Capitulo XI – Broken

'Cause I'm falling apart I'm barely breathing

(Porque eu estou despedaçando, mal posso respirar)

With a broken heart. That's still beating

(Com um coração partido, que ainda bate)

In the pain, there is healing

(Na dor, está a cura)

In your name I found meaning

(No seu nome eu encontrei sentido)

So I'm holding on, I'm holding on, I'm holding on

(Eu estou me segurando, me segurando, me segurando)

"Eu nunca fui do tipo de pessoa que tem fé, me ensinaram desde cedo que a única pessoa em quem eu deveria confiar era em mim mesmo. Desde então tudo na minha vida se baseou nisso, em mim. Egoísmo é algo ruim, mas tem seu lado bom. Quando você não se importa com as pessoas, não há dor em perdê-las. Eu nunca fui exatamente feliz, mas isso também não fazia diferença, a felicidade nunca me fez falta, porque não se pode sentir falta daquilo que nunca se teve."

Hermione sentia uma brisa gelada percorrer seus braços, mas não era frio que ela sentia, na verdade ela basicamente não sentia nada, além de uma dor imensa no peito. Como se lhe tivessem feito um buraco no lugar onde supostamente deveria bater seu coração, mas ela também não sentia suas batidas. Muito menos tinha força de mover os braços e constatar que não havia buraco algum em seu peito. Talvez ela tivesse morta e não soubesse, talvez Voldemort tivesse a matado enquanto possuía Harry, mas ela não conseguiu manter o foco dos pensamentos por muito tempo, tinha muito sono, voltou a dormir.

Quando finalmente o sono passou, Hermione voltou a sentir aos poucos a sensibilidade de seus membros. Já sendo capaz de mover os braços ela foi conferir se seu coração continuava no lugar e sim, lá estava ele, bombeando sangue por todo seu corpo dolorido e cansado, mas a dor não passava. Ainda sentia essa enorme sensação de vazio que vinha de dentro pra fora a cada vez que respirava.

Abrir os olhos foi uma experiência estranha, a luz do sol feria suas pupilas que exigiam continuar cobertas pelas pálpebras de Hermione e foi então que ela notou que sentia dores até nas pálpebras. Após vencer a batalha contra seus olhos ela pode finalmente reconhecer o local onde estivera nas ultimas horas. Porque sim, ela acreditava que havia se passando algumas horas desde que Harry atacou.

O lugar parecia muito silencioso e a castanha vasculhou em volta a procura de alguma coisa para chamar a atenção de Madame Pomfrey. Um sino dourado estava colocado sobre a sua mesa de cabeceira e fazendo um esforço descomunal ela conseguiu derrubá-lo no chão, provocando um barulho alto demais no ambiente muito quieto. Não levou mais do que 30 segundos para que a enfermeira aparecesse, com uma expressão de alívio e preocupação misturadas.

- Senhorita Granger, como se sente? – Ela se aproximou e as costas de suas mãos tocaram a testa da menina, que fez uma careta ao sentir os dedos frios da mulher.

- Dolorida. – A menina murmurou e fechou os olhos mais uma vez, como se isso a fizesse descansar mais um pouco.

- O importante é que você finalmente despertou, quer alguma coisa? Deve estar morrendo de sede. – A mulher parecia diferente do que Hermione se recordava, ela geralmente não era de muitas atenções, tratava os pacientes com classe, mas não era do tipo bondosa, ou carinhosa. Aquela atitude fez a castanha abrir os olhos novamente.

- Sim, obrigada, mas deixe eu te perguntar, quanto tempo estou deitada aqui? O que aconteceu comigo? – Hermione reuniu todas suas forças para conseguir falar. Observou a mulher acenar com a cabeça duas vezes e achou que talvez tivesse sofrido um trauma cerebral, pois aquele sinal não fazia o menor sentido para ela.

- Vou avisar a diretora que você acordou, tenho certeza de que ela pode te explicar melhor o que aconteceu, mas por hora continue em sua cama e descanse o quanto puder. – Sem esperar uma resposta, Madame Pomfrey foi para fora do cortinado onde estava Hermione e a castanha não relutou, apenas fechou os olhos e voltou a dormir. Realmente ela sentia-se cansada.

