Capitulo XIII – Learn you inside out
In the silence you stare the at world
(Em silêncio você encara o mundo)
Your eyes are screaming to be heard
(Seus olhos gritando para serem escutados)
I wanna learn you inside out
(Eu quero te aprender, de dentro pra fora)
O dia nem havia amanhecido e Draco já estava se preparando para o encontro com Hermione, esperava sinceramente que a castanha não o decepcionasse, porque ele tinha perdido tempo demais planejando esse dia, para ela simplesmente faltar. Teve preocupação na hora de escolher a roupa, não foi nada formal, pegou as vestes trouxas que usava para sair com seu pai quando tinha que freqüentar ambientes não-mágicos. Andar por ai com vestes bruxas era muito chamativo. E para Draco, a elegância estava em ser discreto.
Ficou surpreso em saber que os jeans escuros ainda lhe serviam, colocou uma camisa de manga comprida por cima da camiseta branca, o preto da camisa contrastando com a o branco da camiseta. Para finalizar, vestiu uma jaqueta cinza chumbo, que lhe caia bem e dava um ar despojado à roupa. Saiu das masmorras e consultou o relógio, faltavam 10 minutos para às 8h, dirigiu-se até a porta do salão principal, onde iria encontrar Hermione.
Como ele previa, ela ainda não estava lá quando o relógio marcou 8 horas. Esperou mais um pouco, olhando quase que ansiosamente para a escada de mármore de onde ela provavelmente viria. Mais 15 minutos e nada. Hermione já estava atrasada e se ele tivesse que consultar o relógio mais uma vez, iria embora. Afinal, quem ela pensava que era? Deixando o esperar tanto tempo. Olhou uma última vez para a escada e não havia sinal dela, ou de qualquer outra pessoa. Estava decidido a ir embora quando viu a garota surgir pelo corredor oposto. Um pouco ofegante e corada.
Sua roupa não era muito diferente da dele. Ela usava uma calça justa e uma bota com salto não muito alto, que a deixava pouco mais alta do que o habitual, mas mesmo assim o topo de sua cabeça, não ultrapassava a linha do nariz de Draco. Uma blusa de frio que não permitia ver o que ela usava por baixo e uma bolsa de ombro, preta e de couro. Seus cabelos castanhos estavam soltos em longos cachos, que refletiam um brilho dourado sob a fraca luz do sol daquela manhã de domingo. Ela diminuiu o ritmo quando avistou o rapaz e caminhou até ele, ainda recuperando o fôlego.
- Desculpe a demora, encontrei o Pirraça no caminho mais curto e tive que dar a volta, ele estava atirando balões de água e farinha para todos os lados. Fantasma idiota. – Ela disse tão rápido e parecendo tão irritada que Draco não pode evitar dar risada, o que não fez ela desmanchar a cara de emburrada. – Não estou vendo a graça.
- Isso é porque você tem péssimo senso de humor. – Draco a encarou e passou a mão pelos cabelos loiros, que agora eram bagunçados pelo vento. – Estamos atrasados Granger, isso é culpa sua. Se estiver com fome, vai ter que esperar. Agora vamos?
- Vamos... Mas primeiro eu quero saber para onde, como e quando voltaremos. Afinal hoje é domingo, minha ausência não passará despercebida por muito tempo. Eu nem avisei para os garotos, ou Gina. – Hermione se aproximou mais um passo e finalmente percebeu como ele estava bonito assim, vestido com roupas de trouxas.
- Deixe um bilhete então, não sei que hora vamos voltar, mas provavelmente ficaremos fora o dia todo. Onde vamos não é problema seu e não me faça sentir arrependimento de ter te convidado. – Draco a pegou pelo braço e a puxou para o caminho das masmorras.
Assim que avistaram uma porta de madeira trabalhada, Draco a soltou e Hermione continuou com sua cara de emburrada. Draco usou a varinha para abrir a porta e foi então que a castanha percebeu que era a sala do professor Slughorn. Hesitou entrar no lugar, mas não teve outra opção quando seu braço fora agarrado novamente pelo loiro.
- Granger, eu não vou ficar te puxando o dia todo! – Draco iluminou a sala um tanto escura e procurou um pouco de pó de flu em um pote ao lado de uma grande lareira de mármore branco. – Precisamos fazer isso juntos, para irmos parar no mesmo lugar.
- Por acaso temos autorização para sair do castelo? Está ficando louco? Eu não serei expulsa do colégio no meu último ano! – Hermione bradou e se afastou em direção à porta, que Draco fechou com um aceno de varinha.
