X.x.x.x.x 8 - Secret Lovers

Está certo. Essa última revelação do diretor me deixou um pouco confusa. Eu soquei Edward Wylde por nada? Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore esteve mandando cartas anônimas românticas todo esse tempo para minha professora preferida de Transfigurações? Oi? Quê?

- Lamento pelo ocorrido, Minerva. Lamento que tenha agredido o Sr. Wylde por minha causa, Srta. Swan. - Desculpou-se Dumbledore, distribuindo as cartas para mim e Minerva, para que pudéssemos lê-las. Na que estava em minhas mãos percebi que a letra se parecia um pouco com as das anteriores, embora eu percebesse a falta da pressa e a cor diferente da tinta.

"Minha cara Minerva,

Hoje notei que anda muito misteriosa e gostaria de saber o por quê. Está desconfiando de mim? Que sou eu quem manda essas palavras apaixonadas para você? Ao mesmo tempo que espero que não, torço que sim, para que talvez possamos ficar juntos. Juntos. Sim, ainda a esperança de que as coisas se arrumem sozinhas, que possamos esquecer, mesmo que por um breve momento, que temos tantas responsabilidades. Esperança que possamos ser nós mesmos. Com esse homem covarde amando a mulher com os olhos verdes mais lindos que esse mundo conheceu.

Seu... Admirador Secreto."

Olhei pasma para McGonagall, que transparecia a mesma expressão perplexa que supus estar em meu rosto também. Virei-me para Dumbledore, cujas orelhas e faces estavam vermelhas, e notei que ele continuava a tirar cartas dos bolsos e equilibrando em montes precários em minha frente.

- Mas diretor... - Comecei, sem saber direito o que perguntar.

- Sim? - Incentivou ele, amigável, sem olhar para mim.

Me levantei meio rígida, e voltei a sentar ao lado de Minerva, que encarava a parede com uma expressão vazia. A carta que leu estava dobrada no meio de nós duas. Peguei sua mão e dei palmadinhas, esperando alguma reação. A chamei baixinho, mas ela não se mexeu ou respondeu. Comecei a ficar preocupada.

- Professor? - Chamei Dumbledore, agora muito ansiosa - Professora Minerva não me parece bem.

Ligeiro, ele sentou do outro lado de McGonagall, pegando a mão dela exatamente como eu estava fazendo. Senti que ela havia se mexido um pouco, quase como se reagisse ao toque dele, mas voltou a ficar imóvel. Sorri internamente, embora a preocupação transbordasse de cada poro do meu corpo. Ela estava um pouco pálida, além da inércia que apresentava.

- Hm, Allexandra? - Ele usou meu nome depois que várias de suas tentativas de acordá-la do transe falharam. Fiz um sinal com a cabeça para que continuasse - Poderia ir até Madame Pomfrey e pedir para que viesse até aqui? Diga-lhe que o Diretor a está chamando.

Concordei com a cabeça e me levantei, mas sem soltar a mão (delicada, por sinal) de Minerva. Me curvei e deixei um beijo carinhoso na bochecha dela. Eu estava preocupada, né. Saí correndo para a enfermaria que visitei poucas vezes, ainda preocupada, embora eu a tenha deixado em boas mãos.

Em todo o tempo que levei para chegar na Enfermaria, pensei na atual situação. Minhas suposições, meus atos (dar um belo gancho de direita em Edward Wylde estava na lista também), minhas crenças agora pareciam infundadas. Sem pingo algum de verdade. Algo quente se fez presente em meu estômago e não era uma sensação agradável. Quando cheguei na enfermaria, procurei e chamei Madame Pomfrey, mas não a encontrei em lugar algum.

Resolvi voltar para a sala da Vice-Diretora, carregando alguns frascos de poções na esperança de que ajudassem Minerva de alguma maneira. Quando pus a mão na maçaneta, pude escutar uma discussão baixa. Parei na mesma hora.

- ... Mas eu não tive intenção, Minerva. - Era Dumbledore, com certeza. Estava arrependido? - Eu só escrevi esses pedaços de pergaminho. Não tive coragem de enviar, e se talvez o tivesse feito, poderíamos estar em uma situação diferente agora.

- E mesmo assim foi descuidado a esse ponto! - McGonagall havia voltado a si, mas sua voz, embora baixa, trazia uma raiva contida que eu nunca tinha ouvido. E agradecia aos céus por isso - Francamente! Tem idéia do que causou?! A mim e a Allexandra?!

