Mask.

[Jenrya e Mayumi, durante Tamers, mais precisamente nas férias de verão, pouco depois da excursão.]

- Jenrya, que foi? Você tá muito pra baixo do que o normal.

Eu sei que isso não é frase que uma mãe deva dizer, mas quero que me compreenda: muitas vezes ando a beira de enlouquecer com quatro crianças (cinco, o Tao é outra criança também) num apartamento. Mas procuro ser compreensiva com todos eles, todos aqui tem personalidades únicas.

O que eu gosto no Jenrya é que ele realmente deixa para comentar seus problemas quando ele não confia em mais ninguém para ajudá-lo.

E ele tem vários problemas assim. Afinal ele é uma criança de dez anos.

Só que ultimamente ele anda para baixo demais, além de estar escondendo algo.

- Não é nada, mamãe.

- Jenrya...

Era uma tarde de quarta-feira bem quente. Aquele calor de Shinjuku se torna algo bem pegajoso no meio de agosto, e isso meio que te deixa meio reservado demais.

Apenas soltei o aspirador desligado em algum canto do corredor e me sentei ao lado dele, no sofá. A TV estava desligada e ele fitava o céu azul com os olhos cinza, distantes.

- Só têm nós dois em casa, e você odeia sentar no sofá sem a TV estar ligada. Melhor me dizer o que está acontecendo.

Ele suspirou.

- Coração bate rápido, pernas bambas, noventa por cento da sua atenção se volta para ela, e você se torna meloso. É isso que chamam de amor, mãe? - ele disse, friamente.

- A menos que você esteja sofrendo de alguma doença, é sim. - balancei a mão e a passei no cabelo.

Ele bateu no sofá.

- Mas como pode?! Ela é mesquinha ao último, muito orgulhosa, nem se dá ao trabalho de agir em grupo! Quem ela pensa que é? Só porque a mãe é modelo! Dá um tempo! Digimon Queen, ao inferno isso! - ele vociferou. Depois recostou no sofá e lacrimejou - Que diabos eu vi nela...

- Quem é essa?

- Ruki Makino. Filha de Rumiko Makino, aquela modelo do cabelo todo encaracolado que saiu na Betsucomi. - e apontou para a Betsucomi que comprei semana passada.

- Oh, ela tem uma filha? E ela gosta de Digimon?

- Ela é a rainha do jogo de cartas, perdeu por muito pouco para um garoto... Acho que seu nome era Akiyama Ryou.

- E você gosta dela?

O vi ficar vermelho.

- Eu não sei. Tem horas que dá vontade de matar ela, mas outras dá vontade de... Abraçar ela e não a deixar mais sair... - ele bagunçou o cabelo - Fico pra morrer quando me imagino com ela.

- Ta gamadinho nela, olha só... - e sorri sarcasticamente.

- Como você é engraçada, mamãe... - ele fez uma cara de poucos amigos.

Me levantei e peguei um pouco de suco para nós dois.

- E o que tem de errado de gostar dela? Só porque ela é rica, mesquinha e que gosta de agir sozinha?

- E se for?

- Como você é idiota.

Ele me olhou.

- Jenrya, você viu algo de bom nesta garota, algo bom o suficiente que te atraiu o suficiente para você gritar em casa com ódio dela e depois chorar, lamentando.

- E isso lá é bom?

- Diga-me você: você acha isso bom?

Ele se calou.

- Me diga o que te motiva a pensar tanto nela.

- Bem, mãe... Acho que um é o oposto do outro: temos ponto de vista diferente, educação diferente, estilo, vida... Tudo! Mas... Algumas vezes eu vejo o lado sensível dela, o lado que poderia dar o mundo em troca da segurança daqueles que ela ama... - Ele se calou por um momento e deixou os olhos dançarem sem rumo, depois confirmou - Acho que é isso. Acho que gosto dela por ela não ser tão submissa quanto eu. Ela pode ser o demônio, mas ela é única. Ela é...