- Granger, eu disse para não me fazer sentir arrependimento! Temos autorização, falei com a McGonagall e ela permitiu que passássemos o domingo em Londres, eu disse que estamos indo fazer uma pesquisa sobre comportamento adolescente. Enfim, o Slughorn me emprestou a lareira e me deu a senha para abrir a porta. – Ele tentou explicar com calma e Hermione pareceu mais convencida quando ele terminou de falar. – Agora entre nessa droga de lareira antes que eu seja obrigado a te colocar à força!
- Algo me diz que eu serei a ÚNICA a sentir arrependimento por aqui. – Ela disse mais para si, do que para ele. Que apenas revirou os olhos com o comentário.
Quando os dois estavam devidamente espremidos dentro da lareira, Draco jogou o pó de flu por cima deles e disse claramente "Caldeirão furado". Hermione começou a rodopiar junto com Draco, passando velozmente por milhares de lareiras e tendo apenas pequenos vislumbres das salas de estar. Quando finalmente sentiu os pés baterem no chão, já estava em Londres, mais precisamente no bar do Caldeirão Furado. Que estava muito vazio para um dia de domingo, foi quando se lembrou que ainda não eram nem 9 horas da manhã.
Draco saiu da lareira primeiro e sacudiu as vestes, tirando as fuligens da viagem, Hermione saiu em seguida e fez o mesmo. Se preocupando mais com os cabelos do que com as roupas. Seguiu o loiro que pareceu apressado em sair do bar, surpreendeu-se ao notar que não tinham ido em direção ao Beco Diagonal, mas sim à rua estreita que dava acesso à Londres.
- Malfoy, tem como me explicar o que estamos fazendo em Londres? – Hermione se apressou para acompanhar o passo dele. Continuou esperando uma resposta que não veio, uma vez que ele não parou de andar até que haviam se afasto ao menos uma quadra do Caldeirão Furado, sempre em direção ao centro da cidade.
- Eu te trouxe para um lugar onde ninguém nos conhece. Aqui somos apenas mais duas pessoas... Eu queria saber como seria. – Draco parou de andar e encarou Hermione, que parecia confusa com sua resposta.
- Queria saber como seria o quê?
- Se ainda não entendeu, te darei até o final do dia para descobrir sozinha. Se por acaso você não descobrir, vou começar a sentir o tal do arrependimento. Sem falar que vou ter a prova definitiva de que sua inteligência é uma farsa.
- A única farsa aqui é esse seu cabelo loiro. – Hermione apertou o olhar pra ele e começou a andar pelas ruas de Londres. – Já que estamos em Londres, vamos tomar um café da manhã caprichado. Eu conheço um lugar.
Londres para Hermione era como o quintal de sua casa, estivera nesse lugar tantas vezes durante sua vida, que poderia andar pela cidade de olhos fechados e ainda assim acharia seu lugar de destino. Draco, no entanto parecia meio ressabiado ao andar pela cidade, e foi de forma contrariada que ele entrou no metrô. Algumas estações depois e Hermione o carregou de volta à superfície.
O lugar que ela escolheu para tomarem café, era uma padaria muito charmosa, em Islington, escolheram uma mesa no canto do salão e foram atendidos por uma moça, tinha os cabelos negros como os de Pansy Parkinson e pareceu estar muito interessada em Draco, se inclinando para ele enquanto dava indicações do que comer. As atitudes da garçonete começaram a irritar Hermione, que pediu dois chocolates quentes e bolos confeitados de diversos sabores.
- Garota atrevida. – Ela resmungou quando a moça se afastou, Draco começou a rir, se divertindo com a expressão de Hermione.
- Está com ciúmes Granger? - Ele continuou gargalhando e ela o empurrou com o pé por debaixo da mesa. – Ela não tem nada que me interessa não se preocupe.
A castanha não respondeu, apenas ajeitou os cabelos quando viu a garçonete voltar com o café da manhã dos dois. Ela se deliciou com os bolinhos e o Loiro apenas a observou enquanto ela comia e sorria de forma sincera. Após pagarem a conta eles voltaram a caminhar pelas ruas de Londres, sentindo o vento gelado cortando seus rostos. Hermione achou melhor usarem um taxi para chegarem mais rápido até onde queria. Draco se sentia completamente perdido naquela cidade. Apesar de já ter freqüentado Londres por inúmeras vezes, era difícil se adaptar aos hábitos dos trouxas.
