Capitulo XII – Simon

Refuse to feel anything at all
(
Recuse-se a sentir qualquer coisa)
Refuse to slip, refuse to fall
(
Recuse-se a escorregar, recuse-se a cair)
You can't be weak, you can't stand still
(
Você não pode ser fraco, você não pode ficar parado)
Watch your back, 'cause no one will
(
Tome conta de você, porque ninguém irá)

Cansaço! Era essa a sensação, porque outra palavra não se encaixava tão bem nisso. Talvez esgotamento, invalidez temporária, fadiga mental, talvez até mesmo loucura. Cansaço era melhor, não era muito definitivo, não era muito expansivo, era apenas um estado físico ou mental, ia ficar com o cansaço mesmo. Draco Malfoy era isso, uma atividade diária cansativa demais para que Hermione suportasse, ele a cansava. Tirava toda sua energia e trazia como resultado um grande nada.

Já tivera que ouvir muitos desaforos dele durante esses quase oito anos que se conheciam, mas esse último fora mais do que ela pudera agüentar. Dizer que ela era ingrata, que era melhor tê-la deixado morrer, era demais. Até mesmo para Draco Malfoy, muita crueldade. Até entendia que ele não sabia o que realmente tinha acontecido, mas não era essa a maneira de descobrir, se ele tivesse ao menos perguntado a ela o que tinha acontecido. Se ele tivesse perguntando, ele não seria Draco Malfoy.

Gina não parou de importuná-la com perguntas, então Hermione decidiu contar à ruiva, o que tinha acontecido. Gina era uma boa amiga às vezes, mas geralmente conseguia ser irritante ao extremo, já que começou a rir quando a castanha terminou o relato do que tinha acontecido.

- Qual é a sua Gina? O que te faz rir toda vez que eu conto algo sobre o Malfoy? – Hermione fechou a cara e se encolheu na cama, enquanto Gina terminava seu ataque de risos.

- Por favor, Mione, você deu um tapa na cara dele, isso é MUITO engraçado. – Ainda demorou-se mais um pouco rindo antes de continuar a falar. – Conta pra ele o que aconteceu, ele vai ficar sem palavras e você vai ter vencido essa. Se der sorte ele ainda te pede desculpas.

- Claro... Então vamos dar as mãos e passear pelo castelo, antes de anunciar para todos que vamos nos casar quando terminar o ano escolar. – Hermione dera seu sorriso irônico e atirou uma almofada na amiga quando ela sussurrou "Eu não duvido que isso possa acontecer" – Não vou lá conversar com ele, pelo simples fato de que ele não escuta, ele é um cavalo que sai dando coices. Se eu for, vou bater nele outra vez.

- Escreva uma carta. – Gina sentou-se na cama e começou a brincar com o cabelo, a expressão de serenidade e diversão misturadas no rosto.

- Carta? Gostei da idéia. – Hermione sorriu e foi correspondida. – Quando foi que você ficou tão perspicaz?

- Não foi convivendo com o Rony, pode ter certeza – As duas caíram na gargalhada e Hermione começou a pensar no que escreveria na carta para Draco.

Mais tarde aquela noite, a Castanha aproveitou o silêncio do salão comunal para escrever a carta. Molhou a pena com tinta e a apoiou no pergaminho.

"Caro, Draco Idiota Malfoy

Primeiro eu gostaria de dizer o quanto você é ridículo, retardado, inútil, egoísta, ignorante e prepotente, mas acho que você já sabe disso tudo, não?"

Hermione correu os olhos pela frase, rasgou essa parte do pergaminho e começou novamente.

"Draco Malfoy.

Primeiro, essa carta é um relato breve e verdadeiro sobre os motivos que me impediram de te visitar na ala hospitalar. Espero que os considere antes de falar comigo outra vez."

Novamente Hermione rasgou o pedaço de pergaminho e começou outra vez.

"Malfoy.

Em primeiro lugar: você não passa de um idiota, mas já sabe disso.

Segundo lugar: Eu odeio você com todas as minhas forças

Terceiro lugar: Eu odeio você (só para reforçar)

Não sei direito por onde começo, afinal minha raiva é tão grande que tenho vontade de não te dizer coisa alguma. Você nem merece a verdade, mas vou dizer, apenas para que saiba que você está errado e eu certa.

Quando você estava desacordado, eu fui te visitar. Ao menos três vezes (depois que Madame Pomfrey me permitiu) e na última vez que tive oportunidade de fazê-lo eu tive o imenso azar de encontrar com seu pai e sua mãe. Pode imaginar como fora agradável nossa conversa? Sim, e terminou que ele me proibiu de entrar naquele maldito cortinado que te cercava. Ele usou um FEITIÇO para me impedir. E com a Pomfrey de guarda, eu não pude fazer nada além de aceitar isso.

