Capitulo XIV – Make me over
Wrap my arms, around your name
(Envolvo meus braços no seu nome)
Feel your breath, against my pain
(sinto sua respiração, contra minha dor)
As I breath out the past is gone
(Eu respire fundo e o passado se foi)
Hermione estava tentando reconquistar a confiança dos amigos e evitou ao máximo encontrar-se com Draco aquela semana, mesmo que o garoto insistisse em puxá-la para um canto escuro todas as vezes que tinha oportunidade. Mesmo que ela soubesse que o que eles tinham não era de fato um namoro, era isso que parecia, cada vez mais, cada vez que se encontravam. Entretanto ela sabia que isso não era algo que poderia ser real, ela não podia alimentar esperança nesse sentido, até porque as conseqüências seriam desastrosas.
Os dias daquela semana passaram tão lentamente que Hermione começou a amaldiçoar Einstein e sua maldita teoria da relatividade. O tempo era mesmo relativo, mas ela só se importava com quinta-feira, e depois se importaria com sábado. Ninguém sabia da entrevista que ela havia dado à Rita Skeeter, somente a professora Minerva, que tinha autorizado sua saída naquela segunda-feira de manhã. Ainda era quarta-feira quando durante o almoço um anuncio pegou todos de surpresa.
Todos pararam suas refeições para escutar a diretora que estava em pé, encarando a todos e esperando que os cochichos cessassem para que ela finalmente pudesse começar a falar.
- Boa tarde, como todos sabem, Hogwarts foi palco para a batalha final da última guerra bruxa que aconteceu, e como todos sabem, muitos perderam a vida naquele dia fatídico. – Hermione observou a expressão de dor nos rostos de Gina e Ron que haviam perdido um irmão naquele dia. – As pessoas que morreram em nome de um mundo melhor para vocês, e para todos nós, não serão esquecidas, e por esse motivo, vamos prestar uma homenagem, singela, mas verdadeira.
Mesmo antes de a diretora terminar o anuncio muitos alunos começaram novamente com os cochichos que se espalharam, formando um grande burburinho. Hermione observou a diretora encrespar os lábios e pigarrear alto, fazendo o salão se calar novamente.
- Como eu dizia, a homenagem pode ser feita por cada um de vocês, quem tiver algo a dizer, ou a mostrar, será bem-vindo. E os alunos que mais se dedicaram à reconstrução de Hogwarts também serão homenageados. Agora voltem ao seu almoço, à festa só ocorrerá dentro de duas semanas, dois dias antes do Natal.
Agora ela tinha mais uma data com a qual se preocupar. Pelas suas contas o dia da tal homenagem cairia em outra quinta-feira, talvez fosse um sinal, e de repente Hermione passou a detestar todas as quintas-feiras. Sua ansiedade só cresceu e naquela tarde ainda teria uma reunião com Malfoy e os outros que participavam de seu trabalho. Já haviam perdido muito tempo com isso e resolveu que hoje colocaria o projeto para andar, uma parte dela queria muito se livrar logo disso para que ela pudesse voltar a se concentrar apenas em seus estudos, que à muito tempo estavam esquecidos por ela.
Hermione encarou as duas aulas seguintes com seriedade, fazendo todas as anotações possíveis, mesmo que o professor Bins já tivesse feito toda a sala adormecer, a menina sabia que as provas de História da Magia não eram fáceis, olhou em volta ao ouvir um aluno da Sonserina roncando. Seus olhos se encontraram com os únicos olhos que ainda estavam abertos na sala. Draco sorriu de forma sarcástica para ela e com vários gestos indicou para ela a saída da sala. Como um convite para que ela saísse com ele. Hermione pareceu ofendida com o convite, apenas deu as costas e voltou a fazer suas anotações.
Alguns minutos depois, sentiu algo a atingir nas costas, olhou em volta e uma pequena bolinha de papel estava no chão, próximo aos seus pés. Abaixou-se e pegou o bilhete, reconheceu imediatamente a letra bonita e fina que ele tinha. Deu risada ao terminar de ler. Pegou sua própria pena e rabiscou um grande "NÃO" por cima do que ele havia escrito. Jogou a bolinha de volta e observou enquanto ele abria o papel e parecia perplexo com a resposta.
Voltando sua atenção para aula, Hermione se surpreendeu quando a voz de Draco ecoou na sala. Alguns alunos acordaram ao ouvi-lo, mas ela ainda não acreditava no que ele estava fazendo. O Professor Bins interrompeu seu discurso entediante e prestou atenção no rapaz, que parecia satisfeito com a atenção que recebia.
- Me desculpe pela interrupção professor, mas acabo de me lembrar que a Diretora McGonagall requisitou minha presença e da Senhorita Granger para uma reunião. – O fantasma ficou parado, como se esperasse uma conclusão do que ele estava falando e Draco continuou. – O senhor se importaria se nós fossemos agora?
- Não, tudo bem. – Bins não disse mais do que isso, atravessou o quadro e voltou um tempo depois, retomando seu discurso interminável. O loiro sorriu satisfeito e se aproximou de Hermione, que parecia não acreditar no que ele tinha acabado de fazer.
- O que te faz pensar que eu vou sair daqui com você? – Ela disse baixo em um quase sussurro. Ele apenas sorriu e respondeu no mesmo tom.
- Dessa vez é sério, eu preciso falar algo com você. – Ele fez sua expressão mais séria e isso foi o suficiente para convencê-la a sair da sala em sua companhia.
Os dois tentaram ser discretos, mas a essa altura muitos alunos estavam acordados e alguns comentavam a atitude estranha de Draco e a expressão de constrangimento de Hermione, que parecia ter sido atingida por um balaço na nuca. Os dois caminharam pelos corredores e em silêncio subiram as escadas até o terceiro andar. Draco se recusou a falar qualquer coisa durante o tempo em que andaram. Finalmente chegaram até a porta da sala de troféus. Ainda muito curiosa a garota observou a sala enquanto ele trancava a porta.
- Então Malfoy, o que tem a me dizer? – Virou-se para ele, mas não teve tempo de perguntar mais nada, tão pouco obteve uma resposta. Sua cintura fora agarrada e fora empurrada para trás, até uma mesa, sentiu o corpo ser pressionado pelo dele antes que fosse beijada.
Os movimentos foram tão rápidos que ela nem soube quando começou a corresponder o beijo, que dessa vez parecia mais intenso do que todos os outros, as mãos dele perderam toda a timidez e pressionavam com vontade as curvas entre seus seios e suas coxas. Tinha certeza que ficaria marcada depois de tanto ser apertada, mas naquele momento isso parecia não ter importância.