"Egoísmo. Segundo o dicionário é alguém que defende apenas os próprios interesses, comodismo, altruísmo, abnegação. Tenho praticado o egoísmo a tanto tempo que já é algo natural, automático, corriqueiro. Ao contrário do que pensam muitos, o egoísmo não é de todo ruim, na verdade ele pode ser bem útil quando bem utilizado. Eu por exemplo, usava o egoísmo como desculpa para minha solidão, dizer a todos que eu não gostava de companhia fazia parecer menos infeliz a realidade de não ter alguém para me acompanhar. Ser egoísta me ensinou a ser forte."

Hermione fora acordada por uma voz feminina, que não continha traços de doçura, mas sim uma rigidez e aspereza que ela sabia que pertenciam a Diretora. A castanha abriu os olhos lentamente e aos poucos eles foram capazes de focalizar a bruxa, que respirou aliviada ao notar que a menina tinha acordado. As duas permaneceram em silêncio até que McGonagall falou.

- Como se sente senhorita Granger? – Sua voz parecia um tanto embargada e ela tinha um olhar triste, parecia penalizada pela situação de Hermione.

- Dolorida, mas bem... – Hermione engoliu seco, sentindo a boca rachar de tão seca. Uma dor aguda em sua cabeça a fez querer fechar novamente os olhos, mas resistiu, piscando algumas vezes para focar a diretora.

- Que bom, isso é realmente tranqüilizante. – A bruxa não sabia muito bem o que dizer, as palavras pareciam sumir de sua boca e Hermione a encarou um tanto curiosa.

- O que aconteceu? – Era tudo que ela precisava saber agora, e ao fazer a pergunta, suas dúvidas sobre como estavam Draco e Harry bateram como um balaço em sua cabeça e o buraco em seu peito pareceu se arrombar. – Draco e Harry... Eles... O que aconteceu?

- Fique calma Hermione, eles estão bem. – A diretora era realmente uma péssima atriz, pois não foi capaz de convencer a castanha. Que forçou o corpo a se levantar, mas uma dor lasciva em suas costas a fez voltar à posição anterior, uma careta transpassando as expressões de seu rosto. – Eles estão vivos, ainda desacordados, mas bem.

- Por quê? O que aconteceu? – Hermione ainda sentia o incomodo nas costas, gemeu baixinho e tentou achar uma posição mais confortável, mas sem sucesso.

- Acho que ainda precisa se recuperar antes de saber o que aconteceu, por hora fique quieta e não se preocupe, Potter e Malfoy estão sendo muito bem cuidados, e provavelmente vão ficar bem logo. – A Diretora voltou a sua postura rígida e entrelaçou os dedos mantendo os braços estendidos em frente ao corpo enquanto olhava para Hermione. – Seus amigos devem aparecer mais tarde.

Agora além da dor pelo corpo, a castanha ainda tinha que aturar seu próprio mau-humor. A conversa com a diretora tinha feito tudo parecer bem pior, queria saber o que tinha acontecido, não saber era bem pior do que a verdade. Nada poderia ser pior do que essa ansiedade que ela sentia agora.

Lá pelas 4 da tarde Rony e Gina chegaram para uma visita, e Hermione sentiu que finalmente poderia saber o que tinha acontecido, os ruivos pareciam muito aliviados ao verem a amiga acordada, e ela deixou de lado a rabugice e foi capaz de dar um leve sorriso ao ser abraçada pelos dois.

- Como está se sentindo? A gente ficou preocupado, você não acordava nunca, só resmungava coisas sem sentido as vezes. – Rony puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da cama, olhando diretamente para o rosto da ex-namorada.

- Estou dolorida, até minhas dores tem dores. – Hermione suspirou desanimada e viu Gina um pouco receosa em falar alguma coisa, lembrou-se então da briga que tivera com a ruiva, semanas atrás e sorriu para ela de forma convidativa. – O que eu perdi?

- Os jogos de quadribol foram suspensos, já que Harry e Draco são os apanhadores e capitães dos times. Estamos fazendo mais deveres do que podemos dar conta e todo mundo só sabe falar sobre o que aconteceu na biblioteca, que por sinal estava destruída quando entramos escondidos para olhar. – Gina começou a narrativa meio tímida, mas aos poucos já estava espevitada como sempre.

- O que aconteceu na biblioteca? – Hermione olhou de Gina para Rony e os dois pareceram bastante surpresos, ficaram um momento em silêncio antes do ruivo tomar a palavra.