Agora ouvia tecido arrastando no chão, o que me fez imaginar que Minerva já estava andando de um lado para o outro, nervosa.

Apertei a maçaneta com mais força, apreensiva.

- Como eu iria imaginar que alunos conseguiriam roubar as cartas do meu próprio bolso? Ora, Minerva, como haveria de imaginar que começariam uma brincadeira desse porte? - Dumbledore baixou a voz mais ainda, com remorso - Eu tinha planos de enviá-las, mas sequer tive coragem. Então você começou a agir estranhamente, e então desisti. O que poderia gostar em um velho como eu?

Pausa dramática. A porta não estava fechada, só encostada, então a abri mais, e coloquei a cabeça para dentro da sala discretamente. Dumbledore estava na frente de McGonagall, olhando para os próprios sapatos. Não pude ver a expressão de Minerva, mas ela olhava para o diretor com a cabeça um pouco torta para o lado e estava com os braços cruzados. Então, inesperadamente, eu a vi erguer a mão e pousar na bochecha de Dumbledore delicadamente. Ele era mais alto, mas ainda assim levantou a cabeça para olhá-la. Não sei o que viu, mas abriu um sorriso diferente dos que eu estava acostumada a ver. Seus olhos, seu sorriso... Eram tão meigos. Agradecidos também.

- Seu sorriso? - Senti que ela listaria inúmeras características que gostava nele. Por Merlin, EU estava prestes a gritar de emoção - Seus olhos azuis? Sua fala doce e gentil?

Ele passou as mãos na cintura dela, enquanto McGonagall rodeava o pescoço dele com os braços. Eu poderia apostar todos os meus poucos galeões que ambos estariam sorrindo bobamente agora. Até eu estava. Eles começaram a se balançar como estivessem dançando, mesmo sem música alguma.

- Sua inteligência? - Minerva continuou; o sorriso inconfundível em sua voz - Eu poderia fica aqui por um bom tempo, citando tudo que eu gosto em você, mas a qualquer minuto Allexandra ou alguém pode entrar na sala.

Mesmo enquanto ela falava, não pararam de dançar. Numa pausa em que se afastaram, Dumbledore pegou a mão de Minerva e a fez girar, sorrindo, como se ainda estivessem dançando alguma coisa. Voltaram a ficar juntos e então Dumbledore sussurrou tão baixo que foi uma sorte eu ter conseguido entender alguma coisa.

- Vamos ficar aqui. Vamos ficar aqui para sempre. Só você e eu. - Sugeriu o diretor, abraçando a professora com tanto carinho que, confesso, duas lágrimas quase caíram. Duas não, várias.

Minerva riu, alegre, e ficou na ponta dos pés para depositar um beijo na bochecha dele. Riu de novo quando ele fez a mesma coisa com ela, provavelmente por causa da barba fazendo cócegas.

Eu estava quase tendo uma ataque (sintomas: mãos suadas, coração batendo desesperadamente e respiração ofegante) de ansiedade. Muito típico, mas nas circunstâncias não, é claro. Eu sorri, tentando sair sem ser percebida.

Pela primeira vez em dois dias, as coisas estavam dando certo. E eu só podia dar graças.

X.x.x.x.x

N/A: Não, Dumbledore não enviou as cartas, ele apenas as escreveu! Psé, essa história ainda vai dar muito pano para manga, então aguardem.

Ah, minhas desculpas são toscas, mas dessa vez eu tenho uma aceitável para o atraso: estou com uma bronquite danada que atrapalhou ainda mais o segundo motivo; eu já havia escrito um capítulo diferente, mas fui revisar pela última vez antes de postar e notei que não encaixaria na história, então tive que reescrever, o que me tomou um tempo precioso.

Por último, gostaria de pedir que levantem as varinhas em homenagem a Will Gardner (da série The Good Wife) que no último episódio foi gravemente ferido (estilo Severus Snape). Minhas amigas Rob, Bea, Lary e Clara estão muito tristes com isso, e espero que, ao levantarmos nossas varinhas, possamos prestar uma homenagem a um personagem fantástico como ele e acalmar a dor de nossos corações como tentamos até hoje fazer com Albus Dumbledore.

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P.S.: É, estou agradecendo pelos lembretes da Bia e da Sra. McGonagall D. para atualizar, embora eu não o tenha feito nos dias prometidos. Sorry.