02. Achando a chave do tesouro.
[Jenrya, Mayumi e Shiuchon, Durante a Treasure of a Miracle]
- Credo, Takato...
Eu já estava bem meia hora em pé, ouvindo os lamentos do meu melhor amigo.
- Obrigado por me ouvir, Lee-kun.
- Amigo é pra isso, não?
- Acho que sim...
- Mas agora vai dormir Takato-kun, você vai ficar com uma dor de cabeça forte depois deste choro todo.
- Tem remédio aqui em casa.
- Mas é melhor ir dormir.
- Ok... Até manhã.
- Até.
Assim que eu desliguei o telefone, fiquei atordoado. Eu sei, leitor, o jurato é óbvio que até minha irmã já percebeu e tal, mas eu não sei que conselho devo dar...
- Jen-nii-chan, porque você não abre o jogo com a Juri-nee-chan?
Como eu disse, até a Shiuchon percebeu.
- Eu não deveria me meter nos assuntos amorosos dos outros, sabia?
- Sim eu sei, mas... Ainda assim...
Fiquei calado, estava em profunda dúvida. Achei melhor pedir conselhos a uma pessoa extremamente expert no assunto: Minha mãe.
...
- O loirinho dos olhos vermelhos e a menina que tem um restaurante?
- Eles mesmo, mamãe.
- Bem que reparei nisso... Bem, o que aconteceu?
- Depois de muito tempo engolindo sapo ele se declarou pra ela, e ela achou que ele estava brincando...
- Ui... já vi isso...
- A Shiuchon disse para eu abrir o jogo com ela, mas... não quero me meter, sabe?
Minha mãe terminou de guardar os pratos.
- Jenrya, me responde: se eu e seu pai ficássemos numa situação dessas, o que você faria?
- Eu tentaria reconciliar vocês, claro.
- Você se importa com o Takato?
- Ele é meu melhor amigo, mamãe. - eu respondi, olhando sério para ela.
- Eu não preciso dizer mais nada, né?
Eu refleti.
- Ele vai me odiar por isso.
- Jen-nii-chan, você sabe que o Takato-nii-chan é meio tímido. Foi sorte(?) ele ter conseguido falar essas coisas pra Juri-nee-chan, e duvido muitíssimo que ela vá falar de novo.
- Sua irmã está certa. - minha mãe apontou para ela, com um sorriso.
Eu cedi.
- Ok, falo com ela de manhã... E você vem junto, né, Shiuchon?
- Vou, claro, desde que você me pague um doce.
Eu a fitei com raiva. Um dia eu descubro aonde ela aprendeu a ser tão interesseira.
...
- Katou, posso falar com você um momento?
Eu fui até a sala do 5 - 2 falar com a Katou na hora do intervalo. Quando ela estava vindo ao meu encontro, foi difícil não corar com os comentários das amigas delas, do tipo "Hey, ele não é o melhor amigo do Takato? Tá certo ele ficar com a namorada dele?" ou "Katou não sei o que você fez pra conquistar o príncipe da 'Gonichiban', mas eu quero saber tudo depois!".
- Que foi?
- É que suas amigas...
- Ah não liga pra elas, elas só querem te deixar sem jeito.
- E conseguiram. - e eu fechei a porta.
- Mas bem, o que aconteceu para você vir conversar comigo?
Respirei fundo.
- É sobre ontem.
- Nós nos vimos ontem? - ela deu uma risadinha.
- Sobre o que o Takato te falou.
Ela fechou a cara.
- Ele me contou tudo.
- Bem... Acho que fiz besteira mesmo... Sabe?
- Não vim julgar você, Katou, só vim abrir o jogo.
- Ele te mandou aqui?
- Ele nem sonha com isso. A propósito, ele veio?
- Não...
- Nossa então ele ficou bem pra baixo, mesmo...
- Oi?
- Bem, vou ser mais prático, até porque o intervalo está acabando e eu não quero mais tomar seu tempo.
- Pode falar.
- Nunca perguntei desde quando, mas sim, ele gosta muito de você, até arriscaria dizer que ele te ama mesmo. E por causa disso, ele passou por maus bocados.
- Tipo o D-Reaper?
- Não, tipo na MediaLand, que você gritou que vocês não eram um casal. É verdade, vocês ainda não são - ela corou - mas ele chorou horrores com isso.
- Eu não imaginava... Por isso ele estava meio seco...
- E o que aconteceu ontem deu um baque meio grande demais pra ele aguentar. Ele comentou que ia faltar hoje mesmo porque precisava digerir a informação, sabe?
- Entendo. Mas fico com medo de ele me pedir em namoro, sabe?
- Com relação a isso...
- O quê?
Respirei e falei com calma.
- "Não quero que ela pense que sou um cara apressado nem nada disso, mas ficar apaixonado por ela e esconder isso é algo que eu não aguento mais. Se pelo menos a gente continuássemos amigos até o colegial, eu esperaria com a maior calma. Se não der certo, tudo bem, mas ela precisa saber disso".
Ela ficou surpresa e colocou a mão na frente da boca.
- É só um trecho da conversa de ontem.
- Nem sei o que dizer...
- A partir daqui eu me retiro.
- Como?
- Katou, que tal você ir a casa dele, conversar pessoalmente sobre?
Ela se calou.
- Eu não deveria ter me metido entre vocês, mas acho que se eu não fizesse isso, não... Iria caminhar, sabe? Acho que assim como todo mundo, eu gostaria que vocês ficassem juntos.
- Obrigada, Jenrya.
- Eu é que agradeço por me ouvir.
E fui embora. De rpente eu vi minha irmã correndo feito um foguete em direção à Katou.
- JURI-NEE-CHAAAAAAAAAAAAAAAAAN~
- Shiuchon? - ela disse surpresa, enquanto abriu a porta da sala.
- Vai visitar o Takato-nii-chan? - ela disse, a abraçando.
- Vou sim, por quê? Quer ir junto?
- Não não, só diz pra ele que quero ser a daminha de honra do casamento de vocês! - ela olhou pro rosto da Katou, sedutora como só as crianças sabem ser - você deixa, né?
Ela ficou sem palavras e sem reação.
- Como é, Juri? Você e o Takato vão casar? E NEM ME CONTOU? - Uma das amigas delas gritou da sala.
- Sua diabinha, eu falo sim pra ele, mas isso num futuro bem distante, viu? - e se soltou do abraço.
- Te amo, Juri-nee-chan~~~
A Katou foi puxada para a sala e fechou a porta, enquanto que minha irmã sorria pra mim, com a cara claramente satisfeita com o que tinha feito. Eu apenas dei risada. Não era para isso que eu chamei a minha irmã, mas ela fez o que sabia melhor.
...
- Alô?
- Shiuchon? Sou eu, Takato Matsuda... O Lee-kun está?
- Só um minuto, vou chamar ele. - ela cobriu o telefone e deu risadinhas e passou para mim.
O resto vocês já sabem, né?
- Ele gritou muito?
- Não, até que me agradeceu sobre... - eu respondi pra minha mãe, enquanto coçava o meu ouvido, dolorido pelo grito dele.
NOTA: Quem já leu a Treasure of a Miracle teve a mesma sensação que eu, de que deveria ter algo assim. Espero que tenham gostado dessa crônica e do exemplo clássico de um mãe que é amiga dos filhos. Acho lindo relações assim, e fico feliz em saber que a minha mãe é super parecida com a Mayumi com relação a isso.