Agora se você ainda tem problemas com a minha gratidão, eu vou deixar claro que agradeço você ter salvado minha vida, mas isso agora não faz mais diferença, já que você não se importaria em me ver morta. Passar bem.

Hermione Jane Granger."

Revisando as palavras rapidamente, Hermione enrolou o pergaminho e o guardou na mochila. Amanhã de manhã iria até o corujal e enviaria a carta. Infelizmente ao contrário do que imaginou, ela não se sentiu melhor ao ter escrito aquelas palavras. Foi deitar-se, mas não conseguiu dormir bem. Ficou acordada a maior parte da noite, com pensamentos demais na cabeça.

Na manhã seguinte ela acordou mais cedo que todo mundo para ter tempo de enviar a carta, depois de tê-la enviado voltou para o grande salão onde começou a tomar seu café. Não demorou muito para que os amigos se juntassem a ela, ainda teve tempo de ver Draco chegar acompanhado de Pansy e outros amigos. Teve vontade de azará-lo ao notar que ele ignorou a mesa da grifinória e não a olhou um segundo se quer.

Quando o café já estava quase terminando e as bandejas de comida estavam praticamente vazias o correio-coruja chegou, e a Castanha não pôde evitar sorrir ao ver a coruja de igreja - na qual tinha pendurado sua carta, voar em direção a Draco. Que pareceu um tanto surpreso quando abriu a carta, ele dera uma bolacha a coruja que saiu voando pelas grandes janelas que circundavam o salão.

Hermione observou enquanto ele lia cada linha da sua carta, e as expressões no rosto dele a encheram de satisfação, desviou o olhar assim que ele terminou de ler, para que ele não percebesse que ela o estava observando. Fingiu que estava prestando na conversa de Gina e Parvati, até que se assustou quando ouviu seu nome sendo falado pela voz dele.

- Granger? – Draco se manteve parado ao lado da mesa da grifinória, muitas pessoas prestavam atenção na cena, Hermione apenas o encarou e esperou que ele continuasse. – É, eu preciso falar sobre o trabalho, pode ser?

- Hum, não. – Consultando o relógio ela se levantou e pegou a mochila. – O sinal vai tocar e eu tenho aula de runas antigas agora, podemos falar mais tarde. – Sem esperar resposta ela deu as costas e caminhou em direção a saída, pedindo mentalmente que ele não a seguisse ou estaria com problemas.

O resto do dia, Draco não a importunou. O que ela achou estranho, pois esperava encontrá-lo na porta da sala de aula, mas isso não aconteceu. Depois do almoço quando finalmente terminou sua última aula do dia, Hermione foi até a biblioteca procurar um livro para fazer uma pesquisa. Madame Pince não parecia muito contente em vê-la, provavelmente culpando-a pelo desastre que havia acontecido na biblioteca, quando se afastou pode ouvir a mulher dizer "Aqueles livros jamais serão recuperados, como tem coragem de aparecer aqui?". Dando risada, Hermione foi até a sessão de transfiguração procurar o livro e teve um susto ao ver que o Sonserino estava encostado na primeira prateleira que falava sobre o assunto.

- Que susto Malfoy, você não te mais nada pra fazer? – A castanha andou mais duas prateleiras para frente, sabendo que ele a seguia.

- O que meu pai te disse? – A voz dele parecia séria, de uma forma que ela só havia escutado algumas vezes. Quando ele parecia com problemas. Parou de andar e se virou para ele. Notou que ele a encarava de forma preocupada.

- Ele disse que não queria uma sangue-ruim perto do filho dele, e que iria te punir por ter salvado minha vida. – Hermione começou a falar e não deixou de notar que ele cerrou os punhos quando ela terminou de falar. – Então eu disse que não existia castigo maior do que ser filho dos dois e sai. Quando eu voltei no outro dia, Madame Pomfrey não me deixou entrar. Foi isso.

Ele ficou em silêncio enquanto ela o encarava. Demorou-se até abrir a boca para falar, a Castanha apenas ficou parada esperando que ele fizesse alguma coisa. Enquanto Draco parecia fazer um enorme esforço para dizer algo, respirou fundo antes de começar, mantendo os olhos nela.

- Granger, eu... Bom você sabe. – Ele começou totalmente sem jeito. Sua voz variando nos tons e sua expressão um tanto contrariada.

- Eu sei? – Hermione teve vontade de rir, mas se segurou, era engraçado demais vê-lo tentar se desculpar.

- Sim você sabe. Você é uma sabe-tudo! Então quer dizer que você sabe. – Draco assumiu uma postura irônica e deu um de seus sorrisos que a deixavam bambeando entre o ódio e a vontade de agarrá-lo. Ela apenas acenou negativamente com a cabeça. – Não força Granger, eu não vou me desculpar com você. Se quiser te compro um presente.