- Ninguém sabe, estávamos esperando que você pudesse nos dizer. Tudo que sabemos é que Harry foi dominado por Você-sabe-quem e que atacou você e o Malfoy – ele fez uma pausa e Hermione fez uma cara de "essa parte eu já sabia". Rony ficou sem graça e continuou – Depois chegaram os professores e o resto ninguém ficou sabendo.

- Onde estão eles? Estão vivos? A diretora não quis me contar nada também. – Hermione bufou mal-humorada, afinal de contas os amigos eram inúteis, sabia menos coisas que ela.

- Estão aqui, desacordados como você estava. – Gina apontou para onde deveriam estar às camas de Harry e Draco, mas Hermione não podia ver nada com esse cortinado fechado.

Os três continuaram a conversa sobre coisas que andavam acontecendo na escola, até que madame Pomfrey entrou no cortinado e começou a administrar poções para Hermione. Todas tinham um gosto horrível.

- Madame Pomfrey, será que posso dar uma espiada nos meninos? Quero ver como estão. – Hermione sorriu delicadamente e olhou para a mulher que fechou a expressão ao ouvir a pergunta.

- Perdeu o juízo senhorita Granger? – A voz da mulher saiu dois tons mais baixos, como se Hermione tivesse perguntado se poderia tirar a roupa e dançar conga dentro da enfermaria. – Agora não pode nem sonhar em levantar dessa cama, tem que se recuperar e ficar perambulando por ai não vai ajudar nisso. Seus amigos estão bem. Quando melhorar poderá visitá-los.

Infelizmente, mesmo que ela já se sentisse muito melhor isso não era suficiente para Madame Pomfrey. Todos os dias Hermione, perguntava se poderia visitar os amigos, e todos os dias a resposta era a mesma "Não, a senhorita está muito fraca ainda". O humor da castanha estava consideravelmente pior esses dias. Isso acabou afastando as duas únicas pessoas que tinham permissão de ir visitá-la. Gina e Rony vinham cada vez menos e passavam cada vez menos tempo na Ala hospitalar. Sempre dizendo que precisavam terminar as lições e estudar para os N.I.E.M'S.

Já estava trancada naquele cortinado fazia duas semanas, três se contasse a semana que ficou desacordada. Não tinha idéia do que havia acontecido com ela, Harry e Malfoy, e isso era realmente muito pior do que qualquer dor que pudesse sentir. Sem conseguir achar uma maneira de escapar dos olhos de gavião de Madame Pomfrey, Hermione estava quase conformada com o fato de não poder ir dar uma espiada e ver os outros dois.

Naquela noite teve um sonho, o mesmo que ela tinha quase todas as noites. Não era capaz de identificar o que aquilo queria dizer, eram apenas luzes difusas e brilhantes, que faziam sua cabeça doer quando ela acordava, vez ou outra ela poderia ouvir alguns gritos ao fundo, mas nada que tivesse um significado concreto. Ao acordar a castanha buscou o copo de água que ficava em seu criado-mudo. Bebeu um gole e observou que tudo estava muito escuro e silencioso.

- Madame Pomfrey? – A castanha chamou bem baixinho, não baixo o suficiente para não ser ouvida pela enfermeira, mas não alto o suficiente para acordá-la caso ela estivesse realmente dormindo. Como não ouviu qualquer resposta imaginou que a "barra estava limpa".

Levantar foi algo realmente estranho e complicado, estava há tanto tempo deitada naquela cama que suas pernas pareciam não querer responder. Poderia sentir a dor em cada músculo de seu corpo e o frio que fazia não ajudava em nada com isso. Tocou os pés não chão extremamente gelado e fez um careta, considerando desistir. Porém a vontade de ver os amigos era muito maior. Respirou fundo e finalmente ficou em pé, dando os primeiros passos. Tomou todo o cuidado para não fazer ruídos ao abrir o cortinado que a cercava.

Quando estava livre de sua prisão de panos ela pode observar a ala hospitalar, as luzes do luar entravam por suas grandes janelas, formando aberturas prateadas de luz. Ainda sendo cuidadosa com o som dos próprios passo e imaginando se não acabaria esbarrando em um feitiço miadura ela seguiu até o cortinado que ficava a esquerda do seu. Tomando cuidado para abrir o cortinado ela sentiu o estomago despencar e dar uma volta com a imagem que se deparou.