Depois de quase meia hora o taxista parou em uma praça, que dava de frente ao Big Ben, o loiro teve vontade de dar risada. Hermione estava levando-o para um passeio de turistas. Ela teve que puxá-lo pela mão, para que pudessem olhar a torre do relógio mais de perto.
- Sabia que o Big Ben não é o nome do relógio, ou da torre? Mas sim do sino que pesa mais de 13 toneladas. – A castanha sorriu enquanto observava a torre com um ar de alegria.
- Você leu isso em "Londres, uma história"? – Draco caçoou enquanto metia as mãos no bolso para protegê-las do frio. Hermione o empurrou com o ombro, enquanto se virava para olhar a grande roda do milênio que ficava na margem oposta do rio.
- Nós poderíamos ir até lá, o que acha? – A menina o encarou enquanto tirava os cabelos do rosto. Que agora estavam bagunçados por causa do vento.
- Claro que sim, depois vamos ao aquário também, e quem sabe não damos uma volta no Parlamento antes de visitar os soldados da rainha. Talvez a gente possa ir até o palácio real. – Draco soltara um riso pelo nariz e se aproximou dela.
- Qual é Malfoy, porque me trouxe aqui? O que quer fazer o dia todo? Ficar sentado em uma praça esperando dar a hora de ir embora? Faz anos que não venho a Londres e eu adoraria rever todos esses lugares. Se não quiser, o caldeirão furado fica naquela direção. – E apontou para o sul, antes de dar as costas para ele e começar a andar em direção à roda gigante.
- Tudo bem Granger, nós vamos ter seu dia de trouxas, vamos visitar todos esses lugares chatos, tudo para você viver seu sonho de criança. – Ele apressou o passo e a abraçou pela cintura, enquanto andavam pela ponte para chegar ao outro lado. – Entretanto eu espero ser recompensado por isso, eventualmente.
Novamente a menina preferiu não responder, os dois passaram o dia todo, indo de um ponto turístico a outro de Londres, quando Draco finalmente se rendeu aos encantos da cidade, os dois começaram a se divertir, almoçaram em um restaurante que ele escolheu e depois de muito insistir a garota conseguiu convencê-lo a comprarem roupas. O dia passou excepcionalmente rápido, o que não ocorria em Hogwarts, onde os dias pareciam durar uma eternidade.
Logo após saírem da terceira loja, onde Hermione convenceu Draco a comprar uma camisa, os dois se encaminharam até uma praça, onde sentaram para descansar.
- Então, o que achou do dia até agora? – Draco chamou atenção de um vendedor de pretzels, voltou com dois, e esperou a resposta.
- Muito mais divertido do que eu imaginei que seria. Quem diria que você poderia ser uma companhia agradável? – Hermione sorriu antes de morder seu pretzel de canela.
- Eu gostaria de poder dizer o mesmo sobre você. – Ele soltou uma risada alta quando ela o encarou séria. – Tudo bem eu me diverti também... O que vamos fazer agora? – Ele se concentrou em comer e esperou que ela terminasse de engolir para responder.
- Acho que já visitamos todos os pontos turísticos de Londres, e já são quase sete da noite... Talvez seja melhor voltar. – Hermione terminou o pretzel e lambeu os dedos, sendo observada por Draco.
- Tudo bem, mas antes eu queria saber, se você entendeu o que eu quis dizer mais cedo. – Draco tentou ser o mais direto possível, embora sua voz denunciasse que ele estava ansioso pela resposta.
- Acho que sim, você queria saber como seria estar em um lugar onde quem somos não importa, onde os preconceitos e diferenças entre nós não fazem diferença, queria saber como seria ser apenas Draco e Hermione. – Ela respondeu com simplicidade, mantendo fixo o olhar no dele. Percebeu um pequeno sorriso se formar nos lábios de Draco e esperou que ele falasse algo.
- Então acho que minha teoria sobre sua inteligência não foi comprovada ainda, - ele dera uma risadinha sarcástica e ela fez um bico – ainda! Você tem razão, eu queria mesmo saber qual seria a sensação de estar em um lugar neutro, um lugar onde nosso passado não tivesse importância. Fiquei satisfeito com o resultado.
- Mas isso tudo acaba quando voltarmos para Hogwarts, lá nós ainda seremos pessoas incompatíveis, ainda teremos que nos odiar, não podemos fugir para sempre. – Hermione concluiu, com um nó na garganta.
- É, acho que estamos condenados a aceitar o que a sociedade impõe. – Draco abaixou a cabeça levemente e seus cabelos caíram sobre seu rosto. - Ou poderíamos tentar algo diferente, não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar nós mesmos.