- Eu sei que não posso exigir muito de você. Afinal ainda não está bem treinado em convenções sociais, não é mesmo? – Foi a vez dela sorrir, mas não era com ironia, era um sorriso sincero, de quem se divertia com o jeito dele.

- Esquece o presente, eu não vou gastar meu dinheiro com você. – Draco se aproximou e com um movimento rápido a puxou pela cintura, imediatamente Hermione sentiu o corpo esquentar, provavelmente tinha ficado vermelha – Não mereço um beijo de agradecimento? – Ele disse sedutor, se aproximando devagar.

- Não, você merece outro tapa na cara. Por ser atrevido, mal educado e grosseiro. Agora se puder me soltar eu seria grata por isso. – Hermione disse rápido demais, tentando se livrar dos braços dele, que a prendiam junto a ele.

- Desde quando eu peço permissão? – Ele disse mais para ele mesmo do que para ela.

Finalmente acabou a distância entre os lábios, se beijaram de forma tensa, como se tivessem esquecido de como fazê-lo depois de tanto tempo. Hermione tentou resistir, mas era impossível com a língua dele passeando livremente pela sua boca, os braços a prendendo contra o corpo tão frio dele. Seu coração batendo violentamente no peito, toda sua força de vontade em não corresponder foi embora quando Draco lhe mordeu o lábio inferior e respirou fundo contra sua boca.

Imediatamente ela envolveu suas mãos no pescoço do loiro e o puxou para mais perto, iniciando um beijo cheio de saudades, mágoas, medos e incertezas, mas mesmo assim um beijo tão intenso quanto poderia ser. Mal percebeu quando o Loiro a pressionou contra a prateleira, as mãos atrevidas ensaiando descer pelo seu quadril, as línguas dançando sua coreografia sincronizada. O corpo dele reagindo a cada contato com o calor do corpo dela, os pulmões gritando por ar, mas era impossível parar agora, sentia que o perdia a cada movimento que o corpo dele imprimia contra o dela. Era um desespero contido e sufocante, mas extremamente prazeroso e viciante.

Hermione cravou suas unhas nas omoplatas dele, e ele correspondeu apertando sua cintura com as duas mãos, o beijo foi terminando gradativamente, mas as bocas não se separaram nem os corpos que se mantinham colados. Eles não abriram os olhos, apenas respiravam o ar que soltavam, um arrepio intenso percorrendo os corpos. O ar em volta parecendo pesado demais, Draco dera pequenos selinhos na boca dela, antes de se afastar, suas mãos ainda a segurando pela cintura.

Os dois se encararam, Hermione engoliu seco e suas mãos deslizaram pelos ombros dele devagar, até irem se apoiar no peitoral, percebeu ele respirar fundo ao seu toque, não sabiam exatamente o que dizer. Talvez nenhuma palavra do dicionário fosse capaz de ser dita sem estragar o momento. Ficaram em silêncio apenas se olhando, até que ele se afastou lentamente e desviou o olhar. Hermione aproveitou pra arrumar a camisa do uniforme, o momento constrangedor se prolongou por mais alguns minutos até que ela deu as costas, pegou um livro na prateleira e se dirigiu até a saída. Enquanto registrava o livro com Madame Pince, que parecia odiar ter que dar um livro para ela, viu o Loiro sair da biblioteca sem olhar para ela.

A castanha voltou para o salão comunal, sua cabeça girando e as borboletas em seu estômago voando em todas as direções, fazendo a sensação de enjôo aumentar. Encontrou Rony, Gina e Harry sentados perto da lareira, tentou passar direto e ir para o quarto, mas a ruiva a chamou, hesitando um segundo ela se resignou a juntar-se aos amigos. Harry a encarava de forma ansiosa e ela reparou que os irmãos não falavam. Sentindo-se perdida ela olhou para os três, que desviaram os olharem.

- O que foi? – Hermione perguntou olhando pra Gina, que apenas balançou a cabeça, Harry ainda parecia nervoso e Rony tinha aquela careta de desaprovação que a Castanha tanto conhecia e detestava. – Alguém? Oi?

- Harry precisa te falar uma coisa... – Gina começou baixinho e empurrou Harry com o ombro, o moreno coçou a cicatriz que tinha na testa e engoliu seco, voltando seu olhar para a amiga.

- É, eu não sei muito bem por onde eu devo começar, já que tanta coisa aconteceu nos últimos tempos. Eu queria de alguma forma pedir desculpas pelas minhas atitudes e pelos resultados dessas atitudes. Você poderia ter morrido Hermione e eu jamais me perdoaria se algo mais grave tivesse acontecido com você. – Harry parecia desconfortável em ter que falar essas coisas na frente de Rony e Gina e, por vezes lançara olhares significativos para os dois, que não pareciam entender o sinal.