Draco mordeu-lhe a boca e voltou sua atenção para o pescoço de Hermione, tomou cuidado para não deixar marcas profundas na pele são frágil e macia que ela tinha, mas a tentação em mordê-la foi mais forte. Seus dentes se arrastaram com um pouco de força bem perto da jugular dela, que há essa hora começou a pulsar com força, ouviu-a resmungar, mas isso apenas aumentou sua vontade de repetir o movimento.
Seus dentes desceram pelo pescoço, adentrando os limites da blusa dela, com uma das mãos ele soltou os três primeiros botões da camisa branca, e sua outra mão subiu pela coxa da menina, apertando a pele quente por onde passava. Hermione tentava de alguma forma reagir, mas o contato da boca dele com sua pele era demais para ela resistir. Deixou-se levar e quando percebeu sua camisa estava quase toda aberta.
Draco apoiou sua mão na barriga dela e a acariciou, causando uma onda de arrepios que ele pode notar, voltou seu rosto para o dela e beijou-lhe novamente a boca, dessa vez se surpreendeu que quem tomara a iniciativa das carícias foi ela, aos poucos soltou os botões da camisa dele, e suas mãos finalmente tocaram o abdômen definido que ela tanto tinha curiosidade de sentir. Suas unhas um tanto compridas arranharam a pele muito alva daquela região, antes de subirem até o ombro dele, com a intenção de se livrar de vez da camisa que ele usava.
Não conseguiu terminar o movimento, pois sentiu o corpo ser levantado, as mãos atrevidas de Draco a segurando em seu quadril, e a fazendo sentar-se na mesa onde estava apoiada, não demorou em sentir o corpo ser novamente empurrado para trás, e quando percebeu, ele estava deitado sob seu corpo, só se deu conta de que haviam ido longe demais, quando ele deixou seu quadril pesar sobre o dela e notou que ele estava totalmente excitado com a situação.
Porém era tarde demais, seu corpo pedia por ele, e cada vez que ele mordia seus lábios e tocava em seu corpo, essa vontade apenas aumentava. Não sabia onde isso iria terminar, mas a realidade só surgiu diante dos seus olhos quando a mão dele deslizou por sua coxa, atingindo os limites de sua calcinha. Ela estremeceu e ele percebeu que talvez tivesse ido longe demais. O beijo parou e eles se encararam, ela muito envergonhada e ele ainda com o desejo nos olhos.
Nem um dos dois falou, ela apenas inclinou o corpo para frente, o obrigando a levantar, Draco se afastou, saindo de cima da mesa, ela deu as costas para ele, abotoando a blusa com pressa e ajeitando a saia que há essa hora estava muito torta. Draco a imitou, fechando a camisa que ela mesma havia aberto e arrumando os cabelos. Aproximou-se dela e como reação a menina se encolheu um pouco.
- Você está bem? – Ele disse baixo, deixando os lábios tocarem de leve o topo da cabeça dela. Ela demorou a responder e ele poderia jurar que era capaz de ouvir o cérebro dela trabalhando em uma resposta.
- Pode parecer bobagem pra você Malfoy, mas eu não sou como as outras garotas, eu não vou me deixar levar por um cara que não tem qualquer tipo de comprometimento comigo. – Hermione disse baixo, se afastou do toque dele, dando a volta na mesa e só assim conseguindo encará-lo.
- Está me pedindo em namoro, Granger? – Ele tentou ser debochado, mas só conseguiu deixá-la irritada.
- Não Malfoy, eu jamais namoraria alguém que não consegue falar sério nem por cinco segundos. Eu estou falando de intimidade, cumplicidade, confiança. Isso não é necessariamente algo que se tem com um namorado. – Ela tentou respirar, mas sentia seu rosto queimar, queria dizer tudo isso há tanto tempo, mas só agora tivera coragem. – Ron era meu namorado e nenhuma dessas coisas estavam presentes.
- Você ainda é uma menina Granger, e sinceramente isso me fascina, mas vou ser sincero, já que você gosta de seriedade. – Ele fez uma pausa para avaliar o quanto ela estaria disposta a aceitar a sinceridade dele. – Você quer isso também, eu pude sentir isso hoje, só falta você entender que eu posso ser esse cara para você.
- Está me pedindo em namoro, Malfoy? – Ela usou o mesmo tom de deboche que ele, mas ao invés de nervoso ele apenas sorriu.
- Bem que você gostaria, mas pra você eu tenho outra coisa planejada. – A resposta poderia ter sido interpretada de várias formas, e é claro que Hermione escolheu a pior delas, com a ciência de que ele só queria se divertir, ela deu as costas e saiu da sala. Batendo a porta à suas costas.
Os preparativos para a tal homenagem, agitaram os humores de toda a escola e Hermione não poderia sentir-se mais desmotivada. Ela evitava Draco de todas as maneiras, mas o loiro estava cada vez mais presente em sua vida. Os dois comandavam reuniões quase diárias com seu grupo e por mais difícil que fosse para ela admitir, ele era bom em comandar, sem ter muita escolha, os dois passavam praticamente todo o tempo livre que tinham, juntos. Isso não fazia nada bem para a saúde mental de Hermione, que ficava cada vez mais desanimada.
Entrementes, a quinta-feira que ela tanto esperou finalmente havia chegado, e uma coruja cinzenta trouxe o pacote que ela tanto esperava, sem deixar que ninguém visse o conteúdo do pacote, Hermione se retirou do salão principal e procurou um canto deserto do castelo para ler a entrevista que havia dado à Rita Skeeter. Teve que admitir que a mulher não era tão ruim assim, pode notar que algumas coisas que ela tinha dito haviam sido distorcidas, mas mesmo assim a essência do que ela queria transmitir tinha sido preservada.
Com o problema da matéria resolvido, Hermione tinha apenas mais duas preocupações: A reação dos alunos quando lessem a entrevista e a festa de homenagem aos mortos na guerra. Estava preocupada principalmente com a perspectiva de ter que participar das homenagens, uma vez que notou os olhares da diretora em sua direção enquanto discursava. Suas suspeitas se confirmaram, era uma terça-feira, logo após o almoço, quando a castanha fora retirada de sua aula de "Aritmância" pelo Sr. Filch que a conduziu até a sala da diretora. A castanha acompanhava o homem, com má vontade e desejo profundamente que o Poltergaiste Pirraça, aparecesse para que ela tivesse uma desculpa e não chegar ao seu destino.