- ... Mulher?

- Como assim? - ele indagou e bebericou o suco.

- Ela é feminina, e não é de seguir o padrão japonês, o famoso 'yamato nadeshiko'. Se eu fosse um homem, lutaria por ela.

- Mesmo ela sendo um demônio?

- Jenrya, deixa eu te perguntar uma coisa: você conhece o termo "tsundere'?

- Ouvi falar.

- É um estereótipo de Harajuku que define aquela mulher que é o demônio na frente dos outros, mas quando a sós com quem ela ama, chega a ser mais doce que chocolate.

Ele me olhou pensativo e depois olhou a janela. Bebeu o suco e deu um sorriso.

- Obrigada, mamãe. Você me ajudou muito.

- De nada. Agora me descreve ela.

Ele se assustou.

- Aahn... É ruiva, do olho lilás... Branca... Magra... E tem dez anos.

Pesquei minha Betsucomi e procurei uma foto que se encaixasse naquela descrição. De repente achei um pôster de uma menina daquele jeito, dentro de um vestido rosado e cheio de rendas, com uma cara de poucos amigos.

- Ela aqui?

- Hã?

E mostrei a foto para ele.

Ele corou na hora.

- Mas como...

- Jenrya, Jenrya, você tem um gosto do diabo! - E dei uma risada divertida. - Ela parece uma boneca norueguesa!

Ele riu despreocupado, mesmo com o rosto vermelho.

...

O Takato pediu para que fôssemos procurar o Impmon depois daquela batalha que ele teve com Indaramon. Ele resolveu ir sozinho, tinha dito que queria passar na casa da Juri.

Então sobrou para eu ir rodar a cidade com a Ruki.

- Nada aqui também... Diabo de digimon, onde ele se meteu?

- Renamon não consegue achar ele, Ruki? - soltei enquanto olhava para o céu.

- Nada. E por que você está tão despreocupado?

- Nada não. Estava pensando numa conversa da minha mãe.

- Agora deu de ficar espiando as brigas dos seus pais? - ela soltou, ácida.

- Não, não é isso. Ela me deu uns conselhos para lidar com uma... Uma paixonite minha.

- E quem é a vítima? - ela riu.

- Você.

Ela estatizou.

- Como é?

- É você, Miss Pride. - eu acabei dizendo mais tranqüilo do que eu imaginei.

Ela ficou parada, olhando com um ar de "seu ousado, como pode dizer isso e ficar olhando pro céu como se fosse nada?", e o rosto pintado de rosa.

- Ah, coitadinha de mim. - ela por fim disse.

- Ta me chamando de quê, garota?

- Ah, nada não. - e saiu andando na minha frente.

Andamos calados até o momento de nos separarmos e ir para casa.

- Jenrya.

- Oi.

- Me desculpa. Não posso te corresponder.

- Tem alguém, já? - falei sério.

- Não, não é isso, imagina, não tem ninguém. Eu só acho que... Sou imatura demais para lidar com esse tipo de problema...

- Entendo. Bem, então isso morre aqui.

- Hã?

- É, este assunto morre aqui. Vamos ser só amigos.

Ela sorriu. Aquela cena ficou na minha mente: um pôr-do-sol comum em uma cidade cinzenta e um sorriso sincero dela.

Acho que é por isso que eu a amo...

oOo

Espaço do talk: olha só quem voltou! Isso mesmo! Djo! AUHAUHAUHAHAUAHAHUAUAAHUAHAUHAHU Ok Parei.

Pessoalmente eu queria ter escrito uma crônica da Mayumi e do Tao, mas não consegui montar algo digno. Aí comecei a ouvir "Sayoko" acapella e saiu isso aí. Eu sei, é Jenruki, eu seu, Ryoukista e o mais, mas nunca tive problemas com os outros shippings exceto Rukato.

O próximo chapter tem de ser do casal Lee.