- Ah Harry, não se preocupe, foi a Horcrux que causou todas essas coisas. Não tem por que se desculpar. – Hermione sorriu docemente, mas sentiu-se vazia ao terminar de falar. Como se fosse à voz de outra pessoa que saia de sua boca.

- Isso não justifica nada, a Horcrux só amplificou um sentimento que já existia em mim, ela não me fez odiar o Malfoy nem criou todas aquelas frases ofensivas contra você. – Harry assumiu uma postura mais séria e a menina também, os dois se olhavam de forma penetrante.

- O que você quer dizer com isso? Que quis dizer tudo aquilo que disse? Que se não tivesse sobre o efeito da Horcrux apenas não teria dito, mas teria pensado? – Ela ficou mais agressiva, mesmo que não intencionalmente.

- Sim. – O moreno disse com simplicidade a encarando ainda, a menina apertou o olhar, sentindo uma raiva descomunal crescendo dentro do peito. – Como eu disse, nada justifica o que eu falei, ou fiz, mas naquele momento tudo que eu sentia era que estava perdendo você. E isso era, e ainda é insuportável.

Ele terminou de falar e ela ficou em silêncio, Gina e Rony pareciam surpresos com a frase, o clima foi ficando mais tenso a cada minuto que o silêncio se prolongava entre eles.

- Desde o primeiro ano, desde a primeira vez que eu me meti em problemas aqui nessa escola, foi você quem me salvou. Você sempre esteve aqui por mim, da primeira até a última batalha, você me ajudou mesmo que de forma indireta. – A tensão entre os quarto ainda estava visível, mas isso não desanimou Harry que continuou a falar. – E quando terminou com Rony e se aproximou do Malfoy, eu senti que estava te perdendo. Você é boa demais Hermione, boa demais para nós, e somos todos egoístas por prender você aqui. Nós te limitamos e não te deixamos ser tudo que você pode ser. Eu sei que o Malfoy não vale nada, mas ele mostraria a grandeza que te pertence, porque ele quer ser grande.

- Harry, isso não faz o menor sentido, eu não tenho nada com ele... – Uma risada debochada do moreno interrompeu Hermione que o encarou.

- Se não tem, deveria ter. Talvez ele seja a pessoa certa pra você, ele não te prenderia a ele e não faria você ser menos do que pode ser, apenas por egoísmo. A verdade é que nós temos medo de perder você, de você ver que pode ter muito mais e não voltar mais para nós.

- Isso é bobagem, vocês três sãos as pessoas mais importantes da minha vida, eu faria qualquer coisa por vocês e não seria feliz se não fosse nossa amizade. Quando eu precisei vocês sempre estiveram lá por mim. Harry eu não sei onde quer chegar com isso.

- Quero chegar no ponto de dizer que você nos carrega nas costas, e nós acabamos acostumados a sermos carregados. Isso tudo é fácil e cômodo, porque você facilita tudo para nós. – O moreno dera uma risada baixa ao ver as caras de espanto de Rony e Gina, que pareciam ofendidos com as constatações dele. – E vocês sabem que isso é verdade, não ajam como se isso fosse algum absurdo. Já você Hermione, em algum lugar ai dentro você sente esse peso e quer se libertar, só quero que saiba que eu te apoio em qualquer decisão que tome, eu irei sacrificar o que for por você, da mesma maneira que você sacrificou por mim.

Terminando de falar, Harry se levantou e caminhou até o dormitório masculino, Hermione ficou sentada no mesmo lugar, olhando o lugar vazio onde antes estava o amigo, ouvido as respirações ruidosas de Rony e Gina que não falaram nada antes de ir embora, cinco minutos depois.

Hermione teve pesadelos durante aquela noite, onde carregava toneladas de livros nas costas e o peso era tão insuportável que seus joelhos cediam, além de muitas vozes exigindo que ela continuasse a subir por uma escada que parecia interminável. Acordou assustada. Seu coração batendo acelerado e gotas de suor brotando em sua testa, olhou em volta e o dormitório estava muito quieto e o sol lá fora dava os primeiros sinais de que iria aparecer.

Levantou-se, ainda sentindo-se angustiada, olhou para os terrenos da escola onde o outono quase se transformava em inverno e o pálido céu parecia pintado com aquarela. Descansou a cabeça no espaldar da janela e respirou fundo, tentando focar-se em pensamentos bons e foi assim que notou que não havia coisas boas em que pensar, sua vida estava uma bagunça, até seus amigos que eram seu porto seguro não lhe pareciam seguros o suficiente para que o resto das coisas ruins, fossem embora.