Harry estava deitado, a cabeça caída debilmente para um lado. Um cano fino entrava em sua boca, e um líquido prateado corria para dentro do corpo do moreno. Naquele momento e apenas com aquela luz para poder analisar Hermione não poderia deixar de pensar que era sangue de unicórnio. Seus olhos começaram a arder com as lágrimas que já não demorariam a cair. Aproximou-se e tocou a testa de Harry, que parecia fria demais para uma pessoa saudável, sua pele parecia muito pálida e seus lábios arroxeados. Buscou a mão do amigo, apertando entre as dela numa tentativa inútil de transmitir calor ao corpo tão morbidamente gelado dele.

As lágrimas não demoraram a correr livremente por seu rosto, deixando um rastro gelado e salgado por onde escorriam. Aproximou-se novamente do amigo e beijou-lhe a testa com carinho, se demorando mais do que o necessário, apenas para que talvez ele notasse que não estava sozinho, que ela estava ali por ele. Deu as costas, com uma promessa silenciosa de que voltaria logo.

Saiu do cortinado do grifinório e seu coração começou a disparar. Cada passo que dava em direção a Draco ela sentia como se o peito fosse explodir, engoliu seco e respirou fundo, entrando por uma abertura nas cortinas que cercavam o loiro nesse momento. Suspirou aliviada ao notar que ele parecia estar muito melhor que Harry, sua pele já habitualmente pálida não parecia ter sofrido grandes alterações, e ele respirava em um ritmo tranqüilo, como se estivesse apenas dormindo. Hermione engoliu seco outra vez e se aproximou.

Suas mãos foram diretamente segurar as deles e elas estavam frias, como deveriam estar, porque Draco era naturalmente frio, subiu seu olhar até os lábios dele, que estavam entreabertos e rosados, em um impulso que ela não soube controlar, ou decifrar, inclinou-se e selou seus lábios nos dele. Permitiu-se beijar a boca do loiro por alguns longos segundos antes de se afastar e voltar a observá-lo de cima. A luz da lua que entrava pela janela deixava os fios platinados do cabelo de Draco mais bonitos do que normalmente.

Hermione ficou observando o loiro por horas, e a luz da lua já nem mais era capaz de entrar pela janela quando ela resolveu deitar-se ao lado dele. Seu corpo dolorido demais para que ela continuasse em pé, e seu coração apertado demais para que ela voltasse para sua cama fria e solitária. Ficou abraçada ao corpo adormecido do sonserino, sua cabeça repousando sobre o ombro dele. Adormeceu assim que cerrou os olhos, o cansaço e a paz daquele momento dominando seu corpo.

Despertou na manhã seguinte com uma avalanche de gritos, que a fizeram quase pular da cama de Draco, ainda sonolenta ela quase caiu ao pisar no chão, abriu o cortinado onde estava o loiro e imediatamente chamou a atenção de Madame Pomfrey, que mais parecia um javali com raiva. A castanha encolheu os ombros e observou a mulher bufando.

- ONDE ESTAVA SENHORITA GRANGER? – A mulher tentou evitar gritar, mas era quase impossível devido a seu estado.

- Eu fui ver os meninos, eu precisava ver os meninos. – Timidamente ela falou, esperando acalmar a mulher com seu tom de voz.

- Foi ver os meninos? Eu te disse para não fazer isso, eu te disse infinitas vezes para NÃO FAZER ISSO! – A mulher abriu o cortinado de Hermione com uma força desnecessária, que fez as cortinas rangerem e balançarem com violência. – Vá se deitar Granger, antes que eu perca minha paciência.

Com vontade responder grosseiramente, Hermione apenas se resignou a voltar a sua cama e ficar calada. Não queria provocar ainda mais a enfermeira, que parecia já muito irritada, se acomodou-se, sentindo falta do ombro de Draco para se apoiar e relembrando o estado de Harry. Queria conversar com alguém e passou o resto do dia desejando que Gina e Rony viessem para uma visita.

Porém a visita não aconteceu, os dois não apareceram nos três dias seguintes e Hermione não achou oportunidades para ir visitar os rapazes outra vez. Por isso ficou sozinha e entediada a maior parte do tempo até que a diretora finalmente apareceu. A expressão da mulher já demonstrava uma leve irritação e Hermione sabia que acabaria se descontrolando caso fosse provocada, respirou fundo e se mexeu na cama quando a diretora sentou-se em uma cadeira ao lado.