Sortuda como era, nada aconteceu, a castanha fora obrigada a passar pela gárgula de pedra e não se sentiu surpresa ao ver que Draco também estava presente na sala da diretora. O Sonserino a encarou quando a viu, mas logo voltou sua atenção para outro canto da sala. Hermione pediu licença e a diretora lhe indicou uma cadeira ao lado de Malfoy. Sua surpresa maior foi notar que o estilista Ned Flanders também estava presente, o homenzinho não se agüentou e deu gritinhos de alegria ao ver a Castanha que respondeu com um sorriso amarelo toda aquela empolgação.
- Obrigada a todos pela presença, Srta Granger, Sr Malfoy, eu acredito que não seja surpresa para vocês essa convocação, espertos como são, já devem ter se atentado ao fato de que os dois farão parte das homenagem do dia 22. – Todos os presentes na sala prestavam atenção as palavras de Minerva McGonagall. – Enfim, como fizeram um ótimo trabalho até agora, eu venho informar que você além de serem homenageados, farão uma homenagem à escola. De forma simbólica é claro, mas acredito que com um impacto positivo, e é ai que você entra Ned.
Hermione tentava manter o foco no discurso, mas só de se imaginar na frente de toda a sociedade bruxa, ao lado de Draco Malfoy e recebendo uma homenagem por contribuir com a reestruturação da paz em Hogwarts, ela entrou em pânico. Se tivesse que falar ou fazer alguma coisa, iria ser categórica em se negar. Não existia força nesse universo que fosse capaz de obrigá-la a falar em público.
- Quando soube da homenagem, Ned se apressou em me procurar e propor uma forma de demonstrar a união e a harmonia entre vocês dois e o restante do castelo. Com isso, nós decidimos usar uma forma simbólica de que não existem mais preconceitos entre Grifinórios e Sonserinos...
- Posso continuar Minerva? – O homenzinho interrompeu a diretora, que pareceu desgostar bastante da atitude, mas não criou objeções e deixou que ele falasse. – Vocês dois foram de longe os melhores modelos que eu já vesti, então como minha forma de contribuição para essa festa, irei vestir os dois. A Srta Granger de Verde e Prata e o Sr Malfoy de Escarlate e Dourado.
Fez-se um minuto de silêncio onde o casal parecia absorver a informação, Draco se manteve parado, na mesma posição como se esperasse o momento onde o estilista fosse gritar "BAZINGA". Hermione, entretanto, não alimentou a mesma esperança e como se tivesse sido atingida por uma flecha, se levantou, encarando a diretora e o estilista.
- Estão falando sério? Me desculpe diretora, mas não há nada que possa fazer que me convencerá a usar as cores da Sonserina em um evento público. Eu respeito a tentativa de homenagem, mas isso não é possível. – Ela tinha um tom de voz firme, e a professora parecia escandalizada ao ter ouvido aquelas palavras.
- Srta Granger, eu esperava muito mais de você. Não acredito que uma moça tão inteligente e esclarecida como você é, tenha um tipo de preconceito tão infantil, com cores.
- E eu diretora, não acredito que a Sra sendo tão inteligente como é, cogitou a ideia de uma Grifinória ostentar as cores da Sonserina. Me perdoe se pareço ser grosseira, mas eu venho fazendo tudo que a Sra me pediu esse ano, até mesmo desfilar vestidos de gala, mas não chegarei ao ponto de usar as cores da Sonserina, é uma questão de princípio.
- Então isso só deixa claro que a Srta vem me enganando todo esse tempo. – A voz da diretora era ameaçadora, e Hermione começou a se arrepender de ter desafiado a mulher. – Porque até onde eu venho sido informada, os preconceitos e rivalidades entre Sonserinos e Grifinórios vem sido trabalhados para desaparecerem. Agora com sua negativa em usar as cores da outra casa, isso só mostra que os velhos paradigmas continuam vivos dentro da Srta.
- Peço perdão previamente se o que eu irei dizer agora soar desrespeitoso: Não existe tempo, trabalho ou qualquer outra atitude que a Sra, ou qualquer outra pessoa tenha que irá mudar a rivalidade existente entre Grifinórios e Sonserinos. Essa rivalidade é o que mantém o equilíbrio. Posso passar o resto da minha vida convivendo com qualquer Sonserino, mas no final do dia eu ainda serei uma Grifinória, e nós não vestimos verde e prata.
Outro minuto de silêncio se instaurou na sala e foi então que Hermione se lembrou que Draco ainda estava presente, olhou para o loiro que tinha no rosto uma expressão de desgosto sem tamanho, como se acabasse de ver uma dúzia de cabeças de porcos decapitadas.
- Essa é sua palavra final Srta Granger? – A diretora tremia levemente, e Hermione sabia que ela estava furiosa por dentro, mas que não deixaria que ninguém mais percebesse, porque no fim ela não tinha o poder de obrigar os dois a fazer algo que eles não queriam. – O que Sr tem a dizer Malfoy?
Draco parou surpreso ao ser convidado à participar da conversa, olhou para todos os presente e sua expressão de nojo apenas se intensificou. Outro minuto de silêncio até que ele resolveu se levantar e começar a falar.
- Odeio muito ter que dizer isso, mas a Granger tem razão. Não vou usar as cores da casa rival, tem noção do quanto isso iria soar como uma traição? Por mais que a Sra deseja uma convivência pacífica entre as duas casas, a rivalidade e a competição sempre existirá. Não seremos hipócritas, isso aqui não é um conto de fadas.
Hermione sentiu muito ódio do garoto naquele momento, porque ele era capaz de dizer coisas incrivelmente negativas sem nem ao menos variar o tom de voz, o que transparecia muito mais credibilidade do que ela. Que sempre que tinha que enfrentar alguém, tremia, ficava nervosa a acabava se atrapalhando com as palavras. A diretora ainda perplexa sentou-se em sua cadeira. O estilista parecia não acreditar no que acabara de ouvir, suspirou fundo e retomou a palavra.
- Tudo bem, eu mudo a cor dos trajes, você de vermelho e dourado – E apontou para Hermione. – Você de verde a prateado. – Apontou para Draco. – Acho que só fato de os dois estarem lado-a-lado já demonstra que existe união, não vamos forçar a barra, já que eles não querem.
- Forçar a barra? – A diretora repetiu a expressão e se levantou, agora sim, parecendo furiosa. – NADA MUDOU! A DESUNIÃO PERMANECE ENTRE ELES. Você não pode ver? Quando acabarem o projeto cada um voltará ao convívio apenas dos seus companheiros de casa e minha tentativa de estabelecer a paz nesse castelo terá sido apenas uma perca total de tempo. – McGonagall estava realmente furiosa, seus olhos faiscavam de ódio e Hermione não conseguiu achar um bom argumento para convencê-la de que as coisas estavam certas, até porque ela mesma não acreditava que as coisas estavam certas. – Vocês três, podem ir embora.