Tomou um banho antes que as outras garotas acordassem e foi para o salão principal. Os alunos do primeiro ano enchiam os corredores, Hermione sentiu-se estranhamente alta entre eles e por um momento lembrou como era tem apenas 11 anos e estar curiosa sobre a escola, lembrou também como fora seu primeiro ano, as confusões que se meteu com Harry e Rony, o cão de três cabeças, as armadilhas até a pedra filosofal e como tudo isso parecia ter sido vivido em outra vida, uma vida distante que de tinha um gosto amargo às vezes.

Abrir caminho entre os alunos era fácil, quando eles viam seu distintivo de monitora eles logo davam passagem para ela. Alguns alunos mais velhos já estavam tomando seus cafés, a Castanha tomou seu lugar de costume na mesa da Grifinória e aos poucos observou o grande salão ser preenchido com os alunos, a grande maioria com cara de sono e as roupas amassadas.

Draco Malfoy entrou acompanhado de Pansy e outros garotos sonserinos, seu olhar foi direto para Hermione, que apenas sustentou a olhada tempo o suficiente para ele entender que ela não queria aproximação. Sem ter muitas opções ele apenas sentou-se à sua mesa e começou sua refeição. Quando Harry, Gina e Rony chegaram, foram acompanhados pelas corujas que traziam as correspondências. Como de costume Hermione recebeu o profeta diário e por ser sábado também recebeu seu volume do "Semanário das Bruxas", mas seu estomago deu uma volta completa ao ler seu nome em letras douradas no canto da página.

"Hermione Granger, uma destruidora de corações."

Seus olhos correram depressa pelo salão e suas suspeitas estavam corretas, aquilo não era imaginação dela, todos que receberam a revista viraram seu rosto para ela imediatamente, e começaram a folhear as páginas em busca da matéria. Ainda hesitando a garota abriu a revista até a página 27, onde uma foto dela ao lado de Victor Krum no baile de inverno tomava conta de quase uma página inteira.

Lembrou-se por um momento o quanto o baile havia sido divertido e por mais que Victor Krum fosse uma ótima companhia, Hermione desejava estar com Rony aquele dia. Respirou fundo e encarou o ruivo que como de costume estava sentado à sua frente, devorando de forma quase animal seu café da manhã. Então se lembrou o que havia afastado os dois, por mais que gostasse de Rony, eles tinham maneiras de pensar muito diferentes, e a convivência era quase impossível.

Voltou sua atenção para a revista, respirou fundo algumas vezes antes de começar a ler do que se tratava. Aparentemente era uma entrevista com Victor Krum, as primeiras perguntas eram sobre quadribol então Hermione decidiu virar a página, onde as perguntas mais pessoais começaram.

"Sr. Krum, todos sabemos que se envolveu com Hermione Granger, de Hogwarts, durante sua estadia no colégio para participar do torneio tribuxo. O que tem a dizer sobre ela?

- Hermione era uma menina encantadora, acho que me apaixonei por ela na primeira vez que a vi. Seu jeito doce me conquistou de cara, mas acredito ter sido enganado pelo seu jeito de menina.

Enganado? O que aconteceu?

- Bom depois que nós nos aproximamos, eu notei seu temperamento explosivo e também seu jeito mandão de ser, mas eu gostava muito dela e não me apeguei muito nesses detalhes.

Como ela era como namorada? Vocês se davam bem?

- Não chegamos a namorar, porque fiquei pouco tempo em Hogwarts, mas o tempo que passamos juntos eu pude notar que ela é um garota muito quente e até selvagem..."

Hermione interrompeu a leitura ao ler a palavra selvagem. Seus dedos pressionando com tanta força a revista, que as folhas chegaram a rasgar. Olhou em volta e percebeu que várias pessoas faziam comentários sobre a matéria, seu ódio aumentou quando viu que Malfoy segurava um exemplar da revista nas mãos.

Em um impulso, levantou-se e puxou a varinha que estava guardada em suas vestes, apontou para a revista que o loiro segurava e ordenou em voz alta e clara Incendio. A revista começou a queimar do centro para as bordas e imediatamente Malfoy se viu obrigado a soltá-la em cima da mesa. Todos olharam assustados para a garota que saiu apressada do salão, sem querer saber o resto da matéria.

Hermione retomou seu velho hábito de correr pelos corredores do castelo, dessa vez rezando para Malfoy não ser aquele que a ia fazer parar. O lugar que ela imaginou estar vazio era a torre de astronomia, ninguém iria até lá em um dia de sábado. Seus pés subiram as escadas tão depressa que ela não entendeu como não acabou tropeçando e caindo. Chegou ao alto da torre, seu pulmão gritando por ar e seu coração batendo tão rápido que estava preste a explodir. Aproximou-se da grande janela que havia na sala circular e puxou todo o ar que pôde. Suas vias respiratórias arderam, pois ali o ar era extremamente gelado.