- Acho que já adiei demais essa conversa. Vou te contar tudo que aconteceu. – Minerva pigarreou antes de continuar e observou a expressão de Hermione se tornar angustiada. – Como já é do seu conhecimento, Potter possuía um pequeno fragmento da alma de Voldemort dentro de seu corpo. Pedaço esse que remanesceu da luta que os dois travaram aqui mesmo nesse castelo.

"Entretanto, esse fragmento que até então não parecia ser grande coisa foi se alimentando de diversas situações que instigaram a raiva de Harry e, ficou bem claro para todos nós que o Sr. Potter tem o péssimo hábito de reprimir seus sentimentos. O que apenas contribuiu para o fortalecimento da horcruxe. Aparentemente sua relação com o Sr. Malfoy muito incomodava a ele, e suas constantes atitudes defensivas em relação à Draco fizeram esse ódio aumentar cada vez mais, dando força para o fragmento da alma conseguir possuir o corpo de Potter. Quando você o provocou aquela noite senhorita Granger, Voldemort chegou a voltar por alguns instantes, fazendo com que Harry lançasse contra você a maldição da morte. Porém, como Dumbledore havia dito que aconteceria, o amor salvou Harry mais uma vez, o salvou quando o Sr. Malfoy entro na frente da maldição e recebeu-a em seu lugar." – A diretora interrompeu a narrativa ao notar que Hermione chorava compulsivamente, soluçando baixinho enquanto abraçava os próprios joelhos. "Ao ter a mesma atitude que Lílian Potter teve, Draco foi capaz de salvar a sua vida, a vida de Harry e a dele mesmo, que jamais tivera uma atitude altruísta em sua vida antes."

- Como eles sobreviveram? – Hermione engoliu seco e tentou falar normalmente, mas sua voz saiu embargada e muito tremida.

- Porque uma maldição da morte, quando lançada por um bruxo deve ter além de magia, uma vontade impetuosa de matar, e eu sinceramente, não acredito que Harry tenha tido em qualquer momento de sua vida, a intenção de matar a senhorita. – McGonagall falou bondosamente, mas a castanha pareceu muito confusa.

- Mas a senhora disse que ele estava sendo controlado por Voldemort, como isso é possível?

- Me espanta muito a senhorita me perguntar isso... Quantas vezes Harry fora possuído por Voldemort? Sim o bruxo estava influenciando as atitudes do menino, mas a consciência de Harry não se apagou, creio eu que em algum lugar lá dentro ele estava lutando contra todo esse ódio, para não permitir que a senhorita se machucasse.

- E porque eles não acordam? Porque havia sangue de unicórnio entrando pela boca de Harry? – E ao dizer isso a menina sentiu um arrepio ruim percorrer seu corpo. – Sangue de unicórnio amaldiçoa a vida de quem o bebe.

- Somente quando tomado à força, e quando há o sacrifício dessa criatura, mas quando doado de boa vontade a barreira que protege os unicórnios se parte e o sangue pode devolver a vida a quem o bebe. – A diretora explicou sabiamente. – Deixe-me terminar a história.

"Quando a maldição atingiu Draco a sua atitude altruísta formou uma barreira que ajudou a impedir que o feitiço fosse fatal. Harry fora o mais afetado, pois teve que ser imobilizado por nós professores, enquanto fazíamos a extração do pedaço da horcruxe de seu corpo. Entenda que isso foi extremamente doloroso e difícil, e que por isso fora necessário usar o sangue de unicórnio, mas o Potter foi muito forte, outra pessoa talvez não sobrevivesse."

- Eles vão ficar bem? – Hermione respirou fundo, ainda sentindo o coração bater acelerado, mas um pouco mais aliviada por saber de tudo que acontecera.

- Tudo indica que sim, o Sr. Malfoy deve acordar nos próximos dias e talvez Harry demore um pouco mais, porém ele deverá se recuperar em breve. – A mulher se levantou da cadeira que ocupava e abriu o cortinado em volta de Hermione com um aceno de varinha. – E a senhorita está liberada, já pode voltar para seu dormitório na torre da Grifinória e para suas aulas.