- Você está disposto a mudar, Malfoy? – Hermione o encarou com firmeza, e enquanto ele não respondia, a tensão entre os olhares era muito grande.
- Então você quer saber, se eu mudaria por você! – Ela sentiu o rosto esquentar, apesar de não ter perguntado isso, no fundo ela gostaria de saber, se ele mudaria por ela, para ela. – Mudar é sempre bom.
Após a resposta inconclusiva e enigmática, um silêncio se instalou entre os dois, enquanto imaginavam como seria a vida se resolvessem mesmo mudar as atitudes, se resolvessem enfrentar o mundo. Minutos depois, Draco quebrou o silêncio.
- Hum, acho que deveríamos ir, a rede de flu de Hogwarts fecha as oito, não podemos perder a hora. – Draco se levantou e foi imitado pela garota, que juntou as sacolas de roupas e os dois se apressaram a procurar um taxi.
- Fechas às oitos? Você poderia ter me dito isso, o Caldeirão Furado fica longe daqui, e a essa hora não tem Noitebus ainda. – A castanha olhou para todos os lados, procurando um taxi, mas aparentemente não havia nenhum disponível.
- Eu não sabia que já era tão tarde, nós poderíamos aparatar até lá. – Draco a puxou pelo braço a fazendo parar de olhar para todos os lados de forma desesperada. – Relaxa Granger.
- Aparatar? E se alguém vir?
- Granger, vamos. – Sem esperar que ela falasse mais alguma coisa, Draco a arrastou para um beco, onde não havia ninguém e a iluminação era bem precária, os dois se espremeram no canto mais escuro e esperaram que não passasse ninguém pela entrada no beco, ela segurou com firmeza no braço dele, e aparataram.
Chegaram ao caldeirão furado, que estava apinhado de bruxos e bruxas, os dois se separaram, para que não fossem vistos juntos. Muitos cumprimentaram Hermione, que sorriu sem graça em resposta. Ela havia se esquecido que muitos a conheciam, devido sua luta ao lado de Harry durante a guerra. Viu Draco andando pelo lado oposto do bar, em direção a lareira que ficava no fundo da estalagem.
Os dois se espremeram na lareira outra vez antes do loiro jogar o pó mágico sobre suas cabeças, então foram sugados de volta, girando freneticamente entre todas as lareiras e tendo apenas pequenos vislumbres das salas de estar por onde passavam. Hermione sentiu-se anormalmente enjoada quando seus pés bateram no chão, talvez aquele pretzel tenha sido uma péssima ideia. Draco saiu da lareira primeiro, sacudindo as vestes para se livrar da fuligem.
- Vai ficar ai dentro Granger? – Ele a chamou quando reparou que a castanha ainda estava em pé dentro da lareira.
- Fiquei enjoada de repente. – Fazendo algum esforço, Hermione saiu da lareira e limpou as vestes, encarou Draco, que parecia observá-la de forma curiosa. – O quê?
- Enjoada? Espero que não esteja esperando um Weasley Junior, outro daqueles ruivos seria insuportável demais, ainda mais tendo o seu sangue junto. – O loiro percebeu que tinha se dado mal assim que terminou de falar, pode notar que a garota tremia levemente de raiva e que provavelmente os dois iriam discutir. – Granger, eu não quis dizer... Foi só... É...
- O quê? Você não quis dizer que não consegue imaginar nada pior do que ser humano que seja meio Weasley, meio sangue-ruim? Isso deve ser a visão do anti-Cristo para você, certo? – Enquanto falava, Hermione se aproximou da saída da sala, sentia tanta raiva que poderia matá-lo com o olhar, apoiou a mão na fechadura da porta, mas antes de abrir virou-se para ele e completou: - Sabe a pior parte? Eu achei mesmo que todo aquele papo de "Eu quero saber como é" era verdade, eu realmente achei que você tinha algo de aproveitável dentro de você. Acho que no fim das contas você tem razão Malfoy, minha inteligência é mesmo muito falsa e limitada, tanto que você foi capaz de me fazer comprar essa história de "mudanças".
- Granger, você precisa levar tudo sempre tão à sério? Qual é? Eu não sou perfeito, acostume-se com isso! – Draco se aproximou, e ela fez menção de abrir a porta, ele parou quase cinco passos de distancia dela e apenas a encarou.