Um arrepio estranho percorreu seu corpo e ela teve vontade de chorar por alguns segundos, mas a sensação de rejeição quanto ao pranto falou mais alto. Hermione levou as mãos até a cabeça, enquanto se encolheu, terminando sentada sobre o chão gelado de pedra, respirando de forma pesada. Talvez chorar fosse ajudar, mas não se permitiria derramar lágrimas por isso. Estava exausta de ter que superar coisas assim, estava cansada de ter que se levantar e encarar o mundo. De ser julgada como isso ou aquilo, cansada dos rótulos e imposições.

Não soube quanto tempo ficou ali sentada, mas o frio já havia penetrado sua roupa e seus músculos da perna e costas começavam a doer. Queria levantar, mas não sabia o que fazer depois disso, não sabia se teria coragem de enfrentar a escola inteira, os olhares, os comentários. Era forte, isso ela sabia, mas até mesmo sua força tinha um limite, uma hora em que ela não agüentaria mais e desistiria. Sempre temeu o momento em que chegaria ao ponto de desistir, porque sempre imaginou quem a ajudaria, e nessa hora ela sempre se imaginou sozinha. Exatamente como estava agora. Sozinha.

Estava tão distraída com seus pensamentos, que não ouviu os passos apressados que se aproximaram dela. Quando finalmente percebeu que tinha companhia, Draco já estava abaixado em sua frente, encarando a, com raiva e curiosidade ao mesmo tempo. Hermione sentiu as lágrimas crescendo sem seus olhos e a vontade de chorar era forte demais, mas ela resistiu, não choraria na frente dele, não agora.

- Granger, eu te procurei em todos os lugares, você poderia ter ido parar no inferno e eu te encontraria mais facilmente. – Ela continuou em silêncio por alguns minutos, até que Draco a sacudiu levemente e ela abriu a boca para responder.

- Harry tem o Mapa do Maroto, se ele quisesse ter me encontrado ele saberia como, sinceramente eu não vejo porque a sua preocupação.

- Não vê porque da minha preocupação? Quem disse que eu estou preocupado? E fato que o Potter e os retardados não iriam te procurar, duvido que eles tenham notado a sua ausência. – Draco se levantou, puxando Hermione pelos braços ao fazer isso, a menina tentou resistir, mas ele era mais forte e ela acabou ficando em pé de frente pra ele. – Está uns dez graus negativos aqui, vamos pra outro lugar.

- Não vou pra lugar nenhum Malfoy, eu quero ficar sozinha. – Hermione soltou-se e deu as costas para ele, as lágrimas insistindo em aumentar de quantidade em seus olhos, agora já eram visíveis e provavelmente ela não agüentaria por muito mais tempo antes de chorar.

Foi quando sentiu o corpo ser puxado para trás, suas costas bateram de encontro ao peitoral dele. Os braços a prendendo pela cintura, para que ela não escapasse, e sua cabeça amparada no espaço do pescoço dele. Ele não disse nada, apenas a apertou de leve enquanto ela ainda assimilava o abraço. Sentiu o rosto dele se aproximar do dela, e suas bochechas se encostaram de leve. Hermione engoliu seco, não suportando mais o peso das lágrimas e finalmente se permitindo chorar.

Draco ao perceber que a menina chorava, evitou mover-se, apenas deixando que ela chorasse o que precisava chorar. Mesmo que em silêncio as lágrimas corriam por seu rosto, livremente, morrendo em seu queixo ou nos cantos dos lábios, agora inchados. Ficaram abraçados até que ela finalmente estava mais calma, o silêncio dele fazia tão bem, era o lugar onde ela poderia finalmente achar paz.

Sentiu o abraço se afrouxar aos poucos e se virou pra ele, ainda com os braços dele envoltos em sua cintura, não teve muita coragem de encarar o rapaz, que apenas a acolheu em seus braços mais uma vez. Hermione escondeu seu rosto na curva do pescoço dele, respirando o perfume que vinha dali, percebeu o corpo ser afastado por ele, e o encarou, um pouco confusa.

- Você precisa parar com isso Granger, - A voz de Draco era firme e um tanto fria. – eu não tenho vocação de sair correndo atrás de você toda vez que tem um problema. E sinceramente, da próxima vez que atear fogo em mim, eu terei que te matar.

- Eu não pedi para vir atrás de mim Malfoy, aliás, eu nunca te pedi nada. – Hermione imaginou que sua voz sairia embargada pelo choro, mas talvez sua irritação tivesse apagado os traços de tristeza de sua voz.