Com um aceno de varinha a porta se abriu e os três saíram o mais depressa possível, assim que a porta se fechou em suas costas puderam ouvir vozes exaltadas vindo de dentro da sala. O estilista parecia um tanto desconcertado e deu uma risadinha afetada para o casal.
- Vocês poderiam ter apenas concordado, não é mesmo?
- Não, não podíamos. – Draco disse de forma categórica e se afastou, indo em direção às masmorras, Hermione o seguiu, e quando saíram do alcance da visão de Ned, ela o chamou.
- Malfoy! – Ela precisou apertar o passo, pois ele já estava quase na metade do corredor seguinte. Percebeu que o loiro não iria parar e teve que correr para alcançá-lo. – Malfoy, eu estou falando com você.
- O que você quer Granger? – O garoto parecia bem irritado, mas isso não intimidou a garota, que respirou fundo antes de começar a falar.
- Acha que estamos encrencados depois do que fizemos hoje?
- Fizemos? FIZEMOS? Nós não fizemos nada Granger, você quem fez. Aliás, de longe essa foi a coisa mais estúpida que eu já te vi fazer, e olha que você tem o hábito de fazer coisas bem estúpidas. O que você tem no lugar do cérebro? Merda? – Ele se controlou para não gritar, mas seu tom de voz não podia esconder o quão nervoso ele estava. – Enfrentar a diretora e dizer que não existe força no universo que te faça vestir verde e prata. Sério, garota você foi além das expectativas no quesito: "Eu sou retardada"
Ela não conseguiu ser rápida o bastante para formular uma resposta, ficou parada, boquiaberta, tentando encontrar algo muito bom para falar, mas aparentemente nenhuma das suas idéias seria boa o bastante para superar o que ele havia dito. Com um ar de vitória no rosto ele se afastou, deixando a castanha dividida entre o arrependimento e raiva por ter sido insultada e não ter conseguido responder.
Ela nem se surpreendeu ao notar que o dia já havia amanhecido e ela não havia dormido nem se quer um minuto, sua cabeça trabalhava em milhões de hipóteses para concertar o que tinha feito, e cada uma se tornava pior do que a outra poderia ir até a diretora e pedir desculpas, mas isso seria demonstrar que não acreditava no que tinha dito e apesar de se sentir estúpida em ter dito, ela não voltaria atrás da decisão de não usar as cores da Sonserina em um evento público. Quando ouviu os primeiros sinais de que as colegas estavam acordando, Hermione se apressou em sair do quarto, não queria encontrar Gina ou os garotos. Teve sorte de não encontrar ninguém até chegar ao salão principal, que estava ainda vazio.
Hermione tinha tomado a decisão de se desculpar pela forma grosseira como falou com a diretora e naquela manhã foi até a gárgula de pedra que guardava a porta do gabinete da diretoria, mas a estátua não se moveu ou deu qualquer sinal de que a deixaria passar. Lembrando-se que teria aula de Transfiguração mais tarde, ela voltou ao grande salão para tomar seu café-da-manhã. Seus amigos já estavam presentes e ela não pôde evitar contar a eles o que tinha acontecido na tarde do dia anterior. Não se surpreendeu ao ser apoiada pelos três, e isso serviu para que ela tivesse certeza de que estava errada, Harry, Gina e Rony eram as pessoas mais inconseqüentes que ela conhecia, e saber que eles teriam feito o mesmo era um desespero, não um consolo.
Quando finalmente chegou a aula de Transfiguração, Hermione não conseguiu falar com a diretora, assim que terminou a aula a mulher se apressou em sair da sala e não deu atenção aos chamados da aluna. Sentindo-se cada vez mais desanimada, a castanha foi se arrastando até sua reunião com Malfoy e os outros alunos. Ao chegar na sala notou que todos davam risadas e o clima entre todos parecia ótimo. Quando notaram a presença da castanha todos a cumprimentaram de forma animada, o que a fez sorrir, pela primeira vez em muito tempo.
- Uau, quanta animação, eu posso saber o motivo? – Ela perguntou enquanto ignorava a presença de Draco, que parecia fazer o mesmo com ela.
- Claro! Neville e Luna finalmente assumiram o namoro, isso não é ótimo? – Um garotinho do quarto ano disse todo sorridente, e a castanha sorriu mais abertamente ao notar os olhares tímidos entre Neville e Luna.
- Eu não poderia ouvir notícia melhor, fico muito feliz por vocês... – Sentindo sua energia um pouco revigorada Hermione acenou para o casal dando parabéns.
- Sim, o clima de romance está se espalhando por Hogwarts. – A voz de Draco transpassou os ouvidos de Hermione como uma faca gelada e afiada. Sentindo um choque na espinha a garota virou-se para encará-lo. – Já ficou sabendo que seu ex-namorado te substituiu? – A castanha não respondeu, apenas continuou encarando o loiro. – Parece que não... É Granger, ele arrumou uma namorada nova, Alexia Sturger conhece?
Hermione continuou encarando Draco, sem saber o que responder, era a segunda vez em menos de 24h que ele fazia com que ela ficasse sem resposta. Tentou puxar na memória a garota de quem ele estava falando e realmente se lembrava de ter ouvido falar de uma garota do 6º ano, que tinha fama de ser muito inteligente. Algumas pessoas até costumavam chamá-la de Hermione-2. No fundo a notícia de que Rony estava namorando não a incomodava, mas tinha certeza que ninguém acreditaria que na verdade ela havia ficado feliz pelo amigo.
- Sim Malfoy, não fale dos meus amigos como se soubesse mais deles do que eu. – Ela dera um sorriso vitorioso e voltou a conversar com os outros alunos, que tinham milhões de novidades para contar a ela.
Assim que a reunião acabou, os alunos deixaram a sala, Draco e Hermione ficaram sozinhos. Ela se dedicou a terminar de arrumar a sala, enquanto ele ficou apenas observando. Hermione virou-se para ele, mas o garoto não disse nada, apenas ficou em silêncio, o momento se prolongou por tempo demais e a castanha voltou a arrumar os materiais. Quando havia terminado se encaminhou para a saída da sala, mas Draco a impediu batendo a porta com um feitiço.
- O que você quer agora? – Ela estava realmente sem paciência para agüentar as provocações dele, queria correr até o salão da Grifinória e verificar com seus próprios olhos que Rony tinha uma nova namorada.
- Você está com ciúmes do Weasley? – A voz dele era seca, desdenhosa, e no fundo ela sabia que quem sentia ciúmes era ele. Hermione virou-se para ele e respirou profundamente antes de responder.