- Você não precisa ser perfeito, só precisa ter um caráter, isso você não tem! Isso o dinheiro do seu papai, e seu sangue tão puro, não podem te comprar ou te dar de presente como um dom. Fique longe de mim Malfoy, ao que compete à mim nós dois não temos mais nada em comum! – Ele abriu a boca e ela não conteve o impulso de gritar – SE VOCÊ FALAR QUE NÓS TEMOS UM TRABALHO, EU JURO QUE VOU PARAR EM AZKABAN POR ASSASSINATO!
Draco pareceu intimidado demais para responder, e observou enquanto ela saía da sala, mas antes batendo a porta com força. Ficou ali parado por 20 segundos antes de ir atrás dela, que provavelmente estava correndo ou andando muito rápido, pois não estava mais no corredor quando ele saiu. Apressou-se, sentindo o vento gelado que entrava pelas janelas, cortar seu rosto e fazer sua pele, muito alva, queimar.
Só conseguiu alcançá-la quando já estavam próximos ao salão principal, que pelo barulho, ainda estava cheio, era impressionante como o frio era capaz de criar aglomerações. Draco odiava multidões, talvez por isso detestava os invernos rigorosos que passou na escola.
Puxou Hermione pelo braço, e depois de alguma relutância, conseguiu arrastá-la até uma sala vazia em um corredor paralelo ao grande salão. A castanha fez questão de manter a expressão de raiva no rosto, os braços cruzados sob os seios e o pé batendo de forma insistente no chão de pedra. Ela era a caricatura perfeita de uma criança birrenta, e ao olhá-la Draco teve vontade de rir, mas se controlou ou sua situação acabaria bem pior.
- Primeiro, você tem que parar de gritar comigo, falar o que tem vontade e dar as costas, não me dando o direito de me defender. – Draco começou a falar de forma firme, mas foi interrompido por ela.
- Se defender? Como? O que você fez não tem defesa! – Hermione olhou diretamente para ele, sua expressão de raiva se atenuando.
- SEGUNDO! Você tem que parar de me interromper – Ela novamente abriu a boca, mas a expressão nos olhos dele a fizeram se calar. – Terceiro, eu queria saber quem foi que fez de você a senhora do universo, porque sinceramente eu não consigo imaginar uma situação onde você ache que está errada, e outra pessoa esteja certa. – Draco respirou fundo e se aproximou dela. – Eu sou o que eu sou Granger, eu tenho esses preconceitos embutidos em mim, eu não falei aquilo pensando em te ofender, simplesmente saiu!
- Simplesmente saiu? Você é a pessoa mais preconceituosa e egoísta que eu conheço, você não pode se justificar com um "simplesmente saiu", essas coisas não simplesmente saem! – Ela não se afastou perante a aproximação dele.
- Então pra você o problema é eu ter dito? Porque eu posso aprender a me controlar e não falar mais coisas como essas, mas isso não muda o fato de que eu terei pensando em todas elas. O que os olhos não vêem o coração não sente? Ou nesse caso o que os ouvido não ouvem! – Draco sentiu que havia ganhado a batalha quando Hermione passou a mão pelo cabelo, ela sempre fazia isso quando estava sem algo bom o bastante para responder. – Acho que está na hora de sermos realistas por aqui, eu sou uma desgraça de ser humano, Granger. Você pode se acostumar com isso e talvez me fazer perceber que eu posso melhorar, ou eu vou mesmo em frente com esse lance de te deixar em paz.
- Você não é uma desgraça de ser humano, só tem conceitos tortos e errados. – Hermione passou a mão pelos cabelos novamente, dessa vez se demorando até soltá-los e deixar que caíssem sobre seus ombros e rosto. – Eu acho que exagerei, mas você consegue notar o quanto isso é difícil?
- Difícil? Desde quando você é otimista assim? Isso é praticamente impossível! – Draco dera uma risada, baixa e seca, que ela sabia que não demonstrava alegria ou ironia, apenas uma risada para disfarçar toda a frustração que sentia por tudo aquilo. – Eu sou um ex-comensal da morte, correndo atrás da melhor amiga do cara que eu odiei por mais de oito anos, eu devo estar perdendo a noção da realidade.
- E quanto à mim? A garota que se deixa levar pelo cara que representa todas as coisas pelas quais ela luta contra! Onde está à sanidade Malfoy? Acho que a esquecemos em algum lugar. – Hermione olhava para o chão enquanto falava, então só pode perceber o quanto ele estava perto quando levantou a cabeça, mas ai já era tarde demais, ele já estava com a mão em sua cintura e a boca tão próxima à sua que ela poderia respirar seu hálito.