- Ainda por cima é mau agradecida. Sua ingratidão quase supera essa sua pose de sabe-tudo. – Draco se afastou mais, deixando quase um metro de distância entre os dois.

- O que você veio fazer aqui afinal? Jogar na minha cara que eu sai correndo por causa da matéria com o Krum? Me dizer que eu tenho que enfrentar tudo isso, e que uma hora as pessoas vão acabar esquecendo e que vai ficar tudo bem, porque afinal esse é meu último ano em Hogwarts? Se foi pra isso, pode ir embora Malfoy, eu já sei de tudo isso. – Hermione deu as costas para ele novamente, mas dessa vez concentrou-se em olhar para o céu lá fora, que exibia um azul aguado e meio sonso, o Sol brilhava tão longe que seu calor era ínfimo.

- Não Granger, eu não vim te dizer nada disso. Deve estar me confundindo com dos seus amigos retardados. Eu te diria para ir atrás do Krum e obrigá-lo a se retratar pelas coisas que disse, caso elas realmente sejam mentiras. – Hermione o olhou com traços de ódio no olhar, ele apenas sorriu de lado antes de continua a falar. – O quê? Eu tenho marcas nas costas que provam que você é mesmo meio selvagem.

- Nem se eu fosse selvagem, Victor nunca saberia disso, nunca aconteceu nada entre nós além de um beijo inocente. Eu tinha apenas quatorze anos Malfoy. – Hermione respirou cansada e se apoiou no peitoril da janela, olhando atentamente o céu lá fora.

- Com quatorze anos eu... Enfim. – Draco se aproximou e encostou-se ao lado dela, deixando os braços se tocarem levemente, o contato fez Hermione virar o rosto em direção ao dele. – O que importa é que você não deve abaixar a cabeça Granger, Krum é um idiota, se fez o que fez, é porque já não faz mais tanto sucesso no quadribol, deve estar querendo aparecer e te usou para isso, já que falaram mais sobre você do que sobre ele nos últimos anos.

- Com quatorze anos você o quê? – Hermione empurrou o braço dele levemente e continuou o observando.

- Eu te digo um milhão de coisas importantes e você se apega apenas no que eu fazia com quatorze anos? – Draco ficou em pé, e a puxou pelo braço, obrigando-a andar junto com ele para longe da janela, terminou encostando Hermione na parede, e deixando seu corpo prendê-la enquanto ainda a encarava. – Com quatorze anos, Pansy Parkinson se mostrou disposta a muita coisa para me convencer a ir ao baile com ela.

- Achei que você foi porque gostava dela. – Hermione o interrompeu e começou a falar, para manter o loiro distraído, enquanto tentava uma maneira de se afastar dele. As mãos de Draco seguraram em sua cintura e ele sorriu de lado ao notar a estratégia dela.

- Gostar? Da Parkinson? Por favor Granger, pare de me provar que sua inteligência é puramente limitada. Ninguém com um pouco de juízo gostaria de uma garota como a Parkinson. – Enquanto falava, Draco usou deslizou as mãos para cima, quase tocando os seios de Hermione, que se encolheu ao sentir o toque.

- E porque não? Ela é bonita afinal. – Imediatamente a castanha segurou as mãos de Draco e puxou-as para longe de seu corpo, mas ao fazê-lo acabou sendo surpreendida e puxada para mais perto, os rostos agora eram separados por milímetros e ela podia sentir o hálito mentolado dele enquanto ele respirava.

- Granger, eu vou te beijar, e vou fazer até mais que isso. Não reclame, não saia correndo depois e não fique me olhando com aquela cara de tonta quando eu acabar, apenas me puxe para perto e me faça repetir o que vou fazer agora. – A voz dele saiu como um silvo de uma cobra, baixo, calculado e um pouco frio, mas foi o bastante para fazer Hermione se arrepiar por inteira.

Antes que pudesse formular uma resposta, sua boca foi beijada de forma tensa, os lábios se encaixaram imediatamente, não teve capacidade de resistir, pois logo depois dos lábios sentiu a língua procurando a sua. Draco soltou as mãos de Hermione e imediatamente a agarrou pela cintura, pressionando os corpos enquanto a beijava com desejo e vontade. Surpreendeu-se quando as mãos de Hermione subiram por suas costas e terminaram em sua nuca, as unhas um pouco afiadas arranhando sua pele e causando arrepios em sua espinha.

Draco se assustou quando sentiu Hermione morde-lhe o lábio inferior, logo antes de puxá-lo com um pouco de força, o loiro resmungou e revidou a mordida assim que possível, suas mãos se tornaram mais ousadas, causando arrepios por onde tocava. Procurou abrir os botões do casaco que a menina usava, mas encontrou a resistência da blusa de gola alta antes de chegar onde queria. Desistindo momentaneamente sua mão desceu pela barriga de Hermione entrando em sua blusa e tocando sua pele diretamente, notou o quanto ela era quente e o contraste com sua mão gelada foi motivo de fazer ela estremecer durante o beijo.