Hermione abrira um sorriso ao ouvir a noticia, o rosto ainda molhado pelas lágrimas, mas um alivio tomando conta de seu corpo, já não agüentava mais ficar presa naquela cama, queria voltar o quanto antes a sua vida normal. Queria principalmente que os garotos ficassem bem logo.

Algumas horas depois que fora liberada Hermione já estava de volta à ala hospitalar, com suas vestes da escola e alguns livros na mochila. Madame Pomfrey parecia muito infeliz com seu retorno e depois de alguns minutos de discussão ela concordou em deixar a menina visitar os dois rapazes.

Primeiro a Castanha fora visitar Harry, que estava aparentemente melhor, sua pele estava um pouco mais corada e a quantidade de sangue prateado que entrava pelo tubo parecia ser muito menor. A visão de uma melhora do amigo fez Hermione sentir-se um pouco melhor, deu um beijo na testa do moreno e ficou ali parada e segurando sua mão até que Gina e Rony se juntaram a ela. Pode ouvir a curandeira bradar "Três visitas ao mesmo tempo? Assim esse garoto nunca ficará bem, ele precisa de repouso, essas crianças teimosas". Os dois ruivos observaram um pouco assustados o estado de Harry, mas depois de alguns minutos pareciam mais a vontade.

Dando uma escapada enquanto Gina e Rony falavam sobre o Quadribol com Harry, Hermione foi até o cortinado ao lado. Viu que Draco ainda parecia estar adormecido, sorriu brevemente e se aproximou. Tinha coisas a dizer, coisas que talvez fossem mais fáceis de serem ditas se ele estivesse desacordado, mas naquele momento ela não achou as palavras certas, apenas ficou em silêncio, sua mão segurou a dele por alguns instantes. Até que o cortinado se abriu e a visão de quem acabara de entrar fez seu coração falhar duas batidas.

- O que está fazendo aqui? – A voz de Lucius Malfoy era fria e áspera, ao contrário da de Draco, que sempre tinha aquela maciez e malicia. Hermione focalizou os olhos do bruxo, eram exatamente os mesmo de Draco, mas não brilhavam como os dele, pareciam vazios e tristes de uma certa forma. – Eu perguntei o que está fazendo aqui, sua...

- Sua o que? Sangue-ruim? – Hermione desafiou, soltando a mão do sonserino e apertando os olhos para Lucius e, Narcisa que parecia muito surpresa com a resposta da menina. – Vim visitá-lo, afinal o seu filho salvou minha vida.

- Terei que arrumar uma forma de castigá-lo por isso. – Lucius sorriu em deboche e se aproximou da cama, ficando ao lado oposto de Hermione, a castanha acompanhou os passos dele sem deixar de encarar seu rosto. – Agora pode ir embora sujeitinha, não quero ver você perto do meu filho.

- Não se preocupe Sr. Malfoy, eu já estou de saída. E quanto a castigar seu filho, não acho que exista pior castigo do que ser filho de pessoas como vocês dois. – Ela imitou o sorriso desdenhoso de Lucius e saiu do cortinado, indo direção à saída com pressa, seu coração batendo apressado e suas bochechas queimando de raiva.

Aquele dia letivo fora completamente inútil, uma vez que Hermione não conseguiu se concentrar nas aulas e todos os tempos livres que teve, ficou explicando, aos curiosos o que tinha acontecido, e a medida que o dia passava sua história já havia sido transformada em pelos menos outras 10, uma mais improvável e absurda que a outra. Sem paciência para agüentar mais conversa a castanha resolveu voltar a Ala hospitalar para rever os garotos, ao invés de jantar com os amigos.

Como ela já esperava, Madame Pomfrey não ficou feliz ao vê-la, mas não se mostrou resistente a deixar Hermione visitar Harry, que estava exatamente como mais cedo, não tão ruim, mas ainda longe de estar bem. Ficou conversando com o amigo, em um monólogo sobre suas aulas e seu dia cansativo, até chegou a comentar o episódio com os Malfoy, antes de dar um beijo de despedida e ir em direção ao cortinado ao lado para visitar Draco, quando Madame Pomfrey apareceu a sua frente.

- Desculpe senhorita Granger, mas não pode entrar ai. – A mulher disse de forma firme e Hermione apenas a encarou com uma expressão confusa.

- Não posso? Porque não?