- Acho que esquecemos em algum lugar por aqui... – As palavras saíram em forma de sussurros e foram morrendo até que ele finalmente a beijou, com a vontade e o desespero de sempre.
Suas mãos desenharam o contorno do quadril dela, indo até a parte anterior das coxas, fazendo uma alavanca, que a puxou para cima, obrigando-a flexionar os joelhos e sentar-se na mesa mais próxima, onde ele a deixou. O beijo não foi interrompido, - apesar de a castanha ter se assustado quando foi levantada – Draco se encaixou no espaço entre as pernas dela, suas mãos abriram a jaqueta que ela usava, revelando uma blusa de alças largas, com um decote quadrado.
Hermione tentou de forma inútil afastá-lo, mas força que usou não fora suficiente. Suas mãos automaticamente agarraram o tecido da blusa de frio que ele usava e isso apenas deu permissão para que ele se aproximasse ainda mais. O beijo era intenso e quente, nunca haviam se beijado com tanta avidez e ela temia a forma como aquilo iria terminar.
Draco usou sua mão, muito fria, para adentrar a camiseta de Hermione e tocá-la na cintura, imediatamente sentiu ela se contorcer e sua mão arder em contato com a pele muito quente que ela possuía. Os dois trocavam mordidas nos lábios, como uma forma de decidir quem mandava naquele beijo, mas no fim Hermione perdia, ele a dominava, com sua respiração, com o gosto de sua boca, com a maneira que a apertava na cintura.
Sentiu o quanto estava dominada quando Draco abandonou sua boca e procurou beijar seu pescoço, finalmente pode respirar o ar gelado que estava em volta e notar que a mão que antes estava em sua cintura, agora deslizava em sua barriga, subindo em direção aos seus seios, de forma lenta, mas mesmo assim perceptível. Teve um clarão de lucidez, e um impulso de afastar o rapaz de seu corpo, mas perdeu qualquer linha de raciocínio quando ele lhe mordeu a ponta da orelha. Hermione não pode conter um sussurro que mais pareceu um gemido, nessa hora ela sabia que havia perdido todas as chances de se livrar dele.
Draco sentiu uma vontade quase que incontrolável de rasgar as roupas dela no momento em que ouviu o gemido baixo que ela havia deixado escapar. Teve que respirar fundo contra a pele do pescoço dela, para se conter e não acabar assustando a. Suas mãos subiram a blusa que ela usava, deixando a região do abdômen dela totalmente exposto, percebeu que ela ofegava de forma meio tensa, então a encarou, deixando os rostos muito próximos.
- Eu devo parar agora? – Ele tentou ser gentil, mas tudo que conseguiu foi demonstrar o desejo que sentia em sua voz rouca e falsamente contida. Hermione ofegou novamente, ficando dividida entre mandá-lo continuar e mandá-lo parar de uma vez.
Em um movimento rápido que ele nem percebeu, Hermione levou sua mão esquerda até a face do loiro, que sorriu levemente ao toque, com tranqüilidade ela desenhou o contorno do queixo e da mandíbula dele, evitando encará-lo nos olhos. Quando sua mão finalmente parou de se mover ela disse bem baixo, como se alguém pudesse ouvir se acaso falasse mais alto.
- Acho que você tem pressa, tudo ao seu tempo. – Terminando de falar, aproximou seu rosto ao dele, e iniciou um beijo lento e carinhoso, como havia feito outra vez, ele retribuiu respeitando o ritmo que ela impunha. Até que ela o empurrou e ficou em pé, arrumando a blusa que ele havia levantado. – Vou embora, amanhã tenho algo importante à fazer!
- O quê? – Draco perguntou antes de deixar ela se afastar até a porta. Hermione apenas sorriu, e continuou seu caminho para fora da sala. Ele pensou em segui-la, mas desistiu, sabendo que ela voltaria, cedo ou tarde.
Logo depois de se despedir de Draco, Hermione não se dirigiu ao salão comunal, mas sim ao corujal, onde escreveu uma carta em um pedaço de pergaminho. Conjurou um envelope e desenhou com a ponta da varinha, um símbolo de "urgência", prendeu a carta em uma coruja marrom e deixou que ela voasse.
Na manhã seguinte a primeira coisa que Draco fez quando chegou ao salão principal, foi procurar Hermione, mas ela não estava lá. Também não a viu durantes as próximas três aulas e, sua preocupação já começava a corroê-lo por dentro, ela jamais faltaria tantas aulas a menos que algo muito importante estivesse acontecendo.