Os dois separam as bocas quase que imediatamente, Hermione o encarou, tentando achar algo pra dizer, mas foi calada por outro beijo, mas dessa vez em seu pescoço, a boca do loiro deslizou pela sua pele, causando mais ondas intermináveis de arrepios, e foi repousar perto de sua orelha, onde ele beijou algumas vezes de forma mais calma. Ainda podia sentir a mão dele espalmada contra sua barriga, movendo-se quase que imperceptivelmente, mas ainda assim causando um frio em seu estomago cada vez que o fazia.

Draco mordeu o lóbulo de sua orelha de forma carinhosa antes de se afastar e a encarar novamente. Sua mão livre tocou a face de Hermione, permitindo um carinho leve no rosto meio afogueado. A castanha pôde jurar que ele sorriu ao tocar sua bochecha, mas não teve certeza, pois seus olhos estavam presos aos dele.

- Odeio o quanto você me atrai, odeio seu cheiro que não sai do meu nariz, odeio essa vontade incontrolável de te beijar toda vez que te vejo, odeio estar te dizendo tudo isso. – Apesar de olhar para ela, Hermione teve a impressão de que ele não estava dizendo aquilo para que ela soubesse, mas sim como um desabafo para ele mesmo. Ficou apenas em silêncio esperando que ele falasse mais alguma coisa.

O silêncio se prolongou, enquanto a mão de Draco deslizou da barriga para a curva acentuada da cintura de Hermione, dando leves apertos na pele dela e causando mais arrepios que só ela notou. Percebeu que ele esperava alguma atitude dela, mas não tinha muita certeza sobre o que fazer. Aproximou seu rosto ao dele, e tocou a ponta de seu nariz com a dele, percebeu a mão que ainda estava em sua bochecha se afastar para seus cabelos. Sorriu quase que involuntariamente e o beijou, não da forma tensa como sempre faziam, mas de um jeito simples e carinhoso.

Foi correspondida da mesma forma, e deixou o beijo se prolongar o máximo que conseguiu, terminando apenas quando as línguas cansaram das carícias e o beijo se transformou em selinhos demorados. Afastou-se dele e interrompeu o contato da mão dele com sua cintura. O encarou ainda de perto antes de sair, ainda em silêncio, mas sabendo que aquele beijo havia dito tudo que ela não sabia como dizer com palavras. Quando já estava no segundo degrau da escada, ouviu a voz dele, um pouco rouca.

- Amanhã quero que vá comigo em um lugar, me encontre às 8h no salão principal, não se atrase. – Draco a encarou e Hermione apenas confirmou o encontro com um aceno de cabeça, antes de voltar a descer as escadas e desaparecer entre os degraus.

Continua...

Nota da Autora: Oi? Tem alguém ai ainda? Espero que sim! Tudo bem eu sumi, mais de um mês essa vez. Vamos às desculpas esfarrapadas razões pelas quais eu demorei. Primeiro: Eu estou no último semestre da minha faculdade, que quer dizer mais trabalho e menos tempo. Segundo: Algo que eu já citei aqui, mas vou reforçar, meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) que está me dando mais dor de cabeça do que eu imaginei. Minha Dead Line é em Maio/Junho e eu estou longe da metade do caminho. Sim, desespero está me consumindo aos poucos, principalmente porque minha orientadora não se orienta (Já disse isso no capitulo passado, right?) Quarto: Eu ando totalmente sem inspiração, sinceramente achei esse capitulo bem pobrezinho e só estou postando porque ter um capitulo para terminar me tira o sono... Vou assumir aqui que eu sou uma procrastinadora, mas sem inspiração não rola escrever. Pelo menos é essa a minha limitação. Tipo agora é sábado de carnaval e eu fugi de todo mundo para poder escrever e finalmente terminar esse capitulo 12, que de todos foi o que eu menos gostei, tá superando o 10 ein :/

Por último quero agradecer o carinho e a paciência comigo, espero que gostem e quero ver essas reviews chegando em 100 antes do capitulo 13. Outro agradecimento especial vai para Nine Silva que me perturba no orkut me pedindo para postar logo, você é uma linda e esse capitulo saiu mais por sua causa do que por qualquer outro motivo. Eu demoro te responder lá, mas não esqueço viu? xD

PS. Eu tive uma idéia para outra fanfic, que tem base em Changing Side, pretendo postar assim que essa acabar, para os fã eu prometo outra história!

Até a próxima.

Bri.