- O Sr. Malfoy proibiu as visitas da senhorita, infelizmente não posso permitir que entre. – Hermione teve quase certeza de que a enfermeira estava se divertindo muito em proibi-la de entrar naquele cortinado.

- Como assim? Eu tenho direito de visitá-lo aquele idiota não pode me proibir disso, ele não tem esse direito. – A castanha bufava de ódio com a proibição, ela deu um passo em direção a Draco, mas foi impedida por uma espécie de barreira mágica, que a fez regredir quase um metro para trás.

- Me esqueci de dizer, ele colocou uma barreira para o caso da senhorita não obedecer à restrição e tentar entrar. – Ao ver o sorriso nascer nos lábios da mulher, Hermione apenas se resignou a ir embora, antes que acabasse sendo proibida de visitar Harry também.

As duas semanas que se seguiram foram um completo inferno para a garota, que tinha muita matéria acumulada, e os NIEM's pareciam estar cada vez mais perto e por conseqüência Hermione teve que diminuir o tempo que passava com Harry na ala hospitalar. Procurando sempre espiar Draco, mas era em vão, as cortinas pareciam com grandes muralhas que a impediam de ter qualquer contato com o loiro lá dentro. Harry acordou em uma terça-feira e trouxe um raio de esperança para Hermione, que imaginou que Draco também estaria acordado a essa hora.

Ficou surpresa ao ver a cama do loiro vazia quando chegou para visitar Harry, que a essa altura, estava quase totalmente recuperado. Apesar da empolgação de ver seu melhor amigo recuperado e com a sanidade mental restaurada, Hermione não pôde disfarçar sua preocupação. Antes de deixar a ala hospitalar, a castanha se dirigiu até Madame Pomfrey.

- O que aconteceu com Draco? – Ela usou o seu tom mais educado e gentil, tentando não parecer desesperada, mas Hermione já tinha a confirmação de que a enfermeira não gostava dela só de olhar sua expressão antes de responder.

- Ele foi liberado hoje mais cedo, já estava acordado quase três dias, então ele já voltou ao seu dormitório e deve retomar as aulas ainda essa semana. – A bruxa encarou Hermione, como se ela tivesse feito algo de muito errado e voltou a prestar atenção nos vidros de poções que aparentemente estava organizando.

- Ah sim, obrigada. – A grifinória deu as costas, sua cabeça latejando e uma vontade extrema de cometer um assassinato. Draco estivera acordado mais de três dias e ela não ficou sabendo, tudo que pensava naquele momento era o quanto odiava Madame Pomfrey e o quanto odiava Lucius Malfoy.

Na manhã seguinte, descer para o café da manhã fora uma experiência aterrorizante, já que cada passo que Hermione dava em direção ao grande salão, fazia seu estomago girar e a ansiedade de encontrar com Draco deixá-la tonta. Quando estava às portas do grande Salão, Granger sentiu seu coração reboar dentro do peito e teve que respirar fundo ao menos duas vezes antes de finalmente entrar no salão, seus olhos correram diretamente até a mesa da sonserina, mas nem um sinal de Draco, o loiro não estava presente, e o lugar que ele costumava ocupar estava vazio. Sentindo um desanimo imenso, Hermione passou o resto do dia desatenta e irritada.

Como em uma espécie de Déjà Vu as duas manhãs que se seguiram foram idênticas, a castanha criava uma grande expectativa sobre encontrar Draco e ele não estava lá, mas para seu alivio isso mudou na manhã de sábado. Ela já estava convencida de que Draco havia retornado à sua casa e que não iria continuar em Hogwarts, por tanto se concentrou em dar as boas vindas à Harry, que havia deixado a Ala hospitalar na tarde anterior, e já se sentia disposto para tomar café da manhã com os colegas. Os olhares da menina nem se querer se direcionaram até a mesa do outro lado do salão, já com a intenção de evitar uma decepção.

Sentou-se entre Neville e Rony, que parecia muito empolgado com o retorno do amigo, aliás, toda Hogwarts parecia feliz, tanto que a castanha teve dificuldade de lidar com os talheres, uma vez que estavam todos expremidos para ficarem mais perto de Harry. Entre um assunto e outro, Hermione ergueu os olhos para a mesa da sonserina, como se sentisse que alguém a observava de lá. E para sua surpresa, um par de olhos cinzas e intensos a estava encarando. A garota sentiu seu coração falhar duas batidas e seu garfo escorregar entre seus dedos.