Já Hermione, acordou mais do que normalmente, para evitar encontrar seus amigos, que pelo visto ainda estavam furiosos por sua ausência não justificada durante todo o domingo. Tomou café, sozinha, tendo que ir até a cozinha para conseguir alguns pães, um pedaço de bolo e um pouco de suco de abóbora. Dirigiu-se até a passagem secreta da bruxa-de-um-olho-só, mas foi então que se lembrou que a Dedos de Mel não estaria aberta tão cedo, preferiu ir até o salgueiro lutador, pelo menos a Casa dos Gritos não levantaria suspeitas.
Hogsmead ainda estava vazia, seus passos ecoavam pelas ruas de pedra, e ela começou a sentir frio dentro das vestes da escola. Caminhou até o único lugar que estaria sempre aberto, não importando a hora. Quando chegou ao Cabeça de Javali, a pessoa que ela precisava encontrar, já a esperava e pela expressão em seu rosto, esperava à contragosto. Hermione tirou o capuz e se dirigiu até o barman, que a censurou com o olhar.
- Bom dia Ab, duas cervejas amanteigadas, por favor. – A garota ignorou os comentários baixos que ele fez, dizendo que Rita Skeeter não era uma pessoa confiável e pegou as duas cervejas, indo em direção à mulher.
- Está um tanto atrasada Senhorita Granger, e ainda por cima marcou comigo nesse lugar horrível. Diga depressa o que quer, quanto antes eu sair daqui, melhor. – Rita usou sua voz melodiosa e irritante, mas falou tão baixo que a menina precisou aproximar sua cabeça a dela, para que pudesse entender.
- Não gosta daqui porque escreveu milhões de mentiras e baboseiras naquele seu livro sobre Dumbledore. Agora tem medo do que o Ab pode fazer com você não é mesmo? – Hermione falou bem alto, para que o Barman pudesse escutar, e Rita parecia congelada, esperando ser atingida diretamente na cabeça por um feitiço, o que infelizmente não aconteceu.
- Diga Granger, diga logo o que quer. – Rita se apressou em falar e evitou a todo custo olhar para trás e encarar o irmão mais novo de Dumbledore.
- Você deve ter visto na semana passada uma reportagem sobre Victor Krum que saiu no "Semanário das Bruxas" foi escrito por Patrícia Mcnel... – Hermione foi interrompida pela risada escandalosa da mulher, que ao mesmo tempo em que era divertida, era debochada. A castanha pigarreou alto, e bateu com o punho na mesa, fazendo a mulher se calar imediatamente e fazer uma expressão de intensa repulsa. – Como eu ia dizendo, essa reportagem parecia ter sido escrita por você, de tantas mentiras que continha, mas eu acredito, que dessa vez não tenha sido apenas culpa da jornalista, acredito que o entrevistado tenha contribuído bastante para o resultado final.
- Patrícia é uma amadora, leva em consideração tudo que o leitor fala, ela ainda tem muito o que aprender, eu teria feito uma matéria muito mais interessante, afinal aquele Krum não passa de um retardado, as palavras dele, mesmo que ela tenha alterado o vocabulário, não escondem a estupidez daquele garoto. – Rita falava tão rápido que Hermione se esforçou para acompanhá-la no raciocínio, os grandes dentes brancos e aparentemente afiados da jornalista ficaram à mostra entre os lábios pintados de vermelho.
- Ótimo, agora é a minha vez de contar a verdade sobre essa história, eu não vou deixar que ele fale de mim por ai, como se eu fosse uma vadia, e não me defender. – Hermione encarou Rita, que agora tinha no rosto uma expressão de dúvida. – Você vai escrever a minha versão dos fatos, mas eu preciso que escreva, ao menos uma vez, a verdade.
- O que te faz pensar que eu perderia meu tempo com uma menininha boba como você? – A loira usou seu tom mais severo e falou pausadamente, para deixar bem clara sua ideia.
- O que me faz pensar? Eu não penso Skeeter, eu tenho a certeza de que você irá escrever esse artigo, porque além de ser uma boa matéria, eu ainda me lembro do seu pequeno e voador, segredinho. – A grifinória imitou a jornalista, que pareceu recuar ao termino da frase. – Nada de pena de repetição, nada de truques com minhas palavras, nada de mentiras.
- Isso não irá chamar a atenção de ninguém Granger, se quer ser ouvida, precisa aprender a usar os artifícios do jornalismo, eu posso ajudar, mas você terá que me deixar trabalhar. – Rita parecia ter se rendido à garota, afinal ela não tinha mesmo muita escolha.