- E se eu estiver? O que você tem com isso afinal? – Ela aproximou-se meio passo e ele continuou com a expressão dura no rosto, parecia impassível, como se tivesse de se mover e deixar transparecer que isso o incomodava profundamente.
- Se estiver, quer dizer que ainda não esqueceu o pobretão! Eu sinceramente esperava mais de você Granger. Achei mesmo que você tinha visto que merecia mais... Algumas coisas nunca mudam não é mesmo? – Ele finalmente tinha se deixado vencer pelo ciúme, e sua expressão ficou até um pouco maníaca. Como se tivesse perdido o bem mais valioso de sua vida.
- Merecia mais? Esse mais seria você Malfoy? – Ele pareceu assustado, não esperava que ela fosse desafiá-lo daquela maneira. – Você que me trata mal na frente das pessoas, que só sabe se aproximar com segundas intenções. Você que aparentemente me usa como um passatempo! É isso que eu mereço?
- Não se faça de besta Granger, você sabe que as coisas são bem mais complicadas do que isso. E sinceramente não existe a possibilidade de conversar cinco minutos com você e não perder a paciência. Eu nunca conheci alguém tão arrogante e petulante, e que me tire do sério da maneira como você faz.
- Então eu sirvo para o quê, Malfoy? Para você se agarrar comigo quando não tem mais ninguém olhando e depois, quando precisa lidar com a minha personalidade - que é em muitos aspectos parecida com a sua. Você simplesmente cai fora? – Hermione se aproximou, deixando apenas dois passos de distancia entre eles.
- Você realmente me surpreende com sua falta de habilidade para interações sociais, em minha opinião você passou tempo demais com Potter e Weasley, e eles como retardados sociais, não te mostraram que existe muito mais do que só a vontade de fazer. – Ele se aproximou mais, deixando os rostos a poucos centímetros um do outro. - Você realmente acha que nós dois poderíamos viver como um casal normal?
- Eu não estou procurando nada normal Malfoy, eu já desisti de ser normal quando eu tinha cinco anos de idade e fiz todas as janelas da minha casa em pedaços, só porque estava com raiva. – Ele pareceu refletir o que ela tinha acabado de dizer, Hermione suspirou e continuou – Eu só queria saber o que você quer de mim afinal.
- Eu não sei Granger, eu sinceramente não sei. Acredito já ter disso isso pelo menos cinco vezes. – Ele levou a mão até o rosto dela, e tocou sua bochecha, a garota de repente parecia muito magoada e se afastou do toque dele.
- Então quando você descobrir você me procura Malfoy, até lá acho que nossa brincadeira acabou. – Dizendo isso ela saiu da sala, o feitiço que a trancava já havia perdido o efeito e sua vontade de correr novamente era tão forte, que ela quase não conseguiu reprimir.
Os dias passaram incrivelmente rápido desde aquela conversa dos dois. Draco estava respeitando o pedido de Hermione e os dois não falavam somente sobre algo que tivesse relação com o projeto, de resto mal se encontravam e as provocações entre eles haviam desaparecido. Hermione finalmente tinha conseguido falar com a diretora, as duas tiveram uma conversa bem séria e a castanha se desculpou pela forma que falou com a mulher no outro dia.
No fim o pedido de desculpas dela foi aceito pela Professora. E as duas concordaram de que Hermione participaria da homenagem, usando as cores da Grifinória é claro, mas mesmo assim participaria. Sentindo-se um pouco mais aliviada por esse lado, ela conseguiu se concentrar novamente nos estudos e dedicava todo seu tempo livre para estudar cada vez mais, já que a outra opção era ficar com Harry, Gina, Rony e Alexia, a nova namorada do ruivo. Que claramente não suportava a presença de Hermione.
Um dos dias em que passou na biblioteca, a Grifinória recebeu uma visita inesperada, Rony se aproximou timidamente e ela não pôde evitar sorrir ao vê-lo, sozinho. O garoto sentou-se a sua frente e parecia ter algo de importante a dizer.
- Mione, eu queria... Bem, acho que nós precisamos conversar. – No momento em que abriu a boca, suas orelhas ficaram vermelhas e Hermione se forçou ao máximo fingir que não tinha reparado nesse detalhe.
- Hum, então diga Rony, estou te ouvindo. – Ela sorriu de forma tímida e ele retribuiu sorrindo também.
- Acho que desde que comecei a namorar você acabou se afastando de nós, e eu quero que saiba que todos nós sentimos sua falta. – Ele segurou a mão de Hermione que estava sobre a mesa. – Eu imagino que deva ser estranho pra você eu ter outra namorada, e até entendo que você tenha se afastado de nós, mas acho que ninguém pode tomar o lugar que é seu de direito. Você faz parte da nossa turma, e sem você tudo fica diferente.
- Rony, eu realmente me afastei, mas não porque eu esteja chateada com você, longe disso, eu fico feliz que você tenha encontrado alguém que te faça feliz como eu não pude fazer. – Hermione sorriu docemente, da maneira que só conseguia sorrir para Rony e Harry. – Simplesmente sinto que eu não me encaixo mais, vocês estão sempre juntos, fazendo coisas de casais e eu acabo sobrando... Não tenho raiva ou me falta vontade de ficar com vocês, mas eu acho que preciso de um tempo para me acostumar a essa nova realidade.
- Então vai continuar afastada? – Rony parecia derrotado, e ela sorriu novamente.
- Evidentemente não, eu só estou me dedicando a algo que tem muita importância na minha vida: Meus estudos. Mesmo que você não estivesse namorando, eu teria me afastado. A diferença é que agora eu sei que você não está mais segurando vela para o Harry e a Gina. – Ela deu risada e o ruivo a acompanhou.
Os dois passaram horas conversando o que nunca havia ocorrido antes, já que o diálogo entre eles não era algo que fluía muito bem. Depois de quase duas horas de papo, voltaram juntos ao salão comunal da Grifinória, onde Alexia parecia descontente com a demora do namorado. Hermione falou rapidamente com Harry e Gina e foi deitar-se.
Hermione havia se empenhado tanto nos estudos durante os últimos dias que não se deu conta que a festa de Hogwarts seria realizada dentro de apenas um dia. Após uma longa aula de poções, a castanha fora surpreendida por duas assistentes de Ned Flanders, as mulheres elegantemente vestidas queriam que a castanha fizesse a última prova de seu vestido. Somente assim a garota se deu conta de que na próxima noite teria que encarar todas as pessoas importantes do mundo mágico em uma festa, e ainda por cima seria homenageada. Nem queria imaginar o que faria caso fosse obrigada a dizer algo para aquelas pessoas, a verdade é que Hermione não tinha grande habilidade para falar em público, sempre fora um tanto tímida.