A expressão de Draco não era de alegria, ou de emoção. Ele parecia bem irritado e seu olhar fuzilava Hermione que sentiu até um arrepio ruim ao ser encarada daquela forma. Uniu as sobrancelhas em uma expressão de dúvida e viu o Loiro se levantar da mesa em um movimento brusco, para logo depois sair do salão apressado. Hermione não se agüentou e teve que ir atrás dele, tomou a mesma direção e logo se encontraram, uma vez que Draco parecia estar esperando por ela, escorado em uma parede.

- O que você quer Granger? – A voz dele soou exatamente como a de seu pai e a garota teve que engolir seco antes de responder.

- Saber como você está. – Ela hesitou em se aproximar muito, já que ele mantinha essa expressão de irritação no rosto.

- Como se você se importasse. – Draco dera uma risada seca e irônica, antes de continuar. – Eu ouvia sua voz todos os dias quando você visitava o Potter. E nenhuma dessas vezes você foi me ver, agora vem atrás de mim dizendo que se importa?

- Cala a boca Malfoy, você nem sabe o que está falando. – Hermione sentia a revolta subindo por seu corpo, ele era tão grosseiro e idiota que ela não conseguia lembrar os motivos pelos quais ainda se importava com ele.

- Eu me atirei da frente de um Avada kedrava por sua causa, e você nem se prestou a ir me visitar. Além de sangue-ruim você é ingrata também, mas o que eu poderia esperar de uma pessoa suja como você? Eu deveria ter deixado o Potter te matar. – Ele falou tudo com muita velocidade, como se ele não fosse capaz de controla. Seu corpo se projetou para frente e ele se aproximou de Hermione, que sentia as lágrimas pesarem em seus olhos e como reação deu um tapa com força no rosto dele antes de se afastar correndo.

Draco ficou parado, sentindo a face arder por conta do tapa, e o coração batendo muito rápido. Ele tinha apenas uma certeza, odiava Hermione Granger, com todas as forças. Primeiro por ela ser tão arrogante e egoísta. Segundo por despertar nele sentimentos que ele não sabia ser capaz de sentir. Nesse momento ele sentia falta de quem era antes, porque agora... Agora ele se importava.

Continua...

N.A: Ok, minhas desculpas já estão ficando velhas não é mesmo? Primeiro em minha defesa, eu terminei o capitulo anterior com o suspense só porque o Doug me falou que assim as pessoas ficariam mais interessadas. (maldade culpar o amigo né? :x) A verdade é que o final do semestre chegou, junto com minhas provas finais. Ou seja, estudar, estudar, estudar. Além do TCC que eu tive que fazer em 1 mês, já que me minha querida orientadora não sabe o que quer dizer a palavra "Orientar". Resumindo não deu tempo. Ai quando eu terminei todas minhas obrigações com a faculdade, tive problemas com meu ombro... Forcei tanto o coitado nas últimas semanas, que o nervo deslocado que eu tenho ficou inflamado. Resultado? Nada de digitar por alguns dias, mas eu sou teimosa e digito da mesma forma. Tanto que esse capítulo deveria demorar mais 2 semanas, mas eu resolvi terminá-lo agora! Viu, titia Bri sabe ser legal :D

Agora vamos aos acontecidos. Bom, é isso... Draco é uma anta, eu tive que terminar esse capitulo assim, para ter outra vez o gostinho de "quero-mais" em vocês :D viu, titia Brianna sabe ser do mau D:

Mas o que realmente importa é que ninguém morreu... Na verdade o Harry iria morrer, mas achei que seria drama demais, e como essa fic está quase terminando, eu preferi deixar ele vivo... Vou me esforçar ao máximo e postar o capitulo 12 dias antes do natal, como presente para todos que acompanham. Já que em Janeiro provavelmente não haverá nenhuma atualização (a menos que eu escreva um mega capitulo de 25 página e divida para postar em janeiro) porque eu estarei viajando o mês inteiro. Então é isso. Espero que tenham gostado, que mandem reviews e etc.

PS. Vick Weasley terminou Hallelujah, e ficou fantástico, passem por lá e confiram. O link está nas minhas fics favoritas.

PS2. Esse capitulo não foi corrigido, uma vez que o Doug está trabalhando demais e eu não quis importuná-lo com isso.

PS3. Naty, é eu te amo.