinha asquerosa e nojenta que não serve para nada. Talvez vocês dois se mereçam afinal. Um covarde e uma sangue-ruim.
- CHEGA! – Hermione dera um grito, sua respiração estava descompassada. Harry a olhou com fúria e ela se manteve firme enquanto olhava para ele. – Eu não tenho medo de você, seja lá o que você for. Eu não tenho medo porque eu já vi você perder antes, porque meu amigo Harry Potter derrotou você, e antes dele Lílian Potter derrotou você! Sim, uma sangue-ruim destruiu o grande e patético Lorde das Trevas.
Tudo que aconteceu a seguir fora tão rápido que ela não teve tempo de processar. Num ímpeto de fúria, dominado pelo ódio que uma vez residira no coração de Voldemort, Harry levantara sua varinha. Um lampejo verde saíra dessa mesma varinha em direção a Hermione. Um grito, muitas luzes, e um silêncio. Foram as últimas coisas que ela pode registrar.
Continua...
N.A: Final do capitulo com suspense, ADORO! Ok, não me matem porque além de eu demorar para atualizar eu termino com uma cena dessas, mas faz parte do meu show, para manter meus amados leitores interessados em CS, mas para não acabar sendo atentada por nenhum de vocês, eu só postei porque já tenho pelo menos metade do capitulo 11 pronto, assim não levo mais tanto tempo para postar. Vou parar de prometer ser mais constante, porque NÃO CONSIGO, mas vou fazer meu melhor. A vida está meio corrida e agora são tipo 2 da manhã de um domingo, eu deveria estar dormindo, mas inspiração é assim, acontece nas horas mais impróprias. Espero que tenham gostado e o que acontece a seguir vão ter que esperar para ver, além do que... Encher minha caixa de entrada de "reviews alerts". BTW, vou recomendar uma fic, que eu espero que não seja interrompida. Meu amigo Doug começou a escrever por influencia minha, é meio Dramione, meio pós epílogo... Eu amei. The dark Soul, fanfiction by Doug-sin http*:/www*.fanfiction*.net*/s*/6236223*/1 (tirem os *). Até mais galera, fico por aqui. Beijos e obrigada a todas as reviews, vocês me motivam. 3
PS: Correções foram feitas pelo Doug, então meu MUITO obrigada por isso;