Quando finalmente o vestido estava perfeito a garota pôde voltar aos estudos e com o tanto que havia aprendendo nas últimas semanas, provavelmente já saberia mais do que os próprios professores, correu até o Salão Principal para não perder o jantar e quando chegou, o único lugar vago na mesa da Grifinória era ao lado de Rony. Sentou-se com o amigo, mas não foi possível ignorar o olhar de desgosto de Aléxia. A garota olhou de forma tão penetrante para Hermione, que a garota teve de conter o impulso de checar se havia um buraco em sua têmpora.
- Então, como ficou o vestido? – Gina perguntou animada enquanto colocava mais suco de abóbora no copo de Harry.
- Acho que ficou bonito. Você sabe que eu não me ligo muito nesse negócio de moda, mas o Sr Flanders estava dando gritinhos de alegria quando foram terminados os ajustes. – Enquanto conversava com Gina a castanha fez seu prato e começou a comer, pois sabia que em breve toda a comida sumiria e ela teria que ser obrigada a ir até as cozinha, escondida, para pegar algo para comer.
- Já sabe qual vai ser a homenagem? – Harry entrou na conversa e começou a rir da pressa com a qual a amiga comia, sua risada fora acompanhada por Rony que levou uma cotovelada da namorada de forma nada discreta. – Poxa Mione, você parece até o Ron comendo.
- Por favor, Harry! – A castanha tentou parecer irritada, mas começou a rir junto com os amigos e se esforçou muito para ignorar o fato de que Aléxia saiu da mesa enquanto os quatro amigos davam gargalhadas.
Durante uma brincadeira e outra, acabou tendo os cabelos bagunçados por Rony e por coincidência seu olhar cruzou com um par de olhos cinzentos do outro lado do salão. Draco observava a cena com muita atenção e pelo o que conhecia do loiro, muita raiva também. Ele se levantou ao notar o olhar de Hermione e saiu do salão, sem nem se quer olhar para trás.
Sem entender muito bem o motivo, Hermione teve vontade de se levantar e ir atrás de Draco para lhe dar alguma explicação, mas seu impulso fora imediatamente substituído por uma raiva repentina. Pelo fato de que Malfoy sempre se mostrava possessivo em relação a ela, mas nunca tinha oficializado de qualquer forma a relação entre eles. Não sabia desde quando sentia essa necessidade de uma confirmação, mas sabia que não poderia seguir naquela imprecisão.
Na manhã seguinte as aulas tinham sido suspensas para que todos tivessem tempo de se arrumar para a grande festa que seria realizada de noite. O castelo inteiro parecia agitado e ansioso para a comemoração, Hermione não sabia direito o que tinha que fazer, além de colocar o vestido ela não tinha algo especial para preparar. Portanto aproveitou a manhã livre e foi passear em Hogsmead. Gina a acompanhou e durante o passeio as duas colocaram os assuntos em dia.
- Então, o que achou da Alex? – A ruiva tocou no nome da nova cunhada, assim que as duas entraram na loja de materiais escolares.
- Não tive uma oportunidade de conhecê-la, mas Rony me disse que ela é bem legal, inteligente, carinhosa. Acho que ele está em boas mãos. – Hermione concluiu de forma displicente enquanto pegava meia dúzia de rolos de pergaminhos.
- Ele também disse que ela tenta a todo custo ser você? – A castanha conhecia muito bem o "veneno" de Gina e sabia que se desse importância ao que a amiga dizia, acabaria dando espaço para fofocas desnecessárias e maldosas.
- Acho que ela deve ter uma personalidade parecida com a minha, vai ver esse é o tipo de garota que o Rony gosta. Eu sinceramente não vejo problemas nisso. – Hermione juntou a sua cesta de compra mais três frascos de tinta preta e continuou andando pelos corredores a procura de mais materiais.
- Sim, deve ser isso mesmo. – Gina dera uma risadinha irônica e as duas saíram da loja com duas sacolas de materiais escolares. Não que Hermione realmente precisasse daqueles materiais, seu estoque ainda estava cheio, mas para ela sempre era melhor prevenir do que precisar de algo e não ter.
- Vamos até a Gemialidades Weasley agora? – Hermione adorava aquela loja, mesmo que logros não fossem seu passatempo preferido, a alegria das lojas dos gêmeos sempre a fazia se sentir melhor.
- Claro... Ai você me conta como vão as coisas com o Malfoy. – Gina enganchou o braço da amiga e a puxou para dentro da loja dos irmãos. Um garoto pouco mais velho que as duas, estava atrás do balcão e as recebeu com um grande sorriso.
As duas caminharam entre as prateleiras, vendo as novidades para o Natal, mas a ruiva não tinha se esquecido de sua pergunta e não parou de insistir até que ela e Hermione estivessem no três vassouras para tomar uma cerveja amanteigada.
- Tudo bem Gina, eu vou te contar. – Todas as vezes que precisava contar algo íntimo a alguém, Hermione poupava todos os detalhes possíveis. Não gostava de detalhes, contava história como um todo e isso era uma das coisas que mais irritava Gina. A garota adorava detalhes e elas sempre brigavam por isso.
- Então quer dizer que acabou? Ele nunca mais te procurou? – A ruiva deu um grande gole em sua cerveja enquanto aguardava a resposta.
- Nunca mais, isso responde boa parte das minhas perguntas. Ele não queria nada comigo, ainda bem que eu não fiz nenhuma besteira.
- Besteira? Como dormir com ele? – Gina disse isso mais alto do que planejara e algumas pessoas das mesas em volta olharam para as duas, Hermione quis aparatar para a nova Zelândia naquele momento.
- Sim, ou besteira como falar isso em voz alta dentro de um bar! – Hermione falou entre os dentes, olhando a amiga com raiva. Gina deu uma risadinha e pediu desculpas.
As duas saíram do Três vassouras meia-hora mais tarde e voltaram ao castelo pela estrada principal, tomando cuidado para não afundar os pés na neve que já cobria cada pedaço de terra nos campos de Hogwarts. Quando chegaram foram até os dormitórios guardar as coisas que haviam comprado. Ao voltarem até o Salão Comunal, encontraram Harry e Rony, jogando uma partida de Xadrez de Bruxo. As duas ficaram sentadas perto deles observando a partida.
