Capítulo 4 – Esforços e coragem

Silena não era lá a pessoa mais naturalmente inteligente do mundo, mas era esforçada. No final do dia, ela tinha conseguido memorizar grande parte das coisas que revisamos.

Quando demos uma pausa para descansar as estrelas já eram pontos brilhantes no céu escuro.

- Eu sempre gostei de observar as estrelas... – ela falou – Podemos parar um pouquinho?

- Não sei... Ainda temos muita coisa para estudar...

- A gente faz isso amanhã, por favooor. – ela fez biquinho –

Depois do biquinho eu não podia simplesmente dizer não. Saímos de baixo da árvore e deitamos na grama macia.

- Elas são tão brilhantes e especiais... – ela disse depois de um tempo –

- Você é mais especial que qualquer uma delas. – murmurei baixinho –

- O quê?

- Nada! – falei rapidamente – Eu não falei nada...

- Ah.

Ficamos mais um tempo observando o céu.

- Acho que está ficando um pouco tarde, minha mãe deve estar preocupada. – disse –

- Eu vou ficar por aqui mais um pouco. Meu pai está em uma reunião de negócios e acho que ele vai chegar tarde.– então ela falou sussurrando - Posso te contar um segredo?

- Claro.

Ela chegou mais perto.

- Eu odeio ficar naquele apartamento gigante sozinha. – ela disse num tom baixo – É totalmente assustador. E se eu encontrar um rato? – e tremeu como se sentisse um calafrio –

Quando ela tremeu, nossos braços se encontraram.

- Desculpa. – ela desencostou –

Eu praticamente liguei o modo mudo por um tempo. Levantei, respirei fundo e criei o máximo de coragem que eu conseguia.

- Gostaria de jantar na minha casa? – falei de uma vez, com os olhos fechados e estendi minha mão para ela –

- Tem certeza? Eu não quero incomodar, de verdade. – ela falou, aceitando minha mão –

- Minha mãe faria isso mais tarde de qualquer jeito...

Seguimos para o meu prédio.

Quando nós estávamos saindo do elevador, encontramos minha mãe.

- Ah querido, você está aí, eu ia te procurar. – seus olhos passaram do meu rosto para algo mais em baixo e depois para Silena – E quem é a adorável moça?

Foi quando eu percebi que ainda estávamos de mãos dadas.

Era inexplicável.

Rapidamente soltei minha mão e senti me rosto ficar vermelho.

- Essa é Silena Beauregard, mãe. Eu estou dando aulas particulares para ela, não lembra quando eu te contei? – falei rápido demais, passando a mão pela nuca –

- Aham. – ela me respondeu vagamente. Estava se concentrando em fitar a garota ao meu lado. –

Então ela pareceu acordar de repente e perguntou: - Quer entrar para jantar querida?

- Seria um prazer Sra. Beckendorf. – Silena respondeu educadamente –

O jantar foi quase que normal. Apenas um pouco solitário para mim. As duas conversavam como se eu não estivesse ali. Fui totalmente excluído da conversa.

Comecei a lavar os pratos enquanto elas ainda conversavam.

- Sua mãe é bem legal. – ouvi a voz de Silena atrás de mim –

- É, como o desenho que eu fiz com 6 anos, - apontei para a porta da geladeira – a melhor.

Na minha visão, aquele desenho era deprimente. Um monte de rabiscos escrito em letras toscas mamãe em baixo e outro monte menor escrito eu. Na parte de cima, um coração que parecia um quadrado e as palavras melhor mãe do mundo. Eu nunca fui exatamente um artista.

- Own, que fofinho. – ela estava na frente da geladeira e olhava atentamente o desenho –

Ela sentou na bancada pensativa.

- Parece que você não traz muitas garotas aqui.

- Não é como se eu conhecesse muitas garotas. – falei esfregando um garfo – Basicamente só a Micali e Drew vem aqui. Mas como ela acha que os dois ainda vão se casar...

- Eles? Sem querer ofender, mas eles não ficam no mesmo lugar por 5 minutos sem brigar.

- Por isso apostei 5 dólares com ela que eles nunca vão ser um casal.

- Vou torcer por você. – ela sorriu e cruzou os dedos –

Olhou deprimente para a louça.

- Eu realmente queria ajudar, mas é que eu pintei as unhas hoje mesmo. – a loira mostrou as unhas verde-água. –

- Tudo bem, já estou acabando, só falta secar.

- Acho que secar não vai estragar... Muito.

- Não precisa, sério.

- Tudo bem, eu quero fazer.

Joguei um pano para ela. Ela secava os utensílios e eu guardava nos armários. Em pouco tempo tudo estava pronto.

Virei-me para sair da cozinha e vi minha mãe encostada no batente. Podia ler as palavras em sua mente: Parecem até casados! Mas antes de um desastre, Silena falou.

- Acho que é melhor eu ir pra casa, tá meio tarde...

Após minha mãe se despedir dela, acompanhei-a até a porta da frente.

- Então... Te vejo amanhã.

- É, até amanhã. – ela meu deu um tchauzinho e sorriu.

Retribui a despedida e fechei a porta. Fui para o meu quarto e deitei na cama antes que minha mãe tivesse tempo de me perguntar qualquer coisa embaraçosa.