- Tudo bem, mas antes de publicar a matéria eu quero estar ciente de cada palavra que você usou, me mande uma cópia até quinta-feira. – As duas se encararam e a jornalista concordou com um aceno de cabeça. – Vamos começar temos muito a fazer.
Hermione só conseguiu se livrar de Rita Skeeter quase na hora do almoço, já que a mulher falava tanto e fazia tantas perguntas que deixaram a garota até meio tonta. Quando finalmente voltou à Hogwarts, evitou as estufas, onde Harry e Ron estavam tendo aula substituta de Herbologia, há essa hora a fúria deles estaria incontrolável. Entretanto não teve a mesma sorte com Draco, pois ao virar o corredor do primeiro andar e ir em direção ao salão principal para o almoço, encontrou o Loiro, com aquela expressão de ódio contido.
- Onde. Você. Estava? – Ele disse quase sem abrir a boca, parecendo tão nervoso que poderia explodir a qualquer momento.
- Por favor, Malfoy eu não te devo satisfações. – Ela passou por ele, e pode notar que ele chegava à tremer de tanta raiva. Sabia que não iria se livrar dele assim tão fácil e nem se surpreendeu quando ele a puxou pelo braço com força. Foi quase arrastada até uma das passagens secretas que davam para o primeiro andar e esperou que ele começasse com seus discursos, mas isso não aconteceu, ele apenas ficou em silêncio, encarando-a na penumbra.
O silêncio se prolongou por quase um minuto, que para Hermione mais parecia uma hora, até que ele se aproximou, envolveu-a pela cintura e a beijou com delicadeza jamais vista por ela antes. A castanha nem sabia como retribuir aquele beijo de tão gentil e calmo que era, mas aproveitou o carinho dos lábios dele nos seus até que ele a soltou e voltou a encará-la.
- Não faça isso novamente, eu odeio sentir preocupação. – Draco usou um tom de voz contido, que ainda demonstrava traços de raiva.
- Eu tinha algo importante a resolver, logo você saberá o que é. – Hermione não quis se desculpar, seu orgulho não permitiria, apesar de ter sido essa a vontade que teve.
- Então me avise caso isso aconteça de novo, eu odeio sentir preocupação. – Repetindo o que havia dito, Draco a puxou pela cintura novamente e beijou-lhe o canto da boca, ainda estranhando tanto carinho, Hermione o abraçou pelo pescoço e retribuiu o beijo dando um selinho demorado nele.
- Estou com fome Malfoy, podemos ir almoçar? – Quebrando totalmente o clima, Hermione falou baixo, e logo ele havia deixado de segurá-la pela cintura, apenas suas testas permaneceram unidas enquanto ele pensava em algo pra dizer.
- Vai Granger, antes que eu me arrependa de não ter gritado com você. – Dizendo isso ela sorriu e se afastou, saindo por detrás da cortina que escondia a passagem secreta e indo em direção ao salão, olhou para trás para ver se ele vinha em seu encalço, mas ele permaneceu encostado contra a parede, apenas observando enquanto ela caminhava para longe.
Continua...
N.A: Devem ter o quê, uns três meses que eu não atualizo? Sim, acho que é mais ou menos esse o tempo que eu parei de viver e comecei a me dedicar a coisas que são consideradas obrigações. Entretanto eu acho que tenho uma obrigação com minhas leitoras e leitores também, mas obrigação não de tempo, mas de qualidade. Qualidade essa que eu venho deixando à desejar nos últimos capítulos, porque a pressa de terminar tem sido maior que a inspiração de escrever. Acho que não cabe mais minhas desculpas, porque elas ainda continuam as mesmas... Faculdade, TCC, Provas finais, trabalho, falta de tempo. Isso são minhas desculpas para não ter terminado logo o capitulo, mas isso não me desculpa por ele não estar do jeito que deveria estar. BOM. Sim, porque eu acho que estou deixando à desejar no quesito qualidade da escrita, espero sinceramente que isso melhore com o passar do tempo e minha adaptação à rotina nova da minha Vida. Morro de saudades de escrever, de ler os comentários lindos que recebo e de viver um pouco essa história. Acho que todos devemos agradecer à Harry Potter and the Deathly Hallow p. 2 que me fez vir até aqui terminar logo esse capitulo. Aliás eu chorei o filme todo, sai do cinema desidratada. HAHAHA. Enfim, espero que tenham gostado e o capitulo que vem é um desfecho, as coisas vão mudar radicalmente e ai se inicia a reta final da história. Obrigada pela paciência e compreensão. Mandem REVIEWS!
Beijos, Bri.