Quando Rony finalmente iria dar o Cheque-mate em Harry, Aléxia apareceu, carregando grandes sacolas de compra, estava acompanhada de uma amiga de sua série. A garota parou abruptamente ao ver Hermione ao lado do namorado. Deixou metade das sacolas caírem no chão fazendo um barulho muito alto. Todos na sala voltaram atenção para ela. Aléxia não se mexeu, continuou observando a cena, até que Hermione se levantou e saiu pelo buraco do retrato.
A verdade é que a castanha já tinha problemas demais para lidar, não queria mesmo suportar o ciúmes da nova namorada de seu ex-namorado. Consultou o relógio e o almoço seria servido em meia-hora, passeou pelos jardins congelados antes de ir comer. Levou um susto ao entrar no salão principal. Tudo estava revidado, fora do lugar. Fez uma refeição rápida em meio a agitação do lugar e quando finalmente achou que estaria livre para ler um livro ou estudar, as assistentes de Flanders a encontraram novamente.
As duas mulheres muito bem vestidas solicitaram que Hermione as acompanhasse até uma sala no segundo andar, onde começariam as preparações para o baile que seria realizado naquela noite. A castanha protestou de início, dizendo que era muito cedo para começar a se arrumar, mas não teve escolha e entrou na sala. Onde mais meia-dúzia de garotas já estavam vestidas com hobbies brancos, algumas fazendo as unhas, outras arrumando os penteados. Imediatamente a castanha se sentiu desconfortável. Ela era qualquer coisa, menos vaidosa. E toda essa preparação era para ela, algo desnecessário.
Sem escolha a castanha se rendeu aos tratamentos de beleza, fez as unhas, arrumou as sobrancelhas, fez uma limpeza de pele, recebeu uma massagem e até mesmo teve meia-hora para uma meditação, onde caiu no sono como uma criança. Quando acordou, tinha que escolher as cores para as unhas. A manicure insistia em vermelho, mas ela preferia que fosse algo transparente. As duas concordaram com um vermelho mais escuro, que não chamaria tanto a atenção, e combinaria com o vestido. Depois das unhas, foi a vez do cabelo. Depois de devidamente hidratado, os cachos castanhos da menina, estava absurdamente sedosos e comportados. Ned Flanders apareceu nessa hora. O homenzinho olhou para Hermione como se ela fosse uma obra de arte.
Ele deu idéias para o penteado, mas somente a última ideia realmente agradou a menina. Seu cabelo fora divido de lado, e puxado para o lado esquerdo em um rabo de cavalo. Os grandes cachos castanhos caíram sobre o ombro esquerdo de Hermione como uma cascata cor de mel. Sua franja mais lisa fora deixada solta e emoldurava seu rosto de forma delicada. Penteado ficou sóbrio e simples, mas muito elegante.
A maquiagem fora o toque final. Seus olhos foram marcados com um delineador preto, máscara para cílios e uma sombra levemente dourada. Em seus lábios um batom cor de boca puxado para o rosado, e um leve brilho molhado. As maças do rosto foram marcadas por um blush também rosado, que deu um aspecto saudável para Hermione.
Quando teve a oportunidade de consultar o relógio, já passava das sete da noite. Assustou-se em imaginar que passara a tarde toda se arrumando e o quanto isso era trabalhoso. Encontrou um espelho e ficou admirando o resultado do trabalho. Nunca tinha se sentido, tão bonita e a verdade é que ela não precisava de muito para isso. Bastava se cuidar um pouco mais e toda aquela beleza apareceria. Ficou imaginando quantos namorados ela poderia ter arrumado se tivesse se preocupado mais com a aparência e deu risada sozinha.
Logo a chamaram para colocar o vestido. Era a última da fila, e teve que aguardar mais de meia-hora até sua vez. Todas as garotas já estavam saindo para o salão quando ela entrou na cabine para colocar o vestido. Somente quando olhou com atenção para o vestido, pôde notar o quanto ele era bonito. Seu modelo era frente única, duas fachas largas de tecido se uniam no pescoço de Hermione, mas entre elas havia um espaço, deixando um decote discreto para os seios. O pano era escarlate, como as cores da Grifinória. Um brilho dourado cintilava por todo o comprimento do vestido. Havia uma fenda, no lado esquerdo do vestido, que subia até metade da coxa de Hermione, quebrando o tom de seriedade do modelo.
Colocou os sapatos forrados com o mesmo tecido do vestido, o salto não era tão alto e a deixava com a postura mais correta, deu uma volta para olhar as costas do vestido. Suas costas estavam nuas até a altura de sua cintura, e pequenos fios dourados caiam do lado que prendia as alças do vestido. Estava pronta, a última parte – e provavelmente a mais difícil também. Era sair para o salão principal e encarar o olhar de todos. Agradeceu a todas pelo excelente trabalho, respirou fundo e saiu pelo corredor, desceu dois lances de escada até chegar ao primeiro andar, encostado no pilar da escada que iria direto ao salão principal, estava Draco.
Hermione sempre achou que ele ficava bonito usando preto, mas mudou de ideia quando o viu vestindo verde a prata. Seu terno era de um verde esmeralda bem intenso, quase negro, ele usava uma gravata prateada sobre uma camisa preta. A combinação era perfeita com a pele muito alva dele. Seus cabelos platinados estavam penteados de forma comportadas, mas os fios estavam soltos sem o gel que ele usava em ocasiões solenes. Uma franja caía sobre seus olhos prateados e ela teve que respirar profundamente enquanto o observava, como se todo o ar tivesse sido sugado de seus pulmões. Ele demorou até notar a presença dela, mas quando o fez, sua expressão fora de quem via um anjo.
Ficaram se encarando, um admirando a beleza do outro, Draco olhava cada centímetro dela, como se procurasse algo de errado, porque era perfeito demais para que ele pudesse acreditar. Talvez um defeito tornasse sua visão em realidade. Ela se aproximou e quando se moveu, parece ter sido o bastante para ele acreditar que ela era de verdade. Hermione planejava passar por ele diretamente, sem parar para uma segunda olhada, mas fora interceptada. Draco a pegou pelo braço, de forma delicada e a obrigou a parar. Os dois se encararam por um longo momento.
- A diretora disse que vamos entrar juntos. Você é meu par. – Ele parecia ter desaprendido a falar, pois sua voz saiu rouca e muito baixa, como se não tivesse falado pelos últimos 300 anos.
- Então acho que não tenho escolha. – Os dois se olharam novamente e ela seguiu seu caminho até o salão, com Draco ao seu lado, os dois em silêncio.
Quando entraram no salão, o lugar já estava apinhado de pessoas. Hermione reconheceu diversas pessoas, boa parte do pessoal que apoiava a Ordem da Fênix. De longe, viu os pais de Draco, cercado de algumas pessoas que tinham sido livradas das acusações de serem partidários de Voldemort. Intimamente a castanha não confiava na inocência de nenhuma dessas pessoas, mas não iria iniciar uma revolução naquela hora, procurou seus amigos, e eles estavam agrupados em três mesas no canto do salão, quis ir até eles, mas a diretora apareceu antes que ela tivesse a oportunidade de se mover.
- Senhorita Granger, está realmente encantadora. – A diretora usava um vestido de festa na cor azul safira, que a deixava elegante e um pouco mais jovem. Era a primeira vez em anos que Hermione via um sorriso sincero marcar as expressões da mulher, provavelmente ela tinha se esquecido como era sorrir.
- Obrigada diretora, eu gostei muito de seu vestido. – Hermione retribuiu o sorriso e olhou de canto para Draco, que tinha no rosto uma expressão que dizia "Lindo vestido, sim" de forma totalmente irônica. Ela quis rir, mas se segurou, voltando a prestar atenção na diretora.
- Obrigada, agora preciso de vocês sentados naquela mesa ao centro, logo começam as homenagens – A mulher indicou uma grande mesa posicionada ao centro do salão, onde alguns outros alunos e professores já estavam sentados.
O casal foi até a mesa e sentaram-se lado a lado, a sua frente o novo ministro da Magia, que era um velho conhecido de Hermione, sorriu ao vê-la. Ao seu lado também estavam os pais de Rony, ocupando um lugar de honra naquela mesa. Todos pareciam pertencer aos seus lugares honrosos, menos Draco, que sentia-se um pouco deslocado em meio a tantas pessoas bondosas, Hermione sentiu isso ao notar que ele não encarava ninguém e muito menos olhava na direção da mesa de seus pais.
- Está tudo bem? – Hermione perguntou em um sussurro antes de começarem as homenagens, ele a olhou de lado e acenou positivamente com a cabeça.
- Você está pronta? – Ele perguntou no mesmo tom que ela, e ela pareceu muito confusa com a pergunta.
- Para o quê? – Ela olhou diretamente para ele, virando um pouco o corpo para enxergá-lo melhor. Draco apenas sorriu e as luzes do salão se apagaram, dando início as homenagens.
Depois de mais de duas horas de homenagens, Hermione queria imitar Dumbledore e pular da torre de astronomia, porque já não agüentava mais ouvir tantas pessoas falarem. Queria fazer sua parte naquilo e ir embora, e seu tédio era acompanhado por Draco, que a tempos não prestava atenção no que era dito, estava se divertindo enfeitiçando azeitonas para batalharem sobre a mesa. Quando os dois foram surpreendidos pela voz da diretora que chamou seus sobrenomes, convidando-os para subir ao palco.
Ainda aturdida pela salva de palmas que recebeu, ela levantou-se e chutou Draco sobre a mesa, para que ele fizesse o mesmo, os dois contornaram a mesa e foram em direção ao palco. Onde receberam medalhas de reconhecimento e ficaram em silêncio enquanto a diretora discursava sobre a importância que tinha o trabalho que os dois fizeram durante aquele início de ano letivo. Exaltou os rápidos avanços e resultados em tão pouco tempo e deixou claro que estava absurdamente orgulhosa dos dois e do trabalho de equipe que realizaram.
Hermione sentia-se totalmente constrangida, já que todo o salão a encarava, algumas pessoas com expressões relutantes, sorrisos forçados e desconforto. Ela imaginava o quanto seria difícil para os conservadores admitirem que uma "sangue-ruim" era boa em algo, e que efetivamente havia contribuído com algo de bom para a escola. Tentando se focar em rostos conhecidos e realmente alegres, Hermione se desconcentrou do discurso da diretora, que já durava mais que cinco minutos.
Finalmente voltou a realidade quando sentiu sua cintura ser envolvida pelo braço de Draco, que a puxou delicadamente para perto, deixando seus corpos unidos lado a lado, olhou imediatamente para ele, com a expressão mais escandalizada que a ocasião permitia, e recebeu um sorriso cínico em resposta, o loiro se aproximou ainda mais, selando os lábios da garota, que permaneceu imóvel, tentando racionalizar o que havia acabado de acontecer.
- O quê...? – Hermione iniciou a frase, mas nesse momento o salão inteiro estava tomado pelo zumbido dos comentários que se iniciaram quando Draco a beijou.
- Você queria que eu te levasse a sério, mais sério que isso eu não consigo. – Malfoy disse em um sussurro e Hermione queria que o chão se abrisse naquele momento e a engolisse. Ele realmente tinha se atrevido a beijá-la em público, na frente de toda a sociedade mágica, e pior, na frente dos pais dele.
- Se isso for um dos seus jogos Malfoy, não vai ficar barato. – Ela forçou um sorriso e aguardou o fim do discurso da diretora para sair do palco acompanhada por ele, que a segurou pela mão com firmeza até fora do salão.
- O que foi agora? – Ele a puxou quando estavam quase nos jardins, a neve e o vento gelado estavam o deixando congelado e imaginou como ela suportava o frio usando somente aquele vestido.
- O que você pretendia com isso Malfoy? Está tentando me humilhar na frente de todas essas pessoas? Qual é o seu problema comigo afinal? – Hermione se controlava para não gritar, mas a verdade que sua vontade berrar com ele, fazê-lo se arrepender de brincar com ela daquela forma.
- Granger, para. Agora. – Draco respirou fundo e segurou os dois braços da garota a trazendo para mais perto. – Eu não estava brincando, não era uma piada. Eu fiz aquilo porque era isso que você queria. Eu assumi nós dois na frente de todos, agora você não tem mais motivos para dizer que eu só quero me divertir com você.
- Isso não é uma piada? – Hermione olhou para ele apreensiva, tentando detectar um traço de risada na expressão dele, o loiro continuou a encarando de forma séria. – Eu vou confiar em você, não faça eu me arrepender por isso.
Continua...
Nota da Autora: Vamos às desculpas? Sinceramente, vou pular essa parte. Eu fui olhar a data da última atualização e bom, tem cinco meses que eu não posto nada por aqui. Eu tinha me comprometido (comigo mesma) a só postar esse capitulo quando o outro estivesse pronto, mas eu acho que mais tempo de espera ia ser maldade da minha parte. É fim de ano, a faculdade acabou, a vida está mais tranqüila. Eu pretendo sim retomar o hábito de escrever sempre, espero que eu não demore tanto a terminar o capitulo e que antes do fim do verão vocês leiam o final dessa história. Obrigada pelo carinho, por não desistir de CS e por não terem mandado cartas bombas até minha casa. Vocês são lindas e lindos, mandem reviews! Beijos. Bri.
